Ano 6, N. 66 - 01 de junho de 2006

                                                                              


Juca Kfouri; o militante da notícia

Eric Moreira


O jornalista Carlos Alencar lançou na cidade de São Paulo, no último dia 25/05, o livro "Juca Kfouri – O Militante da Notícia" em noite de autógrafos, na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional. A vida e a carreira de José Carlos Amaral Kfouri são relatadas a partir do engajamento do biografado, ainda adolescente, como militante na Aliança Libertadora Nacional (ALN) contra a ditadura militar. Nessa época, Kfouri era o "Bira", codinome que adotou em homenagem ao ídolo do basquete Ubiratan.

Para o autor, foi uma surpresa a descoberta desse passado revolucionário. "Eu não sabia que essa veia de fiscalização, de perseguição contra a corrupção no esporte, vinha do passado como militante. Vi que essa combatividade ele levou para a imprensa", diz Alencar.
 
Na vida de Juca Kfouri, a firmeza no combate à repressão só encontrou adversário com a paixão pelo futebol. E quando os dois se encontraram, foi o futebol que levou a melhor. Era 1970, Copa do Mundo do México, quando um professor da faculdade de Ciências Sociais da USP marcou uma prova para o mesmo dia do jogo entre Brasil e Romênia. Juca lembrou o fato e perguntou se não seria possível transferir o teste para outro dia. O resultado foi uma tremenda vaia dos outros 20 alunos. "Na cabeça dos meus engajados colegas de classe, cada gol do Brasil atrasava em 10 anos a revolução brasileira. Era essa a idéia da nossa esquerda. Era alienação torcer pela seleção", recorda.
 
Aos 24 anos, começa a aproximação com o jornalismo. Trabalhando como gerente do Dedoc (Departamento de Documentação) da Editora Abril, ele recebeu um convite para se tornar chefe de reportagem da revista Placar. Foi na publicação, em 1982, que Juca Kfouri comandou uma das matérias mais explosivas do esporte brasileiro: a da máfia da loteria esportiva, publicada em 1982.

A parte final do livro conta a saída de Juca da Editora Abril, a briga com dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol, a decepção com Pelé e a passagem por jornais, televisões, Internet e rádio. Para produzir "Juca Kfouri – O Militante da Notícia", Alencar precisou de cerca de três meses entre entrevistas, telefonemas e pesquisas na Web. Trabalhando no jornalismo esportivo desde 1988, o autor é colaborador do Lance!, onde edita publicações especiais. Já foi editor-executivo do Diário de São Paulo e trabalhou também nos extintos Diário Popular, Gazeta Esportiva e Folha da Tarde.

Carlos Alencar já escreveu outros dois livros: "Maguila, a Saga de um Cabra Macho Campeão", sobre o pugilista Adilson "Maguila" Rodrigues; e "Diário de Bordo Entre Céu e Mar – As Divertidas Histórias de um Telegrafista na Aviação e na Marinha", também em fase de lançamento.

A obra é o primeiro volume da coleção Imprensa em Pauta, que terá livros sobre a vida profissional de grandes nomes do jornalismo brasileiro.

"Juca Kfouri – O Militante da Notícia", de Carlos Alencar
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
R$ 15,00
166 páginas

                                                                                                                          

 

 

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