Ano 6, N. 66 - 01 de junho de 2006



Congresso de História da Mídia debate 
300 anos de censura no Brasil


São Luis do Maranhão, cidade monumento que preserva um belo casario colonial, emoldurado por azulejos lusitanos, ladeiras míticas e palco de manifestações ancestrais como o bumba-meu-boi, vai sediar de 31 de maio a 2 de junho o IV Congresso Nacional de História da Mídia, promovido pela Rede Alfredo de Carvalho, em parceria com a AMI – Associação Maranhense de Imprensa.

Além de propiciar o encontro anual dos pesquisadores engajados na Rede Alfredo de Carvalho para o Resgate da Memória da Imprensa e a Construção da História da Mídia no Brasil, o evento pretende discutir o itinerário da censura em nosso país, tendo como marco referencial o confisco da primeira tipografia de que se tem notícia, em território nacional.

Apreendido por ordem régia lavrada em Lisboa, no ano de 1706, o prelo instalado na cidade do Recife, destinava-se a imprimir piedosas orações católicas e rendosas de câmbio, dentro dos padrões típicos do regime colonial. A mesma truculência com que foi destruída essa tipografia clandestina voltaria a se reproduzir em 1747, quando funciona no Rio de Janeiro uma oficina gráfica autorizada pelo governador local para imprimir manuais utilitários. Trata-se de acontecimentos emblemáticos, geradores de uma herança repressiva, que vem permeando a sociedade brasileira desde a sua constituição em 1822. Intermitente e contumaz, a censura ressurge ciclicamente na vida nacional, às vezes de modo ostensivo (como ocorreu durante o Estado Novo), às vezes de modo dissimulado (como atestam evidências contemporâneas).

A fisionomia desse traço do ethos brasileiro será esboçada pelas 5 mesas redondas programadas, reunindo mais de 20 personalidades representativas das comunidades acadêmicas de ciências históricas e das ciências da comunicação, além de profissionais, empresários e agentes governamentais. Destacam-se as presenças do diretor do Museu Nacional de Imprensa de Portugal, Luis Humberto Marcos, do Procurador da República Nicolao Dino (Presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República), do Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas Sérgio Murilo, do Professor José Marques de Melo, Presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação e Titular da Cátedra UNESCO/METODISTA de Comunicação, além do Titular da Cátedra FENAJ de Jornalismo, Professor Francisco Karam.

Entretanto, a contribuição substantiva para elucidar o itinerário da censura e de outros fenômenos midiáticos nacionais está contida nos 229 trabalhos inscritos no congresso, incluindo comunicações de pesquisa acadêmica, relatos de iniciação científica e exibição de produtos audiovisuais.

As subáreas melhor dimensionadas são as História de Jornalismo (69 trabalhos), História da Mídia Sonora (22), História da Mídia Impressa (21) e História da Mídia Audiovisual (21). Em patamar imediato figuram a História da Mídia Alternativa (l6), História da Propaganda (l4) e História da Midiologia (12). Na retaguarda estão os grupos de História das Relações Públicas (8), Mídia Digital (7) e Mídia Visual (7).

Integra ainda o evento a Mostra Documental de História da Mídia, exibindo 32 trabalhos. Como atividades complementares estão previstas sessões de lançamentos e relançamento de 23 livros.

O IV Congresso Nacional de História da Mídia está sendo organizado sob o comando da Jornalista Edvânia Kátia, presidente da Associação Maranhense de Imprensa (AMI), contando com a colaboração de uma equipe de voluntários, dentre os quais se destacam as Jornalistas Roseane Pinheiro e Mirlene Bezerra.

A abertura solene do congresso está agendada para a noite de 31 de maio, na presença do Governador do Estado, Prefeito Municipal de São Luis, Reitores das Universidades e Diretores das Instituições de Ensino Superior da cidade.

Informações adicionais: www.redealcar.net

                             

                                                                                    

 

 

O Jornal da Rede Alcar é uma publicação mensal da Cátedra Unesco/Metodista de
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