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ACE festeja 30
anos em São Paulo
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Fonte:
Comunique-se, 5/12/2007
Quando, no
Brasil, a ditadura militar proibia a imprensa de
escrever sobre certos assuntos, os
correspondentes estrangeiros que trabalhavam no
País tiveram um papel importante: eles podiam
publicar em seus veículos o que aqui não era
autorizado. Para a atual presidente da
Associação dos Correspondentes Estrangeiros (ACE),
Verónica Goyzueta, esse é o principal feito da
entidade, que comemorou, na terça-feira (05/12)
em São Paulo, os 30 anos de existência, com o
principal objetivo de dar apoio necessário aos
jornalistas enviados ao Brasil.
“Vivemos numa
democracia, graças a Deus, e não temos mais
essa preocupação. Mas temos o papel de
integrar os correspondentes que vivem no Brasil.
Infelizmente, não temos toda uma estrutura como
há em outros países para acolher os
correspondentes (a ACE não tem sede própria,
fica alocada na sede do Sindicato dos
Jornalistas), então hoje somos esses ‘integradores’,
afirma Verónica, que trabalha para a revista
América Economia, do Chile, e para o jornal ABC
da Espanha.
Para a
jornalista, a falta de sede é um problema
porque, quando os correspondentes chegam, eles
demoram para encontrá-los. Mesmo assim, os
jornalistas que hoje compõem a ACE foram
ajudados e continuam ajudando aqueles que “chegam
aqui sem conhecer ninguém e precisam de apoio
para conseguir entrevistar as pessoas
importantes ou vencer a burocracia do Brasil”.
Larry Rohter
Um fato
determinante para a ACE nos últimos anos
foi, em 2004, a decisão do governo
Lula de cancelar
o visto do correspondente do
então New York Times Larry Rohter, por
escrever sobre o hábito de beber do presidente.
“Nesse momento,
todos da associação estavam reunidos e
conseguimos tomar uma posição de maneira muito
rápida. No final, acabou tudo certo, pois o
governo repensou sua atitude, afinal, estamos
num país democrático”, declarou Verónica.
1977
“Foi em São
Paulo onde quase tudo aconteceu - passeatas
estudantis, surgimento de sindicatos
combativos, manifestações políticas. E
os correspondentes estrangeiros que cobriam a
política logo descobriam que estavam sujeitos
às mesmas pressões que os seus colegas
brasileiros - telefonemas anônimos com
ameaças, calunias,intimidações”. Assim
a jornalista Jan Rocha (na época correspondente
da BBC e do The Gardian de Londres) explica que
a ACE, que começou com o nome de SIESP
(Sociedade de Imprensa Estrangeira de SP),
nasceu com o intuito de defender a integridade
dos correspondentes e mostrar solidariedade
quando algum deles fosse “injustamente
atacado”.
“Nos éramos 13
pessoas e nos reuníamos na minha casa. Eram
como a própria São Paulo - muitos
trabalhadores, dedicados, sérios. Uma dúzia de
gatos pingados lutando para tornar a maior
cidade da América Latina mais conhecida,
colocá-la na mapa da imprensa internacional”,
lembra Jan ao citar que criar uma entidade
independente das associações já existentes no
Rio de Janeiro e Brasília era considerado um
“atrevimento” na época.
A ACE possui
atualmente 140 membros e lançará em fevereiro
de 2008 o livro “Brasil dos correspondentes”,
com artigos de integrantes da associação
analisando a história do Brasil nos últimos 30
anos.
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