JORNAL DA REDE ALCAR
Ano 3, N. 3303 de setembro de 2003

Editores Responsáveis:

José Marques de Melo (UNESCO/UMESP) / email: marquesmelo@uol.com.br e Francisco Karam (FENAJ/UFSC) / email: fjkaram@terra.com.br

Edição digital – Profa. Maria Cristina Gobbi e Adriana Crozariol (UMESP)

Sítio digital – Prof. Clovis Geyer e Ana Paula de Souza (UFSC)

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Rede Alfredo de Carvalho para o resgate da memória e a construção da história da imprensa no Brasil
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Colaboradores desta edição: Taís Pereira (Porto Alegre, RS), Maria Luiza Nóbrega (Recife, PE), Edgard Patrício (Fortaleza – CE), Raquel Pinto (Rio de Janeiro – RJ), Gilberto de Macedo (Maceió – AL), José Marques de Melo (São Paulo – SP), Sergio Mattos (Salvador, Bahia), Niza Souza (São Paulo, SP), Ubiratan Brasil (São Paulo, SP), Beatriz Coelho Silva (Rio de Janeiro, RJ)

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www.jornalismo.ufsc.br/redealcar

www.metodista.br/unesco/redealcar

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Sumário:

Noticiário da Rede Alcar

Encontro de Florianópolis

Núcleo Gaúcho

Núcleo Pernambucano

Núcleo Cearense

Núcleo Mineiro

Núcleo Alagoano

Centenário do Radialista Mário Ferraz Sampaio

Capítulos de História da Mídia

Perfil do jornalismo brasileiro

Jornalistas alagoanos

Roberto Marinho, timoneiro midiático

Jorge Calmón, ponto de referência no jornalismo baiano

Coleção do Correio Braziliense disponível na IMESP

Carlito Maia, publicitário irreverente

Cinema brasileiro: a censura durante o regime autoritário 1964-1988

A saga de Barbosa Lima Sobrinho

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Noticiário da Rede Alcar

Encontro de Florianópolis

Mensagem enviada pelo Prof. Dr. Francisco Karam (SC) no dia 13 de agosto confirma a nota data para a realização do II Encontro Nacional da Rede Alcar, enviando também a versão atualizada do programa do evento.

"A comissão organizadora se reuniu hoje à tarde e aprovou a mudança da data do 2o. Rede Alcar, passando para 15 a 17 de abril de 2004, já que, no dia 18, inicia o 7o Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo. Também, por questões operacionais, decidiu realizar os dois eventos nas dependências de Hotel (há três opções em discussão), em que ficarão os convidados, palestrante , coordenadores de GTs, etc. , e, provavelmente, grande parte dos inscritos de outras cidades. Em anexo, segue o programa preliminar atualizado."

2º Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho

Florianópolis, de 15 a 17 de abril de 2004

Tema Central

História do Ensino de Jornalismo e das Profissões Midiáticas no Brasil

Os participantes do encontro da Rede Alcar poderão inscrever trabalhos em quatro categorias, de acordo com cada Grupo de Trabalho (GT):

Comunicação Científica (CC): Professores, Pesquisadores e Pós-Graduandos)

Iniciação Científica (IC): Estudantes de Graduação

Memória (M): Profissionais e Empresários

Produtos Audiovisuais (PA): Filmes, Vídeos, CD-ROMs, etc...

Mais Informações: realcar@cce.ufsc.br

Telefone: 0xx48 331-9215

Fax: 0xx48 331-9490

Taxas de inscrição

Até 19 de março, o valor será de R$ 50,00 (profissionais, professores, pesquisadores, empresários) e de R$ 25,00 (estudantes). Após 19 de março, o valor será de R$ 70,00 e R$ 35,00, respectivamente.

Inscrições pela Internet, a partir de 1o de novembro

(Instruções em breve)

Grupos de Trabalho de História da Mídia

Coordenação nacional:

José Marques de Melo - USP/UMESP (e-mail: marquesmelo@uol.com.br)

Coordenação local:

Francisco José Castilhos Karam (e-mail: fjkaram@terra.com.br)

História do Jornalismo

Coordenadora: Marialva Barbosa - Univ.Federal Fluminense (e-mail: mcb1@terra.com.br)

História da Publicidade

Coordenador: J. B. Pinho - Universidade Federal de Viçosa (e-mail: jbpinho@ufv.br)

História da Propaganda

Coordenador: Adolpho Queiroz - UMESP (e-mail: adolphoq@metodista.br)

História das Relações Públicas

Coordenadora: Claudia Moura - PUCRS (e-mail: cpmoura@pucrs.br)

História da Mídia Impressa (Jornal, Revista, Livro)

Coordenador: Luis Guilherme Pontes Tavares - NEHIB (e-mail: editor@alba.ba.gov.br)

História da Mídia Sonora (Rádio, Disco)

Coordenadora: Ana Baum - Universidade Federal Fluminense (e-mail: ana.baum@ig.com.br)

História da Mídia Visual (Fotografia, HQ, Cartazes)

Coordenadora: Sonia Luyten - Unisantos (e-mail: sonialuyten@hotmail.com)

História da Mídia Audiovisual (Cinema, Televisão)

Coordenadora: Ruth Vianna - UFMS (e-mail: viannar@terra.com.br)

História da Mídia Digital (Web e NTCs)

Coordenador: Walter Lima Jr. - UniFIAM (e-mail: digital@walterlima.jor.br)

História da Mídia Educativa

Coordenadora: Marlene Blois - UniCarioca (e-mail: mmblois@univir.br)

Cronograma

Resumos e textos completos dos trabalhos: até 20 de fevereiro de 2004

Aceite dos coordenadores: até 05 de março de 2004

Obs.: os responsáveis pelos trabalhos aceitos deverão se inscrever no prazo de 19 de março de 2004

Instruções

Todos os resumos e textos completos dos trabalhos devem versar sobre História da Mídia. Devem ser encaminhados – exclusivamente por correio eletrônico - para as coordenações dos GTs em arquivo do Word, corpo 12, Times New Roman, com indicações bibliográficas de acordo com as normas da ABNT. O tempo de apresentação de cada trabalho será de 20 minutos. Os resumos devem indicar: a) nome do/a autor/a ou equipe; b) cargo e instituição a que tem vínculo; c) GT a que se destina; d) 10 (dez) linhas com sinopse do trabalho; e) de três a cinco palavras-chave. O texto completo deverá ser enviado, sem falta, na data prevista, para que seja produzido CD-ROM com todos os textos dos GTs. Os produtos a serem apresentados deverão ser encaminhados aos cuidados da Organização do II Encontro da Rede Alfredo de Carvalho.

Programa Preliminar

Quinta, 15 de abril

Das 15 às 17h30: Credenciamento (entrega de pastas aos inscritos previamente e reabertura de inscrições para novos participantes)

18 horas: Cerimônia de Abertura

Reitor da UFSC, Rodolfo Pinto da Luz; Presidente da Rede Alfredo de Carvalho, Prof. Dr. José Marques de Melo; Chefe do Departamento de Jornalismo da UFSC; Presidente do Colegiado do Curso de Jornalismo da UFSC; Presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Luis Fernando Assunção; Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas; Beth Costa

18h30: Palestra

Memória da Imprensa: o papel científico e pedagógico dos museus midiáticos

Palestrante: Jornalista e Prof. Luís Humberto Marcos

Museu da Imprensa, Portugal

20 horas: Coquetel

Sexta, 16 de abril

9 horas: Mesa-redonda

A história do ensino de Jornalismo e das Profissões Midiáticas (dos primórdios ao Ciespal)

Painelistas: José Marques de Melo (USP/UMESP), Ana Arruda (ABI), Eduardo Meditsch (UFSC)

Mediadora: Jornalista Beth Costa, Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas

10h45: Intervalo para café

Das 11 às 13 horas: GTs

Das 13 às 14h30: Intervalo para almoço

14h30: Mesa-redonda

A história do ensino do Jornalismo e das Profissões Midiáticas

(Do Ciespal ao Currículo Mínimo de 1984)

Erasmo de Freitas Nuzzi (Fac. Cásper Líbero), Nilson Lage (UFSC), Sonia Virgínia Moreira (UERJ)

Mediadora: Valci Zuculoto (Dep. Educação Profissional Fenaj)

16h15: Intervalo para café

Das 16h30 às 19h30: GTs

19h30: Lançamento de livros e oferecimento de coquetel

Sábado, 17 de abril

9 horas: Mesa-redonda

A história do ensino do Jornalismo e das Profissões Midiáticas (do currículo mínimo a 2004)

Adolpho Queiroz (Umesp/Unimep), Claudia Moura (PUC-RS), Francisco José Karam (UFSC)

Mediador: Gerson Martins (Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo)

10h45: Intervalo para café

11 horas: GTs

13 horas: Intervalo para almoço

14h30: Mostra de trabalhos sobre história da Mídia - Produtos Audiovisuais (Filmes, Vídeos, CDRoms, etc)

17h30: Plenária da Redealcar

18h30: Encerramento oficial

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Núcleo Gaúcho

Instalado oficialmente no dia 1 de agosto de 2003, em solenidade presidida pelo Vice-Governador Antonio Hohlfeldt, no auditório do Museu de Comunicação Hipólito José da Costa, em Porto Alegre, o Núcleo Gaúcho da Rede Alcar efetuou sua primeira reunião de trabalho, definindo agenda para os próximos encontros.

A sessão pública de instalação, coordenada pelo Diretor do Museu Hipólito da Costa, Antônio Renato Henriques, contou com a presença do Presidente da Rede Alcar, Prof. Dr. José Marques de Melo (Titular da Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação), bem como dos presidentes da Associação Riograndense de Imprensa e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, além da Representante do Secretário de Cultura do RS.

A 1ª reunião de trabalho do Núcleo Gaúcho da Rede Alfredo de Carvalho ocorreu no dia 25 de agosto, segunda-feira, às 14 horas no Museu de Comunicação e contou com a participação das seguintes pessoas:

 Denisse Medeiros – PUCRS

Leonel José de Oliveira – UNIVATES de Lajeado

Dauci Demétrio – Associação de Amigos do Museu de Comunicação

Cláudio Trarbach – TVE

Luciano Klöckner – PUCRS e UNISINOS

Neusa Ribeiro - FEEVALE/UNISINOS

Wilson Müller - Associação de Amigos do Museu de Comunicação

Celito de Grandi - Associação de Amigos do Museu de Comunicação

Sérgio Dillenburg - Associação de Amigos do Museu de Comunicação

João Borges de Souza – Jornalista

Núbia Silveira - Associação de Amigos do Museu de Comunicação e TVE

Maurício Estrázulas Vianna – Portal Cultural

Sérgio Endler – UNISINOS

Diego Duarte Eltz – PUCRS

Na reunião, foram colocadas diversas propostas em discussão, entre elas:

Realização de um concurso, premiando os melhores trabalhos na comemoração dos 200 anos da imprensa no Brasil

Comemoração conjunta dos 30 anos da TVE e Museu de Comunicação em 2004

Desenvolvimento de uma pesquisa sobre a Imprensa Italiana em Porto Alegre no início do século XX

Publicações de livros, catálogos, revistas

Realização do Seminário sobre Jornalismo Comunitário

Realização do Seminário dos 500 anos da Propaganda no Brasil

 Existem também, trabalhos já realizados ou em andamento que podem contribuir com a Rede:

Pesquisa sobre o jornal O Taquaryense, desenvolvida pela Univates

Livros e pesquisas de Sérgio Dilenburg: Imprensa e Revolução Farroupilha; Os Anos Dourados do Rádio no RS e Imprensa no RS (1845 – 1875)

Mídia e Meios de Comunicação do Vale do Sinos – Feevale

Pesquisa realizada pela Unisinos: Imprensa Alemã no Vale do Sinos

Foram ressaltados também, alguns eventos que serão realizados no próximo ano:

Abril de 2004 – Folkcomunicação

2004 – Florianópolis: Encontro Nacional da Rede ALCAR

Ficou definido também, um calendário para as reuniões da Rede, que serão realizadas sempre na última segunda-feira de cada mês. A próxima reunião ficou marcada para 29 de setembro (segunda-feira), às 14 horas no Museu de Comunicação Social.

O Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa fica na Rua dos Andradas, 959, em Porto Alegre.

Informações: Taís Pereira - Assessoria de Imprensa - Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa (51) 32 86 20 51 ou (51) 96 76 56 04
museuhjc@via-rs.net

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Núcleo Pernambucano

O Núcleo Pernambucano da Rede Alcar deverá ser instalado, no Recife, no próximo dia 12 de setembro, em solenidade prevista para o Auditório do Arquivo Público do Estado, contando com a presença do Presidente do Comitê Nacional da Rede Alcar, Prof. Dr. José Marques de Melo (Titular da Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação). O evento está sendo coordenado pelas Professoras Maria Luiza Nóbrega e Isaltina Gomes(UFPE) , Aline Greco(UNICAP) e Maria Salett Tauk (UFRPE).

Mensagem recebida no dia 19 de agosto da Prof. Maria Luiza Nóbrega antecipa algumas iniciativas do novo Núcleo:

"Tivemos uma reunião com as escolas de comunicação de PE, sábado passado, e já falamos sobre o assunto, inclusive falamos rapidamente com alguns coordenadores sobre a possibilidade de produzirmos um livro sobre a história do ensino das mídias em PE. Eu tinha começado esse projeto com meus alunos pensando no congresso do próximo ano, mas agora vamos recortar o projeto para que as várias escolas participem. Estamos tentando fazer uma estrutura formal para o núcleo de forma que as coisas não fiquem soltas. Em
princípio teremos três comitês (UFPE, UFRPE, UNICAP), um coordenador e vice,
um conselho consultivo (coordenador, vice, fundaj, arquivo, instituto historiográfico, um representante de cada universidade do comitê) As demais escolas privadas vão-se agregando ao núcleo a medida em que tenha um projeto de pesquisa concluído ou que se agreguem a um projeto de uma das três universidades do comitê. Profissionais ou professores independentes, de uma maneira geral, devem se agregar ao grupo pela produção ou pelo mesmo mecanismo de compartilhar projetos nos comitês. O meu grupo de pesquisa
História e imagens da comunicação já tem alguma experiência com trabalhos integrando várias instituições, fizemos assim os 100 anos de publicidade e deu certo. O nosso trabalho das mulheres também teve a participação de profissionais e pesquisadores e está bem interessante. Acho que essa coisa da integração dá mais trabalho, demora mais mas fica mais interessante."

Contatos: mluizanm@hotlink.com.br

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Núcleo Cearense

Edgard Patrício, diretor da ONG Catavento Comunicação e Educação Ambiental e professor da Universidade Federal do Ceará, envia o seguinte comunicado:

"Já partimos para a ação. Estamos começando a dialogar com alguns grupos de pesquisa, aqui no Ceará, que têm a história da imprensa brasileira como subsídio aos processos de pesquisa. A idéia é que possamos instalar o Núcleo da Rede Alcar no Ceará com um seminário que teria por temática algo como "A imprensa brasileira como
subsídio à pesquisa histórica", no qual poderíamos reunir grupos de pesquisa não vinculados apenas à Comunicação, mas tentando alcançar uma transversalidade
disciplinar que a história da imprensa pressupõe."

Contatos: ecologiaopovo@bol.com.br

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Núcleo Mineiro

Sandra Freitas, coordenadora do Núcleo Mineiro da Rede Alcar, relata no dia 8 de agosto as atividades em desenvolvimento nos Grupos de Divinópolis e Arcos.

"Quanto aos Grupos, o de Divinópolis já tem produção e te enviarei logo depois que me reunir com o Ricardo e um outro jornalista chamado João Sales que fez um material
interessante sobre o jornal A SEMANA de lá - teve dois anos de duração e só isso.
Vou me reunir com um pessoal de Arcos - PUC também - e com a Carmem da UFMG. Creio que já já teremos material para o jornal da REDE e em Floripa teremos uma boa produção que dê um retrato do estado todo."

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Núcleo Alagoano

A professora Rossana Gaia (CEFET-AL), juntamente com seus colegas da UFAL – Boanerges Lopes e Magnólia Rejane dos Santos e a participação do jornalista Gustavo Acioli, está diligenciando a instalação do Núcleo Alagoano da Rede Alcar.

A proposta da equipe é a de organizar em Maceió, com o apoio da FAPEAL e de outras instituições locais, um Seminário comemorativo dos 50 anos da morte de Costa Rego, o primeiro professor de jornalismo do Brasil. O evento está previsto para a primeira quinzena de março de 2004. Esperamos, na próxima edição deste jornal, anunciar o programa do evento.

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Centenário do Radialista Mário Ferraz Sampaio

A Presidente:da Fundação do Norte Fluminense – FENORTE -, Professora Ana Lúcia Sanguêdo Boynard Mendonça, com o endosso da Governadora Rosinha Garotinho (RJ), e o apoio Faculdade de Filosofia de Campos (FAFIC), bem como da Rede Alfredo de Carvalho, está lançando o CONCURSO FENORTE DE COMEMORAÇÃO DO CENTENÁRIO DO CONSOLIDADOR DA RADIODIFUSÃO NO NORTE FLUMINENSE (RJ), DR. MÁRIO FERRAZ SAMPAIO (1904 – 2004).

Reproduzimos a seguir o edital do concurso:

Realização:

Governo do Estado do Rio de Janeiro

Fundação Estadual Norte Fluminense (FENORTE)

Apoio:

Faculdade de Filosofia de Campos (FAFIC)- Curso de Comunicação Social

Rede Alfredo de Carvalho para Resgate da História da Mídia no Brasil

Objetivo

O concurso tem a finalidade de incentivar a produção e divulgação de conhecimento sobre Radialismo enquanto disciplina integrante do midiológico, estruturado em três modalidades: Impressa, Radiofônica e Videográfica.

1 – FENORTE

A FENORTE existe desde o ano de 1992, quando foi instituída pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. Inicialmente, tendo como braço científico a Uenf e até hoje responde como entidade autônoma, com personalidade jurídica de direito privado, apresentada através de Estatuto e Decreto próprio.

Desde o início, foi incumbência da FENORTE desenvolver a Uenf, e também implantar e incrementar o Parque de Alta Tecnologia do Norte Fluminense (TECNORTE), que é uma instituição de desenvolvimento tecnológico e industrial.

Cumprindo suas responsabilidades, a FENORTE vem respondendo com competência no desenvolvimento do interior do Estado do Rio de Janeiro. Por isso, hoje a instituição está diretamente ligada à Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia, com o objetivo de criar programas, projetos e convênios para a capacitação de mão-de-obra.

Considerada unidade padrão da área de administração do Governo do Estado do Rio de Janeiro, a FENORTE tem hoje novas atribuições, que cada vez mais ampliarão o seu raio de ação.

Da realização de obras diversas à oferta de serviços de alto nível, a Fundação vem se firmando como um dos mais importantes elos entre o presente e um futuro em que haverá melhor distribuição de renda, um interior efetivamente forte e um parque industrial e tecnológico ainda mais atuante. Isso sem dúvida representará melhor qualidade de vida para a população.

Regras e Procedimentos

2 – TEMAS

Os trabalhos devem ter como base temática a HISTORIA MIDIATICA desenvolvida por estudantes e pesquisadores brasileiros, conforme as três áreas abaixo descritas:

1 – Impressa — Ensaio bibliográfico sobre o tema: "Pioneiros da Radiodifusão Brasileira", podendo enfocar a trajetória do radialista Mário Ferraz Sampaio na sociedade brasileira ou a biografia de uma das figuras por ele destacadas no capítulo final do seu livro História do Rádio e da Televisão no Brasil e no Mundo.

2 – Radiofônica — Perfil biográfico de Mário Ferraz Sampaio e sua contribuição para a história da radiodifusão brasileira.

3 – Vídeográfica — Trajetória profissional de Mário Ferraz Sampaio e seu protagonismo como pioneiro da radiodifusão brasileira.

Obs 1: Os trabalhos deverão ser resultantes de pesquisas sobre os temas acima, não podendo ser adaptados de obra publicada.

Obs 2: Serão aceitos temas de pesquisas do próprio autor, desde que tenha o aval final de um pesquisador da área reconhecido por órgão de fomento oficial. (CNPq – FINEP – FAPERJ e/ou Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM )

Obs 3: Serão aceitos quaisquer formatos de pesquisa: pesquisa regular (monografias, dissertações) pesquisa de estudante de mestrado (dissertação), ou tese de doutorado, e outras desde que inéditas

3 – Categorias:

São duas as categorias de candidatos ao concurso:

3.1 – Estudante Universitário:

Destinada a estudantes universitários de cursos de Comunicação Social.

3.2 – Profissionais da Área de Comunicação Social

Destinada a portadores de diploma de nível superior nas áreas de Comunicação Social ou portadores de registro profissional definitivo.

Obs: Os trabalhos apresentados deverão ser originais e não estar inscritos em outros concursos ou festivais.

4 – Da Premiação

4.1 – Prêmio em dinheiro

Serão conferidos seis prêmios, a saber:

- Categoria Estudantes ( R$ 5000,00 para cada um )

1º - LUGAR - IMPRESSO ( Cinco mil reais )

1º - Lugar - Radiofônica – ( Cinco mil reais )

1º - Lugar Videográfica - ( Cinco mil reais )

Categoria Profissional ( R$ 5000,00 para cada um )

1º - LUGAR - IMPRESSO - ( Cinco mil reais )

1º - LUGAR - RADIOFÔNICA – ( Cinco mil reais )

1º - LUGAR VIDEOGRÁFICA – ( Cinco mil reais )

4.1.1 – A critério da Comissão Julgadora poderão ser conferidos prêmios de "Menção Honrosa"

4.1.2 – As instituições às quais pertençam os premiados na categoria "Estudante Universitário", receberão certificado de mérito.

4.1.3 – Se o trabalho premiado for elaborado em co-autoria, o prêmio será dividido entre os autores

4.2 Publicação

Os trabalhos vencedores serão publicados sob a forma de livro (ensaios impressos) e de CD Rom (trabalhos produzidos em suportes radiofônicos e vídeo gráfico).

4.2.1 — Além disso, os trabalhos premiados serão difundidos através dos seguintes mecanismos:

a) O livro será distribuído às bibliotecas das escolas de comunicação.

b) As peças radiofônicas serão irradiadas pelas emissoras vinculadas ao sistema de radio do Governo do Estado do Rio de Janeiro e demais interessadas.

c) Os vídeos-documentários serão oferecidos às TVs Universitárias Brasileiras

5 — Do Julgamento

O julgamento dos trabalhos será feito por uma comissão especialmente constituída pelas entidades patrocinadoras, integrada por subcomissões correspondentes a cada modalidade em concurso, a serem divulgadas na ocasião do anúncio do resultado.

6 — Requisitos para participação no concurso:

Os candidatos deverão se inscrever através dos formulários próprios (disponíveis na home-page ( www.tecnorte.gov.br ou www.ffc.br ) ou na sede da FENORTE, de segunda à sexta-feira, entre 09h e 17h. ver com a Ana a correção

Categoria Estudante Universitário

O candidato deverá comprovar sua matrícula em curso da área de Comunicação Social através de declaração da Instituição de ensino superior referente ao ano de 2004.

Categoria Profissional

O candidato deverá comprovar estar apto, através do diploma de conclusão de curso, e/ou copia de seu registro profissional definitivo.

6.1 – Cada participante só poderá concorrer com um único trabalho.

6.2 – Das Características dos Trabalhos :

Impressa:

O trabalho deverá ser entregue em meio magnético respeitando as normas da ABNT, e conter de 60 e 80 laudas formato A4 espaço 1,5 corpo 12 TIMES NEW ROMAN.

Radiofônica:

Os trabalhos da modalidade radiofônica deverão ter a duração entre 30 e 45 minutos apresentada em CD linguagem mp3 ou MD

Videográfica:

Os trabalhos da modalidade videográfica deverão ter a duração de 30 a 45 minutos, entregue em DVD.

6.3 – Não será aceito trabalho de candidato que tenha vínculo familiar com a instituição patrocinadora do concurso, assim como os participantes da Comissão Julgadora.

6.4 – As duas cópias do trabalho bem como a ficha de inscrição preenchida deverão ser entregues na sede da FAFIC, que fica à Avenida Visconde de Alvarenga S/N 28053-000 Parque Universitário ou através de correio com aviso de RECEBIMENTO ( AR ).

6.5 – As cópias não serão devolvidas, portanto, os candidatos não deverão enviar o original. As cópias dos trabalhos não deverão mencionar nome e/ou endereço do autor. O nome e endereço do autor deverão constar somente na ficha de inscrição que deverá vir junto com os outros documentos solicitados em envelope lacrado (vide anexo – Modelo de Inscrição).

7 — Processo de Seleção e Julgamento:

7.1 – A Comissão Julgadora será formada por profissionais de renome na área de Comunicação e indicados pela Comissão Organizadora. Os trabalhos serão analisados e definidos em três fases distintas.

1ª Fase – Os trabalhos inscritos serão divididos eqüitativamente entre os membros da Comissão Julgadora mediante sorteio. Cada jurado indicará ate 3 finalistas para a segunda fase.

2ª Fase – OS jurados reunidos reavaliação os finalistas e indicarão os vencedores de cada categoria. Não caberá nenhum tipo de recurso com relação às decisões do júri.

7.2 — Os critérios de escolha dos melhores trabalhos serão os seguintes:

a) Originalidade no desenvolvimento do tema;

b) Clareza na exposição de idéias;

c) Harmonia no desenvolvimento do argumento escolhido;

d) Contribuição do tema para a área de comunicação social.

7.3 — Os vencedores serão oficialmente comunicados no prazo de até cinco dias úteis, contados a partir da data do encerramento dos trabalhos da Comissão Julgadora, por meio de telegrama. A relação dos premiados será publicada no Diário Oficial do Estado (DOE).

7.4 — O vencedor autoriza a FENORTE e aos organizadores o uso de sua imagem e som de voz em filmes, spots, fotos, cartazes, em qualquer tipo de mídia e peças promocionais, para divulgação da conquista do prêmio. Os vencedores de cada categoria concordam em ceder os direitos dos trabalhos premiados pelo prazo de um ano, podendo ser renovados por mais um ano, se for do interesse das partes, (a contar da data da entrega dos prêmios) para que possa fazer uso deste material livremente e da forma que lhe aprouver, sem qualquer ônus aos organizadores deste concurso, desde que não sejam utilizados para fins comerciais ou políticos, sendo os prêmios concedidos considerados pagamentos pela cessão desses direitos.

7.5 — Caso seja verificado, após o anúncio do vencedor, que o mesmo não preenche quaisquer dos requisitos estipulados neste regulamento, o mesmo será desclassificado e um novo vencedor indicado e assim sucessivamente.

8 — A Comissão Julgadora

8.1 – A Comissão Julgadora com plenos poderes deliberativos, é composta pelos seguintes nomes:

Presidente de Honra do Concurso

José Marques de Melo – Presidente da Rede Alfredo de Carvalho

Presidente do Júri

Sonia Virginia Moreira – Presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

Membros do Júri

01 – Orávio de Campos Soares – Professor e Sub-Coordenador do Curso de Comunicação Social

02 – Andral Nunes Tavares - Professor e Coordenador do Curso de Comunicação Social

03 – José Amaral Argolo – Diretor da Eco ( Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ)

04 – Marco Morel – Professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ)

05 - Marialva Barbosa – Professora da Universidade Federal Fluminense ( UFF )

06 – Isabel Lustosa – Pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa

07 – Regina Coeli Sardinha – Diretora da Faculdade de Filosofia de Campos (Fafic)

08 – Linda Mara da Silva – Radialista e Assessora de Comunicação da Fenorte

09 – Elias Walter Alves – Superintendente do Tecnorte – (Parque de Alta Tecnologia).

10 – Luis Cláudio Barbosa – Vice-Diretor da Faculdade de Filosofia de Campos

11- Ana Lúcia Sanguedo Boynard Mendonça – Presidente da Fenorte – (Fundação Estadual do Norte Fluminense).

12 – José Wagner Ribeiro – Professor no Curso de Comunicação Social (Universidade Federal de Alagoas)

8.2 – A FENORTE terá o direito patrimonial de produção das obras classificadas em primeiro lugar, nas categorias Estudante Universitário e Profissional da Área de Comunicação Social, pelo prazo de até dois anos a partir da entrega dos prêmios.

9 — Comissão Executiva

9.1 – As dúvidas não previstas neste regulamento serão julgadas pela Comissão Organizadora nomeada pela FENORTE, cujas decisões são soberanas e irrecorríveis. A participação neste concurso implica na aceitação total dos itens deste Regulamento.

9.2 – A Comissão Organizadora será composta pelas seguintes pessoas:

Presidente de Honra: Dr. José Marques de Melo

Presidente: Ana Lúcia Sanguêdo Boynard Mendonça

Prof.ª Regina Coeli Sardinha (FAFIC)

Linda Mara da Silva (ASCOM/FENORTE)

Prof. Andral Nunes Tavares (FAFIC)

Prof. Orávio de Campos Soares (FAFIC)

Prof. Elias Walter Alves (TECNORTE)

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Capítulos de História da Mídia

Perfil do jornalismo brasileiro

Raquel Pinto

O jornalismo brasileiro vem construindo uma fisionomia singular. Ela se manifesta nos gêneros cultivados pelos seus produtores, mas transparece também na forma de organização do trabalho dos jornalistas dentro das empresas. Essa foi a conclusão a que o professor José Marques de Melo chegou ao elaborar um projeto de pesquisa para caracterizar a identidade assumida pela informação de atualidades no Brasil contemporâneo. O trabalho teve como meta principal constituir a análise comparativa dos processos jornalísticos, no tempo e no espaço. O resultado disso é o livro "Jornalismo Brasileiro", publicado pela Editora Sulina de Porto Alegre.

Em entrevista ao Comunique-se, o autor disse que a idéia de escrever o livro surgiu há dez anos, quando ele começou a ministrar cursos e a realizar pesquisas sobre a identidade do jornalismo brasileiro. "Desde então, tenho sido convidado a proferir palestras e conferências sobre os resultados preliminares dos meus estudos. E todo mundo me cobrava a disponibilização desses dados", disse o professor.

Daí surgiu a iniciativa de organizar um livro, capaz de suscitar o interesse das novas gerações de jornalistas pelas singularidades do jornalismo que é praticado em território nacional.

Marques de Melo disse que as fontes que usou para a construção do livro são de natureza predominatemente documental, sobretudo nos capítulos de natureza histórica. "Mas também recorri à história oral, entrevistando protagonistas da ação jornalística. Em alguns fiz aquilo que os sociólogos chamam de observação participante, tendo em vista a minha experiência como jornalista profissional há 44 anos", completou ele.

Suas maiores diculdades foram de acesso às fontes documentais sobre o jornalismo brasileiro, que segundo ele, são dispersas e imprecisas. "Infelizmente trata-se de um campo de atividades cuja velocidade operacional constitui uma barreira ao resgate dos processos cotidianos ou periódicos. Nem sempre as empresas e os profissionais da área cuidam da memória corporativa", reclama o professor. 

Marques de Melo disse que talvez sua maior surpresa tenha sido a consolidação de uma padrão singularmente brasileiro de jornalismo, que se esboça na segunda metade do século XX. O professor explica que trata-se de um padrão "mestiço", valendo-se das práticas vigentes nas sociedades hegemônicas, mas aqui ajustadas, adaptadas, transformadas, melhoradas. "Os jornalistas brasileiros têm sabido engenhosamente valer-se daquele temperamento macunaímico, canibalizando o que vem de fora para deglutí-lo caboclamente".

Hoje, o professor está trabalhando na publicação de uma série de perfis biográficos sobre os personagens que fizeram a história da mídia brasileira. 

José Marques de Melo é professor Emérito da Universidade de São Paulo, onde fundou o Departamento de Jornalismo e Editoração (Escola de Comunicações e Artes). Ali defendeu a primeira tese de doutorado em Jornalismo do Brasil, em 1973, texto aliás que está em fase de reedição, devendo ser lançado em setembro pela Editora da PUCRS, em Porto Alegre, sob o título "História Social da Imprensa". Também acaba de ser reeditada sua tese de livre-docência, defendida em 1983 na USP, sob o titulo "Jornalismo Opinativo" (Campos do Jordão, Editora Mantiqueira, 2003).

O livro foi lançado em Porto Alegre, no dia 01/08, durante um ato organizado pelo Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa. "Jornalismo Brasileiro" pode ser adquirido através de pedidos para: ed.sulina@via-rs.net. As vendas online são realizadas pelo site da editora.

Fonte: Site Comunique-se, RJ, 29/07/2003

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Jornalistas alagoanos

Gilberto de Macedo

É sobre a historia do nosso jornalismo alagoano. Se não foi, ainda feita, há que, alguém da área, realizá-la, com urgência, sobre os falecidos e aposentados. Para que não se alongue o esquecimento da comunidade, que tanto se beneficiou do trabalho dos mesmos tanto quanto continua a se fazer ainda hoje.

Nomes que, à época, com toda dificuldade no batente do dia-a-dia, noite a dentro, dedicavam–se à cansativa tarefa de oferecer aos leitores a verdade da notícia, a análise do comentário, a judiciosa crítica dos fatos. Muitos, de tão longe, já caíram no esquecimento. Mas, existem alguns na lembrança de raros contemporâneos.
Do século passado, por exemplo, nos primórdios do "Jornal de Alagoas", nomes como Rodrigues de Macedo e Luís Silveira - este, posteriormente, fundador da GAZETA DE ALAGOAS, - merecem destaque. E, a seguir, nas sucessivas gerações, há nomes que se notabilizaram por sua atuação marcante na imprensa local, e, depois, noutros centros maiores. Sem muita precisão, quanto a particularidades de atuação, citaremos alguns que nos chegam à memória, procurando seguir a ordem cronológica.

Assim, é o nome de Luiz Lavenère que assinava diariamente na GAZETA DE ALAGOAS uma coluna intitulada "A Propósito de..." na qual tecia crítica a fatos do cotidiano local.
Outros, como Jurandir Gomes, João Batista Pinheiro, Nunes Lima, José Correia, José Marques de Melo, Rubem Cavalcante, José Cavalcante Barros, Luiz Guttemberg, de estilo bem arrumado que, de muito prestígio, foi transferido para o Rio de Janeiro, onde fez brilhante carreia; Bercelino Maia e Afrânio Melo, notabilizados pela militância política; Antônio Camelo da Costa que, indo para Recife, notabilizou-se no "Diário de Pernambuco", e Esmaragdo Marroquim, no "Jornal do Commercio", também no Recife; e Carvalho Veras com múltipla e brilhante atuação; e, sobretudo, Valdemar Cavalcante, que adquiriu renome nacional. Outros, com grande destaque, foram Genésio Carvalho. Ulysses Braga Junior, Valente de Lima em "O Semeador", Monsenhor Valente.
E há também, o caso de Dênis Agra, periodista de fino trato e bravura política.
Sem esquecer Lindalvo Lins, Josué Júnior, Zadir Cassele, Carivaldo Brandão e outros.
Ainda, há o nome heróico de Donizeti Calheiros, de estilo ferino, direto e corajoso, que dizia a verdade sem meios-termos, tanto assim que foi vítima de estúpido espancamento a mando do então interventor do Estado. Como particularidade física, Donizeti, em conseqüência de acidente, teve uma perna amputada, tempos antes. Mesmo assim, desempenhava sua atividade com altivez e denodo, não se intimidando com a referida brutal e covarde agressão. Foi um exemplo de herói-jornalista.

E o nome notabilizado de Freitas Neto. Em épocas posteriores, os irmãos Jambo (Arnoldo e Alberto), que marcaram época em suas atividades. E outros, que o autor destas linhas, por não ser da área, não gravou os nomes. Mesmo porque a intenção desta nota não é fazer, nem mesmo um esboço da história do jornalismo nas Alagoas, tarefa para os que, com suas inteligências, labutam no campo.

É exigência da importância social dessa atividade profissional, conforme a exaltação de Leon Daudet: "Não há profissão mais bela, mais interessante que a de jornalista."
Que se faça, pois, a historia dessa profissão em nossa terra.

Se já foi feita, que se a divulgue mais à comunidade. Há interesse geral a respeito. A vetusta e ética Associação Alagoana de Impressa, sob a competente presidência de Laurentino Veiga, merece todo apoio para empreender essa tarefa.

Fonte: Gazeta de Alagoas, Maceió, 6/8/2003

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Roberto Marinho, timoneiro midiático

José Marques de Melo

A morte de Roberto Marinho, aos 98 anos de idade, encerra capítulo importante na vida jornalística brasileira, simbolizando um divisor de águas no panorama da nossa indústria midiática.

O capítulo por ele protagonizado refere-se à saga dos jovens herdeiros que foram capazes de continuar e consolidar os empreendimentos recebidos como legado paterno, transferindo às novas gerações patrimônio sólido e projetos viáveis. O império comunicacional que ele entrega aos filhos e netos tem todas as condições para superar as dificuldades conjunturais, trilhando o caminho do sucesso até agora logrado pelo seu timoneiro.

O divisor de águas encontra-se na sua precoce compreensão de que o negócio midiático é regido por engrenagens multinacionais, embora seus conteúdos possuam forte conotação nacional/regional. Sua convicção a respeito do papel do capital estrangeiro nas economias emergentes e sua cruzada para torná-lo fator de crescimento das empresas midiáticas sem dúvida influíram na recente mudança do artigo 222 da nossa Constituição.

Quando ousou, nos idos de 60, associar-se ao conglomerado Time-Life, assimilando conhecimento e tecnologia testados no país que sempre esteve na vanguarda da indústria cultural, Roberto Marinho enfrentou a exacerbação irada dos movimentos nacionalistas. Obrigado a rescindir contratos e reformular metas, demonstrou, com o passar do tempo, que tal estratégia não continha ingredientes anti-patrióticos.

Sua empresa televisiva, ancorada no aprendizado com os assessores estrangeiros, foi capaz de modernizar-se e dinamizar-se, sem perder sua fisionomia brasileira. Ao contrário, perfilou um modelo de difusão cultural que nos fez resgatar as raízes populares da nacionalidade, propiciando uma maior sintonia entre o país e suas tradições simbólicas. Além disso, contribuiu para cimentar o processo de integração nacional que havia sido iniciado pelas vias costeiras, no regime imperial, e intensificado através das estradas de rodagem ou das linhas aéreas, durante a fase republicana.

Mais recentemente, depois de haver conquistado a hegemonia no mercado nacional, sua indústria de entretenimento potencializou a inserção da cultura brasileira na aldeia global. A exportação de telenovelas, musicais e espetáculos desportivos tem propiciado a expansão das nossas fronteiras intelectuais, dando visibilidade ao país e ao seu povo. Nesse sentido, as Organizações Roberto Marinho fizeram, em pouco mais de uma década, aquilo que o Itamarati não logrou, durante quase dois séculos da nossa vida independente.

Ao fazer o inventário da saga midiática de Roberto Marinho torna-se necessário destacar sua concepção jornalística, eivada de princípios liberais e compromissos democráticos. Desde que assumiu a direção do jornal O Globo, na década de 30, ele se mostrou fiel ao ideário do pai, Irineu Marinho, imprimindo uma linha editorial marcada pela objetividade informativa e pelo pluralismo de opinião.

Não obstante o jornal tenha sido concebido como veículo politicamente independente, isso nunca significou a sua abstenção diante das grandes questões nacionais. Coube a Roberto Marinho definir com argúcia, serenidade e determinação os rumos a serem assumidos nos editoriais e na política institucional. Mesmo tendo optado pelo endosso aos regimes autoritários instaurados pelos movimentos militares de 30 ou 64, nunca claudicou diante da censura. Manteve sempre um comportamento de defesa da liberdade de expressão, condenando a ingerência do aparato governamental nos conteúdos a serem difundidos e na composição das suas equipes profissionais.

Momentos houve em que suas empresas sofreram represálias políticas e danos econômicos. A proibição da telenovela Roque Santeiro durante o regime militar foi emblemática, contabilizando prejuízo material e frustração psicológica. Por isso mesmo é que seu remake converteu-se em símbolo da reconquista das liberdades públicas na alvorada da Nova República, talvez para compensar a falta de sensibilidade da TV Globo ao negar legitimação ao movimento popular pelas diretas-já, quando a ditadura já exibia evidentes sinais de esgotamento.

Acertando o passo com a reconstrução da vida democrática, em nosso país, as Organizações Roberto Marinho respaldaram os governos vitoriosos nas urnas, de Collor a Lula. Seu termômetro tem sido a opinião pública. Elas perfilaram também uma trajetória de expansão convergente dos seus negócios no setor midiático, até mesmo pela necessidade de enfrentar a concorrência que se fortalece no segmento televisivo (Grupo Silvio Santos e Rede Record) ou engendrando estratégias de cooperação empresarial, seja com parceiros nacionais (Valor Econômico) ou multinacionais (TV por satélite).

Qual a fórmula responsável pelo êxito de Roberto Marinho como timoneiro midiático ? Ela reside na gestão profissionalizada das suas empresas. Essa opção ele adota ainda muito jovem, quando após a morte do pai, confia a direção de O Globo ao jornalista Euricles de Mattos. Ele sempre procurou cercar-se de profissionais competentes, como Herbert Moses, Walter Poyares ou Walter Clark, aconselhando-se antes de tomar decisões de peso ou transferindo-lhes responsabilidades executivas em unidades do conglomerado.

Sua longevidade garantiu a preparação dos filhos para assumir o comando dos negócios e a operação das empresas, da mesma forma que ele aprendera precocemente com seu pai o ofício jornalístico.

Em se tratando de organizações profissionalizadas, seus herdeiros terão mais chance de êxito do que os sucessores daquelas empresas nutridas segundo padrões estritamente familiares.

Fonte: Valor Econômico, 8/8/2003

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Jorge Calmón, ponto de referência no jornalismo baiano

Sérgio Mattos

Desde o momento em que fui convidado para escrever sobre o jornalista Jorge Calmon – o Dr. Jorge, como o chamávamos na redação do jornal A Tarde -, com a missão de, num espaço máximo de quatro laudas, esboçar um perfil da figura do Jornalista Maior que ele é, senti o peso desta responsabilidade. Várias pessoas já destacaram as suas inúmeras qualidades. Repeti-las, acrescentando outras seria fácil. Difícil é encontrar uma outra qualidade que não tenha sido ainda lembrada e registrada.

Partindo desta constatação, optei por dar um testemunho objetivo, conciso e preciso. Um relato sobre este profissional que merece, mas reluta em aceitar homenagens e elogios, pois os considera exagerados. Na verdade, todas as homenagens que já lhe foram prestadas em vida estão aquém das que ele realmente merece, principalmente por sua atuação, não apenas como jornalista, mas como homem comprometido com a cultura e a preservação das entidades culturais da Bahia.

Quem não teve o privilégio de conviver no dia-a-dia de uma redação, sob o comando deste profissional da imprensa, não pode imaginar que por traz de sua figura tranqüila - a imagem clássica de um verdadeiro gentleman - existe um jornalista cheio de energia, possuidor de uma força de vontade capaz de mover montanhas para defender os interesses da Bahia.

Esta é uma qualidade, entre outras, que gostaria de destacar, pois a imagem do jornalista Jorge Calmon se confunde com a imagem do cidadão consciente, do homem público que sempre soube exercer o seu ofício em benefício da comunidade. Além de mestre do jornalismo, emérito professor universitário e historiador, com vários livros publicados, ele se projetou como uma das personalidades mais marcantes da Bahia e que continua sendo ouvido e consultado por dirigentes de várias entidades baianas.

Consciente das funções sociais que um jornal deve desempenhar junto à comunidade, com equilíbrio e senso de percepção, enquanto esteve à frente do jornal A Tarde, ele soube dar continuidade aos objetivos traçados por Simões filho, ajudando a transformar aquele jornal, durante o século passado, num porta-voz das minorias e injustiçados, defendendo, em campanhas memoráveis, os interesses da Bahia. Sob seu comando, o jornal de Simões Filho tinha a Cara da Bahia e quando queríamos saber o que acontecia na terra, bastava ler aquele veículo, que já foi considerado inclusive como sendo uma instituição baiana devido aos laços que mantinha com a cultura e as tradições locais, dando espaço a todas as manifestações culturais, políticas, religiosas, sociais e econômicas que aqui aconteciam. Graças à visão e preocupação de se praticar um jornalismo correto e honesto, participativo e ético (conceitos transmitidos a toda a equipe que com ele trabalhou), aquele jornal, sob sua direção, interagia com credibilidade no contexto da comunidade no qual estava inserido.

Como escreveu Jorge Amado, o escritor maior da Bahia, "sem ser político, Jorge Calmon, exerceu cargos políticos e administrativos com capacidade e zelo, sem falar na extrema integridade que caracterizou (e caracteriza) sua atuação. Dedicou-se, sobretudo, a apoiar e incentivar organizações culturais do quilate da Academia de Letras da Bahia e da Associação Bahiana de Imprensa, centros definitivos e indispensáveis da cultura de um Estado".

Doutor Jorge foi o responsável direto por inúmeras campanhas vitoriosas realizadas pelo jornal A Tarde, haja vista a campanha contra a Divisão Territorial da Bahia entre muitas outras. Graças à sua determinação e seu amor pela terra e pela cultura baiana, o mapa da Bahia continua o mesmo e muitas instituições culturais, como a Academia de Letras da Bahia(ALB), a Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), para citar apenas algumas, foram beneficiados, direta e indiretamente, por sua atuação e influência no sentido de restaurar, preservar e modernizar suas respectivas sedes.

Sua atuação na condução da linha editorial do jornal, por mais de 60 anos, contribuiu diretamente para o sucesso que A Tarde conseguiu angariar no século passado. A atuação firme do então diretor-redator-chefe, se constitui também em um marco referencial para o jornalismo baiano. Jorge Calmon passou a ser o ponto de referência do sucesso alcançado pelo jornal fundado por Simões Filho.

Dr. Jorge soube assimilar o dinamismo, a sagacidade e o espírito determinado de Simões Filho. E exatamente por isso, historicamente, ele também ‚ se constitui num referencial para qualquer jornalista e deve ser objeto de estudo de monografias e teses, nas Faculdades de Jornalismo e cursos de pós-graduação em comunicação, cujos autores queiram entender e registrar sua participação e influência na história do jornalismo da Bahia. Quem vier a escrever sobre a história da imprensa baiana e não se dedicar à figura e atuação de Jorge Calmon e sua participação no desenvolvimento da mesma fará um trabalho incompleto. Isso porque sua influência está evidenciada por mais de meio século de atuação.

Conviver com ele e trabalhar sob seu comando‚ foi um privilégio e uma certeza de que todos os dias aprendi algo novo. Suas observações, críticas ou elogiosas, sempre foram pertinentes e equilibradas. Como diretor-redator-chefe ele soube ser duro e condescendente. Soube ser justo e exigente. Soube também como valorizar o empenho e a dedicação dos colegas e nunca deixou de estimular os jovens, abrindo-lhes oportunidades, desde que possuíssem dinamismo, garra e agressividade - atributos que ele considera natos de um bom jornalista e com os quais ele mesmo se identifica.

Fonte: Tribuna da Bahia, 28/07/2003

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Dados Biográficos de Jorge Calmon

Filho do comerciante Pedro Calmon Freire Bittencourt e de Maria Romana Moniz de Aragão Calmon de Bittencout, Jorge Calmon nasceu a 7 de julho de 1915, na rua do Genipapeiro, no bairro de Nazaré, em Salvador. Foi no jardim de infância mantido pela profa. Laura Barbuda onde fez seus primeiros estudos, concluindo o segundo grau no Colégio Antonio Vieira. Ingressou mais tarde na Faculdade de Direito da Bahia, diplomando-se em 1937. Em 12 de junho de 1948 casou-se com Leonor Calmon com quem teve seis filhos: Maria Romana, Maria Edith, Mário, Maria Virginia, Maria Tereza e Jorge Filho.

Um ano depois de formado, em 1938, já demonstrando sua tendência cultural, fundou, juntamente com Pinto de Aguiar, a Editora Cruzeiro, que publicou entre outros clássicos "O Rio São Francisco e a Chapada Diamantina", de Teodoro Sampaio.

Suas atividades profissionais estão distribuídas por quatro setores básicos: o jornalismo, o serviço público, o magistério e a política. Como reconhecimento nestas atividades ele também foi condecorado e recebeu vários títulos. A seguir suas principais atividades:

Jornalismo - Na Faculdade de Direito desenvolveu intensa atividade política, participando da direção da Associação Universitária da Bahia, quando participou da campanha pela construção da Casa do estudante e executou sua primeira atividade jornalística ao editar o órgão oficial da Associação.

Começou no jornal A Tarde ainda quando estudante universitário, no ano de 1934, por recomendação do seu irmão Pedro, que mantinha boas relações com Simões Filho. Depois de um longo estágio como auxiliar de arquivo e realizando reportagens eventuais, Jorge Calmon foi definitivamente contratado como repórter no dia 1º de fevereiro de 1935, com a função de cobrir os acontecimentos da cidade.

Um ano depois de formado, em 1938, fundou, juntamente com Pinto de Aguiar, a Editora Cruzeiro, que publicou entre outros clássicos "O Rio São Francisco e a Chapada Diamantina" de Teodoro Sampaio.

Como jornalista foi repórter, redator e secretário(1935), Redator-Chefe (1949) e Diretor-Redator Chefe(1971-1996). Foi presidente da Rádio Cultura da Bahia(1955); membro do Grupo de Trabalho nomeado pelo Presidente da Republica para estruturar a Agência Brasileira de Noticias (1961), membro da Comissão de Liberdade de Imprensa da Sociedade Interamericana de Imprensa e Presidente da Associação Bahiana de Imprensa (1970-1972).

Serviço Público - Foi diretor da Biblioteca Publica do Estado (1938-1942), editando um boletim informativo mensal e duplicando, em sua gestão, o total de volumes à disposição do publico. De 1955 a 1963 não exerceu cargos públicos, dedicando-se ao jornalismo e ao magistério, lecionando História das Américas na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia. Em 1963 foi nomeado Secretário do Interior e Justiça, durante o Governo de Lomanto Junior, permanecendo no cargo até 1966. Foi Secretário da Justiça (1966-1967) e Ministro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (1967-1971).Em 1969 foi nomeado relator das Contas do Governador, apresentando na oportunidade um amplo estudo sobre a situação econômica e financeira do Estado no ano de 1968. Em 1979, reconhecendo a colaboração que o Conselheiro prestara com seus trabalhos, o Tribunal de Contas outorgou-lhe a Medalha do Mérito Ruy Barbosa.

Política - De 1947 a 1955, Jorge Calmon foi eleito e reeleito deputado estadual, primeiro pela União Democrática Nacional e depois pelo Partido Libertador. Como deputado participou dos trabalhos da primeira Constituição do estado da Bahia, contribuindo com o artigo constitucional que assegurou ao município de Salvador a sua Lei Orgânica. Pode-se destacar também como sua efetiva participação parlamentar a preparação do anteprojeto da Lei Orgânica do Município de Salvador, os estudos sobre o êxodo de baianos para São Paulo, sobre os preços do petróleo baiano, sobre as tarifas de água e a decadência das estradas de ferro. Destacam-se ainda seus pareceres técnicos sobre a reforma do Tribunal de Contas do estado da Bahia e do Instituto de Cacau da Bahia.

Magistério – Jorge Calmon iniciou suas atividades no magistério no ano de 1941, como professor de Português e História do Comércio na Escola Comercial Feminina da Bahia. Naquele mesmo ano foi nomeado Professor Catedrático de História Americana da Faculdade de Filosofia da Bahia, atual Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia, da qual foi um dos professores fundadores, mantendo-se em atividade até julho de 1985, quando se aposentou. Na área do magistério superior exerceu vários cargos e funções, participando também de inúmeras comissões, dentre os quais foi chefe dos Departamentos de Jornalismo e de História, vice-diretor da Faculdade de Filosofia (1961-1964) e Presidente do Núcleo da Bahia da Associação Nacional dos Professores Universitários de História (1961-l962). Foi professor voluntário de Técnica de Jornal no Curso de Jornalismo da Faculdade de Filosofia da Universidade da Bahia (1956) e organizador, a convite do Reitor da Universidade, do segundo e atual Curso de Jornalismo e chefe do respectivo Departamento (1961).

Títulos – Entre os inúmeros títulos que Jorge Calmon possui destacam-se: Professor Emérito da Universidade Federal da Bahia; Membro Benfeitor e ex-presidente da Academia de Letras da Bahia; Sócio Benemérito e ex-presidente da Associação Bahiana de Imprensa; Membro da Academia Brasileira de Historia; Administrador do Ano (1984) outorgado pela Escola de Administração da UFBA; Cavalheiro da Ordem de Malta; além de outros títulos de destaque Jorge Calmon é também Cidadão Honorário de Ilhéus, Itabuna, Juazeiro, Feira de Santana, Santo Amaro, Ubaitaba, Coaraci e Uauá.

Condecorações – Entre inúmeras condecorações, destacam-se Ordem do Mérito da Bahia, no grau de Grande Oficial; Ordem do Mérito das Comunicações, Grande Oficial; Medalha Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras; Medalha do Mérito Jornalístico, da ABI-BA; Medalha Thomé de Souza, da Câmara Municipal de Salvador; Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, no grau de Oficial; Medalha do Mérito Ruy Barbosa, do Tribunal de Contas do Estado; Medalha Ana Néri, da Sociedade Brasileira de Educação e Integração, de São Paulo; Medalha do Mérito astro Alves, da Secretaria de Educação do Estado da Bahia; Medalha do Pacificador, do Exercito Brasileiro; Medalha do Mérito Tamandaré, da Marinha de Guerra, Medalha do Mérito Marechal Argolo, Visconde de Itaparica, da Policia Militar da Bahia; Ordem do Infante D. Henrique, de Portugal, no grau de Comendador, Comenda de Numero de 1ª Ordem Del Mérito Civil, da Espanha; Comenda Del Mérito Civil da Republica do Chile.

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Coleção do Correio Braziliense disponível na IMESP

Olhar o passado, buscar, conhecer, refletir e entender a história da sociedade brasileira. Pensando nisso, a IMESP - Imprensa Oficial do Estado de São Paulo uniu-se com o Correio Braziliense (jornal mantido pelo Condomínio dos Diários Associados, em Brasília)e o Instituto Uniemp (sediado em São Paulo) para reeditamro primeiro jornal brasileiro " Correio Braziliense" - publicado em Londres entre 1808 e 1822 por Hipólito José da Costa.

A coleção completa tem 31 volumes - capa flexível – sendo 29 volumes contendo os originais de textos do jornal Correio Braziliense editados entre 1808 e 1822, um volume índice e outro volume com textos e comentários de pesquisadores e análises do trabalho do jornalista.
Correio Braziliense ou Armazém Literário / Hipólito José da Costa (1808 e 1822)
Mais informações:IMESP

(11) 6099-9626, 6099-9421, 6099-9423 , 6099-9621 e telefax: (11) 6099-9623

Preço da Coleção Completa

À vista: R$600,00

Exemplar Avulso = R$20,00

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Carlito Maia, publicitário irreverente

Niza Souza

Carlito Maia era um humanitário. Essa é a definição do publicitário Erazê Martinho, autor do livro biográfico Carlito Maia - A Irreverência Equilibrista, sétimo título da coleção Paulicéia, da editora Boitempo, que será lançado hoje.

Mineiro, nascido em Lavras, Carlito adotou São Paulo como cidade do coração e foi onde viveu até sua morte, no ano passado, aos 78 anos de idade.

O publicitário - ou "homem da comunicação", como preferia ser chamado - acabou por tornar-se um importante personagem da história da metrópole e conhecido no restante do Brasil. Nunca perdeu de vista seus ideais. "Ele não chorou a perda de nada. Esse era o brilho dele. Em primeiro lugar estava o que acreditava. O resto vinha depois, inclusive os negócios", testemunha Martinho.

Por essas e outras, Carlito Maia ganha agora essa homenagem. A editora Boitempo o escolheu como uma das personalidades de São Paulo para serem resgatadas e documentadas na coletânea Paulicéia, ao lado de Adoniran Barbosa, Cândido Portinari e Sérgio Buarque de Holanda. "Foi uma feliz escolha", acredita o autor, que teve Maia como grande amigo e referencial.

Mas escrever um livro é uma missão um tanto contraditória para um publicitário. "Como escrever 300 páginas se o próprio Carlito sempre me ensinou a condensar as idéias?", questionou-se o autor, quando recebeu o convite da editora, por indicação do publicitário Ercílio Tanjan. Apesar dos conflitos e aflições - este é o primeiro livro do autor e o prazo para entrega do material foi de apenas dois meses -, ele nunca pensou em recusar.

Fonte: O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 11/08/2003

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Cinema brasileiro: a censura durante o regime autoritário 1964-1988

Ubiratan Brasil

A atriz Leonor Souza Pinto sempre se interessou em alimentar uma vida acadêmica, mas não encontrava um tema instigante. Até que uma pergunta de sua filha de 9 anos surgiu como uma luz: o que era censura? "Percebi que as novas gerações desconheciam um fato marcante da cultura brasileira, que estava desaparecendo simplesmente por falta de pesquisas e discussões", conta Leonor que, a partir de 1996, mergulhou em uma minuciosa pesquisa, que resultou na elaboração de um banco de dados que mapeia a ação da censura sobre o cinema brasileiro entre 1964 e 1988. O material, além de render um CD-ROM e um projeto de disponibilização digital, também é o tema da palestra que Leonor faz hoje, ao meio-dia, na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Leonor enfrentou um tortuoso caminho até descobrir toda a documentação necessária, ou seja, os processos de censura dos filmes, que estavam espalhados pelo Departamento de Ordem Pública e Social (Dops) e Arquivo Nacional. "Senti uma grande necessidade de tratar do assunto, pois, além de ter vivido pouco tempo sob a ação da censura, mesmo as lembranças escassas eram muito fortes."

Ela se refere à proibição do longa Pra Frente Brasil, de Roberto Farias, censurado em 1982, por fazer referências explícitas à prática da tortura durante o governo militar. "Lembro quando assisti ao filme pela primeira vez: na saída do cinema, as pessoas estavam cabisbaixas, pois a maioria sofreu realmente a opressão daquele período", conta a pesquisadora. "Essas lembranças, aliadas à dúvida da minha filha, me convenceram de que tema necessitava de uma urgente pesquisa."

Leonor estava na Alemanha, em 1990, quando começou a pesquisa. Em uma notícia publicada pelo Jornal do Brasil, ela descobriu que todos os processos oficiais da censura tinham sido entregues ao Arquivo Nacional, em Brasília. Eram caixas carregadas, que necessitaram de dez viagens diárias de Kombis para todo material ser reunido. "Se colocadas lado a lado, as caixas formariam uma linha de sete quilômetros de extensão", conta, impressionada.

Já vivendo na França e disposta a realizar seu doutorado em cinema, Leonor iniciou uma peregrinação de dois anos voltando ao Brasil por conta própria, em rápidas viagens, até obter uma bolsa que garantiu sua permanência durante seis meses. O pior ainda estava por vir - apesar do vastíssimo material, o Arquivo Nacional forneceu-lhe uma pequena lista de filmes já catalogados.

"Além disso, o processo era muito demorado."

Leonor começou, então, a pesquisar em arquivos de jornais e revistas, além de entrevistar os próprios cineastas - a partir do material de que dispunha e do que acreditava ser possível consultar, ela listou 79 filmes nacionais do período entre 1964 e 1988. Eram longas realizados por 26 cineastas, dos quais três se apresentavam com a filmografia do período completa: Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Lúcia Murat.

Depois das conversas e da análise detalhada de 28 processos, Leonor desvendou a ação terrível e violenta da censura. "Além do veto às suas obras, Glauber, Nelson e Ruy Guerra eram também permanentemente seguidos", conta Leonor que, a partir de um processo, conseguiu detalhes da vida de Guerra que o deixou surpreso. "Em um determinado dia, foi possível dizer o que ele fez hora a hora, com quem falou e quem foi à sua casa."

Ao entrevistar Lúcia Rocha, mãe de Glauber, Leonor descobriu que o cineasta sabia da perseguição, mas sua angústia era apontada como paranóia. "Segundo ela, Glauber ficava desesperado, apontando pessoas que cruzavam constantemente a janela da sua casa, sem que ninguém acreditasse", conta a pesquisadora.

Outro caso grave envolveu Nelson Pereira dos Santos. Em 1966, depois de um período vivido em Brasília, ele voltou ao Rio, onde realizou um projeto elaborado, quando estava na Capital Federal. Tratava-se de uma sátira urbana, em que um surfista (o primeiro papel vivido por Arduíno Colassanti) tinha um pai general. "O filme chamou-se El Justiceiro e era uma alegoria que ironizava os militares", conta. "Mas, apesar de inicialmente liberado, o longa foi logo totalmente censurado."

Pior: as cópias foram confiscadas, até mesmo os negativos que estavam no laboratório Líder. Em pouco tempo, Nelson percebeu que não havia mais nenhum vestígio do filme, nem mesmo os documentos da censura. "A intenção, parecia, era confirmar a inexistência do longa", observa Leonor, que encontrou apenas um único documento sobre El Justiceiro - tratava-se de um memorando reservado da Marinha em que o diretor da censura tentava explicar a impossibilidade de confiscar um filme que já tinha sido liberado.

Quando apresentou o documento ao cineasta, durante uma entrevista, a câmera de Leonor gravou uma reação exaltada: "Nelson ficou eufórico, pois fazia anos que buscava uma comprovação de que realizara o filme." Em sua pesquisa, Leonor notou também que, a partir dos anos 1980, os censores deixaram de implicar com os filmes para cinema e se debruçaram sobre os exibidos na televisão (leia sobre Pixote, ao lado). "Nessa época, muitos cineastas tinham desistido de filmar por conta da perseguição ou então realizavam obras difíceis", conta. "Se por um lado ofereciam sua resistência, por outro os cineastas afastaram-se do público."

Surgiu também uma tática eficiente: como sabiam que enfrentariam cortes, os cineastas passaram a incorporar cenas dispensáveis em seus filmes, que seriam oferecidas como opção de corte aos censores, preservando cenas essenciais. "Os censores sabiam o que faziam, apesar do tom jocoso com que eram tratados", comenta Leonor. "Apesar do tom absurdo e hilariante dos textos que escreviam, acredito que isso era uma estratégia bem elaborada do governo militar."

Leonor, que recentemente terminou de rodar O Brilho das Coisas, filme de Helena Solberg, prepara com a Universidade Federal Fluminense um CD-ROM, além da disponibilização do material em arquivos digitalizados. Também a pesquisa, defendida como tese na universidade de Toulouse, na França, deverá ser editada.

Fonte: O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 12/08/2003

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A saga de Barbosa Lima Sobrinho

Beatriz Coelho Silva

RIO - A saga de Barbosa Lima Sobrinho, o político e jornalista que viveu e/ou fez acontecer os principais fatos da história brasileira no século 20 será contada em DVD e num filme de longa-metragem. A iniciativa é do filho dele, Fernando Barbosa Lima, também jornalista, que reuniu mais de 200 horas de programas de televisão sobre o pai e começa a organizar o material para o DVD, a ser distribuído em escolas públicas e bibliotecas até o fim do ano. O filme fica pronto em 2004, com direção de Luiz Fernando Goulart, que foi produtor de Jango e Os Anos JK, e participa da pesquisa para o disco.

Fernando Barbosa Lima produz o DVD para ensinar aos jovens quem foi seu pai, mas garante que será objetivo. Experiência não lhe falta. Já dirigiu emissoras (TV Educativa, TV Manchete e TV Bandeirantes), criou programas (Conexão Internacional, em que Roberto D'Ávilla entrevistou personalidades como Federico Fellini e Nelson Mandela) e hoje tem sua produtora, a FBL.

"Difícil é é selecionar o material. Meu pai deu muitas entrevistas a partir dos anos 80 e todo mundo cedeu imagens. Até a Globo, que mandou o filme com o desfile escola de samba União da Ilha em 1999, em sua homenagem", adianta.

"Vamos assistir ao material e decidir como dividiremos o DVD, que tem ampla gama de possibilidades."

Goulart prefere a emoção. Mais que cinebiografia, ele contará a influência de Barbosa Lima no século 20, mas incluirá aspectos da vida pessoal. "Quero entender como e por que um homem bem-sucedido sai de seu conforto para cuidar do bem comum, o que o leva a colocar o País acima de seu desejo", adianta. Ele vai usar o material do DVD, mas buscará imagens anteriores aos anos 80, porque até então as emissoras de televisão não arquivaram programas. "Felizmente, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) do Estado Novo (1937/1945) registrou a vida oficial brasileira e a população criou o hábito de assisti-la em cinejornais. A pesquisa será alentada porque sua biografia se confunde com a história do século 20."

Barbosa Lima Sobrinho atravessou quase três séculos, pois nasceu em janeiro de 1897 e morreu em julho de 2000. Era pernambucano de uma família da elite e pautou sua vida por um nacionalismo que muitas vezes se confundia com idéias de esquerda. Viveu as duas grandes guerras mundiais, lutou contra as duas ditaduras brasileiras que assolaram o Brasil no século 20 (o Estado Novo e militar), fundou e foi o mais jovem presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), nos anos 30, e também o mais velho, no fim da vida. Escreveu cerca de 80 livros e publicou quase 4 mil artigos de jornais, o último na mesma semana de sua morte.

Fatos políticos importantes foram protagonizados por ele, como a anticandidatura do presidente do MDB, em 1973 (ele foi o vice, num ato que protestava contra a eleição indireta e a cassação de parlamentares), a campanha das Diretas Já em 1984 e o impeachment do presidente Fernando Collor, em 1992, de cujo pedido na Justiça ele foi um dos signatários. Sabia sua importância para o País e orgulhava-se de corresponder à expectativa.

"Quero que alguém encontre nos artigos que escrevi uma só palavra que não tenha sido em defesa do Brasil", disse ele ao completar 100 anos em 1997.

"Tomei todas as atitudes que deveria tomar em todas as idades." É por isso que, mesmo sem ter ainda o orçamento definido ou o formato decidido, Fernando Barbosa Lima e Goulart já escolheram o título de seus trabalhos. O DVD vai se chamar Um Cidadão Brasileiro e o filme, Um Homem de Três Séculos.

Fonte: O Estado de S. Paulo, 25/08/2003

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