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Irã
- Autocensura,
antenas apreendidas e teorias da conspiração
Fonte:
Observatório da Imprensa
O
largo controle exercido pelo governo
iraniano sobre os veículos de comunicação
do país criou uma tradição de cidadãos
céticos com o que diz respeito a
jornalismo. Antenas receptoras de satélite
são removidas das casas pela polícia;
iranianos são proibidos – por uma
recente lei – de aparecer em produções
de TV estrangeiras; e interferências em
sinais de rádio sem autorização de
funcionamento e sítios de internet são
práticas comuns.
Basicamente,
o governo parece tentar se defender dos
esforços estrangeiros para quebrar o
monopólio do controle de mídia nacional.
A população local, ao que parece, não
se importa com a batalha entre veículos
nacionais e internacionais para conquistar
suas mentes e corações. Ao contrário,
ela hoje criou uma nova forma de analisar
os fatos, na maioria das vezes tendendo a
teorias conspiratórias. "Os
iranianos desenvolveram um linguagem própria
para lidar com o mundo", explica o
professor Abbas Milani, diretor do
Programa de Estudos Iranianos da
Universidade de Stanford, na Califórnia.
A tendência ao cinismo com relação à mídia
é produto do cenário que os cerca:
jornalismo objetivo e imparcial é algo
raro no país. "Nós não temos um
mercado livre", diz um jornalista
iraniano. "O governo estabelece o
tom".
Controle,
dos jornais à TV
Uma
rápida olhada em uma banca de jornais em
Teerã poderia dar a impressão de que a
imprensa escrita proporciona um amplo
debate nacional. Ledo engano: nenhum dos títulos
expostos é livre dos laços com o governo
islâmico. Todos os jornais devem ter em
mente certos limites, chamados de
"linhas vermelhas", em seu conteúdo.
As tais linhas vermelhas marcam o respeito
mínimo que deve ser prestado ao governo
para que o jornal não tenha sua licença
de funcionamento revogada pelo Ministério
da Cultura. O problema é que os limites não
são definidos ou claros. "As regras
são mantidas ambíguas para que os
jornalistas aprendam a se policiar",
diz Milani.
Na
TV, a censura é menos sutil. Com as
antenas de satélite apreendidas, os
telespectadores iranianos têm acesso a
seis canais, todos sob os cuidados do
governo. A programação, sem surpresas,
é parcial. O conflito nuclear iraniano é
apresentado, sempre que possível, como um
símbolo de progresso científico. Ao
mesmo tempo, Israel e os EUA são
mostrados como perigosos mercadores de
guerras.
"Estamos
em um círculo vicioso", resume Masha’allah
Shamsolva’ezin, porta-voz da Associação
Iraniana pela Defesa dos Jornalistas.
"Com esta repressão, cada vez mais
intelectuais, jornalistas e professores
iranianos estão encontrando refúgio na mídia
fora do país para se expressar. Aí eles
são acusados de colaborar com a mídia
estrangeira e são presos por isso".
Informações de Cameron Abadi [Der
Spiegel, 26/9/06].
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