Ano 6, N. 66 - 01 de junho de 2006

                                                                              

Museu da Notícia vai desafiar o cidadão 
comum a ser jornalista por um dia

Enrique Rubio

Washington, 25 maio (EFE).- Experimentar um dia no papel de jornalista, esta é a proposta do Newseum, um grande museu que será inaugurado em 2007 entre a Casa Branca e o Capitólio.

No país de repórteres como Bob Woodward e Carl Bernstein, jornais como The New York Times e The Washington Post, da rede CNN, e no qual até Super-Homem exerce o ofício, a admiração e o receio que a profissão exercem sobre o público ficarão materializadas em pleno coração da capital americana.

O Museu, uma enorme estrutura de cimento armado chamado de Newseum (trocadilho em inglês entre "news", de notícias, e "museum", de museu), é a continuação de uma instalação anterior que ficava em Arlington, a poucos quilômetros de Washington, e que fechou suas portas em 2002.

Três vezes maior que o anterior, o objetivo do Newseum é permitir que o visitante assuma por um dia o papel de um jornalista, mas sem a pressa para entregar uma notícia, a angústia de uma transmissão ao vivo ou dos imprevistos técnicos para enviar uma crônica.

Entretanto, ninguém poderá fugir da avaliação do editor, que elogiará ou criticará o "jornalista por um dia", explicou à Efe a diretora de Exibições Internacionais do museu, Susan Bennet.

Ao longo de 12 galerias, o "repórter" poderá apresentar a previsão do tempo, narrar uma notícia diante das câmeras e repassar os destaques do dia na abertura de um telejornal.

Além disso, o museu reúne parte da história recente.

Uma galeria é dedicada ao Muro de Berlim, símbolo da separação entre o bloco comunista e o Ocidente. Em outra parte, são exibidos o maior pedaço do muro exposto fora de Berlim e uma torre de vigilância do mesmo, disseram os diretores.

O museu também apresenta a evolução histórica do jornalismo desde a época dos escribas egípcios até a CNN, passando pela Bíblia de Guttenberg, da qual conserva um exemplar, assim como uma carta de Cristóvão Colombo e documentos de Ernest Hemingway.

No exterior é exibida uma gravura de mais de 20 metros com as 45 palavras da primeira emenda da Constituição americana, que defende a liberdade de expressão, de imprensa e de religião.

Porém, o Newseum não quer causar impacto apenas com seu conteúdo.

O arquiteto James Polshek, autor entre outros da Biblioteca Clinton, em Arkansas, projetou um edifício com amplos espaços, grandes vidraçarias e com algumas referências ao Centro Pompidou, de Paris.

Por causa de sua localização privilegiada, no meio da famosa avenida Pensilvânia - que une o poder legislativo dos EUA, o Capitólio, com o executivo, a Casa Branca -, a expectativa é que o Newseum se torne um novo centro turístico.

A construção terá um custo total de US$ 435 milhões, financiados na maior parte pela empresa Freedom Fórum.

No entanto, o diretor-executivo da companhia, Joe Urschel, anunciou ontem que o museu recebeu uma das maiores doações conjuntas dos veículos de comunicação em toda a história.

Um total de oito corporações e famílias ofereceu US$ 52 milhões para o novo museu, que tem o objetivo de atrair mais de um milhão de visitantes por ano.

© Agencia EFE

                                                                                                                          

 

 

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