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Ano 8, N. 286 - São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil – outubro de 2006

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Claudia Belfort


Fonte: Bia Moraes


Nome:
Claudia Belfort Profissão: jornalista Idade: 39 anos, 20 de profissão Onde está agora: Chefe de redação do jornal Gazeta do Povo, em Curitiba Claudia Belfort é uma pernambucana que construiu a maior parte da carreira bem longe de sua cidade natal - em Curitiba, capital do Paraná, lugar onde até já nevou por duas vezes. “Eu gosto de frio”, diz Claudia. A recifense, formada pela Universidade Federal de Pernambuco em 1990, que começou a trabalhar em rádio quando ainda era estudante, não diz, mas gosta de desafios também. Entre o calor do Nordeste e o frio da terra das araucárias, lá se vão vinte anos de carreira e muitos desafios vencidos. Hoje, aos 39 anos, ela é chefe de redação da Gazeta do Povo, tradicional (e grande) jornal do Paraná. E ainda encontra tempo e muita disposição para estudar Filosofia. “É para alargar o pensamento e não ficar fechada só no mundo do jornalismo”, explica. 

“Naquele tempo o estágio era regulamentado”, recorda Claudia ao relembrar os primeiros empregos, ainda na época da faculdade, em Recife. A então adolescente escolheu o curso de Jornalismo porque concluiu que era uma carreira onde poderia ajudar muita gente. “Eu pensava em fazer Serviço Social, queria trabalhar na ressocialização de presos. Então percebi que pelo jornalismo poderia ajudar mais a sociedade”. Já na faculdade, buscou - e conseguiu - o primeiro emprego, na rádio Clube AM, cujo foco principal era a notícia, e a prestação de serviços e orientação para a comunidade. Ali fez de tudo um pouco, especialmente em pauta e produção.

 “Desse primeiro emprego em rádio, eu trago até hoje o dinamismo da profissão, e o objetivo de sempre servir à população. O jornalismo tem que ser assim, voltado para as pessoas. Esse é o meu norte, principalmente quando preciso tomar decisões editoriais”, avalia. 

Ainda estudando, Claudia trabalhou também na TV Jornal do Commercio, retransmissora do SBT em Recife; na TV Pernambuco; e ainda fez frilas para revistas (“Meu sonho, quando escolhi Jornalismo, era mesmo trabalhar em revistas”), em outra rádio e na assessoria do então governador pernambucano. Depois de formada, “cavou” e conseguiu ser contratada pelo Diário de Pernambuco, impresso pertencente à rede Diários Associados e um dos mais antigos jornais do Brasil. “Fui cobrir o setor de Justiça, era muito legal. Lá consegui dar muitos furos”, recorda. 

Em seguida, a jornalista foi para a sucursal recifense da Veja. A princípio, na Vejinha, mas logo surgiu a oportunidade de cobrir férias de um repórter. “A editora gostou do meu trabalho e passei a trabalhar para a Veja nacional”, conta. Nessa época, Claudia também fez matérias frilas para outras publicações da Abril, como Claudia e Playboy

A mudança para o Sul foi em 1992. Claudia estava atrás de oportunidades fora da cidade natal. “O pessoal de São Paulo falava que onde havia vagas era em Belo Horizonte ou em Curitiba. Como eu gosto de frio, me mudei”, explica. Já no comecinho de 93, ela estava trabalhando para a Vejinha na capital paranaense. Depois, por um bom tempo, foi repórter da sucursal da Veja - no meio tempo, houve um período como editora no jornal Indústria&Comércio, que durou apenas três meses, pois Claudia não aceitou os constantes atrasos no pagamento de salário. 

Em 1994, Claudia Belfort ocupou cargos em assessorias públicas. Depois de trabalhar na campanha do candidato a governador Jaime Lerner, foi assessora de imprensa do presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Geraldo Pougy - o equivalente ao secretário municipal de Cultura. Em seguida, trabalhou na secretaria de Comunicação Social do governo Lerner. Mas já em 1996 partiu para uma nova empreitada e abriu a empresa de assessoria de imprensa Página 1, com o amigo e sócio Umberto Miele (que continua na empresa até hoje). Entre os primeiros clientes da Página 1, figuraram a New Holland, o McDonald´s, o grupo Positivo e a Flexiv. 

Entre 98 e 2000, Claudia assumiu um trabalho que ela relembra como um dos que mais a satisfizeram até então. A jornalista foi assessora de comunicação da SPVS e nesses dois anos, criou e implantou uma série de projetos, iniciativas e ações na ONG de proteção ao meio ambiente. Comunicação interna, comunicação dirigida para empresários, ações de integração e de conscientização da população através da comunicação são alguns projetos que ela relembra com carinho - além da pioneira, e premiada, campanha para recolhimento de baterias de telefone celular, em parceria com a TIM. 

Já no ano de 2000, Claudia foi chamada pela jornalista Marleth Silva - com quem havia trabalhado na Veja em Curitiba - para ajudar na implantação do portal de notícias da Gazeta do Povo. Até então, o jornal apenas tinha sua versão impressa reproduzida na internet, sem conteúdo online próprio. Marleth comandou o processo de implantação do portal TudoParaná, do qual Claudia era editora, e depois passou para a redação do impresso como coordenadora (editora-executiva). Claudia, então, assumiu a direção de jornalismo do TudoParaná, já com a redação e a equipe de jornalismo online implantada. Foi em 2004 que ela passou para a redação da Gazeta do Povo, agora como chefe de redação. 

Sobre a especialização em Filosofia, que cursa nos finais de semana, e as disciplinas que faz à noite para tentar um mestrado, Claudia diz que “é preciso, sempre, lembrar que existe um mundo lá fora, além da redação”. Para ela, a Filosofia ajuda a “fazer novas perguntas”.

 

 

Publicação mensal da Cátedra Unesco/Metodista de
Comunicação para o Desenvolvimento Regional
www.metodista.br/unesco