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Publicação Mensal da Cátedra Unesco/Metodista de Comunicação |
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Ano 10, N. 304 - São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil – maio de 2008 |
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Cobertura política: "posição do veículo deve ser declarada" |
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Por: Patrícia Basilio
Confira abaixo entrevista feita com o autor do livro sobre o posicionamento da imprensa na cobertura do noticiário político brasileiro: JBCC: Segundo o livro “Mídia nas eleições de 2006”, o presidente Lula teve exposição majoritariamente negativa. Em sua opinião, a que isso se deve? Venício A. de Lima: Não existe uma explicação para o fato de as pesquisas apontarem grandes desequilíbrios na cobertura. Mas, em um certo sentido, podemos dizer que a cobertura negativa em relação ao governo Lula e ao próprio presidente havia acontecido na grande mídia há algum tempo. Temos que ter cuidado na abordagem desse tema porque muita gente critica o que eu falo e o livro que organizei porque dizem que ignoro os problemas de corrupção ligados ao governo que, de fato, existiram. É evidente que a grande mídia e os grandes grupos que controlam a mídia em geral produzem coberturas políticas que refletem a posição clara da maioria de seus colunistas e da posição editorial desses veículos. Isso foi um comportamento da grande mídia brasileira que vinha desde a cobertura da crise política.
Lima: A cobertura jornalística se apresenta como objetiva, imparcial e equilibrada, mas isso é o que dizem os manuais de redação. Na verdade esses princípios não existem na prática porque se formos fazer uma análise da cobertura política atual vamos perceber que a grande mídia cobre certos temas a partir de uma determinada posição. Infelizmente não temos no Brasil a tradição que temos em outros países que tomam posição editorial, mas procuram tornar a cobertura equilibrada. Acontece o inverso, a maioria dos grandes jornais não toma uma posição explícita e faz uma inflexão na cobertura a favor de um candidato. JBCC: O que fazer para que a posição política do veículo seja transmitida o mínimo possível para a cobertura jornalística? Lima: Eu acho difícil, mas o que pode ser feito é que os próprios veículos coloquem em debate a sua cobertura. Quando tivermos um público mais consciente do direito que ele tem de ter uma informação equilibrada essa situação poderá melhorar. Um veículo pode ter uma posição clara que eventualmente passe pela cobertura, mas o público deve saber dessa posição ao consumir a notícia. A revista Carta Capital, por exemplo, disse ser a favor da reeleição do presidente Lula. Assim, o leitor da publicação não está sendo enganado e sabe que está lendo uma revista que tem uma posição editorial e é a favor de um determinado candidato. Se os jornais tomassem essa posição seria mais fácil porque os leitores saberiam de antemão a opinião do veículo. Na verdade a posição do veículo não deveria ser passada e seria um passo importante que, se fosse passada, ela fosse declarada. JBCC: Acredita que a mídia seja a principal referência do leitor no momento do voto? Lima: Em termos de informação, sim. Mas isso varia primeiro em relação aos veículos. No caso brasileiro a maioria dos eleitores tem como principal fonte a televisão. Porém, isso varia em relação ao tipo de eleição porque se for local, por exemplo, não será necessária a divulgação por parte da imprensa. Muitas vezes os políticos fazem parte do círculo pessoal dos eleitores. Entretanto, quanto mais distante do público for o cargo a ser disputado (deputados federais, senadores, presidente), mais importante é a informação que vem da mídia. Além disso, estamos também vivendo uma importante fase de transformação na opinião pública causada pela Internet. JBCC: O sr. acha que faltam estudos mais aprofundados sobre o que acontece na imprensa? Lima: Um livro como o “Mídia nas eleições de 2006” teve uma tiragem de apenas três mil exemplares. A mídia impressa no Brasil é elitista. Uma frase que gosto muito de Bernardo Kucinski diz que “a elite é a fonte, a protagonista e a leitora das notícias”. A mídia é, assim, muito excludente e reduzida. O que é fundamental hoje é a televisão e, cada vez mais, a Internet que tem várias potencialidades, como a possibilidade de pluralidade, que os meios de comunicação de massa não tinham. Isso com certeza democratiza a informação de modo geral e, principalmente, a informação política. JBCC: O que um jornalista deve ter para ser um bom profissional da área de política? Lima: O que todo jornalista deve ter: compromisso com a verdade. Ser honesto, independente das orientações da empresa que trabalha, já que tem um compromisso ético fundamental no exercício da profissão. Se todos os jornalistas fizessem isso nós não teríamos mais problemas [risos]! |
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