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Juca Kfouri; o militante da notícia
Eric
Moreira
O jornalista Carlos Alencar lançou na cidade de São Paulo, no
último dia 25/05, o livro "Juca Kfouri – O Militante da
Notícia" em noite de autógrafos, na Livraria Cultura, do
Conjunto Nacional. A vida e a carreira de José Carlos Amaral
Kfouri são relatadas a partir do engajamento do biografado,
ainda adolescente, como militante na Aliança Libertadora
Nacional (ALN) contra a ditadura militar. Nessa época, Kfouri
era o "Bira", codinome que adotou em homenagem ao
ídolo do basquete Ubiratan.
Para o autor, foi uma surpresa a
descoberta desse passado revolucionário. "Eu não sabia
que essa veia de fiscalização, de perseguição contra a
corrupção no esporte, vinha do passado como militante. Vi que
essa combatividade ele levou para a imprensa", diz Alencar.
Na vida de Juca Kfouri, a firmeza no combate à repressão só
encontrou adversário com a paixão pelo futebol. E quando os
dois se encontraram, foi o futebol que levou a melhor. Era 1970,
Copa do Mundo do México, quando um professor da faculdade de
Ciências Sociais da USP marcou uma prova para o mesmo dia do
jogo entre Brasil e Romênia. Juca lembrou o fato e
perguntou se não seria possível transferir o teste para outro
dia. O resultado foi uma tremenda vaia dos outros 20 alunos.
"Na cabeça dos meus engajados colegas de classe, cada gol
do Brasil atrasava em 10 anos a revolução brasileira. Era essa
a idéia da nossa esquerda. Era alienação torcer pela
seleção", recorda.
Aos 24 anos, começa a aproximação com o jornalismo.
Trabalhando como gerente do Dedoc (Departamento de
Documentação) da Editora Abril, ele recebeu um convite para se
tornar chefe de reportagem da revista Placar. Foi na
publicação, em 1982, que Juca Kfouri comandou uma das
matérias mais explosivas do esporte brasileiro: a da máfia da
loteria esportiva, publicada em 1982.
A parte final do livro conta a
saída de Juca da Editora Abril, a briga com dirigentes da
Confederação Brasileira de Futebol, a decepção com Pelé e a
passagem por jornais, televisões, Internet e rádio. Para
produzir "Juca Kfouri – O Militante da Notícia",
Alencar precisou de cerca de três meses entre entrevistas,
telefonemas e pesquisas na Web. Trabalhando no jornalismo
esportivo desde 1988, o autor é colaborador do Lance!,
onde edita publicações especiais. Já foi editor-executivo do Diário
de São Paulo e trabalhou também nos extintos Diário
Popular, Gazeta Esportiva e Folha da Tarde.
Carlos Alencar já escreveu
outros dois livros: "Maguila, a Saga de um Cabra Macho
Campeão", sobre o pugilista Adilson "Maguila"
Rodrigues; e "Diário de Bordo Entre Céu e Mar – As
Divertidas Histórias de um Telegrafista na Aviação e na
Marinha", também em fase de lançamento.
A obra é o primeiro volume da
coleção Imprensa em Pauta, que terá livros sobre a vida
profissional de grandes nomes do jornalismo brasileiro.
"Juca Kfouri – O Militante
da Notícia", de Carlos Alencar
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
R$ 15,00
166 páginas
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