Ano 7, N. 85 - 01 de Janeiro de 2008

                                                                                                                          

ACE festeja 30 anos em São Paulo

 

 

Fonte: Comunique-se, 5/12/2007

Quando, no Brasil, a ditadura militar proibia a imprensa de escrever sobre certos assuntos, os correspondentes estrangeiros que trabalhavam no País tiveram um papel importante: eles podiam publicar em seus veículos o que aqui não era autorizado. Para a atual presidente da Associação dos Correspondentes Estrangeiros (ACE), Verónica Goyzueta, esse é o principal feito da entidade, que comemorou, na terça-feira (05/12) em São Paulo, os 30 anos de existência, com o principal objetivo de dar apoio necessário aos jornalistas enviados ao Brasil.

“Vivemos numa democracia, graças a Deus, e não temos mais essa preocupação. Mas temos o papel de integrar os correspondentes que vivem no Brasil. Infelizmente, não temos toda uma estrutura como há em outros países para acolher os correspondentes (a ACE não tem sede própria, fica alocada na sede do Sindicato dos Jornalistas), então hoje somos esses ‘integradores’, afirma Verónica, que trabalha para a revista América Economia, do Chile, e para o jornal ABC da Espanha.

Para a jornalista, a falta de sede é um problema porque, quando os correspondentes chegam, eles demoram para encontrá-los. Mesmo assim, os jornalistas que hoje compõem a ACE foram ajudados e continuam ajudando aqueles que “chegam aqui sem conhecer ninguém e precisam de apoio para conseguir entrevistar as pessoas importantes ou vencer a burocracia do Brasil”.

Larry Rohter

Um fato determinante para a ACE nos últimos anos foi, em 2004, a decisão do governo Lula de cancelar o visto do correspondente do então New York Times Larry Rohter, por escrever sobre o hábito de beber do presidente.

“Nesse momento, todos da associação estavam reunidos e conseguimos tomar uma posição de maneira muito rápida. No final, acabou tudo certo, pois o governo repensou sua atitude, afinal, estamos num país democrático”, declarou Verónica.

1977

“Foi em São Paulo onde quase tudo aconteceu - passeatas estudantis, surgimento de sindicatos combativos, manifestações políticas. E os correspondentes estrangeiros que cobriam a política logo descobriam que estavam sujeitos às mesmas pressões que os seus colegas brasileiros - telefonemas anônimos com ameaças, calunias,intimidações”. Assim a jornalista Jan Rocha (na época correspondente da BBC e do The Gardian de Londres) explica que a ACE, que começou com o nome de SIESP (Sociedade de Imprensa Estrangeira de SP), nasceu com o intuito de defender a integridade dos correspondentes e mostrar solidariedade quando algum deles fosse “injustamente atacado”.

“Nos éramos 13 pessoas e nos reuníamos na minha casa. Eram como a própria São Paulo - muitos trabalhadores, dedicados, sérios. Uma dúzia de gatos pingados lutando para tornar a maior cidade da América Latina mais conhecida, colocá-la na mapa da imprensa internacional”, lembra Jan ao citar que criar uma entidade independente das associações já existentes no Rio de Janeiro e Brasília era considerado um “atrevimento” na época.

A ACE possui atualmente 140 membros e lançará em fevereiro de 2008 o livro “Brasil dos correspondentes”, com artigos de integrantes da associação analisando a história do Brasil nos últimos 30 anos.

 

 

 

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