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JORNAL DA REDE ALCAR
Ano 3, N. 3001 de junho de 2003

Editores:  
José Marques de Melo (UNESCO/UMESP) / e-mail: marquesmelo@uol.com.br
e Francisco Karam (FENAJ/UFSC) / e-mail: fjkaram@terra.com.br

Edição Digital:
Profa. Maria Cristina Gobbi e Allan Peterson dos Reis (UMESP)

Sítio Digital:
Prof. Clovis Geyer e Ana Paula de Souza (UFSC)
www.jornalismo.ufsc.br/redealcar

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Rede Alfredo de Carvalho para o resgate da memória e a construção da história da imprensa no Brasil
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Colaboradores desta edição:
Marco Morel (Rio de Janeiro), Marialva Barbosa (Rio de Janeiro), Roseane Pinheiro (Maranhão), Adam Goodheart (New York), Alberto Manguel (Mondion, França), Mário Pontes (Rio de Janeiro), Mauro Dias (São Paulo), Wander Soares (São Paulo), Mirian Abreu (Rio de Janeiro), Cristiane Costa (Rio de Janeiro), Catherina Epprecht (Rio de Janeiro), Robert Darnton (Princeton, EUA), Manuel Correia de Andrade (Pernambuco), Mário Helio (Pernambuco), Beatriz Coelho Silva (São Paulo), Maria do Rosário Caetano (São Paulo), Miriam Abreu (São Paulo), Fernanda Couto (Rio de Janeiro), Luiz Sérgio Santos (Ceará), José Brandão (Portugal)

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Sumário:

1 - Rio de Janeiro sedia encontro nacional da Rede Alcar

2 - História da Imprensa no Brasil: metodologia para o inventário 1808-2008

3 - Rede Alcar nos 125 anos do jornal "O Fluminense"

4 - Jornais Maranhenses fizeram aniversário no Dia do Trabalhador

5 - História da comunicação por sinais gráficos perde jóias do tesouro da Babilônia

6 - Saques do pós-guerra apagam a história da escrita no Iraque

7 - Amiquilando o passado: Vandalismo em Bagdá

8 - O passado austríaco do crítico Otto Maria Carpeaux

9 - Marcos Lázaro: precursor brasileiro da indústria do entretenimento

10 - O livro e a leitura: impacto das novas tecnologias de informação

11 - Jornalista conta a história do Brasil em fascículos, agora reunidos em livro

12 - O Jovem Jornalista Glauber Rocha

13 - Gilberto Freyre: o teórico e o empírico

14 - A Guerra de Julio Mesquita

15 - World Wide Web completa uma década de existência

16 - 100 anos de Ary Barroso: comemoração antecipada pela mídia e show business

17 - Associação Brasileira de Cinematografia homenageia o fotógrafo Thomaz Farkas

18 - Record recupera e organiza arquivo de 50 anos

19 - Editora do Autor: gênese e ressurgimento

20 - Biografia de Rui Facó, jornalista que resgatou epopéia de cangaceiros e fanáticos

21 - Os livros e a censura em Portugal

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1 - Rio de Janeiro sedia encontro nacional da Rede Alcar

O I Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvallho, mutirão intelectual destinado a resgatar a memória midiática brasileira, realiza-se na cidade do Rio de Janeiro, a partir de domingo, 1 de junho (Dia Nacional da Imprensa). O evento foi planejado e estruturado sob a direção do Prof. Dr. José Marques de Melo, titular da Cátedra UNESCO/UMESP e idelizador da Rede Alcar, contando com a participação de Ana Arruda Callado (ABI), Marco Morel (UERJ), Marialva Barbosa (UFF), Esther Bertoletti (MINC) e Claudia Chaves (UniCarioca).

Participa do evento uma centena de pesquisadores provenientes de quase todos os Estados brasileiros, convocados para discutir o tema "Mídia Brasileira: 2 séculos de Historia". Cerca de 72 trabalhos foram inscritos distribuidos em 6 GTs - Grupos de Trabalho - assim constituíduos: Míida Impressa - 21 comunicações (coordenado por Marialva Barbosa - UFF), Mídia Sonoro - 6 comunicações (coordenado por Sonia Virginia Moreira - UERJ), Mídia Visual - 12 comunicações (coordenado por Sonia Bibe Luyten - UNISANTOS), Mídia Audiovisual - 14 comunicações (coordenado por Marlene Blois - UniCarioca), Mídia Digital - 1 comunicação (coordenado por Antonio Brasil - UERJ) e Mídia Persuasiva - 18 comunicações (coordenado por Adolpho Queiroz - UMESP).

Além das comunicações científicas que serão apresentadas e debatidas na tarde do dia 1/6, no campus da UniCarioca, haverá um Colóuio de abertura, dedicado a inventariar as ações até agora desenvolvidas pelos núcleos regionais da Rede Alcar. Participam dessa atividade: Esther Bertoletti (Rio de Janeiro), Marialva Barbosa (Niterói), Luis Guilherme Pontes Tavares (Bahia), Francisco Karam (Santa Catarina),  Juçara Brittes (Espírito Santo), Sandra Freitas (Minas Gerais), José Marques de Melo (São Paulo).

No encerramento do primeiro dia haverá uma sessão coletiva de autógrafos, durante a qual lançarão livros os seguintes escritores/editores: Agata Messina – Cadernos da Comunicação: Memória e Estudos (Secretaria Especial de Comunicação, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro – RJ), Ana Arruda Callado – Jenny, Amazona, Valquíria e Vitoria-Régia (DL Brasil, Rio de Janeiro – RJ), Adolpho Queiroz e Dennis de Oliveira – Jornais Centenários de São Paulo (Degaspari, Piracicaba – SP), Antonio F. Costella - Breve História Ilustrada da Gravura (Editora Mantiqueira, Campos do Jordão - SP), José Marques de Melo - História do Pensamento Comunicacional (Editora Paulus, São Paulo - SP) e Jornalismo Opinativo: Gêneros Opinativos no Jornalismo Brasileiro (Editora Mantiqueira, Campos do Jordão - SP), Marialva Barbosa – Os donos do Rio: imprensa, poder e público (Vício de Leitura, Rio de Janeiro – RJ), Marco Morel – Cipriano Barata na Sentinela da Liberdade (Academia de Letras da Bahia, Salvador – BA), Marcos Matos - ...E o cinema invadiu Athenas – A história do cinema ambulante em São Luis (Prefeitura Municipal de São Luis, São Luis – MA), Osmar Mendes Júnior – O Despertar da TV – Memórias de um Telespectador Pioneiro (Scortecci, São Paulo – SP) e Sonia Virgínia Moreira – Rádio em transição (Mil Palavras, Rio de Janeiro – RJ).

Na dia 2 (segunda-feira), está previsto o Simpósio "Resgatando a Memória da Imprensa", coordenado por Ana Arruda Callado, com duas sessões: Manhã - sede da ABI - Associação Brasileira de Imprensa: Jornalistas Esquecidos - Sala Belisário de Souza - dedicada aos jornalistas Antonio Borges da Fonseca (Milton Coelho  da Graça), J. E. de Macedo Soares, (Fernando Segismundo) e Luís Carlos de Morais Sarmento (José Argollo). Tarde: sede da ABL - Academia Brasileira de Letras - Sala José de Alencar, dedicada   aos Imortais Jornalistas Hipólito José da Costa, Joaquim Serra e Austregésilo de Athayde, moderada por Alberto Venancio Filho.

Na noite do dia 2, inicia-se no campus da UERJ, extendendo-e até o dia 5 de junho, o evento que encerra com chave de ouro o I Encontro Nacional da Rede Alcar - História e Imprensa   "Representações culturais e práticas de poder", coordenado por Lucia Maria Bastos Pereira das Neves, Tânia Maria Tavares Bessone da Cruz Ferreira e Marco Morel.

A Rede Alcar realiza na manhã do dia 1 de junho sua plenária nacional para avaliar as acões até agora desenvolvidas, bem como aprovar a proposta da Cátedra FENAJ de Jornalismo, que pretende sediar o II Encontro Nacional, a se realizar em abril de 2004, sob a coordenação de Francisco José Karam (UFSC), na cidade de Florianópolis, contando com o apoio institucional da Universidade Federal de Santa Catarina. O próximo encontro será dedicado ao tema: História do Ensino de Jornalismo e das Profissões Midiáticas no Brasil.

A programação completa do I Encontro da Rede Alcar está disponível na página da Cátedra UNESCO - www.metodista.br/unesco

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2 - História da Imprensa no Brasil: metodologia para o inventário 1808-2008

Marcos Morel (Departamento de História – UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro)

Marialva Barbosa (Programa de Pós-Graduação em Comunicação – UFF – Universidade Federal Fluminense)

Introdução

A proposta é recuperar a história da imprensa, durante 200 anos, tendo como foco diferencial de análise o século XIX e o século XX. Isto porque os materiais disponíveis para interpretação variam muito em função do momento em que foram produzidos.

Esta proposta metodológica apresenta, pois, duas fichas de análise, com as explicações referentes ao seu preenchimento, com adaptações no que diz respeito à coleta de dados do século XIX e a do século XX.

Princípios norteadores

A idéia central é recuperar a história dos impressos a partir dos espaços sociais considerados. Falar de um veículo de uma determinada época é, obrigatoriamente, se referir à cidade no qual estava inserido, as relações sociais e culturais determinantes nesta cidade. É importante perceber a dinâmica do veículo em relação a uma dinâmica social mais ampla.

Cada grupo deverá trabalhar, portanto, com períodos e/ou veículos de comunicação impressos (jornais e revistas) num dado espaço cultural. Por exemplo: A imprensa de Manaus no século XIX ou os jornais fluminenses do século XIX (exceto Capital).

O que se propõe é, portanto, conseguir fazer um inventário o mais vasto possível da história da mídia impressa brasileira nos séculos XIX e XX.

Uma determinada visão de história

Na tradicional historiografia identificada como historicista, a imprensa aparecia em geral como fonte privilegiada na medida em que era vista como portadora dos "fatos" e da "verdade". Em seguida, com a renovação dos estudos históricos e a ênfase numa abordagem que privilegiava o sócio-econômico, a imprensa passou a ser relegada à condição subalterna, pois seria apenas "reflexo" superficial de idéias que, por sua vez, eram subordinadas estritamente por uma infra-estrutura sócio-econômica. E a subseqüente renovação historiográfica, com destaque às abordagens políticas e culturais, redimensionou a importância da imprensa, que passa a ser considerada como fonte documental (na medida em que expressa discursos e expressões de protagonistas) e também como agente histórico que intervém nos processos e episódios, não mero "reflexo".

Dentro do recorte cronológico definido, trata-se então de trabalhar as relações entre os estudos históricos e a imprensa destacando dois eixos principais. De um lado as discussões teóricas e definições metodológicas do trabalho do historiador diante da imprensa e, de outro, a construção de histórias da imprensa para o período no Brasil. As referências teóricas situam-se no campo da chamada Revolução Imprensa, isto é, os estudos sobre a imprensa na Revolução Francesa moldados pela nova história cultural (DARNTON e ROCHE), as perspectivas da historiografia da América hispânica (GUERRA, OSSANDÓN e GARGUREVICH) e uma leitura crítica dos textos clássicos na historiografia brasileira sobre imprensa (SODRÉ, RIZZINI e LIMA SOBRINHO) servirão de fundamento para leitura e análise de jornais e revistas do século XIX e XX. Levando-se também em conta abordagens mais recentes sobre a história da imprensa no Brasil (MELO, CAPELATO, MOREL, BARBOSA, etc.).

A partir das premissas e abordagens da história cultural sobre a imprensa e levando em conta a especificidades dos veículos impressos do século XIX e XX, foi elaborada a proposta metodológica que se traduz nos tópicos abaixo.

Assim, cada periódico terá este modelo de ficha que será passado para o computador no software de base de dados File Maker Pro, que permite a fácil manipulação das informações contidas nas fichas.

MODELO DE FICHA (Ver instruções para preenchimento)

I – DADOS GERAIS

Título do periódico

 

Período de análise

 

Acervo onde foi localizado

 

Forma de conservação

  • Papel
  • Microfilme
 

Referência bibliográfica

 

II – ASPECTOS GRÁFICOS

Formato (em centímetro)

 

Número de páginas

  • No primeiro número
  • Nas edições subseqüentes (amostragem)
 

SUPLEMENTOS

 

CADERNOS

 

III – LOCALIZAÇÃO

LOCAL (IS) DE IMPRESSÃO

Endereço

  • Nome livraria, tipografia, loja

Venda avulsa?

 

DISTRIBUIDOR

Nome do distribuidor

 

IV – PERIODICIDADE

Primeiro número (dia, mês e ano)

 

Último número (dia, mês e ano)

 

Período de publicação (indicar interrupções)

 

Periodicidade

 

Total de edições anuais

 

V – COMERCIALIZAÇÃO

Publicidade

(Há publicidade? Sim ou não)

 

Preço de venda

 

Tiragem (declarada nas edições)

 

Outras fontes de financiamento

  • Apoio privado
  • Apoio público
 

VI – ASPECTOS EDITORIAIS GERAIS

Principais seções

 

Principais editorias

 

Há seções de cartas?

Nome desta seção

 

Publica fotografias?

 

Tipologia de notícia mais freqüente

(política, econômica, policial, etc.)

 

Tipologia dos textos publicados (notícias, crônicas, comentários, folhetim, etc)

 

Eventos históricos (episódios históricos veiculados com destaque)

 

VII – ASPECTOS EDITORIAS DA PRIMEIRA PÁGINA

Edita manchetes?

Formato (corpo, sub-manchete)

 

Edita fotografias?

 

Edita outro tipo de imagem

  • Desenho
  • Charges
  • Litogravuras
 

Logotipo do periódico

Possui logotipo? Sim ou não?

 

Slogan

Publica um slogan ou lema?

Qual?

 

Edita chamadas?

 

Matérias da primeira página continuam nas páginas interiores?

 

VIII – OS JORNALISTAS (indique os nomes quando for o caso)

Proprietário (s)

 

Diretor (es)

 

Redator-chefe

 

Editores

 

Principais colaboradores

 

Redatores/repórteres

 

IX – CONCLUSÕES

OBSERVAÇOES GERAIS

Referências sintéticas relevantes para a história do veículo

 

VINCULOS INSTITUCIONAIS EXPLÍCITOS

O veículo está ligado a determinada instituição ou se vinculava politicamente a algum grupo?

 

INSTRUÇÕES PARA PREENCHIMENTO DA FICHA:

Siga as instruções abaixo para o preenchimento da ficha de pesquisa.

Item I – Dados Gerais

Neste item há cinco campos a serem preenchidos. Todos referem-se a aspectos gerais do periódico (jornal ou revista) a ser pesquisado.

Preencha o título completo do periódico, inclusive o subtítulo (se houver).

Detalhe o período a que se refere à pesquisa. Por exemplo: janeiro de 1880 a março de 1990.

Informe o acervo onde fez a pesquisa, isto é, onde localizou o periódico.

Em seguida, esclareça o tipo de arquivo encontrado, se papel ou microfilmes. E, por último, indique a referência bibliográfica, isto é, sob que código estava arquivado.

Item II – Aspectos Gráficos

Neste item foram privilegiadas as informações referentes aos aspectos gráficos da publicação. Interessa saber:

  1. o formato da publicação que deverá ser – quando possível – expresso em centimetragem/coluna. Quando não for
  2. possível identificar, em função da conservação (microfilmes) pode ser especificado o formado de maneira mais genérica (standard, tablóide, etc.)
  3. indique o número de páginas da publicação, no primeiro número. Faça também uma amostragem (uma edição a cada seis meses ou um ano) indicando o número de páginas que a publicação passa a ter nas edições posteriores
  4. informe os suplementos existentes e os cadernos editados. É importante indicar o nome dos suplementos e dos cadernos. Caso haja edições comemorativas também faça essa referência.

Item III – Localização

É necessário o fornecimento de três eixos de informação:

  1. local de impressão. Indique onde o periódico era impresso (endereço) e o nome da tipografia ou gráfica responsável pela edição;
  2. alguns periódicos informam também onde podiam ser encontrados, ou seja, onde eram vendidos. Informe assim o nome das livrarias, tipografias, lojas e o endereço desses locais, se for o caso.
  3. E, por último, indique se o periódico era vendido avulso, isto é, em bancas ou através de pequenos jornaleiros.
  4. Caso exista indicação do nome do distribuidor também forneça essa informação

Item IV – Periodicidade

Em relação a este item é importante saber:

  1. dia, mês e ano do aparecimento da publicação
  2. dia, mês e ano do último número da publicação
  3. o período em que o periódico foi publicado (por exemplo de 8 de abril de 1891 a 7 de julho de 1998). Se nesse período houve interrupções indique-as, informando as razões, quando for possível
  4. qual era a periodicidade do veículo (diária, semanal, etc.) e se esta era fixa ou se havia ausência de periodicidade
  5. quantifique as edições por ano

Item V – Comercialização

Neste item é importante responder as questões que revelam as formas de subsistência dos periódicos, ou seja, de onde vinham as suas fontes de renda

  1. havia publicidade?
  2. Qual era o preço de capa da publicação? Quais as mudanças ao longo do período analisado?
  3. Qual era a tiragem declarada nas edições?
  4. O periódico possuía outras fontes de financiamento? Quais (exemplo: subvenções oficiais, matérias pagas, etc)

Item VI – Aspectos editoriais gerais

  1. quais eram as principais seções dos periódicos (se for o caso)?
  2. Tinha editorias? Quais eram as principais?
  3. Havia seção de cartas? Que nome possuía essa seção?
  4. Publicava fotografias?
  5. A maioria das publicações destaca um tipo de notícia (política, policial, econômica, etc.). na publicação analisada qual era o tipo de notícia que aparecia com maior freqüência (se for o caso)?
  6. Que tipo de textos publicavam? Opinativos (artigos de fundo, editoriais, críticas, crônicas, etc.), Informativo (notícias, notas, grandes reportagens, etc.), Entretenimento (folhetins, contos, etc).
  7. Episódios relatados com destaque (de caráter local/nacional/internacional). Quais dentre esses eventos nos quais o próprio periódico esteve envolvido?

Item VII – Aspectos editoriais da primeira página

Este item permite uma descrição sucinta da primeira página. A idéia é identificar como era editada esta primeira página.

  1. o periódico editava manchetes? De que forma, isto é, qual era o corpo utilizado (48, 64, etc.). editava sub-manchetes?
  2. Editava fotografia ou outro tipo de imagem em sua primeira página. Quais? Charges, desenhos, litogravuras?
  3. Aparece na primeira página o logotipo da publicação? Descreva-o sucintamente.
  4. Aparece na primeira página um slogan ou lema do periódico (exemplo: um jornal que vale pela verdade). Qual era esse slogan?
  5. O periódico editava chamadas ou na primeira página aparecem matérias que continuam nas páginas interiores?

Item VIII – Os jornalistas

Este item objetiva mapear os jornalistas que aparecem nomeados na própria publicação. Assim:

  1. indique o nome do proprietário (s)
  2. quem eram os diretores. Indique os nomes?
  3. Quem aparece como redator chefe? Informe as mudanças (se for o caso)
  4. Quem são os editores (se for o caso)?
  5. Quem eram os principais colaboradores? Indique os nomes.
  6. Aparece nome de algum redator ou repórter? Se for o caso, indique.

Item IX – Conclusões

Por fim, acrescente outras informações – de maneira sintética – que julgar relevante para a história do veículo e que não estejam respondidas no item anterior. Um exemplo deste tipo de informação é o vínculo institucional explícito do periódico, isto é, aparece na publicação a vinculação política do periódico a algum grupo?

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

Abreu, Márcia (org.). Leitura, história e história da leitura. Campinas: Mercado das Letras – Associação de Leitura do Brasil, 1999.

BARBOSA, Marialva. Os donos do Rio – Imprensa, poder e público (1880-1920). Rio de Janeiro: Vício de Leitura, 2000.

BELLANGER, Claude (org.). Historia générale de la presse française, 2 t. Paris : PUF, 1969.

CAPELATO, Maria Helena R. Imprensa e História no Brasil. São Paulo: Contexto/Edusp, 1988.

CERTEAU, M. A escrita da história. Rio de Janeiro: Forense, 1982

CERTEAU, M. A invenção do quotidiano. Artes de fazer. Petrópolis: Vozes, 1996.

CHARTIER, Roger. A história cultural: entre práticas e representações. Lisboa: Difel, 1991

DARNTON, R e ROCHE, D. (org.). Revolução Impressa – a imprensa na França 1775-1800. São Paulo: Edusp, 1996

DARNTON, R. O beijo de Lamourette – mídia, cultura e revolução. São Paulo: Cia. Das Letras, 1995.

GARGUREVICH., Juan. Historia de la prensa peruana 1594-1990. Lima: La Voz, 1991.

GUERRA, François-Xavier (org.). Los espacios públicos en Iberoamerica. Ambigüedades y problemas. Siglos XVIII-XIX. México: Fondo de Cultura Económica, 1998.

IPANEMA, Marcelo de & IPANEMA, Cybelle de. Estabelecimento da tipografia e origens do jornalismo no Brasil. In Revista Brasileira de Comunicação. Brasília: março e junho de 1968.

MELO, José Marques de. Sociologia da imprensa brasileira. A implantação. Petrópolis: Vozes, 1973.. A edição revista desta obra está contida no livro História Social da Imprensa, Porto Alegre, Editora da PUCRS, 2003

NEVES, Lucia M. B. Pereira das & MOREL, Marco (coord.). História e Imprensa – homenagem a Barbosa Lima Sobrinho – 100 anos. Anais do Colóquio. Rio de Janeiro: CCS/UERJ, 1998.

OSSANDON, Carlos B. El crepúsculo de los sabios y la irrupción de los publicistas. Santiago: Universidad Arcis, 1998.

RIBEIRO, Ana Paula Goulart. Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50. Tese de doutorado. Rio de Janeiro – ECO-UFRJ, 2000.

RIZZINI, Carlos. O livro, o jornal e a tipografia no Brasil. Rio de Janeiro: Kosmos, 1945.

SCHWARCZ, Lilia M. Retrato em banco e negro. Jornais, escravos e cidadãos em São Paulo no final do século XIX. São Paulo: Cia das Letras, 1987.

SIQUEIRA, Carla. Sexo, Crime e Sindicato: Sensacionalismo e populismo nos jornais Ultima Hora, O Dia e Luta Democrática no segundo governo Vargas (1951-1954). Tese de Doutorado em História. PUCRJ, 2002.

SOBRINHO, Barbosa Lima. O problema da imprensa. Rio de Janeiro: Álvaro Pinto, 1923

SODRÉ, Nelson Werneck. História da imprensa no Brasil. Rio de Janeiro: Graal, 1978.

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3 - Rede Alcar nos 125 anos do jornal "0 Fluminense"

O Instituto Histórico de Niterói comemorou, no último dia 3 de maio, os 125 anos de fundação do jornal "O Fluminense"., cotando com o apoio e a participação de inúmeras instituições locais. A oração referencial da efeméride foi proferida pela Profa. Dra. Cybelle de Ipanema, sócio fundadora e integrante do comitê nacional da Rede Alfredo de Carvalho.

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4 - Jornais Maranhenses fizeram aniversário no Dia do Trabalhador

Roseane Pinheiro

Jornalista, pesquisadora e membro da Associação Maranhense de Imprensa (AMI).

Dois jornais do Maranhão fizeram aniversário no dia do Trabalhador, 1º de maio. O Jornal O Estado do Maranhão, do Sistema Mirante, pertencente à família Sarney, completou 44 anos, enquanto o Jornal O Imparcial, do grupo Associados, fez 77 anos, tornando-se o mais antigo em circulação.

O primeiro veículo do Sistema Mirante, o jornal O Estado do Maranhão foi fundado como Jornal do Dia pelo empresário Alberto Aboud, em 1959. Em 1º de maio de 1973, passou a ser chamado com o nome atual, dessa vez, sob o comando dos escritores Bandeira Tribuzi e José Sarney, hoje presidente do Senado Federal. Naquele mesmo ano, foram adquiridas as máquinas off-set e implantado o sistema de fotocomposição. Na mesma época, o desfez-se dos velhos linotipos.

Nos anos 80, o periódico ampliou o quadro de redatores e adotou o sistema de editorias, apresentado ao mercado o primeiro caderno de cultura diário. Na década seguinte, mais uma novidade: a policromia nas edições diárias e a aposentadoria do composer, com a conseqüente informatização da rede.

Em 2003, com 67% do mercado, segundo XLIV Estudos Marplan/1º semestre de 2002, o jornal O Estado fortalece o Sistema Mirante, principal conglomerado de comunicação do Maranhão. O grupo é reúne ainda 19 emissoras de rádio (6 em FM e 13 em OM), a  TV Mirante (Globo) e o portal de notícias www.imirante.com.

Dualidade - O Imparcial chegou às ruas de São Luís no dia 1º de maio de 1926, tendo como diretor responsável o jornalista João Ferreira Pires. Um dos objetivos do lançamento do periódico foi romper com a dualidade que separa a imprensa à época: jornais oficiosos versus jornais de oposição.As pressões políticas sempre rondaram a história de O Imparcial. Durante a ditadura Vargas foi empastelado porque criticava a política dos "interventores", nomeados pelo Governo central.

Dezoito anos depois de sua fundação, em 1944, O Imparcial foi adquirido, em plena Segunda Guerra Mundial, pela Cadeia dos Diários Associados, comandada por Assis
Chateaubriand. O cenário não era dos melhores: São Luís sofria com o atraso econômico e buscava alternativas econômicas na indústria têxtil e nas culturas do babaçu, algodão e arroz. Nas décadas seguintes, o veículo continuou acompanhando o cenário político maranhense, ao mesmo tempo em que superou dificuldades econômicas. Às portas do século XXI, em 2000, montou um moderno parque gráfico e remodelou seu projeto gráfico, escrevendo mais uma página da história da imprensa no Maranhão.

Fontes:
Jornal O Imparcial.  São Luís, 1º de maio de 2003.

Jornal O Imparcial. São Luís, 1º de maio de 2000.

Jornal O Estado do Maranhão. São Luís, 1º de maio de 2003

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5 - História da comunicação por sinais gráficos perde jóias do tesouro da Babilônia

Alberto Manguel (The New York Times)

Fonte: O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 26/04/2003)

MONDION, França - Em 1989, fui a Bagdá para escrever um artigo sobre os Jardins Suspensos da Babilônia, que o Ministério da Cultura iraquiano planejava reconstruir. O projeto nunca se concretizou, mas pude explorar Bagdá. Uma experiência foi mais memorável que todas as outras: a descoberta, no Museu Nacional do Iraque, de dois pequenos blocos de argila do quarto milênio a.C. que haviam sido encontrados na Síria.

Cada bloco tinha o tamanho da palma de minhas mãos e levava algumas marcas:

um pequeno entalhe perto do topo, como se um dedo tivesse passado pelo barro, e sob ele um animal desenhado com vareta, destinado a representar uma cabra num dos blocos e talvez um carneiro no outro. Em pé no museu, tentei imaginar como, numa tarde remota, um ancestral brilhante e anônimo registrou uma transação de animais domésticos desenhando sinais em pedaços de barro e, fazendo isso, inventou para as épocas futuras a arte da escrita. A escrita, compreendi, foi invenção não de poeta, mas de um contador.

A mão que fez esses primeiros sinais há tempos se transformou em pó, mas os blocos sobreviveram até há semanas, quando desapareceram na pilhagem do museu. Quando os vi pela primeira vez, em sua caixa de exposição empoeirada, fui tomado pela vertiginosa sensação de testemunhar o momento de meu início.

Os historiadores nos dizem que outros mágicos na China e na América Central também inventaram sistemas de escrita. Mas, para mim, este era o ponto onde tudo começou.

O ato que tornou possível para um pastor carregar, aprisionada num pedaço de barro, a memória de um número preciso de cabras e carneiros prenunciava as vastas bibliotecas universais na qual a memória da humanidade é preservada; o diálogo com um escritor de 6 mil anos é o modelo de minha própria "conversa com os poderosos mortos", como o poeta James Thomson descreveu o ato de ler.

Naqueles dois blocos estavam todos os futuros escritos: o Livro de Jó, os quadrinhos do Super-Homem, o Rei Lear, as histórias de Sherlock Holmes, todos os tratados matemáticos e científicos, Safo e Whitman. Os blocos no Museu Nacional, os volumes na Biblioteca Nacional e nos Arquivos Nacionais, a singular coleção de livros do Corão mantida no Ministério do Fundo Religioso agora desapareceram quase por completo. Perdidos estão os manuscritos compilados com amor pelos grandes calígrafos árabes, para quem a beleza da escrita tem de espelhar a beleza do conteúdo. Desaparecidas estão coleções de contos, como As Mil e Uma Noites, que o comerciante de livros iraquianos do século 10 Ibn al-Nadim chamava de "histórias noturnas" porque não se esperava que ninguém perdesse as horas do dia lendo entretenimento trivial.

Os documentos oficiais que narravam a história dos governantes otomanos de Bagdá juntaram-se às cinzas de seus autores. Desaparecidos para sempre estão os livros que sobreviveram à conquista mongol de 1258, quando os invasores lançaram grande parte do acervo das bibliotecas no Tigre para construir uma ponte de papel que tingiu as águas de preto. Ninguém mais acompanhará os anos de correspondência que descreviam viagens e cidades perdidas no tempo.

E ninguém mais consultará aquelas cópias específicas de certas grandes obras de referência, como a enciclopédia do estudioso egípcio do século 14 al-Qalqashandi, que, num dos 14 volumes, explicava em detalhe como cada uma das letras da escrita árabe deveria ser formada, pois para ele o que era escrito jamais morreria.

A confiança na sobrevivência da palavra, assim como a compulsão para destruí-la, são tão velhas como os primeiros blocos de argila. Preservar e transmitir a memória, ensinar pela experiência dos outros, compartilhar o conhecimento do mundo e de nós mesmos são alguns dos poderes (e perigos) dos livros, e as razões pelas quais os admiramos e tememos.

E mesmo do meio das ruínas a palavra escrita nos alcança. Há 4 mil anos, nossos ancestrais na Mesopotâmia já sabiam disso. O Código de Hamurabi, uma coleção de leis inscrita numa alta estela de pedra negra pelo rei Hamurabi da Babilônia no século 18 a.C. e preservada hoje no Louvre, declara no epílogo: "A fim de impedir os poderosos de oprimir os fracos, inscrevi em minha estela minhas palavras preciosas. Se alguém for sábio o bastante para ser capaz de manter a ordem na Terra, que dê atenção às palavras que escrevi. Que os cidadãos oprimidos leiam as inscrições. A estela lhe permitirá compreender seu caso. E como ele compreenderá o que esperar, seu coração descansará." (Tradução de Alexandre Moschella)

Alberto Manguel é autor de 'Uma História da Leitura' (Companhia das Letras)

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6 - Saques do pós-guerr apagam a história da escrita no Iraque

Adam Goodheart (The New York Times)

Fonte: O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 26/04/2003)

Talhada em alabastro liso, uma fileira de plantas com seus ramos frondosos inclina-se sobre um rio estilizado. No alto, carneiros e ovelhas marcham de dois em dois, macho e fêmea, seguidos por homens em procissão.

Uma deusa preside a cena, acolhendo as homenagens com uma das mãos graciosamente erguida. São estas algumas imagens que aparecem no chamado Vaso Warka, esculpido na antiga Suméria há mais de 5 mil anos. Essa peça foi escavada na década de 1930 e desapareceu este mês, depois dos saques do Museu Nacional do Iraque.

"É um dos grandes tesouros da arte mundial", diz Irene J. Winter, professora de arte na Universidade de Harvard. "Ela celebra seu período da história exatamente como uma catedral gótica celebra a história da França na Idade Média." Enquanto arqueólogos e historiadores se esforçavam para interpretar as informações desencontradas que vinham de Bagdá a respeito do destino dos tesouros nacionais do Iraque, muitos falavam com pesar, revolta e até mesmo lágrimas nos olhos, a respeito de algumas peças particulares.

Diziam que as centenas de milhares de artefatos e textos constituem coletivamente um repositório da cultura mundial que nunca poderá ser substituído. Mas é analisando individualmente os objetos que se pode entender melhor essa perda, dizem eles.

O Vaso Warka, por exemplo, não apenas é a mais antiga representação pictórica conhecida de um culto religioso, mas retrata também como a fertilidade da Mesopotâmia deu origem às primeiras culturas sofisticadas. "O vaso mostra quase uma hierarquia , desde a água às plantas, aos animais, às pessoas, até a deusa", explica Irene.

Ela estudou esse vaso pela primeira vez por meio de fotografias, quando ainda não tinha se graduado na universidade, na década de 1950. Depois, como professora, falou sobre ela a gerações de estudantes de Harvard e estava preparando um trabalho científico sobre a peça quando soube do saque. "Eu tinha a esperança de ver o original algum dia", declara.

Os poucos estudiosos ocidentais que visitaram o Museu Nacional do Iraque nas últimas décadas disseram que o seu acervo era incomparável. "Continha o arquivo total de 10 mil anos de história humana", diz John Malcolm Russell, especializado em arqueologia da Mesopotâmia na Faculdade de Arte de Massachusetts. "Se a gente quisesse ver tudo, desde os primeiros povoados, no ano 8000 antes de Cristo, até a invasão mongol em 1258 da era cristã, o único lugar do mundo onde se poderia ter tudo isso e numa inacreditável profundidade era Bagdá." As antigas civilizações que prosperaram e definharam na região - suméria, acadiana, assíria, babilônia - deixaram, cada uma delas, sua marca.

Mas, contrastando com o Egito, com suas tumbas e pirâmides, a Mesopotâmia viu desaparecer em grande parte seus monumentos arquitetônicos, construídos com tijolos de barro, observa Philippe de Montebello, diretor do Metropolitan Museum of Art. "O que restou dessas culturas são essencialmente seus objetos portáteis: jóias, esculturas, tabuinhas escritas", diz ele.

"Por isso, se uma grande quantidade dessas peças se perder, então a perda proporcional será muito maior."

Embora algumas informações indiquem que alguns tesouros do museu - como jóias de ouro e prata das tumbas reais de Ur - possam ter sido retiradas ou guardadas em cofres-fortes nos últimos meses, alguns estudiosos estrangeiros afirmaram que objetos menos grandiosos, que aparentemente não estavam guardados em lugares seguros, tinham uma importância histórica igual. Por exemplo, entre as dezenas de milhares de tábuas cuneiformes que se afirma terem sido saqueadas ou destruídas, está a chamada Biblioteca de Sippar - uma coleção de tabuinhas de barro babilônicas, desenterradas na década de 1980, que era a mais antiga biblioteca jamais encontrada em suas prateleiras originais.

Gilgamesh - Elizabeth Stone, arqueóloga da Universidade Estadual de Nova York em Stony Brook, que viu as tabuinhas de Sippar na década de 1980, conta que elas incluíam anteriormente algumas porções desaparecidas da Epopéia, de Gilgamesh, primeira obra literária importante do mundo, proveniente da cultura que inventou a escrita. Grande parte desse material ainda não havia sido decifrada ou publicada.

Outras tabuinhas guardadas no museu - cartas, inventários, documentos legais - falavam a respeito da vida de pessoas comuns que viveram há 4 mil anos.

"Elas fornecem detalhes notavelmente íntimos. Como uma carta de um menino a seus pais, queixando-se de que eles não o amavam porque não lhe deram roupas muito bonitas", relata Elizabeth Stone.

Milhares de textos em papel foram também destruídos no incêndio da Biblioteca Nacional e de outros depósitos históricos. Jaroslav Stetkevych, professor emérito de árabe na Universidade de Chicago, diz que essas coleções incluíam manuscritos de poemas medievais, desde as odes românticas até descrições líricas do deserto. "Do 9.º ao XIII séculos, Bagdá foi o centro de uma cultura literária que se estendeu até Córdoba. Era um mundo que vivia em sua literatura e cujos restos físicos se perderam quase todos."

Vários eruditos observaram com pesar que os artefatos perdidos também poderiam ter desempenhado um papel na reconstrução do Iraque. O regime de Saddam Hussein usava imagens arqueológicas em notas bancárias, em selos e em propaganda, às vezes retratando o presidente do Iraque ao lado do rei babilônio Nabucodonosor. Mas Elizabeth Stone lembra que os artefatos poderiam facilmente ter promovido uma sociedade democrática moderna. "Se eu estivesse pensando como unir hoje os grupos étnicos e religiosos disparatados no Iraque, a antiga Mesopotâmia poderia ser o modelo que eu usaria", declara ela.

"A antiga Mesopotâmia tinha uma cultura que abrangia muitas regiões, desde o sul até o norte, mas todas elas usavam o mesmo sistema de escrita e adoravam os mesmos deuses." Acima de tudo, os estudiosos reagiram lamentando com muito pesar uma perda avassaladora. Em Boston, Russell teve dificuldade para conter as lágrimas enquanto descrevia uma escultura do museu que ele vira na década de 1980: uma pequena gravura de um pássaro, uma das mais antigas esculturas de pedra existentes, datada de aproximadamente 8 mil anos antes de Cristo. "Os arqueólogos a encontraram literalmente na mão de seu antigo proprietário, que morreu esmagado quando o teto de sua casa em chamas desmoronou sobre ele, evidentemente enquanto tentava salvar essa peça", diz o especialista. (Tradução de José dos Santos)

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7 - Amiquilando o passado: Vandalismo em Bagdá

Robert Darnton (Fonte: Folha de S. Paulo, Mais, 4/5/2003)

Aconteceu aqui, também. Os britânicos queimaram nossa biblioteca nacional em 1814. É verdade que ela não era grande coisa -apenas uma coleção de cerca de 3.000 volumes reunida para o uso dos senadores e deputados no novo capitólio que estava sendo construído no meio da mata de Washington. Mas, ao destruí-la, os invasores britânicos acertaram um golpe no próprio coração daquilo que mais tarde iria se desenvolver e se transformar numa identidade nacional. Será que as bibliotecas realmente têm importância para a identidade própria de uma nação? Está claro que os iraquianos sentiram a destruição de sua biblioteca, de seus arquivos e de seu museu nacionais como perda do vínculo que têm com um passado coletivo, algo como uma memória nacional. Indagado sobre o que o Museu Nacional do Iraque significava para ele, um guarda do museu respondeu entre lágrimas: "Era belo. O museu era civilização". Até mesmo alguns dos saqueadores estão começando a devolver os objetos que levaram embora, como se reagissem à necessidade de curar uma ferida que eles próprios se infligiram.

Primórdios da civilização

As grandes coleções de Bagdá continham testemunhos dos primórdios do que boa parte do mundo enxerga como a civilização. Alguns de seus tesouros datavam de 7.000 anos atrás e continham evidências sobre a primeira e possivelmente a maior conquista da história humana -a invenção da escrita, que aconteceu há 5.000 anos, em algum lugar entre o Tigre e o Eufrates. É verdade que os danos talvez tenham sido menores do que se temeu num primeiro momento e que os arqueólogos podem estudar outros tabletes de argila escavados das ruínas das primeiras bibliotecas do mundo, os tempos sumerianos da Mesopotâmia antiga. Mas não sobrou nada da Biblioteca Nacional do Iraque, que foi queimada até o chão, juntamente com a sede do Ministério de Assuntos Religiosos e sua coleção inestimável de Alcorões, alguns com mais de mil anos de idade. A biblioteca queimada pelos ingleses na Guerra de 1812 tinha sido criada apenas quatro anos antes. Mesmo assim, sua perda causou um trauma nacional, ou pelo menos foi essa a impressão que teve Thomas Jefferson, que tinha forte consciência da contribuição que as bibliotecas podem fazer ao espírito cívico de uma nação. Já em 1791 ele deplorara os danos provocados pela guerra revolucionária ao registro histórico dos Estados Unidos. Numa carta a Ebenezer Hazard, que estava prestes a publicar dois volumes de documentos de Estado tirados dos arquivos coloniais, Jefferson escreveu: "O tempo e o acidente estão causando estragos diários aos originais guardados em nossos gabinetes públicos. A última guerra fez o trabalho de séculos no que diz respeito a isso. As perdas não podem ser recuperadas, mas salvemos o que restou: não com cofres e trancas que o proteja dos olhos e do uso públicos, consignando-o ao desgaste do tempo, mas por meio de uma multiplicação tamanha de suas cópias que o colocará fora do alcance do acidente". Assim que tomou conhecimento da perda da primeira biblioteca do Congresso, Jefferson se ofereceu a vender à instituição a sua própria, que era duas vezes maior -uma coleção magnífica de 6.487 volumes que seria avaliada, de maneira conservadora, em US$ 23.950. A proposta suscitou alguns discursos partidários sobre "as bobagens filosóficas e vistosas" -boa parte das quais em francês- que Jefferson tinha colecionado, e a compra foi aprovada pelo Congresso por uma maioria de apenas quatro votos. Mas a Biblioteca do Congresso resiste até hoje como materialização de nossa memória nacional. Imagine uma horda de vândalos queimando e destruindo os Arquivos Nacionais, enquanto um exército estrangeiro estivesse protegendo a sede do FBI e do Departamento do Tesouro, e você pode ter alguma noção de como os iraquianos se sentiram quando as tropas americanas estenderam um cordão protetor em volta dos ministérios do Petróleo e do Interior, ao mesmo tempo em que permitiam que saqueadores destruíssem a Biblioteca Nacional e pilhassem o Museu Nacional por completo. Como muitos observaram, a invasão mongol de 1258 prejudicou a civilização iraquiana menos do que a invasão americana de 2003. Mas talvez Jefferson estivesse enganado. Serão as bibliotecas e os arquivos realmente vitais para a memória de um país? Pode sua destruição provocar uma espécie de amnésia nacional ou até mesmo o fim de uma civilização?

Biblioteca de Alexandria

O caso mais famoso é o da biblioteca de Alexandria, aquela que teria tido como meta incluir todos os livros do mundo -o mundo helenístico do século 3 a.C.- e cuja destruição assinalou o fim do mundo da Antiguidade. É difícil separar os fatos dos mitos que cercam sua história, mas alguns pontos parecem estar claros: não, Marco Antônio não cortejou Cleópatra com a promessa de lhe dar a biblioteca rival de Pérgamo, nem a coleção de Alexandria, em seu auge, chegou a incluir 900 mil rolos de papiro, embora seja verdade que ela representou o maior cabedal de conhecimento que podia ser encontrado em qualquer parte do Império Romano. Júlio César não a queimou até o chão em 47 a.C., e os muçulmanos não acabaram de dar cabo dela, num acesso de fanatismo, depois de conquistarem Alexandria, em 642. Ela provavelmente já tinha se desintegrado muito antes, não em razão de violência, mas do apodrecimento dos papiros.

Em outras palavras, a biblioteca de Alexandria não teve um final dramático, nada comparável ao que aconteceu com a Biblioteca Nacional em Bagdá. Mas o fogo e os saques sempre marcaram a história das bibliotecas em momentos cruciais de virada, a começar pelo saque de Atenas, em 86 a.C., quando os romanos pilharam o que restara da biblioteca de Aristóteles, a maior da Grécia, que servira de modelo para a biblioteca de Alexandria. No estudo mais recente feito sobre a biblioteca alexandrina, Luciano Canfora evoca uma série de catástrofes -Atenas, Roma, Pérgamo, Antióquia e Constantinopla- e conclui, com tristeza: "Em meados do século 4º, Roma estava praticamente destituída de livros. (...) Contemplando essa série de fundações, refundações e desastres, seguimos um fio condutor que interliga os diversos e, em sua maioria, vãos esforços do mundo helenístico-romano para preservar seus livros". A perda dos livros significava a perda de uma civilização. Os estudiosos do classicismo conseguiram juntar os pedaços que restaram e montar quadros da Antiguidade, mas é provável que saibamos apenas uma pequena fração do que poderíamos saber se as bibliotecas tivessem sobrevivido. A obliteração de civilizações não pode limitar-se ao passado distante, onde podemos deplorá-la desde uma distância segura e em tom melancólico: "À glória que foi a Grécia,/ E à grandiosidade que foi Roma". Vândalos depredam culturas o tempo todo. Eles o estão fazendo hoje, nas selvas da América Central e do sudeste asiático. Grandes extensões de civilização desapareceram de maneira irrevogável alguns anos atrás, quando as bibliotecas de Sarajevo e Bucareste se consumiram em chamas. E o Khmer Vermelho talvez tenha obliterado a maior parte do que se podia saber sobre a civilização do Camboja quando destruiu a Biblioteca Nacional de Phnom Penh.

Aniquilando o passado

Era exatamente esse, de fato, o objetivo do Exército de Pol Pot: aniquilar o passado e recomeçar outra vez a partir do que o Khmer Vermelho chamou de o "ano zero". Não contentes em queimar os livros (pelo menos 80% foram destruídos), eles mataram também os bibliotecários (sobreviveram apenas três dos 60 que havia no país). Os livros mais valiosos eram escritos sobre folhas de palmeira. Como as folhas se decompõem na umidade tropical, elas tinham que ser recopiadas a cada poucos anos por monges budistas. Mas o Khmer Vermelho também destruiu os monges, de modo que não sobrou ninguém para salvar o que restara da biblioteca -que, desde então, apodreceu em meio às ruínas. Poucas pessoas se dão conta da fragilidade das civilizações e do caráter fragmentário dos conhecimentos que temos a seu respeito. A maioria dos estudantes acredita que aquilo que lê nos livros de história corresponde ao que a humanidade viveu no passado, como se tivéssemos recuperado todos os fatos e os enfileirado na ordem correta, como se tivéssemos tudo sob controle, escrito em preto e branco e embalado em segurança entre as capas de um livro didático. A ilusão se dissipa rapidamente para qualquer pessoa que já tenha trabalhado numa biblioteca ou num arquivo.

Desconhecimento

Você encontra uma pista numa fonte publicada, vai atrás de uma referência num catálogo, segue uma trilha de papel, passando por caixas de manuscritos -mas o que encontra no final? Apenas alguns poucos fragmentos que, de alguma maneira, conseguiram sobreviver para servir de evidência do que outros seres humanos viveram em outros tempos e outros lugares. Quanto desapareceu sob os escombros? Não conhecemos nem sequer a extensão de nosso desconhecimento.

Assim, por imperfeitos que sejam, bibliotecas, arquivos, museus, escavações arqueológicas, pedaços de papel e fragmentos de cerâmica constituem tudo o que podemos consultar para tentar reconstruir os mundos que perdemos. A perda de uma biblioteca ou de um museu pode significar a perda de contato com um traço vital da humanidade. Foi isso o que aconteceu em Bagdá. Quando a perda lhe foi relatada, o secretário de Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, não parece ter se abalado. "Já tivemos saques neste país", explicou, num briefing no Pentágono. "Já vimos tumultos em partidas de futebol em vários países do mundo." Próxima pergunta.

Robert Darnton é professor de história européia na Universidade Princeton, autor, entre outros, de "O Grande Massacre dos Gatos" (Graal), "Edição e Sedição" e "Boemia Literária e Revolução" (ambos pela Companhia das Letras).

Tradução de Clara Allain

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8 - O passado austríaco do crítico Otto Maria Carpeaux

Mário Pontes (Fonte: Jornal do Brasil, Idéias, 26/04/2003)

Ao longo de quase 40 anos, Otto Maria Carpeaux publicou nos jornais e revistas brasileiros centenas de artigos e ensaios sobre livros, autores e idéias. A essa obra dispersa acrescentaram-se vários volumes dedicados ao estudo sistemático, histórico, da música e da literatura no Ocidente, para os quais até hoje há espaço reservado em cada biblioteca.

Em contraste com a boa recepção da obra, era ínfimo o número dos que conheciam a identidade e o passado do autor. Alguns sabiam que, à semelhança de outros intelectuais europeus - como Paulo Rónai e Herbert Caro -, ele viera para o Brasil fugindo do hitlerismo. Mas quase todos ignoravam que antes de ser Carpeaux ele fora Karpfen, e participara ativamente na vida política de seu país, a Áustria.

Todo esse vazio de informação deixa de existir com o aparecimento de De Karpfen a Carpeaux, do professor Mauro Souza Ventura. Em um volume pequeno para tanto conteúdo histórico e crítico, ele resume os dados da pesquisa com a qual se abre a cortina que encobria o passado europeu de Carpeaux. Ventura segue a trajetória de formação do escritor e, finalmente, expõe as grandes linhas de seu ideário filosófico e os elementos construtivos de seu pensamento crítico.

Judeu vienense, Otto Karpfen foi inicialmente orientado na direção pragmática. Mas a vocação para as letras iria impor-se, primeiro como necessidade interior, depois como decorrência das responsabilidades sociais assumidas: a descoberta da literatura quase coincide com um fato crucial na vida de Karpfen, sua conversão ao catolicismo.

Essa conversão foi motivada pela compreensão da crise que envolvera seu país no crepúsculo do Império Austro-Húngaro, e evoluíra para o caos após a derrota na 1ª Guerra Mundial. A Áustria, Karpfen concluiu então, só sobreviveria se pudesse retomar as grandes linhas de sua história. E essas linhas passavam necessariamente pelo catolicismo, que levara à formação do Sacro Império Romano. Embora a existência real desse ente político tenha sido sempre precária, Karpfen não podia esquecer que ele e não outro era o pai do europeísmo, a semente da união em um continente dilacerado.

Pondo temporariamente a literatura de lado, Karpfen resolveu fazer política, seguindo a perspectiva católica. Não se contentava, no entanto, em defender abstratamente a via romana de regeneração da Áustria. Tornando-se jornalista, passou a lutar pelas idéias do partido católico. Algo difícil de ser praticado naquela situação de instabilidade política, que muitas vezes revestia as idéias programáticas de perigosas ambigüidades.

No plano da política interna, a identificação de Karpfen com o partido católico - que subiu ao poder nos anos 30 - parece ter sido completa. No da política externa, porém, ele não tardou a afastar-se da poderosa facção direitista que advogava a união da Áustria com a Alemanha e acabou por entregar o país aos nazistas.

Um dos pontos focais da pregação de Karpfen era justamente a maneira de conceber-se a nação. Destoando do coro pró-Hitler, rejeitava o argumento segundo o qual uma nação identifica-se basicamente pelo idioma; a individualidade nacional resultaria, antes, de todo um complexo de fatores. Na prática daqueles anos isso podia ser traduzido assim: a Áustria não deve ser vista como uma extensão da Alemanha só porque seu povo se expressa em alemão; no mais, os dois países são muitíssimo distintos.

A posição defendida por Karpfen foi rejeitada pela maior parte das elites; a Áustria perdeu a independência e os patriotas contrários à união com o poderoso vizinho passaram a ser perseguidos pelos nazistas. Karpfen fugiu de seu país e, após vencer muitos obstáculos legais, desembarcou no Brasil. Aqui, por motivos que incluíam a segurança, trocou o Karpfen por Carpeaux.

A chegada ao Brasil foi um novo marco em sua vida intelectual. Encerrada a participação na vida política, podia finalmente soltar as asas de sua vocação literária. O resultado, como já se viu, foi uma rica safra de artigos e ensaios, além de cerca de uma dezena de livros, dois monumentais: Uma nova história da música e História da literatura ocidental, esta em sete volumes.

Mauro Ventura destrincha e mapeia com acuidade as idéias básicas de Carpeaux sobre literatura e arte; e mostra didaticamente como o crítico as aplicava caso a caso. Uma das vigas de sustentação da crítica de Carpeaux - Ventura assinala - era a sua visão do barroco. Para ele, o barroco, além de ser um estilo que em certo momento da história abarcou todas as artes, foi também um modo de vida capaz de influenciar a maior parte da Europa. O barroco, portanto, deveria ser tomado como sinônimo de universalismo, direção para qual teria apontado desde sua germinação, anterior, em muitos séculos, à sua existência como movimento estético.

Alheio à ortodoxia na esfera da literatura e das artes, Carpeaux praticava a crítica sem subordiná-la a um método. Conforme sua maneira de trabalhar, o método não antecedia a abordagem, mas devia brotar de cada nova experiência. Em outras palavras, é a obra literária que funda o método, que exige, para ser interpretada, o uso deste ou daquele instrumento teórico, filosófico, lingüístico, psicológico, sociológico, e o que mais se mostrar conveniente.

A rejeição do método único por Carpeaux foi mais um testemunho do seu grau de independência como crítico. Católico mas não dogmático (teria algo a ver com isso a atmosfera secular do Brasil?), ele não hesitou - como lembra Ventura - em recriminar François Mauriac, um dos maiores romancistas franceses do século 20, por deixar que a religião afetasse sua literatura. ''Como católico'', escreveu Carpeaux, ''não desejo ser tentado; como leitor não desejo ser convertido.'' Em uma época de muita intolerância, isso não era dizer pouco.

Mauro Souza Ventura - DE KARPFEN A CARPEAUX - Topbooks, 257 páginas, R$ 35

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9 - Marcos Lázaro: precursor brasileiro da indústria do entretenimento

Mauro Dias (O Estado de S. Paulo, 27/4/2003)

Marcos Lázaro foi quem tornou profissional - transformou em fato - o tal do negócio de shows, no Brasil. O show biz. A indústria do entretenimento. Esteve por trás dos grandes acontecimentos dos anos 60 e 70.

Foi fundamental para que eles se dessem - a Jovem Guarda de Roberto Carlos e turma, a pós-bossa nova de Elis Regina, a Pilantragem de Wilson Simonal, os grandes festivais da canção.

E também as transmissões ao vivo das corridas de Fórmula 1, de jogos de futebol, dos grandes embates do boxe internacional. E ainda do desembarque, por aqui, de astros do primeiro time do pop internacional.

Engenheiro de formação, nascido na Polônia, criado na Argentina, veio para São Paulo em 1963. Segundo a versão dele, para trabalhar. Segundo outras versões, para passar férias. Há vazios na biografia de Marcos Lázaro. Nunca revelou sua idade - por exemplo. Tinha experiência com o entretenimento, tendo trabalhado, em Buenos Aires, como locutor esportivo. E o fato é que naquele mesmo, 1963, virou empresário.

A história oficial é a seguinte: Lázaro encontrou na noite paulistana um casal de patinadores-malabaristas que conhecia da Argentina e que estava precisando de trabalho. O futuro empresário levou o casal a uma boate onde costumava gozar das horas de boemia. Conseguiu colocação para o par e recebeu 10% do cachê. Descobriu a vocação. Agenciou palhaços e outros artistas de circo. Conheceu Elis Regina e passou a reger a carreira dela. Em menos de um ano era o intermediário das contratações do elenco da TV Record.

A Record era, nos anos 60, o que é hoje a Globo. Era Marcos Lázaro quem negociava preços, prazos, condições, detalhes.

Começou a vida profissional ao mesmo tempo em que, na Inglaterra, um obscuro maestro que não dera certo na música erudita e produzia discos de música pop, recebia, em seu escritório, o empresário de uns meninos que ele, empresário, considerava promissores, contra a opinião de todos a quem havia mostrado a música dos tais Beatles.

George Martin, o maestro-produtor, traçou as estratégias e transformou os (talentosos) meninos no maior fenômeno da música popular internacional. Ao mesmo tempo, Martin criava as bases para o definitivo estabelecimento do conceito de indústria cultural. O sucesso em escala mundial dos Beatles marca o fim da inocência no negócio da música, da mesma forma que as atividades múltiplas de Marcos Lázaro transformaram, no Brasil, música em negócio rentoso.

Para o bem e para o mal. Cabe lembrar que o dublê de empresário e criador Chico de Assis juntou, em São Paulo, naquela mesma época, os integrantes do MPB-4, que eram estudantes e estavam por aqui aproveitando as férias para fazer shows (na TV Record, claro). Chico disse a eles: vocês podem ganhar algum dinheiro com música, mas precisam decidir se continuam as faculdades ou viram artistas profissionais.

Lázaro teria dito: vocês podem ficar ricos com essa coisa de música. Larguem os estudos e deixem que eu cuido de vocês.

Talvez nunca tenha proferido a frase, nesses termos exatos, mas era isso que, de uma forma ou de outra, propunha aos futuros contratados. E cumpria.

Chegou a ter mais de 100 artistas sob seu comando, até os anos 70. Foi o tempo em que o potencial comercial começou a ser mais importante do que a qualidade da criação.

Marcos Lázaro, que morreu no dia 17, nunca se envolveu, diretamente, com a criação de seus contratados. Até prova em contrário, dava a eles chance de mostrar o que criavam - e lucrava muito com isso. Uma equação que talvez nunca mais seja retomada.

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10 - O livro e a leitura: impacto das novas tecnologias de informação

*Wander Soares

Muito se tem dito e escrito a respeito do impacto das novas tecnologias de informação sobre o livro e sobre a percepção que hoje se tem da leitura, do prazer e do hábito de ler.

Quando nos anos 60, Marshall McLuhan previu o fim do pensamento linear introduzido pela escrita e aperfeiçoado na invenção da imprensa, parecia profetizar que o livro se aproximaria do seu fim. O fenômeno não se confirmaria e, na verdade, o velho e bom livro vem a cada dia se apropriando sabiamente dos avanços da tecnologia. Vale lembrar que o cinema não impediu o avanço do teatro, nem a televisão substituiu o rádio.

As práticas da leitura e da escrita com a disseminação da tecnologia da informação e seus suportes como PCs, Palms, e-books, etc... vem sem dúvida sendo fortemente influenciadas. Hoje é muito comum encontrar-se anexados ao livro de papel CD-Rom ou mesmo DVDs que ilustram e ampliam o universo abordado no livro. Fitas cassetes e CDs de áudio como acessórios ao livro, quase podem ser considerados como coisa do passado.
O livro também é resultante de uma cadeia tecnológica que inicia com o registro das idéias e dos fatos em suportes os mais variados. Sua utilização não requer qualquer suporte eletro-eletrônico como é o caso dos CDs, CD Rom, DVD, Computador, Palm, Internet, e-books. Desde que a comunicação escrita surgiu com as inscrições rupestres em cavernas até os dias de hoje, a comunicação escrita vem incorporando os produtos da inteligência humana, sendo o mais formidável deles, os tipos móveis de Gutemberg no século XV.

A interação dos indivíduos com a tecnologia é o que tem transformado os próprios indivíduos, induzindo-os a comportamentos e reações novas diante de situação já conhecidas. A leitura não foge à regra. Ler é um hábito que vem depois que se experimenta o prazer. É na repetição da experiência prazerosa da leitura que surge o hábito e, quando por força do hábito ou da necessidade, entra-se em uma moderna livraria, novo mundo tecnológico se descortina. Hoje, todo livro tem seu código de barras impresso na 4ª capa e os scanners das modernas lojas, das mega livrarias, com suas coloridas prateleiras, vão lendo e informando ao usuário tudo o que ele precisa saber sobre aquele objeto. Terminais inteligentes informam a localização dos livros na loja, nome dos autores, dos editores, preço, etc.

Temos aí a tecnologia facilitando o acesso ao objeto livro. O livro, pronto para ser lido e desfrutado, já traz incorporada uma enorme cadeia de aportes tecnológicos que vão desde o computador utilizado pelo autor ao CD Rom com o arquivo fechado de texto e ilustrações devidamente diagramados que hoje já não passam pela fase dos fotolitos, indo diretamente à chapa de impressão.

Das inscrições rupestres, das pequenas tábuas, ao papiro, pergaminho, papel, computador, palm, e-book, o leitor percorreu o universo tecnológico que esteve à sua disposição e ainda se informou, viajou, sonhou, aprendeu e ensinou.

*Wander Soares é presidente da Abrelivros - Associação Brasileira de Editores de Livros.

Fonte: Pauta Mega Brasil, 28/04/2003

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11 - Jornalista conta a história do Brasil em fascículos, agora reunidos em livro

Miriam Abreu

A paixão pela história do Brasil, principalmente pelo século XVI, corre nas veias do jornalista Eduardo Bueno. Tanto que ele já publicou três livros sobre o assunto pela Editora Objetiva - "A Viagem do Descobrimento", "Náufrago, Traficantes e Degredados" e "Capitães do Brasil". Foram vendidos cerca de 600 mil exemplares dos três volumes juntos. A série terá sete. Em dezembro, ele decidiu lançar "Brasil: Uma História - A Incrível Saga de um País", pela Editora Ática. A obra foi baseada nos 40 fascículos escritos por Bueno para os jornais Zero Hora e Folha de S. Paulo. Quando decidiu reuni-los em livro, Bueno teve que reescrever durante seis meses alguns dos textos.

A obra traz a história do Brasil desde a chegada de Cabral até o governo Fernando Henrique Cardoso. "Não deu para incluir a eleição do Lula porque tinha um prazo para entregar o livro", explica o autor. Ele conta que "Brasil: Uma História" é um convite a uma viagem pela história e ao prazer da narrativa. "É como se fosse um romance. Ou é um aperitivo ou é uma sobremesa", compara.

A idéia de fazer os fascículos surgiu quando trabalhava no Zero Hora, em 1996. Ele lembra que apresentou o projeto de escrever sobre o século XVI no Brasil, época pela qual é fascinado porque, segundo o jornalista, é marcada por uma dose de ação e aventura. A direção do diário achou a idéia ótima, mas disse que queria toda a história do Brasil. Bueno fez um orçamento, mas o alto valor obrigou o Zero Hora a se associar a Folha de S. Paulo. Os fascículos foram um sucesso. "A História do Brasil" foi uma das coleções mais vendidas pela Folha e a mais vendida pelo Zero Hora.

Bueno procurou o inusitado e escreveu histórias com uma riqueza de detalhes que conquista os leitores. O jornalista diz que muitos dos registros e pesquisas que constam no livro foram tirados dos 7 mil volumes que existem em sua biblioteca pessoal - 4 mil deles só sobre a história do Brasil. Um importante veículo para as pesquisas dele é a revista do Instituto Histórico-geográfico do Rio de Janeiro. Até hoje, o instituto, fundado por D. Pedro II em 1870, tem uma publicação mensal.

Ele também realizou uma pesquisa iconográfica. Durante quase um ano, o autor pesquisou imagens em museus e bibliotecas brasileiras. Estas imagens foram entregues ao diretor de arte Victor Bourton. Para falar sobre elas, Bueno escreveu o capítulo "Iconografia comentada", no qual ele explica que todas as imagens ali publicadas foram fabricadas. "Elas não são reais. Essas imagens são criadas por pintores e escultores depois dos acontecimentos. Faço uma análise de como elas foram fabricadas".

Para se dedicar às suas obras, Bueno tomou uma importante decisão: deixar as redações - ele, com 44 anos, 20 de jornalismo, entrou no mercado de trabalho aos 18 anos. "Não agüentava mais a vida de jornalista", diz, explicando que o corre-corre diário o deixava exausto. Mas ele conta que a vida de autor também é estressante. Ás vezes, o jornalista fica incomunicável porque tem uma série de compromissos assumidos com as muitas editoras espalhadas pelo Brasil. Recentemente, ele acabou de editar "Todas as Cartas de Américo Vespúcio". Foram 40 dias de prazo para escrever 485 notas de pé de página e 46 páginas de introdução.

Entre os muitos projetos para este ano está o de publicar o quarto volume, pela Editora Objetiva, de Terra Brasilis.

"Brasil: Uma História - A Incrível Saga de um País", de Eduardo Bueno

Editora Ática

Preço: 49,90

447 páginas

Fonte: Portal Comunique-se, 28/04/2003

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12 - O Jovem Jornalista Glauber Rocha

Cristiane Costa e Catherina Epprecht (Fonte: Jornal do Brasil, Idéias, 3/5/2003)

Aos 22 anos de idade, Glauber Rocha não passava de uma promessa. Em 1961, o cineasta tinha em seu currículo apenas os curtas O pátio, de 1958, e A cruz na praça, de 1959. Mas foi nas páginas do Suplemento Dominical do Jornal do Brasil que se tornou nacionalmente conhecido. Jornalista antes de ser cineasta, é curioso que sua primeira matéria, ainda num jornal da Bahia, tenha sido uma reportagem policial.

Foi na imprensa que se criou Glauber, o cineasta, o polemista e talvez até o mito. Especialmente após a colaboração com o SDJB, indispensável para o movimento de cinema novo. O próprio Glauber registra isso no livro Revisão crítica do cinema brasileiro, publicado pela primeira vez em 1963 e agora reeditado pela Cosac & Naify, dentro da coleção Glauberiana, organizada por Ismail Xavier.

Nas páginas do jornal, foi consolidado o slogan do cinema novo: ''Uma câmara na mão e uma idéia - este lema valeria, em 1961, como meu cavalo de batalha nas páginas do Suplemento Dominical do Jornal do Brasil'', conta Glauber no artigo ''Independentes''.

Glauber Rocha não batia ponto na redação do Jornal do Brasil, era apenas mais um colaborador de um suplemento que marcaria a história da imprensa brasileira por sua diagramação ousada e o debate cultural de altíssimo nível. Nas páginas do suplemento criado por Reynaldo Jardim, escreviam nomes como Ferreira Gullar, Mário Faustino, Sérgio Paulo Rouanet, José Guilherme Merquior, José Lino Grunewald e Carlinhos Oliveira. Um bando de jovens e desconhecidos, como Glauber.

- Não me lembro do Glauber na redação. Ninguém sabia quem ele era. Só ficou conhecido depois - conta Wilson Figueiredo, hoje vice-presidente do Jornal do Brasil.

Ainda que desconhecido, Glauber já começava a gerar polêmica. Seus dois primeiros artigos no Suplemento, publicados em 7 e 14 de janeiro de 1961, eram respostas agressivas ao jornalista Paulo Francis, que atacara a Escola de Teatro da Universidade da Bahia. A pesquisadora Ivana Bentes, organizadora de Cartas ao mundo, com a correspondência de Glauber e autora de Joaquim Pedro de Andrade, afirma que a polêmica que provocava com seus artigos no jornal foi um aspecto fundamental na vida de Glauber.

- Mais do que pelos filmes, ele se tornou um personagem público por conta da polêmica no jornal.

A repercussão era ainda maior, porque o SDJB já tinha uma postura tradicionalmente questionadora.

- Nessa época ele esteve em contato com grandes questões das artes plásticas. No SDJB também estava sendo feita uma discussão literária de alto nível. Além disso, foi no Suplemento que se consolidou o termo cinema novo, que ele também chamava de cinema ''bossa nova'' - conta Ismail Xavier, organizador da nova edição de Revisão crítica do cinema brasileiro.

O jornalista Sérgio Augusto tem lembranças da agitação de Glauber na época da imprensa estudantil, no jornal Metropolitano, da PUC, no qual também escreviam Arnaldo Jabor, Cacá Diegues, Vianinha e David Neves:

- Ele tinha aquela exuberância de baiano, adorava gerar discussão. Uma vez saiu dizendo que José de Alencar era muito melhor que Machado de Assis e que Jorge Amado era melhor que Graciliano Ramos.

Segundo Sérgio Augusto, apesar das confusões, o cineasta/jornalista era muito carinhoso com os colegas. E arrisca uma explicação para a radicalidade de Glauber:

- Eu achava suas histórias deliciosas. Fazia estas coisas para levantar questões, para fazer pensar.

De fato, nos anos 60, o jornal era mais um lugar de produção de pensamento que um meio de divulgação. E Glauber não o entendia de forma diferente. Para defender a idéias em sua cabeça, não media palavras.

- O jornal para o Glauber era uma espécie de tribuna pública - comenta Ivana Bentes, que recolheu, para uma pesquisa sobre o Glauber jornalista, grande quantidade de artigos publicados na imprensa, tanto na Bahia quanto no Rio de Janeiro, de 1958 a 1981.

- São artigos bem opinativos. Há análises, mas também muita opinião. Glauber não tinha muitas papas na língua e estava muito preocupado com o que era bom ou ruim para o cinema brasileiro.

Uma de suas preocupações era desenvolver uma forma engajada de fazer cinema. No livro e em artigos da época percebe-se sua preocupação com um cinema revolucionário. Era veemente e radical a ponto de chamar de fascista o filme O cangaceiro, ganhador da menção honrosa do Festival de Cannes, pelo seu apelo ao nacionalismo.

- Glauber não era de fazer gracinhas. Era um homem bomba - comenta Reynaldo Jardim, criador do SDJB. - Ele ia ao jornal com alguma freqüência, mesmo quando era para não entregar artigos. Podia não conhecer toda equipe. Mas toda equipe já o admirava pelo talento e rebeldia. Por lá ele sempre foi muito querido.

Sua relação com os jornalistas da época era pacífica, não só por ser um deles, mas também porque muitos jornalistas defendiam o cinema novo. Os cineastas é que sofriam em sua mão.

A nova edição de Revisão crítica do cinema brasileiro traz uma fortuna crítica com algumas das reações à sua primeira edição. Entre elas, uma de B. J. Duarte, publicado em 10 de novembro de 1963, logo que a obra foi lançada, trazendo uma bela descrição de Glauber e de sua forma de escrever: ''De seu físico me lembro bem: rapaz magro, de roupa e cabelo desalinhados, falando com volubilidade e grandes gestos abarcando a frase. De seu espírito pude avaliar o peso através de seus escritos na imprensa carioca, ou pelo testemunho de amizade comum (...) Pois bem, ao ler agora a obra de Glauber Rocha, parece-me que estou a vê-lo, cabelos revoltos e roupa desmanzelada... Porque seu livro se parece com ele, na linguagem pouco cuidada, naquele seu estilo irreverente, às vezes desabrido.'' Mas nos quatro artigos seguintes, publicados no mesmo ano, B. J. Duarte mete o pau no cineasta e no livro. De pedra, o polemista virou vidraça.

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13 - Gilberto Freyre: o teórico e o empírico

Manuel Correia de Andrade (Fonte: Jornal do Commercio, Recife, 4/5/2003)

Um dos aspectos mais interessantes da obra de Gilberto Freyre é o de ter ele sabido, muito bem, integrar o saber teórico com o saber empírico. É impressionante que, ao regressar dos Estados Unidos, no início da década de 20, depois de passar anos estudando em Beylor e em Columbia, ele, embuído de idéias novas não procurasse aplicá-las no Brasil, não procurasse soluções importadas dos estudos que fez no exterior. Ao contrário, ele reagiu ao processo de alienação que atinge fortemente os estudantes brasileiros que permanecem anos no exterior e procuram aplicar soluções não-brasileiras para os problemas brasileiros.

Gilberto, estudando nos Estados Unidos, com mestres nas várias ciências sociais, dentre os mais famosos do mundo, ao elaborar a sua tese de mestrado em Columbia, voltou-se inteiramente para o Brasil, procurando analisar os vários aspectos da nossa sociedade, mais especificamente a do Nordeste, dos meados do século 19. Esse estudo seria a semente que, dez anos depois, geraria o seu livro maior: "Casa Grande & Senzala".

Voltando ao Brasil, mais precisamente ao Recife, procurou, o jovem antropólogo, viver esta sociedade, freqüentando tanto salões refinados, como o de Odilon Nestor, onde eram servidos sequilhos e sucos de frutas da região, como os clubes carnavalescos e os cultos afro-brasileiros onde convivia com o povo, com a gente humilde, onde se abeberava de conhecimentos que lhe seriam muito úteis em sua vida de escritor, associando-se a jovens estudiosos, ele projetou e realizou seminários de estudos afrobrasileiros, mesmo contrariando os senhores da época.

Não é fácil conciliar o saber universitário, adquirindo de forma lenta e metódica, com o saber "da experiência feita", aquele adquirido no contato com a população e que se forma, não-academicamente, mas, sintetizado em conhecimentos práticos. Daí a importância de adágios populares que tanto entusiasmam os folcloristas. Daí, talvez, a sua amizade e colaboração com Luís da Câmara Cascudo.

Gilberto manteve sempre em seus livros um equilíbrio entre o saber teórico, universitário e o saber popular que se adquire nas ruas, daí a facilidade com que ele compreendeu a vida brasileira e a interpretou. Esta conciliação talvez o tenha salvo de uma influência positivista, tão importante para os escritores de sua geração, substituindo-a por um saber eclético - absorvendo várias correntes teórico-ideológicas - com uma forte dosagem dialética, mas não contraditória, como julgam alguns dos seus leitores.

Esta conciliação entre o empírico e o dito científico, entre o conhecimento estilizado e o popular é um dos mais importantes ensinamentos que Gilberto legou aos seus discípulos e continuadores.

Manuel Correia de Andrade, historiador e geógrafo, é da A.P.L.

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14 - A Guerra de Julio Mesquita

Mário Hélio (Fonte: Diário de Pernambuco, 4/5/2003)

"Há também o estado de guerra com a Alemanha, mas já antes disso a dor fazia sofrer". O desabafo do jovem poeta português Fernando Pessoa, escrito numa carta, de 14 de março de 1916, alude à guerra começada dois anos antes, a primeira a mostrar superlativamente que civilização e barbárie estão mais próximas do que julgava o eurocentrismo tão cioso de si na época. Uma interpretação muito especial desses fatos decisivos para a história da humanidade é A Guerra (1914-1918), de Júlio Mesquita, que será lançado, às 19h, nesta segunda-feira, na sede da União Brasileira de Escritores (rua Santana, Casa Forte), com a presença do bisneto do autor, Ruy Mesquita Filho.

Publicado no ano passado pela editora Terceiro Nome, em 920 páginas (quatro volumes de luxo, muito bem ilustrados), o livro reúne os artigos de análise da Primeira Guerra escritos por Júlio Mesquita,que foram publicados por mais de quatro anos todas as segundas-feiras no jornal O Estado de S. Paulo. Há também uma versão do livro em CD-Rom, que custa R$20,00. Os quatro volumes juntos saem por dez vezes esse preço.

Fernando Portela e Jorge Alfredo Vidigal Pontes trabalharam na seleção do material, todo recolhido das páginas do Estadão, e que conservam um tal vigor que é como se o leitor viajasse àquele tempo e pudesse não só olhar de modo frio os acontecimentos da guerra, mas comover-se e enojar-se com o conflito, como talvez já não o faça diante da cobertura quase asséptica e até cínica dos jornais nos conflitos recentes. O especialista em Primeira Guerra, Fortunato Pastore, analisa cada um dos anos da guerra no livro, Jorge Caldeira avalia a contribuição de Mesquita ao jornalismo brasileiro e Napoleão Sabóia estuda a evolução da fotografia (o livro é fartamente ilustrado com fotos, mapas e desenhos).

A sensibilidade do autor faz com que o "o olhar distanciado" com que ele constrói a sua reflexão sobre uma guerra que acontecia tão distante do Brasil seja percebida com uma visão quase profética em vários momentos. Certas antecipações e agudezas de interpretação é que fizeram, recentemente, em mesa-redonda em Paris, antropólogos franceses julgarem estar diante de uma leitura original do conflito que definiu provavelmente os rumos do século XX, e com coisas a ensinar talvez aos próprios europeus que a protagonizaram.

1914 é ano-chave do século passado. Para o historiador Eric Hobsbawm, seria a verdadeira data do início do século XX. Mas o livro de Mesquita aponta para além da guerra que é o seu objeto, prenuncia a Segunda. Embora despretensiosos, os artigos abrangem uma grande variedade de temas diretamente relacionados com o seu assunto, como diplomacia, geografia e propaganda etc.

Ruy Mesquita Filho, que apresenta o livro, afirma que no Estadão o País pôde ler a verdadeira dimensão da agonia daquela guerra. No prefácio, Gilles Lapouge diz que o olhar de Mesquita era globalizante e vivo: "Mesquita pinta. Explica. Dá todos os elementos. Acumula informações. E dramatiza. Mas, ao mesmo tempo, é mais do que jornalista".

Júlio Mesquita (1862-1927), que era advogado de formação, estreou no jornalismo no ano em que se abolia a escravidão no Brasil, no velho A Província de São Paulo. Tornou-se logo dono do jornal e mudou o nome para o atual O Estado de S. Paulo. Atuou também na política, havendo sido deputado estadual e federal, e senador.

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15 - World Wide Web completa uma década de existência

O domínio www, que digitamos praticamente todas as vezes que visitamos um site, completou dez anos de existência.

No dia 30 de abril de 1993, a Organização Européia de Pesquisas Nucleares (CERN) apresentou um documento declarando que uma pequena peça de software chamada World Wide Web era de domínio público.

O anúncio, que marcou o desenvolvimento da grande rede em todo o mundo, há uma década, foi comemorado e divulgado nesta quarta-feira (30/04) pela instituição. No final de 1993, os Web browsers já começavam a pipocar nas máquinas dos usuários dando origem à Internet que conhecemos hoje.

A CERN lembra que a idéia da Web começou em março de 1989, quando o cientista de computadores Tim Berners-Lee escreveu uma proposta para a criação de um "Sistema de Gerenciamento de Informações Distribuídas" direcionado à comunidade de físicos envolvidos com alta tecnologia.

No Natal de 1990, a idéia de Berners-Lee transformou-se na World Wide Web, com seus primeiros servidores e browsers rodando na CERN e espalhando-se por outros laboratórios de física do mundo.

De acordo com o Centro Nacional de Aplicações de Supercomputação, também em abril foi anunciado o primeiro browser chamado Mosaic, um software que utilizava gráficos e simplicidade para abrir a grande rede mundial para as massas. IDG Now!

Fonte: FNDC – Clipping, 5/5/2003

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16 - 100 anos de Ary Barroso: comemoração antecipada pela mídia e show business

Beatriz Coelho Silva (Fonte: O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 7/5/2003)

RIO - A comemoração do centenário de nascimento de Ary Barroso (em 7 de novembro deste ano) começa seis meses antes. A estréia de um show de Marília Pêra, no domingo, em Fortaleza, e o lançamento, no Rio, do livro Ary Barroso - Uma Paixão Brasileira, de Antônio Olinto, inauguram os eventos que entram por 2004. Uma caixa com gravações originais das músicas dele, um especial na Rede Globo e um longa-metragem, ambos com direção de Roberto Faria, estão na agenda da Comissão do Centenário, criada pelo vice-presidente da República, José Alencar, mineiro de Ubá, como o compositor de Aquarela do Brasil e de pelo menos mais uma dezena de clássicos. Em junho, a primeira edição do Prêmio TIM de Música Brasileira também homenageia Ary.

Marília Pêra vai cantar Ary Barroso por encomenda da editora Mondrian, que lança o livro de Olinto e pretende produzir também o filme. Depois de ouvir quase toda a obra do compositor com a pianista Camila Dias, ela escolheu 20, que agrupará por gêneros. "Tem o Ary do samba-exaltação, Aquarela do Brasil e Canta Brasil; o romântico, de Pra Machucar Meu Coração e Na Batucada da Vida; o da dor-de-cotovelo de Risque e Folha Morta e o carnavalesco, de Dá Nela, Eu Dei e outras marchinhas e sambas", explica. "Tem músicas lindas que eu não conhecia e outras que eu adorava mas não sabia que eram dele."

Marília é expert em clássicos brasileiros, mas acha Ary Barroso mais difícil ainda. "Algumas músicas exigem que a cantora alcance até duas oitavas. Não vou mostrar virtuosismo, mas dizer suas canções com o maior carinho", adianta ela, que não leva em conta outras versões das divas brasileiras, que já homenageou no show Elas por Ela. "Canto de acordo com o que sinto e com o piano da Camila. Às vezes ela sugere uma quedraba no ritmo, na entonação e a música fica pronta. O roteiro ainda pode sofrer alterações, porque terá versões para teatro (no Rio e São Paulo) e para praça pública (em Belo Horizonte e Ubá, em 7 de novembro, com a participação de outros artistas)."

O Prêmio TIM é uma reedição do Sharp, que contemplava os diversos estilos da música brasileira. Segundo seu mentor, José Maurício Machline, a homenagem foi uma decisão unânime do conselho curador, do qual fazem parte o ministro da Cultura, Gilberto Gil, Rita Lee, Paulo Moura, João Bosco e Zuza Homem de Mello. "Ele tem uma das maiores obras do País. Só Tom Jobim o supera em sucesso. E foi também radialista importante, descobriu talentos como Elza Soares e Ângela Maria", lembra Machline. "A entrega dos prêmios será permeada pelo show com músicas de Ary. A direção musical será de Wagner Tiso (mineiro como o homenageado), que ainda não definiu o repertório e os cantores. O difícil numa obra tão importante é fechar só com o que cabe num espetáculo desses."

Em São Paulo, a gravadora Velas busca R$ 580 mil, pela Lei Rouanet, para lançar uma caixa com as gravações originais das 308 músicas de Ary lançadas em disco. "Começa com Vou à Penha, gravada por Mário Reis em a 1928, passa por Aquarela do Brasil, que Francisco Alves cantou em 1922, com a famosa introdução de Radamés Gnattali, e inclui os sucessos de Carmem Miranda, desde Na Baixa do Sapateiro (de 1938) e Boneca de Piche (com Almirante, no mesmo ano)", conta o produtor do disco, Luiz Pedreira. Há três anos, ele lançou todas as gravações de Noel Rosa, em parceria com Omar Jubran, pesquisador que encontra os fonogramas e os prepara para o lançamento em CD.

"A ordem será cronológica e haverá uma pequena biografia de Ary Barroso, além de dados sobre cada gravação. Se o patrocínio sair até agosto, será possível lançá-la em novembro, no aniversário de Ary Barroso.

Antônio Olinto avisa que seu livro não é uma biografia. "O Sérgio Cabral já fez No Tempo de Ary Barroso, que é definitivo (e deve ser relançado em maio). Escrevi um livro-exaltação, com histórias que revelam sua personalidade. Escrevi também um infantil, Ary e o Dragão, a ser lançado mais adiante", adianta Olinto, que conheceu o compositor ainda em Ubá. "Ele tocava piano no cinema de meu pai e eu, garoto, ia todo dia ouvi-lo. Quando vim para o Rio, ele era artista consagrado. Não éramos do mesmo grupo, mas o Ary sempre teve muita simpatia por mim."

Litígio - Duas notas desafinam a festa dos 100 anos de Ary Barroso. Uma é a briga judicial entre os herdeiros do compositor, a filha dele, Mariuza e o neto, Flávio Rubens, com a Editora Irmãos Vitale, que administra sua obra.

Segundo o advogado da família, Diamantino da Silva Filho, a empresa, que cuida também de Edu Lobo, Herivelto Martins, Carlos Lyra e outros medalhões, tem falhado em sua competência. "Eles não pagam os direitos nas quantias e nos prazos devidos e, na defesa e divulgação da obra, têm agido com desinteresse", explica o advogado. "A minissérie Aquarela do Brasil, exibida pela Rede Globo, não rendeu um centavo sequer à família, apesar do usar o título do maior sucesso de Ary Barroso."

A Globo garante que pagou pelo uso do título à editora, como é de praxe nesses casos, mas não divulga a quantia. Já o presidente da editora, Fernando Vitale, explica que cumpre o contrato fechado com Ary Barroso ainda em vida. "Os herdeiros é que querem mudar as bases", comenta. Ele, no entanto, não tem dados sobre quantas gravações autorizou, sequer de Aquarela do Brasil, que figura entre 20 mais tocadas do mundo, nem pretende relançar partituras, avulsas ou em livros, no centenário. "É um produto de público restrito e os do Ary Barroso ainda estão no catálogo, vendendo bem."

A outra nota é a falta de abrigo para o acervo do compositor, recolhido por Mariuza desde os anos 40. Ela guarda em casa itens como os desenhos originais de Walt Disney para o filme Você já Foi à Bahia? (inclusive um esboço do Zé Carioca, assinado), raros discos de dez polegadas com Ary ao piano e primeiras edições de partituras. Mariuza recusou ofertas da Biblioteca Nacional e do Museu da Imagem e do Som do Rio, por temer que o material não seja guardado em condições adequadas e porque quer criar, com esse acervo, uma casa do músico brasileiro. Olinto, otimista, acha que a prefeitura pode tomar a si o encargo. "Basta pegar um dos casarões da Lapa ou da Praça Tiradentes, que pertencem ao município, e instalar esse material lá", resume. Ary Barroso bem que merecia.

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17 - Associação Brasileira de Cinematografia homenageia o fotógrafoThomaz Farkas

Maria do Rosário Caetano (Fonte: o Estado de S. Paulo, Caderno 2, 7/5/2003)

Depois de homenagear os fotógrafos Ricardo Aronovich (Os Fuzis) e Dib Lutfi (A Lira do Delírio) em suas duas primeiras edições, o Prêmio ABC - que a Associação Brasileira de Cinematografia entrega na sexta-feira, na Sala Cinemateca - vai homenagear Thomaz Farkas. Há algo em comum entre esses fotógrafos. Os três têm origem estrangeira. Aronovich nasceu na Argentina e vive na França. Dib é filho de sírios. Farkas nasceu na Hungria. Os três descobriram o Brasil profundo registrando imagens em celulóide e trazem na bagagem grande folha de serviços prestados ao cinema brasileiro.

Lauro Escorel, presidente da ABC, conta que a associação presta homenagem, a cada ano, "a colega de ofício que deixou sua marca na construção de nossa cinematografia e cujo trabalho é fonte de inspiração e reflexão para todos nós. Esse é o caso de Thomaz Farkas".

"A originalidade de nosso terceiro homenageado começa na década de 60, quando o cinema brasileiro buscava construir e apresentar imagem crítica de nossa realidade", prossegue Escorel. Nesse contexto, "Farkas, pelo cinema documentário, começa a montar novo retrato do País, atuando como produtor, autor e fotografando documentários."

Escorel cita o longa Brasil Verdade (Farkas fotografou três partes dele), Viramundo, Subterrâneos do Futebol e Nossa Escola de Samba, e Afonso Beato, Memória do Cangaço) como marco do cinema documental brasileiro. "Suas imagens são referências para se ver e pensar o Brasil."

O presidente da ABC destaca também "a originalidade de Farkas" em sua relação com os técnicos. "Ele oferecia a todos o melhor equipamento possível. Preocupava-se com o requinte da técnica, mas sem cair na mistificação do tecnicismo exagerado."

O documentarista Sérgio Muniz, que participou da elaboração do catálogo-mostra Caravana Farkas, organizado pelo Centro Cultural Banco do Brasil, em 97, está feliz com as homenagens prestadas ao fotógrafo e presidente do Conselho da Cinemateca Brasileira.

"Se outros méritos não tivesse, Farkas teria seu espaço garantido na história do cinema brasileiro por ter bancado, no início da ditadura militar, a produção de quatro documentários (Viramundo, Memória do Cangaço, Subterrâneos do Futebol e Escola de Samba)", pondera Muniz. E mais: "Nos idos de 68-69, apesar do recrudescimento da ditadura, bancou uma segunda safra de documentários (hoje conhecida como Caravana Farkas). E isso aconteceu num momento em que mostrar o Brasil profundo, com suas contradições e problemas, era um risco."

Muniz lembra que "Farkas é o único produtor brasileiro que decidiu bancar com recursos próprios a recuperação e preservação de suas produções documentais, transferindo-as para suporte magnético digital, sem ter de implorar recursos aos órgãos oficiais". E lembra que ele produziu e fotografou quatro de seus filmes (Rastejador, Um a Um, Beste e O Provador de Café). E fez a fotografia adicional de Andiamo in'Merica e De Raízes & Rezas.

Geraldo Sarno, diretor de Viramundo, filme que divide com Maioria Absoluta, de Leon Hirszman, a condição de obra-prima do documentário de corte sociológico, guarda ótimas lembranças do trabalho com Farkas.

"Thomaz foi, além de fotógrafo, produtor de meu primeiro filme documental, Viramundo. Me recordo dele manobrando a câmera. Ele fotometrava rigor e delicadeza. Deslocava a lente para filmar detalhes macro.Com o tempo aprendi que não era uma lição de fotografia o que nos dava, mas de vida. Tive a alegria de voltar a fazer mais alguns filmes com ele", relembra.

Guido Araújo, coordenador da Jornada de Cinema da Bahia, lembra que Farkas fotografou três de seus documentários: Feira da Banana, Morte das Velas do Recôncavo e Agentes Poluidores do Mar (este, realizado com alunos da Universidade Federal da Bahia).

Para Araújo, Farkas, além de amigo de muitas décadas, "é sinônimo de sensibilidade, humildade e profissionalismo". Afinal, "num set de filmagem, ele sempre se comportou de maneira discreta e bem-humorada, criando clima de total confiança com o diretor, o que muito contribuiu para o resultado das imagens captadas, sobretudo nas cenas em que gente do campo estava, pela primeira vez, em foco. Gente que nunca tinha visto uma câmera. A Arriflex 16 milímetros, a preferida de Farkas, foi sempre um instrumento voltado para o registro de imagens do povo brasileiro, em especial de seus artistas".

"Nunca vi atitude de estrelismo em Thomaz", assegura Araújo. "Seu comportamento foi sempre de compreensão e companheirismo para se adaptar às carências da produção. Quando ele estava no campo de filmagem, desaparecia o empresário húngaro-paulista, dono da Fotoptica, o fotógrafo renomado, o homem habituado ao conforto e às luzes internacionais. Diante de nós, o que víamos era um profissional competente e sensível, que compartilhava, de igual para igual, todos os prazeres e dificuldades da equipe de filmagem."

O fotógrafo Thomaz Farkas nasceu em 1924 (ano que vem fará 80 anos). Seis anos depois, chegou ao Brasil. Formou-se em Engenharia na Escola Politécnica da USP e iniciou-se na fotografia na loja do pai (matriz da Fotoptica). Nos anos 40, integrou-se ao Foto Clube Bandeirantes e começou seus experimentos, realizando fotos abstratas. Conheceu o grande fotógrafo inglês Chick Foyle (O Pagador de Promessa), na Vera Cruz e, amadoristicamente, realizou seus primeiros filmes.

O cinema entraria, para valer, na vida do fotógrafo, quando ele conheceu o argentino Fernando Birri e os jovens hispano-americanos e brasileiros (entre eles Vladimir Herzog) que passaram pela Escola de Documentários de Santa Fé, na Argentina.

Das discussões do grupo (integrado por Birri, Edgard Pallero, Maurice Capovilla, Manuel Gimenez, Sérgio Muniz e Herzog) nasceu o desejo de realizar filmes sobre a realidade brasileira. Capovilla fez Subterrâneos do Futebol e Gimenez, Escola de Samba. Dois baianos se agregaram à trupe: Geraldo Sarno, com Viramundo, e Paulo Gil Soares, protegido de Glauber Rocha, com Memória do Cangaço.

No fim dos anos 60, Farkas comandou mais uma bateria de curtas, todos focados na cultura popular brasileira, em especial a nordestina. A professora Fátima Feliciano, da UniFiam, enquadra o acervo dessa fase sob o conceito da folkcomunicação (corpus investigativo que privilegia a comunicação dos marginalizados). A professora, que criou na universidade o Cineclube Thomaz Farkas, lembra que a maioria dos curtas realizados no fim dos anos 60, início dos 70 inspirou-se nas idéias do pioneiro das ciências da comunicação no Brasil (e criador da disciplina Folkcomunicação), Luiz Beltrão.

Farkas, por sua vez, produziu os filmes sob nome genérico (A Condição Humana). Mas o nome não emplacou. Para os profissionais que ele produziu (diretores como Eduardo Escorel, Miguel Rio Branco, Capovilla, Sarno, Muniz, Mauricio Beru, Paulo Gil e Guido Araújo) e jovens fotógrafos (Jorge Bodanzky, Lauro Escorel, Pedro Farkas) o que emplacou foi o agregador Caravana Farkas.

Thomaz Farkas produziu, além de Brasil Verdade, mais três longas-metragens: Sítio do Pica Pau Amarelo e Coronel Delmiro Gouveia, ficções dirigidas por Geraldo Sarno, e Herança do Nordeste (coletânea de cinco curtas).

Co-produziu os documentais Tristes Trópicos, de Arthur Omar; Certas Palavras com Chico Buarque, de Maurício Beru, e Jânio a 24 Quadros, de Luiz Alberto Pereira. Como diretor, ele assina três curtas: Paraíso Juarez (o Pedro Arcanjo de Tenda dos Milagres, de Nelson Pereira); Todomundo (Futebol + Torcida = Espetáculo Total!) e Hermeto, Campeão (sobre multiinstrumentista Hermeto Paschoal).

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18 - Record recupera e organiza arquivo de 50 anos

Miriam Abreu (Fonte: Portal Comunique-se, 23/5/2003)

Seis mil rolos de filme, incluindo reportagens filmadas em película 16mm, dos anos 50 e 60, a posse e a renúncia de Jânio Quadros e a construção da Ponte Rio Niterói. Essa é apenas uma parte do acervo da TV Record, que deu início há um ano a um processo de recuperação e organização de seus arquivos. O projeto é uma das muitas formas de comemorar os 50 anos da emissora, que estreou no dia 27 de setembro de 1953.

Embora a Rede Record tenha disponibilizado de R$ 2 milhões para dar conta da recuperação e restauração das imagens, o grupo vem tentando fechar parcerias com produtoras e tentando captar mais dinheiro para terminar o trabalho.

A procura pelo material, segundo o diretor de programação, Hélio Vargas, é cada vez maior. O Canal Discovery e a rede britânica ITV já manifestaram interesse em comprar algumas imagens. "TVs de outros países, como a BBC, compraram material recentemente", comenta.

Por enquanto, essas imagens estão sendo gravadas em fitas betacam digitais. Depois, elas serão digitalizadas.

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19 - Editora do Autor: gênese e ressurgimento

Fernanda Couto

Fonte: Traça On Line (15/05/2003)

O que teriam em comum Cecília Meireles, Drummond, João Cabral, Fernando Sabino, Sartre e Salinger? A resposta está na marca que já foi sinônimo de muita badalação: A Editora do Autor, no catálogo da qual grandes autores nacionais e internacionais estiveram reunidos desde sua criação, em 17 de setembro de 1960, com uma histórica noite de autógrafos de Jean-Paul Sartre, no Shopping Center Siqueira Campos, no Rio de Janeiro. Entre os convidados, a feminista Simone de Beauvoir e Rubem Braga, amigo do escritor francês que lançava Furacão sobre Cuba. Nascia ali a história de sucesso da Editora do Autor, que agora está relançando O apanhador no campo de centeio, clássico de Salinger e outros dois livros do recluso escritor norte-americano.

A idéia de fundar uma editora surgiu de Walter Acosta, atual dono da Editora do Autor. O projeto, mesmo antes de sair do papel, já tinha dois sócios importantes: Rubem Braga e Fernando Sabino. Acosta criou a editora para "proporcionar maiores rendimentos aos sócios-autores, uma vez que poderiam somar os direitos autorais aos lucros como editores".

A sociedade durou apenas sete anos, mas com resultados "altamente positivos", segundo Walter Acosta. O editor explica que os efeitos só não foram mais consagradores porque "àquela época não havia no Brasil sequer uma distribuidora de livros eficiente e confiável. Os livros eram remetidos "em consignação", e em grande parte devolvidos."

Mas em 2003 a história é bem diferente. A Editora do Autor preparou uma caixinha recheada por três clássicos de Salinger - O apanhador, Nove Estórias e Franny e Zooey, todos com roupagem nova elaborada por Virgínia Acosta, filha de Walter Acosta, e Bruno Liberati, jornalista e ilustrador do Jornal do Brasil. A primeira edição de mil exemplares da coleção está esgotada. Reeditar Salinger era uma idéia antiga, há muito tempo sonhada - "Reeditamos Salinger porque sentimos que o público, que o cultua permanentemente através de O apanhador, perguntava sempre pelo Nove Estórias e o Franny e Zooey, que tiveram esgotadas suas edições anteriores, apesar da apresentação insatisfatória", diz o editor. Mas por que a aposta na reedição de um clássico americano? Para o editor, "basta uma leitura na lista de best-sellers para verificar como são poucos os livros de valor nesse momento. Sorte que a obra de Salinger pontifica tranqüilamente."

Não é só de escritores internacionais, no entanto, que se faz uma editora. Grandes autores nacionais bateram ponto na Editora do Autor, entre eles: Vinícius de Moraes, João Cabral, Paulo Mendes Campos, Bandeira e Stanislaw Ponte Preta. No currículo da editora, que "não possui uma linha editorial definida", segundo Acosta, publicando os mais variados gêneros literários e até livros de Direito, estão os sucessos que marcaram toda uma geração, encabeçados pelos livros: O apanhador no campo de centeio, de Salinger; Para viver um grande amor, de Vinícius de Moraes; Febeapá, de Stanislaw Ponte Preta; e O processo penal, com 22 edições.

Acosta relata que foram poucos os livros que não se tornaram sucesso. "Poderia citar, sem muita convicção, o Brasil, terra e alma, uma coleção de antologias dirigida por Drummond. Não teve sucesso. As antologias que vingam são as poéticas, porque os poemas, via de regra, aparecem por inteiro." Já que a crítica influencia e muito na aceitação do livro, o editor, entretanto, não poupa galanteios aos cadernos de crítica literária que circulam no Brasil: "Eles são a vitrina da atividade cultural do país, responsáveis, portanto, pela preservação do patrimônio intelectual e pela orientação dos leitores. Na minha opinião, a atividade do crítico pode ser e, geralmente é benéfica, levando o autor a rever convicções e isto é uma forma de evoluir. Mas não devem praticar a "critiquice" - mania de falar, criticar ou censurar à toa".

A Editora do Autor pretende continuar apostando na política de relançar títulos que fizeram história, embora clássicos sejam um tesouro difícil de ser garimpado - "Bem que gostaríamos de relançar outros clássicos, mas eles estão muito bem guardados", explicou o editor.

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20 - Biografia de Rui Facó, jornalista que resgatou epopéia de cangaceiros e fanáticos

Luis Sergio Santos

Sou professor do Curso de Comunicação da Universidade Federal do Ceará, e estou escrevendo a biografia do escritor cearense Rui Facó, com o título provisório de Rui Facó, o homem e sua missão.

O objetivo é resgatar a história do autor de Cangaceiros e fanáticos, sua formação, os laços de família, o engajamento político, a militância, o compromisso social, a obra, a morte. O livro deverá ser publicado em janeiro de 2004: a pesquisa está em pleno andamento, ao mesmo tempo em que escrevo a obra.

O trabalho tem a seguinte estrutura: Introdução, Ensaio biográfico (com vários capítulos), Memória iconográfica, Fac-símiles e Anexos (textos dispersos de Rui Facó publicados em jornais e revistas, depoimentos, textos de terceiros sobre a obra de Rui, incluindo uma resenha de Astrojildo Pereira quando do lançamento de Cangaceiros e fanáticos).

O volume deverá ter em torno de 350 páginas, e a pesquisa de campo, com entrevistas e recolhimento de material e coleta de dados em Beberibe (CE), Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

O jornalista e escritor Rui Facó nasceu em 4 de outubro de 1913, na cidade de Beberibe, no Ceará. Filiado ao Partido Comunista Brasileiro, além de artigos e reportagens sempre tendo o povo como tema, Cangaceiros e fanáticos é obra póstuma, lançada em 1963, um clássico no assunto. Mas foi em fins de 1958 que escreveu seu primeiro artigo sobre Canudos: "A guerra camponesa de Canudos". Morreu no dia 15 de março de 1963, aos 50 anos, num desastre de avião no Rio de Janeiro. Era viúvo e deixou apenas um filho, Paulo, então estudante de Direito.

Em 1902, em Os sertões, Euclides da Cunha, neto empobrecido de um comerciante de escravos, aprofundaria as teses racistas sobre os fatos de Canudos, enriquecendo-os com critérios deterministas geográficos e climáticos. Por décadas, esses delírios racistas e elitistas foram moeda corrente no Brasil. A seguir, sobretudo com estudos como o de Rui Facó, passaram a ser tidos apenas como registro dos preconceitos da época. Enquanto Euclides da Cunha apresentava os aspectos geográficos e raciais de Canudos, Rui Facó examinou aspectos sociais, sob uma interpretação viva de "esquerda".

Rui Facó é digno representante e defensor do povo brasileiro. Para ele, a mistura das raças constitui um fio único na formação do povo brasileiro, na sua maneira de ser e na perspectiva do futuro.

Informações para Omni Editora Associados Ltda. <df@fortalnet.com.br>

Fonte: Observatório da Imprensa, 20/05/2003

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21 - Os livros e a censura em Portugal

José Brandão

(Fonte: Sítio Vidas Lusófonas, http://www.vidaslusofonas.pt/livros_e_censura.htm)

Não se sabe bem ao certo quanto tempo a cultura portuguesa pôde viver livre da implacável repressão dos censores e seus mandantes.

Pelo menos desde que D. João III, no ano de 1539, se lembrou de "empossar" um seu irmão mais novo, o cardeal D. Henrique, nas funções de inquisidor-geral do Tribunal do Santo Ofício, os livros, os autores, os editores e tudo o que não entrava nas boas graças da Santíssima Inquisição, jamais tiveram grande descanso e conseguiram dar asas ao seu espírito criador.

Uma das primeiras ordens do cardeal inquisidor foi pôr o prior de São Domingos e os frades da confraria a proceder a um varejo nas livrarias públicas e particulares à procura de livros proibidos ou considerados nefastos. Obras de Damião de Góis, autos de Gil Vicente, a 2ª edição de Os Lusíadas, de Luís de Camões, A Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, O Diálogo do Soldado Prático, de Diogo do Couto e O Esmeraldo de Situ Orbis, de Duarte Pacheco Pereira, estão entre as muitas que conheceram a beatitude dos índices expurgatórios.

Um texto de José Amaro Dionísio, Escritores na Prisão, publicado na revista «Grande Reportagem», de Julho de 1993, conta que de Camões a Camilo, do padre António Vieira a António José da Silva, de Francisco Manuel de Melo ou a marquesa de Alorna a Gomes Leal, de Bocage a Cesariny, é ininterrupto o rol dos poetas, novelistas ou ensaístas que pagaram a factura da sua diferença. Porque foi regra geral esse o crime: ter um rosto e voz próprios. Carrascos, sempre os mesmos: o poder e o dinheiro, a maioria e a manha.

Damião de Góis, cronista de reis e príncipes, esteve preso quatro anos. Quando já era septuagenário acabou por sair sob liberdade condicional para morrer nesse mesmo ano de 1574. Causa da prisão: ser autor da Crónica do Felicíssimo Rei D. Manuel, publicada em quatro volumes, e na qual o monarca viu referências desfavoráveis à sua pessoa e à política do reino, nomeadamente a condenação da matança dos judeus. O primeiro volume foi apreendido e nele introduzido, à revelia do autor, elogios ao cardeal D. Henrique, inquisidor-mor, e à própria Inquisição.

Luís de Camões esteve preso duas ou três vezes, a primeira cerca de nove meses entre 16 de Junho de 1552 e 13 de Março de 1553, por causa de uma simples rixa no Rossio. Sobre Os Lusíadas, que salvara de um naufrágio na costa do Camboja, teve de submeter o texto aos censores do Santo Ofício, instalados no Mosteiro de S. Domingos, e discuti-lo verso a verso. Após a sua morte, ocorrida passado pouco tempo, sobre tudo o que escreveu, incluindo Os Lusíadas, caiu o silêncio da comunidade intelectual do seu tempo, ocupada a elogiar autores que hoje ninguém sabe quem são.

Francisco Manuel de Melo, poeta, dramaturgo, historiador, cronista militar, moralista, foi dos escritores portugueses que mais tempo passou na prisão – entre nove e onze anos, só de uma vez. Os motivos ainda hoje são obscuros.

Padre António Vieira, o profeta do Quinto Império também não escapou aos cárceres da Inquisição, nos quais foi metido em 1665 e 1667 por causa da publicação do livro Esperança de Portugal, Quinto Império do Mundo, Primeira e Segunda Vidas de El-Rei D. João IV, em que defendia os cristãos-novos e sibilava contra os dominicanos do Santo Ofício.

Francisco Xavier de Oliveira, Cavaleiro de Oliveira, o Santo Ofício condenou-o no dia 18 de Agosto de 1761 mas ele estava exilado na Holanda e safou-se. Apenas a sua efígie foi queimada, exactamente no último auto-de-fé que houve em Portugal, e os seus livros foram retirados do mercado.

António José da Silva, «O Judeu», dramaturgo, foi preso pela primeira vez em 1726, juntamente com a mãe. Torturado, liberto meses depois é novamente encarcerado em 1737, de novo com a mãe e agora também com a mulher e a filha. Dois anos mais tarde foi degolado e queimado num auto-de-fé no Terreiro do Trigo em Lisboa. A mulher e a mãe foram igualmente queimadas vivas.

Correia Garção, poeta e dramaturgo foi mandado prender no dia 9 de Abril de 1771 pelo marquês de Pombal. Metido no Limoeiro, aí ficou até 24 de Março de 1773. No dia em que a ordem de soltura chegou, morreu na enfermaria da cadeia.

Filinto Elísio, poeta, sacerdote, denunciado à Inquisição pela própria mãe, já depois da queda de Pombal.

E a lista apresentada no trabalho de José Amaro Dionísio na «Grande Reportagem» parece não ter fim:

José Anastácio da Cunha, preso e desterrado para Évora, já sob o reinado de D. Maria. Tomás António Gonzaga, preso e deportado para Moçambique. Marquesa de Alorna, obrigada a reclusão monástica juntamente com a mãe, viveu nas celas do Convento de S. Domingos de Benfica desde os 7 aos 27 anos de idade, entre 1758 e 1777. Bocage, várias vezes preso, condenado pela Inquisição a ouvir os sermões dos oratorianos no hospício-prisão das Necessidades. Almeida Garrett, preso, várias vezes exilado e demitido dos seus empregos, ora soldado ora ministro, correspondente comercial ou foragido, rico e pobre, é o exemplo de escritor às voltas com a vida. Almeida Garrett chega a vender parte da roupa para arranjar dinheiro, e a deixar a mulher e os filhos em casa de parentes por não ter com que os sustentar. Esteve encarcerado no Limoeiro, nos últimos três meses de 1827, acusado de incitar com os seus escritos o movimento liberal. Camilo Castelo Branco, preso na cadeia da Relação do Porto. Data: 1860-1861. Acusação: adultério. Gomes Leal, preso em 1881 acusado de injúrias ao rei D. Luís no panfleto A Traição e o Regenerado.

Com autos-de-fé, ou sem autos-de-fé, a vida cultural portuguesa raramente deixou de permanecer controlada e bloqueada pelo zelo das censuras e outros afrontamentos à liberdade de expressão e de pensamento.

Já no seu tempo, Alexandre Herculano haveria de escrever:

Onde quer que apareça a censura, onde quer que se aninhe esta irmã gémea da Inquisição, há uma quebra nos foros da independência do homem, há uma insolência do passado contra a dignidade social da geração presente. Seja para o que for, a censura é um impossível político.

Mais nos nossos dias, Anele Reis, autora de um apontamento sobre a censura, publicado no mensário «Portugal Socialista», de Janeiro de 1983, dirá o seguinte:

A censura, numa prática constante e presente através da cultura portuguesa, como dado negativo que é, contribuiu para forjar nossa maneira de ser e de estar no mundo, modelou comportamentos, estabeleceu preconceitos que vêm preocupando historiadores da cultura...

A poucos meses do 25 de Abril de 1974, o então ministro do Interior, Gonçalves Rapazote, ordenava à polícia política para "dedicar um cuidado particular ao imediato cumprimento das seguintes instruções:"

1 - Relacionar as tipografias que se dedicam à impressão de livros suspeitos – pornográficos ou subversivos;

2 - Organizar um plano de visitas regulares a essas tipografias para impedir, efectivamente, a impressão de textos susceptíveis de proibição;

(...)

5 - Organizar a visita regular às livrarias de todo o País para sequestro de livros; revistas e cartazes suspeitos e para apreensão dos que já estão proibidos pela Direcção dos Serviços de Censura;

E como se a censura não fosse suficiente, muitas vezes a Polícia assaltava as casas dos escritores, as gráficas ou os editores levando tudo o que vinha a jeito.

De uma só vez, a editora Europa-América teve 73 mil livros apreendidos e 23 títulos proibidos. A "caça" começou no dia 14 de Junho de 1965. Durante quatro dias deram volta a tudo. Regressaram no dia 23. Agora com carros que cercaram todo o edifício de Mem Martins e levaram toda aquela quantidade de livros. Em dinheiro da altura, o prejuízo andou pelo menos na ordem dos 700 contos. Para a grande maioria dos editores portugueses, nesse tempo, tal situação era a ruína completa.

Nesse mesmo ano, e na sequência da atribuição do «Prémio Camilo Castelo Branco» ao escritor angolano Luandino Vieira, a cumprir uma pena de 14 anos de prisão sob a acusação de terrorismo, a Sociedade Portuguesa de Escritores vê a sua sede, em Lisboa, feita em fanicos por obra de um bando de legionários e agentes da polícia política, acabando por vir a ser extinta por despacho do ministro da Educação Nacional.

Nos dois anos que antecedem ao 25 de Abril de 1974, as prateleiras da editora Seara Nova ficaram com menos 1500 contos de livros que a PIDE/DGS se encarregou de levar para os armazéns da Rua António Maria Cardoso. Além de ter alguns dirigentes e colaboradores detidos na prisão de Caxias (situação que era já quase normal), a Seara Nova podia contar, nessa altura, com pelo menos cinco processos por edições de livros considerados subversivos e que a DGS tinha já enviado para o Tribunal Plenário.

Vários editores viram as suas instalações destruídas e encerradas violentamente pela Polícia, como sucedeu, entre outros, com a Editorial Minotauro. Alguns tinham quase todas as suas edições proibidas de circular no mercado. Na lista que se apresenta no final deste texto, é bem visível um lote de editoras que aguçavam, com especial sabor, os apetites saqueadores da polícia política encarregue das apreensões.

Um dos últimos relatórios da actividade da Comissão de Censura, referente a Janeiro de 1974, indica quase centena e meia de títulos retirados do mercado em apenas um mês.

Segundo afirmou, em 1984, a Comissão do Livro Negro do Fascismo, foram proibidas durante o regime Salazar/Caetano cerca de 3300 obras.

Poucos foram os grandes nomes da cultura portuguesa que escaparam ao crivo da censura repressiva. Uma lista enorme de autores, onde constam alguns dos maiores vultos de sempre da nossa cultura, foi divulgada logo a seguir ao 25 de Abril de 1974 pela Comissão Directiva da Associação dos Editores e Livreiros Portugueses.

Apesar da censura não se aplicar directamente aos livros, estes eram com facilidade retirados do mercado e os seus autores ou editores sujeitos a castigo. Foi o que aconteceu ao grande escritor Aquilino Ribeiro. Em 1959, com 74 anos de idade, o maior romancista português do seu tempo vê-se perante a barra do Tribunal, indiciado num processo por delito de opinião, em que a pena de prisão poderia ir até oito anos. Isto por ter publicado o romance Quando os Lobos Uivam, onde retratava uma realidade da vida camponesa, na Serra da Estrela, que desagradou ao regime de Salazar.

Para Heliodoro Caldeira, advogado de Aquilino Ribeiro nesse famoso processo e, também ele, um homem habituado nas lides do combate contra a ditadura, o caso explicava-se em meia dúzia de palavras, conforme teve oportunidade de expor aos autos de defesa do seu constituinte, onde, a dado passo, afirma o seguinte:

Através do presente processo, mais do que provar umas pretensas ofensas a tais e tais pessoas ou denunciar um ataque a certa estrutura política, o que parece procurar-se é coarctar o direito de um escritor fazer qualquer obra de ficção em que por transposição imaginativa tome posição acerca dos problemas que respeitem ao meio em que está integrado. Quer dizer, pretende-se relegar o artista à situação de simples escrevinhador de histórias, que não têm outra função senão a de divertir o bom burguês satisfeito com a vida e com o mundo. Acabar-se-á de uma vez para sempre com a liberdade de pensar, e ninguém pense mais em emitir juízos quanto à sociedade em que vive, passando todas as estruturas a ser inatacavelmente perfeitas, e nelas tudo correndo panglóssicamente pelo melhor. Seria o último estádio de um lento processo com fim de esmagar toda e qualquer manifestação de inteligência, de aniquilar o indivíduo como ser pensante e de o acorrentar bovino e passivo ao arado de que o Poder segura a rabiça.

A obra literária, tornada meio de embrutecimento e de nirvanação, iria caindo aos poucos num formalismo académico, num anedotário para bacocos, todas as formas destituídas, a preceito, de conteúdo. E adeus literatura, adeus cultura, adeus personalidade nacional!

Episódios como este, passado com Aquilino Ribeiro, davam para encher páginas e páginas contando situações vividas por outros nomes da craveira intelectual do grande mestre do romance Quando os Lobos Uivam. Alguns estão ainda vivos. E muitos são aqueles que, com maior ou menor impacto, conheceram a violência da censura no seu pensamento escrito, quando, não mesmo, a violência da brutalidade física na sua carne e na sua dignidade.

Por uma razão ou outra e por mais ou menos tempo, muitos escritores foram detidos sob a acusação de delitos políticos ou de atentado aos costumes. José Amaro Dionísio aponta algumas dessas situações:

No primeiro caso a lista vai de Maria Lamas e Rodrigues Lapa a Urbano Tavares Rodrigues – preso três vezes –, de Alves Redol, Alexandre Cabral, Orlando da Costa, Alexandre O´Neil, Alberto Ferreira e António Borges Coelho a Virgílio Martinho, António José Forte e Alfredo Margarido ou os mais novos Carlos Coutinho, Carlos Loures, Amadeu Lopes Sabino, Fátima Maldonado, Hélia Correia e Raul Malaquias Marques. Augusto Abelaira, Manuel da Fonseca e Alexandre Pinheiro Torres estiveram igualmente detidos às ordens da PIDE em 1965, na sequência da atribuição do prémio da Sociedade Portuguesa de Escritores ao romance Luuanda, do angolano Luandino Vieira. Abelaira, Fonseca e Torres integravam o júri que decidiu o prémio a Luandino, preso no Tarrafal, e a SPE foi assaltada e extinta. Julgados em plenário foram ainda, por causa do livro Poesia Erótica e Satírica, Natália Correia, Ary dos Santos, Mário Cesariny, Ernesto Melo e Castro, Luiz Pacheco e o editor Fernando Ribeiro de Melo. Condenados com multas e prisão remível. Os dois últimos voltaram ao plenário para outro julgamento, o da tradução e publicação da Filosofia na Alcova, de Sade, que juntou no mesmo processo Herberto Helder e o pintor João Rodrigues. Condenados também com multas e prisão remível. Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa desceram por sua vez à barra do tribunal por causa das Novas Cartas Portuguesas. Absolvidas, já depois do 25 de Abril, embora o julgamento, evidentemente, tivesse começado antes. Nesta mistura de política e atropelos vários, Luiz Pacheco e Mário Cesariny são dois casos em destaque. Pacheco, como ele próprio recorda, esteve pela primeira vez preso em 1947 no Limoeiro, acusado de estupro. Foi condenado na Boa-Hora a pena suspensa. Voltou ao Limoeiro em 59, desta vez sob acusação de atentado ao pudor. Foi absolvido. De novo na cadeia em 68, por rapto e estupro. Desta vez foi condenado a meses de prisão efectiva, que cumpriu nas Caldas na Rainha e no Limoeiro.

Cesariny envolveu-se em 1960 em "actos imorais". Obrigado a residência fixa, tinha de se apresentar todos os meses na Polícia Judiciária. (...) Esteve preso por menos uma outra vez, em Paris, em 1964, acusado de "ultraje público ao pudor".

Tudo era assim neste país conforme nos conta o autor do artigo Escritores na Prisão: - a maldição que os une é a mesma: um país que em cada época e de geração em geração encomenda os seus escritores à miséria ou para o exílio, ao suicídio ou para a prisão. Para a prisão, juntamente: dos cronistas de 1500 aos autores contemporâneos sucedem-se os intelectuais que por razoes políticas, rivalidades pessoais ou inconformismo de costumes sofreram maior ou menor parte das suas vidas atrás de grades.

Tudo era assim e continuava a ser. De pouco serviam as intervenções parlamentares de deputados liberais, como Francisco Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Miller Guerra e de mais dois ou três que não poupavam o Regime, reclamando corajosamente pelos direitos e liberdades negados aos cidadãos do seu País.

O Governo era mais sensível aos editorialistas de jornais como a Erro! Não é possível abrir a origem de dados.«Época» que, em 1973, escreviam neste tom:

«Abriu há pouco a Feira do Livro de Lisboa. Entre as oitenta e tantas barracas de livreiros, quantas se destinam à propagação de livros apontados à subversão social?»

«Há forças ocultas a manobrar nos planos da inteligência desde as tribunas de crítica (que foram as primeiras posições conquistadas), até aos sectores da publicidade, que permitem comandos espantosos.»

Clara Barata e Luís Miguel Queirós são autores de um trabalho apresentado no suplemento Leituras do jornal «Público» de 11 de Junho de 1994. Chama-se Livrarias no Regime Fascista e nele alguns intervenientes recordam as suas experiências desse tempo: Reunia-se aqui muita gente contada com a oposição à ditadura – explica Fernando Fernandes, que acompanhou todo o percurso da Livraria Divulgação e passou a sócio-gerente da Livraria Leitura. Antepassada da actual Leitura, a Divulgação foi, no Porto, ao longo da década de 60, a mais importante livraria da oposição.

Conforme palavras dos autores do texto do «Público»: à sorrelfa, arranjavam-se os livros dos quais o regime não queria que se ouvisse sequer falar. Escondiam-se em vãos de estantes, paredes falsas, ou até em baldes de tinta, e só se vendiam a clientes de confiança – "por debaixo do balcão", embrulhados em papel pardo.

A norte do Porto, raras eram, também, as cidades que não possuíssem uma ou outra livraria conotada com a oposição ao regime. A do historiador Victor Sá, em Braga – a Livraria Victor, na Rua dos Capelistas, cuja antiga sede foi sacrificada a interesses imobiliários – terá sido, porventura, a que atingiu maior notoriedade.

As pessoas sabiam que ao importar, distribuir ou editar determinadas coisas, se sujeitavam às consequências, conta José Ribeiro, da livraria, editora e distribuidora Ulmeiro, na Avenida do Uruguai, em Lisboa.

Por vezes, levavam-me preso, para a António Maria Cardoso, para prestar declarações. Faziam interrogatórios de intimidação, acusavam-me de ser um comunista disfarçado de comerciante, recorda José Ribeiro. A única hipótese era fazer como Manuel Ferreira da Costa, da Livraria Sá da Costa, de Lisboa: Eles faziam perguntas parvas e a gente respondia parvamente.

Habituávamo-nos a trabalhar em dois níveis. Interiorizávamos os códigos de vivência impostos, sabíamos o que podíamos escrever, editar ou vender. Jogávamos um jogo, reflecte Alferes Gonçalves, da Livraria Finisterra, em Coimbra. Era uma espécie de jogo do polícia e ladrão, acrescenta José Ribeiro.

Os livros proibidos eram verdadeiros "best-sellers", tanto pelo que eram, como por serem proibidos. Muitas vezes nem eram nada de especial. Mas a proibição aguçava o apetite, afirma José Reis, gerente da Livraria Portugal, na Rua do Carmo. Quem fez grande fama dos livros proibidos da Ulmeiro foi a PIDE, comenta José Ribeiro.

O leitor interessado sabia onde encontrar o livro proibido. Em Lisboa, nas livrarias do Centro do Livro Brasileiro ou da Europa-América, na Moraes, ou na Ulmeiro. Na velha Barata, com o malogrado António Barata, ou o Afonso que por lá continua. Na Boa Leitura, junto ao Areeiro, onde um dos irmãos Branco tinha sempre o que era preciso. Ou na cooperativa do Clube Expresso, frente ao Hospital dos Capuchos, onde o Lourenço atendia os mais subversivos pedidos de títulos caídos em desgraça.

As cooperativas livreiras foi uma outra realidade no mundo dos livros proibidos. Éramos todos muito jovens, tínhamos 18 ou 20 anos. Foi a nossa grande escola política, diz Irene Rodrigues, que trabalhou, desde 1966, na Livrelco e está hoje na Livraria Buchholz, na Rua Duque de Palmela, em Lisboa.

Ainda uma palavra sobre os que começaram a sua luta contra a censura, através da Imprensa escrita, em suplementos literários ou juvenis e, na maior parte, são hoje figuras de mérito na cultura portuguesa. Uma velha guarda, ligada aos jornais, onde se incluem nomes como Óscar Lopes, Álvaro Salema, Augusto da Costa Dias, Mário Castrim, Nuno Teixeira Neves. A Seara Nova, com Câmara Reis, Rogério Fernandes e Augusto Abelaira, onde colaboravam, entre outros, Manuel Sertório, José Tengarrinha, Nuno Brederote Santos, Upiano do Nascimento (da Editorial Inova), Sottomaior Cardia, António Reis, José Garibaldi (da Editorial Estampa), Sérgio Ribeiro e Blasco Hugo Fernandes, (da Prelo Editora), e Jorge Reis e Joaquim Barradas de Carvalho, (ambos escrevendo do exílio), etc.

É de destacar, ainda, a presença, quer na imprensa literária, quer nas editoras, de José Saramago, Fernando Piteira Santos, Carlos Porto, Victor da Silva Tavares, Nelson de Matos, E. M. de Melo e Castro, Eduardo Prado Coelho, etc.

João Medina, Artur Portela Filho, Sttau Monteiro, Luís Francisco Rebelo, Bernardo Santareno, Fiamma Hasse Pais Brandão, por exemplo, viram também os seus trabalhos perseguidos pela censura e alguns pagaram caro a sua ousadia. A PIDE não os poupou.

Ainda entre os que fazendo escola na Imprensa haveriam de afirmar-se como escritores bem conhecidos e apreciados, recorde-se Baptista Bastos, Mário Ventura, Miguel Serrano, Daniel Filipe, Adelino Tavares da Silva. Ou José Carlos Vasconcelos e Fernando Assis Pacheco. Ou Joaquim Letria, Pedro Alvim, Afonso Praça, Cáceres Monteiro, César Príncipe, Manuel Geraldo, Josué da Silva, Ribeiro Cardoso, Nuno Gomes dos Santos, José Jorge Letria, Leonor Martinho Simões, Eugénio Alves, etc.

Mais nomes poderiam ser aqui citados num desfiar sem conta. A repressão da cultura e dos seus obreiros nas várias e distintas facetas foi uma saga feroz e indiscriminada que só parou quando os tanques do saudoso capitão Salgueiro Maia começaram a entrar vitoriosos no Terreiro do Paço de Lisboa.

[Regresso a "Vidas Lusófonas"]

LIVROS PROIBIDOS NOS ÚLTIMOS TEMPOS DA DITADURA

Nota: Os títulos assinalados com asterisco (*) estavam sujeitos a uma proibição especial, variando entre a Metrópole e as Colónias, ou viram alterada a sua situação face à Censura.

TÍTULO

AUTOR

EDITOR

ABC DE CASTRO ALVES (*)

AMADO, JORGE

EUROPA-AMÉRICA

ACERCA DA CONTRADIÇÃO

TSÉ-TUNG, MAO

LATITUDE

ACERCA DOS DIAS

CÉSAR, ORLANDO

DINALIVRO

ÁFRICA AUSTRAL, A

DURBAN, ARNAUD

DELFOS

AJUSTAMENTO SEXUAL

CAPRIO, FRANK S.

 

ALGEMAS E GRILHETAS

MASCARENHAS, TELO

ORIENTE

ALOCUÇÃO AOS SOCIALISTAS

SÉRGIO, ANTÓNIO

INQUÉRITO

AMANTE DE LADY CHATTERLEY, O

LAWRENCE, D. H.

 

AMANTES E LIBERTINOS

DATTON, CHARLES

 

AMOR E FELICIDADE NO CASAMENTO (*)

KAHN, FRITZ

BRASÍLIA

AMORES, OS

CASANOVA

 

ANDRÉ MALRAUX

FERREIRA, VERGÍLIO

PRESENÇA

ANO DE ELEIÇÕES

GODINHO, J. MAGALHÃES

 

ANOTAÇÕES DO PRESENTE – II

RIBEIRO, SEBASTIÃO

 

ANTOLOGIA DE VANGUARDA

MELLO, F. RIBEIRO

 

ANTOLOGIA FILOSÓFICA

MARX/ENGELS

ESTAMPA

APRESENTAÇÃO DO ROSTO

HELDER, HERBERTO

ULISSEIA

ARTE, LITERATURA E IMPRENSA

VÁRIOS

BRASÍLIA

ASSALTO AO «SANTA MARIA», O

GALVÃO, HENRIQUE

DELFOS

ATALHO DOS NINHO DE ARANHA, O

CALVINO, ITALO

PORTUGÁLIA

AUTO DA FAMILIA

BRANDÃO, FIAMA H. P.

PORTUGÁLIA

AVENTUREIROS, OS

ROBINS, HAROLD

EUROPA-AMÉRICA

BAKUNINISTAS EM ACÇÃO, OS

ENGELS, F.

PORTUCALENSE

BANCARROTA

FONSECA, TOMÁS DA

AUTOR

BASTARDA, A

LEDUC, VIOLETTE

PORTUGÁLIA

BATASUNA (A REPRESSÃO NO PAÍS BASCO)

ABREU, A.

LATITUDE

BOLÍVIA – UM SEGUNDO VIETNAME?

VÁRIOS

D. QUIXOTE

BOMBAS SOBRE HANÓI

BURCHETT, WILFRED

SEARA NOVA

BRASIL DE CARLOS MARIGHELA, O

 

LATITUDE

BREVE HISTÓRIA DO FASCISMO ITALIANO

FIORANI, MÁRIO

 

CAMINHAMOS SERENOS

CARLOS, PAPIANO

 

CAMPANHA, A

BRANDÃO, FIAMA H. P.

PORTUGÁLIA

CANCIONEIRO DA ESPERANÇA

SANTOS, ARY/ HORTA

SEARA NOVA

CANCIONEIRO POPULAR

AFONSO, JOSÉ

CDE

CANTAR DE NOVO

AFONSO, JOSÉ

RAIZ

CANTARES

AFONSO, JOSÉ

NOVA REALIDADE

CANTO E AS ARMAS, O

ALEGRE, MANUEL

ULISSEIA

CAPITÃES DA AREIA (*)

AMADO, JORGE

EUROPA-AMÉRICA

CARNE VIVA

SOLDATI, MÁRIO

 

CARNE, A

RIBEIRO, JÚLIO

BRASÍLIA

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DO CONSELHO

GODINHO, J. MAGALHÃES

REPÚBLICA

CARTA AO PARTIDO OPERÁRIO POLACO

KURON, J./MODZELEWSKY

PAISAGEM

CARTAS DE ESTALINEGRADO

SACRAMENTO, MÁRIO

ARCÁDIA

CARTAS SOBRE O MATERIALISMO HISTÓRICO

ENGELS, F.

JÚLIO BRANDÃO

CARTAZES DE PARIS, OS

 

DELFOS

CASAMENTO DOS PADRES, O

ALVES, J. FELICIDADE

AUTOR

CASAMENTO... CASAMENTO

TARSBY, JEAN

DELFOS

CASO DA CAPELA DO RATO, O

 

AFRONTAMENTO

CASOS AMOROSOS, AMIZADE E CASAMENTO

MACANDREW, RENNIE

 

CATOLICISMO DE VANGUARDA

DOMENACH/MONTVALON

MORAES

CATÓLICOS E POLÍTICA

ALVES, J. FELICIDADE

AUTOR

CATÓLICOS HOLANDESES E A EVOLUÇÃO DA IGREJA, OS

VÁRIOS

BRASÍLIA

CAVALEIROS, OS

IANOVSKI, IURI

PORTUGÁLIA

CENSURA – CONSEQUÊNCIAS MARGINAIS, A

SILVA, ROLA DA

 

CHÃO TRÁGICO

CALDWELL, ERSKINE

 

CHE GUEVARA/COMO SE CONSTRÓI UMA LENDA

EBOM, MARTIN

 

CHÉRI

COLETTE

ESTÚDIOS COR

CHILE – ETAPA NECESSÁRIA

CABRAL/GARIBALDI

ESTAMPA

CHINA E O OCIDENTE, A

VÁRIOS

 

CHINA E URSS: DOIS «MODELOS» DE INDUSTRIALIZAÇÃO.

BETTELHEIM/MACCIN

PORTUCALENSE

CHINA, HOJE

VÁRIOS

D. QUIXOTE

CHOCOLATE AO PEQUENO-ALMOÇO

MOORE, PAMELA

DELFOS

CHORA, TERRA BEM-AMADA

PATON, ALAN

EUROPA-AMÉRICA

CIÊNCIA, A PAZ E A SEGURANÇA MUNDIAL, A

F. M. T. C.

SEARA NOVA

CINCO ARTIGOS, OS

TSÉ-TUNG, MAO

LATITUDE

CINEMA E IDEOLOGIA

LEBEL, JEAN-PATRICK

 

CITAÇÕES DE MAO TSÉ-TUNG

TSÉ-TUNG, MAO

LIVRARIA LER

CLANDESTINO, O

TOBINO, MÁRIO

PORTUGÁLIA

CLASSE OPERÁRIA IRÁ DESAPARECER? A (*)

GAOUZNER, N.

ESTAMPA

COCAÍNA

PITIGRILLI

BRASÍLIA

COLAR DE AFRODITE

PITIGRILLI

BRASÍLIA

COLÔMBIA, LUTA DE GUERRILHAS

ARENAS, JACOB

ESTAMPA

COM OS CAMPONESES PARA UMA AGRICULTURA MODERNA

PERCEVAL, LOUIS

 

COMBATE SEXUAL DA JUVENTUDE, O

REICH, W.

TEXT. MARGINAIS

COMEÇO DE QUÊ, VIRAGEM PARA ONDE?

VÁRIOS

PRELO

COMO ANA SE TORNOU MÃE

HOPPELER, JEAN

DELFOS

COMO FIZEMOS A REVOLUÇÃO

TROTSKY, LEON

LATITUDE

COMUNICAÇÃO

CORREIA, NATÁLIA

 

COMUNISMO ACTUAL, O

ROCHET, WALDECK

DELFOS

CONCEITOS DE MORAL

TROTSKY, LEON

DELFOS

CONCÍLIO DO AMOR, O

PANIZZA, OSCAR

ESTAMPA

CONCLUSÕES DO 3º CONGRESSO DA OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA

VÁRIOS

SEARA NOVA

CONDENADOS DA TERRA, OS

FANON, FRANTZ

 

CONDIÇÃO DO PADRE: CASAMENTO OU CELIBATO?

HERMAND, PIERRE

PORTUGÁLIA

CONDIÇÃO HUMANA, A

MALRAUX, ANDRÉ

LIVROS BRASIL

CONGRESSO SINDICALISTA DE 1911, O

OLIVEIRA, CÉSAR

AFRONTAMENTO

CONSIDERAM-SE MORTOS E MORREM

VITTORINI, ELIO

PORTUGÁLIA

«CONTINUIDADE»

REGO, RAUL

 

CONTOS DO DON

CHOLOKOV, MIKAIL

 

CONTOS SOBRE LENINE

VÁRIOS

DELFOS

CONTOS SOVIÉTICOS

BARROS, MARQUES

 

CONTRIBUIÇÃO PARA A HISTÓRIA DO CRISTIANISMO

ENGELS, F.

TEXT. MARGINAIS

COOPERAÇÃO E SEGURAMÇA EUROPEIA

 

SEARA NOVA

COOPERATIVISMO E SOCIALISMO

VÁRIOS

 

CORAÇÃO, SOLITÁRIO CAÇADOR

McCULLERS, CARSON

ESTÚDIOS COR

CORRE, COELHO

UPDIKE, JOHN

EUROPA-AMÉRICA

CRIMES DE GUERRA NO VIETNAME

RUSSEL, BERTRAND

BRASÍLIA

CRISE DA IGREJA, A

VÁRIOS

D. QUIXOTE

CRISTÃOS E A LIBERTAÇÃO DOS POVOS OPRIMIDOS, OS

JOLIF, Y./OUTROS

TEXT. MARGINAIS

CRISTIANISMO E MARXISMO NO MUNDO DE HOJE

VÁRIOS

MORAES

CRISTO NUNCA EXISTIU

BOSSI, EMILIO

 

CRÍTICA DE CIRCUNSTÂNCIA

PACHECO, LUÍS

ULISSEIA

CRÍTICA DO PROGRAMA DE GOTHA, CRÍTICA PROG. ERFRUT,...

MARX/ENGELS/LENINE

PORTUCALENSE

CRÓNICA DOS POBRES AMANTES (*)

PRATOLINI, VASCO

 

CUBA É ESTALINISTA?

VÁRIOS

INI. EDITORIAIS

CUBA E O SOCIALISMO

VÁRIOS

D. QUIXOTE

CUBA, SOCIALISMO E DESENVOLVIMENTO

DUMOND, RENÉ

PRELO

DA CASA SINDICAL AO FORTE DE SACAVÉM

FIRMINO, FRUTUOSO

AFRONTAMENTO

DA PRÁTICA

TSÉ-TUNG, MAO

JÚLIO BRANDÃO

DE MAIO A MAIO

VÁRIOS

PRELO

DE POEMA EM RISTE

VASCONCELOS, JOSÉ C.

AUTOR

DEDO DE DEUS, O

CALDWELL, ERSKINE

PORTUGÁLIA

DELIRANTE BRASIL?

RONDIÈRE, PIERRE

ESTÚDIOS COR

DEMOCRACIA

SÉRGIO, ANTÓNIO

 

DEPOIS DE FRANCO... O QUÊ?

CARRILLO, SANTIAGO

DELFOS

DEUS TOMA PARTIDO

CARDONNEL, JEAN

PAISAGEM

DEZ DIAS QUE ABALARAM O MUNDO

REED, JOHN

DELFOS

DIÁLOGO OU VIOLÊNCIA?

VÁRIOS

EUROPA-AMÉRICA

DIÁRIO DE UM LADRÃO (*)

GENET, JEAN

EUROPA-AMÉRICA

DIÁRIO POLÍTICO

REGO, RAUL

 

DIAS E NOITES DE ESTALINEGRADO

VÁRIOS

PORTUGÁLIA

DICIONÁRIO CRITÍCO DE ALGUMAS PALAVRAS E...(*)

SARAIVA, ANTÓNIO JOSÉ

EUROPA-AMÉRICA

DILEMA CHILENO, O

VÁRIOS

 

DILEMA DA POLÍTICA PORTUGUESA, O

CARDIA, M. SOTTOMAIOR

PRELO

DIREITO E LUTA DE CLASSES

STUKA

CENTELHA

DIREITOS DO HOMEM, OS (DOCUMENTOS DA ONU)

CARDIA, M. SOTTOMAIOR

SEARA NOVA

DISCURSO SOBRE O COLONIALISMO

CÉSAIRE, AIMÉ

PORTUCALENSE

DJAMILA BOUPACHA

BEAUVOIR/HALIMI

PORTUGÁLIA

DO SOCIALISMO UTÓPICO AO SOCIALISMO CIENTÍFICO (*)

ENGELS, F.

ESTAMPA

DON SILENCIOSO

CHOLOKOV, MIKAIL

 

DONDE VÊM OS MENINOS?

HOPPELER, JEAN

DELFOS

DOSSIER CANDIDATURA – LEIRIA 70

RIBEIRO, SÉRGIO

PRELO

DOSSIER CHECOSLOVÁQUIA

VÁRIOS

 

DOUTRINAS ECONÓMICAS MODERNAS, AS

KRESTSCHAMANN, G.

ARCÁDIA

DUAS TÁCTICAS

LENINE

NOVO TEMPO

É PRECISO NASCER DE NOVO

ALVES, J. FELICIDADE

AUTOR

E. U. A. - ANO DE ELEIÇÕES

VÁRIOS

D. QUIXOTE

EDUCAÇÃO CÍVICA

SÉRGIO, ANTÓNIO

 

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS

VÁRIOS

DELFOS

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

VÁRIOS

DELFOS

EM DEFESA DE JOAQUIM PINTO DE ANDRADE (*)

COELHO, M. BROCHADO

AFRONTAMENTO

EMIGRAÇÃO E CRISE NO NORDESTE TRANSMONTANO

NAVARRO, MODESTO

PRELO

EMIGRAÇÃO: FATALIDADE IRREMEDIÁVEL?

COSTA, F. RAMOS DA

 

EMPÓRIO DO VATICANO, O

LO BELLO, NINO

IBIS

ENCICLOPÉDIA ILUSTRADA DO SEXO (*)

WILLY, A.

LIVROS BRASIL

ENCOBERTO, O

CORREIA, NATÁLIA

 

ENCONTRO DA PESSOA, AO

MOUNIER/LACROIX

AFRONTAMENTO

ENCONTRO NOS INFERNOS (*)

DRUON, MAURICE

ARCÁDIA

ENGRENAGEM (*)

GOMES, SOEIRO P.

EUROPA-AMÉRICA

EROTISMO, O (*)

BATAILLE, GEORGES

MORAES

ESCRITOS POLÍTICOS

SOARES, MÁRIO

AUTOR

ESPERANÇA AGREDIDA, A

MENDES, JOSÉ MANUEL

 

ESQUERDISMO, DOENÇA INFANTIL DO COMUNISMO

LENINE

CENTELHA

ESTA TERRRA É NOSSA

SILVA, ANTUNES DA

 

ESTADO E REVOLUÇÃO, O

LENINE

 

ESTADOS UNIDOS EM MOVIMENTO, OS

KEMPF, ROGER

SEARA NOVA

ESTALINEGRADO

VINDEX

 

ESTÁTUA, A

MONTEIRO, L. STTAU

MINOTAURO

ESTRADA E A VOZ

COSTA, ORLANDO DA

 

ESTRADA NOVA

PAPIANO, CARLOS

 

ESTRUTURA AGRÁRIA PORTUGUESA, A

BARROS, HENRIQUE DE

 

ESTUDANTES, OS

GANDES, PIERRE

 

EVANGELHO E REVOLUÇÃO

CARDONNEL, JEAN

 

EVOLUÇÃO DO MARXISMO MILITANTE

SOUSA, C. CRISTOVÃO

AUTOR

EXÉRCITOS DA NOITE, OS

MAILER, NORMAN

D. QUIXOTE

EXISTENCIALISTAS E A POLÍTICA, OS

BURNES, A.

ULISSEIA

EXPERIÊNCIA REVOLUCIONÁRIA DA CHINA SOCIALSITA, A

PADRÃO, ÁLVARO

 

FALAR CLARO

GODINHO, J. MAGALHÃES

INQUÉRITO

FANNY HILL

CLELAND, JOHN

ARCÁDIA

FEIRA DAS VAIDADES, A

PORTELA FILHO, ARTUR

ARCÁDIA

FEIRA DE DEUS, A

CALDWELL, ERSKINE

 

FIDEL CASTRO: 1959, ANTES E DEPOIS

NATTIEZ, J. J.

PAISAGEM

FIDEL E O SOCIALISMO EM CUBA

CASTRO, FIDEL DE

 

FILHA DE LABÃO, A (*)

FONSECA, TOMÁS DA

EUROPA-AMÉRICA

FILHOS DE TORREMOLINOS (*)

MICHENER, JAMES A.

EUROPA-AMÉRICA

FILHOS DO PAI TOMÁS, OS (*)

WRIGHT, RICHARD

 

FILOSOFIA DA PRÁXIS

VÁSQUEZ, ADOLFO S.

 

FILOSOFIAS DA NAT. EM DEMÓCRITO E EPICURO, AS

MARX, KARL

PRESENÇA

FIM DE DÉCADA, COMEÇO DE QUÊ?

VÁRIOS

PRELO

FLORESTAS E VENTOS

PAPIANO, CARLOS

 

FOGOS CRUZADOS

BEIRÃO, HENRIQUE

 

FULANA DE TAL

LAIGLÉSIA, ÁLVARO DE

DELFOS

FUNDA, A – 3º VOL.

PORTELA FILHO, ARTUR

ARCÁDIA

FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA

AFANASIEV, V.

DINALIVRO

FUTURO É DOS JOVENS, O

VÁRIOS

D. QUIXOTE

GEOGRAFIA ECONÓMICA DA REVOLUÇÃO DE 1820

SANTOS, F. PITEIRA

EUROPA-AMÉRICA

GORKI POR ELE PRÓPRIO

GOURFINKEL, NINA

POTRUGÁLIA

GRAVOCHE

SANTOS, A. ALMEIDA

COIMBRA EDITORA

GRÉCIA «67»

VÁRIOS

D. QUIXOTE

GREVE DE MASSAS, PARTIDO E SINDICATOS

LUXEMBURGO, ROSA

CENTELHA

GUERRA CIVIL DE ESPANHA, A

NIN, ANDRÉS

TEXT. MARGINAIS

GUERRA CIVIL EM FRANÇA, A

MARX, KARL

CENTELHA

GUERRA DO VIETNAME, A

FERREIRA, ALBERTO

 

GUERRA SANTA

MONTEIRO, L. STTAU

 

HANÓI – CAPITAL DA LIBERDADE

LISBOA, MÁXIMO

NOVO RUMO

HERDEIROS, OS

ROBINS, HAROLD

IBIS

HIROXIMA

LOURES, C./SIMÕES, M.

NOVA REALIDADE

HISTÓRIA DA ANTIGUIDADE ORIENTAL

DIAKOV, V.

ARCÁDIA

HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL

BURNS, EDWARD M.

 

HISTÓRIA DA REPÚBLICA PORTUGUESA

OLIVEIRA, LOPES

INQUÉRITO

HISTÓRIA DE PORTUGAL

SÉRGIO, ANTÓNIO

 

HISTÓRIA DO SOLDADO QUE NÃO FOI CONDECORADO

NAVARRO, MODESTO

DINALIVRO

HISTÓRIAS DE AMOR

PIRES, JOSÉ CARDOSO

EUROPA-AMÉRICA

HISTÓRIAS DRAMÁTICAS DA EMIGRAÇÃO, AS

MONTEIRO, WALDEMAR

PRELO

HITLER E A RELIGIÃO

BRITO, BERNARDO

 

HOMEM DO POVO NA REVOLUÇÃO, UM

VAILLAND/MANÉVY

PORTUGÁLIA

HOMEM E O SEXO, O

CAPRIO, FRANK S.

 

HOMENS

BARRET, GLÓRIA

 

HORIZONTES FECHADOS (*)

REGO, RAUL

BRASÍLIA

IDEOLOGIA ALEMÃ, A

MARX/ENGELS

 

IDEÓLOGOS E IDEOLOGIAS DA NOVA ESQUERDA

OELGART, BERND

PRESENÇA

IGREJA E A LIBERDADE, A

BOSSI, EMILIO

 

IGUALDADE RADICAL PARA A MULHER

VÁRIOS

ALMEDINA

ILUSÕES MACABRAS

LEAL, CUNHA

EUROPA-AMÉRICA

IMITAÇÃO DA FELICIDADE

RODRIGUES, URBANO T.

BERTRAND

IMORALISTA, O

GIDE, ANDRÉ

 

IMPRENSA: DEFORMAR OU INFORMAR?

MOUTINHO, JOSÉ VIALE

PAISAGEM

INSPECTOR, O

GOGOL, NICOLAU

SEARA NOVA

INTERVENÇÃO POLÍTICA

SOEIRO, HUMBERTO

 

INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO DE H. MARCUSE

MIRANDA, MILTON

BRASÍLIA

JÁ AGORA!

SANTOS, ANT. ALMEIDA

 

JEAN-PAUL SARTRE

MARGARIDO, ALFREDO

PRESENÇA

JUSTIÇA E POLÍTICA

ZENHA, F. S./VIDAL, D.

AUTOR

JUVENTUDE E CONTESTAÇÃO

VÁRIOS

D. QUIXOTE

KAMA SUTRA, O

VATSYA

 

LEIS FUNDAMENTAIS DA ECONOMIA POLÍTICA, AS

BABY, JEAN

 

LENINE

BACHMANN, CHRISTIAN

 

LENINE

GARAUDY, ROGER

PRELO

LENINE

GORKI, MÁXIMO

INOVA

LENINE E A FILOSOFIA

ALTHUSSER, LOUIS

ESTAMPA

LENINE E A III INTERNACIONAL

LENINE

ESTAMPA

LENINISMO E A LIBERTAÇÃO DOS POVOS OPRIMIDOS, O

HO-CHI-MINH

JÚLIO BRANDÃO

LIBERALIZAÇÃO BLOQUEADA, A

CARNEIRO, F. SÁ

MORAES

LIBERTAÇÃO SEXUAL DA MULHER

MURARO, ROSE-MARIE

MULTINOVA

LIBERTINO PASSEIA POR BRAGA..., O

PACHECO, LUÍS

 

LIÇÕES DE AMOR

PITIGRILLI

BRASÍLIA

LIP – OS TRABALHADORES TOMAM CONTA DA EMPRESA

VÁRIOS

AFRONTAMENTO

LONGA VIAGEM, A (*)

SEMPRUN, JORGE

ARCÁDIA

LUTA DE CLASSES EM FRANÇA 1848-1850, A

MARX, KARL

CENTELHA

LUTA DE CLASSES NO MUNDO ÁRABE

 

LATITUDE

LUTAS OPERÁRIAS CONTRA A CARESTIA DE VIDA EM PORTUGAL, AS

PEREIRA, J. PACHECO

PORTUCALENSE

LUUANDA (*)

VIEIRA, LUANDINO

EDIÇÕES 70

MACACO LOUCO, O

GYORGYI, A. S.

EUROPA-AMÉRICA

MÃE, A (*)

GORKI, MÁXIMO

EUROPA-AMÉRICA

MANDA-CHUVA

 

PRELO

MANUSCRITO DA GARRAFA, O

FILIPE, DANIEL

GUIMARÃES

MANUSCRITOS ECONÓMICO-FILOSÓFICOS, OS

MARX, KARL

BRASÍLIA

MARIA DA NAZARÉ

OLIVEIRA, MÁRIO DE

AFRONTAMENTO

MARX E OS SINDICATOS

LOSOVSKI, A.

MARIA DA FONTE

MARXISMO E EXISTENCIALISMO

SARTRE, JEAN-PAUL

 

MARXISMO E O INDIVÍDUO, O

SCHAFF, ADAM

 

MAS O MELHOR DO MUNDO SÃO AS CRIANÇAS

SIMÕES, SANTOS

JÚLIO BRANDÃO

MATERIALISMO DIALÉCTICO, MATERIALISMO HISTÓRICO

ESTALINE, J.

JÚLIO BRANDÃO

MEDICINA E A VIDA HOSPITALAR NA R. P. DA CHINA, A

HORN, M.

TEXT. MARGINAIS

MEMÓRIAS DE UM OPERÁRIO 1º VOL.

SILVA, JOSÉ

JÚLIO BRANDÃO

MEMÓRIAS DE UM OPERÁRIO 2º VOL.

SILVA, JOSÉ

JÚLIO BRANDÃO

MINHA SENHORA DE MIM

HORTA, M. TERESA

D. QUIXOTE

MINISTÉRIO DO AMOR, O

LOURES, CARLOS

NOVA REALIDADE

MISSÃO EM PORTUGAL

LINS, ÁLVARO

 

MITO AMERICANO, O

GAUMENT, ERIC

ESTAMPA

MOÇAMBIQUE PELO SEU POVO

CAPELA, JOSÉ

AFRONTAMENTO

MOCIDADE VIVE!

QUARTIM, PINTO

CLÁSSICA

MONTANHA

TORGA, MIGUEL

 

MORTOS CHEGAM MAIS TARDE, OS

FREITAS, ROGÉRIO

EUROPA-AMÉRICA

MOTIM, O

FRANCO, MIGUEL

EUROPA-AMÉRICA

MOVIMENTO ESTUDANTIL E POLÍTICA EDUCACIONAL

NAMORADO, RUI

NOSSO TEMPO

MUNDO DO SEXO, O

MILLER, HENRY

LIVROS BRASIL

MUROS DO ASILO, OS

GENTIS, ROGER

PORTUCALENSE

NACIONALIZAÇÃO DA INDÚSTRIA, A

VINOGRADOV, V.

ESTAMPA

NÃO AMES UM DESCONHECIDO

ROBINS, HAROLD

 

NATUREZA DO ESTADO SOVIÉTICO

TROTSKY, LEON

LATITUDE

NOSSA VIDA SEXUAL, A (*)

KAHN, FRITZ

BRASÍLIA

NOVA CARTILHA DO POVO

VÁRIOS

 

NOVA ESQUERDA NA EUROPA, A

VÁRIOS

D. QUIXOTE

NOVA MULHER E A MORAL SEXUAL, A

KOLLONTAI, ALEXANDRA

 

NOVAS CARTAS PORTUGUESAS

HORTA/BARRENO/COSTA

ESTÚDIOS COR

NOVELAS ERÓTICAS

GOMES, M. TEIXEIRA

PORTUGÁLIA

NOVOS CONTOS DO GIN

LEIRIA, MÁRIO-HENRIQUE

ESTAMPA

OBJECÇÃO DE CONSCIÊNCIA, A

CATTELAIN, JEAN-PIERRE

 

OFÍCIO DE MULHER

GRÉGOIRE, MÉNIE

MORAES

OLHOS SEM FRONTEIRAS, OS

COSTA, ORLANDO DA

 

OPOSIÇÃO OPERÁRIA 1920-1921, A (*)

KOLLONTAI, ALEXANDRA

AFRONTAMENTO

ORAÇÃO FÚNEBRE PARA ERNESTO "CHE" GUEVARA

CASTRO, FIDEL DE

BRASÍLIA

PALAVRAS NECESSÁRIAS

GONÇALVES, BENTO

INOVA

PANTERAS NEGRAS, OS

VÁRIOS

 

PARA COMPREENDER AS CRISES MONETÁRIAS (*)

KAHN, JACQUES

ESTAMPA

PARA UM DOSSIER DA OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA

VÁRIOS

NOVA REALIDADE

PARA UM MUNDO NOVO

DOLCI, DANILO

MORAES

PARAÍSOS ARTIFICIAIS

BAUDELAIRE, CHARLES

ESTAMPA

PARTIDO COMUNISTA, O

MARCHAIS, GEORGES

DELFOS

PÁSSARO PINTADO (*)

KOSINSKI, JARZY

 

PÁTRIA LUGAR DE EXÍLIO, A

FILIPE, DANIEL

PRESENÇA

PECADO DA CARNE

MERLIN, J.

 

PEDAGOGIA DO OPRIMIDO

 

DINALIVRO

PELE NEGRA, MÁSCARAS BRANCAS

FANON, FRANTZ

PAISAGEM

PELE, A (*)

MALAPARTE, CURZIO

 

PENSAMENTO ACTIVO DE BERNARDINO MACHADO, O

ALMEIDA, A. RAMOS

BRASÍLIA

PENSAMENTO DE LENINE, O

LEFEBVRE, HENRI

MORAES

PEQUENO DICIONÁRIO DE ECONOMIA

VÁRIOS

PRELO

PERIGO AMERICANO, O (*)

GOUX/LANDEAU

EUROPA-AMÉRICA

PESSOAS LIVRES

ALVES, J. FELICIDADE

AUTOR

PLANIFICAÇÃO ECONÓMICA, A

EFIMOV

PRELO

PODEM CHAMAR-ME EURÍDICE

COSTA, ORLANDO DA

SEARA NOVA

PODER ATRAVÉS DA FEITIÇARIA, O

HUEBNET, LOUISE

 

POEMA FRATERNIDADE

PAPIANO, CARLOS

 

POEMAS DE DESESPERO E CONSOLAÇÃO

MASCARENHAS, TELO

ORIENTE

POEMAS DE LIBERDADE

MONIZ, EDMUNDO

 

POEMAS DE NATAL

ALVES, J. FELICIDADE

 

POEMAS DO CÁRCERE

HO-CHI-MINH

 

POESIA DEVE SER FEITA POR TODOS, A

LOURES, CARLOS

ULMEIRO

POESIA PORTUGUESA DO PÓS-GUERRA (1945-1965)

FERREIRA, SERAFIM

ULISSEIA

POESIAS E CARTAS

LEAL, JOSÉ BAÇÃO

 

POLÍTICA ECONÓMICA PORTUGUESA, A

RIBEIRO, S./MOURA, F.

SEARA NOVA

POLÍTICOS E O PODER ECONÓMICO, OS

REGO, RAUL

 

PONTOS DE VISTA – 1

VÁRIOS

INI. EDITORIAIS

POR UMA DEMOCRACIA ANTI-CAPITALISTA

CARDIA, M. SOTTOMAIOR

SEARA NOVA

PORTUGAL 73. ANO POLÍTICO

VÁRIOS

MULTINOVA

PORTUGAL ATRAVÉS DE ALGUNS NÚMEROS (*)

FERNANDES, BLASCO H.

PRELO

PORTUGAL OPRIMIDO

QUEIROGA, FERNANDO

SÉCULO

PORTUGAL SEM SALAZAR

MESQUITA, MÁRIO

ASSÍRIO & ALVIM

PORTUGAL, UMA PERSPECTIVA DA SUA HISTÓRIA

TORRES, FLAUSINO

AFRONTAMENTO

PORTUGUÊS EM CUBA, UM

CABRAL, ALEXANDRE

D. QUIXOTE

PRAÇA DA CANÇÃO, A

ALEGRE, MANUEL

ULISSEIA

PRESOS POLÍTICOS, DOCUMENTOS 1970-1971

C. N. S. P. P.

AFRONTAMENTO

PRIMEIRAS ALEGRIAS (*)

FÉDIN, KONSTANTIN

 

PRÍNCIPES DE PORTUGAL, SUAS GRANDEZAS E MISÉRIAS

RIBEIRO, AQUILINO

BERTRAND

PRINCÍPIOS DO LENINISMO

ESTALINE, J.

JÚLIO BRANDÃO

PRISÃO DO DR. DOMINGOS AROUCA, A

ZENHA, F. SALGADO

AFRONTAMENTO

PROBLEMAS IDEOLÓGICOS CONTEMPORÂNEOS

VÁRIOS

PRELO

PROGRAMA COMUM DE GOVERNO

 

SEARA NOVA

PROGRESSISMO NA EUROPA, O

CAUTE, DAVID

INOVA

PROGRESSO NA LIBERDADE

GUERRA, MILLER

MORAES

PROUDHON E MARX I

GURVITCH, GEORGES

PRESENÇA

PROUDHON E MARX II

GURVITCH, GEORGES

PRESENÇA

QUANDO OS LOBOS UIVAM

RIBEIRO, AQUILINO

BERTRAND

QUATRO SEMANAS EM OUTUBRO

FERREIRA, ALBERTO

SEARA NOVA

QUE É A REFORMA AGRÁRIA? O (*)

FERNANDES, BLASCO H.

EDIÇÕES 70

QUE É UMA CONSTITUIÇÃO POLÍTICA, O

LASSALLE, FERDINAND

PORTUCALENSE

QUEM TEM MEDO DA CHINA?

VÁRIOS

D. QUIXOTE

QUESTÃO DO ALOJAMENTO, A

ENGELS, F.

PORTUCALENSE

QUESTÃO DOS SINDICATOS, A

LENINE

CENTELHA

QUESTÕES DO LENINISMO

ESTALINE, J.

JÚLIO BRANDÃO

QUESTÕES NACIONAL E COLONIAL, AS

LENINE

LATITUDE

QUESTÕES SOBRE O MOV. OPERÁRIO PORT. E A REV. RUSSA 1917

PEREIRA, J. PACHECO

JÚLIO BRANDÃO

RÃ NO PÂNTANO

SANTOS, A. ALMEIDA

PARCERIA

RACISMO NO MUNDO, O

PARAF, PIERRE

ULISSEIA

RAÍZES DA EXPANSÃO PORTUGUESA

COELHO, ANT. BORGES

PRELO

RAPAZ DE FLORENÇA, UM

PRATOLINI, VASCO

EUROPA-AMÉRICA

REALISMO E EXISTENCIALISMO (*)

LUCKACS, GEORGE

ARCÁDIA

REDESCOBERTA DA FRANÇA

RODRIGUES, URBANO T.

SEARA NOVA

REGRESSAR PARA QUÊ?

SÁ, VICTOR DE

D. QUIXOTE

REGRESSO A PEYTON PLACE

METALIOUS, GRACE

ARCÁDIA

RELÓGIO PARADO, O (*)

FONSECA, LILIA

ARCÁDIA

REPÚBLICA ESPANHOLA E A GUERRA CIVIL 1º (*)

JACKSON, GABRIEL

EUROPA-AMÉRICA

REPÚBLICA ESPANHOLA E A GUERRA CIVIL 2º (*)

JACKSON, GABRIEL

EUROPA-AMÉRICA

RESPOSTA A JOHN LEWIS. A QUESTÃO DO HUMANISMO

ALTHUSSER, LOUIS

ESTAMPA

RETRATO DE CAMILO TORRES

VÁRIOS

PAISAGEM

REVISIONISMO CONTEMPORÂNEO, O

KOSING, ALFRED

JÚLIO BRANDÃO

REVOLTA DE MAIO EM FRANÇA, A

VÁRIOS

D. QUIXOTE

REVOLTA DE ONTEM NAS PALAVRAS DE HOJE, A

VÁRIOS

INOVA

REVOLTA ESTUDANTE, A

VÁRIOS

ULISSEIA

REVOLUÇÃO CULTURAL CHINESA, A

MORAVIA, ALBERTO

EUROPA-AMÉRICA

REVOLUÇÃO E CONTRA-REVOLUÇÃO

MARX, KARL

NOVO CURSO

REVOLUÇÃO FRANCESA, A (*)

MANFRED, A.

ARCÁDIA

REVOLUÇÃO MEU AMOR

PALLA, MARIA ANTÓNIA

PRELO

ROMANA, A

MORAVIA, ALBERTO

ULISSEIA

ROSA LUXEMBURGO VIVA

OLIVEIRA, CÉSAR

PAISAGEM

SÁBADO SEM SOL

CORREIA, ROMEU

 

SALÁRIO PREÇO E LUCRO

MARX, KARL

LATITUDE

SARTRE POR ELE PRÓPRIO

JEANSON, FRANCIS

PORTUGÁLIA

SE CRISTO VIESSE...

 

MORAES

SEARA DE VENTO

FONSECA, MANUEL DA

PORTUGÁLIA

SENSUAIS, AS

KAPPA, MARCEL

 

SEQUESTRADOS DE ALTONA, OS (*)

SARTRE, JEAN-PAUL

EUROPA-AMÉRICA

SER NEGRO

BROWN JR., TURNER

PANORAMA

SEXO SEM MISTÉRIO, O

REUBEN, DAVID R.

 

SEXUALIDADE E REPRESSÃO

MUNZER, THOMAS

 

SINDICALISMO EM PORTUGAL, O (*)

SOUSA, MANUEL J.

AFRONTAMENTO

SINDICATOS E LUTA DE CLASSES

KRASUCKI, HENRI

ESTAMPA

SIONISMO E O IMPERIALISMO, O

BURSTEIN, DAVID

JÚLIO BRANDÃO

SITUAÇÕES – III (*)

SARTRE, JEAN-PAUL

EUROPA-AMÉRICA

SOBRE A GUERRA DO VIETNAME

VÁRIOS

ESTAMPA

SOBRE A GUERRA PROLONGADA

TSÉ-TUNG, MAO

 

SOBRE A LUTA CONTRA O REVISIONISMO

LENINE

 

SOBRE A RELIGIÃO

LENINE

 

SOBRE A TEORIA DA IDEOLOGIA

RANCIÈRE, JACQUES

PORTUCALENSE

SOBRE O PLANO E O PLANEAMENTO EM PORTUGAL

RIBEIRO, SÉRGIO

PRELO

SOCIALISMO

BOURGIN/RIMBERT

ARCÁDIA

SOCIALISMO CRÍTICO DE HOJE, O

VÁRIOS

AFRONTAMENTO

SOCIALISMO EM LIBERDADE, O (*)

SAUVY, ALFRED

ESTÚDIOS COR

SOCIALISMO: DO RENASCIMENTO AOS NOSSOS DIAS, O

WILLARD, CLAUDE

EUROPA-AMÉRICA

SOCIEDADES DE TRANSIÇÃO

SWEEZY/BETTELHEIM

PORTUCALENSE

SONHO AMERICANO, UM

MAILER, NORMAN

PORTUGÁLIA

SORGE, O ESPIÃO QUE VEIO DE MOSCOVO

GOLAKOV/PONIZOVSKY

INOVA

TEATRO I (A CANTORA CARECA)

IONESCO

DINALIVRO

TEMPO E A IRA, O

OSBORN, JOHN

DINALIVRO

TEORIA E POLÍTICA NO PENSAMENTO DE TROTSKY

AVENAS, DENISE

DELFOS

TEORIA GERAL DO DIREITO E O MARXISMO, A

PASUKINIS, E.

 

TEREZA BATISTA CANSADA DE GUERRA (*)

AMADO, JORGE

EUROPA-AMÉRICA

TERRA DO NOSSO PÃO

SILVA, ANTUNES DA

PORTUGÁLIA

TERRA E SANGUE

CHOLOKOV, MIKAIL

 

TERRA MORTA

SOROMENHO, CASTRO

 

TERRAS DESBRAVADAS I

CHOLOKOV, MIKAIL

ARCÁDIA

TERRAS DESBRAVADAS II

CHOLOKOV, MIKAIL

ARCÁDIA

TEXTOS AFRONTAMENTO – 3

FRANCISCO, P. (CORD.)

AFRONTAMENTO

TEXTOS FILOSÓFICOS

MARX/ENGELS

PRESENÇA

TIRANIA PSICOLÓGICA, A (*)

DEVOTO, ANDREA

ARCÁDIA

TOBIAS, O PEREGRINO

LAGERKVIST, PAR

ESTÚDIOS COR

TORRES MILENÁRIAS, AS

RODRIGUES, URBANO T.

BERTRAND

TRABALHO POLÍTICO DE MASSAS

LENINE

LATITUDE

TROTSKY E O TROTSKISMO

VÁRIOS

MARIA DA FONTE

U. R. S. S. - 50 ANOS DEPOIS

VÁRIOS

D. QUIXOTE

ÚLTIMA FLOR, A

THURBER, JAMES

D. QUIXOTE

UM AUTO PARA JERUSALÉM

CESARINY, MÁRIO

MINOTAURO

UM HERÓI DO NOSSO TEMPO (*)

PRATOLINI, VASCO

ARCÁDIA

UMA ALDEIA NA CHINA POPULAR

MYRDAL, JAN

MORAES

UMA NOITE E NUNCA

RODRIGUES, URBANO T.

TEMPO

UMA NOVA ESPANHA?

VÁRIOS

D. QUIXOTE

UNIVERSIDADE-PROCESSO DE UMA EXPULSÃO DISCIPLINAR

VÁRIOS

AUTOR

URSS Á CONQUISTA DO FUTURO, A

MARABINI, JEAN

ULISSEIA

VERDADES E PRECONCEITOS SOBRE O SEXO

CAPRIO, FRANK S.

 

VIAGEM SEM REGRESSO

SOALM, JIM

 

VIETNAM EM NOME DA LIBERDADE

BRITO, CASIMIRO DE

 

VIETNAME – SEGUNDA RESISTÊNCIA

BURCHETT, WILFRED

SEARA NOVA

VIETNAME 1969

GIAP, VO NGUYEN

PORTUCALENSE

VINHO E A LIRA, O

CORREIA, NATÁLIA

 

VIRAGEM PARA ONDE, AO SERVIÇO DE QUEM?

VÁRIOS

PRELO

VONTADE DE SER MINISTRO

SOARES, F. LUSO

CRONOS

VOZ E O SANGUE, A

LOURES, CARLOS

NOVO RUMO

Z (*)

VASSILIKOS, VASSIL

EUROPA-AMÉRICA

120 DIAS DE SODOMA, OS

MARQUÊS DE SADE

 

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