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JORNAL DA REDE ALCAR |
Editores Responsáveis:
José Marques de Melo (UNESCO/UMESP) / email: marquesmelo@uol.com.br
e Francisco Karam (FENAJ/UFSC) / email: fjkaram@terra.com.br
Edição digital – Profa. Maria Cristina Gobbi, Keila Baraçal e Larissa Didone (UMESP)
Sítio digital – Prof. Clovis Geyer e Ana Paula de Souza (UFSC)
Colaboradores desta edição: Edgard Patrício (Fortaleza – CE), Jairo Faria Mendes (Belo Horizonte – MG), Luis Guilherme Pontes Tavares (Salvador – BA), Roseane Pinheiro (São Luis – MA), Svendla Chaves (Porto Alegre – RS).
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Rede Alfredo de Carvalho para o resgate da memória da
imprensa e a construção da história da mídia no Brasil
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www.jornalismo.ufsc.br/redealcar
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Noticiário da Rede Alcar
FEEVALE mobiliza instituições gaúchas para o Encontro Nacional de 2005
UNIFOR desencadeia ofensiva para sediar o Encontro Nacional de 2006
UEPB pretende acolher seminário nordestino em Campina Grande
Núcleos Regionais
Maranhão: a imprensa como fonte histórica
Grupos de Trabalho
Relações Públicas organiza encontro nacional de professores
Capítulos de História da Mídia
Prédio do Diário de Pernambuco vira patrimônio coletivo
História da sucursal baiana do Estadão
Jornais ingleses do século 19 serão digitalizados
Maranhão, anos 70: o papel da imprensa na formação da opinião pública
UNIVATES cria Instituto Plínio Saraiva
O jornalismo uspiano entre a ciência e a arte
Série 200 anos da imprensa brasileira
Xavier da Veiga: Precursor dos Estudos sobre Jornalismo nas Minas Gerais - Jairo Faria Mendes
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Noticiário da Rede Alcar
FEEVALE mobiliza instituições gaúchas para o Encontro Nacional de 2005
O Centro Universitário FEEVALE de Novo Hamburgo (RS) prepara-se para comemorar os 35 anos de sua fundação, sediando o III Encontro Nacional da Rede Alcar. O evento está agendado para o período de 14-16 de abril de 2005, tendo como tema central "História da Mídia Regional".
A comissão organizadora é integrada pelas professoras Paula Regina Puhl, Paula Casari Cundari, Neusa Ribeiro, Helaine Rosa e Maria Alice Bragança., docentes do Curso de Comunicação Social da instituição. Esse grupo está ultimando a confirmação dos expositores convidados para integrar os painéis temáticos. Já está assegurada a presença, para proferir a conferência de abertura, do Prof. Dr. Juan Gargurevich, da Pontifícia Universidade Católica do Peru, também coordenador do Grupo de Trabalho de História da Comunicação da ALAI – Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación.
As inscrições de trabalhos estarão abertas a partir do dia 1º de novembro de 2004 pela Internet, encerrando-se em 19 de março de 2005. Informações preliminares poderão ser obtidas através do seguinte endereço: paulapredealcar@feevale.br.
UNIFOR desencadeia ofensiva para sediar o Encontro Nacional de 2006
Durante reunião realizada, no último dia 12 de agosto, na cidade do Olinda – PE, com a Profa. Dra. Erotilde Honório, Coordenadora do Departamento de Comunicação da UNIFOR – Universidade de Fortaleza, o Presidente da Rede Alfredo de Carvalho, Prof. Dr. José Marques de Melo tomou conhecimento das iniciativas promovidas no sentido de fortalecer o Encontro 2006 da Rede Alcar. Além da disposição revelada pelo Dr. Eduardo Campos, presidente do Instituto Histórico do Ceará, no sentido de apoiar institucionalmente o evento, a representante da UNIFOR esclareceu que está ultimando parcerias com a ACERT – Associação Cearense de Emissoras de Rádio e Televisão, bem como com outras entidades representativas da mídia estadual.
Tendo em vista que o ano de 2006 simboliza o tricentenário das restrições oficiais à liberdade de imprensa no Brasil, o encontro da Rede Alcar em Fortaleza poderá adotar como tema central a História da Censura Midiática.
Com a finalidade de estabelecer uma articulação orgânica entre o encontro de Fortaleza (2006) e os que o precedem: Florianópolis (2004) e Novo Hamburgo (2005), está agendada uma reunião de trabalho, no próximo dia 2 de setembro, em Porto Alegre.
UEPB pretende acolher seminário nordestino em Campina Grande
Pesquisadores vinculados a 6 universidades nordestinas reuniram-se, no último dia 13 de agosto, na cidade do Recife, com o presidente nacional da Rede Alcar, José Marques de Melo, com a finalidade de manifestar a iniciativa de reunir em Campina Grande (PB), em outubro de 2005, lideranças das equipes dedicadas à História da Mídia. A intenção dos pesquisadores é fortalecer a participação nordestina no IV Encontro Nacional da Rede Alcar, previsto para a cidade de Fortaleza, em abril de 2006, avaliando comparativamente o conhecimento na região sobre a pesquisa histórica no campo midiático. Participaram do encontro os seguintes pesquisadores: Maria Luiza Nóbrega (UFPE), Salet Tauk ( UFRPE), Betânia Maciel (AESO - PE)., Erotilde Honório (UNIFOR – Ceará), Magnólia Rejane dos Santos (UFAL) e Luiz Custódio da Silva (UEPB).
A coordenação desse evento foi confiada ao Prof. Dr. Luiz Custódio da Silva, que se comprometeu a consultar seus colegas do Departamento de Comunicação da UEPB – Universidade Estadual da Paraíba -, transformando a cidade de Campina Grande em sede do encontro regional.
Núcleos Regionais
Bahia: Coleção Cipriano Barata
Luis Guilherme Tavares
Três razões salientes inspiraram esta proposta de criação da Coleção Cipriano Barata. São elas: a pobreza bibliográfica sobre a história da imprensa baiana; a proximidade do bicentenário da instalação da imprensa no Brasil (2008) e na Bahia (2011) e a oportunidade de homenagear o jornalista baiano Cipriano José Barata de Almeida (1762-1838).
Há, de início, seis livros em andamento, dos quais tratarei mais adiante. Esta proposta tanto poderá ser realizada pela Assembléia Legislativa do Estado da Bahia com a Academia de Letras da Bahia como poderá incluir novos parceiros, dentre os quais peço licença para sugerir o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, a Editora da Universidade Federal da Bahia, a Associação Baiana de Imprensa, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia, a Empresa Gráfica da Bahia, que em 7 de setembro de 2005 comemorará 90 anos de existência, a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Salvador, a Assessoria Geral de Comunicação Social do Governo do Estado da Bahia, os cursos de jornalismo das faculdades privadas e as empresas de comunicação do estado.
É improvável que qualquer desses parceiros pague alguma conta, mas seria valioso não só o prestígio resultante da companhia como a facilidade de acesso a textos que lhes pertencem ou a eventuais serviços complementares que possam prestar.
Pobreza bibliográfica – A instalação da imprensa em território baiano ocorreu em maio de 1811, quando o português Manoel Antonio da Silva Serva, sob a estimulante proteção do Conde dos Arcos, dom Marco de Noronha e Brito, governador geral da capitania da Bahia, funcionou o prelo que importara da Inglaterra. Em 13 de maio, data do aniversário do príncipe regente dom João, circulou o prospecto anunciando o jornal que sairia no dia seguinte. No dia 14 de maio estreou o Idade d’Ouro do Brazil, o primeiro periódico baiano e o terceiro entre os brasileiros. Antes dele, em 1808, estrearam o Correio Braziliense (1º de junho), impresso em Londres, e a Gazeta do Rio de Janeiro (10 de setembro), impresso no Rio que, então, devido a transmigração da família real portuguesa, era sede da corte. O periódico baiano se distingue do periódico carioca porque foi uma iniciativa do setor privado, apesar da lealdade do empresário Serva aos interesses portugueses.
Quase 200 anos após a estréia da primeira empresa de comunicação na Bahia continuamos sem um livro abrangente que conte a história desde 1811 até os dias atuais. Sequer existe uma bibliografia completa e atualizada sobre o tema. Há textos sobre a primeira tipografia baiana, umas poucas dissertações e teses acadêmicas sobre personagens, veículos e fatos dessa história bicentenária, dois ou três livros sobre Ernesto Simões Filho, umas poucas monografias publicadas pelo Centro de Estudos Baianos da Ufba e provavelmente dezenas de artigos desconhecidos e espalhados pelos jornais e revistas publicados desde 1811 até os nossos dias cujo foco revelou aspectos da existência e da obra de pessoas e instituições afins com a história da imprensa baiana.
200 anos da imprensa – A propósito das comemorações dos 200 anos da instalação da imprensa no Brasil em 2008, as providências começaram desde abril de 2001 com a criação da Rede Alfredo de Carvalho em ato realizado na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro. A iniciativa foi do professor José Marques de Melo, emérito da USP e titular da Cadeira Unesco sediada na Universidade Metodista de São Paulo. A Rede, de âmbito nacional, congrega instituições privadas e públicas de vários estados brasileiros e tem como missão "preservar a memória e construir a história da imprensa brasileira". Ela tomou emprestado o nome do pesquisador pernambucano Alfredo de Carvalho porque ele, dentre outros feitos em benefício da cultura nacional, empreendeu o projeto de identificar e divulgar a relação dos periódicos brasileiros publicados no século XIX e assim comemorar o primeiro centenário da instalação da imprensa no Brasil, em 13 de maio de 1908, com o mais completo inventário de jornais e revistas publicados no Brasil durante os primeiros 100 anos da indústria jornalística no país. Obteve, em parte, o êxito pretendido, tendo a Bahia sido beneficiada três anos depois com a publicação da relação dos periódicos publicados na capital e o no interior entre 1811 e 1911 (CARVALHO, Alfredo; TORRES, João Nepomuceno. Annaes da Imprensa da Bahia. Salvador: Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, 1911).
A Rede Alfredo de Carvalho realizou seu primeiro encontro nacional em 2003 no Rio de Janeiro. Em 2004, o II Encontro Nacional foi realizado em Florianópolis (SC). Em ambos houve a apresentação de dezenas de trabalhos nos grupos temáticos que foram criados para debater a história dos meios de comunicação brasileiros. O encontro de 2005 será em Novo Hamburgo (RS) e o de 2006 está previsto para Fortaleza (CE). O de 2007 poderá ser em São Paulo... Desde de 2001, no entanto, o professor Marques de Melo cultiva a esperança de que a Bahia promova um dos encontros, o que, lamentavelmente, parece difícil de acontecer.
Os encontros nacionais culminarão com o congresso de 2008, comemorativo do bicentenário, que acontecerá no Rio de Janeiro.
A Bahia avizinha-se de duas comemorações muito próximas uma da outra. Comemorará a instalação da imprensa no Brasil em 2008 e, três anos depois, em 2011, comemorará a instalação da imprensa em seu território. Por enquanto a iniciativa mais consistente para animar as comemorações locais é o Núcleo de Estudos da História dos Impressos da Bahia – Nehib – criado em 14 de maio de 2001, em ato realizado no gabinete do presidente da Associação Baiana de Imprensa, na presença do presidente em exercício, José Jorge Randan. Na ocasião os pesquisadores Kátia Carvalho, Nélson Varón Cadena, Ionan Gallo Toscano de Brito e Luís Guilherme Pontes Tavares, encaminharam à instituição a proposta de trabalho do núcleo.
Em 27 de abril de 2001, na sala de reuniões do Conselho Estadual de Cultura, então funcionando no Palacete Martins Catarino, na Graça, houve a sessão de instalação da Rede Alfredo de Carvalho na Bahia, quando, por delegação do presidente da Rede, professor José Marques de Melo, o Nehib recebeu incumbência de representá-la em nosso estado. O professor Marques de Melo, assim como as professoras Cybelle de Ipanema e Esther Bertoletti, também fundadoras da Rede, participavam naqueles dias da mesa-redonda "Avaliando a historiografia da Imprensa brasileira nos 190 anos da primeira tipografia baiana", comemorativa dos 190 anos da instalação da imprensa na Bahia, patrocinada pelo Arquivo Público do Estado.
Cipriano Barata – A Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, em convênio com a Academia de Letras da Bahia, publicou, em 2001, o livro Cipriano Barata na Sentinela da Liberdade, do jornalista, historiador e professor Marco Morel, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Esse texto, segundo o professor doutor Luís Henrique Dias Tavares, que assina a apresentação da obra, revela "o mais completo Cipriano José Barata de Almeida que nos é dado conhecer". De modo sucinto, lembro que Cipriano Barata estudou em Coimbra, retornando a Salvador como cirurgião prático e a tempo de participar da sedição de 1798. Desde então, e até o final da vida (morreu no Rio Grande do Norte aos 76 anos de sofrida existência), Cipriano Barata dedicaria seus dias à luta pela independência do Brasil e, após a vitória, prosseguiu lutando pela consolidação da nação brasileira. Integrou a representação parlamentar brasileira nas cortes, em Lisboa, e firmou seu nome na história do Brasil por sua destemida atuação como jornalista e político. Cipriano Barata esteve preso por 11 anos, sem que tenha deixado de publicar seu Sentinela da Liberdade, jornal em que defendia suas posições em favor da nação livre e independente.
A obra de Marco Morel tem ajudado a redimensionar o papel de Cipriano Barata como um dos patronos da independência brasileira e também como um dos principais patronos da imprensa deste país. Esse relevo não deslustra Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça, criador do Correio Braziliense, mensário editado e impresso em Londres a partir de 1º de junho de 1808, e considerado o grande patrono da nossa imprensa, tendo destronado do posto o editor da Gazeta do Rio de Janeiro, frei Tibúrcio José da Rocha. A Gazeta estreou em 10 de setembro de 1808 no Rio de Janeiro (Impressão Régia) e era o órgão de divulgação da corte portuguesa transmigrada para o Brasil por causa da ocupação napoleônica de Portugal. Tanto Hipólito, com o respeitável Correio Braziliense, quanto a Gazeta do Rio de Janeiro, não defendiam, como Cipriano Barata defendeu sempre, a independência do Brasil de Portugal. Essa é a diferença que pende em favor de Barata.
1) Ceará Rádio Clube comemora 70 anos
Foi realizada, no último dia 31 de maio, solenidade em comemoração aos 70
anos da Ceará Rádio Clube, ou PRE-9, como é também conhecida. Fundada por
João Dummar, a
emissora começou oficialmente suas transmissões em 934. Na década de 40,
chegou transmitir em quatro idiomas, simultaneamente, e passou para à direção
dos
Diários Associados, em que permanece até hoje. Tem na coordenação Eduardo
Campos.
2) Catavento produz vídeo sobre 70 anos da PRE-9
A ONG Catavento Comunicação e Educação Ambiental, articuladora do Núcleo
Cearense da Rede Alcar, está finalizando um vídeo sobre o início do
funcionamento da Ceará Rádio Clube. Baseado na pesquisa Rádio e Memória,
financiada pelo CNPq, e desenvolvida também pelo Catavento, o vídeo mostra
depoimentos de profissionais que participaram do início das atividades da
emissora, nas décadas de 30 e 40. A pesquisa também vai produzir uma série de
programas de rádio sobre o surgimento do veículo no Ceará, artigos
discutindo a mesma temática além de lançar um site com os resultados da
pesquisa direta realizada em jornal da época e relatos orais de quem participou
das primeiras atividades da Ceará Rádio Clube. A segunda emissora de Fortaleza
só veio em 1948, a Rádio Iracema.
3) Catavento busca financiador para segunda fase da pesquisa
A primeira fase da pesquisa do Catavento sobre a história do Rádio no Ceará
está terminando. Financiada pelo CNPq, dentro da chamada específica Conteúdos
Digitais, a pesquisa fez um apanhado da história do veículo no período de
1928 a 1948. Agora, o Catavento tenta iniciar uma nova fase da pesquisa,
alcançando o período que vai de 1948, ano da fundação da segunda emissora de
Fortaleza, a Rádio Iracema, até 1964, ano de ocorrência do golpe militar.
Sobre a continuidade da pesquisa, o Catavento busca financiadores para bolsistas
de iniciação, uma feita que os recursos conseguidos com o CNPq na primeira
fase foram suficientes para montar a infra-estrutura para dar
suporte ao trabalho.
Maranhão: a imprensa como fonte histórica
A Associação Maranhense de Imprensa, em parceria com o Curso de História da Universidade Federal do Maranhão, está disponibilizando em seu site (www.ami-ma.com.br) os resumos de pesquisas que enfocam a imprensa como fonte histórica ou que abordam a trajetória de jornalistas, relacionando-a aos panoramas político, econômicos e social. No tópico Sala de Estudos, destacam-se os trabalhos sobre a vida política de José Sarney (PACHECO FILHO, PASSOS E COSTA).
O chefe do Departamento de História, professor Wagner Cabral, apoiou a inserção dos trabalhos na internet e informou que o Curso está interessado em colaborar com o projeto Memória Maranhão - Imprensa 200 anos, elaborado pela AMI. O projeto deverá ser apresentado aos professores do Curso em reunião departamental no mês de setembro.
Segundo a presidente da AMI, jornalista Edvânia Kátia, o objetivo da iniciativa é criar um banco de dados que possa ser um referencial para os estudiosos do tema. A coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a Imprensa do Maranhão, jornalista Roseane Pinheiro, afirma que o próximo passo será disponibilizar no site as monografias, dissertações e teses do Curso de Comunicação Social.
Grupos de Trabalho
Relações Públicas organiza encontro nacional de professores
O GT História das Relações Públicas já tem novidades para a sua próxima
edição, que ocorrerá em Novo Hamburgo - RS. Após as exposições dos
trabalhos e as discussões das temáticas abordadas, haverá o Primeiro Encontro
Nacional de Professores de Relações
Públicas, cujo objetivo é promover um debate a respeito das diretrizes
curriculares e suas
conseqüências nos Cursos de Comunicação Social que possuem a referida
habilitação. O programa do evento será divulgado posteriormente, já que
está sendo planejada uma palestra sobre o assunto, a ser realizada por um
professor convidado. Esta é uma questão importante a ser debatida, uma vez que
as decisões institucionais tendem a interferir
diretamente no futuro da área.
Capítulos de História da Mídia
Prédio
do Diário de Pernambuco vira patrimônio coletivo
Fonte:Correio
Braziliense, 3/8/2004
Sede do Diário de Pernambuco entre 1930 e julho deste ano, o endereço Praça Independência, 12, Santo Antônio, passou oficialmente a fazer parte do patrimônio do Estado de Pernambuco. O prédio, de onde o jornal mais antigo em atividade na América Latina, concluiu transferência há duas semanas e foi repassado em cerimônia realizada no Palácio do Campo das Princesas, na qual o presidente do Conselho de Administração do Diário, Joezil Barros, entregou simbolicamente a chave do imóvel ao governador Jarbas Vasconcelos.
A cerimônia foi realizada no Salão das Bandeiras do Palácio. Durante o evento, os convidados puderam conhecer uma exposição com capas importantes na história do jornal, como a notícia da morte de Getúlio Vargas.
O evento também foi a conclusão do processo de transferência do jornal para uma sede mais moderna. Após 101 anos na sede em frente à Praça Independência, o Diário passou a dividir o prédio dos Diários Associados de Pernambuco com a TV Guararapes e as rádios Clube e Caetés.
História da sucursal baiana do Estadão
Luís Guilherme Pontes Tavares
O jornalista Biaggio Talento (btalento@estadao.com.br), da sucursal de O Estado de S. Paulo, em Salvador, lançou o livro A sucursal. Os 30 anos do Estadão na Bahia (Salvador: edição do autor, 2004, 120 p.). A expectativa que o título provoca não é, no entanto, confirmada na leitura. Talento, ao invés de contar a história da sucursal, optou por selecionar e reescrever matérias de vários jornalistas (Carlos González, Carlos Navarro, Césio Oliveira, Luís Coelho de Araújo, Demóstenes Teixeira, Emiliano José, Fernando Escariz, Jádson Oliveira, José Barreto, José Carlos Teixeira, Lenilde Pacheco, Otto Freitas, Paulo Leandro, Pedro Formigli e Suzana Alice) que trabalharam lá. As reportagens entraram no livro como pequenas histórias, meio cômicas, quase todas fatos policiais.
A história dos 30 anos da sucursal baiana de O Estado de S. Paulo, onde Biaggio Talento trabalha desde 1986, está, em parte, contada nos dois textos, um do próprio Talento e outro do jornalista Carlos Navarro, chefe da sucursal de Salvador, que antecedem, como prefácios, os textos reescritos. Desses, infelizmente, não há, na obra, a data e o número da página em que foram publicados. O projeto gráfico e a editoração eletrônica foram trabalhos de Helenita Hollanda, médica e habilidosa com os softs de edição. O casal está ultimando o livro Basílicas e capelinhas, sobre a história e a situação atual de 42 igrejas de Salvador.
A propósito de Basílicas e capelinhas, Biaggio Talento teria encontrado nas atas da irmandade da Basílica de Senhor do Bonfim a informação de que foi Manoel Antonio da Silva Serva quem, no início do século XIX, propôs a fabricação da fitinha, adereço que atravessou os séculos e hoje é indispensável no pulso de 10 entre 10 turistas que visitam Salvador. Silva Serva, vale lembrar, é o pioneiro da imprensa na Bahia; criou em 14 de maio de 1811 o periódico Idade d’Ouro do Brazil. Em 1912, entre janeiro e março, fez circular a primeira revista brasileira: As Variedades ou Ensaios de Litteratura. A informação sobre a iniciativa de Silva Serva carece, por enquanto, de confirmação.
MATÉRIA REESCRITA
Os textos selecionados e reescritos por Biaggio Talento estão agrupados em nove capítulos: "Cinema e outras coisas abstratas", "Malandragem de alto nível", "Animais", "Quando o crime não compensa", "Os vivos e os mortos", "Sobre gastronomia e injustiças", "Serenidade já!", "Sexo", "Problemas com cobrança, pesquisa e esquecimento". O texto abaixo, escolhido de modo aleatório, é exemplo do que foi selecionado:
"Até Papai Noel enche o saco
"É isso. Provocado, até mesmo a figura frágil do ‘Bom Velhinho’ se transforma num lutador tão feroz quanto o Mike Tyson (nos bons tempos, ressalte-se). Certamente os freqüentadores do Shopping Iguatemi [em Salvador] não vão esquecer o Natal de 1990, não por causa das ofertas tentadoras, mas graças ao Papai Noel de ‘personalidade forte’ que o centro de vendas arrumou para manter viva a lenda do ‘Bom Velhinho’ no imaginário das crianças
"Tudo ia bem no reino primorosamente decorado de Papa Noel no seu espaço tradicional na praça próxima a uma das escadas rolantes do Iguatemi. Meninos e meninas recebiam os indefectíveis beijos e abraços, além das promessas de presentes formidáveis no Natal. Até que apareceu um sujeito abusado. Aos 29 anos, Augusto César Araújo nem tinha mais idade para freqüentar o espaço de Noel, mas resolveu provocá-lo:
"– Papai Noel, você me dá de presente sua mãe?, disparou para um desconcertado ‘Bom Velhinho’.
"O rapaz alto e forte que estava travestido de Papai Noel aflorou com toda sua fúria após a pergunta inadequada e deu um sopapo em Augusto. Este tentou reagir e a briga durou mais de dez minutos, desencantando as crianças que aguardavam na fila a vez de receber os mimos do símbolo natalino personificado naquele homem de pijama vermelho e botas. Logo apareceu uma torcida pró-Papai Noel, incentivando-o a dar uma lição no provocador. O tumulto acabou na delegacia mais próxima onde o delegado resolveu prender Augusto e liberar o ‘Bom Velhinho’, recomendando-o a dar um trato na aparência antes de voltar ao posto, pois a roupa vermelha amarrotara e a barba postiça ficou desfalcada de algumas mechas devido ‘a desagadável refrega. Foi, sem dúvida, um Natal inesquecível".
Jornais ingleses do século 19 serão digitalizados
Fonte:Jornal do
Brasil , 23/06/3004
Em 18 meses, mais de um milhão de páginas de jornais ingleses do século 19 serão disponibilizados na Rede pela Biblioteca Britânica. O projeto, que custou dois milhões de libras (US$ 3,60 milhões), reunirá 100 anos de história em notícias, anúncios e em imagens, que já não estão mais protegidos por direitos autorais.
Até a concretização do site com as cópias digitalizadas dos jornais, a única forma de acesso aos documentos era na Biblioteca do Jornal, localizada em Colindale, norte de Londres. Pela internet, os interessados podem obter um minicurrículo sobre o veículo de comunicação.
O catálogo da instituição inclui mais de 52 mil jornais e revistas, publicações diárias e dominicais da Inglaterra desde 1801 até hoje, além de periódicos de outros países em idiomas europeus, alguns documentos do século 17 e um acervo de jornais populares irlandeses e ingleses.
De acordo com a Biblioteca Britância, os jornais são um importante recurso para se aprender sobre o estilo de vida do século 19, uma vez que eles detalham a mudança da Inglaterra basicamente agrícola para uma sociedade industrial vista pelo resto do mundo como potência militar.
*Por Roseane Pinheiro
Discursos jornalísticos constroem novos sentidos e significados sobre patrimônio cultural, comunicação e história, temas abordados em coletânea lançada com participação de pesquisadores maranhenses
A busca por novas percepções acerca da comunicação e da sua relação com as práticas sociais cotidianas inaugura caminhos que podem desvelar a produção de sentidos e de significados, erigidos a partir da atuação dos comunicadores em diversos espaços. Este entendimento parte do pressuposto de que a comunicação é ação e efeito, instância geradora de uma construção simbólica do mundo.
Em função de sua complexidade e riqueza, a análise dos discursos construídos pelos medias pede outros olhares e lugares de onde o processo comunicacional pode ser pensado. Com esta intenção – transformar a comunicação em objeto permanente de estudo – o Núcleo de Estudos em Estratégias de Comunicação (NEEC), em fase de implantação na UFMA, publicou a obra "Comunicação – outros olhares", organizada pelos jornalistas Francisco Gonçalves da Conceição e Fábio Belo Matos. Na coletânea estão reunidos oito artigos de comunicadores e profissionais de áreas afins, todos pesquisadores interessados pelas teorias dos discursos e as metodologias de análise das práticas discursivas. São eles Milton Pinto, Rose Ferreira, Francisco Laerte Magalhães, Valdirene Conceição, Linda Rodrigues, Cida de Souza, Francisco Gonçalves e Marcos Fábio. Em comum aos autores a passagem pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Com visão inquieta sobre os fenômenos da comunicação, os estudiosos estão envoltos em três linhas de pesquisas: Teorias do discurso e metodologias de análise de práticas discursivas; Mídia, discurso e espaço público e Processos de interlocução, mudança social e políticas públicas.
"Os trabalhos, aqui apresentados, são produtos finais ou resultados parciais de pesquisas. Alguns caminhos já foram feitos; outros estão sendo percorridos", esclarecem os organizadores em texto introdutório.
Entre os trabalhos publicados, detalharemos dois deles, em função dos olhares específicos sobre a produção jornalística realizada em São Luís, abarcando temas como patrimônio, cultura e história. São os seguintes textos: "São Luís Patrimônio: o discurso desvelado" (Valdirene Conceição) e "Cinema de São Luís: a pedagogia do moderno" (Marcos Fábio).
"Cada um, a seu modo, busca um lugar de fala específico para revelar o seu olhar da/sobre a comunicação, por meio de vestígios deixados pelo discurso informativo ao longo dos percursos analisados", ressalta a professora do Departamento de Comunicação da UFMA, Ester Marques, Mestra em Comunicação e Cultura, ao comentar sobre a iniciativa dos professores de socializar suas pesquisas através da obra.
Jornalismo, prática social e campo tensional
As mensagens construídas e veiculadas pelos jornais O Estado do Maranhão e O Imparcial sobre a noção de patrimônio e a elevação de São Luís à Condição de Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO – foram o objeto do artigo da professora Valdirene Conceição. O recorte histórico estudado compreende o período de maio de 1997 a dezembro de 1998, quando foram coletadas 47 matérias, levando em conta aspectos como títulos das matérias, cobertura fotográfica e agendamento, desencadeador de um clima de expectativa progressiva no leitor.
"Ao tratar de grande influência exercida pelos medias no processo de construção das estruturas sociais, o que é incontestável por serem eles que, direta ou indiretamente, legitimam e desenvolvem habilidades e competências cultural, política, social e econômica, que gestam as práticas sociais, que constroem, conservam e transformam os ‘modelos de sociedade’, procuramos demonstrar os mecanismos de enunciação de que se utilizam para produzir sentido", observou Valdirene.
Segundo a autora, o material produzido pelos jornais apresenta atitude de celebração, principalmente nos títulos, marcados pela ausência de verbos, ou seja, apontam para estados e não ações, tais como "São Luís Patrimônio Mundial" (O Imparcial, 27.06.97) ou "São Luis da Gente e do Mundo" (19.12.97).
"Tal atitude possui, pelo menos, dois motivos: a necessidade ‘pedagógica’ de mostrar ao cidadão ludovicense que a cidade tem seu patrimônio histórico-artístico e cultural homenageado; e a demonstração, mesmo que não deliberada, de uma hierarquização deste mesmo patrimônio", analisou a pesquisadora.
Em relação ao material imagético, destaca-se a forte recorrência à figura do casarão, verdadeiro "garoto-propaganda do acontecimento". Ora mostrados em deterioração ora em revitalização, os casarões fotografados foram transformados em ícones do patrimônio histórico cultural da cidade. Nos cadernos especiais publicados, das 40 fotos pesquisadas em O Imparcial, 27,5% são de casarões e das 52 imagens do caderno de O Estado do Maranhão, 46,16% têm as mesmas propriedades.
"A cobertura deu muito mais ênfase ao processo (historiando o seu percurso) e ao esforço governamental para conseguir o título do que às suas repercussões e implicações para o Estado e a população. A cobertura foi eivada de densidade", concluiu Valdirene.
As inventividade do homem em registros impressos
Atrás das pistas deixadas nos registrados impressos durante a passagem dos primeiros cinematógrafos por São Luís a partir de 1898, o jornalista Marcos Fábio Belo Matos, buscou enquanto como fontes da pesquisa "Cinema em São Luís: a pedagogia do moderno" os jornais Pacotilha, Diário da Manhã e O Federalista.
As crônicas, em sua maioria presas ao factual, deixam escapar "uma sensação identificadora da apreensão do crítico e do público", frente à novidade do entretenimento. Outro destaque são os anúncios dos aparelhos de vistas animadas, que enfatizavam os equipamentos em detrimento dos filmes, provocando uma valorização da máquina e um movimento acentuado de divinização dos projetores.
"Bem na fase inicial, o aparelho possui o destaque único e que, à medida que o público compreende e acostuma-se com seu funcionamento e o efeito fundamente que o provoca, tal destaque perde gradativamente força, transferindo-se então o prazer da observação aos dramas, comédias, perseguições, encenações religiosas, até o ponto em que os filmes, por si só, conseguem atrair o público", comentou o autor.
Ao contextualizar o ciclo do cinema ambulante na capital, Marcos Fábio lembra que estas repercussões acontecem em um período de predominância do Positivismo em todo o mundo. De acordo com o pesquisador, o século IXI é considerado o Século do maquinismo e do poder racional, caracterizado pela "espetacularização dos resultados da inventividade do homem e do produto da ciência e da técnica".
Uma mostra das impressões desse período de realeza da máquina em São Luís, de acesso à modernidade, é o trecho apanhado em O Federalista, de 21 de julho de 1902: Tão extraordinária foi a procura de ingresso que ontem, ás 7 da noite, já não existia uma só que fosse (...) O empenho de comprar-se um ingresso, a gritaria que se faziam para possuí-lo, era maior do que quando tem de subir á scena um drama, uma revista, que ainda não é conhecida de nossa platéia.
"O que sustentou o cinema nos seus primórdios foi essa capacidade de encantar as pessoas pelo fato de capturar a vida e aprisioná-la numa película e, ao girar de uma manivela, solta-la numa sala escura", ressaltou Marcos Fábio.
*Coordenadora do Núcleo de Estudos da História da Imprensa Maranhense/Associação Maranhense de Imprensa (AMI), que faz parte da Rede Alfredo de Carvalho – movimento nacional para a preservação da história do jornalismo brasileiro
email: ami-ma@bol.com.br
Maranhão, anos 70: o papel da imprensa na formação da opinião pública
*Por Roseane Pinheiro
O poder da opinião pública é uma das estratégias mais cobiçadas no jogo de forças na arena política. Conquistar o público é influenciar os destinos do país e fazer idéias preponderarem em momentos históricos relevantes. A formação da opinião é desencadeada por vários fatores, entre eles os psicológicos, sociológicos e históricos. No Maranhão, há 25 anos, um movimento de estudantes universitários e secundaristas comandou a sociedade durante 10 dias e empreendeu esforços para a conquista da meia-passagem, o que se configurou em um dos fatos locais mais marcantes da ditadura militar.
Com este enfoque, a estudante do Curso de Comunicação Social/habilitação Relações Públicas da UFMA, Amarilis Cardoso Santos, elaborou em 2003 a monografia "A formação da opinião pública na greve estudantil pela meia-passagem em 1979, no Maranhão: o caso do Jornal Pequeno, no período de 15 a 24 de setembro de 1979". O estudo de Amarilis, que foi orientada pela professora Adeilce Gomes Azevedo, conquistou o primeiro lugar no XXI Concurso Universitário de Monografia e Projetos Experimentais de Relações Públicas, concorrendo com trabalhos de diversas universidades do país.
"O objetivo deste trabalho é fornecer subsídios teóricos acerca da opinião pública, para se entender como ela foi constituída durante a Greve estudantil da meia-passagem, em 1979, através de um dos instrumentos de formação da opinião, o meio de comunicação de massa", explica a relações públicas.
O trabalho tem quatro momentos. Primeiro, o desenvolvimento da opinião durante os movimentos revolucionários e o progresso da Europa nos século XVII. Em seguida, apresenta-se o conceito de opinião pública. "Partimos do entendimento de público, por acreditar ser este, através da discussão, da controvérsia e consenso, o processo que originará a opinião pública", analisa a autora. Outras etapas da obra são a importância dos meios de comunicação e outros fatores que influenciam a formação da opinião pública.
Governo militar - Amparada em autores como Habermas, Augras, Bauer, Da Via, Bonavides, Andrade, Correa, Wolf entre outros, a monografia traz uma contextualização importante para a compreensão do poder da sociedade e todas as suas instâncias no desenvolvimento do processo histórico. Antes da análise do movimento estudantil em São Luís e da deflagração da luta pela meia passagem, é ressaltado o contexto político no Brasil, marcado pelo enfraquecimento do governo militar frente a elevação da inflação, a queda do crescimento econômica e a insatisfação popular. Neste período, ocorre o fortalecimento dos movimentos sociais e dos grupos opositores ao regime.
Segundo a autora, a escolha do Jornal Pequeno enquanto fonte das notícias ocorreu porque o jornal acolheu de forma equilibrada as opiniões de todos os atores sociais envolvidos – o governo estadual, os estudantes e entidades classistas – e não tinha explicitamente vinculação partidária naquele período. Foram colhidas 17 matérias no total no período de 15 a 24 de setembro de 1979. Outro fator foi o bom estado do acervo do jornal na Biblioteca Pública, enquanto outros jornais da época apresentam coleções incompletas.
A análise do material foi realizada através da metodologia de Análise de Conteúdo, compreendendo que as notícias reúnem aspectos quantitativos e concepções ideológicas. "Como se pode perceber ao longo deste trabalho, não há uma verdadeira democracia senão onde o povo é mantido informado, onde é chamado para conhecer a construção da sua história e dela participar", afirmou a pesquisadora.
MATÉRIA AUXILIAR
Caminhada, repressão e negociação
Foi no Campus da UFMA que o movimento estudantil pela meia-passagem foi iniciado, sob o comando de alunos do curso de Engenharia Elétrica da UFMA. Surpreendidos com um aumento nas passagens dos transportes coletivos, principalmente os que faziam linha para o Campus, os universitários iniciaram um protesto na Universidade. A edição do 15 de setembro do JP destacou as decisões encaminhadas pelas lideranças: "decidiram, então, continuar as reivindicações em favor da meia-passagem, com a formação de comissões que levarão ao povo e às autoridades a conscientização de que a meia-passagem deve ser estendida a todos os estudantes de São Luís".
Cerca de 500 estudantes, após encerram a assembléia na UFMA, fizeram uma caminhada ao Centro da cidade. Não imaginavam que pela frente iriam encontrar um contingente da Polícia Militar do Estado, que surpreendeu os estudantes na Avenida do Anel Viário. Após muita negociação, a caminhada foi encerrada com um indicativo de criar comissões, que teriam como objetivo sensibilizar os outros estudantes de São Luís.
Um dos lideras do movimento, Joãozinho Ribeiro, entrevistado para a publicação "A meia-passagem em versões inteiras: A greve de 79 em fatos e fotos", organizado pelo jornalista Franklin Douglas e a relações públicas Amarílis Cardoso, fez uma leitura do papel da imprensa naquela semana tão marcante: "nunca os jornalistas maranhenses assumiram posicionamento tão corajoso e ao lado do povo, como naquele momento". As redações estavam cheias de estudantes de Comunicação, que participaram tanto no movimento quanto nas redações dos noticiários de São Luís.
A luta não parou e os estudantes continuaram a batalha pela reivindicação. Segundo o JP, no 17 de setembro, uma segunda-feira, os estudantes continuaram a mobilização nas escolas, na parte da manhã. À noite, cerca de 7 mil pessoas (entre estudantes secundaristas, da UFMA e da Federação das Escolas Superiores do Maranhão – FESM) se concentraram na Praça Deodoro, em uma grande Assembléia.
No dia 18 de setembro, o jornal estampou a força do estudantes com a manchetes: "São Luís vira um inferno: mais de 7 mil manifestantes. Polícia baixa pau. Centena de presos e feridos".
"O objetivo dos estudantes, segundo a notícia, era caminhar até o Palácio dos Leões (sede do governo do Estado), na Praça Dom Pedro II, e entregar um manifesto ao então governador João Castelo, para solicitar a meia-passagem a todos os estudantes da Capital, direito garantido por lei e que foi abolido em 1969", afirma Amarilis.
A repressão não permitiu o encontro. Policiais militares e federais entraram em ação e foi gerado um confronto que destruiria o Centro de São Luís, deixaria muitos feridos e mais de 110 presos, fatos que marcaram o primeiro dia de confronto da Greve.
Os líderes se reuniram com o governador sentaram para negociar, mas não houve avanços. O segundo dia de manifestação terminou, a cidade ficou paralisada, ônibus depredados, lojas saqueadas, escolas fechadas e um saldo grande de feridos. Ao chegar na análise do terceiro dia da cobertura da Greve estudantil, percebe-se que o Jornal Pequeno procurou relatar os acontecimentos mostrando tanto a posição dos estudantes, quanto das autoridades.
Os estudantes perceberam que os meios de comunicação poderiam ser aliados na luta e publicaram no Jornal Pequeno uma nota, direcionada aos pais de alunos secundaristas. Em um dos trechos afirma que "a luta pela meia-passagem é, indiscutivelmente, a luta da maioria das famílias de São Luís por ser uma expressão da realidade sofrida no dia-a-dia dos lares ludovicenses". "Solicitavam que os alunos não voltassem para assistir às aulas até que o governo concedesse a meia-passagem; o movimento lembrou, ainda, que é uma causa justa e que a violência que campeou a nossa São Luís não partiu dos estudantes", analisa Amarilis.
Na edição do dia 22 de setembro do JP, conforme a pesquisadora, encontra-se um fator preponderante, "que levaria ao fim da greve e a concepção legítima do direito proclamado. A publicação de uma nota, onde Agenor Gomes, presidente do Diretório Central dos Estudantes da UFMA, pede esclarecimentos à OAB (Ordem dos Advogados no Brasil)". Nesta edição foi publicado o parecer favorável dado pela OAB à meia-passagem, baseando-se nas leis nºs 807, de 8 de agosto de 1957, posteriormente alterada pela Lei nº 1372, de 20 de junho de 1963".
A OAB declara que a recusa no atendimento à meia-passagem dos estudantes de São Luís constituía-se em desobediência aos textos legais existentes. Em seguida relatou que o problema da meia-passagem não seria de competência da CPI, e sim do Município de São Luís do Maranhão. E após dez dias do movimento, a greve finalmente chegaria ao fim. O Jornal Pequeno, de 24 de setembro, comemorou a conquista com a seguinte manchete: ‘Governo concede meia-passagem: Vitória dos estudantes".
Os estudantes comemoraram nas ruas e a Praça Deodoro, espaço dos conflitos, tornou-se o palco de uma festa memorável. Jomar Fernandes Pereira, um dos líderes, entrevistado por Amarílis Cardoso e Franklin Douglas, afirma: " Valeu a pena.(...] São Luís tomada pelo seu próprio povo. [...] Os espíritos dos revolucionários maranhenses, que vagam rotineiramente pelas escadarias do nosso centro histórico, devem ter ficado loucos para voltar a lutar, fortemente motivados pelo sonoro batuque de milhares de corações de estudantes!".
*Coordenadora do Núcleo de Estudos da História da Imprensa do Maranhão/Associação Maranhense de Imprensa (AMI), que faz parte da Rede Alfredo de Carvalho – movimento nacional para a preservação da história da imprensa e do jornalismo brasileiro
email: ami-ma@bol.com.br
UNIVATES cria Instituto Plínio Saraiva
Svendla Chaves, de Porto Alegre (*)"Jornalista, não. Jornaleiro", defendia Plínio Saraiva, que teve sua primeira atividade como entregador, na infância. Aos 101 anos, o diretor e editor do semanário gaúcho O Taquaryense, faleceu na tarde desta segunda-feira (09/08/2004). Vítima de um aneurisma cerebral na sexta-feira passada, Saraiva deixou, nos últimos dias, a atividade que foi a grande motivação de sua vida: editar o jornal da família. O sepultamento será realizado na tarde desta terça (10/08), no Cemitério Municipal de Taquari, cidade que acompanha, há mais de um século, a trajetória do veículo e de seu principal profissional.
Segundo jornal mais antigo em circulação no Estado – completou 117 anos em julho –, O Taquaryense foi criado por Albertino Saraiva, pai de Plínio. É o único veículo gaúcho que ainda utiliza o sistema tipográfico, em uma impressora francesa Marinoni, comprada do Correio do Povo em 1910. Auxiliado por filhos e netos, Saraiva montava, todas as semanas, o jornal que assumiu em 1947, depois de atuar por 25 anos como tipógrafo. Os 500 exemplares, distribuídos por assinaturas, eram custeados por anúncios e recursos do próprio Saraiva, funcionário público aposentado.
Uma parceria firmada com o Centro Universitário Univates de Lajeado, no Vale do Taquari (RS), vai garantir a continuidade do semanário. Há dois anos, a Univates propôs a criação do Instituto Plínio Saraiva, visando à recuperação e manutenção do acervo, com todas as edições d’O Taquaryense desde 1887. Também deve ser mantida a confecção e circulação do jornal, nos moldes em que foi produzido no último século. Saraiva faleceu poucos dias antes de ver concretizado o convênio com a Univates, que deve ser assinado no dia 21/08, por um representante da família.
(*) Do site
Bem InformadoO jornalismo uspiano entre a ciência e a arte
Fonte: Jornal da USP, n. 697, 16.08.2004
As quase quatro décadas de história e produção acadêmica da Escola de
Comunicações e Artes (ECA) da USP serão lembradas e homenageadas num
multievento promovido pelo Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP a partir
desta semana. Três eixos compõem o evento, reunidos sob o título Os Caminhos
Cruzados do Jornalismo: o salão temático Artejornalismo; a exposição
Jornalismo: Caminhos Cruzados com as Artes, Ciência e Tecnologia e o seminário
acadêmico Gênese do Pensamento Jornalístico Uspiano. "A fundação do
curso de Jornalismo na ECA tem que ser analisada no conteúdo do seu
tempo", afirma num estudo sobre a criação da escola o professor Carsten
Bruder, que vai palestrar no encontro do seminário dedicado ao professor José
Marques de Melo. "Os responsáveis por essa primeira geração da ECA
tinham a dura missão de administrar os objetivos da estruturação dos
departamentos e cursos com as dificuldades criadas pelas circunstâncias da
época – o mundo ainda no meio de uma Guerra Fria, o Brasil no auge de um
regime militar."
O seminário Gênese do Pensamento Jornalístico Uspiano será organizado como
um curso de extensão cultural. Em 11 encontros semanais no auditório do MAC,
sempre nas tardes de segunda-feira, serão revisitadas a carreira e as
trajetórias de nomes que participaram da primeira geração de professores do
Departamento de Jornalismo, alguns dos quais até hoje atuam na ECA. É o caso,
por exemplo, da professora Cremilda Medina – atual coordenadora da
Coordenadoria de Comunicação Social (CCS) da USP, responsável pelas mídias
da Universidade –, cuja contribuição, a partir do enfoque dos estudos
literários, será o tema do encontro do dia 22 de novembro.
Efervescência
O perfil de José Marques de Melo será traçado e debatido na palestra de
encerramento do seminário, no dia 29 de novembro. Marques de Melo, reconhecido
como um dos mais importantes pesquisadores brasileiros na área da comunicação,
começou a dar aulas na USP em 1966. Em 1968, com apenas 25 anos de idade,
assumiu a regência da cátedra Técnica e Prática de Jornalismo. Em 1974, teve
os seus direitos políticos cassados pela ditadura militar, e só retornou à
ECA cinco anos depois, beneficiado pela anistia. Foi diretor da escola, recebeu
o título de Professor Emérito em 2001 e desde o ano passado dá aulas no
programa de pós-graduação da unidade, tarefa que concilia com várias outras
atividades. Também serão retratados no seminário, entre outros, os
professores Freitas Nobre, Juarez Bahia, Gaudêncio Torquato e Jair Borin.
A criação de uma escola de comunicação na USP remonta a 1965, quando o
então reitor Gama e Silva formou uma comissão especial para tratar do assunto.
Entre os seus integrantes estava o espanhol Júlio Garcia Morejón, que seria o
primeiro diretor da unidade. A Escola de Comunicações Culturais (ECC) foi
implantada pelo Decreto Estadual nº 46.419, de 16 de junho de 1966. Em 1970,
seu nome seria alterado para Escola de Comunicações e Artes.
"Em plena ditadura, o projeto pedagógico adotado para os anos de 1968 a
1972 (que sofria aprimoramento durante todo o período), já para o início do
curso de Jornalismo na antiga ECC, não deixava de tratar os temas considerados
fortes e censurados pelo regime militar", registra a professora Ruth Penha
Alves Vianna, pesquisadora do Programa de Pós-Doutorado do Núcleo de
Jornalismo Comparado da ECA. "Havia então uma efervescência cultural e
política, não só do ponto de vista brasileiro. Por isso eram ali tratados
temas candentes da América Latina, Europa, América do Norte –, enfim todas
as culturas ocidentais e orientais, como forma plural de se ver o mundo. Esses
temas se refletiam nas obras cinematográficas, jornalísticas (escrita,
radiofônica e televisiva), na literatura, nas artes plásticas, teatrais,
música, dramaturgia, publicidade, relações públicas, designers etc."
Caravana
O salão Artejornalismo, instalado no Anexo do MAC, no Edifício da Reitoria,
vai expor obras produzidas por três docentes fundadores do curso de Jornalismo
da ECA. São obras fotográficas e cinematográficas de Thomas Farkas,
xilogravuras de Antonio Costela e trabalhos gráficos de Hélcio Deslandes. O
caráter singular dessas trajetórias pode ser personificado por Farkas, nascido
na Hungria e radicado no Brasil desde os 6 anos de idade. Engenheiro mecânico e
eletricista formado pela Escola Politécnica da USP, nunca exerceu a profissão,
dividindo-se entre atividades comerciais e documentários de cunho social. Entre
as décadas de 1960 e 70, com a chamada Caravana Farkas, realizou documentários
que ajudaram a redescobrir o interior do Brasil pelas lentes do cinema. Na ECA,
ministrou cursos de Fotografia, Fotojornalismo e Jornalismo Cinematográfico.
Todo o material poderá ser consultado pela Internet no site
www.macvirtual.usp.br, que hospeda a exposição virtual
Jornalismo: Caminhos Cruzados com as Artes, Ciência e Tecnologia. O multievento
no MAC conta com o apoio da Comissão Comemorativa dos 70 Anos da USP, jornal O
Estado de S. Paulo, Cátedra Unesco da Universidade Metodista de São Paulo,
Grupo PJ:Br – Portal do Pensamento Jornalístico Brasileiro e Rede Alfredo de
Carvalho – Grupo Butantã/USP.
O Salão temático Artejornalismo fica no Espaço Anexo do MAC, Edifício da
Reitoria, de 16 de agosto a 12 de setembro, de segunda a sexta-feira, das 10h
às 19 h, sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h. A entrada é franca.
O seminário Gênese do Pensamento Jornalístico Uspiano será realizado às
segundas-feiras, entre 16 de agosto e 29 de novembro, das 14h às 17h, no
auditório do MAC, na Rua da Reitoria. Inscrições no MAC ou pelo e-mail
alemaoli@usp.br, ao custo de R$ 60,00. Participantes com mais de 80% de
freqüência receberão certificado.
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3091-3028 ou no
endereço eletrônico www.macvirtual.usp.br.
Série 200 anos da imprensa brasileira
Xavier das Veiga: o Precursor dos Estudos sobre Jornalismo nas Minas Gerais
Jairo Faria Mendes
Professor da PUC Minas Arcos/ Doutorando em Comunicação Social / UMESP
Resumo
O primeiro estudo sobre a imprensa das Minas Gerais foi a monografia A imprensa em Minas Gerais (1807-1897), publicada, em 1898, na Revista do Arquivo Público Mineiro, por José Pedro Xavier da Veiga. Em 80 páginas, o autor traz a biografia do padre Viegas, responsável por uma impressão calcográfica (em chapas de metal fixas), em 1807; descreve as características dos primeiros periódicos do Estado, e faz um inventário das publicações que surgiram nas Minas até 1897. Xavier da Veiga foi um jornalista e intelectual brilhante. Foi responsável pela criação do Arquivo Público Mineiro, pela revista da instituição, e proprietário de dois periódicos conservadores. Além disso, publicou importantes trabalhos como as Efemérides Mineiras, sua obra prima. Era sobrinho do grande jornalista e político Evaristo da Veiga.
Palavras-chave
Imprensa mineira, pesquisa em jornalismo, Xavier da Veiga.
O Precursor
José Pedro Xavier da Veiga foi um dos grandes intelectuais mineiros do século XIX, um jornalista de destaque, um importante historiador e político. Além disso, foi o precursor nos estudos sobre jornalismo nas Minas Gerais. Sua monografia A imprensa de Minas Gerais 1807-1897 (In: Revista do Arquivo Público Mineiro, Ano III, 1898. pp. 169-249) foi o primeiro trabalho sobre jornalismo produzido no Estado. Ele era de uma família de grande tradição na política, na imprensa e na cultura. Um exemplo disso foi seu tio Evaristo da Veiga, o redator da Aurora Fluminense, que contribui bastante para a abdicação de D. Pedro I.Seu avô, Francisco Luís Saturnino da Veiga, veio de Portugal em 1784, com 13 anos, e foi morar no Rio de Janeiro. Lá, ainda moço, lecionou latim, aritmética e gramática. Mas em pouco tempo mudou de ofício, tornando-se um livreiro, o que contribuiu muito para que seus descendentes ganhassem amor pelos livros.
Entre os filhos de Saturnino da Veiga estavam figuras brilhantes. Evaristo, grande jornalista e político, eleito três vezes deputado pelas Minas Gerais. Bernardo, duas vezes exerceu a presidência da província das Minas, e foi representante na Câmara dos Deputados do Império entre 1843 e 1844, e deputado provincial. Lourenço, o pai de José Pedro Xavier da Veiga, criou jornais e foi um defensor da fundação de uma nova província no sul das Minas.
Os familiares de José Pedro Xavier da Veiga criaram diversas publicações, na cidade de Campanha, nas Minas Gerais: Opinião Campanhense (1832 a 1837), Nova Província (defendendo a criação da província no Sul das Minas, 1854 e1855), O Sul de Minas (1859 1863), O Monitor Sul Mineiro e almanaques (1872 a 1898). Mas o maior destaque foi Evaristo da Veiga, com a Aurora Fluminense, no Rio de Janeiro, uma referência do jornalismo brasileiro no século XIX.
Cercado de Cultura e Política
No dia 13 de abril de 1846, nasceu José Pedro Xavier da Veiga, em Campanha, nas Minas Gerais. Edilane Maria de Almeida Carneiro e Marta Eloísa Melgaço Neves descrevem bem a história dele na introdução da obra prima de Xavier da Veiga, Efemérides Mineiras, reeditada em 1998, pela Fundação João Pinheiro.
Até os 10 anos, ele não freqüentou a escola, por ter uma saúde muito frágil. Mas seu pai o alfabetizou, e o convívio com sua família culta e que participava muito da vida política, o incentivou a tornar um intelectual e militante.
Aos 11 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, trabalhando por cinco anos na livraria de seu tio João Pedro. Com 12 anos, apesar da pouca idade, participou da fundação da Sociedade de Ensaios Literários, e na revista da entidade publicaria seus primeiros textos. Na primeira edição da revista, em 1863, ele trazia o artigo "Estrela do Sul (Província de Minas)", defendendo a bandeira de sua família, ou seja, a criação de uma nova província no sul das Minas.
Um artigo publicado no oficial Minas Gerais, em 10 de agosto de 1900, considera que nesse momento surge o grande jornalista:
"Pode-se dizer que Xavier da Veiga iniciou sua vida de imprensa aos 12 anos, pois foi justamente nessa quadra, em que as crianças apreciam mais os folguedos e a convivência com seus amigos, que ele, recolhido ao seu quarto, sozinho, lançava no papel as premissas de seu fulgurante talento."
Em 1867, Xavier da Veiga vai para São Paulo cursar a Faculdade de Direito. Lá tem a oportunidade de conviver com pessoas que influenciariam a história das Minas e do Brasil, como Silviano Brandão, Afonso Pena, Feliciano Pena e Crispim Jacques Bias Fortes. No entanto, por problemas pulmonares, teve que retornar a Campanha antes de terminar o curso.
De 1870 a 1878, foi escrivão dos Órfãos, em Lavras, onde estabeleceu um cartório e passou a militar no Partido Conservador. Ele seria uma das lideranças conservadoras da província (depois estado), elegendo-se em vários pleitos como deputado estadual e uma vez senador, e se destacaria defendendo questões nobres como a educação pública e a abolição da escravatura. Em seu principal livro, Efemérides Mineiras, refere-se à Lei Áurea:
"(...) lei grandiosa e santa, complemento indispensável das de 28 de setembro (a de 1871, lei Rio Branco, e a 1885), foi a redenção abençoada para cerca de 230.000 infelizes em Minas Gerais e para quase 800.000 no Brasil."(XAVIER DA VEIGA, 1897)
Na defesa da educação pública, Xavier da Veiga dedicou boa parte de sua carreira política. Em 1872, quando ainda era escrivão em Lavras, fundou a Sociedade Propagadora da Instrução. "Pautando-se sempre pela defesa da instrução pública e ampliando seu enfoque para além das propostas de ensino primário, propôs em anos posteriores a criação de cadeiras noturnas e de escolas de ensino profissional e agrícola" ( Introdução de CARNEIRO e NEVES, in VEIGA, 1998, p. 23).
Suas última luta política foi contra a mudança da capital das Minas, de Ouro Preto. Quando foi administrar o Arquivo Público Mineiro, largou a vida política.
O Jornalista
Em 1878, Xavier da Veiga mudou-se para Ouro Preto e comprou, junto com Pedro Maria da Silva Brandão, uma tipografia. No ano seguinte os sócios lançavam o jornal A Província de Minas, que se apresentava como Órgão do Partido Conservador. No primeiro número a publicação explicava que tinha como objetivo defender os conservadores de "injustiças cruéis" e "perseguições revoltantes". O jornal circulou até novembro de 1889, quando ocorre a proclamação da República.
A partir de 27 de novembro de 1889, Xavier da Veiga passou a publicar o jornal A Ordem, "inaugurando um novo propósito: demonstrar a necessidade de que o novo regime republicano fosse aceito pacificamente em Minas Gerais" (Introdução de CARNEIRO e NEVES, in: VEIGA, 1998, p. 20). A publicação circulou até 31 de dezembro de 1892.
Xavier da Veiga era um apaixonado monarquista, mas foi defensor da republica depois que esta foi instituída. Pode parecer um paradoxo, mas ele justificava sua atitude dizendo preferir a república do que ver a ordem ameaçada."(...) acabo de declarar franca e lealmente que a monarquia, não obstante os grandes serviços que dela recebeu o Brasil, é um fato do passado, que a sua restauração seria uma calamidade pública" (VEIGA apud LIMA, 1911, p.60)
Uma grande contribuição de Xavier da Veiga foi criação da Revista do Arquivo Público Mineiro, em 1896. Um ano antes ele havia abandonado sua cadeira de senador para fundar o Arquivo Publico Mineiro. O órgão seguia os princípios do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), e tinha como objetivo reunir fontes primárias importantes para a história e geografia das Minas Gerais.
No decreto de criação do Arquivo Público Mineiro estava prevista a criação de uma revista, o que foi feito por Xavier da Veiga. O primeiro número, de 1896, organizado em quatro fascículos, publicou muitas fontes primárias. E, na revista, saíram ensaios de grande importância para a historiografia mineira. O próprio Xavier da Veiga escreveu importantes textos, como A imprensa em Minas Gerais (1807-1897), que inaugurou os estudos jornalísticos no estado, e Minas Gerais e Rio de Janeiro (Questão de Limites), que ajudou na negociação sobre a fronteira entre os dois Estados. Ele trabalhou no APM até falecer e foi responsável pelos cinco primeiros números da revista, que depois ficaria a cargo do também importante jornalista, político e historiador Augusto de Lima.
Era norma para todos que entravam na Academia Mineira de Letras fazerem a biografia de algum mineiro importante. Augusto de Lima escolheu Xavier da Veiga, por quem demonstrou grande admiração.
Pioneiro nos Estudos sobre Jornalismo
A monografia de Xavier da Veiga, publicada na Revista do Arquivo Publico, nº 3, de 1898, com o título A imprensa em Minas Gerais (1807-1897), faz nascer os estudos sobre jornalismo no Estado. Com 80 páginas, o texto faz um relato do primeiro século da imprensa nas Minas, e traz um inventário com as publicações que surgiram nestes 100 anos no Estado.
O estudo, até hoje, é utilizado por historiadores e pesquisadores do jornalismo. Ninguém conseguiu superar Xavier da Veiga, sua monografia continua sendo a principal referência sobre a história da imprensa mineira. Talvez a principal razão disso esteja na falta de outros estudos. Surgiram registros e análises de fatos isolados, de jornalistas ou da história do jornalismo em cidades das Minas; mas faltam publicações que tenham um olhar "macro" sobre a memória da imprensa no Estado.
Xavier da Veiga começa fazendo um rápido histórico, que passa pelo invento de Gutenberg; a oficina de Antônio Isidoro da Fonseca, no Rio de Janeiro, fechada em 1747; e os primeiros jornais brasileiros. No entanto, gasta apenas cinco páginas para essa introdução, e entra no que lhe interessava, a memória da imprensa nas Minas.
Ele descreve com detalhes a primeira impressão feita nas Minas, em 1807, pelo padre José Joaquim Viegas de Menezes. O poeta e cronista Diogo Pereira Vasconcelos escreveu um canto panegírico (um poema) homenageando o governador da capitania, Pedro Maria Xavier de Atayde. Apesar das atividades gráficas serem proibidas na colônia, o governador quis ver o texto impresso, e procurou o padre Viegas, o único que poderia atender o seu desejo.
Depois de três meses de trabalho, o padre imprimiu um poema, utilizando uma técnica chamada calcografia, que consiste no uso de chapas fixas de bronze. Esse é um dos grandes momentos da imprensa brasileira. Ele é descrito por SODRÉ (1999) como "proeza extraordinária para a colônia" (p. 34).
Na monografia também é feita uma rápida biografia do herói da imprensa mineira, o padre Viegas. Ele, além da impressão calcográfica de 1807, foi responsável pela primeira tipografia construída no país (inicia o trabalho em 1820). A monografia descreve bem isso.
O português, residente em Vila Rica (mais tarde viraria Ouro Preto), Manoel José Barbosa Pimenta e Sal costumava folhear um Dicionário de Ciências e Artes, em Francês, dando atenção à parte que descrevia uma tipografia. Um acaso feliz aproximou o português do padre Viegas, que traduziu a parte referente à tipografia, e explicou como ela funcionava. Depois, os dois resolveram juntos fundirem os tipos e construírem um prelo. Nessa tipografia seriam impressos muitos jornais. Ela, certamente, foi decisiva no nascimento e evolução do jornalismo nas Minas.
A monografia ignora um fato importante da biografia do padre Viegas. Foi ele também o diretor do primeiro jornal do Estado, o Compilador Mineiro.
Para falar do padre, é fácil de identificar (apesar dele não citar isto na monografia), que ele utilizou como sua principal fonte um trabalho biográfico publicado no Correio Official de Minas, de 10 a 13 de janeiro de 1859. Esse texto, apesar de bem anterior ao de Xavier da Veiga, não pode ser classificado como um estudo sobre imprensa, é uma biografia, escrita no estilo do jornalismo da época, rebuscada e com tom apologista, mas bem redigida.
No entanto, Xavier da Veiga comete um erro, que muitos anos depois é repetido por Nelson Werneck Sodré, em História da imprensa no Brasil. Ele diz que o primeiro jornal das Minas foi a Abelha do Itaculumy, criado em 1824. No entanto, a primazia é do Compilador Mineiro, fundado um ano antes.
Depois, o autor descreve os primeiros jornais da província Abelha do Itaculumy(1824); o Compilador Mineiro(de 1823, mas que a monografia diz ser de 1824), do qual mostra ter muitas dúvidas sobre onde era impresso e que o dirigia; e o Universal, que recebe destaque na monografia. É fácil entender a ênfase dada ao Universal, o primeiro jornal com expressão na província. Foi criado pelo polêmico político Bernardo Vasconcelos, que o dirigiu até 1833. Depois o jornal mudou radicalmente de posição política, e, em 1842, tomou uma das decisões mais ousadas da história de nossa imprensa. Seu diretor, José Pedro Dias de Carvalho, derreteu os tipos do jornal para fabricar balas para a revolução liberal que estourava na província.
Em seguida, vêm a descrição das primeiras localidades mineiras com jornais. Como ele mostra, os jornais começaram em Ouro Preto, em 1823. A segunda localidade foi São João Del Rei, que em 20 de novembro de 1827, ganhou o Astro de Minas, considerado "brilhante" por Xavier da Veiga. Depois, o Arraial do Tijuco (hoje cidade de Diamantina) ganhou o Echo do Serro, em 1828.
Em 1830, três localidades passaram a ter jornais: Mariana (Estrella Mariannense), Serro (Sentinela do Serro, de Teófilo Otoni, seguindo a linha editorial da Sentinela da Liberdade, de Cipriano Barata) e Pouso Alegre (Pregoeiro Constitucional). Outros locais que ganharam publicação foram: Itambé do Serro (7º lugar), Campanha (8º lugar), Sabará (9º lugar) e Caeté (10º lugar).
A parte mais importante do trabalho de Xavier da Veiga vem depois, o inventário da imprensa nos seus primeiros 100 anos. Em 34 páginas, ele lista as centenas de publicações criadas nas Minas, no período, em 87 localidades.
Pelo inventário, é clara a grande importância de Ouro Preto neste primeiro século de jornalismo. São listados 163 periódicos na cidade. Outros municípios com bom número de publicações foram: São João Del Rei (41), Diamantina (45), Campanha (33), Juiz de Fora (55) e Uberaba (57). Belo Horizonte, recém inaugurada (isto ocorreu em 12 de dezembro de 1897), já tinha cinco periódicos listados por Xavier da Veiga.
O inventário mostra que nas Minas algumas regiões povoadas tardiamente estavam tendo uma imprensa muito forte. Isso reflete uma grande mudança que a região passava. Com a decadência da exploração do ouro e diamantes, gradativamente, localidades que cresceram com a mineração (Ouro Preto, São João Del Rei, Sabará, Mariana, Diamantina etc) foram perdendo importância, e outras ganharam grande impulso (principalmente na Zona da Mata e no Sul das Minas).
No final, Xavier da Veiga traz um relato da imprensa nas Minas, em 1897. Segundo ele, dos 123 municípios que o estado tinha na época, 69 possuíam periódicos. Ouro Preto continua com uma posição de destaque. Aparece com seis publicações, sendo que duas delas são de grande importância: o jornal oficial Minas Gerais e a Revista do Arquivo Público Mineiro. O Minas Gerais se destaca por ser a única publicação importante, do século XIX, que sobrevive até os dias de hoje. Belo Horizonte, que acabava de ser inaugurada (com o nome Cidade de Minas), contava com quatro publicações: A Capital, O Bello Horizonte (este o primeiro jornal da cidade), Tiradentes e O Bohemio.
Efemérides Mineiras
É a grande obra de Xavier da Veiga. Ele gastou quase 18 anos de trabalho duro para produzi-la. Em 1897, lançou pela Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais, sua extensa Efemérides Mineira, em quatro volumes. A Fundação João Pinheiro lançou em 1998 uma reedição da obra, com dois volumes, que possuem juntos 1.115 páginas. No livro, Xavier da Veiga faz uma cronologia detalhada da história mineira, mas um pouco confusa pela forma com que o autor organiza as informações.
As Efemeridades foram financiadas pelo Governo de Minas Gerais. Já nos termos da lei de criação do Arquivo Público Mineiro, estava prevista a produção de "efemérides sociais e políticas". O APM seguia a linha do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, que promoveu a publicação de edições históricas.
LIMA (1991) conta que uma vez alguém procurou Xavier da Veiga querendo informações para escrever a biografia deste. A reação de Xavier da Veiga foi entregar os volumes das Efemérides Mineiras. "(...) como quem disse: - Eis-me nesse monumento pátrio" (LIMA, 1991, p. 39).
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