JORNAL DA REDE
ALCAR |
Editores:
José Marques de Melo (UNESCO/UMESP) / e-mail: marquesmelo@uol.com.br
e Francisco Karam (FENAJ/UFSC) / e-mail: fjkaram@terra.com.br
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Rede Alfredo de Carvalho para o resgate da
memória e a construção da história da imprensa no Brasil
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Colaboradores desta edição:
Raquel Pinto (RJ), João Augusto Cabral
(Brasília), Paulo Roberto de Almeida (Washington, USA), Luis Guilherme Pontes Tavares
(Bahia), Miriam Abreu (São Paulo), Lucia Faria (São Paulo), Pedro Pablo Rodríguez
(Havana, Cuba), Helio Daldegan (São Paulo), Rodrigo Müzell (Rio Grande do Sul), Gisele
Lopes (Rio de Janeiro), Claudio Ângelo (São Paulo), Esther Hamburger (São Paulo),
André Bruni (Rio de Janeiro), Marcelo Moutinho (Rio de Janeiro), Wilson Martins
(Paraná), Carol Knoploch (São Paulo), Aline Feitosa (Pernambuco), Miriam Abreu (Rio de
Janeiro)
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1 - História da Mídia Brasileira: Rede Alcar inicia mutirão nacional
2 - Programa do Encontro do Rio de Janeiro: múltiplos eventos
3 - Núcleo de Florianópolis desvenda facetas história do jornalismo catarinense
4 - Fernando Segismundo resgata história da ABI: 95 anos de lutas
5 - O futuro dos jornais brasileiros: tiragens em queda
6 - Desestatização das telecomunicações, ano 5: futuro promissor
7 - Desenvolvimento da TV Digital: o desafio tecnológico
8 - Os caminhos da TV digital: dilemas brasileiros
9 - Robert Levine: um gigante do brasilianismo acadêmico
10 - Rádio Educativa da Bahia celebra um quarto de século
11 - Meio & Mensagem: 25 anos de serviço à comunicação publicitária
12 - Os maiores nomes da propaganda nos últimos 25 anos
13 - Arqueologia do fotojornalismo brasileiro
14 - Comunidade Lusófona Fortalece Pensamento Comunicacional
15 - José Martí, el periodista
16 - Chineses encontram escrita com 9.000 anos, a mais antiga do mundo
17 - A guerra da imprensa abala pilares da ética jornalística
18 - Imprensa sob fogo cerrado: Fotógrafos cobriram fome e guerra na África
19 - Paulo Emílio: fascínio de um homem moderno
20 - O romance negro de Lima Barreto
21 - Os 50 anos da TV Record: nostalgia e romantismo
22 - História da fotografia em Pernambuco: roteiro bibliográfico
23 - Rádio Clube de Pernambuco: emissora mais antiga da América Latina
24 - História comparada da mídia: o Brasil e o mundo
25 - O Estado de S. Paulo: edição 40.000
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1 - História da Mídia Brasileira: Rede Alcar inicia mutirão nacional
O comitê executivo da Rede Alfredo de Carvalho reuniu-se na manhã do dia 3 de abril, na Sala Barbosa Lima Sobrinho, sede da ABI Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro. Os participantes da reunião foram recepcionados pela Presidente do Conselho Administrativo da associação, Jornalista Ana Arruda Callado.
Compareceram ao evento José Marques de Melo (UNESCO/UMESP), Sonia Virginia Moreira (INTERCOM), Marialva Barbosa (UFF), Marco Morel (UERJ), Claudia Chaves (UniCarioca), Mirane Albuquerque (MINC), além dos seguintes convidados: Ana Paula Goulart (UFF), Anna Pimentel (UniCarioca) e Thiago Basto (Folha Dirigida). Justificaram suas ausências: Esther Bertoletti (MINC) e Cybelle de Ipanema (IHGB).
A reunião teve a finalidade de ajustar o programa do I Encontro Nacional da Rede Alcar, previsto para a primeira semana de junho deste ano, tendo como tema central: "Mídia Brasileira 2 Séculos de História".
Preparativos para o encontro do Rio de Janeiro
O Professor Marques de Melo destacou a grande receptividade que o evento vem despertando em todo o território nacional, o que se torna evidente pela recepção de meia centena de resumos de trabalhos que os historiadores/jornalistas pretendem apresentar nos Grupos de Trabalho constituídos para resgatar a memória da mídia brasileira. Lamentou a enfermidade da Professora Carmen Lúcia Pereira (UniCarioca), almejando que sua recuperação seja imediata, de modo a garantir sua colaboração na etapa final de organização do encontro.
Por sua vez, a Jornalista Ana Arruda Callado confirmou a parceria da ABL Academia Brasileira de Letras ao evento, comunicando a designação do Escritor Alberto Venâncio Filho para coordenar o Painel "Jornalistas Imortalizados". Mencionou ainda a boa acolhida que o evento vem recebendo da diretoria da ABI, cujo presidente Fernando Segismundo tomará parte no Painel "Jornalistas Esquecidos".
A seguir, pronunciou-se a Jornalista/Historiadora Marialva Barbosa (UFF), ratificando a adesão da sua universidade ao encontro e comprometendo-se a distribuir a todos os participantes do encontro de junho a metodologia a ser recomendada para o inventário histórico da imprensa brasileira, nos séculos XIX e XX. O documento está em fase final de revisão, devendo ser ajustado para melhor orientar os integrantes dos Núcleos Regionais, Estaduais ou Locais que farão inventários segmentados.
O historiador Marco Morel (UERJ) confirmou a programação do Seminário "História e Imprensa: Representações Culturais e Práticas de Poder", a ser realizado na seqüência do encontro principal da Rede no campus da UERJ, no bairro do Maracanã. Disse que o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da universidade está buscando financiamento nas agências nacionais de fomento científico, mas a realização do seminário no campus depende do desenvolvimento da greve decretada pelos funcionários da UERJ, podendo ser cogitado outro local se persistir até junho o movimento paredista.
Finalmente, ouviu-se o relato da Professora Claudia Chaves (UniCarioca), que informou sobre a disposição da sua universidade em promover a edição de um CDRom, agrupando os textos das comunicações inscritas nos GTs, garantindo o acesso do conteúdo dos trabalhos a todos os participantes inscritos. Anunciou ainda as providências que estão sendo tomadas para assegurar a infra-estrutura do evento, inclusive alojamento dos participantes e traslado dos hotéis para os locais dos seminários programados.
A Presidente da INTERCOM, Sonia Virginia Moreira, mostrou o entusiasmo da sua instituição em co-patrocinar o I Encontro da RedeAlcar, informando que faria ampla difusão entre os sócios da entidade para incrementar adesões aos GTs de mídia sonora, visual, audiovisual e digital, que contam com menor volume de trabalhos inscritos.
O comitê ratificou por unanimidade a decisão previamente tomada pelo Coordenador Nacional do I Encontro da Rede Alcar, no sentido de ampliar para os dias 22 de abril e 12 de maio, respectivamente, os prazos de inscrição de resumos e textos completos, dos trabalhos destinados aos GTs de História Midiática.
Próximos encontros
No encerramento da reunião, o Professor Marques de Melo informou que vem mantendo contatos com instituições que possam sediar os encontros preparatórios de 2004, 2005, 2006 e 2007, tendo em que vista que o Congresso do Bicentenário da Mídia Brasileira deverá ser realizado na cidade do Rio de Janeiro.
Registrou as seguintes alternativas para os próximos encontros: Salvador (BA), Florianópolis (SC), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Taubaté (SP), a serem oportunamente confirmadas. A decisão do próximo encontro deverá ser tomada pela plenária da Rede, a se reunir no dia 1 de junho, no campus da UniCarioca.
A proposta mais concreta para 2004 provém da Universidade Federal de Santa Catarina, cujo Curso de Jornalismo completa 25 anos no próximo ano, pretendendo sua equipe dirigente celebrar em grande estilo a efeméride.
Recorde-se que a Cátedra FENAJ de Jornalismo da UFSC foi historicamente uma das instituições que alavancou a Rede Alfredo de Carvalho, juntamente com a Cátedra UNESCO de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo. O site oficial da RedeAlcar está hospedado na página de jornalismo -
www.jornalismo.ufsc.br/redealcar - daquela universidade. Se as negociações prosseguem favoravelmente, é possível que os integrantes da Rede venham a se reunir novamente em Florianópolis, no próximo ano. Contudo, a decisão final sobre a sede 2004 será tomada pela plenária do Rio de Janeiro, que considerará as diferentes propostas feitas pelas instituições participantes.2 - Programa do Encontro do Rio de Janeiro: múltiplos eventos
Reproduzimos a seguir o programa final do I Encontro da Rede Alcar:
Mídia Brasileira: 2 Séculos de História
Tema central do
I ENCONTRO NACIONAL DA
REDE ALFREDO DE CARVALHO
Rio de Janeiro, 1-5 de junho de 2003
Evento promovido pela Rede Alfredo de Carvalho para a Preservação da Memória e a Construção da História da Imprensa no Brasil
Parceria institucional:
ABI, ABL, IHGB, ABECOM, INTERCOM, UERJ, UFF, UniCarioca
Apoio cultural:
Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro
Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação
Revista IMPRENSA / IHGRJ
Comissão organizadora:
Ana Arruda Callado, Claudia Chaves, Esther Bertoletti, Cybelle de Ipanema,
José Marques de Melo e Sonia Virginia Moreira
Comitê acadêmico:
Carmen Lúcia Pereira, Denílson Botelho, Marialva Barbosa, Marco Morel, Lucia Maria Bastos e Tânia Bessone
Secretária-executiva:
Anna Pimentel
Inscrição de trabalhos:
redealfredocarvalho@unicarioca.edu.brOs participantes do I Encontro da RedeAlcar poderão inscrever trabalhos em 3 categorias:
Calendário: Textos completos (até 12/Maio)
Programa preliminar:
Dia 1, domingo
Local: UniCarioca Av. Paulo de Frontin, 568 Rio Comprido
9-11h Entrega de pastas aos inscritos previamente e reabertura das inscrições para novos participantes
11h- Abertura do Encontro
Presidente: Reitor Celso Niskier (UniCarioca)
Coordenadora: Claudia Chaves (UniCarioca)
11h30-13h Plenária da RedeAlcar
"Inventário e Articulação dos projetos desenvolvidos pelos grupos integrantes da RedeAlcar"
Coordenadora: Esther Bertoletti (MINC)
Expositores: Marialva Barbosa (Rio de Janeiro), Luis Guilherme Pontes Tavares (Bahia), Francisco Karam (Santa Catarina), Juçara Brittes (Espírito Santo), Sandra Freitas (Minas Gerais), José Marques de Melo (São Paulo)
13h 15h Intervalo para almoço
15-18 h - "História da Mídia Brasileira: o avanço da pesquisa"
Coordenadora: Carmen Lucia Pereira
GT1 História da Mídia Impressa (Jornal, Revista, Livro)
Coordenadora: Marialva Barbosa (UFF)
O Jornalista do Progresso: Cásper Líbero e a Modernização da Prática Jornalística Brasileira Gisely Hime (UniFIAM Centro Universitário Alcântara Machado SP)
Percursos do Jornalismo no Espírito Santo: Correio da Victória, o primeiro jornal capixaba Ruth Reis (UFES -Universidade Federal do Espírito Santo - ES)
Imprensa Sindical no Grande ABC Valdenizio Petrolli (Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul SP)
A Página Feminina d`A Gazeta (1929-1943): inciativa pioneira acompanha luta da brasileira pela cidadania - Gisely Hime (UniFIAM Centro Universitário Alcântara Machado SP)
Notícia da primeira entrevista jornalística João de Deus Correia (Universidade Estácio de Sá RJ)
Línguas cortadas: imprensa, censura e liberdade no Brasil e em Portugal Euclides Santos Mendes (UESB - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia BA)
História da Imprensa Paulista: inventário bibliográfico analítico Gisely Hime, Ana Flávia Soares Pinheiro e Luciana Ferreira de Magalhães (UniFIAM Centro Universitário Alcântara Machado SP)
Imprensa de Corumbá: história e política Mirella Bernard e Gerson Martins (Faculdade Estácio de Sá, Campo Grande - MS)
Imprensa da saudade: a mídia dos migrantes brasileiros nos Estados Unidos Ernane Rabelo (UFMG Universidade Federal de Minas Gerais e PUCMinas MG)
Imprensa e espaço público: o processo de institucionalização do jornalismo no Brasil (1808-1964) Lavina Madeira Ribeiro , (UnB Universidade de Brasília)
A reforma do Diário Carioca na década de 50 Izamara Barros Machado (UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro)
Corpo e mídia: fragmentos da imprensa feminina no Brasil Adriana Braga (UNISINOS Universidade do Vale dos Sinos RS)
Imprensa piauiense: atuação pública no século XIX Ana Regina Barros Rego Leal (UFPI Universidade Federal do Piauí- PI)
A história dos jornais como fonte para a historia da língua Marlos de Barros Pessoa (UFPE Universidade Federal de Pernambuco PE)
Nas tramas do poder: a história do jornal O Conciliador do Maranhão (1821-1823) Roseane Arcanjo Pinheiro (AMI Associação Maranhense de Imprensa)
O jornalismo como arma: O Jornal, uma história cearense Ane Katerine Néri (CENSUP Salto SP)
Portugal, da Inquisição aos Cravos Euclides Santos Mendes (UNESB Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia BA)
Correio Braziliense: do pioneirismo à consolidação Ana L. F. Morelli (UnB Universidade de Brasília DF)
Subcultura do jornalismo brasiliense Joaquim Nogales Vasconcelos (UnB Universidade de Brasília DF)
A Censura à Imprensa no Brasil Euclides Santos Mendes (UNESB Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia BA)
O Jornal de Maringá: a história do primeiro jornal de Maringá Éster Cristiane da Silva (Centro Universitário de Maringá PR)
O jornalismo político brasileiro no século XIX MaurícioGuidani Romanini (Centro Universitário Barão de Mauá SP)
De remador a comandante de longo curso: trajetória jornalística de João Calmon Juçara Brittes e Rachel Silva (Universidade Federal do Espírito Santo ES)
GT2 História da Mídia Sonora (Rádio, Disco)
Coordenadora: Sonia Virgínia Moreira (UERJ)
O lugar do rádio na construção do imaginário de uma época Marta Regina Maia (UNIMEP - Universidade Metodista de Piracicaba SP)
Evolução do Rádio Paraibano, 1931-1998 Moacir Barbosa de Sousa (UFPB Universidade Federal da Paraíba PB)
O rádio ontem e hoje: promotor de educação e de cultura Zeneida Alves de Assumpção (UEPG Universidade Estadual de Ponta Grossa PR)
A Guerra dos Mundos em São Luis do Maranhão Ed Wilson Ferreira Araújo (UFMA Universidade Federal do Maranhão MA)
A canção das mídias: história e memória do disco através de um gênero musical Heloisa de Araújo Duarte Valente (UNISANTOS Universidade Católica de Santos SP)
GT3 História da Mídia Visual (Fotografia, HQ, Cartazes)
Coordenador: Sonia Luyten (UNISANTOS)
Preservando a Memória dos Quadrinhos:a contribuição do Diretório Geral das Histórias em Quadrinhos no Brasil Waldomiro Vergueiro (USP - Universidade de São Paulo SP)
O Quadrinho Histórico Brasileiro no final da década de 1950 Alexandre Valença Alves Barbosa ((USP - Universidade de São Paulo SP)
As charges no jornalismo impresso maranhense no século XIX (1876-1880) Francisco das Chagas Frazão Costa Filho (Faculdade São Luis MA)
Correio Braziliense: uma parceria discursiva com o leitor (o discurso gráfico antes e depois de fevereiro de 1994) Patrícia de Oliveira Luz (UNISO Universidade Salgado de Oliveira )
Humor em Tempo de Guerra: Da perda da função crítica e ideológica dos cartuns (Belmonte x Hitler e os cartuns globalizados sobre a guerra dos EUA e Iraque) André Tittes (UNISANTOS Universidade Católica de Santos)
Quadrinhos e cartuns na memória afro-brasileira: o negro pelo negro Elaine de Souza Almeida Oliveira da Silva (UMESP Universidade Metodista de São Paulo SP)
GT4 História da Mídia Audiovisual (Cinema, Televisão)
Coordenador: Marlene Blois (UniCarioca)
A "Esfinge do Século": expectativas e temores de nossos homens de letras diante do surgimento e expansão da TV (1950-1980) João Freire Filho (UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro RJ)
Inovação e movimentos estruturantes da fase de multiplicidade da oferta da TV brasileira Valério Cruz Brittos (UNISINOS Universidade do Vale dos Sinos RS)
História Comparada do Telejornalismo: Brasil/Espanha - Ruth Vianna (UFMS Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
História da Televisão Amazonense Eula Dantas Taveira Cabral (Universidade Estácio de Sá RJ)
Canais locais de informação na TV paga: o modelo TVCOM de Porto Alegre Eliane Corti Basso (UMESP Universidade Metodista de São Paulo SP)
A trajetória do telejornalismo em Pernambuco Aline Maria Grego Lins (UNICAP Universidade Católica de Pernambuco PE)
A influência da televisão regional e educativa na região do Grande ABC Domingo Glenir Santarnecchi (FAENAC Faculdade Editora Nacional de São Caetano do Sul SP)
História do cinema ambulante em São Luis Marcos Fábio Belo Matos (Faculdade São Luis MA)
Cinema em casa: 20 anos de cinema brasileiro na TV aberta nacional Antonio de Andrade e Sandra Reimão (UMESP Universidade Metodista de São Paulo SP)
Aparelhos [ópticos do século XIX: a chegada do cinema no Brasil e a formação do espectador moderno Cristina Miranda (UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro RJ)
Copa do Mundo no Brasil: a dimensão histórica de um produto midiático Edison Gastaldo (UNISINOS Universidade do Vale dos Sinos RS)
A terra estrangeira ou o cinema dos anos 90 em busca de uma identidade Miriam de Souza Rossini (UNISINOS Universidade do Vale dos Sinos RS)
50 anos de televisão: um inventário da programação infantil Lara Maria (UMESP Universidade Metodista de São Paulo SP)
GT5 História da Mídia Digital (Web e NTCs)
Coordenador: Antonio Brasil (UERJ)
O rádio e sua sintonia com novas mídias Maria Gorete Linhares, Marizete Silva e Wilma Moraes (UFPE Universidade Federal de Pernambuco UFPE)
A Gazeta Mercantil na era digital Hércia Lene (FAESA Faculdades Associadas do Espírito Santo ES)
O processo de consolidação dos jogos eletrônicos como modelo de mídia: um mapeamento histórico Gláucio Aranha (ICC Instituto de ciências Cognitivas)
Da divulgação científica à utopia da mídia: o papel das publicações de ficção-científica na associação entre a tecnologia e os mass media Rodrigo Fernández Labriola (UFF Universidade Federal Fluminense RJ)
Arena eletrônica: os partidos na internet Lívio Sakai (UMESP Universidade Metodista de São Paulo SP)
O papel da internet como meio de preservaçõ da memória das histórias em quadrinho brasileiras Sidney Gusman (Editor do Universo HQ, Conrad Editora)
GT6 História da Mídia Persuasiva (Publicidade, RP)
Coordenador: Adolpho Queiroz (UMESP)
Cultura global: nova perspectiva de cidadania ou simplesmente "marketing cultural" ? Telenia Hill (UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro RJ)
Relações Públicas no Brasil: de Eduardo Pinheiro Lobo a Candido Teobaldo de Souza Andrade Mirtes Vitoriano Torres (FAPEAL Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas AL)
As primeiras eleições midiáticas no Brasil: um estudo acerca da campanha para a Presidência da República em 1989 Ana Paula Andrade e Jen Marcelo Carvalho França (UNESP Universidade Estadual Paulista Campus de Franca SP)
Assim diz o Senhor ! Herbert Rodrigues de Souza (UMESP Universidade Metodista de São Paulo SP)
A formação dos grupos de comunicação Débora Cristina Tavares (UMESP Universidade Metodista de São Paulo SP)
A Propaganda no Rádio Brasileiro: gêneros e formatos Nahara Cristine Mackovics (Centro UniversitárioBarão de Mauá SP)
A indicação e a posse do Presidente Médici na revista Manchete Kleber Carrilho ((UMESP Universidade Metodista de São Paulo SP)
A propaganda política no período de João Goulart: análise comparativa dos jornais "O Estado de S. Paulo" e "Última Hora" Milton Pimentel Martins (UMESP Universidade Metodista de São Paulo SP)
A propaganda política e a verba secreta destinada à imprensa no final do século XIX Victor Kraide Corte Real (UMESP Universidade Metodista de São Paulo SP)
Do pioneirismo do Marketing no Maranhão à Nova República: A trajetória comunicacional de José Sarney Paulo César Délboux (Faculdades Integradas Claretianas SP)
Mala direta e suas características na comunicação mercadológica José Carlos Bossolo (Centro Universitário Barão de Mauá SP)
Assis Chateaubriand contra o Governo Castelo Branco Patrícia Polacow (ISCA Lorena SP)
As três faces do horror: Goebels, Hitler e Riefenstahl Roberto Jimenes (Centro Universitário Alcântara Machado UniFIAM SP)
Análise de anúncios sobre o dia internacional da mulher Rossana Zacaria e Ariane Bárbara Pereira (Universidade Metodista de Piracicaba UNIMEP)
O Fome Zero e o Marketing Social Adolpho Queiroz, Greice Kely Pereira, André Gustavo Brandão e Bruno Ricardo (Universidade Metodista de Piracicaba UNIMEP)
18h Lançamento de livros:
Agata Messina Cadernos da Comunicação: Memória e Estudos (Secretaria Especial de Comunicação, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro RJ)
Ana Arruda Callado Jenny, Amazona, Valquíria e Vitoria-Régia (DL Brasil, Rio de Janeiro RJ)
Adolpho Queiroz e Dennis de Oliveira Jornais Centenários de São Paulo (Degaspari, Piracicaba SP)
Antonio F. Costella - Breve História Ilustrada da Gravura (Editora Mantiqueira, Campos do Jordão - SP)Carlos Rizzini - Liberdade de Imprensa (Editora Mantiqueira, Campos do Jordão - SP)
José Marques de Melo - História do Pensamento Comunicacional (Editora Paulus, São Paulo - SP) e Jornalismo Opinativo: Gêneros Opinativos no Jornalismo Brasileiro (Editora Mantiqueira, Campos do Jordão - SP)
Marialva Barbosa Os donos do Rio: imprensa, poder e público (Vício de Leitura, Rio de Janeiro RJ)
Marco Morel Cipriano Barata na Sentinela da Liberdade (Academia de Letras da Bahia, Salvador BA)
Marcos Matos - ...E o cinema invadiu Athenas A história do cinema ambulante em São Luis (Prefeitura Municipal de São Luis, São Luis MA)
Osmar Mendes Júnior O Despertar da TV Memórias de um Telespectador Pioneiro (Scortecci, São Paulo SP)
Sonia Virgínia Moreira Rádio em transição (Mil Palavras, Rio de Janeiro RJ)
18h30 - Coquetel de confraternização
Dia 2, segunda-feira
Simpósio: "Resgatando a Memória da Imprensa"
Coordenadora: Ana Arruda Callado (ABI)
Manhã: ABI Rua Araújo Porto Alegre, 71 Castelo
9h-12h - Painel 1 Auditório da ABI
Tema: Jornalistas Esquecidos Moderador: Milton Coelho da Graça (ABI)
Tarde ABL : Av. Presidente Wilson, 203
15h-17h - Painel 2 Auditório da ABL
Tema: Jornalistas Imortalizados Moderador: Alberto Venâncio Filho (ABL)
Noite UERJ Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Campus Maracanã IFCH Rua São Francisco Xavier, 524 9o.andar
Seminário: História e Imprensa
"Representações culturais e práticas de poder"
Comissão organizadora:
Lucia Maria Bastos Pereira das Neves, Tânia Maria Tavares Bessone da Cruz Ferreira e Marco Morel
18h- Abertura do Evento
José Marques de Melo
(Cátedra UNESCO/UMESP - Rede Alfredo de Carvalho)
Conferência:
Ângela de Castro Gomes (CPDOC/FGV UFF):
Propaganda política, construção do tempo e mito Vargas
Dia 3/06, terça-feira
10h 12h, Mesa-Redonda: Imprensa, nação e poder no século XIX
14h 16h, Comunicações livres para alunos de Graduação e Graduados, coordenação Oswaldo Munteal (UERJ).
16h 18h, Comunicações livres para alunos de Pós-Graduação e Pesquisadores, coordenação de Francisco Palomanes Martinho (UERJ).
18h 20h, Mesa-Redonda: Imprensa e identidades políticas
Dia 4/06, quarta-feira:
10h 12h, Mesa-Redonda: Impressos, cultura e sociabilidades
14h 16h, Comunicações livres para professores e pesquisadores, coordenação Mônica Leite Lessa (UERJ).
16h 17h30m, Comunicações livres para professores e pesquisadores, coordenação de Maria Emília Prado (UERJ)
17h30m 20h Mesa-Redonda: História das mídias no Brasil
Dia 5/06, quinta-feira:
10h 12h30m Mesa-Redonda: Imprensa, cultura e política
14h 16h - Comunicações livres para alunos de Graduação e graduados, coordenação de Edna Maria dos Santos (UERJ).
16h 18h Mesa-Redonda: Mídia e representações
18h30m - Sessão de encerramento: André Lázaro (presidência da Mesa / UERJ) e exibição do vídeo "Barbosa Lima Sobrinho 100 anos".
3 - Núcleo de Florianópolis desvenda facetas história do jornalismo catarinense
O Núcleo da Rede Alcar em Santa Catarina, informa os avanços investigativos em desenvolvimento no Curso de Jornalismo da UFSC:
1. Dentro de projeto de disciplina optativa, cinco alunas iniciaram, sob orientação do Prof. Dr. Francisco Karam, o processo de pesquisa de dados, fotos, capas de jornais e personagens históricos da imprensa catarinense.
A acadêmica Andressa Braum está em busca de dados sobre a primeira mulher jornalista no estado - disputa entre algumas raras presenças em redação; Sabrina Domingos faz levantamento sobre Crispim Mira, jornalista que no início do século passado já denunciava desmandos no Poder Público e acabou, por isso, assassinado dentro de redação em Florianópolis; Lilian Mann busca informações sobre os primeiros jornais em língua estrangeira aqui no estado -houve vários, mas o primeiro, que circulou a partir de 1862, foi o Kolonie-Zeitung; e as estudantes Janine Tavares e Paula Scheidt Manoel fazem levantamentos sobre os jornais de maior durabilidade em fins do século 19 -p. ex. Regeneração e Despertador- , bem como buscam dados sobre os primeiros jornais de origem operária, trazidos pelos italianos.
Serão cinco reportagens-pesquisa baseadas nos conteúdos dos jornais, nas capas, nos ideais, nos fundadores , nos anúncios, em locais onde funcionavam.
2. O prof. Delmar Marques, na disciplina de Grande Reportagem em Vídeo, dividiu a turma em grupos. Um deles, formado pelas alunas Paula Medeiros, Camila Paschoal, Estephani Zavarize e Marcela Campos, projeta um vídeo sobre Gustavo de Lacerda, catarinense fundador da Associação Brasileira de Imprensa. Estão em busca de fontes e devem entrar em contato com o sr. bem como com dirigentes da ABI e outras fontes. Precisam ter contato com o acervo da ABI, consultar a Biblioteca Pública Nacional. Algumas delas , talvez duas, viajem ao RJ para obter dados, filmar, fazer entrevistas, etc.
Tais projetos e possíveis novas incursões investigtivas, especialmente as reportagens que escritas que estão em andamento, serão relatados pelo Prof. Dr. Francisco Karam, na sessão dos articuladores da Rede, programada para o dia 1 de junho, no encontro agendado para a cidade do Rio de Janeiro.
VOLTAR4 - 95 anos de lutas: Fernando Segismundo resgata história da ABI
Raquel Pinto
São 70 anos como jornalista, 40 de magistério e 54 na ABI. Ele já foi secretário-geral, diretor cultural, bibliotecário, vice-presidente e agora presidente da "casa dos jornalistas", como ele chama. Estamos falando do jornalista, escritor e professor Fernando Segismundo (foto), presidente da Associação Brasileira de Imprensa, que conversou com Comunique-se sobre os 95 anos da associação, comemorados nesta segunda-feira (07/04).
"Noventa e cinco anos de serviço à classe jornalística". É assim que o presidente da ABI vê os trabalhos realizados pela Casa até hoje. Segundo Segismundo, a história da associação se divide em duas partes distintas e teve dois grandes nomes na sua presidência: Herbert Moses e Barbosa Lima Sobrinho. Segundo Segismundo, a ABI nasceu para congregar uma categoria que estava dispersa, que queria proteção, um leito num hospital, uma casa de repouso quando parasse de trabalhar, salários mais justos e muito mais. "Era preciso muito boa vontade. O que os nossos companheiros sonharam em 1908 não é o que acontece hoje em dia", explica Segismundo. Além disso, "lutamos pela defesa do patromônio nacional". Quando ele diz isso, faz questão de frisar que é tanto no sentido espiritual quanto material. Segismundo diz que o jornalista deve ser íntegro não só com o seu trabalho e carreira, mas também com o patrimônio do seu país. Além disso, "não se pode admitir que um jornalista não seja um patriota". Segismundo considera a guarda desse patrimônio uma questão estatutária.
Há 54 anos trabalhando na ABI, Segismundo se considera um "dinossauro" da classe. Começou a trabalhar em 1932, no extinto jornal A Pátria, do então jornalista João do Rio, a quem ele considera um dos maiores profissionais que o Brasil já teve. Saiu de lá e foi para o Diário de Notícias, onde ficou por 37 anos, saindo só depois da falência do jornal. "Quando ele faliu, saí de lá sem receber nada. Foi aí que deixei de ser jornalista profissional", diz Segismundo. Paralelo a isso, ele sempre foi professor e tem 40 anos de magistério. "Tenho um trabalho extenso e muito significativo no Colégio Pedro II. Acredito que todo jornalista é um educador".
A ABI sempre passou por momentos complicados, mas Segismundo lembra dos anos de ouro da Casa, quando Herbert Moses foi presidente, de 1931 a 1966. "Moses era poliglota (falava cinco línguas), o que ajudou muito com as relações internacionais, era empresário, tinha ótima noção de administração, o que era essencial para presidir a ABI. Além disso, ele era ainda diretor tesoreiro do Globo e presidente de uma das empresas mais poderosas na época, a Souza Cruz", completa Segismundo. Ainda segundo ele, Moses foi o único presidente da ABI que tirou do próprio bolso para ajudar a Casa. "Já tive situações aqui em que precisei de R# 2 mil, R$ 3 mil reais e não tinha", lamenta.
Hoje a ABI passa por situações dramáticas. Há até pouco tempo, o andar onde fica a sala da presidência e dos diretores quase foi a leilão. A folha de pagamento é sempre apertada e recursos básicos como papel, café e água saem do bolso dos próprios diretores. "Eu já vi Moses receber gente importante aqui nesta sala (referindo-se à sala da presidência). Eu costumo dizer que ele transformou, na época dele, a ABI na ante-sala do Itamaraty, quando a sua sede era no Rio de Janeiro. Hoje não recebo ninguém. A ABI está irreconhecível, perto do que já foi anos atrás."
Segismundo lembra ainda das prisões e sustos durante a ditadura de Getúlio Vargas. "A ditadura atrapalhou muito os nossos trabalhos. Tivemos atentados e um andar do prédio ficou completamente destruído depois de uma bomba". O presidente da ABI diz que Moses teve muitos problemas com Getúlio Vargas, na época do Estado Novo. "Moses tirava qualquer um do cárcere a hora que queria, era só ele ir até a polícia política. Todos nós tivemos presos na época no tempo de Getúlio. Mas Moses sempre conseguia nos ajudar. Algumas pessoas diziam que ele almoçava com os jornalistas e jantava com o Getúlio, dando uma idéia que ele jogava nos dois lados. Mas Moses fazia isso, porque senão nós éramos 'almoçados'".
Hoje com a ABI em festa, Segismundo espera que, com o governo de Lula, o Brasil possa sonhar mais alto e conseguir arrumar o que os outros governos deixaram bagunçado. "Lula é um grande homem, de origem pobre e de grande competência. Ele tem grandes desafios e herdou um país em frangalhos. Mas ele vai conseguir vencer as dificuldades e mostrará ao povo brasileiro a que veio. Certamente ele estará à frente do Brasil, não somente por quatro, mas por muitos anos".
Fonte: Portal Comunique-se, 7/4/2003
5 - O futuro dos jornais brasileiros
João Augusto Cabral
Os jornais brasileiros de circulação paga e diária, vinculados ao IVC, venderam uma média de 3,4 milhões de exemplares de segunda a domingo no último mês de dezembro, sendo 61% sob a forma de assinaturas e o restante em bancas. Em relação a dezembro de 2001, observa-se perda de 5,4% na circulação, com carteiras de assinantes perdendo 3,8% e as vendas avulsas caindo em torno de 8%.
Mesmo quando se segmenta a análise pelos diversos nichos mercadológicos -, jornais de referência nacional, populares, esportivos, especializados em economia -, ou mesmo pelo porte da circulação, não encontramos diferenças relevantes na performance.
As causas da redução, a curto prazo, são claramente de natureza econômica. O aumento do desemprego, o aumento dos preços dos serviços públicos essenciais, a elevação da carga tributária e a desvalorização cambial provocaram forte perda de poder aquisitivo na população. Mas há um dado curioso. Quase 30% dos jornais conseguiram crescer em meio à crise.
Existem inúmeros outros sinais que comprovam que há algo mais no ar do que apenas uma crise econômica, principalmente quando a análise olha o mercado à luz de alterações que começaram alguns anos atrás.
O primeiro - e mais importante - sinal é que a circulação dos jornais que surgiram nos últimos seis anos já responde por 20% da tiragem auditada. O segundo é que o ranking dos dez maiores jornais sofreu quatro alterações de posição em apenas um ano (2002), uma velocidade de mudança que não se observava nesse mercado. E por último, mas não menos importante, é que estamos assistindo uma aceitação crescente de produtos mais segmentados. Há seis anos, da lista dos dez maiores jornais, oito eram de interesse geral e apenas dois de nichos específicos. Em 2002, já temos uma divisão rigorosamente meio a meio, com os "jornalões" formadores de opinião compartilhando o ranking com jornais de economia, populares e esportivos.
Ou seja, a crise econômica não atinge a todos de maneira inexorável. E não é a única razão (e talvez em alguns casos nem a principal) que explica as perdas de "share" de mercado de vários jornais brasileiros.
O que podemos esperar de 2003 em termos de circulação e publicidade? Muito pouco para o mercado como um todo. Não obstante, precisa ser demonstrado que há um enorme potencial de crescimento para os jornais. Só para retornarmos aos níveis do ano 2000, será necessário que a publicidade dos jornais cresça 34%, em termos reais, e a circulação, 21%. Não estamos falando de tentar alcançar padrões europeus ou norte-americanos de leitura e de "share" publicitário.
É claro que não é possível sonhar com tamanha recuperação sem um empurrão significativo da economia. Porém, começa a ficar claro que há uma tendência de descolamento da performance do mercado como um todo e de cada veículo em particular. Os que demonstrarem mais apego às regras e modelos que vigoravam sem questionamento até algum tempo atrás terão menos oportunidades, mesmo para apenas recuperar o terreno perdido em 2001 e 2002.
O que cada empresário terá de fazer é um diagnóstico correto, tentando mensurar quanto da perda recente de vendas e de publicidade está realmente correlacionado com a crise econômica e quanto se deve a problemas ligados mais à estratégia adotada. E decidir quanto pretende abocanhar da recuperação ou quanto pretende avançar sobre a concorrência enquanto a recuperação não vem.
A crise recente, provocada pela recessão no consumo e pela desvalorização cambial, mudará para sempre o modelo econômico dos jornais. Para conquistar uma parcela maior da publicidade, o meio jornal terá de criar novos paradigmas para se tornar mais atrativo como produto e mais competitivo frente a uma concorrência que não pára de crescer, representada pelas novas mídias, pela migração de verbas de publicidade para promoções, marketing direto, ações no ponto-de-venda, etc. É um tema conhecido e amplamente debatido no âmbito da própria ANJ.
Mas tudo indica que a mudança será também na direção de uma menor dependência da receita de publicidade. E a única alternativa é acreditar que o leitor estará disposto a pagar mais por um conteúdo mais próximo do seu desejo real. Certamente ele não pagará mais apenas porque os jornais precisam repassar os custos exorbitantes provocados pela alta do dólar e pela retomada da inflação. Nenhum de nós, como consumidor, aceita essa lógica. Nem mesmo quando se trata de produto de difícil substituição e primeira necessidade. Se não há produto alternativo, reduzimos o consumo.
Resta, portanto, como saída agregar ao produto o conteúdo desejado pelo leitor e, talvez principalmente, pelo não-leitor. Por mais óbvia que seja a afirmativa - e por mais que já tenha sido repetida à exaustão nos últimos anos -, ainda é a mais difícil das tarefas de um empresário de jornal, no Brasil e pelo mundo afora.
kicker: Reforçada a posição dos jornais especializados no mercado das publicações
Fonte: Portal Comunique-se, 16/4/2003
6 - Desestatização das telecomunicações, ano 5: futuro promissor
Fonte: FNDC Frente Nacional pela Democratização da Comunicação,
Prestes a completar cinco anos de desestatização, o setor vive uma nova revolução em oferta de serviços e concorrência
O setor de telecomunicações entra, em 2003, em uma nova fase. Passados cinco anos da privatização do antigo Sistema Telebrás, a telefonia brasileira foi redesenhada, expandiu-se numa velocidade sem precedentes e, para muitos especialistas, transformou-se em exemplo de desestatização bem-sucedida. No entanto, ainda há uma revolução em andamento, agora acirrada com a abertura do mercado e a crescente concentração. Estas e outras questões deram o tom do seminário O desafio das telecomunicações no Brasil, realizado no último dia 11 de abril como parte da Agenda Brasil.
O evento foi promovido pelo Consórcio Mídia Impressa, que reúne o Jornal do Brasil, o jornal O Dia e a Revista Forbes Brasil no auditório da sede da Fecomércio-RJ, na Zona Sul do Rio, reunindo o ministro das Comunicações, Miro Teixeira; a governadora do Estado do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus; o prefeito Cesar Maia; o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações, Luiz Schymura; o presidente do Consórcio Mídia Impressa, Fernando Portella; o presidente da Fecomécio-RJ, Orlando Diniz; a presidente em exercício da Embratel, Purificación Carpinteyro; o presidente da ATL, Carlos Henrique Moreira; o presidente da Nextel, Alexis Mozarovski; e o diretor de Gestão da Brasil Telecom, Ari Joaquim da Silva.
O seminário foi o primeiro encontro do gênero formulado a partir da Agenda Brasil, uma série de debates realizados, no ano passado, com os candidatos à Presidência da República. Nesses encontros, foram eleitos temas prioritários para o futuro do país, que serão discutidos em profundidade numa série de eventos reunindo autoridades, executivos e especialistas de cada setor.
Para todos os participantes, uma certeza. Apesar das profundas mudanças ocorridas no setor, é preciso seguir adiante. Na época da privatização, o país tinha 22,1 milhões de telefones fixos instalados e 7,4 milhões de aparelhos celulares. Hoje, são 49,3 milhões de telefones fixos e 35,6 milhões de celulares, mas as tarifas tiveram forte alta e analistas acreditam que o mercado não terá condições de abrigar todas as empresas que atualmente estão em operação.
Fernando Portella, presidente do Consórcio Mídia Impressa, lembrou que o setor de telefonia foi responsável por profundas mudanças em toda a economia. Ele considerou, entretanto, que há necessidade de modificações para um avanço ainda maior.
- O Brasil vem evoluindo nesta área, porém ainda está preso a um modelo difícil de desconectar, porque não há o equilíbrio entre as políticas fiscal, monetária, cambial e salarial, uma âncora fiscal possível para desenvolver o país - disse Portella.
É em busca dessas mudanças, como parte da meta de atrair novos investimentos e estimular a competição na telefonia, que o governo, como revelou o ministro das Comunicações, Miro Teixeira, está estudando uma série de modificações para o setor. Uma delas é o fim da indexação das tarifas pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI).
Essas modificações, disse Teixeira, serão feitas por meio de decreto e entrarão em vigor a a partir de 2006, quando serão renovados os contratos de concessão das operadoras. O ministro enfatizou, no entanto, que os atuais contratos ''serão respeitados''.
- Eu posso lhes assegurar que há empresas interessadas em vir e competir. Eu espero que empresas brasileiras ou outras empresas que estão atuando em outras áreas até queiram investir em telecomunicações porque investir no Brasil é um grande negócio - afirmou Teixeira.
Atração de novas empresas e condições iguais de competição também foram os principais temas da apresentação de Luiz Schymura, presidente da Anatel. Ele reconheceu que há no país um virtual monopólio na telefonia local. Por isso, enfatizou que a Anatel está buscando mecanismos para estimular e assegurar a competitividade. (Brasília, 16/04/2003)
7 - Desenvolvimento da TV Digital: o desafio tecnológico
Helio Daldegan Fonte: Valor Econômico (16/04/2003)
O mundo passa por um período de profundas mudanças e é cada vez mais importante o domínio das tecnologias da informação para que uma sociedade possa se manter competitiva em uma economia globalizada. A melhor definição que conheço para Tecnologia da Informação ainda é a do professor Christopher Freeman da Universidade de Sussex, Inglaterra - "Tecnologia da Informação é o conjunto de tecnologias avançadas no campo da computação, do software, da microeletrônica e das telecomunicações".
Mudam os modos de se produzir riqueza, os modos de comunicação no lazer e no trabalho, os modos como as sociedades consolidam seu desenvolvimento e mantêm a soberania. Vejo na definição do professor Freeman o valor de dar destaque exatamente àquelas tecnologias que estão no cerne da economia moderna.
Acredito que o governo deve procurar acelerar a inserção do país na Era da Informação facilitando e incentivando a utilização das novas tecnologias pelos cidadãos e pelas empresas. Deve procurar estimular de todas as formas possíveis o desenvolvimento e a disseminação das tecnologias da informação no país.
No início de março, o Ministro das Comunicações, Miro Teixeira, em pronunciamento no almoço da Associação Brasileira de Telecomunicações, Telecom, e da Associação Comercial do Rio de Janeiro, falou que precisamos ousar, ousar criar um sistema brasileiro de TV digital, que possa vir a ser comparado com os padrões americano, europeu e japonês quanto às características que melhor venham a atender à sociedade brasileira. Disse ainda que o esforço do desenvolvimento vai se focar no software e que módulos de imagem e som já internacionalmente aceitos e bem sucedidos podem vir a ser aproveitados, como estão, ao novo sistema.
Sem entrar no mérito da proposta, acredito que por representar um novo e importante paradigma em "broadcasting", que vai afetar profundamente a vários segmentos da economia, as decisões sobre a TV digital têm um caracter de extrema relevância para o país. E ainda assim é apenas uma peça do mosaico de tecnologias e serviços que vão ser decisivos as país nos próximos anos.
Software é uma área em que o Brasil está buscando um lugar de destaque no mercado nacional e internacional, em criatividade e inteligência não somos menos qualificados que ninguém. Pelo contrário, o Brasil dispõe de uma invejável disponibilidade de analistas e programadores de primeira linha, bem como de engenheiros de software altamente capacitados. Não fica atrás a área acadêmica, que dispõe de pesquisadores de nível internacional, e é preciso buscar integrar esta inteligência cada vez mais ao segmento industrial.
Acredito que o esforço de desenvolvimento de tecnologia nacional para a TV Digital deve se centrar no desenvolvimento do software de interatividade, do chamado "middleware", onde inclusive podem pesar muito os pagamentos de royalties e onde já demos provas concretas de nossa competência. Acredito ser esta a tônica da proposta da TV digital.
Nossa capacidade de inovar e de partir na frente - infelizmente também às vezes de parar no meio ou quase no fim do caminho - já se evidenciou repetidas vezes no passado. É preciso aliar talento com bom senso, capacidade com tenacidade, representatividade com imparcialidade e sobretudo é preciso pensar como um todo, com a participação de todas as forças produtivas da sociedade, o desenvolvimento das Tecnologias da Informação, o que envolve padronização, regulamentação, fabricação, insumos e operação comercial - custos de desenvolvimento, interoperabilidade, economias de escala e escopo, royalties, transferência de tecnologia, inclusão social. Não é pouco o que é necessário para criar as condições adequadas ao surgimento de um mercado avançado e competitivo nas Tecnologias da Informação.
Neste contexto me lembro de um evento que assisti em São Paulo, em 1994, onde Alvin Toffler, o famoso pensador e futurista, alertava para a importância de privilegiar investimentos públicos em Tecnologia da Informação. Citou o caso da China onde houve a decisão política de dar a telefones mais preferência que a estradas, uma reviravolta nas antigas prioridades.
A meu ver o Ministro está tocando em uma área de extrema importância, e não estou especificamente pensando nos desdobramentos da TV Digital.
Penso na defesa dos melhores interesses do mercado de Tecnologia da Informação, que inclui empresas e consumidores. Penso também no papel da Anatel e em sua missão: "Promover o desenvolvimento das telecomunicações do País de modo a dotá-lo de uma moderna e eficiente infra-estrutura de telecomunicações, capaz de oferecer à sociedade serviços adequados, diversificados e a preços justos, em todo o território nacional". As críticas que lhe são feitas devem visar aperfeiçoá-la, nunca enfraquecê-la. Sua importância é imensa para o setor de telecomunicações brasileiro, deve ser dotada de todos os recursos humanos e financeiros que precisar para poder levar adiante sua difícil e crucial missão, com mais competência e sem perder sua autonomia.
8 - Os caminhos da TV digital: dilemas brasileiros
Rodrigo Müzell - Zero Hora (16/04/2003)
A decisão sobre a implantação da TV Digital no Brasil demorará um, no mínimo, um ano. Esse é o prazo com o qual a indústria e o governo trabalham após o anúncio, pelo ministro das Comunicações, Miro Teixeira, da disposição de investir na pesquisa de uma tecnologia brasileira para a televisão do futuro.
A TV Digital promete uma revolução na forma como a informação e o entretenimento chegam à casa do telespectador, já que permite oferecer uma vasta quantidade de serviços novos. Compras através do controle remoto, imagem e som perfeitos, diversos ângulos, programação personalizada e mais variada. A viagem de bits permitiria o acesso a redes como a Internet, ainda que essa funcionalidade até hoje não tenha sido explorada por nenhum sistema.
Até o ano passado, havia a esperança de que as primeiras transmissões digitais fossem realizadas em 2003. Os testes dos três padrões - americano, europeu e japonês - chegaram ao fim, mas a definição foi postergada. O atual ministro anunciou a criação de grupos de trabalho para desenvolver tecnologia nacional para a TV Digital, uma medida controversa.
Mesmo na comunicação ao presidente da República, dia 3 deste mês, o Ministério das Comunicações não deixou claro se vai financiar a criação de todo um sistema de transmissão brasileiro ou se as pesquisas serão focadas em tecnologia interna. No início do documento, o ministro fala em desenvolver camadas dos subsistemas de recepção para que as diversas tecnologias se comuniquem. Entretanto, mais adiante no documento enviado a Lula, Teixeira diz que a adoção integral de qualquer uma das três soluções internacionais poderá não atender às condições do país, o que justifica o desenvolvimento de um sistema brasileiro, que privilegie a interatividade. Isso sem que, necessariamente, se descarte algum dos outros sistemas.
- No início, parecia realmente que o governo pensava em um sistema absolutamente novo, mas hoje o ministro está buscando a produção nacional dos programas que controlam internamente o sistema, chamados de midware - afirma o gerente de marketing e tecnologia da Philips, Walter Duran.
Para Duran, que também é diretor da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), esse tipo de software, que aciona comandos do equipamento, não é o mais indicado para se desenvolver no país. Seria meramente operacional, sem valor de exportação. O caminho, de acordo com o executivo, seria apostar em softwares para o consumidor final.
- Imagine se uma empresa brasileira desenvolve um sistema de gerenciamento competente para a transmissão de um jogo de futebol. Qual país do mundo não se interessaria por um sistema feito no país mais competente nesse esporte? - exemplifica.
O Ministério das Comunicações vai destinar R$ 100 milhões para os estudos, e está convidando universidades e laboratórios para participarem das pesquisas. O ministro Teixeira, prevê que um modelo desenvolvido é coisa para daqui a três anos. A partir das definições de padrão, Duran diz que em um ano e meio as primeiras cidades já poderão ter transmissões digitais. É preciso, portanto, esperar mais um pouco.
9 - Robert Levine: um gigante do brasilianismo acadêmico
Paulo Roberto de Almeida - Doutor em Ciências Sociais. Diplomata.
Robert Levine era o que se poderia chamar um "americano tranqüilo", mas isso apenas no trato pessoal, no relacionamento com os muitos amigos, com colegas pesquisadores e com os estudantes em geral: afável ao extremo, constantemente atento ao que seu interlocutor tinha a dizer, respondendo com calma, e firmeza, aos argumentos de um eventual opositor no campo das idéias, ele tinha um charme discreto e um ar eternamente infantil -- as sardas ajudavam -- que o fez consagrado no milieu.
No campo da pesquisa acadêmica e da produção brasilianista, entretanto, ele era o contrário de um personagem proustiano: verdadeiro vulcão intelectual em erupção, produtivo no mais alto grau, de fato um protótipo de Stakhanov do brasilianismo acadêmico, sua produção acumulada é talvez uma das maiores, senão a maior, dessa tribo de acadêmicos americanos que, recém saída das bibliotecas universitárias, resolveu se voltar para um país imenso, sumariamente conhecido nos EUA como tendo produzido, na "longínqua" América do Sul, uma Carmen Miranda vagamente parecida com o Zé Carioca, e que ainda continuava a fornecer, nos anos 1950, a maior parte do café consumido no país.
Difícil falar de Bob Levine sem mencionar sua produção realmente
gigantesca sobre o Brasil, talvez o equivalente, em numero de páginas, a uma
Enciclopédia Britânica inteira, quase toda ela sobre o Brasil, com todas as notas de
rodapé a que temos direito pelas boas regras da citação fundamentada, bibliografias
imensas e seções metodológicas pertinentes, como convém enfim a um full scholar e
intelectual distinguido. Aos que gostariam de conhecer um pouco de sua produção, sugiro
acessar a nota biográfica que figura no seu site da Universidade de Miami, e que remete
às listas completas dos livros e a uma seleção de seus artigos mais importantes:
<http://www.as.miami.edu/las/levine.htm>http://www.as.miami.edu/las/levine.htm
Sem recorrer aos clichês habituais -- de que ele deixou uma marca indelével na pesquisa histórica sobre o Brasil, por exemplo -- cabe ainda assim relembrar que Bob foi sobretudo um desbravador de selvas arquivísticas e de estradas poeirentas, em várias partes do Brasil. Seu primeiro livro sobre a pesquisa historiográfica em nosso país se parece aliás com um desses manuais de terras incógnitas, freqüentados por exploradores com chapéu de caçador, apropriadamente intitulado Brazil: Field Guide to Research in the Social Sciences (New York: Columbia University Institute of Latin American Studies, 1966), do qual ele foi o principal editor e um dos colaboradores (junto com outros pioneiros e hoje "velhos" conhecidos da área). Curioso que um de seus últimos trabalhos também tenha sido um ensaio sobre a pesquisa em torno do Brasil que ele preparou, a meu pedido, para o livro de avaliação crítica sobre o brasilianismo acadêmico que resultou de dois seminários organizados pela Embaixada do Brasil em Washington: O Brasil dos Brasilianistas: um guia dos estudos sobre o Brasil nos Estados Unidos, 1945-2000 (São Paulo: Paz e Terra, 2002).
Tendo sido estudante de Stanley Stein, Levine logo integrou aquela categoria de bolsistas conhecidos como "filhos de Fidel": eles foram os beneficiários das preocupações não puramente acadêmicas das autoridades americanas em plena Guerra Fria e também se beneficiaram da abertura que a elite brasileira permitiu em seus papéis familiares numa época em que o acesso aos arquivos era difícil aos pesquisadores brasileiros, até por razões materiais (Levine acedeu por exemplo aos documentos de Vargas através de Alzira Vargas do Amaral Peixoto). Foram esses jovens doutores em assuntos brasileiros -- na verdade, a figura do brasilianista existe praticamente mais no Brasil do que nos EUA -- que passaram a formar gerações de novos pesquisadores, americanos e brasileiros. Citem-se, apenas na área de história, colegas de Levine como Richard Morse, E. Bradford Burns (um pouco mais velhos), Richard Graham, John Wirth, Warren Dean, John Russell-Wood (britânico, como Kenneth Maxwell), Tom Skidmore, Joseph Love, Stuart Schwartz, Stanley Hilton, Frank McCann, Robert Toplin, Robert Conrad, Steven Topik, Neill Macaulay e muitos outros.
Metade da vida acadêmica de Bob Levine transcorreu na State University of New York em Stony Brook, de 1996 até 1981, quando então ele inicia nova etapa na Universidade de Miami, onde se desempenhou como Diretor de Estudos Latino-Americanos. À primeira fase pertencem os livros The Vargas Regime: The Critical Years, 1934-1938 (1970; publicado no Brasil apenas dez anos depois), Pernambuco in the Brazilian Federation, 1889-1937 (1978; um projeto de estudo do regionalismo político brasileiro, junto com Love e Wirth) e Historical Dictionary of Brazil (1979; completado com duas bibliografias anotadas sobre o Brasil, de mais de 450 páginas, cada uma). No período subseqüente, ele diversificou enormemente sua produção historiográfica, tocando em outros países, mas ainda assim publicou sobre o Brasil, Vale of Tears: The Canudos Massacre in Northeast Brazil Revisited (1992; uma revisão do drama de Canudos), Father of the Poor- Getúlio Vargas and His Era (1998), ademais do enorme The Brazil Reader (1999), um manual quase completo sobre o que se deve ler para conhecer a história do Brasil. Os artigos de revistas ou capítulos em livros coletivos se contam às dezenas, assim como as resenhas críticas e os pareceres que ele deu para diversas editoras universitárias sobre livros da área.
Quando o convidei para novo seminário de estudos brasileiros na Embaixada em Washington, em outubro de 2002, onde deveria receber o título de Brasilianista Emérito (Distinguished Brazilian Studies Scholar), ele deixou de comparecer, talvez porque os primeiros sintomas da doença que viria vitimá-lo já se tivessem manifestado. Esse diploma, que na ocasião foi atribuído a Tom Skidmore, a Jon Tolman, a Joseph Love e a Werner Baer, lhe será certamente atribuído, ainda que em caráter póstumo. Bob Levine dispensa, na verdade, homenagens formais desse tipo, pois sua obra constitui, por si só, um verdadeiro monumento no campo dos estudos históricos sobre o Brasil.
Eu ousaria dizer, numa estimação arriscada e provavelmente impressionista, que sua perda representa a amputação de mais de dez por cento do ?PIB histórico brasilianista?, tão importante foi sua contribuição para esse campo de estudos acadêmicos nos EUA. De Bob Levine pode-se dizer, com toda tranqüilidade, que, se ele não pertence, stricto sensu, à história do Brasil, ele certamente fez a história do Brasil, mais e melhor do que muitos colegas, no Brasil e nos Estados Unidos. Nos dois países, em dois continentes, um vácuo histórico acaba de abrir-se. Saudades, muitas saudades, Bob.
Ver a página pessoal de Robert Levine em:
http://www.as.miami.edu/las/levine.htmVOLTAR
10 - Rádio
Educativa da Bahia celebra um quarto de século
Luis Guilherme Pontes Tavares
Educadora 25 anos da FM 107,5 é o título do livro (124 p., formato 28 x 21 cm., ilustrado) patrocinado pelo Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia Irdeb (www.irdeb.bahia.ba.gov.br, irdeb.diretor@bahia.ba.gov.br, 71 339 1250) sobre a trajetória da emissora fundada em 31 de março de 1978. O autor da pesquisa e do texto final, jornalista João Leite Filho, enfatizou a capacidade de superar obstáculos e a dedicação do quadro funcional e o ecletismo da programação da rádio ela mistura, sem segmentação, o clássico ao axé, o samba à música de vanguarda.
A primeira edição do livro foi lançada na noite de 31 de março passado na sede do Irdeb, em Salvador, num ato festivo de que participaram o governador Paulo Souto, o secretário da Cultura e Turismo, Paulo Gaudenzi, outras autoridades e convidados. Nos próximos dias será publicada nova edição que trará cd-rom encartado (contendo o texto integral do livro, ilustrações e retalhos da memória acústica da Educadora FM 107,5).
O livro escrito por João Leite Filho não é uma seqüência de elogios à emissora que o patrocinou, mas revela, por exemplo, que em 1989, os administradores de então comprometeram gravemente a memória da emissora ao descartar preciosidades da discografia nacional e internacional e ao mandar gravar de novo sobre fitas que continham gravações históricas, tais como as entrevistas de Cid Teixeira (jornalista e historiador) com Luís Carlos Prestes (provavelmente seu último depoimento), Carlos Drummond de Andrade, Cosme de Farias (criador de campanha contra o analfabetismo na Bahia) e Adroado Ribeirto Costa (criador da Hora da Criança).
11 - Meio & Mensagem: 25 anos de serviço à comunicação publicitária
Miriam Abreu
Ao longo de 25 anos, o jornal Meio & Mensagem venceu resistências, enfrentou e ainda enfrenta crises que afetam diretamente o meio publicitário e os veículos de comunicação, e se tornou referência e leitura obrigatória no meio de comunicação e marketing. No dia 17/04, o veículo comemora seu 25º aniversário em meio a projetos surpreendentes, apesar da velocidade moderada em que é obrigado a prosseguir. A idéia agora é estreitar os laços com a indústria da comunicação.
O presidente do Grupo Meio & Mensagem, José Carlos de Salles Gomes Neto, tem planos para fazer a marca criada por ele presente em rádio, TV e colunas de jornais. Os projetos incluem também uma revista. E se depender da determinação dele, assim que o mercado der sinais de que pode avançar, Meio & Mensagem vai crescer mais do que o esperado.
Salles Neto lamenta a retração do mercado e diz que não se lembra de ter visto uma crise como esta. "O mercado sempre agiu como uma gangorra. Sempre houve uma razão para as coisas não irem bem, mas havia momentos bons e ruins. Dessa vez, diferente das demais, não há uma luz no fim do túnel. Não temos previsão de quando este cenário, que está se arrastando desde 2001, vá responder positivamente", lamenta.
A marca Meio & Mensagem também passa por ajustes. Além de cortar 30 pessoas de uma equipe de 160, a área admistrativa da empresa mantém um controle rígido dos custos. "Todos os projetos de lançamento e acordos operacionais estão suspensos até segunda ordem", informa.
Histórico
A criação da marca Meio & Mensagem é motivo de orgulho para Salles Neto, que conseguiu seu primeiro emprego na área de comunicação quando tinha 19 anos. Ele conta que, apesar de não ter a mínima idéia de espaço de propaganda em veículos e como vender, começou como contato publicitário da revista Associação das Emissoras e Rádio do Estado de São Paulo. "Saí dois ou três dias com os outros contatos da empresa para aprender o trabalho. E tive bons resultados", recorda.
A fácil adaptação como contato lhe renderam convites para trabalhar para outras empresas. Aos 22 anos, ele era contato da revista Propaganda,
publicada na época pela Publinform. Além de vender espaços na publicação, ele representava o Anuário Brasileiro de Propaganda e um guia de veículos brasileiros de publicidade. Na empresa, Salles Neto assumiu o cargo de gerente e depois de diretor geral de publicidade. "Eu era o segundo homem da empresa", lembra, com orgulho.Mas a venda de títulos da Publinforme fez o executivo tomar o que hoje foi a sua mais importante decisão profissional: em vez de receber em dinheiro pelos sete anos que trabalhou na empresa, Salles Neto negociou a compra do Anuário. "Quando ele disse o valor que eu iria ganhar percebi que seria o preço de um dos títulos. Saí com uma mão na frente e outra atrás e uma marca embaixo do braço. Muitos de chamaram de louco".
Se não fosse a "loucura" de Salles Neto, a editora não teria sido criada em 1977 e o jornal, em abril de 1978. "Lançamos o Meio & Mensagem durante o 4º Congresso Brasileiro de Propaganda. O mercado reagiu de forma favorável", conta. Ele já tinha uma boa relação com pessoas do setor, que achavam, segundo conta, que seu projeto merecia crédito e apoio. "O gozado era que o jornal era conhecido como 'jornal do Neto'. A marca não tinha expressão. Minha imagem era maior do que a publicação".
O jornal começou como quinzenal, mas no dia 01/04/1985, ele se tornou semanal. "Esse foi o grande passo para o Meio & Mensagem ocupar a liderança e ser leitura obrigatória para quem trabalha na área"
A grande dificuldade pela qual Salles Neto passou foi convencer as agências e empresas de comunicação que era importante anunciar. "O segmento não tomava o remédio que receitava. Não acreditava no poder da comunicação em causa própria". Foi então que o executivo conseguiu mantê-los motivados a estarem sempre atuantes na mídia. "É necessário ter um planejamento organizado. Tinha que haver uma verba planejada. Nós não poderíamos tentar vender espaços para anúncios de semana a semana".
Ao longo do tempo, Meio & Mensagem lançou outros produtos, como o MaxiMídia, o Prêmio Caboré e o site
MMonline, que hoje tem, em média, um milhão de page views por mês.Comemoração dos 25 anos
Para comemorar o aniversário, a equipe de Meio & Mensagem está preparando uma edição especial, onde será feito um balanço da indústria da comunicação. O jornal, que estará circulando na semana que vem, vai trazer também nomes dos 25 profissionais que mais contribuíram para o mercado nestes 25 anos. "Estes nomes foram indicados por 400 pessoas do meio, formadores de opinião", explica Salles Neto. Também haverá espaço para os 25 cases de marketing de maior sucesso.
Salles Neto será o convidado do "Papo na Redação" edição Especial, desta terça-feira (08/04), que começa às 10h40. O bate-papo acontece durante o 6º Congresso Brasileiro de Comunicação Empresarial.
Fonte: Portal Comunique-se, 7/4/2003
12 - Os maiores nomes da propaganda nos últimos 25 anos
A escolha foi difícil, mas os editores do Meio & Mensagem chegaram a um consenso sobre as 25 personalidades que mais contribuíram ao negócio da comunicação brasileira nos últimos 25 anos. A lista foi elaborada após ampla consulta ao mercado e circula na edição desta semana do jornal como parte das comemorações de bodas de prata do veículo.
A seleção foi rigorosa e no final ficaram as seguintes personalidades: Alex Periscinoto, Altino João de Barros, Caio Domingues, Christina Carvalho Pinto, Daniel Barbará
, Duda Mendonça, Ercílio Tranjan, Francisco Gracioso, Geraldo Alonso, João Daniel Tikhomiroff, João de Simoni, José Bonifácio Oliveira Sobrinho, Júlio Ribeiro, Luís Celso Piratininga, Luiz Macedo, Luiz Sales, Maurício Sirotsky, Mauro Salles, Nizan Guanaes, Octávio Florisbal, Petrônio Corrêa, Renato Castelo Branco, Roberto Civita, Roberto Duailibi e Washington Olivetto.Fonte: Lucia Faria Assessoria de Comunicação
Fones: (11) 3346-5720 / 9103-4128
13 - Arqueologia do fotojornalismo brasileiro
Gisele Lopes
Ciência Hoje on-line, 9/4/2003
A fotografia ocupa espaço privilegiado na imprensa brasileira. No entanto, pouco se sabe sobre como essa técnica foi introduzida no país. Para preencher essa lacuna na memória nacional o pesquisador Joaquim Marçal Ferreira de Andrade, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, estuda os primórdios da fotorreportagem, tendo como ponto de partida a imprensa carioca do século 19.
"A intenção inicial era investigar a produção periodística brasileira de 1839 a 1945", diz Marçal. "Mas a tarefa extrapolava os objetivos de um mestrado." A pesquisa foi reformulada para abranger apenas jornais e revistas publicados na cidade do Rio de Janeiro de 1839, ano do surgimento do daguerreótipo (primeiro processo fotográfico patenteado), até 1900, virada do século. A equipe do pesquisador analisou 1126 periódicos da Biblioteca Nacional, detectou as ilustrações e investigou quais delas tinham origem fotográfica.
Até a invenção da fotografia, a imprensa era ilustrada por caricaturas -- característica que persistiu nas primeiras fotorreportagens. A 'foto' no jornal na verdade era uma cópia, feita à mão, da original. A transposição era feita a partir da litogravura (gravação na pedra), técnica rudimentar que não permitia a impressão simultânea de texto e imagem. Por isso, os periódicos da época eram divididos em páginas visuais e textuais.
A técnica fotográfica chegou ao Brasil ainda em 1839, mas só foi inserida na imprensa muitos anos depois. Durante a Guerra do Paraguai aparece o primeiro esboço de uma fotorreportagem, em 1865. "Mas não é seguro afirmar que aquela foi a primeira vez em que se reproduziu uma imagem fotográfica em nossa imprensa", diz Marçal. Como a fotografia já era bem difundida na época, outras imagens podem ter sido usadas como base para ilustrações sem que isso fosse declarado.
A foto mencionada mostra D. Pedro II e o Duque de Saxe num acampamento militar, durante a guerra. As fotografias originais, no entanto, revelam que os dois personagens foram retratados separadamente em estúdio e, posteriormente, 'acrescentados' à foto. Essa descoberta mostra que durante o processo de cópia as fotos sofriam interferências que, segundo Marçal, eram tanto de caráter editorial quanto pessoal.
A fotorreportagem publicada em O Besouro, de 1877, sobre a seca no Ceará tem, pela primeira vez, a fotografia como ponto principal: a fidelidade com que ela foi 'transportada' para o jornal é que assegura o choque que a matéria tencionava causar. Esse caráter de denúncia só seria explorado muitos anos depois, no século 20, quando a reprodução fotomecânica chega ao Brasil. Mas isso já seria tema para um outro trabalho.
"Nosso estudo levantou mais perguntas que respostas", diz Marçal. Por isso, a pesquisa -- que integra um projeto mais amplo sobre o fotojornalismo no Brasil, coordenado pelo professor Luiz Antonio Coelho, também da PUC-Rio -- deve prosseguir, em termos geográficos e cronológicos.
VOLTAR14 - Comunidade Lusófona Fortalece Pensamento Comunicacional
Mais de trezentas pessoas assistiram, na cidade do Porto (Portugal), ao I Congresso Luso-Brasileiro de Estudos Jornalísticos, organizado pelo Centro de Estudos da Comunicação da Universidade Fernando Pessoa, com o apoio da INTERCOM - Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação e da SOPCOM - Associação Portuguesa das Ciências da Comunicação.
No evento, que decorreu nos dias 10 e 11 de Abril, coordenado pelo Prof. Dr. Jorge Pedro Sousa, em simultâneo com o II Congresso Luso-Galego de Estudos Jornalísticos, 104 pesquisadores participaram em painéis ou apresentaram comunicações, entre os quais 47 brasileiros, 37 portugueses, 17 galegos e 3 de outras nacionalidades.
Pioneirismo brasileiro
Durante a sessão solene de abertura dos Congressos Luso-Brasileiro e Luso-Galego de Jornalismo, na manhã do dia 10 de abril, o Reitor da Universidade Fernando Pessoa, Prof. Dr. Salvato Trigo, prestou homenagem ao Professor José Marques de Melo, Titular da Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação. Destacando sua atuação como o mais antigo investigador acadêmico em atividade na área do Jornalismo, no bloco lusófono, ele o chamou carinhosamente de "dinassauro da nossa investigação jornalística". Mais adiante acrescentou: "felizmente ele ainda permanece como guru, inspirando novas equipes que investigam temas jornalísticos no Brasil e em Portugal".
Além do Professor Marques de Melo, a Universidade Fernando Pessoa convidou especialmente para participar do I Congresso Luso-Brasileiro de Estudos Jornalísticos, na condição de conferencistas, os dois pesquisadores que primeiro receberam a orientação acadêmica daquele cientista brasileiro, na pós-graduação: Cicilia Peruzzo, sua primeira orientanda a defender Dissertação de Mestrado (1981) na Universidade Metodista de São Paulo e Carlos Eduardo Lins da Silva, seu primeiro orientando a defender tese de Doutorado (1984) na Universidade de São Paulo. O Professor Marques de Melo já formou mais de uma centena de pesquisadores da área, portadores dos graus de Mestre e Doutor em Ciências da Comunicação, atuantes em universidades brasileiras e estrangeiras.
O Titular da Cátedra Unesco/Umesp agradeceu publicamente a homenagem recebida dos organizadores do congresso, relembrando episódios da sua ousadia acadêmica, em 1973, quando se tornou o primeiro pesquisador a conquistar o título de Doutor em Jornalismo em universidade lusófona, enfrentando uma banca examinadora constituída por especialistas vinculados a outras áreas do conhecimento. Registrou também o contentamento pela reedição da sua tese de doutorado, uma iniciativa da Editora da Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul, tendo em vista que o trabalho se encontra esogotado há vários anos. Sob o título "História Social da Imprensa: Fatores Sócio-Culturais que retardaram a implantação da imprensa no Brasil", o livro deverá ser lançado brevemente, podendo ser lido na íntegra pelas novas gerações que pesquisam jornalismo nos países da Lusofonia.
Anuário Internacional
Na sessão final dos congressos luso-brasileiro e luso-galego, o Professor Marques de Melo foi convidado a fazer a apresentação solene do novo periódico científico que nasce sob sua direção acadêmica. Trata-se do "Anuário Internacional da Comunicação Lusófona", editado sob a responsabilidade da LUSOCOM - Federação Lusófona de Ciências da Comunicação e publicado em parceria com a FAFIC - Faculdade de Filosofia de Campos.
Participaram da mesa dirigente dos trabalhos o presidente da LUSOCOM, Prof. Dr. José Manuel Paquete de Oliveira, bem como a ex-presidente da INTERCOM, Profa. Dra. Cicilia Peruzzo e o representante da FAFIC, Prof. Dr. José Wagner Ribeiro.
A primeira edição do Anuário da Lusocom foi elaborada sob a coordenação do Prof. Dr. J. B. Pinho (UFV), contendo artigos de Benalva da Silva Vitório e Sérgio Caparelli (Brasil), Margarita Ledo (Galicia), Eduardo Namburete (Moçambique), Alesandra Figueiredo, Francisco Rui Cádima e Zélia Martins (Portugal), além de outros colaboradores.
Informações sobre o novo periódico podem ser obtidas através do email:
intercom@edu.usp.brCongressos lusófonos
Na tarde do dia 11 de abril, precedendo a sessão pública de lançamento do seu Anuário Internacional, a diretoria da LUSOCOM fez uma reunião de trabalho, com a finalidade de planejar a segunda edição do novo periódico científico, bem como o VI congresso da entidade. O encontro foi presidido pelo atual dirigente da federação, Prof. Dr. Paquete de Oliveira (SOPCOM), contando com a presença da presidente da INTERCOM, Profa. Dra. Sonia Virginia Moreira, e do Secretário da Associação Galega, Prof. Dr. Xosé Ramón Pousa. Lamentando a impossibilidade de comparecimento dos presidentes da Associações Angola e Moçambicana, com os quais vem mantendo contatos informais, o Professor Paquete de Oliveira, registrou também a presença de alguns convidados especiais: Professor Marques de Melo (primeiro presidente da LUSOCOM), Cicilia Peruzzo (ex-presidente da INTERCOM), Cristina Ponte (membro da diretoria da SOPCOM) e José Wagner Ribeiro (membro do Conselho Editorial do Anuário).
A próxima edição do Anuário será aberta a todos os pesquisadores que inscrevam trabalhos relacionados com temáticas que fortaleçam a comunicação lusófona, adotando metodologia comparativa. A seleção dos artigos será feita feita por comitês de avaliadores, constituídos, em cada país, pelo editor nacional da revista.
Contudo, a decisão principal do encontro da diretoria da LUSOCOM, foi a acolhida da oferta portuguesa para que o VI Congresso Internacional de Comunicação Lusósofona seja realizado, em 2004, nos dias 19-20 de abril, no campus da Universidade da Beira Interior, na cidade de Covilhã, situada no norte de Portugal, em território fronteiriço com a Espanha. Em princípio, o tema central do congresso será "Comunicação Lusófona: fluxos midiáticos, identidades culturais". Informações sobre o evento podem ser dirigidas para o coordenador do congresso, Prof. Dr. Antonio Fidalgo:
sopcom@ubista.ubi.ptNa mesma ocasião, foi registrada a oferta da ASGIC - Associação Galega de Investigadores en Comunicación para sediar, em 2006, o VII Congresso Internacional de Comunicação Lusófona. A LUSOCOM realizou seus congressos anteriores em Lisboa, Portugal (1997), Aracaju, Brasil (1998), Braga, Portugal (1999), São Vicente, Brasil (2000), Maputo, Moçambique (2002).
Fonte: Jornal Brasileiro de Ciências da Comunicação, n. 213, 16/04/2003
15 - José Martí, el periodista
Por:Pedro Pablo Rodríguez
El periódico fue, sin dudas, su gran vehículo expresivo. La mayor parte de sus escritos tuvo ese destino, y aunque la posteridad lo ha reconocido con justeza como uno de los grandes poetas de la lengua, sus contemporáneos supieron de él, le admiraron y asimilaron una nueva escritura, gracias a sus textos periodísticos.
Fue el periodista total, ese que cualquier periódico no dejaría escapar jamás de su redacción. Publicó artículos, crónicas, editoriales, críticas, reseñas, sueltos y gacetillas: ningún género escapó a su versátil interés.
Comunicador por excelencia, convertía cuanto saber asimilaba y cuanta
idea le surgía en información para la prensa. Su plenitud profesional lo llevó a ser
editor, y supo mucho y bien de armar publicaciones, en contenido y en forma: le agradaba
diseñar la
página, redactar titulares, planear el uso del espacio y el balance entre textos y
gráficas.
Como director de publicaciones demostró sus capacidades para adquirir colaboradores, para ganarse su público de lectores, y hasta para orientar una efectiva política de distribución. La imprenta le atrapaba con los ruidos de las máquinas, con su olor a tinta, con la textura del papel en resmas.
Muy joven se estrenó en el periódico: a los 15 años de edad publicaba en El Diablo Cojuelo. Hizo de todo en la Revista Universal, un diario que apoyaba las reformas liberales y en el que colaboraba buena parte de la intelectualidad mexicana de la época. Desde sus páginas afrontó los problemas del país que le acogía, defendió el derecho de los cubanos a pelear por la independencia, siguió los debates parlamentarios, reseñó la vida teatral y enjuició libros y cuadros. Siempre, hasta en los más humildes sueltos informativos, ejerció la opinión con responsabilidad y altura.
El Socialista, un periódico obrero, y el diario El Federalista también le abrieron sus espacios varias veces. Publicó tanto en los periódicos mexicanos, que sus escritos cubren tres tomos de la edición crítica de sus Obras completas actualmente en ejecución.
Luego intentó tener su propio periódico. Anunció en 1878 su Revista Guatemalteca, que nunca apareció en aquella nación centroamericana, y en 1881 salieron en Caracas dos números de su Revista Venezolana, interrumpida ante la orden del presidente venezolano para que abandonase el país al negarse Martí a complacer sus indicaciones editoriales.
En ambos casos expresó sus propósitos de contribuir a la difusión y al avance de los pueblos latinoamericanos, y a promover entre ellos el conocimiento de las tecnologías, la ciencia y las ideas de Europa y de Estados Unidos que, a su juicio, pudieran ser útiles a la que ya llamaba nuestra América.
Las "Escenas norteamericanas"
Fracasada en Cuba la Guerra Chiquita de 1878-1879, de la que Martí fuera uno de sus líderes en la conspiración y entre los emigrados, se estableció en Nueva York. Durante sus primeros tiempos en la ciudad publicó en el diario The Sun y en el semanario The Hour artículos que escribía en francés para ser traducidos luego al inglés.
Artes y letras, asuntos políticos y costumbres españolas fueron sus temas, en los que demostró sus probadas cualidades de crítico y su amenidad como costumbrista, aunque resalta especialmente la serie de tres textos con sus impresiones acerca de Estados Unidos, en los que demuestra desde su arribo al Norte en 1880 su conocimiento y rechazo a lo que calificó como la metalización de aquella sociedad.
Desde esa perspectiva escribió entre 1881 y 1892 sus famosas "Escenas norteamericanas", con las que pretendía conscientemente convencer a sus lectores hispanoamericanos de que Estados Unidos no debía ser el modelo a seguir y que ese vecino, además, resultaba un peligro para la soberanía de nuestra América, mediante un vasto panorama de la actualidad estadounidense, de sus hombres más diversos, de sus problemas.
Un crítico norteamericano, inteligente conocedor de esas "Escenas", ha dicho que luego del famoso libro de Alexis de Tocqueville sobre Estados Unidos -en el que en 1835 el francés ya advertía sobre su futuro poderío expansionista-, estas crónicas martianas constituyen el más extenso, profundo, abarcador y comprensivo examen escrito por un extranjero acerca de los Estados Unidos de la época industrial y de formación de los monopolios.
En aquellos años 80 del siglo XIX -la "edad de oro", como la llaman los norteamericanos- cuando la república del Norte se convirtió en una emergente potencia económica, con crecientes intereses expansionistas hacia el sur del continente y hacia el Océano Pacífico en nombre de la libertad; cuando el país recibía oleadas de inmigrantes europeos esperanzados en mejorar su nivel de vida y cuando las intensas luchas obreras hicieron comprender que el problema social moderno también había llegado allí; cuando los portentos tecnológicos y su aplicación en gran escala parecían encontrar su mejor terreno en esa nación; Martí maduraba su personalidad y su pensamiento en medio y como parte de ese proceso de análisis acerca de Estados Unidos que iba recogiendo en sus "Escenas norteamericanas".
Pasan de trescientas las crónicas que enviara para La Opinión Nacional, de Caracas; La Nación, de Buenos Aires; El Partido Liberal, de México; y La República, de Honduras. La mayoría de ellas fueron para el diario mexicano y el bonaerense, ambos de reconocido prestigio más allá de sus fronteras nacionales. Aún hoy no sabemos con toda exactitud para cuántos otros periódicos enviaba sus textos, aunque ya se acerca a la veintena aquellos que reproducían sus escritos a menudo.
Fue esa prosa la que conmovió a Hispanoamérica, la que hizo comprender a muchos de sus lectores que se abría una nueva época para las letras en lengua española. A pesar de estar sometidas a las urgencias del periodismo y a la censura frecuente de sus editores, esas crónicas evidencian la maduración literaria martiana. Hoy nos permiten, desde luego, conocer la fundamentación de su pensamiento antimperialista; pero las disfrutamos más como piezas literarias que como textos informativos.
El estilo martiano de plenitud se despliega en ellas: la severidad y la
gracia de los clásicos latinos y españoles junto a la luminosidad impresionista y el
colorido de los parnasianos, la más castiza palabra unida a los abundantes y osados
neologismos, el
encabalgamiento torrencial de ideas al lado de la frase breve y agitada como la vida
moderna, la singular puntuación que tensa a la coma, al punto y coma, y a los dos puntos.
La arquitectura de los textos, bien asentada en la información y el análisis, maneja la emoción y el sentimiento del lector; en la descripción es un maestro, pero en los diálogos y en la narración manifiesta Martí su peculiar poderío literario: no le fueron ajenos ni el monólogo interior ni el corte cinematográfico.
Cuando editó Patria, el periódico con el que movilizó a los cubanos para la guerra libertadora entre 1892 y 1895, incorporó muchos de esos recursos a aquel periodismo político de agitación y propaganda. Como en La América, el mensuario neoyorquino que dirigiera en 1884, expresó también sus ideas acerca de Estados Unidos y llamó a la unidad solidaria de nuestra América, al igual que escribía en La Ofrenda de Oro y El Economista Americano, impresos en la misma urbe.
Y en La Edad de Oro, su periódico mensual para niños, entregó páginas inolvidables para promover los mejores valores humanos y la universalidad de la especie humana.
Merecerían trabajo aparte, desde luego, sus notas para la "Sección constante" de La Opinión Nacional, de Caracas, y su sección "En casa", para Patria. Ejemplo de periodismo informativo mínimo, ambas: la primera para difundir y enjuiciar las noticias de los más diversos campos de Europa y Estados Unidos que consideraba útiles para los hispanoamericanos; la segunda, de crónica social patriótica acerca de la emigración cubana.
En una carta dijo que colaboraría para La Nación, de Buenos Aires, "como si escribiera para mi propia familia". Quizás en esa cercana filiación que se propuso esté el secreto de por qué aún hoy nos atrapa el periodista José Martí.
Fonte: Boletín CUBARTE, (Año 3 Número 3_15. del 11 de abril del 2003 )
VOLTAR16 - Chineses encontram escrita com 9.000 anos, a mais antiga do mundo
Claudio Ângelo (Fonte: Folha de S. Paulo, 18/04/2003)
O achado foi apresentado sem alarde, na edição de março de uma revista especializada em arqueologia. Mas pesquisadores da China e dos Estados Unidos descobriram o que pode ser a evidência mais antiga de escrita do mundo: inscrições chinesas que datam de 9.000 anos atrás.
Os caracteres, que guardam uma semelhança impressionante com os ideogramas chineses atuais, foram gravados em 14 fragmentos de carapaça de tartaruga descobertos no sítio de Wuyang Jiahu, Província de Henan.
A descoberta recua em pelo menos 3.000 anos o aparecimento os primeiros rudimentos da escrita, descobertos no Egito e na Mesopotâmia (atual Iraque), que datam do quarto milênio antes de Cristo. Também desafia a noção de que a escrita progrediu no mundo antigo porque tinha utilidade econômica -os caracteres de Henan parecem estar ligados a uma prática religiosa.
Daí a cautela dos pesquisadores, liderados por Xueqin Li, da Universidade de Ciência e Tecnologia da China, em apresentar o achado, no mês passado, na revista "Antiquity" (
antiquity.ac.uk)."Então, apesar de não questionarmos a primazia da Mesopotâmia
na alfabetização da humanidade, sugerimos que a China, com um registro arqueológico de
milênios, dá uma oportunidade única de observar os primeiros estágios evolutivos da
escrita."
As carapaças foram descobertas em túmulos de pessoas que os pesquisadores acreditam
terem pertencido a uma elite local. Junto com cada carapaça havia pedrinhas, lembrando
oráculos chineses mais recentes, também feitos com cascos de tartaruga e pedras.
"Eles obviamente são intencionais e têm significado. Foram orientados para serem lidos, com os cascos invertidos."
Muitos dos caracteres se parecem com sinais da escrita de Yinxu (1700
a.C), considerada o primeiro sistema escrito completo produzido na China. Um deles se
parecia com o número "20" dos sinais de Yinxu. Outro, com o número
"8". "Não queremos dizer que o significado seja o mesmo", afirmam os
pesquisadores. No entanto, observam, a associação entre as pedrinhas e os supostos
numerais nos cascos pode estar relacionada à prática da numerologia ou a um rito de
adivinhação.
Sinais parecidos com ideogramas de até 7.000 anos de idade já haviam sido descobertos na
China, mas sua associação com a escrita havia sido rejeitada: os arqueólogos achavam
que as antigas tribos chinesas tinham uma sociedade simples demais para
"precisar" de um sistema escrito -que, na Mesopotâmia, sempre esteva associado
ao comércio.
"Mas nossas evidências dos sepultamentos de Jiahu sugerem uma sociedade de complexidade inesperada", afirma o grupo.
Segundo eles, os sinais podem não ter relação direta com a escrita chinesa atual, mas certamente originaram "a idéia" do uso de sinais. "Afinal, os povos da Mesopotâmia levaram 5 milênios para desenvolver sua escrita."
VOLTAR17 - A guerra da imprensa abala pilares da ética jornalística
Esther Hamburger (Trópico, UOL, 18/04/2003)
A carnificina será pouco televisionada. Os incidentes que vitimaram três profissionais, um da rede árabe independente Al Jazeera, um da Reuters e um de um canal de televisão espanhol, elevaram o número de jornalistas mortos no conflito ao número recorde de 12.
Os profissionais da informação foram atingidos em dois ataques diretos à imprensa, um contra a sede da TV árabe independente Al Jazeera e outro ao Hotel Palestina, estabelecimento onde estão sediados os jornalistas estrangeiros.
Longe dos tempos em que sonhavam com o duplo Clark Kent/super-homem, que literalmente voava acima das forças terrestres, combatendo o crime, os jornalistas vêm se revelando alvo fácil no fogo cruzado do terror.
Guerra é guerra. A força bruta encurta o espaço da independência que fundamenta a ética jornalística. A Al Jazeera é o exemplo mais claro do território minado em que transita a produção de imagens.
A independência da emissora em relação aos dois blocos em conflito se expressou com clareza nas imagens originais que se tornaram sua marca nessa guerra. O foco em corpos dilacerados de civis atingidos pela violência militar, especialmente crianças, desagrada a gregos e troianos.
No decorrer do conflito, americanos viram enfraquecida a tese de guerra tecnológica cirúrgica como alternativa ao derramamento de sangue. Iraquianos viram abalada a sua pretensão à invencibilidade.
A cobertura jornalística evidencia os rumos inesperados. A guerra acontece em duas frentes, uma no território árido do Iraque, outra em um território virtual, onde, para além da incomunicabilidade lingüística e cultural, falam imagens, sempre parciais.
Ao longo das últimas três semanas, vimos tanques anglo-americanos avançando em território inimigo. Testemunhamos uma insistência cada vez mais patética à afirmação de resistência. Ouvimos comentaristas especularem sobre a veracidade das mensagens.
Confrontos propriamente ditos, raramente apareceram. No plano das imagens a guerra se deu entre caçadores ocidentais, obsessivos documentaristas de seu próprio movimento em estradas vazias através do deserto e iraquianos incansáveis na afirmação da resistência perante as câmeras.
As forças anglo-americanas se prepararam para um cenário que não veio. Esperavam desarticular o governo iraquiano nos primeiros bombardeios e entrar vitoriosas como forças libertadoras.
As forças da cobertura jornalística também se prepararam para um cenário que não veio. O confronto rápido e indolor prometido deu lugar ao caos inevitável da guerra.
Hospedadas pelas diversas companhias do exército anglo-americano, ou baseadas em Bagdá, as pequenas forças tarefas responsáveis pela captação e difusão de imagens são impotentes diante das armas de fogo.
O plano americano expresso nas imagens alternadas de bombardeio e tanques em movimento previa uma progressão rumo a uma vitória, que representaria o fechamento de um ciclo e o início de uma nova fase na política mundial, sustentada com mão de ferro.
A estratégia dos iraquianos ao evitar confrontos, ao menos televisionáveis, anuncia uma outra versão do que seria essa nova fase da história do planeta. Longe dos parâmetros de guerra tecnológica ou do corpo a corpo, o que se vislumbra é o acirramento de ataques de guerrilha -a qualquer momento, em qualquer lugar.
Os militares iraquianos não mostram a cara. Suas ações são pontuais. Os efeitos delas se propagam em diversas direções ao longo do tempo. Elas são planejadas por grupos diferentes, de maneira que é quase impossível prevê-las. O elemento surpresa é essencial.
A perspectiva de guerrilha urbana internacional prolongada atinge valores centrais na cultura moderna, como a livre circulação de idéias, máquinas e pessoas, que encontrou nas tecnologias de comunicação e transporte meios eficazes de realização.
O telefone, o cinema, o rádio e a televisão concretizaram utopias de conexão e deslocamento no espaço. O cinema clássico expressa essas representações de maneira primorosa.
No século 21, ameaças de atentados diminuem a circulação aérea. Doenças misteriosas, como a pneumonia asiática, se propagam através das rotas de aviação.
A redução do movimento no território reforça as batalhas em territórios virtuais. Mas os dois territórios partem de uma coincidência inescapável: o da experiência propriamente dita da guerra, em um determinado local e momento. Nesse cenário, jornalistas especializados, como soldados, estão sujeitos a morrer em combate.
Vai descendo o pano sob o cenário iraquiano. No apagar dessas luzes se anuncia um deslocamento de palco. Na tentativa de gerar iniciativas que redefinam a geopolítica oriental, Bush e Blair falam na criação do Estado da Palestina.
18 - Imprensa sob fogo cerrado: Fotógrafos cobriram fome e guerra na África
André Bruni, ECO-UFRJ (Fonte: Jornal do Brasil, Idéias, 19/04/2003)
Os dois jornalistas que morreram em Bagdá no dia 8, alvejados em pleno hotel por um tanque norte-americano, foram apenas as vítimas mais recentes na extensa lista de baixas entre profissionais de imprensa que costumam cobrir zonas de conflito. Baixas que nem sempre se dão de forma tão direta, como a que envolve um tiro de blindado. Às vezes, são resultado de um processo mais longo e sutil.
Na noite do dia 27 de julho de 1994, por exemplo, o fotógrafo sul-africano Kevin Carter, 33 anos, ganhador do Prêmio Pulitzer poucos meses antes, amarrou uma mangueira de jardim no cano de descarga de sua picape, inseriu a outra extremidade na cabine do motorista, trancou-se, ligou o motor, fumou uma mistura de Mandrax com maconha e começou a escrever uma carta de despedida.
Assim terminava a carreira de um brilhante e sensível profissional especializado na cobertura das piores tragédias da África. Um jornalista devastado pelas drogas, mas também por anos de observação impune de fome, peste e guerra. De imagens que foram muito além das lentes e do negativo, imprimindo-se indelevelmente na memória de Carter e assombrando-o em crises de consciência: além de olhar, era possível e recomendável intervir?
O suicídio de Kevin provocou, de início, irritação em seu amigo e compatriota Greg Marinovich - também ganhador do Pulitzer de fotografia, em 1991, com uma série de fotos sobre enfrentamentos em Johannesburgo. Afinal, Greg e outros colegas tentavam há meses arrancar Kevin de seu estado depressivo. Mas Marinovich não tardaria a arrefecer sua crítica. Ele mesmo pensara em atirar-se nas águas do Danúbio anos atrás.
Kevin Carter e Greg Marinovich formavam, com Ken Oosterbroeck e João Silva, um quarteto de fotógrafos que se celebrizou pela cobertura do ocaso sangrento do apartheid na África do Sul, nos anos que separam a libertação de Nélson Mandela (1990) de sua eleição como primeiro presidente negro do país (1994). Um grupo que ficou conhecido por sua permanente presença junto às praças de batalha, desafiando o zunido das balas para registrar imagens pungentes sobre o que ocorria na África.
Daí o apelido de Clube do Bangue-Bangue, conferido ao quarteto e adotado como título do livro em que Marinovich e Silva relatam a história de seus integrantes, com realce nos acontecimentos que levaram a cada uma de suas mais famosas fotos. As imagens se encontram reproduzidas em preto-e-branco na edição brasileira, deixando o leitor boquiaberto com o sangue-frio dos fotojornalistas.
Os dois autores são os sobreviventes do quarteto. Oosterbroeck, o mais metódico deles, teve a vida colhida por uma bala à queima-roupa, disparada por engano pelas forças de manutenção de paz que acompanhava durante uma operação em Tokhoza - um dos muitos subúrbios de Joanesburgo onde facções negras rivais se matavam de forma terrível, às vezes incentivadas por forças de segurança do apartheid e até por brancos disfarçados, com rosto e mãos pintados.
No mesmo enfrentamento, Marinovich foi baleado no peito, o que o levou a submeter-se a sete cirurgias nas semanas seguintes. Em outras três ocasiões, Greg, que narra o livro em primeira pessoa, foi ferido durante o trabalho. Uma história que deixa claro haver aí mais do que simples cumprimento do dever profissional: no Clube do Bangue-Bangue, assim como em todo correspondente de guerra, parece haver uma vocação, uma atração pelo perigo de morte. Tal qual a do cientista assombrado pelo fenômeno que consegue descrever, mas não explicar, o que o leva a observá-lo obcecadamente.
Não que o medo estivesse ausente: estava e está ali o tempo todo. Mas o misterioso movimento interior é mais forte. Eis o elo que unia o quarteto, fazendo com que poucos, além deles mesmos, conseguissem entender as angústias mútuas. Carter tinha enormes remorsos pela foto com que ganhara o Pulitzer: a de um abutre espreitando uma criança agoniada pela subnutrição no Sudão. Até o fim da vida, muitas pessoas questionavam porque Kevin preferiu bater a foto ao invés de socorrer a criança, que confessadamente deixou onde e como estava.
Todos cresceram no asséptico e confortável ambiente pequeno-burguês dos brancos sul-africanos, com exceção de Silva, originário de Moçambique. Os quatro mostravam desilusão com quase tudo o que os cercava, de perto ou de longe: a sociedade racista, problemas de família e, ocasionalmente, a idéia de Deus. Greg, ateu, afirma ter se iniciado no fotojornalismo porque, registrando a vida dos outros, esqueceria a sua própria.
O farto material fotográfico, bem como a linguagem eletrizante e um pequeno glossário de termos locais, faz o leitor sentir-se em plena rua na África do Sul, ao lado dos fotógrafos, durante a ignóbil violência nos distritos negros. Violência que, em sua face mais visível, opunha o Congresso Nacional Africano (CNA), movimento chefiado por Mandela e com uma proposta universalista, ao partido Inkhata, da etnia zulu, que defendia a manutenção da autonomia racial e, não raro, aliava-se ao regime branco, pretendendo dele receber as melhores oportunidades dentre as poucas oferecidas aos negros.
Graças às lentes do Clube do Bangue-Bangue, ficou claro que nada era tão simples. Dentro da própria etnia zulu havia oposição entre separatistas e defensores da integração. E os choques entre o CNA e o Inkhata eram, muitas vezes, estimulados por crimes cometidos por mercenários angolanos e namíbios, contratados secretamente por membros do agonizante governo branco. Por trás dos crimes, havia o propósito de disseminar a discórdia e a crença de que os negros não eram capazes de entender-se para governar a nação.
Como se sabe, esse expediente fracassou. A África do Sul é hoje uma democracia, com governo eleito pela maioria da população, independente da raça. Contudo, as marcas de decênios de apartheid ainda fazem a ferida sangrar. O país está mergulhado em grave crise social. É o líder mundial nos índices de estupros, e a Aids atinge um em cada dez de seus habitantes.
Quanto aos sobreviventes do Clube, parecem hoje em melhor estado. Até porque a fama lhes assegurou um futuro mais tranqüilo (ao menos podem optar por isso). Mas olhar para trás sempre será um sacrifício. Nas palavras do próprio Marinovich, eis o resultado do trabalho para seu autor: ''Boas fotos. Tragédias e violência certamente geram imagens poderosas. É para isso que somos pagos. Mas cada uma dessas fotos tem um preço: parte da emoção, da vulnerabilidade, da empatia que nos torna humanos se perde cada vez que o obturador é disparado.'' Evidente que em grau maior, trata-se da mesma banalização que nos acomete ao olhar os jornais diariamente: há abismos demais.
Ficha: O CLUBE DO BANGUE-BANGUE - Greg Marinovich e João Silva - Companhia das Letras, 317 páginas - R$ 39,50
19 - Paulo Emílio: fascínio de um homem moderno
Marcelo Moutinho (Fonte: O Globo, Verso & Reverso, 19/04/2003)
Ator, roteirista, militante político, professor, escritor, pesquisador e, acima de tudo,
crítico de cinema. Na interseção de todos esses adjetivos, resplandece o nome de Paulo
Emílio Salles Gomes, síntese das mais felizes da palavra "intelectual"
na precisa definição de Sartre, aquele que tem a missão de exprimir a sociedade para si
mesma. Reunir as múltiplas facetas de um personagem tão complexo é o desafio a que se
propôs o historiador José Inácio de Melo Souza, no livro "Paulo Emílio no
Paraíso", indicado, entre os três finalistas, para o Prêmio Jabuti (o vencedor
será conhecido na Bienal do Livro, em maio).
José Inácio debruçou-se sobre a trajetória do crítico buscando identificar em seus estudos e falas esparsas um discurso que, acredita ele, ecoa forte ainda hoje. No aspecto formal, o historiador não se presta a floreios verbais: baseia-se em pesquisa rigorosa e evita diálogos ou dramatizações. Os personagens que passaram pela vida de Paulo Emílio ganham relevo somente na medida em que têm alguma importância em sua formação como pensador. Mesmo à sua mulher mais célebre, a escritora Lygia Fagundes Telles, é reservado um tratamento contido: ela adquire realce apenas quando se comenta o desenvolvimento, pelo casal, do roteiro de "Capitu", para filme de Paulo César Saraceni.
Capítulo sobre a prisão é fundamental
A narrativa inicia-se com Paulo Emílio já adulto, envolvido no movimento estudantil e interessado por tudo o que se entendesse como "moderno": comunismo, Mário de Andrade, Anita Malfatti, Lenin, Trotski, Lasar Segall... Narra seu flerte com o PCB do qual se afastará pela postura anti-stalinista , a participação nos protestos contra o fascismo, e a detenção, em 1935, por agentes do Dops. Ainda no campo político, sublinha a aproximação com a ANL.
A prisão, aliás, aparece em capítulo fundamental. Nos presídios Maria Zélie e do Paraíso (a que alude o nome do livro), ele passaria 14 meses, até a fuga e o acordo para libertação, sob compromisso de sair do país. Ao discorrer sobre o caso, José Inácio ajuda a desmistificar a partida de Paulo Emílio para a Europa, pois entre os estudantes paulistanos perdurou por muito tempo a aura de exilado.
A temporada na França revelaria-se essencial para a formação de Paulo Emílio, que conhece revolucionários como Victor Sege, ativista da Revolução de 1917, ao lado de Lenin e Trotski, e artistas como Di Cavalcanti, travando seu primeiro contato mais íntimo com o cinema. Em Paris, travaria contato também com Plínio Sussekind Rocha, notório freqüentador dos cineclubes da cidade, entre eles o famoso Cercle du Cinéma, criado por Henri Langlois.
No retorno, motivado pela Segunda Guerra, um outro Paulo Emílio chega ao Brasil. Imerso na cultura européia e conquistado pela sétima arte, traz na bagagem a idéia de fundar um cineclube, o que se materializa no Clube de Cinema de São Paulo. Na Faculdade de Filosofia, da qual era aluno e onde ocorriam as sessões, e mais tarde, já sob a repressão do Estado Novo, em locais clandestinos, foram projetados clássicos como "O Gabinete do Dr. Caligari".
Busca de novo padrão de pensamento sobre o cinema
Trata-se do ponto de partida para uma série de iniciativas no sentido de elevar o cinema à condição intelectual de destaque seja proporcionando aos brasileiros a oportunidade de assistir ao melhor em termos de criação cinematográfica, seja discutindo o tema em longos ensaios críticos que inaugurou no país em revistas como "Clima" na qual escrevia ao lado de Decio de Almeida Prado, amigo desde o Liceu, e Antonio Candido. Paulo Emílio procurava um novo padrão de pensamento sobre o "fílmico", que refletisse a consciência de que o cinema transformara-se em uma forma de expressão artística original.
José Inácio explica também como a segunda viagem à Europa se revelou indispensável para sedimentar o conhecimento do crítico, que cursou estética cinematográfica no Institut des Hautes Études Cinématographiques e travou contato com obras de René Clair, Eisenstein e Pabst, entre outros diretores, nas salas de arte parisienses.
Já convicto da necessidade de preservar não só filmes, mas toda a memorabilia do cinema, liderou entre idas e vindas a criação da Cinemateca Brasileira e organizou eventos como o I Congresso Brasileiro de Cineclubes, a I Convenção da Crítica Cinematográfica e o I Festival Internacional de Cinema, que traria ao Brasil curtas dos irmãos Lumière, o expressionismo alemão, a vanguarda russa, além de conferencistas como André Bazin e Henri Langlois. Paralelamente, prosseguia com a função de ensaísta no suplemento literário de "O Estado de S. Paulo", na revista "Visão" e no tablóide "Brasil, Urgente", semanário ligado à Igreja. Boa parte desses textos sobreviveu e está disponível nos livros "Crítica de cinema no suplemento literário" e "Um intelectual na linha de frente".
A biografia destaca ainda a trajetória de Paulo como professor (fundou o curso de cinema da UnB e da Escola de Comunicação e Artes da USP), ator (trabalhou, sem grande repercussão, em dois filmes), ficcionista (é autor do cultuado "Três mulheres de três pppês") e roteirista. Na parte final, José Inácio analisa estudos de maior fôlego produzidos por Paulo Emílio, como o seminal "Cinema: trajetória no subdesenvolvimento", "Humberto Mauro: Cataguases, Cinearte" e "Jean Vigo", pesquisa sobre o realizador francês que mereceu elogios de ninguém menos do que Truffaut.
Paulo Emílio já explicitava então a fase que José Inácio chama de jacobinista, quando se torna mais radical em sua defesa do cinema brasileiro. O crítico, que antes servira de ponte entre o que se realizava na Europa e o público de seu país, chegava nesse momento a afirmar que "um mau filme brasileiro" poderia em última análise "ser mais estimulante para o espírito e a cultura" do que uma película estrangeira. O pensamento sustentava-se em assertiva célebre, na qual atestaria que "nada nos é estrangeiro pois tudo o é. A penosa construção de nós mesmos se desenvolve na estética rarefeita entre o não ser e o ser outro".
Radicalismo crítico que não soa datado
No livro, nota-se que discípulos como Jean-Claude Bernardet entendem a proposta dessa espécie de cordão sanitário, que isolasse nossa cultura subdesenvolvida do contexto universal, como posição tática. Se serve de retrato de uma época em que polêmicas na arena intelectual eram travadas a ferro e fogo, a cultura era vista como combustível na frente de combate por mudanças. Além de que havia, na ocasião, verdadeiros faróis de inteligência, como Paulo Emílio.
O radicalismo do crítico, contudo, não soa datado, pelo menos para José Inácio: "Os problemas discutidos em Cinema: trajetória no subdesenvolvimento não foram resolvidos, e sim soterrados por uma brecha aberta a partir de meados da década de 80, rompida cinco anos depois. O debate perdeu-se numa dessas rupturas tão constantes na história do cinema brasileiro, vagando para sempre como um dos objetos fantasmagóricos da cultura. O combate pode ser visto hoje como o ápice de uma luta de libertação abortada, como uma outra queda, só que definitiva, para a periferia do mundo civilizado".
Paulo Emílio no Paraíso, de José Inácio de Melo Souza. Editora Record, 630 pgs. R$ 50
20 - O romance negro de Lima Barreto
Wilson Martins (Fonte: O Globo, Verso & Reverso, 19/04/2003)
Com "A vida de Lima Barreto" (8 ed. Rio: José Olympio, 2002), Francisco de Assis Barbosa escreveu uma biografia clássica, jamais superada, nem mesmo igualada, no que se refere à solidez da pesquisa, à inteligência interpretativa e à integração simpática com uma personalidade que, afinal de contas, bem pode ser vista como o oposto da sua. No meio século decorrido desde a publicação, o livro nada perdeu em atualidade, ou seja, em perenidade, o que, em estudos históricos, já é uma façanha em si mesma.
Podemos lê-lo agora como o romance negro de que Lima Barreto foi protagonista e até como o romance virtual que ele poderia ter escrito para completar a galeria dos seus figurantes paradigmáticos. De fato, na medida em que se incorporou nos seus personagens, seja como entidades compensatórias, seja como duplicação de si mesmo, não seria despropositado encará-lo como personagem imaginário: "Isaías Caminha e Lima Barreto são uma só pessoa", escreve Francisco de Assis Barbosa, mas esse é apenas um dos seus heterônimos nas diversas tramas romanescas que deixou, porque o romancista se encarna em todos eles na autobiografia sentimental que são os seus livros.
Sem nada perder do seu caráter historiográfico e crítico, Francisco de Assis Barbosa escreveu qualquer coisa como o romance dostoievskiano de Lima Barreto, o romance que ele próprio poderia ter escrito e para o qual era o herói predestinado. Há mais: ele foi efetivamente transformado em personagem de um romance que, tanto quanto o seu autor, caíram em completo esquecimento (Enéias Ferraz. "História de João Crispim", 1922). O episódio é duplamente interessante por duplicar a famosa cena do jovem desconhecido (Astrogildo Pereira) que beijou a mão de Machado de Assis em seu leito mortuário. Eis como a descreve Francisco de Assis Barbosa: "Durante o velório, aparecera um homem com um pequeno ramalhete de perpétuas. Ninguém o conhecia. Curvou-se diante do morto, e espalhou as flores no caixão. (...) Depois, mal contendo a emoção, descobriu-lhe o rosto, beijou-o na testa, que ainda recebeu algumas lágrimas. Uma pessoa da família dirigiu-se ao visitante. Quis saber quem ele era. Não sou ninguém, minha senhora. Sou um homem que leu e amou esse grande amigo dos desgraçados".
Soube-se depois que se tratava de Enéias Ferraz, discípulo e protegido de Lima Barreto, que recomendou à Livraria Schettino a edição do "João Crispim", sob a sua responsabilidade como fiador, esclarece Francisco de Assis Barbosa. É nesse romance que se encontra o retrato de Lima Barreto ao natural: "João Crispim era um tipo forte de quarentão; a estatura um pouco atarracada, entre mediana e baixa, flácida e pesada, fazia lembrar uma daquelas figuras de ouro escuro, de um deus chinês, maciço e gorducho, sentado entre duas colunas de um templo cheio de sombra e de silêncio. A cor, dum rosado fosco, assim como o cabelo, preto e onduloso, revelavam-lhe logo a raça mestiça. (...) À primeira vista, era um tipo feio, exótico, quase repugnante".
Ou, nas palavras de Francisco de Assis Barbosa: "Lima Barreto era, de fato, pronunciadamente mulato, sem disfarces, cabelo ruim, pele azeitonada". A vida desregrada ia acentuar cada vez mais os aspectos desagradáveis: "De freqüentador de cafés e confeitarias, tornar-se-á, com o tempo, um boêmio de botequins, embriagando-se todos os dias, esbodegado e sujo, quase um trapo humano". De todos os testemunhos sobre sua decadência física e desleixo nos últimos anos, é de Ribeiro Couto o mais impressionante: "Eu, com 20 anos, tendo lido o Isaías Caminha, o Policarpo Quaresma e o Gonzaga de Sá, não podia compreender como aquele grande escritor, de tão puro estilo, tão natural, precisamente o antimulato em matéria de estilo, fosse o mesmo Lima (...) de barba por fazer, chapéu de palhinha encardida, camisa suja e manchada no peito, roupa coçada mal cheirosa, com uma morrinha que não se sabia se era de vômitos da véspera ou suor azedo".
Era doloroso, diz ainda Francisco de Assis Barbosa "constatar-se como um grande escritor poderia ter descido tanto, a ponto de se transformar numa ruína humana, perambulando pelas ruas do Rio de Janeiro, como se fosse um pobre-diabo desconhecido, quase um mendigo, a quem os donos da vida apontavam, ora como um bêbedo qualquer, ora como um sujeito amalucado, de talento, sem dúvida, mas que se deixara perder pela boêmia". O que, de resto, ele mesmo reconhecia em diversas passagens das confissões íntimas.
Em contraste, não é exato que houvesse qualquer hostilidade sistemática nos meios literários contra ele. Se o "Correio da Manhã" guardou compreensivelmente o mais rancoroso silêncio, foram espontâneos e benevolentes os julgamentos críticos, sem excluir o severo José Veríssimo. É preciso reconhecer as imperfeições do seu estilo: quando ele se refere ao "Isaías Caminha" como livro "propositalmente mal feito", temos o direito de duvidar, porque nenhum escritor trabalha dessa maneira. Tanto é assim que o texto foi corrigido na editora portuguesa por Albino Forjaz de Sampaio, o que Lima Barreto agradeceu penhorado. O "Policarpo Quaresma" teve a melhor acolhida, com apreciações favoráveis nos jornais mais importantes. Quanto ao "Gonzaga de Sá", "foi recebido por entre aplausos de velhos e novos expoentes da crítica, como João Ribeiro e Tristão de Athayde".
Dominado pelo misoneísmo ressentido e irreprimível, ele combateu o futebol, o feminismo e os prédios modernos com vertiginosos seis e mais andares, não sendo de surpreender que recebesse o Modernismo com depreciativo sarcasmo. E, contudo, foi aos modernistas que ficou devendo a consagração que talvez não teria obtido nos meios literários do Rio, repelidos pelos preconceitos correntes. Sérgio Milliet, por exemplo, referiu a "grande admiração que tinha por Lima Barreto o grupo paulista de 22. (...) Alguns dentre nós, como Antônio de Alcântara Machado, andavam obcecados". Não era menor a admiração que despertou em Monteiro Lobato, embora com sensível frieza posterior. Herói tenebroso da literatura, Lima Barreto teve a vida trágica que parece destinada a todos eles.
21 - Os 50 anos da TV Record: nostalgia e romantismo
Carol Knoploch (Fonte: O Estado de S. Paulo, Telejornal, 20/04/2003)
Record comemora a data com cinco especiais, tendo no passado suas maiores glórias. Mas, para diretor, os sucessos daqueles tempos não emplacariam hoje
É Show, Turma do Gueto, Roleta Russa, Cidade Alerta, Fala que eu te Escuto... Se permanecer no ar por mais 50 anos, a Rede Record, que comemora meio século de existência no próximo dia 27 de setembro, vai se orgulhar do quê? Há tempos não produz atrações como os Festivais de Música Popular Brasileira (quando surgiu a Jovem Guarda), Show do Dia 7, Família Trapo, Os Insociáveis (nome original de Os Trapalhões), Praça da Alegria (hoje, a Praça é Nossa), O Fino da Bossa, Show em Sí... monal, Circo do Arrelia, Chico Anysio Show e por aí vai. A Record, a "Rede Globo dos anos 60", liderava a audiência, mantinha contrato com os melhores profissionais da época, revelou astros da música e da dramaturgia e tinha programação cultural.
"Era uma época mais romântica, as pessoas usavam aqueles cabelinhos arrumadinhos e maravilhosos. Os tempos mudaram e a televisão, e não só a Record, é um retrato da sociedade. Mostra o que a população quer ver, de reality show a atrações do gênero do Cidade Alerta. Os números da audiência comprovam isso", defende-se Del Rangel, diretor artístico da Record. "Se colocarmos O Fino da Bossa no ar hoje, não terá a audiência do passado."
Esse passado glorioso da atual terceira rede do País (em audiência) e a mais antiga em operação está sendo resgatado em comemoração ao 50.º aniversário. Além de boletins diários que já mostram parte da história do Canal 7 de São Paulo serão mais de 150 até setembro , o pacote inclui cinco programas especiais misturando presente e passado e um grande show no dia 27 de setembro, provavelmente na casa de espetáculos Olympia.
"Não é brincadeira contar a história de 50 anos de uma emissora como a Record. Se fosse outra, o trabalho seria mais fácil. A responsabilidade é enorme. A Record é a grande academia de televisão desse país, a grande Hollywood da televisão", comentou Wagner Matrone, diretor do núcleo 50 anos, criado especialmente para a data. No próximo dia 28, será gravado o primeiro deles, no auditório da Barra Funda.
Segundo Matrone, serão cinco programas mensais no estilo Oscar, "com espetáculos, platéia e black-tie". A apresentadora Adriane Galisteu dividirá o palco com pessoas que fizeram ou fazem parte da história do canal.
Na primeira atração, terá a companhia de Boris Casoy, Chico Anysio, Raul Gil e Miele. Zezé di Camargo e Luciano cantarão Disparada (de Geraldo Vandré e Téo de Barros) música vencedora do Festival de 1966, interpretada por Jair Rodrigues. A banda (de Chico Buarque), que empatou com Disparada no primeiro lugar, com Chico Buarque e Nara Leão, ficará a cargo de Daniela Mercury.
Os Titãs interpretarão seu primeiro sucesso, Sonífera Ilha, e os herdeiros de Jair Rodrigues, Wilson Simonal e Elis Regina, respectivamente Luciana Mello, Simoninha e Pedro Mariano, lembrarão, com Selma Reis ou Fernanda Porto, algumas músicas que fizeram história nos idos de seus pais. Leandro Leart, Paula Lima, Elizeth Cardoso e Ciro Monteiro vão reviver O Fino da Bossa e Bossaudade, atrações lançadas pela casa em 1965.
"Já está na hora de a televisão voltar a fazer musicais como antigamente", disse Jair Rodrigues, fã do Ensaio, de Fernando Faro, na Cultura. "Eu saí da noite e fui para a televisão e para o rádio. Tem muita gente boa perdida por aí."
As garotas-propaganda, que anunciavam produtos ao vivo na era pré-videoteipe, serão lembradas no primeiro programa. Idalina de Oliveira, a mais famosa, era responsável por segurar a audiência enquanto as câmeras eram deslocadas de um estúdio ao outro.
O segundo especial deverá misturar esporte, dramaturgia e o surgimento da Jovem Guarda. Pelé foi convidado. O esporte é capítulo de destaque na história da Record. Raul Tabajara e Geraldo José de Almeida apresentavam o Mesa Redonda, de 1954. O primeiro dono da emissora, Paulo Machado de Carvalho que dá nome ao estádio do Pacaembu , chegou a chefiar a seleção brasileira de futebol nas Copas de 1958 e 1962. Em ambas, o Brasil venceu. Jair Rodrigues fez uma música em homenagem a Paulo Machado (Marechal da Vitória), em 1962.
Silvio Santos, que estreou como animador em 1973 e depois se tornou sócio da Record, pode participar das comemorações. "Temos imagens do Silvio entrevistando gente na rua e defendendo o Roberto Carlos em Quem Tem Medo da Verdade?", disse Matrone. Essa atração, do início da década de 70 e produzida por Carlos Manga, Mário Wilson e Flávio Porto, imitava um julgamento Roberto Carlos foi réu num deles.
Arquivo Grande parte do arquivo da emissora foi destruída em seis incêndios as produções de 1953 a 1960, quando não existia o videoteipe, não eram registradas. Mesmo após os incêndios, a Record não saiu do ar. Foi cortada em outras ocasiões. Uma delas, em 1972, por motivo curioso: uma entrevista com uma hippie presa pela polícia. Segundo o então ministro das Comunicações Alfredo Buzaid, estava sob efeitos do LSD e ofendeu os princípios morais do povo.
O que sobrou do fogo e da má conservação está sendo recuperado e organizado. Materiais em 16 milímetros estão em restauração. De acordo com o diretor de Programação, Hélio Vargas, cerca de 80% refere-se ao jornalismo. "Algumas fitas estão com as identificações dos cinegrafistas. Uma delas traz a inauguração da Av. 23 de Maio."
No ano passado, a Record começou a investir cerca de R$ 2 milhões no arquivo de cerca de 60 mil fitas metade está em beta-digital. Nos próximos anos passará a ser de alta definição (HD). Para se ter uma idéia, algumas delas eram reaproveitadas e o material não era arquivado de forma organizada. Em junho de 2000, quando um ônibus da linha 174 (Central-Gávea), no Jardim Botânico, no Rio, foi seqüestrado, a emissora teve dificuldade para encontrar as imagens para vendê-las.
"Há quatro meses, quando o arquivo começou a ser organizado, a Record pôde comercializar mais suas imagens. "É uma fonte de renda que não tínhamos e que está sendo revertida para o próprio arquivo", explica Vargas, que nesse período faturou R$ 100 mil. "Os programas ficam por três anos guardados no tráfego. Após esse período, são compactados e cerca de 40% do original, mantido e arquivado."
Para os especiais, Matrone conta que sua equipe não achou os originais de algumas novelas. "Se não acharmos, faremos a reconstrução de segmentos com convidados", comenta. Não há registro, por exemplo, da primeira trama, baseada em radionovela de Amaral Gurgel, Banzo (1964), de Walter Negrão e Roberto Freire e direção de Silney Siqueira e Nilton Travesso. Nem de Éramos Seis, de 1958, com Gessy Fonseca e Gilberto Chagas, exibida apenas duas vezes por semana. Grandes nomes como Fernanda Montenegro, Francisco Cuoco, Aracy Balabanian, Eva Wilma, Suzana Vieira, Dina Sfat, Betty Faria, Fúlvio Stefanini e outros viveram momentos gloriosos em novelas da casa a pioneira do gênero foi a Tupi.
Da Família Trapo, humorístico criado em 1967 pela Equipe A (Nilton Travesso, Manoel Carlos e Raul Duarte) e escrito por Carlos Alberto de Nóbrega e Jô Soares que também fazia um dos papéis , sobraram cinco ou seis episódios. O programa liderou a audiência por três anos. O episódio Moulin Rouge, que misturou Show do Dia 7 com Família Trapo, é uma das raridades preservadas.
Fundador Ao lado de Manoel Carlos, Raul Duarte e Solano Ribeiro, Nilton Travesso foi um dos responsáveis pelo sucesso dos Festivais de MPB na Record, de 1966 a 69 o primeiro, em 65, foi realizado pela TV Excelsior. "Na verdade, fui um dos fundadores da Record. No dia 27 de setembro de 1953, às 20 horas, eu ajudei a colocar a emissora no ar. Era um dos câmeras", conta o diretor, que trabalhou 21 anos na Record.
O festival de 1966 consagrou o evento, revelando grandes nomes como Gal Costa, os Mutantes, Edu Lobo, Paulinho da Viola, Tom Zé... Na terceira edição, surgiu a Tropicália. "Lembro do Gilberto Gil me falando que aquilo tudo, a magia, era coisa de Deus... Não há explicação para o que ocorreu na época. É difícil definir o que a Record representou", declara Travesso.
Acredita, no entanto, que os festivais do passado não seriam sucesso hoje. "A época política era outra e despertava a criatividade de grandes nomes da música. Era bárbara a força da juventude daquela época." Comenta que Astros do Disco, com Randal Juliano, uma parada musical, também não emplacaria. "Não era essa bobagem de hoje de Top 10..."
Travesso explica que atualmente os programas são muito sensacionalistas e pautados pela audiência. "Há porcaria demais no ar por causa da audiência."
Cronologia

22 - História da fotografia em Pernambuco: roteiro bibliográfico
Aline Feitosa (Fonte: Diário de Pernambuco, Recife, 20/04/2003)
Pernambuco corre na contramão na história da fotografia. A
iconografia do século passado no Estado está guardada em gavetas. Imagens podem até,
algum dia, terem participado de exposições, mostras coletivas. Mas, eventos passam e
tendem a escapar da memória facilmente. Onde estão as publicações, os livros com os
registros de imagens da nossa terra? São poucos e dão até para contar nos dedos. A
primeira publicação, Velhas Fotografias Pernambucanas (com imagens entre 1851-1890)
organizada por Gilberto Ferrez e patrocinada pelo Grupo Bompreço em 1988, traz fotos de
viajantes, que passaram pela cidade na época, como Augusto Stahl e Marc Ferrez.
Após esta, abre-se um hiato. Não falta apenas um página. Faltam livros inteiros que
remetem ao desinteresse do empresariado e do próprio Estado em promover a fotografia e
encará-la como um dos caminhos mais ricos para contar a história. E não há como negar:
um livro será sempre um livro. "É algo palpável. É a matriz para qualquer outro
meio de comunicação", coloca FredJordão, da Imago. A lacuna aberta é de se
estranhar, já que Pernambuco foi um dos primeiros centros brasileiros a introduzir a
fotografia na sociedade. Tanto que, em 1842 (cinco anos após a invenção), o DIARIO DE
PERNAMBUCO anunciou a venda no Recife de um daguerreótipo (aparelho primitivo de
fotografia).
Diferente de outros Estados, como Ceará, Pará e São Paulo, a tradição fotográfica em Pernambuco andou apagada por um século inteiro. Mas, parece que agora, luzes de idéias e inspirações começam a entrar com mais freqüencia na cabeça dos profissionais, que buscam incentivos e correm atrás do tempo perdido. Tanto que, de três anos pra cá, nove livros com imagens de fotógrafos pernambucanos foram lançados: O Rio São Francisco - A Natureza e o Homem, O Recife - Imagens da Cidade Sereia, Pernambuco - Imagens da Vida e da História, Maracatu de Baque Solto, Projeto Lambe Lambe - A fotografia do Carnaval de Pernambuco, A Corte Vai Passar - Um olhar sobre o Carnaval de Pernambuco, O Cordel e suas Histórias, Recifede Baixo das Pontes e Pernambuco Preservado.
Nem todos vêm de projetos autorais. É o caso do novíssimo Pernambuco Cinco Décadas de Arte, encomendado pela Construtora Queiroz Galvão, a ser lançado no próximo mês. É um documento especial sobre a história de quatro artes no estado: plásticas, arquitetura, música e popular. As imagens são de responsabilidade de Roberta Guimarães e Fred Jordão, sócios da Imago. A dupla, que passou por uma situação parecida com O Rio São Francisco - A Natureza e o Homem (editado pela Chesf), por realizarem um trabalho encomendado, lamentam pela duas obras serem distribuídas apenas no circuito das empresas, sem fins comerciais. "Muitas pessoas nos perguntam onde comprar o livro e temos que responder, com pena, que não há para vender", argumentam.
Mas é com a publicação de projetos autorais que a maioria dos fotógrafos sonha. O livro Projeto Lambe Lambe é a realização de um sonho, de um trabalho realizado por cinco anos consecutivos. O grupo idealizador, formado por Roberta Guimarães, Fred Jordão, Jarbas Júnior e Breno Laprovítera buscou a essência do carnaval de Olinda, agora imortalizada em imagens divertidas e competentes. Segundo Yerma Magalhães, dona da livraria Kriterium, em Casa Amarela, é um trabalho com boa saída comercial. "As pessoas se interessam muito pelas publicações de fotografia". Ela destaca ainda A Corte Vai Passar, de Luiz Santos e Celso Oliveira e o Pernambuco Preservado, do historiador Leonardo Dantas, com fotos de Roberta, Fred e Eudes Santana. Dantas, aliás, é o maior colaborador do conhecimento público da história da fotografia. Além de escrever os livros, o historiador também fotografa. O trabalho dele como fotógrafo pode ser conferido no livro Arruando pelo Recife - Guia da Cidade, de 1999.
O Sistema de Incentivo à Cultura ainda é o grande apoiador da maioria dos trabalhos autorais citados acima. As dificuldades na captação de recursos não é escondida pelos fotógrafos, que lutam ainda contra os altos impostos e com a lentidão dos processos burocráticos.A média de tempo para um livro ser lançado após a entrada no SIC é de dois anos. Assim aconteceu com o Lambe Lambe e com A Corte Vai Passar. "A gente termina cansando, ficando desmotivado. Nos próximos projetos, se for possível, pretendo correr por outros caminhos", ressalta Luiz Santos. Ele, que tentou apoio em várias empresas e agências de publicidade para lançar o A Corte Vai Passar, recebeu respostas chocantes de empresários, que indagavam que o trabalho dele enfocava pessoas pobres e por isso não teria chance de passar pela curadoria. "As empresas querem associar a obra ao produto delas. Com isso, uma porção de projetos já são eliminados de primeira", reforça.
"Editoras como a Talento, de São Paulo, precisam aportar por aqui ou então instigar as editoras pernambucanas a investirem na fotografia", sugere Fred Jordão. A Talento, que desde 1984 trabalha com fotografia, acredita que livros nessa área são a vitrine do trabalho da editora. "As publicações de foto representam as páginas amarelas do mercado de comunicação", afirma o gerente de produção da editora, César Borges, emendando que ainda não realizaram projetos de fotógrafos pernambucanos por falta de oportunidade.
Um dos maiores incentivadores da fotografia Brasileira, o Instituto Moreira Sales lançou recentemente o Dicionário Histórico da Fotografia no Brasil. A obra, de importância inquestionável, mostra a lacuna aberta em Pernambuco, narrando fatos que vão até o início do século 20. Aliás, um grande baque sofrido pela fotografia nordestina foi em 1999, quando o ex-presidente Fernando Collor extinguiu o Instituto Nacional de Fotografia (Infoto), exatamente no momento em o projeto Fotonordeste começava a dar novos rumos aos profissionais da região. Tratava-se de trabalhos de 118 fotógrafos que participaram da primeira mostra 1984, o que é o Nordeste? Além da exposição, um catálogo bem apresentado com nomes importantes que ainda estão no mercado, como Júlio Jacobina, da equipe do DIARIO.
- Velhas Fotografias Pernambucanas 1851-1890 (organizado por Gilberto Ferrez, texto de Leonardo Dantas e fotos de Augusto Stahl, Marc Ferrez, Chales Fredricks, Guilherme Gaensly e João Vilela.
O Rio São Francisco - A Natureza e o Homem (Fred Jordão e Roberta Guimarães), Chesf
O Recife - Imagens da Cidade Sereia (Leonardo Dantas), SIC
Pernambuco - Imagens da Vida e da História (texto: Leonardo Dantas, fotos: Fred Jordão e Roberta Guimarães), SESC
Maracatu de Baque Solto (Pedro Ribeiro), Quadro Imagens
Projeto Lambe Lambe - A fotografia do Carnaval de Pernambuco (Jarbas Junior, Breno Laprovítera, Roberta Guimarães, Fred Jordão e Daniel Berinson), SIC
A Corte Vai Passar - Um olhar sobre o Carnaval de Pernambuco (Luiz Santos e Celso Oliveira), SIC
O Cordel e suas Histórias na Medicina Preventiva (texto: Wilson Freire, fotos: Roberta Guimarães)
Recife de Baixo das Pontes (Pró-Criança), Pró-Criança
Pernambuco - Cinco Décadas de Arte (Fred Jordão e Roberta Guimarães), SIC e Queiroz Galvão
Pernambuco Preservado (Texto: Leonardo Dantas. Fotos: Roberta Guimarães e Fred Jordão)
23 - Rádio Clube de Pernambuco: emissora mais antiga da América Latina
Mais antiga emissora de rádio do Brasil, fundada, no Recife, em abril de 1919, por um grupo de estudantes de engenharia, empresários e intelectuais (liderados por Antônio Joaquim Pereira) e que tinha como objetivo inicial "desenvolver experiências com telegrafia sem fio". A sede provisória da entidade foi a Escola de Eletricidade do Recife, em Ponte D'Uchoa, onde foi montada uma estação experimental de rádio que entrou em funcionamento de forma precária.
Em 1920, já sob orientação de Oscar Moreira Pinto, a emissora passou a funcionar em sua nova sede, à Av. Cruz Cabugá, também no Recife. Em 1934, o maestro Nelson Ferreira assume a direção artística da emissora. A 08/09/1950, a Rádio Clube inaugura seu mini-auditório de luxo, com 200 poltronas, numa festa que contou com a participação, entre outros, do ator José Mojica. Em 1952, já integrada à cadeia de Emissoras e Diários Associados, comandada por Assis Chateaubriand, inaugurou seu novo auditório com 2.000 lugares, o maior do Nordeste à época.
Ao longo dos anos, em sua variada programação (musicais, radionovelas, etc.), pela emissora passaram nomes famosos no Brasil e internacionalmente. São exemplos: Tito Schipa, Jean Sablon, Pedro Vargas, Villa Lobos, Madalena Tagliaferro etc., além dos pernambucanos Antônio Maria, Luiz Bandeira, Chacrinha e outros. Pôr muito tempo, o slogan da emissora foi "Rádio Clube de Pernambuco, PRA-8, Aqui Começa a História da Radiofonia na América Latina". Pertence, atualmente, à cadeia de Emissora e Diários Associados.
Fonte: Pernambuco de A Z,
www.pe-az.com.br, sítio digital mantido pelo jornal "Diário de Pernambuco"24 - História comparada da mídia: o Brasil e o mundo
Miriam Abreu
Fonte: Portal Comunique-se, 22/04/2003
Angustiada ao perceber que a opinião das pessoas muitas vezes é formada pelos meios de Comunicação de massa, principalmente pela TV, e que há uma falta de aptidão para entender e analisar estes meios, a jornalista e produtora cultural Silvana Gontijo decidiu dar início ao projeto planeta.com. Além de compor um site, uma biblioteca virtual, um espetáculo musical, um CD, entre outras coisas, o projeto inclui o lançamento do livro "O mundo em Comunicação", que acontece no dia 28/04.
Na obra, a autora traça um perfil analítico da história da Comunicação no Brasil e no mundo. Ela descobriu que 70% dos brasileiros eram analfabetos quando a TV surgiu no país. Quem não teve acesso - e não tem - à informação escrita acabou dependendo das informações da TV sem ter capacidade ou aptidão para avaliar o que via e ouvia. Os leitores vão passar a compreender que saber a história da Comunicação brasileira é essencial para entender a chegada dos diversos meios de Comunicação de massa.
No livro, ela compara a chegada da TV no Brasil e nos países de primeiro mundo, onde a população era praticamente toda alfabetizada o que, segundo ela, a torna capaz de analisar e criticar as informações recebidas.
Para entender a história brasileira, ela conta que teve que começar de traz pra frente. Foram oito anos de estudos e pesquisas com os mais variados profissionais, entre pesquisadores, cientistas, políticos, antropólogos, palentólogos e historiadores. "Tive que compreender a história da TV, do rádio e daí para traz, até a pré-história". Para facilitar o trabalho, Silvana contratou uma equipe, coordenada pela jornalista e lingüista Alyce Lira de Lemos, para realizar o levantamento dos dados.
Essa pesquisa levantou teses e documentos quase que desconhecidos pelos brasileiros. Ela descobriu, por exemplo, que existem 45 mitologias originais dos índios no Brasil. Quando questionada por que se conhece tão pouco dessas mitologias, Silvana respondeu que elas foram transmitidas oralmente e, por causa disso, muito se perdeu. "As mitologias greco-romanas são mais conhecidas porque eram escritas", completa.
Dividido em sete capítulos, o último - "Atlas Brasileiro da Comunicação" - é uma compilação de textos de especialistas sobre a história da Comunicação em cada Estado do Brasil. "Eu quis dar um panorama da história da Comunicação no Brasil, mas ao mesmo tempo não poderia matar a pluralidade e individualidade de cada estado. A maioria dos escritores foi indicada pelas universidades federais locais".
O lançamento aconteceu no dia 28/04, na Livraria da Travessa Mega de Ipanema, localizada na Rua Visconde de Pirajá, 572, no Rio de Janeiro. Mas, pelos muitos convites que Silvana vem recebendo, tudo indica que ela passará por todos os estados do país para divulgar o seu livro.
VOLTAR25 - O Estado de S. Paulo, edição 40.000
José Maria Mayrink (Fonte: O Estado de S. Paulo, 24/04/2003)
O jornal O Estado de S. Paulo, que chega hoje à edição 40.000, lançou seu número 1 no dia 4 de janeiro de 1875, uma segunda-feira, com o nome de A Província de São Paulo, um diário de quatro páginas e 2.025 exemplares que sairia com esse nome até 31 de dezembro de 1889, um mês e meio após a queda da monarquia.
Nasceu do ideal de um grupo de republicanos, dois anos depois da Convenção de Itu, mas se apresentou como um órgão independente, sem nenhum compromisso partidário. "A Redação aceita informações justas e autorizadas relativas a serviços públicos e desmandos da administração e governo", anunciava o cabeçalho, sob a responsabilidade dos redatores Américo de Campos e F. Rangel Pestana.
Tipografia e escritório funcionavam na Rua de Palácio, n.º 14, antiga Rua das Casinhas, onde é hoje a Rua do Tesouro, esquina com Álvares Penteado, no centro velho. São Paulo tinha então 2.992 prédios e cerca de 20 mil habitantes. Era considerada uma cidade grande, embora se limitasse à área atualmente compreendida entre o Brás e a Praça da República. Nos arredores, chácaras e fazendas.
A Província logo se diferenciou no mercado. Barrete branco na cabeça, uma buzina na mão e um maço de jornais debaixo do braço, o francês Bernard Gregoire saía a cavalo pelas ruas da cidade anunciando as notícias do dia. Foi um escândalo. Os jornais concorrentes - O Ipiranga, Correio Paulistano, Diário de S. Paulo - ridicularizaram a imagem do jornaleiro (mais tarde incorporada ao ex-libris do jornal), mas a inovação da venda avulsa foi um sucesso.
A tiragem, que era de 2.550 exemplares em 1880, subiu para 3.300, seis anos depois. Em 1888, quando o nome de Julio Mesquita apareceu no alto da primeira página como diretor-gerente, o jornal comemorou a abolição da escravatura, pela qual vinha lutando desde a fundação. "Agora começa o trabalho de libertar os brancos", advertia já em 13 de maio. "Libertados os escravos, é preciso não esquecer o despotismo da dinastia", acrescentou no dia 17.
Intensificava-se a campanha pela proclamação da República. A tiragem continuava crescendo - de 4.500 exemplares em abril de 1889 passou a 4.800 em agosto. Euclides da Cunha, um de seus colaboradores, que até então usava o pseudônimo Proudhon, começou a assinar artigos com o próprio nome. Em outubro, a Província passou a sair também às segundas-feiras.
"Viva a República", essa foi a manchete, ocupando a página inteira, na edição de 16 de novembro. O jornal anunciou que mudaria de nome, com o novo regime, mas só virou O Estado de S. Paulo em 1.º de janeiro de 1890. Atendia ao pedido de colecionadores, que não gostariam de arquivar dois logotipos diferentes num mesmo ano. A tiragem era de 6 mil exemplares.
Inovações - Com Julio Mesquita na direção efetiva da redação, em substituição a Rangel Pestana, vieram outras inovações. O jornal contratou a agência Havas, atual France Presse, cujos telegramas deram mais agilidade ao noticiário internacional. Foi também em 1890 que se publicou um clichê como ilustração de primeira página - o retrato do caixeiro José Teixeira da Silva, morto num incêndio da Loja da China, em abril.
Dois anos depois, em maio de 1892, a tiragem alcançava 8 mil exemplares. São Paulo pulou de 44 mil habitantes em 1886 para 150 mil em 1894. Não era mais uma cidade só de tropeiros, estudantes e funcionários públicos, como 20 anos antes, no lançamento da Província. Começava a se industrializar, contando já com 109 fábricas, que empregavam 5.670 operários, dos quais 4.061 homens, 877 mulheres e - isso mesmo - 732 crianças.
Curiosos e práticos, bem de acordo com as necessidades da época, os ramos pelos quais se distribuíam esses trabalhadores. As fábricas eram 22 de artefatos de madeira, 15 oficinas mecânicas, 13 torrações e moagens de café, 11 de bebidas, dez de impressão e encadernação, cinco de chapéus, quatro de tecidos, três curtumes e de calçados, três de fumo, duas de sabão e velas, duas de tijolos e telhas e uma de fósforos. Todas movidas a vapor.
A modernização que abria indústrias refletiu-se na gráfica do jornal. A tiragem, que girava em torno de 10 mil exemplares, saltou para 18.448 na edição de 8 de março de 1897, com a publicação de notícias sobre a guerra de Canudos. O repórter Euclides da Cunha era a estrela da redação.
"Um jagunço degolado não verte uma xícara de sangue" e "O fanático morto não pesa mais que uma criança", relatou, do interior da Bahia, o enviado especial do Estado, que mais tarde aprofundaria essas observações nas páginas de Os Sertões, o livro em que descreveu a terra, o homem e a luta de Canudos.
Em 1907, o jornal saiu com uma edição extra, a primeira de sua história, sobre o assassinato, em Lisboa, do rei d. Carlos e de seu filho d. Luís Felipe. A redação funcionava, desde o ano anterior, no Palacete Martinico, na Praça Antônio Prado, onde permaneceria até 1929.
Durante a Primeira Grande Guerra, sobre a qual Julio Mesquita escreveu uma série de artigos - recentemente publicados no livro A Guerra, em quatro volumes - a empresa lançou uma edição vespertina que, conhecida como Estadinho, circularia de 1915 a 1919. Seu diretor era Julio de Mesquita Filho, que iniciava sua carreira de jornalista.
Foi uma época difícil para a empresa, por causa da epidemia de gripe que fez milhares de vítimas em São Paulo, entre as quais dois redatores de sua equipe. "O Estado só não suspendeu sua publicação por milagre", observou Paulo Duarte, ao escrever a história do jornal. Com o fim da calamidade, a situação se normalizou. Nessa época, o escritor Monteiro Lobato estreou como colaborador no jornal, com um artigo sobre a situação dos trabalhadores rurais e outro em que retratava a figura do Jeca Tatu.
Em 7 de setembro de 1922, o Estado comemorou o centenário da independência do Brasil com uma edição de 64 páginas, um recorde na época. Com a morte de Julio Mesquita, em 15 de março de 1927, Nestor Pestana e Julio de Mesquita Filho assumiram os cargos de diretor. Dois anos depois, o jornal se mudou mais uma vez, agora para uma sede própria, na Rua Boa Vista, seu endereço nos tumultuados anos 30 e 40.
Seus proprietários, Julio de Mesquita Filho e o irmão Francisco Mesquita, lutaram contra Getúlio Vargas na Revolução Constitucionalista de 1932 e acabaram sendo presos e exilados durante o Estado-Novo. O jornal foi ocupado por soldados da Força Pública em 25 de março de 1940 e ficou sob intervenção durante cinco anos. Só foi devolvido a seus donos após a queda de Vargas.
Esse período não conta na história de O Estado de S. Paulo. Ao retomar o controle do jornal, em 6 de dezembro de 1945, seus proprietários ignoraram o registro da primeira página e repetiram o número 21.650, que marcara a primeira edição feita sob ocupação da ditadura. Julio de Mesquita Filho apareceu no cabeçalho como diretor, ao lado de Plínio Barreto.
Nova sede - Vendeu-se o prédio da Rua Boa Vista e, enquanto se construía a nova sede, na esquina das Ruas Major Quedinho e Martins Fontes, a redação e a administração funcionaram temporariamente na Rua Barão de Duprat, de 1947 a 1951. Em 4 de janeiro de 1966, começou a circular o Jornal da Tarde, de início vespertino, que inovou a imprensa pela ousadia da apresentação gráfica, pela irreverência de estilo e pela exclusividade de suas reportagens.
Após a morte de Julio de Mesquita Filho, em 1969, Julio de Mesquita Neto assumiu a direção do Estado, enquanto seu irmão Ruy Mesquita dirigia a redação do Jornal da Tarde. Sob a censura imposta pelo Ato Institucional n.º 5, baixado em 13 de dezembro de 1968, a imprensa começava a enfrentar então o período mais duro do regime militar.
O jornal não se curvou, no entanto, à censura. Recusou-se a substituir as matérias cortadas e publicou repetidamente trechos de Os Lusíadas, de Luís de Camões, para preencher os espaços que, por ordem dos censores, não podiam sair em branco. No Jornal da Tarde, publicavam-se receitas de doces e bolos.
A censura só foi suspensa em janeiro de 1975, quando O Estado de S. Paulo comemorava seu centenário.
No 6.º e no 7.º andares de sua sede na Avenida Engenheiro Caetano Álvares, na Marginal do Tietê, para onde o jornal se mudou em junho de 1976, os 3.154 volumes da coleção de O Estado de S. Paulo ocupam 144 metros de estantes.
Empilhadas, elas corresponderiam a um prédio de 48 andares, maior que o Edifício Itália.
Em seus 129 anos de existência - 124 de vida independente - o Estado publicou cerca de 2,2 milhões de páginas, que podem ser consultadas nos volumes encadernados e também em microfilmes. O trabalho de microfilmagem vem sendo feito em convênio com a Biblioteca Nacional, que coloca cópias à disposição da rede de bibliotecas públicas do País.
O jornal é publicado todos os dias da semana, desde 27 de outubro de 1991, quando se retomou a edição da segunda-feira. Iniciada em 21 de outubro de 1889 - até então, só saíra nesse dia, excepcionalmente, o número de lançamento de A Província de São Paulo - ela havia sido interrompida em 12 julho de 1927, porque uma lei municipal proibiu o trabalho aos domingos.
Raras vezes, o jornal deixou de circular, e foi sempre por breves períodos. De 17 a 25 de abril de 1877, por exemplo, quando parou as máquinas para ampliar suas instalações em novo endereço.
A interrupção mais longa - traumática e por motivos alheios à direção - ocorreu em 25 de março de 1940, com a ocupação do Estado pela polícia da ditadura de Getúlio Vargas. Durante o regime militar, que censurou a imprensa entre dezembro de 1968 e janeiro de 1975, o Estado foi apreendido várias vezes nas bancas, mas não deixou de circular. Julio de Mesquita Neto denunciou as arbitrariedades da ditadura na Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e em outros fóruns internacionais.
Júlio Neto - que morreria em junho de 1996, quando Ruy Mesquita passou a ocupar o cargo de diretor- responsável - ganhou, em 1969, o Prêmio Pena de Ouro, concedido pela Federação Internacional dos Editores de Jornais a quem se destaca na defesa da liberdade de imprensa. O Estado já era considerado, então, um dos maiores, mais importantes e mais respeitados jornais do mundo.