O jornalista e professor Luís Guilherme
Pontes Tavares, coordenador do Núcleo Baiano de História dos
Impressos e do GT de História da Mídia Impressa da Rede
Alfredo de Carvalho, lançou no último dia 15 de setembro o
livro Nome para compor em caixa alta: ARTHUR AREZIO DA
FONSECA, cujo texto é a sua tese de doutoramento
defendida em 2000 na FFLCH/USP. O evento foi realizado na
Fundação Luís Eduardo Magalhães, em Salvador. A
publicação, patrocinada pela Empresa Gráfica da Bahia –
Egba –, integra a programação dos 90 anos da inauguração
dessa instituição.
O baiano Arthur Arezio da Fonseca
(1873-1940) foi o primeiro diretor industrial da Empresa
Gráfica da Bahia (antiga Imprensa Oficial do Estado e, depois,
Imprensa Oficial da Bahia). Distinguiu-se como autor de cinco
livros técnicos, dentre os quais o Diccionario de termos
graphicos, publicado em 1936, obra pioneira no mundo
lusófono. Arthur Arezio começou a trabalhar como tipógrafo
com 14 anos e só deixou a labuta em oficina gráfica, dias
antes de sua morte, por causa do agravamento de doença que o
atormentou ao longo da vida.
A Empresa Gráfica da Bahia foi inaugurada
em 07 de setembro de 1915, porém Arthur Arezio começou a
trabalhar ali três anos antes, pois coube-lhe o planejamento
físico e a escolha dos equipamentos das oficinas gráficas.
Em 1912, quando foi convocado para a tarefa pelo governador J.
J. Seabra, ele era profissional feito e reconhecido, com dois
livros publicados – Serões typographicos (1905) e Esboço
typográfico (1907) –, a edição da Revista
Typographica (1897) e da revista Malagueta
(1897-1898), a propriedade da Officina Xilo-typographica de
Arezio & Carvalho e a colaboração com diversos
periódicos, dentre os quais a Revista da Associação
Typographica Bahiana.
Arthur Arezio, portanto, trabalhou para a
Egba durante 28 anos. No período, não descuidou de suas
iniciativas pessoais, tais como a revista Phenix
(1918), Artes e Artistas (1920-1924), periódico
pioneiro na Bahia na divulgação do cinema (estudado pela
professora doutora Angeluccia Bernardes Habert, que, a
propósito, publicou em 2002 o livro A Bahia de outr’ora,
agora) e Nossa Terra (1925). Em 1916, publicou o
livro Machinas de Compor; em 1925, o livro Revisão
de provas typographicas, seu título mais vendido por
muitos anos, e, por fim, o Diccionario, de 1936, obra
premiada e recebida com aplauso pelos críticos literários da
época.
Além do lançamento de Nome para compor
em caixa alta: ARTHUR AREZIO DA FONSECA em 15 de setembro
na Fundação Luís Eduardo Magalhães, houve o
pré-lançamento no final da tarde do dia 9 para os
funcionários da Egba, ocasião em que o Luís Guilherme disse
algumas palavras sobre o empreendedor Arthur Arezio da
Fonseca, o operário gráfico que a Salvador do seu tempo
tratava como intelectual. Após o dia 15, o livro será
comercializado pela própria Egba (71 3116 2800) e pela Edufba
(71 3263 6159).