ISSN 1806-5074

JORNAL DA REDE ALCAR
Ano 5, N. 52 - 01 de abril de 2005

Editores Responsáveis:
José Marques de Melo (UNESCO/UMESP) / email: marquesmelo@uol.com.br
Francisco Karam (FENAJ/UFSC) / email: fjkaram@terra.com.br
Edição digital – Maria Cristina Gobbi,  Keila Baraçal e Talita Itabaiana  (UMESP)
Sítio digital – Clovis Geyer e Ana Paula de Souza (UFSC)
Colaboradores desta edição: Claudia Moura (Porto Alegre – RS), Eduardo Ribeiro (São Paulo – SP), Elias Machado (Salvador – BA), Jean Marcel Carvalho França (Franca – SP), Luiz Guilherme Pontes Tavares (Salvador – BA), Marialva Barbosa (Niterói, RJ), Rosa Maria Cardoso Dalla Costa (Curitiba – PR), Saraí Schmidt (Novo Hamburgo – RS), Sebastião Jorge (São Luis – MA)


Resgatando a História da Imprensa e Construindo a História da Mídia no Brasil (1908 - 2008) 


LINKS

www.jornalismo.ufsc.br/redealcar
www.metodista.br/unesco
www.feevale.br/redealcar


Sumário  

 

Noticiário da Rede Alcar

 

 

Encontro Nacional

Mais d

Mais de 250 inscritos no III Encontro da Rede ALCAR em Novo Hamburgo (RS)
Maranhão pretende sediar  em São Luis o encontro de 2006
Rede Alcar abre inscrições para a sede do encontro nacional de 2007
Rio de Janeiro antecipa proposta para congresso internacional de 2008

Mais de 2

Grupos de Trabalho

História do Jornalismo
História da Propaganda
História da Mídia Impressa
História da Mídia Audiovisual

 História da Midiologia
História das Relações Públicas

Sócios em Destaque

Série Alcar – Livros de Sócios com o Selo da Rede Alfredo de Carvalho
Presidente da Rede Alcar recebe título honorífico na UFPB
Fundadora da Rede Alcar tem biografia publicada em livro-reportagem

 

Núcleos Regionais

 

Núcleo Baiano 
Núcleo Maranhense 
Núcleo Potiguar 
 Núcleo Paulista

 

Capítulos de História da Mídia

 

Dom Quixote: um best-seller de 400 anos
Livros de devoção: os best-sellers da colônia
 
Tributo aos pioneiros do jornalismo baiano

Bordallo Pinheiro, um gênio sem fronteiras

Audálio revive Herzog

 

Série 200 anos da imprensa brasileira

 

A História da Televisão no Paraná: um jeito próprio de fazer parte da televisão brasileira 
 
Rosa Maria Cardoso Dalla Costa (UFPR)


JORNAL DA REDE ALCAR

 

Noticiário da Rede Alcar

 

Encontro Nacional  

 Mais de 250 inscritos no III Encontro da Rede ALCAR em Novo Hamburgo (RS)

  O 3º Encontro da Rede Alfredo de Carvalho, que ocorrerá de 14 a 16 de abril, no Centro Universitário Feevale, na cidade gaúcha de Novo Hamburgo já conta com cerca de 250 inscritos, entre professores, pesquisadores e acadêmicos. As inscrições continuam abertas no endereço www.feevale.br/redealcar. As atividades de encerramento do encontro serão realizadas na cidade de Taquari, sob a organização da UNIVATES

A Comissão organizadora do evento é composta por Paula Casari Cundari (FEEVALE), Paula Regina Puhl (FEEVALE), Elizete Kreutz (UNIVATES) e Antônio Henriques (Museu Hipólito José da Costa). O Comitê Acadêmico conta com a participação de José Marques de Mello (FENAJ/UFSC), Ana Arruda Callado (ABI), Esther Bertoletti (HGB) e Marialva Barbosa (INTERCOM).

Neste ano, o homenageado especial do encontro será o empresário Mário Gusmão, fundador do Grupo Editorial Sinos, que comemora 45 anos de fundação em 2005. A indicação de Gusmão deve-se a contribuição do Grupo Sinos para o desenvolvimento da mídia impressa gaúcha. O Grupo publica os jornais diários Jornal NH (Novo Hamburgo), VS (São Leopoldo) e Diário de Canoas (Canoas), sendo que o Jornal NH é o jornal do interior do RS com maior tiragem, em média 40 mil exemplares/dia de segunda a sábado e na edição de domingo ultrapassa 70 mil exemplares, atingindo mais de 44 municípios do Vale dos Sinos e Paranhama. Também na área da mídia impressa o Grupo publica os jornais ABC de Domingo Exclusivo e Exclusivo Internacional. Na área de rádio conta com a Rádio 1470 AM e ABC 900 AM. A TV Jornal NH também pertence ao Grupo Sinos. A homenagem acontecerá no primeiro dia do evento e terá como oradora a professora Dnda. Paula Casari Cundari, assessora de Relações Internacionais da Feevale.

O tema da conferência de abertura do evento será Historiografia Midiática: Singularidades Latino-americanas, com o professor pesquisador peruano Juan Gargurevich.  No primeiro dia do encontro serão realizadas as mesas redondas Memória da Mídia Regional: Singularidades Brasileiras e Memória das Profissões e da Mídia Regional: Singularidades Regionais. Ainda na programação doa dia, a realização do colóquio acadêmico O desafio de resgatar e preservar a memória de Landell de Moura, considerado o precursor brasileiro das telecomunicações.

No segundo dia acontecerá o colóquio acadêmico Érico Veríssimo: do Jornalismo à Literatura, marcando o centenário de nascimento do autor. O colóquio contará com a coordenação do pesquisador e vice-presidente gaúcho, Antônio Hohlfeldt.

Durante o evento será lançado o livro Propaganda, História e Modernidade, resultado de contribuições dos pesquisadores do GT História da Publicidade e Propaganda da Rede ALCAR.
A publicação foi organizada pelo coordenador do GT, Adolpho Queiroz. A plenária final do 3º Encontro Nacional da Rede ALCAR acontecerá em Taquari, cidade de colonização açoriana. Depois do encerramento dos trabalhos dos GTS, previsto para as 10h30 da manhã de sábado, os participantes serão transportados até aquela cidade, distante cerca de 100 quilômetros de Novo Hamburgo.

Coordenadores dos Grupos de Trabalho da Rede ALCAR:

História do Jornalismo
Coordenadora: Profa. dra. Marialva Barbosa (UFF) / e-mail: mcb1@terra.com.br
História da Publicidade e Propaganda
Coordenador: Prof. dr. Adolpho Queiroz (UMESP) / e-mail: adolphoq@metodista.br
História das Relações Públicas
Coordenadora: Profa. dra. Claudia Moura (PUCRS) / e-mail: cpmoura@pucrs.br
História da Mídia Impressa
Coordenador: Prof. dr. Luis G. Tavares (NEHIB) / e-mail: editor@alba.ba.gov.br
História da Mídia Sonora
Coordenadora: Profa. Ms. Ana Baum (UFF) / e-mail: ana.baum@ig.com.br
História da Mídia Visual
C
oordenadora: Profa. Ms. Maria Cristina Merlo (UNISANTOS) / e-mail: crismerlo@ig.com.br
História da Mídia Audiovisual
Coordenadora: Profa. dra. Ruth Vianna (UFMS) / e-mail: viannar@terra.com.br
História da Mídia Digital
Coordenador: Prof. dr. Walter Lima (UniFIAM) / e-mail: digital@walterlima.jor.br
História da Mídia Alternativa
Coordenadora: Profa. Ms. Karina
Woitowicz / e-mail: e-mail: karinajw@uepg.br
História da Midiologia
Coordenador: Prof. dr. José Marques de Melo / e-mail: marquesmelo@uol.com.br

Confira a programação:

Dia 14 de abril (quinta-feira):

8h30 – Chegada dos participantes ao Campus da Feevale/RS.
Credenciamento e distribuição de pastas aos participantes previamente inscritos.
Reabertura das inscrições para novos participantes.

9h30 – Solenidade de Abertura do Encontro
Coordenadora: Prof. Dra. Paula Puhl

10h– Homenagem a Mário Gusmão, fundador do Grupo Sinos, vice-presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ)
Oradora: Prof. Dnda. Paula Casari Cundari 

10h30– Conferência Inaugural:
Historiografia Midiática: Singularidades Latino-Americanas
Conferencista: Prof. Dr. Juan Gargurevich –
coordenador do Grupo de Estudos de História da Comunicação da ALAIC e diretor da Escola de Comunicação da Universidad Nacional Mayor de San Marcos, do Peru.
Comentarista: Prof. Dr. Jacques Wainberg – PUCRS / UNISINOS
Moderadora: Profa. Dra. Paula Puhl (Centro Universitário FEEVALE) 

12h – Intervalo

14h – Mesa Redonda 1: Memória da Mídia Regional: Singularidades Brasileiras
Coordenação: Prof. Dr.  José Marques de Melo - Rede ALCAR - Cátedra UNESCO/UMESP
Moderadora: profa. Ms. Elizete Kreutz, UNIVATES
Apresentação sobre o tema com Jorn. Flávio Tavares – Rio de Janeiro
1. Os acervos hemerográficos: combates e batalhas – Prof. Dra. Esther Bertoletti (Biblioteca Nacional – RJ)
2. Os legados biográficos: dos arquivos pessoais aos registros da história oral – Prof. Dra. Alzira Alves de Abreu (Fundação Getúlio Vargas – RJ)
3. A documentação radiofônica: incursões cearenses – Prof. Dra. Erotilde Honório (Universidade de Fortaleza – CE)

16h – Intervalo
16h30 – Mesa Redonda 2: Memória das Profissões e da Mídia Regional: Singularidades Gaúchas
Coordenação: Prof. Ms. Antônio Henriques – Diretor do Museu de Comunicação Hipólito José da Costa
1. Trajetória da Publicidade – Publicitário Pedro Schneider (News PS AL Propaganda e Marketing)
2. Trajetória das Relações Públicas –Prof.  Dra. Martha d’Azevedo – UFRGS/Instituto Alberto André
3.Trajetória da Imprensa – Prof. Dra. Beatriz Dornelles – PUCRS
4. Trajetória do Rádio – Prof. Dra. Doris Hausen – PUCRS
5. Trajetória da Televisão – Jorn. Sérgio Reis – FEPLAM 

18h30 - Intervalo

19h30 – Colóquio acadêmico: O desafio de resgatar e preservar a memória de Landell de Moura - precursor brasileiro das telecomunicações
Coordenação: Prof. Dr. Francisco Karam – Rede ALCAR - Cátedra de Jornalismo FENAJ/UFSC
1. Landell de Moura: do pioneirismo ao esquecimento – Prof. Dr. César Augusto Azevedo dos Santos (UPF)
2. Desafios para construir a biografia do pioneiro gaúcho – Prof. Esp. Hamilton Almeida
3. A história de Landell de Moura – pesquisador Ivan Dorneles Rodrigues – Porto Alegre/RS.

21h30 – Exibição Regionalista: Música e Danças Gaúchas

Dia 15 de abril (sexta-feira):

8h30minMesa Redonda 3 – Ícones da Mídia Brasileira: Frei Caneca, Barão de Itararé e Adalgisa Nery
Coordenação: Prof. Dr. Cleber Prodanov – Feevale/RS
Moderador: José Carlos Torves, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul
1. Frei Caneca, o mártir da liberdade – Prof. Dr. Marco Morel - UERJ
2. Barão de Itararé, o jornalista irreverente – Prof. Dra. Marialva Barbosa
– UFF
3. Adalgisa Nery, a cronista política – Prof. Dra.
Ana Arruda Callado – UFRJ 

10h – Intervalo

10h30 – Mesa Redonda 4 - Ícones da Mídia Gaúcha: Alberto André, Breno Caldas e Maurício Sirotsky
Coordenação: Prof. Ms. Ramon Fernando da Cunha – Feevale/RS

1. O legado de Alberto André – Representante da ARI
2. O legado de Breno Caldas – Jorn. Walter Galvani – Diário de Canoas/Jornal ABC/Grupo Editorial Sinos, escritor premiado com o “Casa de Las Américas”,
membro do Conselho Estadual de Cultura e da Academia Riograndense de Letras.  
3. O legado de Maurício Sirotsky – Jorn. Lauro Schirmer, RBS, autor de “RBS: Da voz-do-poste à Multimídia”. 

12h30-14h – Intervalo

14h – 16h – Grupos de Trabalho

16h-16h30 – Intervalo

16h30-18h30 - Grupos de Trabalho

18h00 - Intervalo
Sessão coletiva de autógrafos, no estande da CORAG, na Rua Coberta.

19h30 - Colóquio acadêmico: Érico Veríssimo: do Jornalismo à Literatura
Coordenador: Prof. dr. Antonio Hohlfeldt – PPGCOM FAMECOS/ PUCRS
1. Érico, fundador da ARI - Jornalista Ercy Thorma, presidente da ARI-
2. Érico, editor da Revista do Globo
- Aline Strelow (Prof. Substituta Fabico/Ufrgs)
3. Um panorama geral da figura do Érico Veríssimo enquanto jornalista - Dr. Antonio Hohlfeldt (PUCRS)

21h30 – Jantar culinária alemã (por adesão)

Dia 16 de abril (sábado):

8h30-10h30min - Grupos de Trabalho:               
10h30min - Intervalo – Deslocamento para Taquari.
12h30 – Almoço em Taquari (por livre adesão)
14h – “Um dia de Gutenberg” - Inauguração do Museu-Vivo de Comunicação "O Taquaryense". 
Coordenação:
Prof. Ms. Leonel José de Oliveira (UNIVATES), profa. Dnda. Elizete de Azevedo Kreutz (UNIVATES) e e Prof. Luís Humberto Marcos (Museu Nacional da Imprensa/Portugal). Durante a atividade será editado um número especial de "O Taquaryense", comemorativo ao evento.

16h30 - Coffee Break

17h - Plenária da Rede Alfredo de Carvalho, em Taquari.

20h - Festa de confraternização, com jantar, em Taquari. (por livre adesão).




Fórum dos Professores de Relações Públicas (evento paralelo)

Dia 16 (Sábado) :

14h –
Sessão de abertura do Fórum
Coordenadora: Profa. Dra. Cláudia Moura – PUCRS

14h30 - Colóquio acadêmico: Os reflexos das diretrizes curriculares no Ensino de Relações Públicas.
Palestrante: Profa. Dra. Sidinéia Gomes Freitas

16h30 – 17h – Intervalo

17h-19h – Grupos de Trabalho

21h - Festa de confraternização

Coord. Nacional: Profa. dra. Claudia Moura (PUCRS) /  cpmoura@pucrs.br
Coord. Regional: Profa. dra. Helaine Rosa (FEEVALE/RS) / hrosaredealcar@feevale.br

O turismo em Novo Hamburgo

Situada a 40 km de distância da capital do estado, Porto Alegre, Novo Hamburgo é conhecida como a Capital Nacional do Calçado e tem como base a colonização alemã. A cidade está localizada no vale do Rio dos Sinos e conta atualmente com uma população de aproximadamente 250.000 habitantes.

Para quem não conhece, vale a pena uma visita aos principais pontos turísticos como as praças, Centro Municipal de Cultura, a arquitetura estilo alemã do bairro Hamburgo Velho, as paisagens da zona rural em Lomba Grande, e é claro, uma degustação nos principais pontos da gastronomia local como tradicional almoço típico alemão ou o café colonial.

Outros pontos interessantes são o turismo religioso da região que abriga o Santuário das Mães e a Rota Romântica que vai de São Leopoldo até São Francisco de Paula, na serra gaúcha. Informações sobre a cidade e o Vale dos Sinos nos sites: www.novohamburgo.rs.gov.br ou www.rotaromantica.com.br.

 
VOLTAR


  Maranhão pretende sediar em São Luis o encontro de 2006

O Núcleo maranhense da Rede Alfredo de Carvalho, a Associação Maranhense de Imprensa e a Rede Memória Maranhão-Imprensa 200 anos vão apresentar em Novo Hamburgo/RS o projeto para São Luís sediar a quarta edição do evento, que reúne pesquisadores, jornalistas e estudantes de todo o país. Em 2006, a imprensa maranhense comemora 185 anos de fundação, tendo como jornal pioneiro O Conciliador, que circulou entre 1821 a 1823.

A mobilização envolve as coordenações dos Cursos de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão, Centro Universitário do Maranhão-Uniceuma e Faculdade São Luís, a Prefeitura Municipal de São Luís, o Governo do Estado e os meios de comunicação da cidade. Reforçando o apoio às iniciativas para a preservação da memória da imprensa do Maranhão e ao evento de 2006, a Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado-FAPEMA comunicou no final de março ao Núcleo maranhense da Rede Alfredo de Carvalho e à Rede Memória Maranhão-Imprensa 200 anos que financiará pesquisas sobre a temática este ano com a concessão de quatro bolsas de Iniciação Científica para o projeto.

A proposta do evento Rede Alcar 2006 foi precedida pelo envolvimento de professores, alunos e comunidade em eventos que promoveram a valorização da memória da imprensa maranhense: em 2003, a fundação do Núcleo Estadual da Rede Alfredo de Carvalho e em 2004  a realização do I Encontro da História das Mídias do Maranhão, que reuniu pesquisadores e profissionais, e o lançamento da Rede Memória Maranhão-Imprensa 200 anos, ação coletiva de organizações, veículos de comunicação, faculdades, jornalistas e alunos.    

O coordenador do Núcleo Estadual da Rede Alcar, professor Marcos Fábio Belo Matos, afirma que o evento nacional se reveste de grande relevância para a comunidade acadêmica, porque será a culminância de um processo de conscientização da sociedade para a importância da memória da imprensa como bem coletivo e fonte para a construção da história do Estado e do país.

A presidente da Associação Maranhense de Imprensa, Edvânia Kátia, afirma que as instituições promotoras vão apresentar uma sugestão para tema central do próximo encontro da Rede Alcar: Liberdade de Imprensa e história: vitórias e desafios, lembrando o marco dos 300 anos do primeiro ato de censura à imprensa brasileira, porque em 1706, as autoridades portuguesas ordenaram o fechamento de tipografias na colônia como forma de coibir a circulação de idéias que ameaçassem a ordem estabelecida. “Vamos apresentar à coordenação nacional o projeto com a certeza de que podemos fazer um evento marcante para celebrar o aniversário de 185 da imprensa local, caminhando para o Bicentenário da imprensa brasileira”, concluiu a jornalista.     

VOLTAR


Rede Alcar abre inscrições para a sede do encontro nacional de 2007

Durante a plenária da Rede Alfredo de Carvalho, agendada para a tarde do dia 16 de abril, em Taquari (RS), o comitê nacional pretende sinalizar aos participantes sobre as alternativas de sedes para os futuros encontros nacionais. Nesse sentido é que serão bemvindas as propostas de instituições dispostas a sediar o encontro nacional de 2007. Trata-se de evento estratégico porque precederá o encontro histórico de 2008, quando se espera realizar também um congresso internacional destinado a celebrar os 200 anos da imprensa no Brasil. Os encontros anteriores foram realizados no Rio de Janeiro (2003) e Florianópolis (2004).

VOLTAR


Rio de Janeiro antecipa proposta para congresso internacional de 2008

  Marialva Barbosa, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense, antecipou ao comitê nacional da Rede Alcar a intenção institucional de sediar em Niterói o Congresso Internacional de História da Imprensa, que culmina, no ano 2008, a série de Encontros Nacionais que a Rede Alcar vem promovendo na anualmente, com a finalidade de celebrar os 200 anos da implantação da imprensa no Brasil.

A formalização dessa proposta pela colega fluminense será feita durante a plenária da Rede Alfredo de Carvalho, agendada para a tarde do próximo dia 16 de abril, na cidade de Taquari/RS. Ela informará também a respeito dos contatos já feitos com instituições portuguesas no sentido de garantir a realização de exposições comemorativas, divulgando documentos que integram o acervo do Museu Nacional da Imprensa de Portugal.

VOLTAR


Grupos de Trabalho

História do Jornalismo

GT  recebe número recorde de trabalhos

Trinta e oito trabalhos foram enviados por pesquisadores de todo o Brasil para participar do GT de Jornalismo no III Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho, a se realizar 14 a 16 de abril, no Centro Universitário Feevale, em Novo Hamburgo (RGS).

Merece destaque a participação expressiva dos alunos de graduação em Comunicação – habilitação Jornalismo - do próprio Centro Universitário Feevale, mostrando o quanto a instituição está envolvida com o evento. Destaca-se também a presença de bolsistas de iniciação científica desta e de outras instituições.

Por outro lado, há que se registrar também a participação de pesquisadores, doutores, doutorandos e mestres, de diversas regiões brasileiras: Centro Oeste, Nordeste, Sul e Sudeste.

Oito professores doutores, seis doutorandos, 10 mestres e mestrandos, 2 jornalistas e 12 alunos de graduação enviaram trabalhos para serem apresentados, a maioria versando sobre o tema do congresso que este ano destaca a História da Mídia Regional.

No ano passado, foram apresentados no II Encontro realizado na UFSC, 31 trabalhos.
São as seguintes instituições participantes este ano: FFEVALE, UNISINOS, PUC- SP, PUC - MG, UFMG, PUC - Minas Arcos, UNESO - Baurú, UFMA, UFES, UniFIAMFAAM, ECA-USP, UFF, UFRJ, UEPG/PR e UNOGRAN.
Marialva Barbosa – UFF – Niterói, RJ.

VOLTAR


 História da Propaganda

Programação de Novo Hamburgo

Coordenador: Prof. Dr. Adolpho Queiroz (UMESP)

Dia 15 de Abril / Tema: A História das Agências de Publicidade e Propaganda

A ESTRUTURA INICIAL DA MPM PROPAGANDA –
André Iribure Rodrigues Doutorando FABICO/UFRGS

A HISTÓRIA DA PROPAGANDA NA REGIÃO DE UMUARAMA, NOROESTE DO PARANÁ. -
Amanda Fontoura Zanotto Rodrigo (UNIMAR e UNIPAR) e Rodrigo Piemonte Ribeiro (UNESP, FEMA, UNIPAR)

A HISTÓRIA DA PUBLICIDADE EM PRESIDENTE PRUDENTE - SP

Fábio Figueiredo de Medeiros (Mestrando – Unimar) e Profa. Dra. Lucilene dos Santos Gonzales (Unimar/Unesp)

A PUBLICIDADE EM SANTOS DE 1960 A 1980: PASSADO QUE SE FAZ PRESENTE - Profa. Dra. Cinara Augusto - UNISANTOS

A HISTÓRIA DAS AGÊNCIAS DE PROPAGANDA EM PIRACICABA

Adolpho Carlos Françoso Queiroz SP / UNIMEP), Rosana Borges Zaccaria (UNIMEP) e João Carlos Teixeira Gonçalves (UNIMEP)

A TRANSFORMAÇÃO DA PUBLICIDADE EM DIFERENTES CONTEXTOS SÓCIO-HISTÓRICOS NO BRASIL: ANÁLISE DE PEÇAS PUBLICITÁRIAS COMO TESTEMUNHOS CULTURAIS - Elisa Reinhardt Piedras. Doutoranda PPGCOM/PUCRS

JW THOMPSON: PIONEIRISMO E MODERNIDADE NA PUBLICIDADE BRASILEIRA - Kleber Carrilho (UMESP)

LÁ VEM UM... DA GALINHA MORTA A CAPITAL DO FRANGO - A PUBLICIDADE EM RIO CLARO

Renato Elston (UNIMEP e Claretianas de Rio Claro) e Amanda Dolores Impocetto (Claretianas de Rio Claro)

NEW PS, THE OLDEST: A TRAJETÓRIA DA MAIS ANTIGA AGÊNCIA DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA EM ATIVIDADE NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - Profª. Drª. Maria Berenice da Costa Machado e acadêmica Marcelle Silveira Santos (FEEVALE)

NUANCES DO MERCADO PUBLICITÁRIO EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

UM ESTUDO DE CASO SOBRE A AGÊNCIA ONDASETE - Profª MSc. Roberta Baldo (UNIVAP) e Ana Flávia Pereira de Faria (UNIVAP)

Dia 16 de Abril / Tema: Propaganda e Questões Contemporâneas

A LINGUAGEM PREDICATIVA DA COMUNICAÇÃO PUBLICITÁRIA Prof. Ms. Eloá Muniz

A PUBLICIDADE VEICULADA NAS EMISSORAS DE RÁDIO DE BLUMENAU NAS DÉCADAS DE 60 e 70 - Clóvis Reis e César Martins

CORPO FEMININO: PRESENÇA OBRIGATÓRIA EM ANÚNCIOS PUBLICITÁRIOS?
Profa. Dra. Denise Castilhos de Araujo - Centro Universitário Feevale

FLORIANO PEIXOTO: O CONSOLIDADOR DA REPÚBLICA NO BRASIL
Bruna Vieira Guimarães (UMESP)

MARKETING POLÍTICO DO LULA EM 2002 E OS POSICIONAMENTOS DAS REVISTAS

CARTACAPITAL, PRIMEIRA LEITURA E VEJA - Ingrid Gomes

O LUGAR ONDE O PEIXE PÁRA: A PROPAGAÇÃO DOS SENTIDOS DO LOCAL
Prof. Dr. Eneus Trindade Barreto Filho e Ms Luciene Belleboni (UNIMEP)

PROPAGANDA POLÍTICA NO ESTADO NOVO: COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO
Mauricio Guindani Romanini – Centro Universitário Barão de Mauá.e Patrícia Ozores Polacow – Jornalista, Mestre e doutoranda em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo.A História da Publicidade Ituana - do Pioneirismo à Atualidade - Cecília Almeida, Luiz Alberto Padreca e Profa. Me. Débora Tavares

Reconstrução histórica da publicidade veiculada no Jornal "O Taquaryense", no período de 1887 a 1900 - Professora Dra Elizete de Azevedo Kreutz (Univates), Daniel Scheer (Bolsista do Projeto O Taquaryense), e Paula Muriel Martins (Bolsista do Taquaryense).

 VOLTAR


 História da Mídia Impressa

Programação de Novo Hamburgo

Coordenador: Prof. Dr. Luís Guilherme Pontes Tavares, Nehib (Núcleo de Estudos da História dos Impressos da Bahia) e FIB-Centro Universitário da Bahia 

15.04, das 14 às 16h

14:00-14:20 – O REENCANTAMENTO AQUARIANO

ATRAVÉS  DA REVISTA PLANETA NOVA ERA

Professora Ana Ângela Farias Gomes, Feevale (RS)

14:20-14:40 A xilogravura como ilustração do texto jornalístico:

uma análise do trabalho de João da Escóssia Nogueira

no jornal “O Mossoroense”, de 1902 a 1906

Cid Augusto da Escóssia Rosado, (mestrando em Estudos da Linguagem) UFRN

14:40-15:00INFLUÊNCIA DOS IMIGRANTES

ITALIANOS NA IMPRENSA DO GRANDE ABC

Professor Waldenizio Petrolli, Metodista (SP)

15:00-15:20 – JORNAIS MONARQUISTAS PIAUIENSES

mapeamento da temática republicana no final do Segundo Reinado

Professora Ana Regina Barros Rêgo Leal, UFPI

15;20-15:40 - JORNAL NORTE DE GOYAS: O LEGADO
DA FAMÍLIA AYRES À IMPRENSA TOCANTINA

Aurielly Painkow, Sebrae (TO), professora Irenides Teixeira, CEULP/ULBRA, professor Lailton Costa, CEULP/ULBRA

15:40-16:00 – MAIS DE 180 ANOS DE IMPRENSA NA AMAZÔNIA

Paulo Roberto Ferreira, pesquisador independente (AM)

16:00-16:20 – HITLER E ALEMANHA NA REVISTA DO GLOBO (1933-45)

Professor Mateus Dalmáz, Puc-RS 

15.04, das 16h30 às 18h30

16:30-16:50 - A IMPRENSA NOS CONFINS DA AMÉRICA:
300 ANOS DE JORNALISMO, GUERRAS E VAIDADES

Márcio Fernandes, Francismar Formentão, Unipar

16:50-17:10 – APONTAMENTOS SOBRE A HISTÓRIA DE DOIS JORNAIS CURITIBANOS: GAZETA DO POVO E O ESTADO DO PARANÁ

Elza Aparecida de Oliveira Filha, Universidade Tuiuti do Paraná

17:10-17:30 – RESGATE À MEMÓRIA DA MÍDIA IMPRESSA FORMIGUENSE

Professora Eliane Grazielle Estevão, Puc-MG/Arcos

17:30-17:50 – O COMBATE: A HISTÓRIA DE UM JORNAL REVOLUCIONÁRIO

Professor Ernane C. Rabelo, Universidade Federal de Viçosa (MG)

17:50-18:10 – ALÉM DAS PALAVRAS: O DISCURSO CONSERVADOR DAS ELITES AGRÁRIAS MINEIRAS A PARTIR DO JORNAL DE VIÇOSA NA DÉCADE DE 1920

Professora Daniela Correa e Castro Universidade Federal de Viçosa (MG)

18:10-18:30 – PRIMEIROS PASSOS DA IMPRENSA CATARINENSE

Professor  Mário Luiz Fernandes, Universidade do Vale do Itajaí (SC)

16.04, 8h30 às 10h30

8:30-8:50 – KOLONIE-ZEITUNG, UMA HISTÓRIA. A VIAGEM PELAS OITO

 DÉCADAS DO PRIMEIRO JORNAL ALEMÃO DE SANTA CATARINA

Lilian Mann dos Santos, pesquisador  (SC)

8:50-9:05 – A INSERÇÃO DO DIÁRIO CATARINENSE NA IMPRENSA DE SC 

Professores Carlos Golembiewski e Vera Sommer, Univali (SC)

9:10-9:20DIÁRIO DO LITORAL – 26 ANOS DE HISTÓRIA NO VALE DO ITAJAÍ

Professores Vera Sommer e Carlos Golembiewski, Univali (SC)

9:20-9:40A FEDERAÇÃO E O CORREIO DO POVO: OS INDÍGENAS NA MÍDIA IMPRESSA - Professora Cíntia Régia Rodrigues, Univest, SC/Lages

Comunicação coordenada

9:40-10:30 – A FEEVALE na Imprensa: Um olhar histórico

9:40-10:30 – Estudo sobre a hipótese de agendamento no caso da criação da Universidade Regional de Novo Hamburgo - Professora Cristina Ennes da Silva, Feevale (RS)

9:40-10:30O PAPEL DO JORNAL NH NO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO REGIONAL - Professor João Carlos Rambor de Ávila, Feevale (RS)

AS RELAÇÕES DE TRABALHO EM NOVO HAMBURGO: O JORNAL O 5 DE ABRIL (1934/1935) - Claudia Schemes

VOLTAR


História da Mídia Audiovisual

Coordenadora: Profª Drª Ruth Penha Alves Vianna – UFMS – Campo Grande – Mato Grosso do Sul

  Dia 15 Sexta-feira

  14h-16h – Sessão I/ História da Mídia Audiovisual resgate histórico local, regional e nacional

  14h-14h20 – Mídia televisiva em Marília: histórico, problemas e perspectivas

Profº Roberto Reis de Oliveira - Professor do Departamento de Comunicação Social da Faculdade de Comunicação, Educação e Turismo – Universidade de Marília.

14h20 – 14h40 – A televisão Tupi de Pernambuco

Aline Grego – Profª UNICAP - Pernambuco

14h.40/15h – A evolução do telejornalismo no Espírito Santo. A busca por uma identidade regional

Marcelle de Almeida Carvalho – Trabalho de conclusão de Curso Comunicação Social (Graduação) – FAESA

15h-15h20 – Uma análise da história escrita das redes de televisão no Brasil: contribuições e limites

Estela Kurth - Mestranda no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Catarina,  sob a orientação do Prof. Dr. Ernesto Aníbal Ruiz e Profª substituta do departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina.

15h20 – 15h40 – João Saad e sua contribuição para a Comunicação Social no Brasil

Profª Roselita Lopes de Almeida Freitas Docente/Pesquisadora da Fundação Cásper Líbero – SP

15h40 – 16h –  A Língua é minha Pátria. Relato da trajetória do programa Plantão da Língua Portuguesa

Wagner da Silveira Bezerra - Diretor de  programas e redator - TVE Brasil

16h – 16h30 – Intervalo

16h30- 18h30 – Sessão II – A construção da memória cinematográfica  e televisiva brasileira e as tecnologias digitais

16h30-16h50 – Recuperando informações para a história do cinema em Pernanbuco: Agenda do cinema ambulante (1900-1909)

Maria Luiza Nóbrega de Morais – Profª do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco.  Líder do Grupo de Pesquisa: História e Imagens da Comunicação. Coordenadora do  Núcleo Pernambucano da Rede Alcar.

16h50 – 17h10 – Cinema do Paraná - elementos para uma história

Celina Alvetti  - Profª do curso de Comunicação Social - Pontifícia Universidade Católica do Paraná

17h10 – 17h30 – Documentário: “Caixa Mágica” – duração 20´ Mídia: DVD                  

Coordenação Geral - Prof. Msc. Carlos Fernando Martins Franco – UFT. Produção Independente Apoio: UFT e Fundação Palmares.

17h30 – 17h50 – Primeiras Experiências Brasileiras com HDTV

Profº Esp. Wagner da Rosa coordenador da TV Feevale profº do Centro Universitário Feevale e FABICO/UFRGS e Profª Esp. Letícia Vieira Braga Profª Centro Universitário Feevale.

17h50 – 18h10 – Cinema digital: interfaces com a televisão

Profa. Dra. Miriam de Souza Rossini - Instituição: PPG em Ciências da Comunicação – Unisinos.

  18h10 – 18h30 – O ocultar mostrando do telejornalismo na era digital: retrospectiva da communication research audiovisual

Profª Drª Ruth Penha Alves Vianna – UFMS

18h30/18h50 -  “A primeira emissora de TV do interior da América Latina”

Valquíria A Passos Kneipp Doutoranda em Ciências da Comunicação na ECA/USP, professora da Universidade Anhembi-Morumbi e da Faap – Fundação Armando Álvares Penteado.

16 de Abril de 2005 – Sábado

III – Sessão – Pioneirismo de Landell de Moura à interatividade da tecnologia digital do novo milênio

9h30/ 9h50 – "Confissões de um Padre Cientista" - Manuscritos de Roberto  Landell de Moura.

Vânia Maria Abatte - Nep - Núcleo de Estudos e Pesquisas Landell de Moura - Porto Alegre – RS.

9h50/10h10 – Exposição e lançamento do livro Pioneiro das telecomunicações, genial inventor Roberto Landell de Moura, cientista gaúcho 1893/1894

Ivan Dorneles Rodrigues – Radioamador e pesquisador da obra original de Landell

VOLTAR


 História da Midiologia

  Programação de Novo Hamburgo

  Coordenador: Prof. Dr. José Marques de Melo – UMESP – São Bernardo do Campo / SP

  Dia 15 – Sexta-feira

  14h – 16h –  Sessão 1  / História da midiologia: objetos, fontes e projetos

  Coordenador: Prof. Dr. José Marques de Melo (UMESP)

  14h00-14h20 -  Psicotecnologia da escrita: o recuo no tempo

  Profa. Dra. Maria Luiza Cardinale Baptista – UNISINOS / UFRGS – São Leopoldo, Porto Alegre / RS

14h20-14h40 -  Notícias e visões do Brasil no século XVII

Profa. Dra.  Maria Cecília Guirado (UNIMAR) – Marília / SP

  14h40-15h00 - Antecedentes da integração do Mercosul e surgimento da mídia terciária nas terras de fronteira do Brasil Meridional

  Profa. Dra. Ada Cristina Machado da Silveira e Esp. Lindamir Ester Adamczuk – UFSM – Santa Maria / RS

  15h00-15h20 – Coração paulista: cultura musical sub-valorizada pela "grande mídia" em nome de uma pretensa "identidade nacional"

  Profa. Dra. Fátima Feliciano – UNIPAC - Barbacena, MG.

  15h30-15h50 - Projeto Cultural O Taquaryense : relatos da criação de um Museu-Vivo de Comunicação no Vale do Taquari

   Profa. Ms.Elizete de Azevedo Kreutz e Prof. Ms. Leonel José de Oliveira – UNIVATES – Lajeado / RS

  15h50-16h10 – Acervo midiático resgata a história da imprensa chapecoense

Prof. Ms. Dirceu Luiz Hermes – UNOCHAPECÓ – Chapecó – Santa Catarina

  16h10-16h30m – Intervalo

  16h30-18h30 –Sessão 2  A construção da memória midiológica brasileira

  Coordenadora: Profa. Dra. Maria Cristina Gobbi (UMESP)

  16h30-16h50 - Cásper Líbero entre o Profissional e o Mito: Inventário Crítico das Fontes Bibliográficas e Hemerográficas

  Profa. Dra. Gisely Valentim Vaz Coelho Hime – UniFIAM – São Paulo / SP

  16h50-17h10 - Para não dizer que não falei de flores: a modernidade do projeto pedagógico fundador do curso de jornalismo da ECA-USP e seu impacto nacional

  Profa. Dra. Ruth Penha Alves Vianna – UFMS – Campo Grande / MS

  17h10 – 17h30  –35 anos Curso de Comunicação Social da UFMA: um olhar sobre esta História

  Profa. Ms. Marla Medeiros e Jornalista Roseane Arcanjo Pinheiro – AMI – São Luis - MA

  17h30-17h50 - Produção midiológica do Grupo de São Bernardo: Análise taxionômica e cognitiva das dissertações e teses do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UMESP, período 1981-2003

  Prof. Ms. William Pereira de Araújo; Profa. Ms. Nancy Maziero Trevisan; Prof. Ms. Jairo Faria Mendes;  Prof. Ms. José Aurélio Chiaradia Pereira e Prof. Ms. Herbert Rodrigo de Souza – UMESP – São Bernardo do Campo, SP

  17h50-18h10 –  Recuperação, Sistematização e Divulgação da Produção Científica em Comunicação Social no Espírito Santo

Profs. Drs. Juçara Brittes, Desirée C. Rabelo, e Attilio Provedel. Bolsistas de IC:  Marcele Falqueto, Karina Dal'Col, Luana Laux e Gissely Keila Potratz - UFES  – Vitória / ES

  18h10-18h-30 -  Os estudos sobre a TV por assinatura no Brasil

  Jornalista Graça Penha Nascimento Rossetto – FAESA – Vitória - ES

  Dia 16 de abril - sábado

  8h30-10h30min – 3ª. Sessão Biografias de artífices da midiologia: personalidades e instituições

  Coordenadora: Profa. Dra. Juçara Brittes (UFES)

8h30-8h50 -  Danton Jobim: no rastro da operação Condor

  Prof. Dr. José Amaral Argollo – UFRJ – Rio de Janeiro / RJ

  8h50-9h10 O legado Pioneiro de Luiz Beltrão

  Profa. Dra. Maria Cristina Gobbi – UNESCO/UMESP – São Bernardo do Campo / SP

  9h10-9h30 40 anos da revista pioneira das ciências da comunicação no Brasil: Comunicações & Problemas

  Profa. Dra. Rosa Dales Nava – Unimonte / UNIPAC – Santos / SP e Barbacena / MG

  9h30-9h50 – Pompeu de Souza: o jornalista que transformou o Jornalismo

Profa. Ms. Rosemary Bars Mendez - UniFIAM - São Paulo / SP e ISCA-Faculdades - Limeira/SP

  9h50-10h10 Memória dos jornais mineiros do século XIX: Revisão crítica das fontes bibliográficas

  Prof. Ms. Jairo Faria Mendes – PUC Minas – Arcos / MG

10h10-10h130 – Plenária / Eleição do Coordenador do GT de História da Midiologia

 

VOLTAR


 

História das Relações Públicas

  As Relações Públicas terão dois eventos na Rede Alcar

  A área de Relações Públicas contará com dois eventos que ocorrerão no 3º Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho, em Novo Hamburgo - RS. O primeiro será a reunião de pesquisadores no GT de História das Relações Públicas, que acontecerá nos dias 15 de abril, sexta-feira, à tarde, e 16 de abril, sábado, no período da manhã. O segundo será o Fórum de Professores de Relações Públicas, marcado para sábado à tarde, também dia 16 de abril. Os dois eventos podem ser considerados como oportunidades de debates sobre questões relevantes para a área.

  GT História das Relações Públicas

  O programa do GT foi organizado prevendo a apresentação e debate de 12 trabalhos, divididos em quatro temáticas. O foco de cada mesa-redonda, os nomes dos expositores e os títulos dos papers estão indicados abaixo, em ordem de apresentação:

 

No dia 15 de abril:

 

Mesa-Redonda 1: Relações Públicas - Origens e Contextos

das 14:00horas às 16:00horas

Júlio Afonso Pinho (Universidade Federal de Goiás)

O contexto histórico do nascimento das Relações Públicas

Rudimar Baldissera (FEEVALE/UCS) e Marlene Branca Sólio (UCS)

Relações Públicas – Processo histórico e Complexidade

Cleusa Maria Andrade Scroferneker (PUCRS)

(Re)Construindo a história das Relações Públicas

 

Mesa-Redonda 2: Relações Públicas - Conceitos e Práticas

das 16h30min às 18h30min

Ana Maria Walker Roig Steffen (PUCRS)

Teoria e Prática – uma relação dissonante em Relações Públicas no Brasil do Século XX

Ana Maria Córdova Wels (PUCRS/FEE)

Aspectos históricos da atividade de Relações Públicas: paralelos com a origem das Assessorias de Comunicação Social

Laura Maria Glüer (Centro Universitário Metodista IPA)

O conceito de Empresa-Rede na Assessoria de Imprensa - um estudo em Porto Alegre (RS)

 

No dia 16 de abril:

 

Mesa-Redonda 3: Trajetórias do Ensino de Relações Públicas

das 8h30min às 10:00horas

Cintia Carvalho (FEEVALE/ULBRA) e Helaine Abreu Rosa (FEEVALE)

A trajetória do curso de Relações Públicas da FEEVALE: dos primórdios à contemporaneidade

Marcia Formentini, André Gagliardi, Tiago Mainieri de Oliveira (UNIJUÍ)

A trajetória das Relações Públicas na região Noroeste do RS

Ediene do Amaral Ferreira (UNIVALI)

O ensino das Relações Públicas em Santa Catarina

  Mesa-Redonda 4: Referenciais para Formação em Relações Públicas

das 10h30min às 12:00horas

João Carissimi (UNIVALI)

Sônia Bandeira (1965-1999): a trajetória de vida da relações públicas em Santa Catarina

Gustavo Eugênio Hasse Becker (ULBRA)

Inventário bibliográfico em monografias de Relações Públicas

Vagner de Carvalho Silva (Mestrando PUCRS)

As Relações Públicas Internacionais nos currículos de Relações Públicas do Rio Grande do Sul

  Fórum de Professores de Relações Públicas

  O evento está marcado para às 14:00horas do dia 16 de abril. Contará com uma sessão de abertura, seguida de uma exposição sobre “Os Reflexos das Diretrizes Curriculares no Ensino de Relações Públicas”. A temática será abordada pela profa. Dra. Sidinéia Gomes Freitas (USP), que participou da elaboração das Diretrizes Curriculares do Curso de Comunicação Social junto ao MEC. Após a referida exposição haverá uma discussão do assunto com professores da área de Relações Públicas. Uma pauta para o debate irá nortear as discussões, enquanto o registro das opiniões e sugestões dos participantes do Fórum servirá de base para a redação de um Documento Final, apontando a situação atual do ensino na área. A retomada de questões do passado possibilitará uma análise de seus reflexos no futuro. O relato das conclusões de cada item discutido será posteriormente disponibilizado tanto aos participantes do evento, como às entidades de classe de Relações Públicas. A pauta está dividida em três tópicos:

Tópico A: Características do Egresso do Curso

Tópico B: Características da Estrutura do Curso

Tópico C: Questões de Avaliação do Curso

  Portanto, a presença de professores, estudantes, profissionais e interessados na área é importante, na medida em que os participantes do GT e do Fórum poderão discutir assuntos e favorecer o crescimento das Relações Públicas com novas reflexões e pesquisas. Fica aqui registrado o convite da coordenação dos eventos.

  Profa. Dra. Cláudia Peixoto de Moura

GT História das Relações Públicas

Fórum de Professores de Relações Públicas

 

 

VOLTAR


 

 

 

Sócios em Destaque

Série Alcar – Livros de Sócios com o Selo da Rede Alfredo de Carvalho

 

Desde a sua fundação, em 2001, a Rede Alfredo de Carvalho vem desenvolvendo esforços no sentido de disseminar a produção científica dos pesquisadores a ela integrados. Para tanto, instituiu o Selo Alcar, criado pela equipe da Editora da Universidade Federal da Bahia. Até agora foram publicados 6 volumes nessa série, que agrega mais uma edição, produzida pelo GT de História da Publicidade e Propaganda, a ser lançado no encontro de Novo Hamburgo, sob a coordenação do Prof. Dr. Alfredo Queiroz. Eis a relação das obras já publicadas, bem como dos seus autores/organizadores:

1. 
Cipriano Barata na Sentinela da Liberdade – Marco Morel, Salvador, Academia Baiana de Letras / Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, 2001, 412 p.

2.   Rumo ao Bicentenário da Imprensa Brasileira – José Marques de Melo, Cybelle de Ipanema e Esther Bertoletti, Salvador, NEHIB, 2002, 69 p.

3.     Marco Zero da Rede Alfredo de Carvalho na Bahia - Luiz Guilherme Pontes Tavares, ed., Salvador, Núcleo de Estudo da História dos Impressos da Bahia, 2003, 43 p.

4.  Vargas, agosto de 54, a história contada pelas ondas do rádio – Ana Baum, org., Rio de Janeiro, Editora Garamond, 2004, 237 p.

5. São Paulo na Idade Mídia – José Marques de Melo e Antonio Adami, orgs., São Paulo, Arte & Ciência, 2004, 377 p.

6.    Apontamentos para a História da Imprensa na Bahia – Luis Guilherme Pontes Tavares, org., Salvador, Academia Baiana de Letras / Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, 2005, 157 p.

7.   Propaganda: História e Modernidade – Adolpho Queiroz, org., São Paulo, Rede Alcar, 2005  

VOLTAR


Presidente da Rede Alcar recebe título honorífico na UFPB

Ao fazer a entrega solene do título de Doutor Honoris Causa ao Professor José Marques de Melo, em João Pessoa, Paraíba, na sala do conselho universitário, na noite de 25 de fevereiro de 2005, a Reitora Maria Yara Campos Matos declarou que a Universidade Federal da Paraíba -UFPB sentia-se honrada em prestar aquela homenagem no marco comemorativo dos 50 anos da instituição.

Ele disse textualmente: "Professor Doutor José Marques de Melo: nós que fazemos a Universidade Federal da Paraíba, nos sentimos muito honrados em tê-lo, a partir de hoje, fazendo parte de nossa Instituição. E esta ocasião se reveste de maior importância porque este é o ano do cinqüentenário de nossa Universidade: cinqüenta anos construindo uma história que se pauta pela busca da excelência acadêmico-científica, e sua história, professor, só vem enriquecê-la".

Dentre as personalidades que recentemente mereceram igual honraria da UFPB destacam-se o escritor brasileiro Ariano Suassuna e o sociólogo francês Edgar Morin.

A outorga do título honorífico ao Professor Marques de Melo foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitária da instituição, em sessão de 29 de março de 2004, mediante proposta endossada pelo Departamento de Comunicação Social, de autoria dos professores Moacir Pereira e Wellington Pereira.

Em sua justificativa, os autores realçaram, entre outros méritos, "a qualidade do seu trabalho como pesquisador e professor de Comunicação Social na América Latina, tendo sua obra reconhecida internacional e nacionalmente, contribuindo para a manutenção do status científico da área de Comunicação Social".

Ato solene

A sessão especial do Conselho Universitário da UFPB convocada para a entrega do título contou com a presença de representantes do Governador do Estado da Paraíba e do Prefeito da Cidade de João, bem como de entidades corporativas, reunindo uma centena de intelectuais, profissionais e estudantes.

A apresentação do homenageado foi feita pelo professor Moacir Barbosa, que resgatou sua história de vida, destacando aspectos da trajetória universitária. Ele esclareceu que apesar de ter consolidado sua carreira acadêmica no sudeste do país, mais precisamente na Universidade de São Paulo, sempre guardou um olhar de incentivo para a construção dos programas de pós-graduação no Nordeste, região onde nasceu e se manteve ligado à pesquisa principalmente no âmbito da Folkcomunicação.

Por sua vez, coube ao professor Wellington Pereira realizar o balanço crítico da obra do professor Marques de Melo. Além de mencionar sua amplitude temática e sua constante sintonia com o pensamento comunicacional contemporâneo, especialmente a Escola Latinoamericana de Comunicação, ele destacou sua fidelidade às raízes nordestinas, mantendo permanente diálogo com autores paradigmáticos como Gilberto Freyre, Paulo Freire, Celso Furtado, Josué de Castro e Luiz Beltrão.

Em seu discurso de encerramento, a Reitora Maria Yara Campos Matos arrematou: "Neste ato enfatizamos a importância da distinção porque cada procedimento realizado nesta noite teve o objetivo de lembrar e registrar o que não pode nem deve ser esquecido: a contribuição inestimável do professor, jornalista e escritor José Marques de Melo prestada à educação e à sociedade brasileira. Este ritual registra uma história, lembra um passado de trabalho profícuo que deixou raízes profundas e extensas; e esse passado é indestrutível porque fez parte da textura de vida do agraciado e de todos aqueles que com ele conviveram ou aprenderam"

Desafios do jornalismo

Em sua oração de agradecimento o Professor Marques de Melo revelou-se comovido, principalmente por ser um desterrado nordestino, generosamente acolhido por São Paulo, quando foi obrigado, como tantos "paus-de-arara", a se refugiar no sudeste brasileiro, no seu caso em busca de melhores oportunidades intelectuais, tendo em vista a perseguição que os "donos do poder" empreenderam contra todos aqueles que não rezassem pela cartilha da "doutrina de segurança nacional", instituída pelo regime militar pós-1964.

Em seguida, dirigiu-se particularmente às novas gerações de professores e estudantes de jornalismo, concitando-os a corresponder aos desafios cruciais que a conjuntura emergente coloca perante a profissão e a sociedade.

Enfatizou o impasse histórico vivenciado pelo jornalismo brasileiro, qual seja a pequena expansão do público leitor de jornais e revistas, em face do pauperismo econômico e da carência educacional que vitima a maioria da população nacional. Cabe aos vastos contingentes da sociedade brasileira - argumentou - matar sua fome cotidiana de informações através da mídia eletrônica, principalmente o rádio e a televisão, veículos que são obrigados a nivelar seus conteúdos de acordo com patamares cognitivos situados quase ao rés-do-chão para poder garantir sua sobrevivência econômica.

Lamentou, a seguir, o descompasso existente entre as demandas do mercado e as estratégias universitárias. "É justamente aí que reside um dos impasses colossais das nossas escolas de comunicação, particularmente dos seus cursos de jornalismo. Pois eles privilegiam de modo ostensivo programas de ensino ancorados exclusivamente no referencial da cultura erudita, desdenhando, quando não desprezando, o universo popular. A ênfase da produção de mensagens na maioria das nossas instituições permanece estacionária na mídia gutenbergiana, quando nada extrapolando para as formas de expressão escrita disseminadas pela internet."

E fez uma conclamação aos jovens. "Gostaria de desafiar a nova geração dos estudiosos do jornalismo da nossa região, no sentido de buscar alternativas pedagógicas que correspondam às aspirações dos contingentes de famintos de cultura e de informação, nutrientes fundamentais para convertê-los em cidadãos ativos e participantes. Do contrário eles permanecerão alvo fácil das manipulações dos populistas de todos os matizes, hábeis no uso da mídia audiovisual."

Finalizando, destacou a sua preocupação em relação às investidas perpetradas por segmentos do poder nacional no tocante ao instituto da liberdade de expressão e pensamento, cuja proteção foi institucionalizada pela carta constitucional de 1988. "Temos presenciado, contudo, tentativas esboçadas por agentes do poder executivo ou do judiciário no sentido de minar o edifício que sustenta a liberdade de imprensa. Artifícios ostensivos ou dissimulados começam a despontar em cadeia, resultando em atos que restringem ou inibem o desempenho profissional dos jornalistas. Se não houver uma constante vigilância da sociedade corremos o perigo de retrocesso."

Perfil

José Marques de Melo é jornalista, professor universitário, pesquisador científico e consultor acadêmico.

Iniciou-se no jornalismo aos 15 anos de idade, mas preferiu seguir a carreira acadêmica, tendo sido o primeiro Doutor em Jornalismo diplomado em universidades brasileiras. Integrou a equipe fundadora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paula, da qual esteve afastada durante a segunda metade dos anos 70, perseguido pela ditadura militar. Com a anistia política de 1979 retornou à instituição, onde completou sua carreira universitária, tendo sido eleito pela comunidade acadêmica para a mais elevada posição hierárquica, ou seja, o cargo de Diretor, quando se aposentou no serviço público. Desde então, integra a equipe acadêmica da Universidade Metodista de São Paulo, onde coordenou o programa de pó-graduação em comunicação social, dirigiu a faculdade de ciências da comunicação e da cultura e atualmente lidera a Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento Regional. Preside, desde 2001, a Rede Alfredo de Carvalho para o Resgate da Memória da Imprensa e a Construção da História da Mídia no Brasil.

Tem uma vasta e diversificada produção bibliográfica, sendo autor de duas dezenas de livros e mais de duas centenas de artigos em periódicos científicos do país e do exterior. Suas obras mais recentes são: Jornalismo Brasileiro (Sulina, 2003), A esfinge midiática (Paulus, 2004) e Midiologia para iniciantes (Educs, 2005).

Homenagens da mesma natureza desta que acaba de receber da Universidade Federal da Paraíba já lhe foram outorgadas, anteriormente, pelas seguintes universidades: Universidade Católica de Santos (1997), University of Texas, Austin (1998), Universidade de São Paulo (2001), Universidade Federal de Alagoas (2003).

Informações mais detalhadas da sua trajetória intelectual podem ser encontradas na Plataforma Lattes do CNPq ou no cibermemorial: www.marquesdemelo.com.br

Fonte: JBCC – Jornal Brasileiro de Ciências da Comunicação, n. 268, ano 2005

VOLTAR


Fundadora da Rede Alcar tem biografia publicada em livro-reportagem

Ana, Alma de Repórter é o título do livro-reportagem de autoria das jornalistas Layla Milan.Guerra e Viviane Ribeiro Salles, recentemente diplomadas pelo Centro Universitário Alcântara Machado – UniFIAM – na cidade de São Paulo. O volume focaliza a história de vida e a trajetória profissional de Ana Arruda Callado, pernambucana do Recife que triunfou no jornalismo carioca, tendo sido a primeira mulher a exercer uma chefia de reportagem num jornal de prestígio nacional.

 

Apresentado como trabalho de conclusão de curso, o livro foi orientado pela Profa. Ms. Rosemary Bars Mendez, coordenadora do curso de jornalismo daquela instituição. As autoras pretendem ampliar a difusão da obra, através de edição comercial, distribuída às livrarias de todo o país.

 

Ana Arruda Callado participou da fundação da Rede Alfredo de Carvalho em 2001, quando exercia o cargo de Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Imprensa – ABI. No ano passado, ela foi agraciada com o Prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação, na categoria Maturidade Acadêmica, outorgado pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – INTERCOM.

VOLTAR


 

Núcleos Regionais

 


Núcleo Baiano

O Resgate da História da Imprensa na Bahia

Luís Guilherme Pontes Tavares*

No prefácio que escreveu para o livro Apontamentos para a história da Imprensa na Bahia, o jornalista brasileiro Jorge Calmon, decano (nasceu em 1915 na Bahia) da categoria, defende que é “cabível, e viável, um trabalho com o objetivo de criar condições para o levantamento da história da imprensa neste Estado”. O livro é mais uma co-edição da Academia de Letras da Bahia com a Assembléia Legislativa daquele Estado brasileiro. Reúne ensaios de oito autores, todos jornalistas, sete dos quais imortais da Academia de Letras da Bahia. Os textos foram divulgados em distintas épocas e publicações. Há textos da década de 1910 e o último é da década de 1980. Honestílio Coutinho, que foi noticiarista da Imprensa Oficial do Estado, é o único autor que não foi da Academia. Os demais são os ex-governadores Octavio Mangabeira e Luiz Viana Filho, o ex-senador Aloysio de Carvalho Filho, seu pai Aloysio de Carvalho, o professor Antonio Loureiro de Souza, o jornalista Antonio Vianna e Jorge Calmon, que, além do prefácio, também é autor de um dos ensaios.

Jorge Calmon, que trabalhou em A Tarde, principal jornal baiano, desde 1934 a 1996, dirigindo a redação por cerca de 50 anos, deu o título de “A Imprensa exige sua história” para o prefácio de Apontamentos... em que oferece um roteiro para o levantamento da história da imprensa baiana:

Um dos primeiros passos seria a recuperação das coleções de jornais antigos, pertencentes ao Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Biblioteca Pública e Arquivo Público. Começando pela cuidadosa restauração dos exemplares, inúmeros deles extremamente estragados. Seguindo-se (mas podendo ser concomitante com o restauro) a microfilmagem total das coleções, de então em diante proibidas ao manuseio. Providência decorrente da microfilmagem (ou da gravação em CD) das coleções seria a organização de um banco de dados, a ser utilizado pelos pesquisadores, contendo o índice de todas as publicações assim arquivadas. A etapa seguinte visaria à localização e reprodução de jornais baianos existentes em arquivos públicos ao longo do País.

Jorge Calmon informa no prefácio que as bibliotecas de Salvador possuem pouquíssimas coleções dos mais de 1500 periódicos que a Bahia publicou a partir de 1811. Informa que a professora Kátia Carvalho, no seu livro sobre o Diário da Bahia, lista menos de 30. Por outro lado, acrescenta que a professora Lizir Arcanjo localizou na Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, quase 300 coleções de periódicos baianos e, a seu pedido, a diretora anterior do Arquivo do Estado da Bahia, Anna Amélia Vieira Nascimento, adquiriu os microfones de todas e os disponibilizou aos pesquisadores.

Além do prefácio, Jorge Calmon participa do livro com o ensaio “Oito razões (dentre muitas outras) para que exista Curso de Jornalismo”. Trata-se da saudação que dirigiu aos formandos do curso da Ufba em 1986. As oito razões são as seguintes: “a opção vocacional; a seleção dos mais aptos ao exercício da profissão; o preparo para o ofício; o conhecimento da ética do jornalismo; o estudo da legislação de imprensa; a formação universitária do comunicador; a profissionalização definitiva do jornalista; e, afinal, a estabilidade econômica da categoria”.

A PARTIR DE 1811

O localização dos textos, a digitação, atualização ortográfica, revisão e as notas de rodapé foram etapas patrocinadas pela FIB-Centro Universitário da Bahia, através de seu Núcleo de Pesquisa. O trabalho foi iniciado em 2002 e concluído em dezembro último pelo Grupo Editorial da Assembléia Legislativa. Os textos selecionados cobrem a história da imprensa na Bahia desde o funcionamento do primeiro prelo em Salvador, em maio de 1811, até a década de 1980, a que se refere o texto do jornalista Jorge Calmon.

O texto de Octavio Mangabeira é sobre o primeiro centenário da imprensa baiana e foi proferido no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia em 14 de maio de 1911. Mangabeira, que governou a Bahia de 1947 a 1951, era, em 1911, o orador oficial do IGHB. O texto foi publicado no número triplo 37-39 da revista da instituição. Nele, o autor salienta, sobretudo, a contribuição do pioneiro Manoel Antonio da Silva Serva e de seus sucessores – sua viúva e filhos –, que, entre 1811 e 1843, foram responsáveis pela impressão de mais de 70 periódicos em Salvador.

O jornalista Aloysio de Carvalho, que foi redator-chefe do Jornal de Notícias entre o final do século XIX e os primeiros 20 anos do século XX e que, posteriormente, integrou os quadros de A Tarde, escreveu para o Diário Oficial de 02 de julho de 1923, edição comemorativa do primeiro centenário da Independência da Bahia, o texto “A Imprensa na Bahia em 100 anos”. Cobre um período um pouco maior do que aquele de que tratou Octavio Mangabeira. O texto é, também, um libelo às ameaças à liberdade de imprensa. Aloysio de Carvalho recebeu o apelido de Lulu Parola e inscreveu seu nome entre os grandes epigramistas da Bahia.

Aloysio de Carvalho Filho publicou em 06.03.1960, no Diário de Notícias, o ensaio “Jornalismo na Bahia, 1875-1960”. Além de jornalista, poeta e escritor, como o pai, ele foi professor e diretor da Faculdade de Direito da Bahia e senador. Sua contribuição em Apontamentos... é rica de nomes de antigos jornalistas baianos. Atribui, por exemplo, a Alfredo Requião, noticiarista do Jornal de Notícias, a qualidade de repórter-nato. Informa, também, que “ninguém, talvez, o superasse no registro dos fatos de sociedade, o que hoje se denomina, como outros estilos e outro temperamento, de crônica social”. Quiçá algum dia se possa comparar a obra dele com a de João do Rio!

O título de Apontamentos para a história da Imprensa na Bahia foi tomado de empréstimo ao ensaio de Antonio Loureiro de Souza. Seus “Apontamentos...” foram publicados no número duplo 12-13 da revista Universitas, da Ufba, em 1972. Há outra versão publicada em 1978 no Jornal da Bahia. Loureiro foi professor de História do Jornalismo da Escola de Bibliotecnomia e Comunicação da Ufba e colaborou em vários jornais e revistas. Seu texto contribui sobretudo com a referencia a periódicos que circularam na primeira metade do século XX. É possível que seja a única fonte a esse respeito.

O ex-governador Luiz Viana Filho, de ampla folha de serviços à vida pública e às letras, pronunciou em  1980 a conferência “Alguns aspectos do jornalismo baiano” na Associação Baiana de Imprensa, em comemoração ao cinqüentenário da instituição. O texto foi, posteriormente, transformado em livreto. O Doutor Luiz rememora sua passagem pelas redações do Diário da Bahia, de O Imparcial e de A Tarde. Lembra, por exemplo, o convívio com Aloysio de Carvalho na redação desse último.

O texto de Honestílio Coutinho, publicado como o de Aloysio de Carvalho no número especial do Diário Oficial dedicado ao primeiro centenário da Independência da Bahia, trata dos oito anos iniciais da Imprensa Oficial do Estado. É sempre bom lembrar que a decisão de J. J. Seabra de criar a Imprensa Oficial e lançar o DO da Bahia modificou a relação do Governo do Estado com os jornais de então. Até 1915, os atos oficiais eram publicados no jornal do partido do governador ou naquele mais próximo dele. O artigo de Honestílio Coutinho oferece informações detalhadas sobre o quadro de pessoal e a relação de equipamentos da instituição em 1923.

Quanto ao ensaio de Antonio Vianna, publicado  no n. 11 de Os Annaes, datado de fevereiro de 1912, sob o título “A Notícia”, me pareceu precioso por causa da reflexão do autor sobre o tema. Ele, inclusive, arrisca tipificar a notícia. Diz ele: “Fosse um estudo sobre a notícia, o que explano, e classificaria o assunto: notícias felicitantes; notícias necessárias; notícias aristocráticas; notícias vagabundas; notícias graves, agudas, temidas e caluniadas”. Em seguida, explica cada uma delas. O jornalista e poeta Antonio Vianna, pai da também acadêmica Hildegardes Vianna, deixou reconhecida contribuição como folclorista.

CENTENÁRIOS

O livro Apontamentos para a história da Imprensa na Bahia chega em hora própria por causa da proximidade das comemorações do bicentenário da instalação da imprensa no Brasil (2008) e na Bahia (2011). A Academia de Letras e a Assembléia Legislativa querem que a obra inspire novos estudos sobre o tema. As duas instituições, com esse livro, inauguram a Coleção Cipriano Barata, de caráter interinstitucional. Em parceria com a Edufba (Editora da Universidade Federal da Bahia), estão patrocinando outro livro da coleção – a segunda edição de A primeira gazeta da Bahia: Idade d’Ouro do Brazil, da professora Maria Beatriz Nizza da Silva, da Usp. A obra será impressa na Egba e lançada neste semestre.

Os preparativos para as comemorações do bicentenário da Imprensa no Brasil tiveram início em 2001quando foi formada a Rede Alfredo de Carvalho. A iniciativa foi do professor doutor José Marques de Melo, emérito da Usp e titular da Cátedra Unesco sediada na Metodista de São Paulo, e a solenidade ocorreu na Associação Brasileira de Imprensa – ABI – , no Rio de Janeiro. Em 14 de maio do mesmo ano, foi criado em Salvador o Núcleo de Estudos da História dos Impressos da Bahia – Nehib – que, desde aquela data, representa a Rede na Bahia. A Rede pode ser acessada na web: www.jornalismo.ufsc.br/redealcar, www.metodista.br/unesco e www.feevale.br/redealcar.

A Rede Alfredo de Carvalho realizou seu primeiro encontro nacional em 2003, no Rio de Janeiro, e, no ano passado, realizou o segundo encontro em Florianópolis. O terceiro encontro será em abril próximo em Novo Hamburgo (RS). Em 2006, o quarto encontro será em Fortaleza, e o quinto, em 2007, poderá ser em São Paulo. O encontro final em 2008, comemorativo do 13 de maio de 1808, data da criação, pelo príncipe regente dom João, da Impressão Régia, deverá ser no Rio de Janeiro, que nesse ano passara a ser a sede da Corte portuguesa.

É lamentável que a Bahia, sobretudo Salvador, em cujo território foi instalada a primeira tipografia de iniciativa privada do Brasil, não tenha se candidatado para ser sede de um dos encontros nacionais da Rede. Teria sido, no mínimo, uma homenagem a Alfredo de Carvalho, o pesquisador pernambucano que pretendeu inventariar em 1908, por ocasião do primeiro centenário da instalação da imprensa no Brasil, todos os periódicos publicados no Brasil entre 1808 e 1908. Não conseguiu êxito completo no seu projeto, mas a Bahia, por causa da iniciativa dele, ganhou a obra Annaes da Imprensa da Bahia (Salvador: Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, 1911), fruto do levantamento feito por Carvalho e João Nepomuceno Torres. A segunda edição desse valiosíssimo livro está prevista no projeto da Coleção Cipriano Barata. 

* Jornalista, produtor editorial e professor da FIB. É o organizador da coletânea Apontamentos para a história da Imprensa na Bahia. Coordena o GT de História da Mídia Impressa da Rede Alfredo de Carvalho desde 2003.

VOLTAR


Núcleo Maranhense

  Rede Alcar tem novo coordenador no Maranhão

  A partir de março deste ano, o Núcleo maranhense da Rede Alcar tem novo coordenador, o jornalista Marcos Fábio Belo Matos, professor da Faculdade São Luís e da Faculdade Atenas Maranhense-FAMA. A jornalista Roseane Pinheiro, que estava à frente do Núcleo, afastou-se das atividades para iniciar o Mestrado em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo/UMESP.

Mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ, o professor Marcos Fábio é autor do livro E o cinema invadiu a Athenas – A história do cinema ambulante em São Luís, lançado durante o I Encontro da Rede Alcar, no Rio de Janeiro. O jornalista continuará as atividades de mobilização da comunidade acadêmica e da sociedade para a importância de pesquisas e da preservação da história da imprensa brasileira. 

SÉRIE MEMÓRIA E IMPRENSA

Nos últimos dias do vitorinismo  (Pesquisa na UEMA aborda ações do Governo Newton Bello, no início dos anos 60, sob os olhares dos jornais)

  Por Roseane Pinheiro*

Os caminhos e descaminhos do desenvolvimento econômico e social da cidade de São Luís estão intimamente ligados ao ideário político dos grupos que assumem o poder estadual. A partir desta perspectiva e com o objetivo de analisar as transformações que a capital atravessou no início dos anos 60, o aluno egresso do Curso de História da UEMA, Sergio Martins Tamer, elaborou a monografia “As ações do governador Newton Bello em São Luís e a urbanização que não aconteceu (1961-1965)”, sob a orientação do Professor Dr. Cláudio Zannoni.    

“O trabalho procura compreender, de maneira crítica, as ações do governo Newton Bello, em níveis estadual e municipal (...) com especial atenção ao desenvolvimento  econômico e social e à urbanização prometidos pelo poder público”, afirmou o autor.

Ao analisar a trajetória do governo Newton Bello, o autor optou por visualizar as mudanças sob a ótica da imprensa, especialmente dos jornais “Diário da Manhã”, de propriedade do então governador, e “Jornal do Povo”, veículo de oposição, que teve em sua direção o jornalista Neiva Moreira. Este recorte da história do Maranhão contemporâneo traz à tona o chamado último período da era “vitorinista”, quando o pernambucano Vitorino de Brito Freire comandou com “mão-de-ferro” as lutas políticas no cenário estadual.

Discursos - Os duelos nas tribunas impressas já citadas enriqueceram a pesquisa, mostrando percepções, interesses, alianças e choques, elementos presentes no cenário político. Enquanto a oposição apostou nas denúncias e críticas, caso do “Jornal do Povo”, o jornal da situação, “Diário da Manhã”, destacou discursos e projetos do governador.  Foram formas diferenciadas de mostrar alternativas para a capital, que carecia de desenvolvimento social e econômico.

“Newton Bello foi um governo marcado por problemas tanto políticos quanto econômicos. Sua habilidade política foi cada vez mais exigida e até utilizada com êxito, mas a concentração de poder, cada vez maior em suas mãos, acabou lhe causando  problemas que, num crescente, terminaram dissipando a liderança política estadual”, comentou Sergio Martins Tamer em sua pesquisa, cujo referencial teórico está amparado em obras de Benedito Buzar, José Reinaldo Barros Ribeiro Júnior, Jerônimo de Viveiros, Mário Meirelles, Jean-Louis Harouel,  Antônio Torres Montenegro, entre outros autores.

As fragilidades do governador ganharam as páginas do “Jornal do Povo” através dos discursos de Neiva Moreira, a exemplo da edição de 15 de janeiro de 1962: “Não posso deixar de reconhecer, como cidadão que anda pelas ruas, que não há lei alguma de trânsito que se respeite em São Luis e tal fato decorre do afrouxamento moral e da quebra de autoridade em que mergulhou o governo e que se reflete em tudo”.

Por sua vez, o jornal “Diário da Manhã” defendeu as ações do governador, ressaltando as promessas de campanhas. A edição de 03 de fevereiro de 1961, deixa bem clara esta posição ao valorizar as intenções do líder do Poder Executivo: “durante meu governo procurarei incentivar indústrias já existentes e implantar novas (...) adiantar que darei atenção aos seguintes empreendimentos: a industrialização de óleos vegetais, principalmente babaçu e semente de algodão (...) Tentarei implantar certas indústrias novas no Maranhão, como a da madeira, e as de frigoríficos e laticínios”.

Na opinião do autor da monografia “As ações do governador Newton Bello em São Luís e a urbanização que não aconteceu (1961-1965)”, o último governador do período “vitorinista” não alcançou seus objetivos. “Não se procurou adequar devidamente o Maranhão e São Luís ao capitalismo brasileiro ou, pelo menos, tentar melhorar nossas potencialidades ou, quem sabe, descobrir novas e utilizá-las para driblar a concentração de considerável desenvolvimento, fomentado pelos governos federais no eixo Rio de Janeiro-São Paulo”, analisou Sergio Martins Tamer.        

Rachas, siglas e domínio político
O governador Newton Bello foi uma das figuras centrais dos últimos momentos do “Vitorinismo” no Maranhão, movimento político capitaneado por Vitorino Freire entre 1945 e 1965. Com o golpe militar de 1964, outros núcleos de poder assumem a cena em nível nacional mudando as regras do jogo político no país.

“Aliás, vai ser justamente pela reconhecida influência na esfera pública federal, onde angariou importantes apoios ao seu nome (...) que veremos Vitorino crescer politicamente a ponto de perceber que podia então reinar no Maranhão como seu líder político de primeira grandeza”, destacou Sergio Martins Tamer.

Uma das primeiras medidas de Vitorino Freire, após despontar nacionalmente e se aproximar do presidente Eurico Gaspar Dutra foi tomar as rédeas do Partido Social-Democrático (PSD), que ajudou a fundar no Estado em 1947. Mesmo costurando articulações políticas, sofreu politicamente com um racha no partido, criando anos depois outro espaço político, o Partido Social Trabalhista (PST).

Conforme o pesquisador, Vitorino teve êxito em mais um projeto político com a finalidade de pode ter, para si, o controle absoluto do Estado. É dentro do novo partido que emergiu a liderança de Newton Bello. Ele foi vereador, suplente do senador Antônio de Alexandre Bayma pelo PST, e deputado estadual. Crescendo vertiginosamente, Newton Bello elegeu-se deputado federal em 1955 pelo PSD.

Na análise do escritor Benedito Buzar, um dos mais importantes estudiosos do “Vitorinismo”, na metade da década de 50, o partido ganhou hegemonia política e a partir daí nasceram novas lideranças nos seus quadros, entre elas Cid Carvalho, Renato Archer, Newton Bello, Pedro Braga Filho e José Sarney.

Vislumbrando o Poder Executivo, Bello travou embates dentro do PSD, principalmente contra o ex-governador Eugênio de Barros, que se candidatou ao Senado. As disputas políticas giraram em torno da direção do partido no Maranhão, culminando com a vitória de Newton Bello em 1961.

  Leituras sobre São Luís dos anos 60
Na década de 60, São Luís já enfrentava problemas em seu processo de urbanização. Esse assunto foi um dos alvos dos opositores do governo Newton Bello, como indica a pesquisa de Sergio Martins Tamer.

O jornalista Neiva Moreira criticou a ausência de políticas públicas que pudessem organizar o trânsito, implementar a coleta de lixo e melhorar a saúde pública: “São Luis é uma capital abandonada (...) Nem sequer um plano urbanístico existe (...) O abastecimento da cidade é uma obra do acaso. A assistência à infância um sonho. As ruas vivem esburacadas”, afirmou o jornalista na edição do “Jornal do Povo” de 05 de março de 1963.

Em outro momento novamente a “pena” de Neiva Moreira, em 06 de outubro de 1963, recaiu sobre os desafios urbanísticos enfrentados pelo governador: “O calçamento da capital é o maior inimigo dos motoristas. Não há veículo que resista aos buracos existentes nas artérias de nossa cidade. Ruas quase intransitáveis. Buracos e valas se encarregam de acabar com os autos”, criticou.

Com o objetivo de promover a qualidade de vida na capital, o governo Newton Bello esboçou um plano urbanístico para a capital, elaborado pelo engenheiro Ruy Mesquita, porém não saiu do papel. “Nem a ponte sobre o Rio Anil chegou a ser construída neste curto espaço de tempo e nem a ocupação planejada do São Francisco. Somente em 1970, vinte anos após a primeira indicação de Mesquita, a ponte tornou-se uma realidade“, apontou a pesquisadora Valdenira Barros, citada na monografia “As ações do governador Newton Bello em São Luís e a urbanização que não aconteceu (1961-1965)”.

O governador Newton Bello contestou as denúncias de seus inimigos políticos em discurso à Assembléia Legislativa em 1964, e ressaltou iniciativas da sua gestão. Segundo o governador, “a Prefeitura da capital experimentou, em 1963, o influxo renovador de uma ação coordenada (...) Serviços de imediata necessidade, como os de Pronto Socorro, Limpeza Pública e outros, passaram por completa organização e reequipamento em parte com o apoio financeiro do Estado”.  

Na visão do autor da pesquisa, “ diante da situação encontrada, a prefeitura de São Luís não tinha condições de realizar seu objetivo maior, que é gerar qualidade de vida para os seus cidadãos (...) Por ser ‘anexo’ do governo (...) não cumpriu seu papel”, concluiu. 

* Coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a História da Imprensa no Maranhão, fundado pela Associação Maranhense de Imprensa (AMI), que integra a Rede Alfredo de Carvalho, movimento nacional pela preservação da memória da imprensa brasileira. E-mail: ami@ami-ma.com.br

VOLTAR


Núcleo Potiguar

Recebemos do Professor Adriano Gomes, do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal, proposta para a criação do Núcleo Potiguar da Rede Alfredo de Carvalho:

“Escrevo para alimentarmos a possibilidade de uma "sucursal" da Rede Alcar em Natal, ancorada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, conforme breve entendimento no Porto. Tenho total interesse para que tal ocorra, e já me coloco à sua disposição. No presente, trabalho com uma pesquisa sobre "Mídia e Memória: uma análise dos documentos sonoros da Rádio Poti (1945-1955)", cujo andamento já nos sinaliza para resultados interessantes. A Poti foi a primeira emissora de Rádio do RN, e estamos adotando o método da História Oral para reunir informações que venham dar
sustenção ao nosso arcabouço teórico. Portanto, através de narrativas, e tomando o questionário aberto como instrumento, estamos cruzando os dados dos informantes para uma conlusão sobre a história da Poti. Paralelo a isso, estamos reunindo documentos (áudio,fotografias, ata de funação, etc)
de eventos que marcaram a referida emissora. Sendo assim, gostaria de tomar conhecimento sobre procedimentos a serem adotados para que a Rede Alcar possa garantir seu espaço em Natal.”

  Devidamente credenciado pela Rede Alcar, o professor Adriano Gomes está iniciando a constituição do novo Núcleo, visando sua imediata participação no I Seminário Nordestino de História da  Mídia, previsto para outubro deste ano na Universidade Estadual da Paraíba, na cidade de Campina Grande.

VOLTAR


Núcleo Paulista

  São Paulo na Idade Mídia

O Núcleo Paulista da Rede Alcar promoveu, na noite de 28 de março, na Livraria FNAC, em Pinheiros, o livro “São Paulo na Idade Mídia”, coordenado pelos professores José Marques de Melo e Antonio Adami. O volume reúne um conjunto de palestras proferidas durante o primeiro semestre do ano passado, na sede do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, sobre o tema “Itinerário da Mídia Paulista”. O evento fez parte da programação comemorativa dos 450 anos de fundação da cidade de São Paulo. Os capítulos de História da Imprensa foram escritos por Laércio Arruda, Samuel Pfromm Neto e Valdenizio Petrolli; História do Rádio:Antonio Adami, André Barbosa e Lígia Trigo: História do Cinema: Antonio de Andrade, Alfredo  d´Almeida e Helena Bonito: História da Televisão: Osmar Mendes Jr., Fátima Feliciano e Sandra Reimão; História das Inovações Midiáticas: Ruth Vianna, Sonia Luyten e Walter Lima Jr.

O livro “São Paulo na Idade Mídia” foi publicado pela Editora Arte & Ciência, com distribuição a toda a rede livreira nacional, mas pode ser adquirido diretamente, através do site: http://www.arteciencia.com.br

Himídia aprova estatuto e define linhas de pesquisa

O Núcleo de Pesquisa da História da Mídia no Brasil, "Himídia", da Universidade de Marília (UNIMAR), se reuniu no dia 17 de março, no anfiteatro do departamento de Comunicação Social, para discutir e votar o estatuto, eleger os coordenadores, definir as linhas de pesquisa e planejar as atividades para 2005.

A reunião teve a participação dos seguintes membros: os professores da Unimar Dra. Maria Cecília Guirado, Dra. Lucilene dos Santos Gonzales, doutoranda Maria Inês Almeida Godinho, doutorando Roberto Reis, Mestrando Gilberto Rossi Júnior, doutoranda Semíramis Nahes e os alunos do Mestrado em Comunicação Patrícia Thomaz, Walkirio Ricardo Costa, Kéwelyn Fernandes Pinto, Ana Luisa Antunes Dias, Renata Corrêa Coutinho, Telma Maria da Silva e Carolina Becker Lamounier.

As professoras coordenadoras do Himídia Maria Cecília Guirado (Jornalismo) e Lucilene dos Santos Gonzales (Publicidade e Propaganda), eleitas após a aprovação do estatuto, apresentaram as atividades de 2004, destacando a realização de dois seminários sobre História da Mídia. Sobre os projetos para 2005, as coordenadoras informaram sobre o projeto de elaboração de um livro, para o segundo semestre, com artigos dos membros do Himídia e de pesquisadores renomados de outras instituições de ensino. Também foi discutida com os integrantes do Núcleo a organização do III Seminário de História da Mídia, que ficou agendado para o dia 02 de junho de 2005.

A assembléia, constituída pelas coordenadoras eleitas, pela comissão científica e pelos membros presentes, estipulou que as reuniões do Himídia serão realizadas nas primeiras quintas-feiras de cada mês. Portanto, os próximos encontros serão realizados nos dias: 05/05, 02/06, 01/07 e assim por diante. Ainda na reunião, os integrantes do Himídia discutiram o estatuto do Núcleo. As linhas de pesquisa em funcionamento são:

- História da Midiologia: Jornalismo – Dra. Maria Cecília Guirado;
- História da Propaganda e Publicidade no Brasil – Dra. Lucilene dos Santos Gonzales;
- Publicidade no Brasil: Tendências e Perspectivas – Dra. Lucilene dos Santos Gonzales;
- Mídia Local e Regional – Doutorando Roberto Reis e
- História da Comunicação Audiovisual – Doutoranda Maria Inês Almeida Godinho.

Walkírio Ricardo Costa e Gilberto Rossi Júnior sugeriram que, no futuro, sejam incluídas linhas de pesquisa nas áreas de Agronegócio e Turismo. As coordenadores lembraram da possibilidade de incluir também projetos na área de Mídia e Educação. Após a discussão, a assembléia votou e aprovou todos os artigos do estatuto, que foi encaminhado à reitoria da Universidade de Marília para devida homologação.

Site do Núcleo

A coordenadora do Núcleo Paulista da Rede Alcar, Profa. Dra. Fátima Feliciano, convida os interessados a visitar o site institucional no endereço: http://nucleopaulista.cjb.net

A iniciativa mereceu acolhida entusiástica do Prof. Osni Dias, paulista radicado em Mato Grosso do Sul, que nos escreve reafirmando o interesse em criar Núcleo semelhante no Estado onde hoje atua academicamente. Eis o texto da mensagem recebida:

“Meus sinceros parabéns ao Núcleo Paulista e aos colegas Fátima Feliciano, Beatriz Zaragoza, a Mônica Paula e ao grande amigo Valdenizio Petrolli. Um forte abraço para a professora Graça Caldas. Vou encaminhar aos meus alunos aqui em Dourados e incentivá-los a criar um núcleo aqui no Mato Grosso do Sul. Amanhã estarei em São Paulo curtindo minha terra maravilhosa. Um bom feriado a todos.  Professor Osni Dias / UNIGRAN - Dourados – MS”

VOLTAR


 

Capítulos de História da Mídia

 

Dom Quixote: um best-seller de 400 anos

Sebastião Jorge *

"Aqui começa verdadeiramente a história da Imprensa - na parte que lhe cabe de, rapidamente e de maneira uniforme, fazer chegar uma obra a muitos olhos".[...] Celso Bubeneck. Rev. Consulex, fev.99.

Parece exagero que um livro considerado, por unanimidade, como obra prima de todos os tempos, por intelectuais do mundo e a qual ajudou a mudar, de alguma maneira, os rumos da humanidade, esteja completando 400 anos de sucesso, absoluto. Depois da Bíblia de Gutenberg de 42 linhas, "O engenhoso fidalgo de la Mancha" é considerado o primeiro best-seller literário do planeta, publicado em 1605, sendo ambos os mais vendidos, lidos e traduzidos, alimentando, assim, o sonho e a busca da globalização cultural.

No mesmo ano do lançamento conseguiu a proeza, alguma coisa inacreditável, ter seis reedições. Vertidas para o francês e inglês o livro passa a ser um acontecimento europeu, logo, mundial. O número de exemplares vendidos alcançou a impressionante soma de cerca de 12 mil. Começava a cumprir-se, com esse fato, a profecia do autor espanhol Miguel de Cervantes Saavedra (1547-1616), depois da recusa de algumas editoras, ao registrar com estas palavras, a respeito da obra: não haverá nação nem língua que não seja traduzida.

Curioso que Cervantes trabalhou apenas com uma das mãos. A outra ele perdeu na famosa batalha naval de Lepanto, na qual se tornou herói, lutando contra o perigo muçulmano no continente europeu. Enfrentando a tragédia com certa galhardia, disse, com ironia, a respeito: para maior glória da mão direita.

Há muitas interpretações na leitura do livro, que encheu de orgulho e influenciou o mundo literário, pela inovação narrativa dos episódios. Grande parte do conteúdo foi extraída das extravagâncias e experiências vividas pelo autor, nas peregrinações e nas quais se meteu em encrencas, até ser preso. Apesar da vida irregular, não se esqueceu de olhar de perto, e ao mesmo tempo, ser um admirador e assimilar o espírito da arte e da literatura do renascimento, ao morar por algum tempo na Itália.

O personagem principal é Alfonso Quejana, o Dom Quixote, que se autoproclamou, mais tarde, Cavalheiro de Triste Figura. Tinha cerca de 50 anos de idade. Pertencia a uma família tradicional de fidalgos espanhóis. Com alguma posse, em um certo lugar da Mancha, gastou uma boa soma em dinheiro na compra de livros de cavalaria, passando noites sem dormir. Nada de outros prazeres. Sentia-se atraído pelo cenário das lutas.

Certo dia resolveu ser um desses guerreiros. Seduzido pela coragem e o desempenho dos mesmos. Incorporou os personagens, que pertenceram ao respeitável e reduzido grupo de heróis. Desejava ser um deles. Meteu-se numa armadura dos antepassados e convidou para ser o seu companheiro e fiel escudeiro, o vizinho, Sancho Pança, com a promessa de lhe dar uma ilha para governar. Pelo nome ou apelido, podemos avaliar o tipo. Os dois montam num pangaré e num burro velho.

Saem pelo mundo em busca de aventuras, com a promessa de desafiar os poderosos que oprimiam os fracos, defender as donzelas dos maus tratos e enfrentar qualquer tipo de injustiça. Nessa marcha tudo o que olham se traduz como inimigo. O ideal do personagem, com seus sonhos e ilusões, é de uma nobreza ímpar. Prossegue nessa empreitada até quando as pessoas concluem que Alfonso perdeu o juízo e precisa recuperar-se e voltar para casa.

Dois amigos ligados a ele, um padre e um barbeiro (que fazia sangria), mais uma sobrinha e uma criada resolvem curar o mal pela raiz. Exorcizar a biblioteca, benzendo-a e queimando os livros que lhe estavam enfeitiçando e tirando a energia. Ao saber do episódio Alfonso Quejana é vítima de depressão. Dentro de pouco tempo, morre.

Dom Quixote, na sua loucura, viveu entre o sonho e a realidade. Deu exemplos ao mundo de justiça. Quis consertar os erros alheios e o fez, pelo modo, que achou viável, embora correndo perigos e enfrentando dificuldades. Zombado como herói de fancaria, maltratado como bobo e xingado como louco, provocando risos e galhofas, Dom Quixote deveria ser olhado também como um sábio e mestre da vida. Não Menos Sancho pela fidelidade.

Saavedra apesar da pouca educação escolar era um autodidata, versado nos clássicos. A idéia introduzida naquele romance foi denunciar, com mordacidade e humor a proibição da leitura, pelos grupos religiosos que se digladiavam nas cruzadas através das palavras e da espada, ou seja, protestantes e católicos. Sócrates e Platão já recriminavam o livro feito de papiro.

Os dois filósofos confiavam na educação oral, no poder da memória. A tipografia que data de 1450 veio a popularizar o livro a partir do século XVII. Muitos escritores famosos usaram o mesmo recurso de Saavedra para protestarem contra a censura à leitura. E fazer provocações pelo ambiente de hipocrisia da época. O grande autor, ou, o maior entre os maiores, teve seguidores, a exemplo de um Shakespeare, Flaubert, Dostoievski, Charles Dickens, sem incluir um bom número de grandes escritores nacionais.

Triste morte de Dom Quixote, a morte na solidão. Sem os livros que tanto amava, perdeu a razão de viver. Afastado do maior dos seus prazeres, perdeu interesse pela vida. Pobre Dom Quixote o mais autêntico sonhador da literatura, foi, sem dúvida, herói de um mundo que se deixa iludir pela metáfora da "aldeia global". Daí o renascer de Miguel de Cervantes Saavedra através dos séculos, firmando-se como criador de personagens, ainda, hoje, insuperáveis.

(*) Professor universitário, jornalista e advogado.

E-mail: sbjorge@uol.com.br

VOLTAR


Livros de devoção: os best-sellers da colônia

JEAN MARCEL CARVALHO FRANÇA

Fonte: FOLHA DE S. PAULO, Caderno Mais, 20/02/2005

A história do livro no Brasil, sobretudo do livro no período colonial, nunca ocupou um lugar de grande destaque nas preocupações dos historiadores brasileiros. Produzimos, ao longo do século 20, obras interessantes e instrutivas, como "O Livro, o Jornal e a Tipografia no Brasil", do jornalista Carlos Rizzini, "Livros e Bibliotecas no Brasil Colonial", do erudito Borba Morais, "A Palavra Escrita", do crítico Wilson Martins, e pouco mais -tão pouco que somente com muito boa vontade se poderia vislumbrar uma tradição de estudos no setor.

É bem verdade que, nas últimas duas décadas, inspirada pelas obras de Roger Chartier, Robert Darnton, Carlo Ginzburg, Franco Moretti, entre outros, a historiografia brasileira passou a despender mais atenção ao complexo circuito dos livros e leitores. Todavia ainda não são muitos os trabalhos sobre o tema que têm vindo a público.

É, assim, bastante recomendável que o leitor interessado no assunto consulte "Livros de Devoção, Atos de Censura - Ensaios de História do Livro e da Leitura na América Portuguesa (1750-1821)", o mais recente trabalho da historiadora Leila Mezan Algranti. Vinculado à mencionada linhagem de pesquisas inaugurada na década de 1980, o livro de Algranti, como indica o título, reúne uma série de ensaios acerca da produção, circulação e consumo de livros religiosos no Brasil entre a metade do século 18 e o início do século 19. Dito de outro modo, reúne algumas reflexões sobre um dos gêneros mais lidos no Brasil colonial, os livros religiosos, durante um período de suma importância para a construção do que viria a ser conhecido como cultura brasileira.

"Caminho salvífico"
"Livros de Devoção", como se disse, é uma coletânea de ensaios e, embora guarde razoável unidade entre as suas partes, não deixa de padecer de um mal comum a obras do gênero, a repetição: a apresentação de um outro documento retorna uma, duas vezes; a explicação de um tal procedimento metodológico, com mais ou menos discrição, se insinua em vários ensaios; a biografia de um determinado "personagem" vai e volta; em suma, há um repassar de coisas que por vezes incomoda.

Malgrado, porém, esse pequeno inconveniente, os sete ensaios que compõem as duas partes do livro são de leitura agradável, bem documentados e trazem algumas abordagens interessantes.

A primeira parte, "Gêneros e Práticas de Leitura", composta por três ensaios, procura mapear o que liam e como liam as mulheres internas nos conventos e recolhimentos do Brasil e de Portugal.

Algranti, de saída, procura traçar o "contexto em que as leituras ocorriam" a bem da verdade, para brincar com as palavras, um contexto que é um "texto", na medida em que é construído a partir das normas e regimentos dos conventos e casas de recolhimento da colônia e da metrópole e determinar o perfil das leitoras nele inseridas.

Dando prosseguimento a tal empreitada, a historiadora apresenta, no segundo ensaio, um "estudo de caso" e esquadrinha a biblioteca minguada, como a cultura lusa do período (metropolitana e colonial), da fundadora do convento de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, madre Jacinta de São José.

O terceiro e último ensaio da primeira parte é dedicado à análise de um gênero muito bem acolhido na época: as "biografias" e "autobiografias" produzidas por internas, por religiosas e por confessores, obras que davam a conhecer ou o próprio "caminho salvífico" de quem escrevia ou o caminho de uma outra servidora de Deus conhecida do "autor". Nestes dois últimos ensaios, nota-se, por vezes, um esforço da pesquisadora em apontar, no rol de leituras de Jacinta ou nas tais "biografias", por exemplo, a "ação de um sujeito" -a marca de uma "personalidade"-, bem como encontrar nessa documentação um caminho de acesso a um suposto cotidiano das religiosas.

Para bem e para mal, porém, o que a própria historiadora acaba por apresentar e constatar são padrões de leitura muito rígidos e restritos de obras marcadas, de ponta a ponta, por tópicas e lugares-comuns.

Censores sensíveis
A segunda parte do livro, "Censura e Livros Religiosos na Corte do Rio de Janeiro", abarca quatro capítulos, três dos quais notadamente dedicados a mapear o processo de circulação de livros no Rio de Janeiro dos tempos de d. João 6º. Algranti começa por descrever a estruturação da censura dos tempos joaninos, uma censura muito presente do ponto de vista burocrático, mas carente de critérios, de regras, de organização e, sobretudo, de eficiência.

Em seguida, mapeia o mundo dos livreiros da corte, dando especial atenção à comercialização de livros religiosos -gênero em decadência num Rio de Janeiro, que rapidamente deixava para trás os ares de cidade colonial. Por fim, a pesquisadora procura dar a conhecer o perfil dos censores, homens -não todos, é certo- bem informados, prestigiados socialmente e que outrora, quando alijados do poder, liam e defendiam, destaca a historiadora, muitas das idéias contidas nos livros que então censuravam.

Haveria, é certo, muito mais a comentar desses ensaios que se propõem a percorrer um domínio, senão selvagem, ao menos com muito a ser explorado pelos historiadores brasileiros. Em linhas gerais, porém, eis o que o leitor encontrará em "Livros de Devoção".

Resta apenas destacar que quem aprecia discutir opções teóricas subjacentes às análises históricas também terá com que se ocupar neste livro, pois a pesquisadora é assaltada por uma série de questões que, a bem da verdade, batem à porta, ou deveriam bater, de todos os historiadores contemporâneos, questões do gênero: lidamos com sistemas, do tipo "sistema colonial", ou estamos o tempo todo descrevendo um jogo que se auto-organiza, nos moldes propostos, por exemplo, por Foucault? Que espaço os padrões, as tópicas e os lugares-comuns deixam para o que se entende por "ator social", "sujeito da ação", "personalidade"? Ou que relações estabelecer entre o "discurso" e a "prática"?

Jean Marcel Carvalho França é professor de história na Universidade Estadual Paulista (Franca-SP). É autor de "Literatura e Sociedade no Rio de Janeiro Oitocentista" (Imprensa Nacional/ Casa da Moeda).

Livros de Devoção, Atos de Censura


301 págs., R$ 40,00 de Leila Mezan Algranti. Ed. Hucitec (r. João Moura, 433, CEP 05412-001, São Paulo, SP, tel. 0/xx/ 11/3060-9273).

VOLTAR


Tributo aos pioneiros do jornalismo baiano

 

Elias Machado*

Apontamentos para a história da imprensa na Bahia, de Luis Guilherme Pontes Tavares ( (org.), edição Academia de Letras da Bahia/Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, Salvador, 2005, 158 pp.

Estudioso atento da história do jornalismo baiano, o jornalista, editor e professor Luis Guilherme Pontes Tavares, coordenador do Núcleo de Estudos da História dos Impressos na Bahia (Nehib), resolveu aceitar a tarefa de contribuir para suprir a lacuna apontada pelo colega Antonio Loureiro de Sousa, que chamara a atenção, no começo dos anos 70 do século passado, para a absoluta falta de trabalhos sobre os pioneiros da imprensa baiana. Fundada em 1811, com o lançamento do jornal Idade d’Ouro do Brazil, dirigido pelo português Manuel Antonio da Silva Serva, uma das mais antigas do país, a imprensa baiana está próxima de completar 200 anos.

A coletânea Apontamentos para a história da imprensa na Bahia, lançada numa parceria da Academia de Letras da Bahia com a Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, organizada por Luis Guilherme, tem como principal mérito reunir artigos, escritos entre 1911 e 1986, de oito dos mais destacados jornalistas baianos, Aloysio de Carvalho, Aloysio de Carvalho Filho, Antonio Loureiro de Sousa, Antonio Vianna, Honestilio Coutinho, Jorge Calmon, Luiz Viana Filho e Octavio Mangabeira, dois deles ex-governadores, Octavio Mangabeira e Luiz Vianna Filho.

Centro de referência para o jornalismo brasileiro por ter sido a primeira capital do país e uma das cidades com imprensa mais influente ao longo dos tempos, ao contrário do que seria de se esperar, com a exceção de alguns trabalhos esparsos, raras são as obras sobre a história da imprensa baiana. O conjunto de artigos reunidos, antes publicados em revistas acadêmicas de circulação restrita ou em jornais de difícil acesso, permite que seja conhecida, pelos relatos pessoais de antigos jornalistas, detalhes preciosos sobre as características do jornalismo praticado na Bahia no século passado.

Linhas de pesquisa

Os textos reunidos por Luiz Guilherme, além de escritos em períodos muito distintos, alguns com uma diferença de mais de 60 anos, têm ao menos três tipos de formatos diferentes: 1) relatos de memórias, 2) resenha histórica e 3) discurso de saudação. A diversidade de formatos em nada prejudica a qualidade do livro, que apresenta um conjunto de testemunhos muito ricos, que devem agora ser submetidos ao crivo dos pesquisadores, para comprovar em futuros estudos detalhes que, nestes artigos, por enquanto, são pistas para pesquisas que ainda estão para ser feitas sobre as especificidades do desenvolvimento da imprensa brasileira e da baiana, em particular.

No caso baiano, em parte como decorrência de esforços do próprio Luis Guilherme, tivemos a publicação regular de obras como A comunicação social na Revolução dos Alfaiates, de Florisvaldo Mattos, em 1998, Cipriano Barata na Sentinela da Liberdade, de Marco Morel, em 2001, e A Bahia de Outr’ora, agora, de Angeluccia Habert, em 2002, todas publicadas pela Academia de Letras da Bahia/Assembléia Legislativa da Bahia. Além destes, outros trabalhos pioneiros são os Anais da Imprensa baiana, de Alfredo de Carvalho e João Nepomuceno Torres, de 1911, A primeira imprensa da Bahia e suas publicações (1811-1816), de Renato Berbert de Castro, de 1969, e O Diário da Bahia século XIX, da professora Kátia de Carvalho, 1979.

A escassa lista de obras, em que, salvo os casos do Diário da Bahia e da revista Artes e artistas, a maioria trata de publicações do século 19, contribui para melhor avaliar o significado da variedade de pistas existentes nos artigos desta coletânea para compreender o jornalismo praticado em periódicos de referência como Jornal de Notícias, Diário de Notícias, Jornal da Bahia e A Tarde, para citar somente os mais expressivos. Relatos testemunhais da natureza destes são essenciais para um tipo de pesquisa muito pouco praticada pelos historiadores do jornalismo brasileiro: a das mutações na estrutura das redações, no discurso jornalístico e no aparecimento de novos gêneros de narrativa.

A formação sistemática

No relato de Aloysio de Carvalho, por exemplo, de 1923, fica evidente que, nos anos 20, a figura do repórter estava perfeitamente incorporada às redações, tendo se transformado "na alma do jornal" (p. 46). Aqui caberia uma pesquisa mais detalhada sobre um dos precursores da reportagem e na crônica social no jornalismo baiano, Alfredo Requião, do Jornal de Notícias. Um outro dado pitoresco revelado pelo texto de Aloysio de Carvalho: as dificuldades enfrentadas pelo Diário de Notícias para encontrar quem estivesse disposto a vender o jornal nas ruas em 1875, naquele tempo uma atividade mal vista entre a população de Salvador. Uma terceira pista que valeria a pena pesquisar melhor deste artigo de Carvalho: até os anos 30 do século 20 a entrevista era um gênero desconhecido nos jornais baianos: "Não se publicavam entrevistas. Entrevistas poderiam ser dadas e, com certeza, o eram; mas se viessem a público seria um Deus nos acuda." (p. 48).

Do conjunto dos artigos o último que faz uma resenha das publicações data de 1972, o de Antonio Loureiro de Sousa, então professor de História da Imprensa no curso de Jornalismo da Universidade Federal da Bahia, um dos mais antigos do país, criado em 1949. Uma leitura atenta destes textos demonstra que a imprensa baiana sempre manteve uma vinculação estreita com as correntes políticas, servindo de plataforma para conservadores ou liberais. Realidade que passados mais de 30 anos mantém muito de atualidade, com os jornais muito dependentes de um grupo político, como o Correio da Bahia, do senador Antonio Carlos Magalhães ou adotando posições em consonância com a conjuntura política como A Tarde, que mesmo mais estruturado como empresa, recentemente manteve postura sectária com o governo do estado, quando era comandado pelo jornalista Cruz Rios.

Para o leitor menos avisado, um dos artigos do livro – o discurso proferido pelo jornalista Jorge Calmon como paraninfo da turma de formandos em Jornalismo da Universidade Federal da Bahia em 1986 – talvez possa parecer fora de lugar na coletânea. Lego engano. Nele Calmon, ao enumerar as oito razões para a existência dos cursos de Jornalismo, do alto de uma experiência de 60 anos como redator-chefe de A Tarde, apresenta um rico testemunho sobre a evolução do jornalismo baiano desde a década de 30 até os anos 80 do século passado. Professor emérito da Universidade Federal da Bahia e um dos fundadores do curso de Jornalismo nos anos 40, Calmon, um jornalista formado nas redações, mesmo reconhecendo as deficiências dos cursos então existentes, sabia mais do que ninguém as vantagens de uma formação sistemática na universidade. Uma formação que será melhor quando conhecermos o passado da nossa imprensa. Neste sentido, a coletânea organizada por Luis Guilherme no Núcleo de Pesquisa do Centro Universitário FIB, sem dúvida, representa uma contribuição singular.

* Jornalista, escritor e professor da Universidade Federal da Bahia

Fonte: Observatório da Imprensa, 08.02.2005

VOLTAR


Bordallo Pinheiro, um gênio sem fronteiras

"Bordallo Pinheiro: um génio sem fronteiras" é o nome da exposição patente ao público, na Galeria da Caricatura do Museu Nacional da Imprensa, na cidade do Porto, Portugal.

Esta mostra pretende evocar o centenário da morte de Bordallo Pinheiro (1846-1905) e homenagear a sua genialidade fixada em múltiplos jornais e livros, em Portugal e no estrangeiro, inclusive no Brasil.

A exposição é composta por originais e dezenas de publicações periódicas, das quais, Bordallo foi fundador ou colaborador. Podem ser vistas autocaricaturas publicadas em jornais e revistas como o "António Maria", "A Paródia", "Pontos nos ii", "Lanterna Mágica", "Ocidente" e "Brasil-Portugal" entre outras.

Para além das autocaricaturas, os jornais expostos abordam vários temas, privilegiando as "eleições" e as homenagens de que Bordallo Pinheiro foi alvo em 1903 e 1905.

A aposta no cartoon, em termos nacionais e internacionais, e a oportunidade do centenário, levam o Museu Nacional da Imprensa, a fazer de 2005 o "Ano de Bordallo Pinheiro" com a promoção de outras iniciativas, como a afixação do seu nome na futura Galeria Internacional da Caricatura projectada para este ano.

A exposição pode ser vista na Galeria da Caricatura do Museu Nacional da Imprensa até Maio, no seu horário habitual: todos os dias das 15h às 20h.

O Museu está instalado na cidade do Porto, a montante da Ponte do Freixo, em Portugal.

VOLTAR



Audálio revive Herzog

Eduardo Ribeiro

Fonte: Boletim Comunique-se, 09/03/2005

Quando o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado no Doi-Codi, em outubro de 1975, o Brasil começou a mudar.

Aluno do segundo ano do curso de Jornalismo da Faap - Fundação Armando Álvares Penteado, eu e minha turma, mesmo sem entender direito o que estava acontecendo, ficamos perplexos, indignados e revoltados, apesar do medo que tomou conta de cada um de nós sobre o que viria pela frente.

Havíamos tido aulas com o Marco Antonio Rocha e com o Rodolfo Konder, ambos também presos na mesma ocasião e que, tal como Herzog, correram risco de vida. Marquito é atualmente editorialista do Estadão e Konder, entre as inúmeras atividades, mantém um programete diário na Rádio Cultura FM, de São Paulo, denominado O sabor da crônica. Outro dos professores da Faap preso, mas com quem não cheguei a ter aulas, foi Duque Estrada, que atualmente empresta seu talento, na área de diagramação e produção gráfica, à Carta Capital, de Mino Carta.

Assassinato confirmado, o pânico tomou conta de todos nós, estudantes e profissionais, temerosos de que o recrudescimento da repressão ganhasse proporções inimagináveis. O papel do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, nesse momento, foi decisivo para aglutinar as forças civis do País e dar, aos militares e às forças da repressão, uma resposta vigorosa, determinada, altiva e, mais do que tudo, corajosa, sobre o que havia acontecido com Vlado.

A entidade assumiu a responsabilidade e o compromisso de enfrentar a censura e denunciar aquele assassinato dentro e fora do Brasil, a despeito dos riscos que seus diretores passaram a correr. Tratou de mobilizar as entidades civis e religiosas para combater as garras da repressão e se contrapor ao banho de sangue que começava a ocorrer e que poderia ceifar outras dezenas, centenas de vidas. Manteve uma vigília permanente durante vários dias até o histórico Culto Ecumênico na Praça da Sé, reunindo, apesar da repressão, milhares de brasileiros, numa celebração que pôs lado a lado o Cardeal-Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, o Rabino Henry Sobel, e, salvo engano, o Pastor Protestante James Wrigth, entre outras figuras.

Toda essa história, em riqueza de detalhes, será finalmente contada em livro por um de seus principais protagonistas, Audálio Dantas, que à época presidia o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, depois de ter derrotado em eleições uma diretoria considerada pelega pela ala jovem e progressista da categoria. Na luta contra a ditadura, as várias facções políticas então existentes, praticamente todas de esquerda (umas mais revolucionárias que outras), decidiram colocar suas diferenças de lado e, unidas, como nunca havia se visto, somaram forças e criaram o MFS - Movimento de Fortalecimento do Sindicato, ganhando a eleição e mudando a face do jornalismo no País, desde então.

Trinta anos depois, Audálio chegou a conclusão de que agora é a hora de escrever um livro sobre o caso Herzog e de dar seu testemunho pessoal e profissional sobre o episódio que acabaria influenciando de forma decisiva a história política do Brasil, nas três últimas décadas do Século XX.

Reticente, por entender que muita coisa já havia sido escrita sobre o caso, Audálio diz que mudou de idéia, sobretudo porque há uma coisa que o incomoda profundamente e que agora terá a oportunidade de resgatar: exatamente o papel do Sindicato naquele episódio, que até hoje não foi devidamente avaliado.

O trabalho, segundo revelou Audálio, será feito em conjunto com Jorge Sá de Miranda, amigo pessoal e que também acompanhou de perto tudo o que se passou na época. Jorge entrevistará pessoas que tiveram participação no caso, incluindo os jornalistas que foram presos na época, diretores do sindicato, personalidades como Dom Paulo Evaristo Arns, o rabino Sobel etc. E o primeiro entrevistado será Dom Paulo, na próxima semana. Também serão pesquisados documentos da época.

"Será o meu olhar, o meu sentir a partir do sindicato" - diz Audálio. "Voltarei aos primeiros movimentos nas redações, com a organização do MFS - Movimento de Fortalecimento do Sindicato, e à conseqüente vitória da oposição, uma das primeiras e mais importantes do sindicalismo brasileiro, sob a ditadura" - destaca.

Essa histórica de mobilização dos jornalistas de São Paulo, inédita na trajetória do Sindicato, acabaria sendo decisiva para desmontar a farsa montada pelo Doi-Codi, sobre o suicídio de Vlado, e para o engajamento geral da sociedade na luta contra a ditadura.

O livro deverá ser publicado ainda este ano e de um certo modo será, segundo Audálio, um diário no qual contará os momentos mais relevantes da atuação do Sindicato e os fatos que se encaminharam para a escalada de violência que atingiu os jornalistas e culminou com o assassinato de Herzog.

Para os mais jovens, vale relembrar algumas atividades exercidas por Audálio, ao longo de sua carreira. Além de atuar em alguns dos principais veículos de comunicação do País, Audálio foi também o primeiro presidente da Fenaj eleito pelo voto direto, foi deputado estadual e federal, presidiu a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e há pouco mais de dez anos montou sua própria empresa, inicialmente denominada Allcom e que agora leva o seu próprio nome: Audálio Dantas Comunicação.

VOLTAR


 

Série 200 anos da imprensa brasileira

 

 

A História da Televisão no Paraná:
 um jeito próprio de fazer parte da televisão brasileira

 

Rosa Maria Cardoso Dalla Costa – UFPR (Curitiba – PR)

 

Resumo

 

Este trabalho apresenta uma análise da história da televisão no Paraná, com suas semelhanças e discrepâncias em relação à história da televisão brasileira. Da primeira exibição feita através de dois receptores colocados na vitrine da Loja Tarobá, atual edifício Garcez, em 17 de julho de 1954 à criação de empresas modernas que se destacam na retransmissão da programação das redes nacionais, traça-se aqui o desenvolvimento de um setor consolidado através do pioneirismo, boas relações políticas e uma certa ousadia na visão empresarial. Concatenada e, às vezes, limitada pelos rumos tomados pela televisão brasileira, marcados, por sua vez, pelo monopólio de grandes empresas de comunicação, a televisão paranaense constrói sua especificidade, vendo diminuir da sua programação a produção local, mas ao mesmo tempo firmando laços cada vez mais estreitos com o poder político e econômico estadual. Sua história evidencia, portanto, as principais características da própria sociedade paranaense dos últimos 40 anos. Apesar disso, porém, tem sido pouco registrada e praticamente ignorada nos trabalhos que estudam a história da televisão brasileira e ainda mais, na sua programação de veiculação nacional, que se atribui o papel de promover a integração nacional.

 

Introdução

 

Tão presente na vida de todos os brasileiros e dos demais cidadãos do mundo, a televisão parece sempre ter existido com o mesmo padrão de qualidade e os mesmos protagonistas que entram diariamente em nossas casas para nos divertir, informar e convencer da compra dessa ou daquela novidade do mercado.

Um pouco mais de um século de história, metade do qual já partilhado em solo brasileiro, registra o desenvolvimento de uma das mais significativas e revolucionárias invenções do século XX. A televisão tornou-se presente e corriqueira em nossa vida. Em parte retratando nossas mazelas e nossos avanços e em parte protagonizando muitas de nossas ações. Apesar de estar presente em todo o mundo e de apresentar características semelhantes no que diz respeito à criação de uma representação social e de uma ligação direta com os setores econômicos e políticos, em cada lugar do planeta ela tem também suas particularidades, justamente por ser produto e ao mesmo tempo "produtora" da sociedade na qual está inserida.

No Brasil, a televisão surgiu logo no início da década de 50, num contexto de "guerra fria" marcado pela ânsia de acompanhar as inovações técnicas dos países desenvolvidos. Tão precária e exótica quanto o pioneirismo do responsável pela sua chegada ao país, o jornalista Assis Chateaubriand, ela tornou-se, em pouco tempo, a grande catalizadora das emoções e do sentimento de pertencimento a uma nação. Contribuiu para a formação do mercado consumidor brasileiro que migrava do campo para cidade, num processo de modernização que ia além das fronteiras nacionais, mas que no estado tinha grandes proporções.

A televisão chega ao Paraná dentro deste mesmo contexto de modernização econômica, urbanização e desejo de acesso ao progresso tecnológico. Suas peculiaridades dizem respeito ao papel desempenhado pelo estado no cenário nacional e às relações de forças aqui estabelecidas. A proposta deste texto é a de analisar o surgimento da televisão neste estado e de relacioná-lo ao desenvolvimento da televisão brasileira de uma maneira geral, apontando a ligação entre os primeiros empreendedores locais com os grupos nacionais já estabelecidos. O que aconteceu em Curitiba e, na seqüência, no interior do estado, foi uma ligação direta entre as emissoras daqueles centros (que produziam os programas retransmitidos pelas repetidoras) em convênio com empresários locais.

Outra característica emergente é em relação ao pioneiro e à falta de condições materiais, humanas e de equipamentos técnicos, o que não impediu a inauguração deste novo meio de comunicação. O mesmo fato não ocorre quando da inauguração das empresas televisivas nas cidades do interior. Neste momento, já havia à disposição material técnico e equipes preparadas para viabilizar cada uma das novas TVs implantadas nas demais regiões do estado.

 

1. Surgimento da televisão no Brasil

 

A história da televisão no Paraná, como de resto em todo o país, teve seu início caracterizado pela inexperiência e, ao mesmo tempo, pioneirismo de seus fundadores, grandes dificuldades financeiras das empresas que resolveram implementá-la e absoluta falta de condições técnicas e profissionais para viabilizar sua programação.

Foi no dia 18 de setembro de 1950, em São Paulo, que o lendário Assis Chateaubriand, patrocinado pelas empresas Companhia Antártica Paulista, Sul América Seguros, Moinho Santista, Prata Wolff e pelo governo, inaugurou oficialmente a primeira estação de televisão no Brasil – a TV Tupi Difusora de São Paulo. Apesar dos protestos de Walther Obermuller, engenheiro norte-americano, diretor da NBC-TV, que veio ao Brasil para supervisionar a instalação dessa primeira emissora, com uma hora e meia de atraso, o primeiro programa da televisão brasileira foi correto do começo ao fim. "Improvisado e irresponsável, é certo, mas impecável. Ao final de duas horas de programação, só um especialista familiarizado com o funcionamento de um canal de TV (e não havia ninguém assim no Brasil) poderia perceber que apenas duas, e não três câmeras, haviam funcionado" (MORAIS, 1994, p. 503).

Quatro anos depois, numa noite fria de sábado, dia 17 de julho de 1954, uma multidão aglomerou-se diante do edifício Moreira Garcez, no centro de Curitiba, para ver os dois receptores colocados na vitrine da loja Tarobá que ali funcionava. Com essa iniciativa os empresários Nagib Chede, Raul Vaz e Amador Aguiar tentavam atrair investimentos que viabilizassem o projeto de instalação da TV no Paraná. De um estúdio improvisado, montado no sétimo andar do mesmo edifício, foi transmitido um show promocional, no qual o radialista Didi Bettega apresentava alguns artistas locais, seguidos por profissionais trazidos da TV Tupi de São Paulo especialmente para o evento.

Nas semanas seguintes a apresentação televisiva foi repetida em Ponta Grossa, através de um estúdio instalado na Rádio Clube Pontagrossense; poucos meses depois, na cidade de Palmeira, onde o então prefeito, Benjamim Malucelli havia se tornado um grande acionista da Rádio e Televisão Paraná S.A., incentivando a subscrição de ações ( JAMUR Jr. 2001).

A partir daí, a história da televisão no Paraná acompanha as principais etapas do desenvolvimento da televisão no Brasil, sofrendo diretamente as influências das suas características e peculiaridades.

Segundo CAPARELLI (1982) essa história deve ser compreendida dentro do contexto mais amplo do desenvolvimento capitalista que, a partir da década de 50, estabelece uma nova ordem internacional, na qual o capitalismo monopólico - enquanto um modo de produção material e intelectual – para constituir-se e generalizar-se, reproduzir-se e recriar-se continuamente, engendra também idéias, valores e doutrinas.

Embora no Brasil, profundas transformações econômicas tenham ocorrido desde a década de 30, são os anos 50 que marcam uma reordenação do mercado brasileiro, através das operações comerciais, financeiras e industriais de grandes corporações, na sua maioria de origem estrangeira e a Revolução de 1964 que lhe confere o seu caráter estrutural.

Assim, a história da televisão brasileira pode ser dividida, segundo o mesmo autor, em duas fases. Uma primeira, que vai do seu surgimento em 1950 até 1964 e é caracterizada pelo capital nacional, a improvisação e o pioneirismo e uma segunda, caracterizada pela entrada de investimentos estrangeiros, especialmente norte-americanos, e pela profissionalização e aperfeiçoamento de suas empresas.

Do ponto de vista dos grupos que marcaram uma e outra fase, podemos caracterizar, como o faz Caparelli, a primeira como a do "Império Chateaubriand", em alusão ao poder exercido pelas empresas Associadas de propriedade de Assis Chateaubriand no setor de comunicação nacional e a segunda como a do "Monopólio da Globo", que a partir de 1964 cria um dos maiores conglomerados de comunicação do Brasil e do mundo.

No Império Chateaubriand a televisão começa a se desenvolver nos principais pólos econômicos do país, nos quais os Diários Associados, jornais do Grupo Chateaubriand, já estavam consolidados. As primeiras emissoras televisivas eram totalmente dependentes da tecnologia industrial norte-americana que não só fornecia os equipamentos técnicos para as primeiras transmissões como também os receptores que começam a fazer parte dos lares brasileiros. Em termos de programação, havia uma transposição do rádio para o novo meio, tanto em relação aos recursos humanos quanto em relação aos programas. Porém, como ainda não havia o vídeo-tape, toda a programação televisiva era produzida nas regiões e, apesar de já passar por uma padronização na sua forma e conteúdo, era caracterizada por elementos da cultura local, o que definitivamente deixa de acontecer a partir da integração que ocorrerá com o surgimento das grandes redes de televisão na década de 60.

 

2. A televisão demora, mas chega ao Paraná

 

Segundo Jamur Jr (2201), apesar de o Paraná estar na rota de instalação das empresas Associadas, de Assis Chateaubriand, do sucesso com o público e a venda das ações, o processo de instalação da primeira emissora paranaense não ocorreu rapidamente. Em 1953, alguns empresários e políticos paranaenses como Raul Vaz, Gastão Chaves, Alexandre Guttierez, Mário Hipólito César e Nagib Chede, associam-se e registram a Rádio e Televisão do Paraná S.A., mas a primeira transmissão pública só acontece um ano depois. Apesar do sucesso dessa primeira exibição, a sociedade não foi para frente e acabou sendo transferida pelo banqueiro Amador Aguiar para o Grupo das Associadas.

Porém, entusiasmado com a experiência de 1954 e inconformado com o atraso do Paraná em relação aos outros estados, o advogado Nagib Chede, proprietário da Rádio Emissora Paranaense, rompe com Chateaubriand, pede a concessão de um canal de televisão para Curitiba e volta a fazer transmissões em 1958, valendo-se do auxílio do publicitário Arnaldo Delmonte e do técnico mineiro Olavo Bastos.

Interessados em vender receptores e impulsionar seus próprios negócios, outros empresários de lojas como Hermes Macedo, Prosdócimo e Madison, incentivam o projeto de Nagib Chede, que por sua vez, beneficia-se da amizade com o então governador paranaense, Moysés Lupion, para conseguir uma audiência com o presidente Juscelino Kubitschek, na qual obtém a autorização para uma montar uma emissora de TV em Curitiba.

Chede investe todos os esforços possíveis para implantar seu projeto, desde a procura de equipamentos em São Paulo até a compra de uma kitinete no 20º andar do edifício Tijucas. É lá que, após sete meses de experiência, no dia 28 de outubro de 1960, é inaugurada a TV Paranaense Canal 12. Como era comum nas demais emissoras brasileiras daquele período, todas as transmissões eram feitas ao vivo, com profissionais do rádio, que tinham facilidade de comunicação oral e improvisação diante das situações tragicômicas que aconteciam com freqüência.

Aos poucos, a emissora de Chede foi crescendo e se estruturando. Apesar do mercado curitibano ser formado essencialmente por pequenos comerciantes, a publicidade desenvolveu-se inesperadamente e contribuiu para esse desenvolvimento. Em 1965, a TV Parananese começa a utilizar o videotape – uma novidade que revoluciona a programação televisiva em todo o país – e melhora significativamente a qualidade de suas gravações e edições. Mas se de um lado, a empresa adquiria know how e experiência, de outro novos desafios se apresentavam. Crescia em todo o país o número de receptores de televisão e um mercado assim promissor começa a ter pela primeira vez concorrência. No cenário nacional, era o início da profissionalização e do aperfeiçoamento da indústria cultural, que de um lado sofria as mudanças provocadas pelo declínio do Império Chateaubriand e de outro começava a se deslumbrar com as novidades trazidas pela programação transmitida em rede nacional.

A segunda emissora de televisão do Paraná – a TV Paraná Associada, Canal 6 – ligada à rede de Assis Chateaubriand, é inaugurada em 1960 e traz para Curitiba profissionais mais experientes, vindos da TV Tupi de São Paulo, bem como equipamentos mais modernos, como os primeiros aparelhos para transmissão externa.

No Paraná, a TV Paranaense que até 1968 exibe a programação da Rede Globo, do Rio de Janeiro, sofre com a fuga dos telespectadores para as novelas da TV Excelsior, que começam a sedimentar o gênero de maior sucesso da programação televisiva brasileira. A Globo, a partir daí, transfere seu contrato à TV Iguaçu, Canal 4 e a emissora de Chede, após sofrer um abalo financeiro é vendida para um grupo de banqueiros integrado por Edmundo Lemansky, Adolfo de Oliveira Franco Filho e o advogado Francisco Cunha Pereira Filho, proprietário do jornal Gazeta do Povo.

A guerra pela audiência estava apenas começando. O Canal 6 passa a priorizar as transmissões esportivas e é a primeira emissora a narrar uma partida de futebo na televisão, com a participação do comentarista Vinicius Coelho e o repórter William Sade. Junto com o crescimento e a consolidação da emissora no Paraná, marcado pelo início da construção de estúdio para gravação de novelas que seriam distribuídas nas demais emissoras do grupo, tem início o processo de decadência das Emissoras Associadas, após a morte de seu criador, Assis Chateaubriand, em 1968. No Paraná, a morte de Adherbal Stresser, faz com que Edmundo Monteiro, diretor dos Diários e Emissoras Associados, de São Paulo, venda a TV Paraná e o Diário do Paraná a Oscar Martinez, que incumbiu seu filho, José Carlos Martinez da direção das empresas. Mais tarde, a TV Paraná torna-se Rede OM de Comunicação e em parceria coma TV Gazeta de São Paulo, cria a CNT (Central Nacional de Televisão), a primeira rede nacional de televisão fora do eixo Rio-São Paulo.

Em 1967 é inaugurada a TV Iguaçu, canal 4, primeira emissora a ser projetada especialmente para ser uma geradora de televisão. De propriedade de Paulo Pimentel, proprietário da Editora "O Estado do Paraná S.A.", a emissora começa a funcionar com os melhores equipamentos de transmissão da Marconi, da Inglaterra e o melhor vídeo-tape do mundo, fabricado pela Ampex, dos Estados Unidos. A estrutura do prédio construído para sediar a TV Iguaçu apresentava uma gigantesca torre de transmissão com um restaurante giratório no topo, três estúdios e um grande auditório. Através de um convênio firmado com a TV Record, a emissora de Pimentel, passou a transmitir os melhores programas da televisão brasileira da época e, unida a uma programação local de qualidade, fez com que o Canal 4 obtivesse um dos maiores índices de aceitação junto ao público da história da televisão no Paraná.

Nos anos seguintes a programação da TV Iguaçu se destacou pela criação de bons programas jornalísticos como o Show de Jornal, que inovou o telejornalismo, distanciando-o do formato radiofônico e introduzindo novas técnicas como a primeira reportagem de rua e o uso de slides. Em 1972, a emissora passa a transmitir a programação da Rede Globo, que começava a consolidar sua liderança na audiência nacional. Mas um fato – o crescimento político de Paulo Pimentel, segundo JAMUR JR (2000) – faz com que seus adversários pressionem a Rede Globo a retirar a sua programação da TV Iguaçu e passá-la para a TV Paranaense. No ano de 1978, a emissora passa a exibir programas da Rede Tupi de Televisão, até sua extinção dois anos depois. Em 1981, a TV Iguaçu começa finalmente a transmitir a programação do recém inaugurado Sistema Brasileiro de Televisão, de propriedade do empresário Sílvio Santos.

Duas outras emissoras merecem ser mencionadas neste breve relato da história da televisão no Paraná. A primeira delas é a TV Coroados, inaugurada em 1963 com o intuito de levar as empresas Associadas à Londrina. Primeira emissora instalada numa cidade do interior do Paraná e a segunda no Brasil, a TV Coroados, foi propriedade dos principais empresários de comunicação do Paraná – Paulo Pimentel e Oscar Martinez – até ser oferecida pelo então ministro Golbery do Couto e Silva para Roberto Marinho, proprietário da Rede Globo de Televisão. A segunda, a TV Tibagi de Apucarana, inaugurada em 1967, é integrante do grupo Paulo Pimentel e uma das responsáveis pelo desenvolvimento dos meios de comunicação no norte do Paraná.

Com o aumento de aparelhos receptores em todo o país e o crescente investimento publicitário nas emissoras, a televisão não pára de se desenvolver, absorvendo todas as inovações tecnológicas que aparecem no mercado. A década de 70, marcada pelo início das transmissões em cores, é caracterizada pela consolidação do Sistema Nacional de Telecomunicações que permite a integração de todo o território nacional a partir da programação televisiva. É também neste período que a Rede Globo se distancia das demais emissoras através da sua eficiência e profissionalismo administrativo e da consagração da sua grade de programas, cujo carro chefe é a telenovela.

No Paraná a emissora global também começa sua expansão através da TV Coroados (Canal 3 de Londrina). TV Cultura (Canal 8 de Maringá) e TV Cataratas. O grupo Paulo Pimentel reage e inaugura em 1979 a TV Tarobá de Cascavel, região oeste paranaense e em 1985 a TV Naipi, em Foz do Iguaçu, fechando um circuito que abrange todo o Paraná.

Em 1987, uma lei estadual, cria a TVE, que somente em 1992 passa a ser denominada definitivamente como Rádio e Televisão Educativa do Paraná, tendo como sua principal finalidade a promoção de atividades educativas e culturais.

Na década seguinte o grupo Paulo Pimentel inaugura a sua quarta emissora, a TV Cidade, em Londrina, cujo ponto alto é o jornalismo regional. A TV Curitiba (Canal 2) até então retransmissora da Rede Manchete, passa às mãos do grupo J. Malucelli, e é reinaugurada, em 1989, como uma emissora independente, priorizando programas jornalísticos locais. Em seguida, passa a transmitir a programação da Rede Bandeirantes.

O início dos anos 90 marca a chegada da TV a cabo em Curitiba. A VTV é a empresa responsável pelo lançamento do primeiro pacote de programas estrangeiros na cidade, que incluía os canais: TNT, Raí, CNN, ESPN,MTV, Prime Time, Playboy e TVE.

 

Considerações finais

 

Estudando a história do Brasil no último século percebe-se a predominância do eixo Rio-São Paulo no domínio econômico e político nacional. Esta realidade tornou-se mais evidente no período do governo Juscelino Kubitschek na segunda metade dos anos 1950, com sua decisão de localizar a industrialização a partir de um centro dinâmico estabelecido entre São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Como a história da televisão no Brasil surge neste período, sua expansão em direção ao Paraná também reflete esta realidade. O estado foi dependente de programações, técnicos, material e know-how vindos da capital paulista, apesar de constar com a iniciativa e o mesmo pioneirismo dos empresários paulistas e cariocas entre os empreendedores locais.

Um traço nesta história da televisão local é a acentuada ligação entre os empreendedores e o poder público instituído, tanto a nível municipal, como estadual e nacional. Apesar de tal ligação não ser uma novidade paranaense, aqui no estado ela se dá de uma maneira peculiar, que pouco se transformou no decorrer dos anos. Os atores dessa relação são praticamente os mesmos, ou seus descendentes, desde o início da história da televisão no Paraná. O avanço dos estados vizinhos ainda provoca um certo fascínio que impede iniciativas de valorização da cultura local e regional. Por outro lado, apesar do aumento significativo de cursos de comunicação social no Estado nos últimos seis anos, ainda não existem profissionais especializados na produção de programação televisiva. Os que conseguem se formar e se destacam, buscam o mercado nestes outros estados, repetindo um ciclo que se não impede, pelo menos atrasa o desenvolvimento de uma televisão verdadeiramente paranaense.

Nota:

Segundo JAMUR JR (2001), Delmonte, publicitário paulista, recém contratado pela empresa Hermes Macedo de Curitiba, cedeu o aparelho de televisão que trouxe na bagagem para as transmissões e ofereceu informações técnicas e artísticas úteis às apresentações. Bastos, técnico mineiro que havia construído, em 1948, o primeiro transmissor de televisão no Brasil, trouxe a Curitiba um transmissor de imagens que permitiu a captação de imagens do Canal 7 pelos transmissores instalados nas lojas Tarobá.

 

Referências Bibliográficas

 

CLARK, Valter. O campeão de audiência. Uma autobiografia. São Paulo: Best Seller, 1991.

COSTA CÔRTES, Carlos Danilo. O Diário do Paraná na Imprensa e Sociedade Paranaenses. Curitiba: Editora Paranaense, 2000.

DALLA COSTA, Rosa Maria Cardoso. Le rôle des journaux télévisés: étude de la réception chez les ouvriers de la ville de Curitiba, au Brésil. Tese de doutorado. Saint-Denis: Université Paris 8, 1999.

DALLA COSTA, Armando; DALLA COSTA, Rosa Maria Cardoso. O telejornalismo brasileiro: do fantástico ao espetacular. Anais da XX Reunião da Sociedade Brasileira de Pesquisa Histórica. Curitiba, SBPH, 2000, p. 29-35.

DALLA COSTA, Armando; DALLA COSTA, Rosa Maria Cardoso. Rede Globo e Sistema Brasileiro de Televisão e sua contribuição na história da TV brasileira. Anais da XXI Reunião da Sociedade Brasileira de Pesquisa Histórica. Rio de Janeiro: SBPH, 2001, p.433-439.

"GOVERNADOR Jayme Canet Júnior inaugura a TV Cultura – Cana 8, de Maringá". In: Jornal Diário da Tarde. Maringá, 26 de setembro de 1975.

JÚNIOR, Jamur. Pequenas histórias de grandes talentos. Curitiba, 2001.

JÚNIOR, Jamur. "Entrevista: A história da TV no Paraná". In: Jornal O Estado do Paraná. Curitiba, 24 de abril de 2001.

MORAIS, Fernando. Chatô. O rei do Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1994.

"NA TV também o nosso rádio ficou esquecido". In: Jornal O Estado do Paraná. Curitiba, 29 de maio de 1983.

"NO ar, um momento histórico". In: Jornal Gazeta do Povo. Curitiba, 30 de março de 1969.

"O Norte fala e ouve através da TV Tibagi". In: Jornal O Estado do Paraná. Curitiba, 27 de julho de 1986.

PEGORARO, Paulo Roberto. "TV Tarobá, reflexo de uma região que busca seu ponto de equilíbrio". In: Jornal Folha de Londrina. Londrina, 3 de março de 1985.

"PIONEIRA no estado, a TV Paranaense festeja 33 anos". In: Jornal Gazeta do Povo. Curitiba, 29 de outubro de 1984.

POMBO, Luciana. "Grupo Paulo Pimentel lança primeira TV interativa do Paraná". In: Jornal O Estado do Paraná. Curitiba, 14 de janeiro de 1996.

SILVA, Arlindo. A fantástica história de Sílvio Santos. 4ª ed. São Paulo: Editora do Brasil, 2000.

"SINAL da TV Coroados atingirá o Nordeste". In: Jornal Folha de Londrina. Londrina, 5 de junho de 1971.

"TELEVISÃO, a quarentona aniversariante". In: Jornal O Estado do Paraná. Curitiba, 16 de setembro de 1990.

Viana, Francisco. Biografias de grandes empresários. Roberto Marinho. O general civil das comunicações é também um dos homens mais poderosos do mundo. São Paulo: Editora Três, 1998.

XAVIER, Ricardo e SACCHI, Rogério. Almanaque da TV. 50 anos de memória e informação. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.

VOLTAR