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Ano 8, N. 286 - São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil – outubro de 2006

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América Latina: Entidade Ibero-americana de Imprensa (SIP) condena repressão à liberdade de imprensa na Venezuela

Fonte:Redação Portal IMPRENSA

A 62ª Assembléia da Sociedade Ibero-americana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol) foi inaugurada oficialmente no dia 02/10, dando destaque às dificuldades dos jornalistas para exercer sua função e advertindo para o fato de que a Venezuela anda "no caminho de Cuba" na repressão à liberdade de imprensa. "Preocupa-nos que a Venezuela siga o caminho de Cuba", disse Diana Daniels, presidente da SIP, ao inaugurar na Cidade do México os trabalhos da 62ª Assembléia Geral da organização. 

Na presença do presidente mexicano, Vicente Fox, Diana Daniels, do jornal americano The Washington Post, chamou a atenção para os riscos enfrentados pelos jornalistas no México, o mais perigoso para os profissionais do ramo depois da Colômbia. "Esperamos que sua administração encontre, nos dois meses que lhe restam, os mecanismos que ajudem a melhorar a tarefa do jornalista no país", disse Daniels ao presidente Fox, lembrando das agressões sofridas por comunidades nos protestos de professores em Oaxaca (sudeste) e os ataques a granadas contra dois jornais de Cancún (leste). 

O presidente Fox lembrou que sem liberdade de expressão não existe democracia e que quanto maior a liberdade de imprensa, menor a interferência dos Estados. "A democracia abriu caminho graças a penas que enfrentaram os governos autoritários, ditaduras, que levantaram a voz contra as arbitrariedades", disse Fox, que no entanto evitou falar do caso dos comunicadores mexicanos vítimas de ataques. 

Ao falar da Venezuela, a presidente da SIP garantiu que em recente visita ao país, foram constatados "vários impedimentos legais para o exercício da liberdade de expressão" e que na sociedade venezuelana também se está criando um repúdio contra a mídia com o lema "matem o mensageiro". "Há oito semanas fomos para a Venezuela com a expectativa de discutir questões sobre a liberdade de expressão, mas ninguém no governo venezuelano nos deu a oportunidade de discutir o tema, nos fecharam a porta", disse Daniels.

Nos trabalhos da SIP, o crime organizado, especialmente o tráfico de drogas, foi identificado como o principal grupo de poder que atenta contra a liberdade de expressão, enquanto no caso da América Central, destacou-se a violência causada por gangues conhecidas como "maras". "No continente americano, a imprensa é mais ou menos livre, mas temos que reconhecer que em alguns países está submetida a pressões e a maior parte não provém dos governos, mas de gente que não quer a imprensa, como o crime organizado ou os funcionários corruptos", disse por sua vez o secretário de Estado adjunto americano, Thomas Shannon. Segundo um relatório da SIP divulgado no domingo passado, a América Latina é uma das regiões mais hostis para o exercício jornalístico, com nove comunicadores assassinados e um desaparecido nos últimos seis meses.

 

 

Publicação mensal da Cátedra Unesco/Metodista de
Comunicação para o Desenvolvimento Regional
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