JORNAL DA REDE ALCAR
Ano 2, N. 172 de maio de 2002

Editores: José Marques de Melo (UNESCO/UMESP) e Francisco Karam (FENAJ/UFSC)
realcar@metodista.br

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Rede Alfredo de Carvalho para o resgate da memória e a construção da história da imprensa no Brasil
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Colaboradores desta edição:
Laura Mattos (FSP), Cassiano Eleck Machado (FSP), Wilson Martins (OG), Eduardo Ribeiro (SP), Miriam Abreu (SP),  Juçara Brittes (UFES)

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Manchetes:

1 - Sítio digital da RedeAlcar completa um ano de difusão na internet

2 - RedeAlcar ganha destaque no jornal comemorativo dos 94 anos da ABI

3 - Comitê Capixaba da RedeAlcar estimula pesquisa em instituições de ensino

4 - Samuel Wainer e a Última Hora gaúcha

5 - História do Rádio no Brasil: construção em processo

6 - Capítulo Controverso na História da Folha de S. Paulo

7 - Capital estrangeiro na mídia brasileira

8 - Herbert Levy: a biografia do revolucionário perplexo

9 - Cultura da mordaça: censura à imprensa no Brasil

10 - Pesquisadora carioca dimensiona fronteiras entre jornalismo e literatura

11 - Imprensa maranhense do século XIX

12 - Os 35 anos da Revista Exame

13 - A curiosa História do jornal Notícias Populares

14 - FENAJ divulga teses sobre a formação superior em Jornalismo
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1- Sítio digital da RedeAlcar completa um ano de difusão na internet

  O sítio digital da Rede Alfredo de Carvalho (www.jornalismo.ufsc.br/redealcar) completa, no próximo dia 30 de maio, um ano de funcionamento.

Produzido pelo Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, teve a produção da acadêmica Ana Paula de Souza, sob a supervisão dos professores José Marques de Melo, Clóvis Geyer e Francisco José Karam.

No site, são encontrados todos os jornais/boletins da Redealcar, a plataforma do projeto, as entidades que participam e artigos. Conforme o professor Francisco Karam, o site deve ampliar secções, com links para os principais centros de documentação de história da imprensa no país, além de abrigar maior e mais sistemático número de artigos. Deve ser dinamizada a sessão de últimas notícias e, para isso, Karam solicita que as entidades participantes ou interessadas em aderir ao projeto enviem informações pelo endereço eletrônico, no sentido de manter o site abastecido com notícias sobre a Rede.

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2 - RedeAlcar ganha destaque no jornal comemorativo dos 94 anos da ABI

Em sua edição bimestral de março/abril de 2002, o JORNAL DA ABI (Ano 50, n. 289), editado pelo jornalista Sylvio Pélico Leitão Filho, destaca em três matérias a atuação da Rede Alfredo de Carvalho para o Resgate da Memória e a Construção da História da Imprensa no Brasil.

Na cobertura de primeira página – ABI, 94 anos -, registra o simpósio dedicado aos 150 anos de nascimento do fundador da entidade, Gustavo de Lacerda, promovido pela RedeAlcar e contando com a participação intelectual da professora Marialva Barbosa (UFF), bem como dos jornalistas Fernando Segismundo e Mário Barata (ambos integrantes da atual diretoria da ABI). Na seção “Painel da Imprensa” (p. 27) noticia amplamente o encontro que o Comitê Dirigente da RedeAlcar promovera no dia 7 de março, na sede do Ministério da Cultura no Rio de Janeiro.

Contudo, o destaque  principal foi dado no artigo assinado por Mário Barata – Imprensa no Brasil: sentido de comemorações e fundações de 1808 e 1908, do qual transcrevemos alguns trechos:  

-          “A Rede Alfredo de Carvalho trouxe-nos dados sobre o valor histórico do ano de 1908 no tocante aos valores da imprensa em relação aos seu enraizamento. Podemos agora observar melhor a sucessão de sua expansão e do seu progresso – tão difícil – e a continuidade da ação da imprensa no Brasil.”

-          “Por outro lado, a Rede Alfredo de Carvalho e o Núcleo de Estudos de História dos Impressos da Bahia publicam neste início de ano o pequeno livro Rumo ao Bicentenário da Imprensa Brasileira (Salvador, 2002) com textos de José Marques de Melo, Cybelle de Ipanema, Esther Bertoletti e apresentação de L. G. Pontes Tavares. O ciclo de palestras foi patrocinado pelo Arquivo Público da Bahia. O núcleo se reúne na Associação Baiana de Imprensa.”

-          “Todos esses estudos continuarão até 2008 com o apoio principal da Rede Alfredo de Carvalho e da ABI.”

Na edição anterior do Jornal da ABI – Vol. 50, N. 288, janeiro/fevereiro de 2002 – a proposta metodológica construída pela RedeAlcar fora registrada brevemente na notícia “História da Imprensa no Brasil” (p. 16). Trata-se de uma reconstituição dos postulados elaborados conjuntamente pelos jornalistas-historiadores Marco Morel (UERJ) e Marialva Barbosa (UFF), que defendem uma linha de trabalho sintonizada com a “nova história cultural sobre a imprensa”, dando um passo à frente daquela “tradicional historiografia identificada como positivista ou historicista”.

O Jornal da ABI conta com edição digital, que pode ser consultada na internet – www.abi.org.br . A edição impressa é distribuída regularmente aos sócios da entidade. Os interessados em obter assinaturas do jornal podem escrever para: Rua Araújo Porto Alegre, 71 (Castelo), Rio de Janeiro, cep: 20030-010 – email: jornal@abi.org.br

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3 - Comitê Capixaba da RedeAlcar estimula pesquisa em instituições de ensino

A necessidade de incentivar a pesquisa junto às Instituições de Ensino Superior (IES) foi o principal tema debatido pela coordenação do  Comitê Espírito Santo da Redealcar, reunido  no início de abril, a convite do Sindicato dos Jornalistas daquele Estado.

Verificou-se que a maioria das adesões ao Comitê parte de professores e estudantes da área de comunicação, mas estes não encontram apoio junto às instituições a que estão ligados para desenvolver projetos de investigação. Trata-se da ausência de cultura neste campo de atuação, a qual não se restringe ao tema em tela, mas à pesquisa de modo geral.

A partir da constatação deste entrave ficou decido que a comissão coordenadora fará um trabalho  de estímulo à pesquisa, mediante correspondência seguida de  reuniões com os responsáveis pelas IES. Pretende-se conseguir a adesão das Instituições em projetos específicos, partindo-se do mapeamento das monografias e, no caso da universidade federal, dissertações sobre a imprensa local. Estas não se restringem à comunicação, podendo ser encontradas nos cursos de história, ciências sociais e outros.

A mesma atividade será feita, a seguir, junto a organizações profissionais.

Comissão de Finanças

Durante sua última reunião, o Comitê Capixaba da Redealcar  acolheu o jornalista e professor Fabiano Mazzini na condição de coordenador da Comissão de Finanças. Ela tem a finalidade de desenvolver ações com vistas ao financiamento de pesquisas e atividades de divulgação das mesmas.

Desse modo completam-se as coordenações previstas,  quais sejam, científica, financeira e divulgação. A comissão científica, liderada pelos professores Juçara Brittes e Edgard Rebouças, se subdivide em monitorias setoriais, para abrigar distintos segmentos do jornalismo: impresso, radiofônico, televisivo e online. Inclui, ainda, uma monitoria encarregada de biografias, outra que cuidará, especificamente, de metodologia em pesquisa histórica e uma terceira para ocupar-se de publicações.  A comissão de divulgação está a cargo de Letícia Lindemberg, da Rede Gazeta.

EXPOSIÇÃO

O Comitê capixaba da Redealcar foi convidado a participar da inauguração da biblioteca do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES), ocasião em que será aberta uma exposição sobre a imprensa local. O evento será em 29 de maio próximo, na sede do IHGES, e abrigará mais duas atividades. O lançamento do livro “ O Diário da Rua Sete”, de autoria do jornalista e escritor Antônio de Pádua Gurgel, e a apresentação do projeto de pesquisa da Rede Alfredo de Carvalho aos associados do Instituto. A Redealcar será apresentada por Juçara Brittes, coordenadora do Comitê local.

O IHGES foi uma das primeiras instituições a filiar-se ao Comitê, que também conta com a adesão independente do autor do livro em lançamento.

Na apresentação da obra, Gurgel conta que O Diário da Rua Sete, como era conhecido O Diário, fundado em 1955 e desaparecido nos anos 80, “ formou uma geração de profissionais , dos quais alguns hoje se destacam na imprensa local e nacional”. Ligado inicialmente a uma ala do então Partido Social Democrático (PDS), é vendido seis meses depois e passa a defender o ideário do maior adversário de seus fundadores: Francisco Lacerda de Aguiar, o Dr. Chiquinho, que governou duas vezes o Espírito Santo (1955-1958 e 1963 – 1965).

Na continuidade, escreve Gurgel, o jornal ocupou posição de vanguarda  na imprensa local, fomentando o movimento cultural e adotando inovações gráficas e editoriais. Distinguiu-se, também, pela ousadia de seus rebeldes colaboradores, que transformaram a “escolinha de jornalismo” numa trincheira de luta contra a ditadura.

O livro é rico em fatos pitorescos que marcaram a história deste jornal e inclui depoimentos de profissionais que participaram da iniciativa. Trata-se de pesquisa histórica relevante, levando-se em conta que os arquivos do jornal desapareceram em um incêndio  em 1969.

Adesão

A  Rádio e Televisão do Espírito Santo, autarquia ligada a Superintendência de Comunicação do Governo estadual, filiou-se, em 25 de abril último,  ao Comitê capixaba da Redealcar, a partir de convite aceito pelo presidente da instituição, jornalista Tinoco dos Anjos.

Mostrando-se entusiasmado em participar da pesquisa, dos Anjos ndicou a jornalista Fátima Cogo para atuar diretamente junto ao Comitê, na condição de pesquisadora e anunciou dedicar o apoio necessário para que a história da RTV seja incluída nas atividades da rede.

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4 - Samuel Wainer e a Última Hora gaúcha

O encarte de abril da revista IMPRENSA - série 200 anos da imprensa no Brasil – foi dedicado a Samuel Wainer e o projeto de jornalismo nacionalista e popular consubstanciado na edição gaúcha do jornal Ultima Hora. Coordenada pelo Prof. Dr. José Marques de Melo, idealizador da Rede Alfredo de Carvalho para o Resgate da Memória e a Construção da História da Imprensa, a série do Bicentenário contou com a participação, nessa edição, do Prof. Dr. Antonio Hohlfeldt, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUC-RS, que se responsabilizou pela pesquisa temática e pela redação do texto.

O encarte de março foi dedicado ao pernambucano Luiz Beltrão (biografado por Jorge Duarte, do UniCEUB). Em maio, o personagem da série será o maranhense Odylo Costa Filho (biografado por Antonio Texieira de Barros – também vinculado ao UniCEUB). A revista IMPRENSA pode ser adquirida nas bancas de todo o país ou consultada na rede mundial de computadores – sítio: www.revistaimprensa.com.br

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5 - História do Rádio no Brasil: construção em processo
Laura Matos 

No dia 7 de setembro faz exatos 80 anos que o Brasil ouvia pela primeira vez uma transmissão por rádio. Epitácio Pessoa, o então presidente da República, falava, meio sem jeito, sobre o centenário da Independência.
Quase ninguém tinha aparelho para escutá-lo, mas foi uma verdadeira comoção nacional.

Hoje, quando atinge em um dia 70% da população do país, o rádio patina em um mercado que pouco reconhece seu potencial de comunicação. Do bolo publicitário, menos de 5% vão para as AMs e FMs e quase tudo fica com a TV.

Para tentar melhorar a situação, os empresários vão usar e abusar da comemoração dos 80 anos da transmissão de Epitácio Pessoa.

Mas o jogo não será fácil. No Rio, por exemplo, a agência de cultura Sarau está há um ano tentando patrocínio para uma megaexposição, intitulada "História do Rádio", mas só ouviu não até agora -da iniciativa privada e do governo. "Há preconceito no mercado contra o rádio. Mas o público certamente tem muito interesse pela história desse veículo de comunicação", afirma a produtora Ana Luisa Lima.

O projeto prevê a montagem de oito salas representando cada década do rádio no Brasil. Os ambientes teriam decoração e um aparelho de rádio da época, tocando uma música ou uma notícia veiculada no período.
Está nos planos também um musical com a participação da atriz global Drica Moraes. Paralelamente à exposição, haveria palestras sobre mercado, história, tecnologia. João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo, e Zuza Homem de Mello, produtor musical e escritor, aceitaram participar.
Orçada em R$ 735.552, "História do Rádio" conseguiu esta semana autorização do Ministério da Cultura para captar recursos pelas leis de incentivo fiscal.

Mas Lima ainda prevê dificuldades. Para isso, já tem uma saída: "Há duas correntes sobre a história do rádio no Brasil. Uma defende que a transmissão de 7 de setembro de 1922 foi o início de tudo. Mas, como quase ninguém tinha aparelho e as transmissões regulares só começaram a partir de 1923, alguns pesquisadores dizem que os 80 anos só poderiam ser comemorados em 2003. Se conseguirmos patrocínio logo, escolhemos a primeira versão. Se continuar difícil, adiamos para a exposição para o próximo ano e damos a segunda versão como desculpa", brinca Lima. Pelo jeito, o negócio é continuar pesquisando para tentar encontrar outras e outras datas. Ou então esperamos 2022 e comemoramos o centenário. Que tal?

Fonte: Folha de S. Paulo, Ilustrada, 10/4/2002

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6 - Capítulo Controverso na História da Folha de S. Paulo

A participação da Folha no processo de abertura política durante o regime militar e a atuação do jornal na campanha das Diretas-Já foram discutidas ontem em seminário realizado pela cátedra Octavio Frias de Oliveira da faculdade de jornalismo da Fiam (Faculdades Integradas Alcântara Machado).

O seminário "Projeto Folha, Abertura Política e Diretas-Já" contou com a participação do ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, do professor da ECA-USP Ciro Marcondes Filho e do professor de ciência política da USP e repórter especial da Folha André Singer. O mediador foi Milton Belintani, professor da Fiam.

André Singer fez um retrospecto da atuação do jornal desde 1974, ano em que, segundo ele, começou a abertura política do regime militar (1964-1985), até a campanha das Diretas-Já, iniciada em 1983/1984.

Para Singer, tanto em relação à abertura quanto à campanha que mobilizou a sociedade brasileira por eleições diretas para presidente da República, o jornal se antecipou aos concorrentes. "A Folha teve uma percepção antecipada, em relação aos demais órgãos da imprensa, de que o movimento pelas Diretas-Já iria se transformar num movimento de massa", afirmou.

O advogado e ex-ministro José Carlos Dias destacou a truculência do regime militar -"houve muita tortura e muita morte"- e afirmou que, no caso das Diretas-Já, "o crescimento da Folha acompanhou o crescimento dos movimentos da sociedade civil. A campanha das Diretas-Já foi uma das coisas mais emocionantes que o povo brasileiro já viveu e o grande momento da Folha."

Para Ciro Marcondes Filho, foram veículos da "imprensa conservadora, como o "Jornal da Tarde" e "O Estado de S. Paulo", que estimularam o movimento pelas Diretas-Já".

Segundo disse, a Folha "teve um papel ambíguo e só apoiou o movimento quando ele estava no ápice", naquilo que ele classificou como uma atitude "oportunista".

Fonte: Folha de S. Paulo, 10/4/2002

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7 - Capital estrangeiro na mídia brasileira

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) aprovou no final da manhã desta quarta-feira (10/4) a entrada do capital estrangeiro na mídia brasileira. O parecer do senador Romeu Tuma sobre a PEC 203 praticamente não modificou em nada o projeto de lei, que já havia sido aprovado pela Câmara. O texto será submetido a dois turnos de votação em Plenário para depois passar pela sanção do presidente Fernando Henrique.

A CCJ aceitou apenas a emenda do senador José Fogaça (PPS-RS), que esclarece que brasileiros natos ou naturalizados deverão deter, no mínimo, 70% do capital total e do capital votante das empresas jornalísticas. A emenda do senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi rejeitada. Ela estipulava que apenas pessoas jurídicas de capital nacional controlassem empresas de comunicação, ou seja, não permitia a entrada do capital estrangeiro.

Romeu Tuma também rejeitou duas emendas apresentadas por Eduardo Suplicy (PT-SP), que defende a criação de um órgão regulador capaz de outorgar concessões a emissoras de rádio e televisão. Suplicy quer que as mudanças do controle societário das empresas, quando houver participação de capital estrangeiro, sejam submetidas ao Congresso Nacional. Apesar de ter retirado as emendas, o senador petista avisou que vai reapresentá-las como propostas autônomas.

Fonte: Portal Comunique-se, 11/4/2002

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8 - Herbert Levy: a biografia do revolucionário perplexo

O jornalista Claudio Lachini lança este mês a biografia autorizada de Hebert Levy, dono da Gazeta Mercantil. Morto em janeiro deste ano aos 91 anos, Levy foi responsável pelo reerguimento do jornal, que comprou em 1934 por apenas 60 contos de réis. Aos poucos, a GZM se tornou uma referência no mercado. Dentro desse universo Lachini trabalhou por 28 anos, convivendo de perto com o empresário e político (Levy foi deputado federal por 40 anos). Pela defesa de ideais liberalistas e de seus pontos de vista, sempre coerentes, Levy é chamado por Lachini de "Um Revolucionário Perplexo", alcunha que dá nome ao livro. Editado com patrocínio do Banco Safra, o livro tem 256 páginas e será vendido por R$ 20.

Lachini levou um ano para escrever a biografia, baseada em entrevistas com colegas de profissão, empresários e familiares de Levy, além de pesquisa em recortes de jornais e revistas. O objetivo do autor - que escreveu o livro após sugestão dos filhos de Levy -foi apresentar um perfil correto, a seu ver, de quem foi o dono da GZM: um liberal com tendências próximas do trabalhismo inglês.

Eleito deputado federal pela primeira vez em 1947 pela UDN, Levy participou das Marchas da Família com Deus pela Liberdade, movimento conservador que pedia a deposição do presidente João Goulart. Visto isoladamente, este fato poderia confiná-lo ao território da ultra-direita. Mas Levy apoiou Jango no momento de sua posse, em 1961. A convite de Nelson Rockfeller, foi aos EUA para assessorar o novo presidente, atitude que resultou em crítica dos udenistas. Durante a ditadura militar, Levy defendeu a abertura política e a revogação do AI-5. 

Sua atuação no jornalismo começou quando tinha apenas 16 anos, quando foi redator esportivo do São Paulo Jornal. Em 1928 foi redator do Diário Nacional. Durante a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, Levy farejou a boa recepção que uma publicação direcionada à comunidade empresarial teria. Lançou a Revista Financeira Levy,que depois se fundiu com o Boletim Comercial Levy. Alguns anos depois seria a vez da Gazeta Mercantil.  

Fonte: Portal Comunique-se, 12/4/2002

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9 - Cultura da mordaça: censura à imprensa no Brasil

Nem Peter Pan escapou dos aparatos de censura brasileiros. É, até mesmo o personagem que não queria crescer, criado pelo inglês J.M. Barrie e apadrinhado pelos traços de Disney, foi perseguido pela repressão de Getúlio Vargas.

A história de como os livros com a versão dessa história feita por Monteiro Lobato foram apreendidos pela Superintendência de Segurança Política e Social de GV é um dos exemplos reunidos em "Minorias Silenciadas" de até onde pode chegar a censura.

O artigo "Procura-se Peter Pan", de Vladimir Sacchetta e Marcia Mascarenhas Camargos, mostra como a manifestação de idéias contrárias ao regime podia levar um intelectual como Lobato (de quem os pesquisadores fizeram a biografia "Um Furacão na Botocundia") a seguidas visitas ao interior da Casa de Detenção.

A história, na verdade, começou bem antes dos "era uma vez" lobatianos, mostra o livro. Foi em 1517, com o Brasil ainda adolescente, que nasceram nossas primeiras regras de censura.

Nesse ano, os portugueses começam a montar o tripé institucional que regulamentaria a censura na metrópole (e consequentemente na colônia) até 1768.

A estrutura era formada por um tribunal de juízes eclesiásticos, denominado Ordinário, pelos representantes do Estado absolutista, instituição chamada de Mesa do Desembargo do Paço, e pelo Santo Ofício da Inquisição (que começa oficialmente em Portugal em 1536 e só é extinta em 1821).

Nesses primeiros séculos, tanto no Brasil quanto em Portugal, a censura seguia ditames religiosos (e de quebra amordaçava grandes literatos como Gil Vicente e até Camões). "O argumento usado para apreender e queimar livros é que eles feriam a verdadeira fé católica. É uma luta contra o herege, o inimigo número um deles", diz Maria Luiza Tucci Carneiro.

De acordo com a organizadora de "Minorias Silenciadas", a repressão só começaria a mudar de ritmo com a ascensão do marquês de Pombal ao poder português.

Em 1768 o todo-poderoso ministro do rei dom José 1º cria a Real Mesa Censória, instituição formada por leigos e religiosos que passou a regulamentar as perseguições oficiais. "A censura ganha um tom político. Persegue não mais o cristão-novo, mas os maçons, que representavam a trama de algo secreto contra o governo, os teóricos da Ilustração, como Voltaire, e os jesuítas, grandes inimigos de Pombal.” Essa nova censura, mais política do que religiosa, se estenderia ao Brasil, que só deixou de espelhar as práticas censoriais portuguesas depois de 1808, com a abertura dos portos e o nascimento oficial da imprensa no país. Os próximos grandes capítulos da história da mordaça no Brasil viriam junto aos grandes acontecimentos nacionais. Exemplo: o artigo "Sob o Signo da Censura", da historiadora Ana Luiza Martins, mostra como um mês depois da Proclamação da República, em 1889, já existe um decreto restringindo a atuação da imprensa. "Havia um medo muito grande da revanche dos monarquistas.” ·Outro momento de destaque nessa linha do tempo seria 1923. Nesse ano é decretada a chamada Lei Adolfo Gordo (que leva o nome do senador paulista). Mecanismo de cerceamento da atuação da imprensa, a lei tinha como alvo principal os anarquistas e comunistas (e o PCB havia nascido só dois anos antes). Os comunistas continuariam a ser perseguidos até 1983.

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Desde que Adão, Eva ou seja lá quem disse o primeiro "cala a boca", ela vem amarrando braços, silenciando vozes e tapando olhos com todos os tipos de cordas, mordaças e vendas possíveis. Agora, pela primeira vez, todo o arsenal material e simbólico que ela utilizou no Brasil está sendo reunido no mesmo espaço.

Ela, com o perdão da palavra, se chama censura, e toda a sua trajetória em território brasileiro ganha seu primeiro retrato de corpo inteiro no volume "Minorias Silenciadas - A História da Censura no Brasil", que a Edusp, a Imprensa Oficial de SP e a Fapesp estão lançando. Organizado pela professora de história da Universidade de São Paulo Maria Luiza Tucci Carneiro, esse mapeamento do silêncio involuntário ao longo da história nacional reúne artigos de 22 intelectuais de campos distintos. Eles começaram a empreitada há cinco anos. Em abril de 1997, Tucci Carneiro convocou a mesma escalação de pensadores para participar do seminário "Minorias Silenciadas", um dos módulos do colóquio Direitos Humanos no Limiar do Século 21, que o professor Renato Janine Ribeiro organizou para a USP.

"A idéia do trabalho era mostrar a diversidade de categorias de censura desenvolvidas no Brasil", conta Tucci. Autora de estudos importantes na área de racismo ou perseguição religiosa, como "O Anti-Semitismo na Era Vargas" (que está sendo relançado pela editora Perspectiva), ela pretendia focar especificamente como a censura atingia algumas minorias. O grupo de participantes do seminário (e agora do livro), que contou com professores renomados como a historiadora Anita Novinsky e o ensaísta e tradutor Boris Schnaiderman, alargou um pouco os limites do estudo. "Minorias Silenciadas", o livro, acabou por trazer um perfil abrangente de modelos de censura.

Reunidos com alguma referência cronológica, os artigos podem tratar do nascimento das primeiras instituições de repreensão em Portugal e Espanha, a mais notória delas o Santo Ofício da Inquisição, ou de censuras bem menos oficiais e aparentes, como as castrações simbólicas sofridas por uma moradora de uma favela de São Paulo que decide ser escritora, como o caso de Carolina Maria de Jesus (autora do best-seller dos anos 60 "Quarto de Despejo").

O maior número de textos, porém, aborda aqueles que Tucci Carneiro considera os "everestes" da censura brasileira.

"O século 20 é o auge da censura. E os seus dois grandes momentos são, claramente, o período Vargas, com o DIP e a polícia política atuando como aparatos censores e repressores, e, depois, a ditadura militar, sobretudo o período de 1968 a 1975", diz.

Fonte: Folha de S. Paulo, Ilustrada, 13/4/2002

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10 - Pesquisadora carioca dimensiona fronteiras entre jornalismo e literatura

Ernest Hemingway, Nelson Rodrigues, Lima Barreto, Graciliano Ramos, Machado de Assis e Ignácio de Loyola Brandão. O que estes homens têm em comum? O fato de terem dividido o tempo entre o dia-a-dia da redação e o fazer literário. Pensando nisso, a jornalista e pesquisadora Cristiane Costa  resgatou uma questão feita por João do Rio aos colegas de profissão no início do século passado: a atividade jornalística é prejudicial ou não a um aspirante a escritor? A partir desta pergunta, Cristiane, que é editora do suplemento literário Idéias, do Jornal do Brasil, iniciou pesquisa apoiada por uma bolsa da Fundação Vitae.

Além da pesquisa bibliográfica envolvendo 30 autores, foram ouvidos 18 jornalistas que se dedicam a escrever literatura atualmente. Ao contrário da geração dos anos 60/80, os jornalistas-escritores de hoje não estão mais preocupados, em sua maioria, com a questão brasileira. “Com as exceções de Marçal Aquino e Luís Ruffato, que nesse sentido, e também no histórico de seu trabalho jornalístico, parecem filiados à tradição da geração anterior, os autores demonstram pouquíssimo ou nenhum interesse em retratar o Brasil”, avalia Cristiane.

A idéia de estudar o tema surgiu durante o período de mestrado em Comunicação e Cultura na Escola de Comunicação da UFRJ. Cristiane se deu conta de que a maioria dos autores de literatura no Brasil começou no jornalismo. “Fiz um levantamento e vi que muita gente teve passagem por redações”, diz. Para restringir o universo de sua pesquisa, Cristiane não considerou cronistas ou colunistas. “Meu interesse é saber no que o texto jornalístico influencia a ficção”.

A pesquisa vem sendo realizada há cerca de um ano. Oitenta por cento do que Cristiane pretendeu fazer já está pronto. A edição em livro está programada para acontecer somente em 2004, pela editora Zahar. A jornalista dividiu as relações entre jornalismo e literatura em cinco períodos: o primeiro vai de 1808 a 1830; o segundo de 1840 a 1910; o terceiro de 1920 a 1950; o quarto de 1960 a 1980; o quinto trata da geração de 1990.

O comportamento desses autores enquanto jornalistas também vai se modificando com o passar do tempo. Se até meados da década de 50 as reportagens muitas vezes tinham um quê ficcional, dos anos 60 em diante esse hábito é completamente banido das redações. Durante entrevista por telefone, Cristiane lembra-se de uma frase de Nelson Rodrigues: “O jornalista mente pouco, muito pouco”.

Se o jornalista dos anos 70 e 80 calcava sua literatura na experiência do real – e o fato de trabalhar em editorias de Cidade e Geral não é mero acaso – o de hoje discute a própria cultura. “A desvalorização da experiência parece ser uma tendência da narrativa contemporânea”, analisa Cristiane. Ela reparou também que, com raras exceções, os escritores de hoje pertencem aos cadernos culturais.

Fonte: Portal Comunique-se, 11/4/2002

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11 - Imprensa maranhense do século XIX

Joaquim Serra, jornalista responsável pela edição do periódico Semanário Maranhense e escritor atuante na corte imperial, na segunda metade do século XIX, legou aos  conterrâneos um livro que inventaria o jornalismo da sua terra, publicado em 1883 pel,a Editora Faro & Lino, situada na rua do Ouvidor, na cidade do Rio de Janeiro. Sob o título “Sessenta anos de jornalismo – A imprensa do Maranhão, 1820-1880”, a obra teve repercussão imediata, suscitando uma segunda edição naquele mesmo ano. Desde então, integra a bibliografia da cultura maranhense, figurando na lista das obras raras, disputada pelo bibliógrafos.

Por iniciativa da equipe governamental liderada por Roseana Sarney, a obra foi reeditada no ano passado, integrando a coleção “Maranhão Sempre”, publicada e distribuída pela Editora Siciliano (São Paulo). O volume contém em apêndice uma série de notas que preenchem lacunas do texto original, além de oferecer informações historicamente contextualizadoras para o leitor deste início do século XXI.

Da mesma forma que o autor Joaquim Serra modestamente escondera-se sob o pseudônimo de Ignotus, nas duas edições iniciais, o responsável por esta terceira edição também evita proeminência, aparecendo apenas através das iniciais do seu nome próprio S. M. D. Em sua nota introdutória ele fornece breves informações sobre a significação do livro e do autor:

“Este livro é uma rara e valiosa peça bibliográfica, através da qual podemos acompanhar o desenvolvimento do jornalismo na Província do Maranhão ao longo de praticamente toda a duração do regime monárquico brasileiro”.

“Seu autor, como profetizando o destino que lhe caberia em sobrevivência, assinou-se apenas Ignotos. Trata-se de Joaquim Maria Serra Sobrinho (São Luis, 20.7.1838 – 29.10.1888), um desses tantos escritores notáveis de que o Maranhão fez safra abundante no século XIX, e de que erigiu seu monumento de glória através dos tempos.”

A obra pode ser adquirida através de pedidos à Editora Siciliano, email: esiciliano@siciliano.com.br ou nas lojas que essa rede livreira mantém na cidade de São Paulo.

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12 – Os 35 anos da Revista Exame
Eduardo Ribeiro

A revista Exame está em festa. Em maio, completa nada desprezíveis 35 anos de vida e comemora com uma super edição, com direito a depoimentos do sociólogo FHC, do guru Alvin Toffler, do mega empresário Antonio Ermírio de Moraes, do inovador Ricardo Semler, e um ensaio fotográfico com algumas das empresas-símbolos que nasceram ou se instalaram nos últimos 35 anos no Brasil, entre elas a Embraer, Natura e McDonald's. Será uma edição para resgatar o passado e se debruçar sobre o futuro.

E pensar que Exame nasceu como encarte despretensioso das revistas técnicas da Abril, entre elas a Máquinas e Metais, Químicas e Derivados e Transporte Moderno, publicações das quais a Abril decidiu se desfazer e que, felizmente, foram assumidas pelos respectivos editores, mantendo-se ativas até hoje. O encarte cresceu, encorpou, ganhou vida própria, prosperou e acabou por se transformar numa das mais prósperas unidades de negócios da Abril, dando origem a outros filhotes, como Info, Vip e Você S/A.

Há, na revista, um nome que é a própria história da publicação: Clayton Netz, diretor de redação que ali começou como repórter no final dos anos 70, sob o comando de Rui Falcão - atual secretário de Governo da Prefeitura de São Paulo, e homem forte da administração Marta Suplicy. Clayton passou por todas as mudanças e turbulências enfrentadas pela publicação nesse período, impondo-se tanto por seu talento profissional quanto pelo respeito conquistado interna e externamente.

Vários dos nomes que hoje continuam militando na imprensa passaram pela revista, dando sua contribuição para uma história de sucesso, caso de José Paulo Kupfer (Gazeta Mercantil), Antonio Machado de Barros (Cidade Bizz) e Paulo Nogueira (na própria Abril). Outros se despediram (obviamente que não definitivamente) do jornalismo, caso de José Roberto Guzzo, que mantém ainda vínculo com a Abril, em seu Conselho Editorial (se não houve alguma mudança nesse relacionamento), de Rui Falcão, que assumiu definitivamente seu lado político, como já vimos, e de Guilherme Velloso, transformado em head hunther, como diretor associado da PMC (Amrop Group), uma das mais conceituadas do Brasil.

Seriam precisos muitas linhas (e minutos de leitura) para listar aqui todos os nomes que ajudaram a construir a história da revista. E certamente correríamos o risco de esquecer nomes importantes. Fica aqui o convite-desafio para a própria revista render a homenagem aos seus pioneiros.

Justiça se faça também a Cláudia Vassallo, redatora-chefe (outra que construiu grande parte de sua carreira na revista), que está coordenando esta edição especial, a qual, de resto, matará as saudades de Hélio de Almeida, diretor de Arte de Exame na segunda metade dos anos 80, a quem foi encomendada a capa, além de registrar a volta (ainda temporária) de Maria Luisa Mendes (ex-Meu Dinheiro), na edição.

Aos colegas da revista, hoje liderada por Sidnei Basile, os parabéns e o desejo de vida longa.

Fonte: Portal Comunique-se, 25/4/2002

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13 – A curiosa História do jornal Notícias Populares
Miriam Abreu

  "Além de implementar uma série de inovações na imprensa brasileira, foi o primeiro jornal a falar a língua do povo", conta Dênis Moreira, um dos quatro autores do livro "Nada Mais Que a Verdade - A Extraordinária História do Jornal Notícias Populares". Resultado de uma pesquisa feita para a conclusão do curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, a publicação, escrita também pelos colegas Celso de Campos, Giancarlo Lepiani e Maik Rene Lima, foi lançada nesta terça-feira (23/4), em São Paulo.

Moreira recorda que ele e os colegas sempre gostaram muito de ler Notícias Populares, apesar de o diário ser considerado aquele que espreme e sai sangue. "Nos divertíamos muito lendo as manchetes", diz, referindo-se aos títulos como "Espírito de porco baixa em macumba" e "Broxa torra o pênis na tomada". 

O jornal despertou o interesse dos autores quando eles perceberam que não havia informações sobre a história do NP. "Também descobrimos que o Notícias Populares foi muito mais do que um jornal cujo estereótipo é conhecido por todos nós. Poucos sabem isso". Os autores descobriram que o NP foi o primeiro periódico a valorizar as manchetes e utilizar textos curtos com fotos grandes e ilustrativas, além de abordar a economia popular. Começou a fazer a cobertura da vida das celebridades, quando deu destaque à Jovem Guarda, ajudando Wanderléa, Erasmo Carlos e Roberto Carlos a se tornarem populares. Também foi o primeiro órgão de imprensa a ter uma coluna voltada exclusivamente para os homossexuais, o 'Espaço Gay'.

Além de lerem quase todas as edições do NP, os autores entrevistaram jornalistas que passaram pela redação do diário. Conversaram também com Herbert Levy, dono da Gazeta Mercantil, que financiou o jornal, seu filho Luiz Fernando Levy e Giulietta Mellé, viúva do criador.

HISTÓRIA

A idéia de criar o NP partiu de Jean Mellé (1910-1971), um romeno que chegou ao Brasil em 1958. O fundador foi trabalhar no Última Hora, onde escrevia uma coluna para a editoria Internacional. Mas ele se demitiu porque não aceitava a orientação política do periódico, que era alinhado à esquerda. Com o projeto do NP embaixo do braço, Mellé procurou Levy e conseguiu convencê-lo a investir.

A proposta do NP era combater o esquerdismo através de matérias voltadas para as camadas populares. Tornou-se um vespertino anticomunista. "Caprichavam com reportagens sobre sexo, crimes e assuntos sobrenaturais", lembra Moreira.

Em 1965, logo depois do golpe militar, Levy, militante da UDN, decidiu vender o jornal para a dupla Octávio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho. Mellé continuou na redação trabalhando como editor. Foi nessa época que o NP passou a enfatizar notícias policiais, esportivas e sobre a vida das celebridades.

Mas foi na década de 70, mas precisamente em 1975, que o períodico bateu o recorde de venda em bancas, quando publicou histórias sobre o bebê-diabo, que virou um marco no jornalismo brasileiro. Os leitores tanto acreditaram na figura lendária que a redação criou uma saga para ela. Durante 27 dias, o bebê-diabo esteve na primeira página. Algumas pessoas chegaram até a ligar para a redação dizendo que tinham visto a figura.

A partir de 1983, Notícias Populares passou a destinar colunas a minorias, fossem elas religiosas ou étnicas. Foi então criada uma seção GLS. Os jornalistas também fizeram questão de destinar um espaço para a "Coluna do Machão". Na mesma página, ficava a também pioneira coluna "Tudo sobre sexo".

Em 1990, as principais matérias eram voltadas para sexo e sensacionalismo. As manchetes são chocantes: "A morte não usa calcinha", "Bicha põe rosquinha no seguro" e "Aumento de merda na poupança".

Até Zé do Caixão foi correspondente do NP. Em 1994, ele foi fazer a cobertura do GP Brasil de Fórmula 1. Chamou tanta atenção durante os treinos que a Associação dos Construtores cassou sua credencial. Uma das grandes gafes do Senhor das Trevas foi "benzer" o carro de Roland Ratzemberger. No texto, ele informava que tinha exorcizado a Simtek do piloto com "a força das trevas". O piloto acabou não se classificando para a corrida e, dois meses depois, sofreu um acidente em Imola e morreu a bordo da Simtek.

O lançamento do Agora S. Paulo, em 1999, desprestigiou Notícias Populares. Não havia dinheiro para melhorar sua estrutura ou produzir grandes campanhas. "Acho que dentro do Grupo Folha o NP era visto com uma certa desconfiança. O jornal era diferente, exagerado nas reportagens". O grupo descontinuou o diário a 20 de janeiro de 2001.

"Nada Mais Que a Verdade - A Extraordinária História do Jornal Notícias Populares" foi publicado pela Carrenho Editorial. O livro tem 280 páginas e custa R$ 32.

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14 - FENAJ divulga teses sobre a formação superior em Jornalismo

A Federação Nacional dos Jornalistas lançou em Porto Alegre, durante o 5° Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (28 a 30 de abril) , em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina, o livro Formação Superior em Jornalismo: uma exigência que interessa à sociedade, reunindo 24 artigos e documentos escritos por profissionais da área, professores e especialistas.

O livro traz artigos publicados no site do Observatório da Imprensa, em publicações especializadas e feitos sob encomenda diretamente aos autores, logo após a decisão da juíza-substituta Carla Rister, de São Paulo, eliminando a exigência de curso superior em jornalismo como requisito para o registro e o exercício profissional.

Entre os articulistas, estão os jornalistas e professores Nilson Lage (À frente, o passado), Elias Machado (O direito do cidadão ao conhecimento público), Iluska Coutinho (Responsabilidade social exige formação do jornalista), Rosa Nívea Pedroso (A questão não é o diploma, mas o ensino), Jacques Mick (Para além do diploma e do canudo),  Rogério Christofoletti (O jornalismo é uma profissão, sim!), Josenildo Luiz Guerra (Diploma e liberdade de expressão), Alfredo Vizeu (Jornalismo e construção social da realidade), Álvaro Larangeira (A equivocada cruzada dos suseranos da imprensa) e Tattiana Teixeira (De novo a velha questão: o porquê do diploma). Há textos dos jornalistas Agnaldo Charoy Dias (De novo, o diploma), Antônio de Oliveira (Sem canudo e sem ética), Cláudia Rodrigues (O patronato e as novas “coalizões”), Clóvis Augusto de Melo (Patrão, o maior interessado) e  Nathália Kneipp Sena (Toda meritocracia será castigada).  O livro inclui um capítulo destinado à posição da Fenaj, no qual são publicados artigos da presidente Beth Costa (Diploma em jornalismo: uma exigência que interessa à sociedade), da Diretora de Educação da entidade, Valci Zuculoto (Formação superior e qualidade de ensino), e do presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Fred Ghedini (Jogo dos sete erros: desmascarando algumas falácias sobre a regulamentação profissional dos jornalistas). Estão incluídos, ainda, trecho da decisão da juíza Carla Rister e artigos dos jornalistas Mino Carta (Por ora, não precisamos de diploma) e  Alberto Dines (A questão não é do diploma , mas do canudo). O livro, com 136 páginas, foi produzido pela  Cátedra FENAJ-UFSC de Jornalismo para a Cidadania. Teve produção gráfica, capa e editoração eletrônica das acadêmicas do Curso de Jornalismo da UFSC, Luciany Alves Schlickmann e Raquel Sabrina, sob a supervisão do prof. Francisco José Karam.

Durante o mês de maio, o livro será lançado em vários estados brasileiros, em promoção conjunta de sindicatos e cursos de jornalismo. O projeto do livro, juntamente com a produção de novos materiais, como cartazes e boletins, integra o Programa de Qualidade de Ensino da Fenaj, subscrito pelas principais entidades acadêmicas da área, como Intercom, Abecom, Enecos, Compôs e Fórum Nacional de Professores de Jornalismo. E faz parte de campanha de debates sobre a formação superior em jornalismo e a qualidade do ensino, sobre a regulamentação e o registro profissionais e sobre a relação do jornalismo com a sociedade.

 

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