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Ano 8, N. 286 - São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil – outubro de 2006

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Irã - Autocensura, antenas apreendidas e teorias da conspiração

 

Fonte: Observatório da Imprensa

O largo controle exercido pelo governo iraniano sobre os veículos de comunicação do país criou uma tradição de cidadãos céticos com o que diz respeito a jornalismo. Antenas receptoras de satélite são removidas das casas pela polícia; iranianos são proibidos – por uma recente lei – de aparecer em produções de TV estrangeiras; e interferências em sinais de rádio sem autorização de funcionamento e sítios de internet são práticas comuns.

Basicamente, o governo parece tentar se defender dos esforços estrangeiros para quebrar o monopólio do controle de mídia nacional. A população local, ao que parece, não se importa com a batalha entre veículos nacionais e internacionais para conquistar suas mentes e corações. Ao contrário, ela hoje criou uma nova forma de analisar os fatos, na maioria das vezes tendendo a teorias conspiratórias. "Os iranianos desenvolveram um linguagem própria para lidar com o mundo", explica o professor Abbas Milani, diretor do Programa de Estudos Iranianos da Universidade de Stanford, na Califórnia. A tendência ao cinismo com relação à mídia é produto do cenário que os cerca: jornalismo objetivo e imparcial é algo raro no país. "Nós não temos um mercado livre", diz um jornalista iraniano. "O governo estabelece o tom".

Controle, dos jornais à TV

Uma rápida olhada em uma banca de jornais em Teerã poderia dar a impressão de que a imprensa escrita proporciona um amplo debate nacional. Ledo engano: nenhum dos títulos expostos é livre dos laços com o governo islâmico. Todos os jornais devem ter em mente certos limites, chamados de "linhas vermelhas", em seu conteúdo. As tais linhas vermelhas marcam o respeito mínimo que deve ser prestado ao governo para que o jornal não tenha sua licença de funcionamento revogada pelo Ministério da Cultura. O problema é que os limites não são definidos ou claros. "As regras são mantidas ambíguas para que os jornalistas aprendam a se policiar", diz Milani.

Na TV, a censura é menos sutil. Com as antenas de satélite apreendidas, os telespectadores iranianos têm acesso a seis canais, todos sob os cuidados do governo. A programação, sem surpresas, é parcial. O conflito nuclear iraniano é apresentado, sempre que possível, como um símbolo de progresso científico. Ao mesmo tempo, Israel e os EUA são mostrados como perigosos mercadores de guerras.

"Estamos em um círculo vicioso", resume Masha’allah Shamsolva’ezin, porta-voz da Associação Iraniana pela Defesa dos Jornalistas. "Com esta repressão, cada vez mais intelectuais, jornalistas e professores iranianos estão encontrando refúgio na mídia fora do país para se expressar. Aí eles são acusados de colaborar com a mídia estrangeira e são presos por isso". Informações de Cameron Abadi [Der Spiegel, 26/9/06].

 
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Publicação mensal da Cátedra Unesco/Metodista de
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