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Congresso de História da
Mídia debate
300 anos de censura no Brasil
São Luis do Maranhão, cidade monumento que preserva um belo casario
colonial, emoldurado por azulejos lusitanos, ladeiras míticas e palco
de manifestações ancestrais como o bumba-meu-boi, vai sediar de 31 de
maio a 2 de junho o IV Congresso Nacional de História da Mídia,
promovido pela Rede Alfredo de Carvalho, em parceria com a AMI –
Associação Maranhense de Imprensa.
Além de propiciar o
encontro anual dos pesquisadores engajados na Rede Alfredo de Carvalho
para o Resgate da Memória da Imprensa e a Construção da História da
Mídia no Brasil, o evento pretende discutir o itinerário da censura em
nosso país, tendo como marco referencial o confisco da primeira
tipografia de que se tem notícia, em território nacional.
Apreendido por ordem
régia lavrada em Lisboa, no ano de 1706, o prelo instalado na cidade do
Recife, destinava-se a imprimir piedosas orações católicas e rendosas
de câmbio, dentro dos padrões típicos do regime colonial. A mesma
truculência com que foi destruída essa tipografia clandestina voltaria
a se reproduzir em 1747, quando funciona no Rio de Janeiro uma oficina
gráfica autorizada pelo governador local para imprimir manuais
utilitários. Trata-se de acontecimentos emblemáticos, geradores de uma
herança repressiva, que vem permeando a sociedade brasileira desde a
sua constituição em 1822. Intermitente e contumaz, a censura ressurge
ciclicamente na vida nacional, às vezes de modo ostensivo (como ocorreu
durante o Estado Novo), às vezes de modo dissimulado (como atestam
evidências contemporâneas).
A fisionomia desse traço
do ethos brasileiro será esboçada pelas 5 mesas redondas
programadas, reunindo mais de 20 personalidades representativas das
comunidades acadêmicas de ciências históricas e das ciências da
comunicação, além de profissionais, empresários e agentes
governamentais. Destacam-se as presenças do diretor do Museu Nacional
de Imprensa de Portugal, Luis Humberto Marcos, do Procurador da
República Nicolao Dino (Presidente da Associação Nacional dos
Procuradores da República), do Presidente da Federação Nacional dos
Jornalistas Sérgio Murilo, do Professor José Marques de Melo,
Presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da
Comunicação e Titular da Cátedra UNESCO/METODISTA de Comunicação,
além do Titular da Cátedra FENAJ de Jornalismo, Professor Francisco
Karam.
Entretanto, a
contribuição substantiva para elucidar o itinerário da censura e de
outros fenômenos midiáticos nacionais está contida nos 229 trabalhos
inscritos no congresso, incluindo comunicações de pesquisa acadêmica,
relatos de iniciação científica e exibição de produtos audiovisuais.
As subáreas melhor
dimensionadas são as História de Jornalismo (69 trabalhos), História
da Mídia Sonora (22), História da Mídia Impressa (21) e História da
Mídia Audiovisual (21). Em patamar imediato figuram a História da
Mídia Alternativa (l6), História da Propaganda (l4) e História da
Midiologia (12). Na retaguarda estão os grupos de História das
Relações Públicas (8), Mídia Digital (7) e Mídia Visual (7).
Integra ainda o evento a
Mostra Documental de História da Mídia, exibindo 32 trabalhos. Como
atividades complementares estão previstas sessões de lançamentos e
relançamento de 23 livros.
O IV Congresso Nacional
de História da Mídia está sendo organizado sob o comando da
Jornalista Edvânia Kátia, presidente da Associação Maranhense de
Imprensa (AMI), contando com a colaboração de uma equipe de
voluntários, dentre os quais se destacam as Jornalistas Roseane
Pinheiro e Mirlene Bezerra.
A abertura solene do
congresso está agendada para a noite de 31 de maio, na presença do
Governador do Estado, Prefeito Municipal de São Luis, Reitores das
Universidades e Diretores das Instituições de Ensino Superior da
cidade.
Informações adicionais: www.redealcar.net
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