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Bicentenário da
imprensa: fontes maranhenses
Sebastião Jorge (*)
O desmedido amor aos livros tem
enriquecido a história da literatura, ora com desfechos
trágicos, ora cômicos, e em alguns momentos, repassados de
curiosidades. Miguel de Cervantes nos deu um Alfonso Quejana,
que depois se incorporou na figura de dom Quixote, o qual
perdeu o juízo de tanto ler. Por investir em livros de
cavalaria ficou também sem a fortuna. Privado da leitura
"que lhe havia enfeitiçado" morreu logo depois.
Shakespeare criou o personagem Próspero, rei de um lugar
qualquer do Reino Unido, digamos, da Cornuallha, e, que, por
desprezar os negócios do Estado, pela leitura, foi punido com
o exílio, para uma ilha no meio do oceano.
Luis Borges sonhou com uma "Biblioteca de Babel"
transformada num só volume, com um número de páginas
infinitas, para acesso de todos. Pelo visto, divisualizou os
poderes da Internet, que propicia navegarmos pela Biblioteca
do Congresso, em Washington, na qual se acha a história do
mundo, a disposição de qualquer um.
Vem de ser lançado um livro de título esquisito – "Philoblibon",
do reverendo Richard de Bury (1344), que não passa de um
tratado de amor ao livro, quando a tipografia de Gutenberg
(1450), não era nem um sonho. Bury deixou esta frase
antológica sobre esse tipo de paixão: "Quanto tenho um
pouco de dinheiro, compro livros e, se me sobrar algum, compro
comida e roupas".
Com o historiador pernambucano Alfredo de Carvalho (1870 –
1916) que tem o nome ligado a uma Rede nacional de
informações sobre a mídia, com vistas à comemoração dos
200 anos da imprensa no Brasil, data esperada com expectativa,
em 2008, deu-se o contrário. Tinha muito dinheiro e investiu
em livros e cultura e se esqueceu do pão nosso de cada dia.
Foi a sua tragédia. Adiante explicaremos por que.
A homenagem é merecida, pelo trabalho realizado, nesse
universo de estudos. A deferência adquiriu contornos de
motivação no meio acadêmico de todo o país que trabalha
para debater e levantar dados, para o resgate da memória da
imprensa e a construção da história da mídia no Brasil que
ofereçam uma visão ampla sobre os meios de comunicação em
dois séculos, em particular, a partir do primeiro jornal,
Correio Braziliense, de 1º de junho, editado por Hipólito da
Costa.
O movimento da Rede Alfredo de Carvalho foi
deflagrado desde o início do terceiro milênio. Envolve
diversas instituições ligadas ao ensino, pesquisa ou outras
entidades profissionais interessadas em cultura. São Luís
sediará no corrente mês o IV Encontro Nacional da História
da Mídia, com foco em A luta pela Liberdade de Imprensa
no Brasil – Revisão crítica dos 300 anos de Censura,
promovido pela Rede Alfredo de Carvalho com o apoio da
Associação Maranhense de Imprensa – AMI. Na oportunidade
serão apresentados trabalhos que tenham relação com as
atividades midiáticas.
No século passado, por ocasião do centenário da imprensa
(1808-1908), quem representou o Maranhão ao levantar
informações sobre as publicações locais, com início em
1821, com O Conciliador, sob orientação daquele
humanista, que coordenou os trabalhos em nível nacional foi o
maranhense Augusto Olympio Viveiros de Castro, jurista,
ministro do Supremo Tribunal Federal, autor de vários livros,
e que resultou no Catálogo dos jornais, revistas e outras
publicações periódicas do Maranhão.
Depois desse trabalho só apareceu outro, em 1981, no governo
de João Castelo, tendo como secretário de Educação e
Cultura, Antônio Carlos Beckman; presidente da Fundação
Cultural do Maranhão, Arlete Nogueira da Cruz; diretora da
Biblioteca Benedito Leite, Simone Lucília Andrade Macieira; e
responsável pela seção de jornais, Celeste Amância Aranha
e Silva, que contou com a colaboração de Maria de Jesus
Martins Braga. O grupo bem que poderia ser ouvido sobre tão
importante tarefa, que demandou tempo e muita paciência, cujo
produto foi o catálogo: Jornais maranhenses /
1821-1987. Qualquer dado ou informação que se queira sobre
periódicos locais só há um caminho: recorrer a essa
publicação. Representa uma espécie de farol a indicar a
direção para estudos dos nossos jornais. Ele é o nosso ABC
para vôos maiores.
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