JORNAL DA REDE ALCAR
Ano
2, N. 17
– 2
de maio de 2002
Editores:
José Marques de Melo (UNESCO/UMESP) e Francisco Karam (FENAJ/UFSC)
realcar@metodista.br
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Rede Alfredo de Carvalho para o
resgate da memória e a construção da história da imprensa no Brasil
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Colaboradores desta edição:
Laura
Mattos (FSP), Cassiano Eleck Machado (FSP), Wilson Martins (OG), Eduardo Ribeiro
(SP), Miriam Abreu (SP),
Juçara Brittes (UFES)
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Manchetes:
1 - Sítio digital da RedeAlcar completa um ano de difusão na internet
2 - RedeAlcar ganha destaque no jornal comemorativo dos 94 anos da ABI
3 - Comitê Capixaba da RedeAlcar estimula pesquisa em instituições de ensino
4 - Samuel Wainer e a Última Hora gaúcha
5 - História do Rádio no Brasil: construção em processo
6 - Capítulo Controverso na História da Folha de S. Paulo
7 - Capital estrangeiro na mídia brasileira
8 - Herbert Levy: a biografia do revolucionário perplexo
9 - Cultura da mordaça: censura à imprensa no Brasil
10 - Pesquisadora carioca dimensiona fronteiras entre jornalismo e literatura
11 - Imprensa maranhense do século XIX
12 - Os 35 anos da Revista Exame
13 - A curiosa História do jornal Notícias Populares
14
- FENAJ
divulga teses sobre a formação superior em Jornalismo
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1-
Sítio
digital da RedeAlcar completa um ano de difusão na internet
Produzido pelo Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina,
teve a produção da acadêmica Ana Paula de Souza, sob a supervisão dos
professores José Marques de Melo, Clóvis Geyer e Francisco José Karam.
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2
-
RedeAlcar
ganha destaque no jornal comemorativo dos 94 anos da ABI
Em sua edição bimestral de março/abril de 2002, o JORNAL DA ABI (Ano 50, n. 289), editado pelo jornalista Sylvio Pélico Leitão Filho, destaca em três matérias a atuação da Rede Alfredo de Carvalho para o Resgate da Memória e a Construção da História da Imprensa no Brasil.
Na cobertura de primeira página – ABI, 94 anos -, registra o simpósio dedicado aos 150 anos de nascimento do fundador da entidade, Gustavo de Lacerda, promovido pela RedeAlcar e contando com a participação intelectual da professora Marialva Barbosa (UFF), bem como dos jornalistas Fernando Segismundo e Mário Barata (ambos integrantes da atual diretoria da ABI). Na seção “Painel da Imprensa” (p. 27) noticia amplamente o encontro que o Comitê Dirigente da RedeAlcar promovera no dia 7 de março, na sede do Ministério da Cultura no Rio de Janeiro.
Contudo,
o destaque principal foi dado no
artigo assinado por Mário Barata – Imprensa no Brasil: sentido de comemorações
e fundações de 1808 e 1908, do qual transcrevemos alguns trechos:
-
“A Rede Alfredo de Carvalho trouxe-nos dados sobre o valor histórico
do ano de 1908 no tocante aos valores da imprensa em relação aos seu
enraizamento. Podemos agora observar melhor a sucessão de sua expansão e do
seu progresso – tão difícil – e a continuidade da ação da imprensa no
Brasil.”
-
“Por outro lado, a Rede Alfredo de Carvalho e o Núcleo de Estudos de
História dos Impressos da Bahia publicam neste início de ano o pequeno livro Rumo
ao Bicentenário da Imprensa Brasileira (Salvador, 2002) com textos de José
Marques de Melo, Cybelle de Ipanema, Esther Bertoletti e apresentação de L. G.
Pontes Tavares. O ciclo de palestras foi patrocinado pelo Arquivo Público da
Bahia. O núcleo se reúne na Associação Baiana de Imprensa.”
-
“Todos esses estudos continuarão até 2008 com o apoio principal da
Rede Alfredo de Carvalho e da ABI.”
Na
edição anterior do Jornal da ABI – Vol. 50, N. 288, janeiro/fevereiro de
2002 – a proposta metodológica construída pela RedeAlcar fora registrada
brevemente na notícia “História da Imprensa no Brasil” (p. 16). Trata-se
de uma reconstituição dos postulados elaborados conjuntamente pelos
jornalistas-historiadores Marco Morel (UERJ) e Marialva Barbosa (UFF), que
defendem uma linha de trabalho sintonizada com a “nova história cultural
sobre a imprensa”, dando um passo à frente daquela “tradicional
historiografia identificada como positivista ou historicista”.
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3
-
Comitê Capixaba da RedeAlcar estimula pesquisa em instituições de ensino
A
necessidade de incentivar a pesquisa junto às Instituições de Ensino Superior
(IES) foi o principal tema debatido pela coordenação do
Comitê Espírito Santo da Redealcar, reunido
no início de abril, a convite do Sindicato dos Jornalistas daquele
Estado.
Verificou-se
que a maioria das adesões ao Comitê parte de professores e estudantes da área
de comunicação, mas estes não encontram apoio junto às instituições a que
estão ligados para desenvolver projetos de investigação. Trata-se da ausência
de cultura neste campo de atuação, a qual não se restringe ao tema em tela,
mas à pesquisa de modo geral.
A partir
da constatação deste entrave ficou decido que a comissão coordenadora fará
um trabalho de estímulo à
pesquisa, mediante correspondência seguida de
reuniões com os responsáveis pelas IES. Pretende-se conseguir a adesão
das Instituições em projetos específicos, partindo-se do mapeamento das
monografias e, no caso da universidade federal, dissertações sobre a imprensa
local. Estas não se restringem à comunicação, podendo ser encontradas nos
cursos de história, ciências sociais e outros.
A mesma
atividade será feita, a seguir, junto a organizações profissionais.
Comissão
de Finanças
Durante sua última reunião, o Comitê Capixaba da Redealcar acolheu o jornalista e professor Fabiano Mazzini na condição de coordenador da Comissão de Finanças. Ela tem a finalidade de desenvolver ações com vistas ao financiamento de pesquisas e atividades de divulgação das mesmas.
Desse
modo completam-se as coordenações previstas,
quais sejam, científica, financeira e divulgação. A comissão científica,
liderada pelos professores Juçara Brittes e Edgard Rebouças, se subdivide em
monitorias setoriais, para abrigar distintos segmentos do jornalismo: impresso,
radiofônico, televisivo e online. Inclui, ainda, uma monitoria encarregada de
biografias, outra que cuidará, especificamente, de metodologia em pesquisa histórica
e uma terceira para ocupar-se de publicações.
A comissão de divulgação está a cargo de Letícia Lindemberg, da Rede
Gazeta.
EXPOSIÇÃO
O Comitê
capixaba da Redealcar foi convidado a participar da inauguração da biblioteca
do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES), ocasião em
que será aberta uma exposição sobre a imprensa local. O evento será em 29 de
maio próximo, na sede do IHGES, e abrigará mais duas atividades. O lançamento
do livro “ O Diário da Rua Sete”, de autoria do jornalista e escritor Antônio
de Pádua Gurgel, e a apresentação do projeto de pesquisa da Rede Alfredo de
Carvalho aos associados do Instituto. A Redealcar será apresentada por Juçara
Brittes, coordenadora do Comitê local.
O IHGES
foi uma das primeiras instituições a filiar-se ao Comitê, que também conta
com a adesão independente do autor do livro em lançamento.
Na
apresentação da obra, Gurgel conta que O Diário da Rua Sete, como era
conhecido O Diário, fundado em 1955 e desaparecido nos anos 80, “ formou uma
geração de profissionais , dos quais alguns hoje se destacam na imprensa local
e nacional”. Ligado inicialmente a uma ala do então Partido Social Democrático
(PDS), é vendido seis meses depois e passa a defender o ideário do maior
adversário de seus fundadores: Francisco Lacerda de Aguiar, o Dr. Chiquinho,
que governou duas vezes o Espírito Santo (1955-1958 e 1963 – 1965).
Na
continuidade, escreve Gurgel, o jornal ocupou posição de vanguarda
na imprensa local, fomentando o movimento cultural e adotando inovações
gráficas e editoriais. Distinguiu-se, também, pela ousadia de seus rebeldes
colaboradores, que transformaram a “escolinha de jornalismo” numa trincheira
de luta contra a ditadura.
O livro
é rico em fatos pitorescos que marcaram a história deste jornal e inclui
depoimentos de profissionais que participaram da iniciativa. Trata-se de
pesquisa histórica relevante, levando-se em conta que os arquivos do jornal
desapareceram em um incêndio em
1969.
Adesão
A
Rádio e Televisão do Espírito Santo, autarquia ligada a Superintendência
de Comunicação do Governo estadual, filiou-se, em 25 de abril último,
ao Comitê capixaba da Redealcar, a partir de convite aceito pelo
presidente da instituição, jornalista Tinoco dos Anjos.
Mostrando-se entusiasmado em participar da pesquisa, dos Anjos ndicou a jornalista Fátima Cogo para atuar diretamente junto ao Comitê, na condição de pesquisadora e anunciou dedicar o apoio necessário para que a história da RTV seja incluída nas atividades da rede.
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4
- Samuel Wainer e a Última Hora gaúcha
O
encarte de abril da revista IMPRENSA - série 200 anos da imprensa no Brasil –
foi dedicado a Samuel Wainer e o projeto de jornalismo nacionalista e popular
consubstanciado na edição gaúcha do jornal Ultima Hora. Coordenada pelo Prof.
Dr. José Marques de Melo, idealizador da Rede Alfredo de Carvalho para o
Resgate da Memória e a Construção da História da Imprensa, a série do
Bicentenário contou com a participação, nessa edição, do Prof. Dr. Antonio
Hohlfeldt, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da
PUC-RS, que se responsabilizou pela pesquisa temática e pela redação do
texto.
O
encarte de março foi dedicado ao pernambucano Luiz Beltrão (biografado por
Jorge Duarte, do UniCEUB). Em maio, o personagem da série será o maranhense
Odylo Costa Filho (biografado por Antonio Texieira de Barros – também
vinculado ao UniCEUB). A revista IMPRENSA pode ser adquirida nas bancas de todo
o país ou consultada na rede mundial de computadores – sítio: www.revistaimprensa.com.br
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5
- História do Rádio no Brasil: construção em processo
Laura
Matos
No
dia 7 de setembro faz exatos 80 anos que o Brasil ouvia pela primeira vez uma
transmissão por rádio. Epitácio Pessoa, o então presidente da República,
falava, meio sem jeito, sobre o centenário da Independência.
Quase ninguém tinha aparelho para escutá-lo, mas foi uma verdadeira comoção
nacional.
Hoje, quando atinge em um dia 70% da população do país, o rádio patina em um mercado que pouco reconhece seu potencial de comunicação. Do bolo publicitário, menos de 5% vão para as AMs e FMs e quase tudo fica com a TV.
Para tentar melhorar a situação, os empresários vão usar e abusar da comemoração dos 80 anos da transmissão de Epitácio Pessoa.
Mas
o jogo não será fácil. No Rio, por exemplo, a agência de cultura Sarau está
há um ano tentando patrocínio para uma megaexposição, intitulada "História
do Rádio", mas só ouviu não até agora -da iniciativa privada e do
governo. "Há preconceito no mercado contra o rádio. Mas o público
certamente tem muito interesse pela história desse veículo de comunicação",
afirma a produtora Ana Luisa Lima.
O
projeto prevê a montagem de oito salas representando cada década do rádio no
Brasil. Os ambientes teriam decoração e um aparelho de rádio da época,
tocando uma música ou uma notícia veiculada no período.
Está nos planos também um musical com a participação da atriz global Drica
Moraes. Paralelamente à exposição, haveria palestras sobre mercado, história,
tecnologia. João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, e
Zuza Homem de Mello, produtor musical e escritor, aceitaram participar.
Orçada em R$ 735.552, "História do Rádio" conseguiu esta semana
autorização do Ministério da Cultura para captar recursos pelas leis de
incentivo fiscal.
Mas
Lima ainda prevê dificuldades. Para isso, já tem uma saída: "Há duas
correntes sobre a história do rádio no Brasil. Uma defende que a transmissão
de 7 de setembro de 1922 foi o início de tudo. Mas, como quase ninguém tinha
aparelho e as transmissões regulares só começaram a partir de 1923, alguns
pesquisadores dizem que os 80 anos só poderiam ser comemorados em 2003. Se
conseguirmos patrocínio logo, escolhemos a primeira versão. Se continuar difícil,
adiamos para a exposição para o próximo ano e damos a segunda versão como
desculpa", brinca Lima. Pelo jeito, o negócio é continuar pesquisando
para tentar encontrar outras e outras datas. Ou então esperamos 2022 e
comemoramos o centenário. Que tal?
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6
- Capítulo
Controverso na História da Folha de S. Paulo
A
participação da Folha no processo de abertura política durante o
regime militar e a atuação do jornal na campanha das Diretas-Já foram
discutidas ontem em seminário realizado pela cátedra Octavio Frias de Oliveira
da faculdade de jornalismo da Fiam (Faculdades Integradas Alcântara Machado).
O seminário
"Projeto Folha, Abertura Política e Diretas-Já" contou com a
participação do ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, do professor da
ECA-USP Ciro Marcondes Filho e do professor de ciência política da USP e repórter
especial da Folha André Singer. O mediador foi Milton Belintani, professor da
Fiam.
André
Singer fez um retrospecto da atuação do jornal desde 1974, ano em que, segundo
ele, começou a abertura política do regime militar (1964-1985), até a
campanha das Diretas-Já, iniciada em 1983/1984.
Para
Singer, tanto em relação à abertura quanto à campanha que mobilizou a
sociedade brasileira por eleições diretas para presidente da República, o
jornal se antecipou aos concorrentes. "A Folha teve uma percepção
antecipada, em relação aos demais órgãos da imprensa, de que o movimento
pelas Diretas-Já iria se transformar num movimento de massa", afirmou.
O
advogado e ex-ministro José Carlos Dias destacou a truculência do regime
militar -"houve muita tortura e muita morte"- e afirmou que, no caso
das Diretas-Já, "o crescimento da Folha acompanhou o crescimento dos
movimentos da sociedade civil. A campanha das Diretas-Já foi uma das coisas
mais emocionantes que o povo brasileiro já viveu e o grande momento da
Folha."
Para
Ciro Marcondes Filho, foram veículos da "imprensa conservadora, como o
"Jornal da Tarde" e "O Estado de S. Paulo", que estimularam
o movimento pelas Diretas-Já".
Segundo
disse, a Folha "teve um papel ambíguo e só apoiou o movimento quando ele
estava no ápice", naquilo que ele classificou como uma atitude
"oportunista".
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7
- Capital estrangeiro na mídia brasileira
A Comissão
de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) aprovou no final da manhã
desta quarta-feira (10/4) a entrada do capital estrangeiro na mídia brasileira.
O parecer do senador Romeu Tuma sobre a PEC 203 praticamente não modificou em
nada o projeto de lei, que já havia sido aprovado pela Câmara. O texto
será submetido a dois turnos de votação em Plenário para depois passar pela
sanção do presidente Fernando Henrique.
A CCJ aceitou
apenas a emenda do senador José Fogaça (PPS-RS), que esclarece que brasileiros
natos ou naturalizados deverão deter, no mínimo, 70% do capital total e do
capital votante das empresas jornalísticas. A emenda do senador Roberto Requião
(PMDB-PR) foi rejeitada. Ela estipulava que apenas pessoas jurídicas de capital
nacional controlassem empresas de comunicação, ou seja, não permitia a
entrada do capital estrangeiro.
Romeu
Tuma também rejeitou duas emendas apresentadas por Eduardo Suplicy (PT-SP), que
defende a criação de um órgão regulador capaz de outorgar concessões
a emissoras de rádio e televisão. Suplicy quer que as mudanças
do controle societário das empresas, quando houver participação de capital
estrangeiro, sejam submetidas ao Congresso Nacional. Apesar de ter retirado as
emendas, o senador petista avisou que vai reapresentá-las como
propostas autônomas.
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8
- Herbert Levy: a biografia do revolucionário perplexo
O jornalista
Claudio Lachini lança este mês a biografia autorizada de Hebert Levy, dono da Gazeta
Mercantil. Morto em janeiro deste ano aos 91 anos, Levy foi responsável
pelo reerguimento do jornal, que comprou em 1934 por apenas 60 contos de réis.
Aos poucos, a GZM se tornou uma referência no mercado. Dentro
desse universo Lachini trabalhou por 28 anos, convivendo de perto com o empresário
e político (Levy foi deputado federal por 40 anos). Pela defesa de ideais
liberalistas e de seus pontos de vista, sempre coerentes, Levy é chamado
por Lachini de "Um Revolucionário Perplexo", alcunha que dá
nome ao livro. Editado com patrocínio do Banco Safra, o livro tem 256 páginas
e será vendido por R$ 20.
Lachini levou um ano para escrever a biografia, baseada em entrevistas
com colegas de profissão, empresários e familiares de Levy, além de
pesquisa em recortes de jornais e revistas. O objetivo do autor - que escreveu
o livro após sugestão dos filhos de Levy -foi apresentar um perfil
correto, a seu ver, de quem foi o dono da GZM: um liberal com
tendências próximas do trabalhismo inglês.
Eleito deputado federal pela primeira vez em 1947 pela UDN, Levy participou
das Marchas da Família com Deus pela Liberdade, movimento conservador que pedia
a deposição do presidente João Goulart. Visto isoladamente, este fato poderia
confiná-lo ao território da ultra-direita. Mas Levy apoiou Jango no
momento de sua posse, em 1961. A convite de Nelson Rockfeller, foi aos EUA
para assessorar o novo presidente, atitude que resultou em crítica dos
udenistas. Durante a ditadura militar, Levy defendeu a abertura política e a
revogação do AI-5.
Sua atuação no jornalismo começou quando tinha apenas 16 anos, quando
foi redator esportivo do São Paulo Jornal. Em 1928 foi redator
do Diário Nacional. Durante a quebra da Bolsa de Nova York, em
1929, Levy farejou a boa recepção que uma publicação direcionada à
comunidade empresarial teria. Lançou a Revista Financeira Levy,que
depois se fundiu com o Boletim Comercial Levy. Alguns anos depois seria a
vez da Gazeta Mercantil.
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9
- Cultura
da mordaça: censura à imprensa no Brasil
Nem Peter Pan escapou dos
aparatos de censura brasileiros. É, até mesmo o personagem que não queria
crescer, criado pelo inglês J.M. Barrie e apadrinhado pelos traços de Disney,
foi perseguido pela repressão de Getúlio Vargas.
A
história de como os livros com a versão dessa história feita por Monteiro
Lobato foram apreendidos pela Superintendência de Segurança Política e Social
de GV é um dos exemplos reunidos em "Minorias Silenciadas" de até
onde pode chegar a censura.
O artigo "Procura-se Peter Pan", de Vladimir Sacchetta e Marcia
Mascarenhas Camargos, mostra como a manifestação de idéias contrárias ao
regime podia levar um intelectual como Lobato (de quem os pesquisadores fizeram
a biografia "Um Furacão na Botocundia") a seguidas visitas ao
interior da Casa de Detenção.
A história, na verdade, começou bem antes dos "era uma vez"
lobatianos, mostra o livro. Foi em 1517, com o Brasil ainda adolescente, que
nasceram nossas primeiras regras de censura.
Nesse ano, os portugueses começam a montar o tripé institucional que
regulamentaria a censura na metrópole (e consequentemente na colônia) até
1768.
A estrutura era formada por um tribunal de juízes eclesiásticos, denominado
Ordinário, pelos representantes do Estado absolutista, instituição chamada de
Mesa do Desembargo do Paço, e pelo Santo Ofício da Inquisição (que começa
oficialmente em Portugal em 1536 e só é extinta em 1821).
Nesses primeiros séculos, tanto no Brasil quanto em Portugal, a censura seguia
ditames religiosos (e de quebra amordaçava grandes literatos como Gil Vicente e
até Camões). "O argumento usado para apreender e queimar livros é que
eles feriam a verdadeira fé católica. É uma luta contra o herege, o inimigo número
um deles", diz Maria Luiza Tucci Carneiro.
De acordo com a organizadora de "Minorias Silenciadas", a repressão só
começaria a mudar de ritmo com a ascensão do marquês de Pombal ao poder
português.
Em 1768 o todo-poderoso ministro do rei dom José 1º cria a Real Mesa Censória,
instituição formada por leigos e religiosos que passou a regulamentar as
perseguições oficiais. "A censura ganha um tom político. Persegue não
mais o cristão-novo, mas os maçons, que representavam a trama de algo secreto
contra o governo, os teóricos da Ilustração, como Voltaire, e os jesuítas,
grandes inimigos de Pombal.” Essa nova censura, mais política do que
religiosa, se estenderia ao Brasil, que só deixou de espelhar as práticas
censoriais portuguesas depois de 1808, com a abertura dos portos e o nascimento
oficial da imprensa no país. Os próximos grandes capítulos da história da
mordaça no Brasil viriam junto aos grandes acontecimentos nacionais. Exemplo: o
artigo "Sob o Signo da Censura", da historiadora Ana Luiza Martins,
mostra como um mês depois da Proclamação da República, em 1889, já existe
um decreto restringindo a atuação da imprensa. "Havia um medo muito
grande da revanche dos monarquistas.” ·Outro momento de destaque nessa linha
do tempo seria 1923. Nesse ano é decretada a chamada Lei Adolfo Gordo (que leva
o nome do senador paulista). Mecanismo de cerceamento da atuação da imprensa,
a lei tinha como alvo principal os anarquistas e comunistas (e o PCB havia
nascido só dois anos antes). Os comunistas continuariam a ser perseguidos até
1983.
*********
Desde que Adão, Eva ou seja lá quem disse o primeiro "cala a boca",
ela vem amarrando braços, silenciando vozes e tapando olhos com todos os tipos
de cordas, mordaças e vendas possíveis. Agora, pela primeira vez, todo o
arsenal material e simbólico que ela utilizou no Brasil está sendo reunido no
mesmo espaço.
Ela,
com o perdão da palavra, se chama censura, e toda a sua trajetória em território
brasileiro ganha seu primeiro retrato de corpo inteiro no volume "Minorias
Silenciadas - A História da Censura no Brasil", que a Edusp, a Imprensa
Oficial de SP e a Fapesp estão lançando. Organizado pela professora de história
da Universidade de São Paulo Maria Luiza Tucci Carneiro, esse mapeamento do silêncio
involuntário ao longo da história nacional reúne artigos de 22 intelectuais
de campos distintos. Eles começaram a empreitada há cinco anos. Em abril de
1997, Tucci Carneiro convocou a mesma escalação de pensadores para participar
do seminário "Minorias Silenciadas", um dos módulos do colóquio
Direitos Humanos no Limiar do Século 21, que o professor Renato Janine Ribeiro
organizou para a USP.
"A idéia do trabalho era mostrar a diversidade de categorias de censura
desenvolvidas no Brasil", conta Tucci. Autora de estudos importantes na área
de racismo ou perseguição religiosa, como "O Anti-Semitismo na Era
Vargas" (que está sendo relançado pela editora Perspectiva), ela
pretendia focar especificamente como a censura atingia algumas minorias. O grupo
de participantes do seminário (e agora do livro), que contou com professores
renomados como a historiadora Anita Novinsky e o ensaísta e tradutor Boris
Schnaiderman, alargou um pouco os limites do estudo. "Minorias
Silenciadas", o livro, acabou por trazer um perfil abrangente de modelos de
censura.
Reunidos com alguma referência cronológica, os artigos podem tratar do
nascimento das primeiras instituições de repreensão em Portugal e Espanha, a
mais notória delas o Santo Ofício da Inquisição, ou de censuras bem menos
oficiais e aparentes, como as castrações simbólicas sofridas por uma moradora
de uma favela de São Paulo que decide ser escritora, como o caso de Carolina
Maria de Jesus (autora do best-seller dos anos 60 "Quarto de
Despejo").
O maior número de textos, porém, aborda aqueles que Tucci Carneiro considera
os "everestes" da censura brasileira.
"O
século 20 é o auge da censura. E os seus dois grandes momentos são,
claramente, o período Vargas, com o DIP e a polícia política atuando como
aparatos censores e repressores, e, depois, a ditadura militar, sobretudo o período
de 1968 a 1975", diz.
Ernest
Hemingway, Nelson Rodrigues, Lima Barreto, Graciliano Ramos, Machado de Assis e
Ignácio de Loyola Brandão. O que estes homens têm em comum? O fato de terem
dividido o tempo entre o dia-a-dia da redação e o fazer literário. Pensando
nisso, a jornalista e pesquisadora Cristiane Costa resgatou uma questão
feita por João do Rio aos colegas de profissão no início do século passado:
a atividade jornalística é prejudicial ou não a um aspirante a escritor? A
partir desta pergunta, Cristiane, que é editora do suplemento literário Idéias,
do Jornal do Brasil, iniciou
pesquisa apoiada por uma bolsa da Fundação Vitae.
Além da
pesquisa bibliográfica envolvendo 30 autores, foram ouvidos 18 jornalistas que
se dedicam a escrever literatura atualmente. Ao contrário da geração dos anos
60/80, os jornalistas-escritores de hoje não estão mais preocupados, em sua
maioria, com a questão brasileira. “Com as exceções de Marçal Aquino e Luís
Ruffato, que nesse sentido, e também no histórico de seu trabalho jornalístico,
parecem filiados à tradição da geração anterior, os autores demonstram
pouquíssimo ou nenhum interesse em retratar o Brasil”, avalia Cristiane.
A idéia
de estudar o tema surgiu durante o período de mestrado em Comunicação e
Cultura na Escola de Comunicação da UFRJ. Cristiane se deu conta de que a
maioria dos autores de literatura no Brasil começou no jornalismo. “Fiz um
levantamento e vi que muita gente teve passagem por redações”, diz. Para
restringir o universo de sua pesquisa, Cristiane não considerou cronistas ou
colunistas. “Meu interesse é saber no que o texto jornalístico influencia a
ficção”.
A
pesquisa vem sendo realizada há cerca de um ano. Oitenta por cento do que
Cristiane pretendeu fazer já está pronto. A edição em livro está programada
para acontecer somente em 2004, pela editora Zahar. A jornalista dividiu as
relações entre jornalismo e literatura em cinco períodos: o primeiro vai de
1808 a 1830; o segundo de 1840 a 1910; o terceiro de 1920 a 1950; o quarto de
1960 a 1980; o quinto trata da geração de 1990.
O
comportamento desses autores enquanto jornalistas também vai se modificando com
o passar do tempo. Se até meados da década de 50 as reportagens muitas vezes
tinham um quê ficcional, dos anos 60 em diante esse hábito é completamente
banido das redações. Durante entrevista por telefone, Cristiane lembra-se de
uma frase de Nelson Rodrigues: “O jornalista mente pouco, muito pouco”.
Se o
jornalista dos anos 70 e 80 calcava sua literatura na experiência do real – e
o fato de trabalhar em editorias de Cidade e Geral não é mero acaso – o de
hoje discute a própria cultura. “A desvalorização da experiência parece
ser uma tendência da narrativa contemporânea”, analisa Cristiane. Ela
reparou também que, com raras exceções, os escritores de hoje pertencem aos
cadernos culturais.
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11
- Imprensa maranhense do século XIX
Joaquim
Serra, jornalista responsável pela edição do periódico Semanário
Maranhense e escritor atuante na corte imperial, na segunda metade do século
XIX, legou aos conterrâneos um
livro que inventaria o jornalismo da sua terra, publicado em 1883 pel,a Editora
Faro & Lino, situada na rua do Ouvidor, na cidade do Rio de Janeiro. Sob o título
“Sessenta anos de jornalismo – A imprensa do Maranhão, 1820-1880”, a obra
teve repercussão imediata, suscitando uma segunda edição naquele mesmo ano.
Desde então, integra a bibliografia da cultura maranhense, figurando na lista
das obras raras, disputada pelo bibliógrafos.
Por
iniciativa da equipe governamental liderada por Roseana Sarney, a obra foi
reeditada no ano passado, integrando a coleção “Maranhão Sempre”,
publicada e distribuída pela Editora Siciliano (São Paulo). O volume contém
em apêndice uma série de notas que preenchem lacunas do texto original, além
de oferecer informações historicamente contextualizadoras para o leitor deste
início do século XXI.
Da
mesma forma que o autor Joaquim Serra modestamente escondera-se sob o pseudônimo
de Ignotus, nas duas edições iniciais, o responsável por esta terceira edição
também evita proeminência, aparecendo apenas através das iniciais do seu nome
próprio S. M. D. Em sua nota introdutória ele fornece breves informações
sobre a significação do livro e do autor:
“Este
livro é uma rara e valiosa peça bibliográfica, através da qual podemos
acompanhar o desenvolvimento do jornalismo na Província do Maranhão ao longo
de praticamente toda a duração do regime monárquico brasileiro”.
“Seu
autor, como profetizando o destino que lhe caberia em sobrevivência, assinou-se
apenas Ignotos. Trata-se de Joaquim Maria Serra Sobrinho (São Luis, 20.7.1838
– 29.10.1888), um desses tantos escritores notáveis de que o Maranhão fez
safra abundante no século XIX, e de que erigiu seu monumento de glória através
dos tempos.”
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12
– Os
35 anos da Revista Exame
Eduardo
Ribeiro
A
revista Exame está em festa. Em maio, completa nada desprezíveis 35
anos de vida e comemora com uma super edição, com direito a depoimentos do
sociólogo FHC, do guru Alvin Toffler, do mega empresário Antonio Ermírio de
Moraes, do inovador Ricardo Semler, e um ensaio fotográfico com algumas das
empresas-símbolos que nasceram ou se instalaram nos últimos 35 anos no Brasil,
entre elas a Embraer, Natura e McDonald's. Será uma edição para resgatar o
passado e se debruçar sobre o futuro.
E
pensar que Exame nasceu como encarte despretensioso das revistas técnicas
da Abril, entre elas a Máquinas e Metais, Químicas e Derivados
e Transporte Moderno, publicações das quais a Abril decidiu se
desfazer e que, felizmente, foram assumidas pelos respectivos editores,
mantendo-se ativas até hoje. O encarte cresceu, encorpou, ganhou vida própria,
prosperou e acabou por se transformar numa das mais prósperas unidades de negócios
da Abril, dando origem a outros filhotes, como Info, Vip e Você
S/A.
Há,
na revista, um nome que é a própria história da publicação: Clayton Netz,
diretor de redação que ali começou como repórter no final dos anos 70, sob o
comando de Rui Falcão - atual secretário de Governo da Prefeitura de São
Paulo, e homem forte da administração Marta Suplicy. Clayton passou por todas
as mudanças e turbulências enfrentadas pela publicação nesse período,
impondo-se tanto por seu talento profissional quanto pelo respeito conquistado
interna e externamente.
Vários
dos nomes que hoje continuam militando na imprensa passaram pela revista, dando
sua contribuição para uma história de sucesso, caso de José Paulo Kupfer (Gazeta
Mercantil), Antonio Machado de Barros (Cidade Bizz) e Paulo
Nogueira (na própria Abril). Outros se despediram (obviamente que não
definitivamente) do jornalismo, caso de José Roberto Guzzo, que mantém ainda vínculo
com a Abril, em seu Conselho Editorial (se não houve alguma mudança nesse
relacionamento), de Rui Falcão, que assumiu definitivamente seu lado político,
como já vimos, e de Guilherme Velloso, transformado em head hunther, como
diretor associado da PMC (Amrop Group), uma das mais conceituadas do Brasil.
Seriam
precisos muitas linhas (e minutos de leitura) para listar aqui todos os nomes
que ajudaram a construir a história da revista. E certamente correríamos o
risco de esquecer nomes importantes. Fica aqui o convite-desafio para a própria
revista render a homenagem aos seus pioneiros.
Justiça
se faça também a Cláudia Vassallo, redatora-chefe (outra que construiu grande
parte de sua carreira na revista), que está coordenando esta edição especial,
a qual, de resto, matará as saudades de Hélio de Almeida, diretor de Arte de
Exame na segunda metade dos anos 80, a quem foi encomendada a capa, além de
registrar a volta (ainda temporária) de Maria Luisa Mendes (ex-Meu Dinheiro),
na edição.
Aos
colegas da revista, hoje liderada por Sidnei Basile, os parabéns e o desejo de
vida longa.
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13
– A curiosa História do jornal Notícias Populares
Miriam
Abreu
Moreira recorda
que ele e os colegas sempre gostaram muito de ler Notícias Populares,
apesar de o diário ser considerado aquele que espreme e sai sangue. "Nos
divertíamos muito lendo as manchetes", diz, referindo-se aos títulos como
"Espírito de porco baixa em macumba" e "Broxa torra o pênis na
tomada".
O jornal
despertou o interesse dos autores quando eles perceberam que não havia
informações sobre a história do NP. "Também descobrimos que o Notícias
Populares foi muito mais do que um jornal cujo estereótipo é conhecido por
todos nós. Poucos sabem isso". Os autores descobriram que o NP foi o
primeiro periódico a valorizar as manchetes e utilizar textos curtos com fotos
grandes e ilustrativas, além de abordar a economia popular. Começou a
fazer a cobertura da vida das celebridades, quando deu destaque à Jovem Guarda,
ajudando Wanderléa, Erasmo Carlos e Roberto Carlos a se tornarem populares.
Também foi o primeiro órgão de imprensa a ter uma coluna voltada
exclusivamente para os homossexuais, o 'Espaço Gay'.
Além de
lerem quase todas as edições do NP, os autores entrevistaram jornalistas que
passaram pela redação do diário. Conversaram também com Herbert Levy, dono
da Gazeta Mercantil, que financiou o jornal, seu filho Luiz Fernando
Levy e Giulietta Mellé, viúva do criador.
HISTÓRIA
A idéia
de criar o NP partiu de Jean Mellé (1910-1971), um romeno que chegou ao
Brasil em 1958. O fundador foi trabalhar no Última Hora, onde escrevia
uma coluna para a editoria Internacional. Mas ele se demitiu porque não
aceitava a orientação política do periódico, que era alinhado à esquerda.
Com o projeto do NP embaixo do braço, Mellé procurou Levy e conseguiu convencê-lo
a investir.
A
proposta do NP era combater o esquerdismo através de matérias voltadas para as
camadas populares. Tornou-se um vespertino anticomunista. "Caprichavam
com reportagens sobre sexo, crimes e assuntos sobrenaturais", lembra
Moreira.
Em 1965,
logo depois do golpe militar, Levy, militante da UDN, decidiu vender o
jornal para a dupla Octávio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho. Mellé
continuou na redação trabalhando como editor. Foi nessa época que o NP passou
a enfatizar notícias policiais, esportivas e sobre a vida das celebridades.
Mas foi
na década de 70, mas precisamente em 1975, que o períodico bateu o
recorde de venda em bancas, quando publicou histórias sobre o bebê-diabo,
que virou um marco no jornalismo brasileiro. Os leitores tanto acreditaram
na figura lendária que a redação criou uma saga para ela. Durante 27 dias, o
bebê-diabo esteve na primeira página. Algumas pessoas chegaram até a ligar
para a redação dizendo que tinham visto a figura.
A partir
de 1983, Notícias Populares passou a destinar colunas a minorias,
fossem elas religiosas ou étnicas. Foi então criada uma seção GLS. Os
jornalistas também fizeram questão de destinar um espaço para a "Coluna
do Machão". Na mesma página, ficava a também pioneira coluna "Tudo
sobre sexo".
Em 1990,
as principais matérias eram voltadas para sexo e sensacionalismo. As
manchetes são chocantes: "A morte não usa calcinha", "Bicha põe
rosquinha no seguro" e "Aumento de merda na poupança".
Até Zé
do Caixão foi correspondente do NP. Em 1994, ele foi fazer a cobertura do GP
Brasil de Fórmula 1. Chamou tanta atenção durante os treinos que a Associação
dos Construtores cassou sua credencial. Uma das grandes gafes do Senhor das
Trevas foi "benzer" o carro de Roland Ratzemberger. No texto, ele
informava que tinha exorcizado a Simtek do piloto com "a força das
trevas". O piloto acabou não se classificando para a corrida e, dois meses
depois, sofreu um acidente em Imola e morreu a bordo da Simtek.
O lançamento
do Agora S. Paulo, em 1999, desprestigiou Notícias Populares.
Não havia dinheiro para melhorar sua estrutura ou produzir grandes campanhas.
"Acho que dentro do Grupo Folha o NP era visto com uma certa
desconfiança. O jornal era diferente, exagerado nas reportagens". O grupo
descontinuou o diário a 20 de janeiro de 2001.
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14
- FENAJ
divulga teses sobre a formação superior em Jornalismo
A Federação
Nacional dos Jornalistas lançou em Porto Alegre, durante o 5° Fórum Nacional
de Professores de Jornalismo (28 a 30 de abril) , em parceria com a Universidade
Federal de Santa Catarina, o livro Formação Superior em Jornalismo: uma
exigência que interessa à sociedade, reunindo 24 artigos e documentos
escritos por profissionais da área, professores e especialistas.
O livro
traz artigos publicados no site do Observatório da Imprensa, em publicações
especializadas e feitos sob encomenda diretamente aos autores, logo após a
decisão da juíza-substituta Carla Rister, de São Paulo, eliminando a exigência
de curso superior em jornalismo como requisito para o registro e o exercício
profissional.
Entre os
articulistas, estão os jornalistas e professores Nilson Lage (À frente, o
passado), Elias Machado (O direito do cidadão ao conhecimento público),
Iluska Coutinho (Responsabilidade social exige formação do jornalista),
Rosa Nívea Pedroso (A questão não é o diploma, mas o ensino), Jacques
Mick (Para além do diploma e do canudo),
Rogério Christofoletti (O jornalismo é uma profissão, sim!),
Josenildo Luiz Guerra (Diploma e liberdade de expressão), Alfredo Vizeu
(Jornalismo e construção social da realidade), Álvaro Larangeira (A
equivocada cruzada dos suseranos da imprensa) e Tattiana Teixeira (De
novo a velha questão: o porquê do diploma). Há textos dos jornalistas
Agnaldo Charoy Dias (De novo, o diploma), Antônio de Oliveira (Sem
canudo e sem ética), Cláudia Rodrigues (O patronato e as novas “coalizões”),
Clóvis Augusto de Melo (Patrão, o maior interessado) e
Nathália Kneipp Sena (Toda meritocracia será castigada).
O livro inclui um capítulo destinado à posição da Fenaj, no qual são
publicados artigos da presidente Beth Costa (Diploma em jornalismo: uma exigência
que interessa à sociedade), da Diretora de Educação da entidade, Valci
Zuculoto (Formação superior e qualidade de ensino), e do presidente do
Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Fred Ghedini (Jogo dos sete erros:
desmascarando algumas falácias sobre a regulamentação profissional dos
jornalistas). Estão incluídos, ainda, trecho da decisão da juíza Carla
Rister e artigos dos jornalistas Mino Carta (Por ora, não precisamos de
diploma) e Alberto Dines (A
questão não é do diploma , mas do canudo). O livro, com 136 páginas, foi
produzido pela Cátedra FENAJ-UFSC
de Jornalismo para a Cidadania. Teve produção gráfica, capa e editoração
eletrônica das acadêmicas do Curso de Jornalismo da UFSC, Luciany Alves
Schlickmann e Raquel Sabrina, sob a supervisão do prof. Francisco José Karam.