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Revista Acadêmica do Grupo Comunicacional de São Bernardo
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Ano 3 - nº 5 - (janeiro/junho de 2006)


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Textos originais, revisados pelos membros do conselho editorial  


 

POSITIVISMO & PÓS-POSITIVISMO

 

Nanci Maziero Trevisan

Grupo de São Bernardo
Doutoranda em Comunicação pela Metodista


Trabalho desenvolvido  em Junho de 2003 para a disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica, docente Prof. Dr. Isaac Epstein, Curso de Pós-Graduação - Doutorado - em Comunicação Social, da Universidade Metodista de São Paulo.

 

 

 RESUMO

 

Neste texto procuramos traçar um panorama geral acerca do que foi o positivismo, sua origem e evolução, seu principal expoente em Augusto Comte, suas principais idéias e postulados. Na seqüência abordamos o pós-positivismo e os contrapontos com relação ao positivismo. Finalmente, tomamos o positivismo e, mais especificamente, as matrizes filosóficas do pós-positivismo como quadro de referência teóricos no desenvolvimento de nossa tese de doutoramento.

 

SUMÁRIO
 

1.

Histórico do pensamento filosófico positivista

 

2.

Os fundamentos do positivismo

 

3.

O positivismo como quadro de referência teórico na pesquisa em ciências sociais

 

4.

O pós-positivismo ou neopositivismo

 

5.

O pos-positivismo e a comunicação digital

 

 

Referências bibliográficas

 

 

 

1.       Histórico do pensamento filosófico positivista

Em torno do final do século 16, pela ação combinada dos preceitos de Bacon, das concepções de Descartes e das descobertas de Galileu, marcou-se um momento em que o espírito da filosofia positiva começou a pronunciar-se em oposição ao espírito teológico e metafísico. O positivismo surge então, na Europa no início do século 19 como um triunfo do liberalismo europeu, cujo preceito básico era que a natureza humana seria a base da própria lei natural, e do cientificismo que reconhecia uma só natureza material unindo o mundo dos fatos e dos valores.

A transformação da estrutura racional apriorística do liberalismo ocorre numa tentativa de conciliação com o empirismo. A contestação do racionalismo abstrato pelo cientificismo traz à tona uma outra percepção: a de que os fatos só são conhecidos pela experiência. Passa então, o positivismo, a dominar o pensamento típico do século 19 como método, cuja base estava na certeza rigorosa dos fatos de experiência como fundamento da construção teórica, e como doutrina, na medida em que buscava a revelação da própria ciência.

O fundador do positivismo foi Augusto Comte[1] que, tomando como base a antigüidade clássica e seus pensadores, observou que o problema basilar da filosofia havia sido até os seus dias, a explicação da estrutura do universo, descobrindo-lhe o elemento essencial, à custa de cujas modificações se criavam as coisas percebidas. Comte verificou que esta filosofia diversificou-se, ao longo dos séculos, nas diversas ciências existentes, tomando isto como ponto de partida para seu pensamento: um novo papel para a filosofia, um novo objeto. Sob a visão de Comte, todos os sistemas pareciam dar como possível o conhecimento do absoluto pela razão humana, e o positivismo veio contrapor-se a isto, ou seja, contesta esta possibilidade. Sob a visão positivista, não há possibilidade de conhecer o absoluto pela razão humana, portanto, devemos ater-nos aos fatos perceptíveis.

As bases para a proposta de Comte, demonstradas no seu livro "Cours de Philisophie Positive", sofrem influência de Saint-Simon, na sociologia, Gall e Broussais, estes últimos com a noção de que os únicos processos válidos de investigação residem na determinação dos fatos e suas relações, conforme cita (COMTE, p. 10): "As mais diretas fontes do positivismo são as doutrinas sociais de Saint-Simon, combinadas com os trabalhos dos ideólogos, especialmente Cabanis e dois naturalistas: Gall e Broussain".

 A proposta de Comte apresenta-se como (COMTE, P.11): "os fatos só são conhecíveis pela experiência e a única válida é a dos sentidos", dando continuidade à filosofia sensualista de Condillac, modificada por Cabanis.

A filosofia positiva está explicada na obra de Comte citada anteriormente, e ainda em: "Discours sur L`Esprit Positif" e "Systéme de Politique Positive", este no campo da antropologia. Comte começa a entender que, nas quatro categorias principais de fenômenos naturais agrupados então: astronômicos, físicos, químicos e fisiológicos, nota-se uma lacuna referente aos fenômenos sociais, que merecem formar uma categoria distinta, e contribui para a fundação das bases da sociologia (COMTE, p.13).

Além disto, neste momento, Augusto Comte tinha três preocupações fundamentais:

1.       Filosofia da história - onde se encontram as bases da filosofia positivista e a "lei dos três estados", que trata da evolução do pensar humano do teológico para o metafísico, e deste para o positivo;

2.       Fundamentação e classificação das ciências;

3.       Elaboração de uma disciplina para estudar os fatos sociais (sociologia), denominada por ele como física social, a princípio;

TRIVIÑOS (p.33) distingue três momentos na evolução do positivismo:

Uma primeira fase, que é chamada de positivismo clássico, na qual, além do fundador Comte, sobressaem os nomes de Littré, Spencer e Mill. Em seguida, ao final do século 19 e princípios do século 20, o empiriocriticismo de Avenarius (1843-1896) e Mach (1838-1916). A terceira etapa denomina-se, em geral, neopositivismo e compreende uma série de matizes, entre os quais se podem anotar o positivismo lógico, o empirismo lógico, estreitamente vinculados ao Círculo de Viena (Carnap, Schlick, Frank, Neurath, etc.); o atomismo lógico (Russell, 1872-1970, e Wittgenstein 1889-1951); a filosofia analítica (Wittgenstein e Ayer, n.1910) que acham que a filosofia deve ter por tarefa elucidar as formas de linguagem em busca da essência dos problemas; o behaviorismo (Watson, 1878-1958) e o neobehaviorismo (Hull, 1884-1952, e Skinner, n.1904). O neobehaviorismo tomou as idéias de Pavlov e substituiu a base materialista deste pelas concepções do positivismo lógico e do operacionalismo. O pragmatismo (James, 1842-1910), irracionalista e empirista radical, e Dewey (1859-1952), primeiro seguidor dos pontos de vista de Hegel, em seguida do positivismo, para terminar criando uma nova escola, denominada instrumentalismo ou naturalismo humanista, de grande influência na filosofia norte-americana. Dewey influenciou na educação dos países da América Latina. Na política, desenvolveu os princípios da democracia liberal e do individualismo. Todos estes matizes do neopositivismo conservam os traços fundamentais do pensamento de Comte: os de serem idealistas e subjetivos.

 

Para compreender ainda o momento do surgimento do positivismo, devemos entendê-lo como uma reação à filosofia especulativa, representada especialmente pelo idealismo clássico alemão, que impregnava o pensamento europeu da época. O positivismo foca os fatos, troca o imaginário, o metafísico pelo real e observável, em busca de uma explicação do fenômeno em si, descartando suas origens e seus fins.

 

2.       Os fundamentos do positivismo

COMTE (p.16), observa sobre a formação do ideal positivista:

A filosofia tornou-se mera exposição declamatória da história da filosofia. Não tinha já outro objeto e tudo o que se tinha dito e redito sobre o absoluto e as causas finais não fizera avançar o espírito humano mais do que as descobertas que se haviam realizado pela via experimental. Era para este canpo que os espíritos se deveriam orientar, a organização positiva do saber.

A partir desta perspectiva, e buscando explicar a verdadeira natureza e o caráter próprio da filosofia positiva, Comte (COMTE, p. 19) preocupava-se com a "marcha progressiva do espírito humano", e acreditava que havia descoberto uma lei fundamental onde cada uma das concepções principais passa por três estados teóricos ("lei dos três estados"):

-          teológico ou fictício

-          metafísico ou abstrato

-          científico ou positivo

A constituição da ciência ocorre no terceiro estado, segundo Comte (RIBEIRO Jr, p. 21), ou seja, a evolução do conhecimento humano deu-se, e ressalta ele, com bastante propriedade, de acordo com o próprio amadurecimento da razão humana e sua capacidade de conhecimento. Comte separa as ciências concretas (mineralogia, botânica e zoologia), das abstratas (matemática, astronomia, física, química, biologia e sociologia), organizando-as numa ordem lógica e cronológica.

As idéias básicas do positivismo clássico de Comte, podem ser resumidas neste trecho da obra "Cours de Philisophie Positiv" (COMTE, p.20):

No estado positivo, o espírito humano reconhecendo a impossibilidade de obter noções absolutas, renuncia a procurar a origem e o destino do universo, e a conhecer as causas íntimas dos fenômenos, para se entregar unicamente a descobrir, pelo uso bem combinado do raciocínio e da observação, as suas leis efetivas, isto é, as relações invariáveis de sucessão e semelhança. A explicação dos fatos, reduzida então aos seus termos reais não é, daqui em diante, mais do que a ligação estabelecida entre os diversos fenômenos particulares e alguns fatos gerais, cujo número os progressos da ciência tendem cada vez mais a diminuir.

Acrescentamos ainda sobre as idéias básicas do positivismo, segundo TRIVIÑOS (p. 34), os itens:

-          a especialização é necessária, mas não exagerada, havendo necessidade de uma instrução fundamental sobre todas as classes de fenômenos naturais;

-          o estudo das ciências possui algo muito mais elevado do que o de atender o interesse da indústria;

-          faz-se necessária a submissão da imaginação à observação, mas não a ponto de transformar a ciência em mera acumulação de fatos incoerentes;

-          a função essencial da ciência é sua capacidade de prever, o exercício das funções intelectuais "exige uma combinação de estabilidade e atividade, donde resultam as necessidades simultâneas de ordem e progresso, ou de ligação e extensão" (COMTE apud TRIVIÑOS, p. 35).

A palavra positivo possue cinco acepções, segundo COMTE, (TRIVIÑOS, p. 35):

-          real em oposição a quimérico: o espírito humano deve investigar sobre o que é possível conhecer;

-          útil em oposição a ocioso: deve-se tomar a conhecer tudo o que seja destinado ao aperfeiçoamento individual ou coletivo;

-          certeza em oposição a indecisão;

-          precisão em oposição ao vago/indefinido (objetividade);

-          positivo em oposição a negativo: o objetivo da filosofia positiva é organizar, agregar e construir;

A palavra de ordem do positivismo é desprezar a inacessível determinação das causas, em busca de relações constantes entre os fenômenos, substitui-se o "a priori" por "a posteriori" (RIBEIRO Jr, p. 15) sendo portanto:

Uma filosofia determinista que professa, de um lado, o experimentalismo sistemático e, de outro, considera anticientífico todo o estudo das causas finais. Assim, admite que o espírito humano é capaz de atingir verdades positivas ou da ordem experimental, mas não resolve as questões metafísicas, não verificadas pela observação e experimentação.

O método de trabalho inerente ao positivismo é "histórico genético indutivo", conforme classifica RIBEIRO Jr (p. 15), ou seja, observação dos fatos e definição, por indução, das leis de coexistência e sucessão, e dedução por conseqüência e correlação, chamado de "método objetivo", e ainda, "método subjetivo", resultante da combinação da lógica dos sentimentos, imagens e sinais.

Ainda segundo COMTE (p. 63), a filosofia positiva apresenta algumas propriedades:

1.       Fornece-nos o único verdadeiro meio racional de pôr em evidência as leis lógicas do espírito humano;

2.       Propõe uma reorganização positiva da educação, num sentido de educação racional, calcada na observação lógica dos fenômenos, como uma base filosófica para o estudo e compreensão das diversas vertentes das ciências naturais;

3.       Contribuir para os progressos particulares das diferentes ciências positivas, e na solução de questões que exigem a combinação de várias ciências;

4.       Única base sólida da reorganização social que deve pôr termo ao estado de crise em que se encontram há tanto tempo as nações mais civilizadas;

Comte buscava a homogeneidade de métodos e tinha a pretensão de resumir num só corpo de doutrina homogêneo, o conjunto de conhecimento adquiridos, relativamente às diferentes ordens de fenômenos naturais. RIBEIRO Jr faz uma observação no prefácio, acerca da exarcebada pretensão de COMTE com relação à sua filosofia como fruto das paixões que o envolviam e o tempo em que ele viveu.

A doutrina positivista pode ser considerada sobre quatro aspectos (COMTE, p.22):

1.       Psicológico - Comte denominava a psicologia como "moral teórica", tomando a teoria de Gall e Bichat, e as explicações de Broussais, entendia a alma como um conjunto de funções cerebrais;

2.       Ontológico - Comte negava as causas eficientes e finais, o infinito e o absoluto, para reconhecer apenas o relativo, fenomenal, útil ("tudo é relativo, e isso é a única coisa absoluta");

3.       Sociológico - o fundados visualizava a divisão dos poderes sociais em material, intelectual e moral: "A sociedade é um organismo cujas partes constitutivas são heterogêneas, mas solidárias na conservação do conjunto. A evolução social é harmônica e progressiva. O estatuto da estrutura social divide-se em: (ordem social) e dinâmica social (evolução)".

4.       Religioso - para Comte a humanidade era o "le Grand Étre" (o Grande Ser), e a religião positiva teria como base uma "fórmula" dividida em moral e estética ("viver para outrem") e política e científica ("ordem e progresso")[2];

Em resumo, o positivismo opõe-se ao desenvolvimento de um conhecimento baseado apenas no raciocínio lógico, que imaginava poder a razão humana tudo conhecer. Fundamenta-se no empirismo, na experiência, na observação de fatos cognoscíveis e, a despeito de uma certa megalomania por parte de Comte, a contribuição do positivismo é inegável em todas as ciências, especialmente na sociologia, traçando bases teóricas e metodológicas que são ainda válidas.

 

3.       Positivismo como quadro de referência teórico na pesquisa em ciências sociais

Em Bruyne, Herman e Schouteet (p.136), buscamos a aplicação da filosofia positivista e seus preceitos como quadro de referência teórica para a pesquisa em ciências sociais. Quadros de referência teórica constituem (BRUYNE, p. 133) "uma espécie de matriz disciplinar que reagrupa um conjunto de paradigmas, um conjunto de conhecimentos científicos, cuja função é clarificar e orientar, fecundando as teorias e permitindo colocar mais facilmente uma quantidade de hipóteses de trabalho particulares, mais operacionais e rigorosas".

O quadro de referência fornece um registro dos hábitos metodológicos, sistematizando as proposições, as idéias e diretrizes que dão subsídio às matrizes que norteiam um estudo. Desta forma, para o positivismo, a teoria enquanto tal é supérflua ou inacessível, só importando as leis abstratas, destacadas sob forma de generalizações empíricas. Em vez de teorização, trata-se de elaborar uma conceituação abstrata, podendo chegar a toxonomias "genéricas", a tipologias "concretas" (BRUYNE, p. 135).

A característica própria do quadro de referência positivista nas ciências sociais é a pesquisa, através da observação de dados da experiência e das leis gerais que regem os fenômenos sociais. A constância ou a regularidade dos fenômenos constatados leva a generalizar a partir deles, isto é, formular leis positivas.

BRUYNE (p.136) comenta sobre a posição epistemológica do positivismo, quanto a explicar os fatos sociais pela sociedade, não pelo indivíduo:

A posição epistemológica de base do positivismo é a recusa da apreensão imediata da realidade, da compreensão subjetiva dos fenômenos, da pesquisa intuitiva de suas essências. Ele (Comte) quer evitar uma interpretação “psicologizante” do social na qual “o indivíduo” determina toda a explicação.

Desta forma, entende-se que o conhecimento sociológico só pode basear-se nas observações e na experiência, nos caracteres exteriores, objetivamente manifestos, dos fatos sociais, e não na subjetividade de fatores não manifestos pelo indivíduo.

Em termos de pesquisa, ainda como quadro de referência teórico, a “atitude positivista” (BRUYNE, p. 137) é caracterizada, quanto ao método, pela subordinação da imaginação à observação. O fato social é uma coisa, no sentido de objeto de conhecimento não naturalmente penetrável pela inteligência, ou seja, coisa é tudo aquilo que não podemos formar uma noção adequada por um simples processo de análise mental, para conhecer é necessária a observação e a experimentação, migrando dos caracteres exteriores aos mais inacessíveis e profundos.

Quanto ao projeto característicamente positivista, BRUYNE (p.137) diz que é preciso “substituir toda abordagem intelectual que recorre a causas sobrenaturais ou metafísicas pela observação e formulação de leis que organizam a sociedade, ou seja, observar os fenômenos e fixar ligações regulares que podem existir, mas renunciando a descobrir as causas dos fatos, contentando-se em estabelecer leis que os dirijam”.

No positivismo, a indução das leis ocorre na conformidade entre enunciados hipotéticos, pela constância de um fenômeno ou pela regularidade entre dois ou mais fenômenos e observações empíricas, numa lógica comparativa. Estas leis, ou a busca por similitudes e relações, vão além do simples paralelismo dos valores pelos quais passam dois fenômenos, contanto que tenha sido observado num número suficiente de casos suficientemente variados, é a prova de que existe uma relação entre eles.

A generalização empírica implica numa concomitância constante entre fenômenos que, colocada como geral, tem efeito de lei, produzida por uma indução amplificadora, aplica-se a todos os casos a relação afirmada por alguns. Essa lei pode enunciar tanto uma ligação de simultaneidade, quanto uma ligação de sucessão entre fenômenos, sendo, no primeiro caso, a descrição dos caracteres estruturais da sociedade, os elementos constitutivos da organização social e a relação entre os elementos que realizam a coexistência social, sobretudo a ordem e o consenso social. No segundo caso, as leis indicam uma sucessão temporal de fenômenos, no sentido de uma “dinâmica social”, etapas do desenvolvimento das sociedades humanas e seu progresso.

Nos dois casos citados acima, o objetivo é encontrar uma descrição, ou seja, a lei explicitando o que acontece, fundada na observação do fato real e no nível de adequação ao conhecido, onde a previsão só é possível como uma manifestação de constância e repetição, numa perspectiva de continuidade e homogeneidade. Sob estes aspectos, a abordagem positivista recorre facilmente à quantificação e à análise estatística, focando a precisão, correlação entre variáveis com rigor e clareza específicos. BRUYNE (p. 139) cita:

Quer seja pelo estabelecimento das leis que organizam a sociedade e sua história (lei dos três estados de Comte), pela distinção do patológico em relação ao normal (Durkheim, sociologia do desvio) ou ainda pela análise dos “problemas sociais”, o positivismo visa a dedução de preceitos a partir da observação das regularidades. Da lei constatativa passa-se então para a lei prática, do saber ao poder.

 

4.       Pós-positivismo ou neopositivismo

A filosofia positivista de Comte é seguida por duas escolas: a francesa de Littré e Taine, e a inglesa de Spencer e Stuart Mill. O pensamento político-social sofre influência marcante da biologia, a sociedade é vista como um organismo com estruturas e funções. Com base nesta visão organicista do estado e do individualismo liberal da época, deu-se o embasamento do evolucionismo social de Herbert Spencer, segundo afirma RIBEIRO Jr (p.43), manifestos em suas obras: “Princípios de Sociologia”, “Estática Social” e “O homem contra o estado” (obras do século 19). Esta última caracteriza uma das declarações mais positivistas que já se fizeram sobre a doutrina do “laissez-faire” extremado.

A evolução spenceriana (RIBEIRO Jr., p. 44), repousa em três proposições fundamentais: (1) instabilidade do homogêneo, (2) multiplicação dos efeitos e (3) segregação pelo movimento. Estas proposições derivam em mais quatro: (a) persistência das relações entre as forças ou uniformidades da lei, (b) transformação e equivalência das forças (não se perdem, mas se transformam), (c) movimento pelo caminho da menor resistência ou de maior atração e (d) ritmo alternante do movimento.

Spencer nega a validez da “lei dos três estados” de Comte, mas aceita sua teoria da evolução da sociedade, do simples ao complexo, da independência à dependência mútua. Spencer equaciona ainda, as semelhanças e diferenças mais importantes entre a sociedade e o organismo animal, aprofundando algumas proposições instituídas por Comte:

Semelhanças:

1.       Distingue-se da matéria inorgânica por aumento de massa e crescimento visível durante uma grande parte de sua existência;

2.       Ambos aumentam de tamanho, complexidade e estrutura;

3.       Diferenciação de funções em virtude da progressiva diferenciação de estrutura;

4.       A evolução estabelece diferenças conexas que se tornam reciprocamente possíveis;

5.       Todo organismo é uma sociedade;

6.       A vida do todo pode destruir-se e as unidades continuarem a viver por algum tempo;

 

Diferenças:

1.       O organismo individual é um todo concreto cujas partes estão em contato íntimo, enquanto no social o todo é discreto e as unidades estão mais ou menos dispersas;

2.       O organismo individual tem em suas partes uma diferenciação funcional clara, já o social nem sempre;

3.       No organismo individual as unidades coexistem para o bem do todo, no social o todo existe para o bem dos membros individuais;

 

A evolução marcada por Spencer é a visão de que o estado é um organismo que evolui, independente da ação dos dirigentes, mas em virtude da sua própria efervescência interna, do movimento do próprio meio social em prol da harmonia e do bem geral. O governo funciona como uma unidade reguladora, protetora, cuja evolução social significaria uma ação governamental mínima e liberdade individual máxima.

O pós-positivismo ou neopositivismo manifestou-se, em alguns momentos, como uma evolução da filosofia positivista, em outros como uma crítica ou dissidência de alguns pensadores aos preceitos positivistas. Surgido no século 20, o neopositivismo foi uma corrente filosófica de matriz empirista, e que considera que a grande tarefa da filosofia é a análise da linguagem, acabando com os pseudo-problemas filosóficos. Uma das formas mais conhecidas atualmente desta corrente é a filosofia analítica. O neopositivismo defende a adoção do método científico nas ciências sociais, preferindo modelos experimentais com teste de hipóteses, tendo como objetivo último, a formulação de teorias explicativas de relações causais.

O neopositivismo também rejeita a metafísica (TRIVIÑOS, p. 37), mas por razões diferentes das sustentadas por Comte: não acha que o conhecimento metafísico deva ser rejeitado porque seja falso, mas porque suas proposições carecem de significado. E esta é  uma das muitas diferenças que se podem estabelecer entre o positivismo clássico e o neopositivismo, especialmente pelo que está representado pelo “Círculo de Viena”, o denominado positivismo lógico.

Em “Enciclopédia Simpózio[3] da Universidade Federal de Santa Catarina, cita-se que:

O neopositivismo alemão deriva do empirio-criticismo alemão, e conduziu avante o positivismo sensista e nominalista do século 19, com a diferença que, enquanto o positivismo cuidava do exame das relações constantes entre os fatos da natureza, como se fossem leis imutáveis desta natureza, a novidade do neopositivismo está em concentrar-se no exato valor destas relações. Pensaram muitos destes neopositivistas em reduzir estas relações a relações sintáticas de linguagem, a afirmações formais cujo sentido era necessário inquirir e determinar. Então, as relações conhecidas passaram a ser diluídas criticamente a esta linguagem mental. O resultado foi considerar a ciência como um saber fragmentário, jamais definitivo, sujeito a revisões constantes.

O expoente deste neopositivismo foi o Círculo de Viena (Wiener Kreis), surgido por iniciativa de Moritz Schlick (1882-1926), em 1924. Em 1929 foi publicado um folheto que versava sobre seus princípios intitulado “Concepção científica do mundo – o círculo de Viena”. Hahn, Menger, Goedel, Frank, Neurath e filósofos como Rudolf Carnapp e outros, fizeram parte dos trabalhos deste núcleo que, com o advento do nazismo, acabou por difundir-se. O Círculo de Viena foi responsável por diversos encontros internacionais e por uma revista chamada “Erkenntnis” (conhecimento), que circulou entre 1930 e 1940, difundindo o movimento neopositivista pela Europa e Estados Unidos.

 

Na Inglaterra, na volta do século 19 para o 20, novas formas de positivismo surgiram, algumas de inspiração própria, e outras resultantes do desenvolvimento geral da filosofia na Europa, agora em processo de integração global, ao menos no plano cultural. Atribui-se o estabelecimento do neo-realismo na Inglaterra a Jeorge Edward Moore (1873-1958), influído por Brentano de Meinong, do Continente. Dele participam figuras de importância no contexto da filosofia inglesa: Bertrand Russel (1872-1970), Alfred North Whitehead (1861-1948), C. Lloyd Morgan (1852-1936), J. Laird (1887-1946) e outros mais. O realismo de Samuel Alexander (1859-1938) é caso especial, no que concerne ao conceito de realidade emergente.

Ainda na “Enciclopédia Simpózio[4]:

Para o neopositivista, o conhecimento não cria apenas generalizações indutivas. As leis da lógica independem da experiência. São a priori, sintéticas, puramente tautológicas; todavia nada significam de novo. São como que regras de gramática, elaboradoras dos dados da experiência; são regras sintáticas, por sua vez apoiadas em princípios convencionados arbitrariamente. Tudo é pura posição (Setzung). O neopositivismo é um formalismo entre o positivismo clássico e o kantismo. Neste, no kantismo, os juízos sintéticos não são todavia tautológicos, como no neopositivismo, no qual os enunciados não ultrapassam a tautologia. Por isso, a filosofia, para o neopositivista, não é mais do que o estudo da sintaxe lógica dos enunciados científicos. Criando um sistema de signos, estes são os termos da linguagem científica. Carnap também vai aos detalhes, como por exemplo, a testabilidade e confirmabilidade das proposições. Tem sentido as proposições analíticas; as proposições não analíticas não têm sentido, salvo se for verificável. Todavia mais tarde tendeu a suavizar estas afirmativa. Distingue, a partir de 1941, entre probabilidade indutiva, ou lógica, e a probabilidade estatística.

Como manifestação do desenvolvimento da filosofia da ciência, o neopositivismo foi um dos movimentos mais marcantes do início do século 20. Dentre os seus defensores mais qualificados estão: Wittgenstein, Carnap e Russel. Diferentemente da proposta positivista, os neopositivistas dividem as ciências em dois grandes ramos: as lógico-matemáticas e as experimentais. As primeiras são constituídas por proposições analíticas, ou seja, tautológicas[5], as segundas são compostas por proposições factuais. As proposições lógicas e matemáticas, destituídas de conteúdo, não são mais do que regras para a utilização dos símbolos e a ordenação das proposições. As experimentais ou factuais são as empiricamente verificáveis: isto acontece se elas são traduzíveis em proposições de caráter empírico.

TRIVIÑOS (p.37), observa que foi o positivismo lógico ou neopositivismo que formulou o “princípio da verificação” (demonstração da verdade): será verdadeiro aquilo que é empiricamente verificável, ou seja, toda a observação sobre o mundo deve ser confrontada com o dado. Esta visão manifestou-se como uma das principais limitações do positivismo lógico, e foi levantada por Karl Popper, integrante do círculo de Viena, que escreveu (POPPER apud TRIVIÑOS, p. 39):

Em virtude da publicação do livro “Logik der forschung”, publicado em 1934, fui situado como membro dissidente do positivismo lógico que apenas sugeria uma substituição do critério de verificabilidade pelo critério de falseabilidade...não obstante, os próprios positivistas lógicos preferiam ver-me como aliado do que crítico. Todos sabem atualmente que o positivismo lógico está morto...receio que eu deva assumir esta responsabilidade.

Karl Popper rejeitava decididamente o empirismo em nome de uma certa espécie de racionalismo, formulando o que se denominou “racionalismo crítico”[6]. O controle das teorias, a corroboração das proposições científicas, segundo Popper, não é obtida diretamente, como querem os neopositivistas, recorrendo à verificação experimental, mas sim indiretamente, através do processo de falsificabilidade . Este critério estabelece que uma teoria pode ser considerada científica unicamente se satisfaz a duas condições: (1) ser falsificável, ou seja, poder vir a ser desmentida e contradita em linha de princípio e (2) não ter sido ainda provada como falsa de fato. O critério do estágio científico de uma teoria é a sua "falsificabilidade", ou "refutabilidade", ou seja a sua controlabilidade. O critério de demarcação entre teorias empíricas e não empíricas, não é a verificabilidade, mas sim sua falsificabilidade. Com efeito, uma lei científica jamais poderá ser inteiramente confirmada, ao passo que pode ser totalmente falsificada.

TRIVIÑOS (p.41) resume as evoluções do pensamento humano a partir do positivismo e do neopositivismo:

O positivismo, sem dúvida, representa, especialmente através de suas formas neopositivistas, como o positivismo lógico e a denominada filosofia analítica, uma corrente do pensamento que alcançou, de maneira singular na lógica formal e na metodologia da ciência, avanços muito meritórios para o desenvolvimento do conhecimento. Se bem que possamos considerar o Círculo de Viena o centro irradiador por excelência do neopositivismo, também devemos destacar o grupo de Moore na Inglaterra, a “Sociedade da Filosofia Empírica de Berlim” de Reichenbach e Hempel, o grupo de “Filosofia da Ciência” da América do Norte com figuras importantes como as de Nagel e Brigman e outros nomes de diferentes países. Muitos dos neopositivistas, na década de trinta, se deslocaram para a América do Norte, fortalecendo os princípios que, nessa linha, se cultivaram naquela nação. Uma das idéias que postulava Comte, da “necessidade de estabelecer uma relação fundamental entre a ciência e a técnica”, concretizou-se de maneira extraordinária no meio norte-americano, o que significou que a técnica não foi mais unicamente geometria, mecânica, química, etc, mas também política e moral. O resultado desta união da ciência e da técnica manifestou elevado desenvolvimento espiritual e material no país, que influenciou a vida social, econômica, política e, especialmente em relação às nações da América latina, educacional, de outros povos.

Faz-se necessário agora, traçar um paralelo entre o positivismo e o neopositivismo, de forma a compreendermos os pontos de evolução ou os pontos que mantiveram-se os mesmos. Conforme o texto “Competing Paradigms in Qualitative Research[7] temos:

 

QUESTÃO

POSITIVISMO

PÓS-POSITIVISMO

Objetivo

Explanação: predição e controle

Natureza do conhecimento

Verificar hipóteses fatos e leis

Hipóteses não falsificadas. Fatos ou leis prováveis.

Acumulação do conhecimento

Acúmulo de “blocos de conhecimento” acrescentados ao “edifício do conhecimento”. Ligações de causa e efeito.

Critérios de qualidade

Marcos convencionais de “rigor”. Validade interna e externa. Confiabilidade e objetividade.

Valores

Excluídos: influência negada;

Ética

Extrínseca

Voz

“Cientista desinteressado” informante de tomadores de decisão e de agentes de mudança.

Treinamento

Técnico e quantitativo.

 

Técnico quantitativo e qualitativo;

 

Teorias substantivas.

Acomodação

Comensurável.

Hegemonia

No controle das publicações, financiamento, promoção e carreira.

 

Quanto aos objetivos, percebe-se uma similaridade entre eles no positivismo e no neopositivismo, marcado pela preocupação com a possibilidade de explicação dos fenômenos tendo em vista a possibilidade de predição ou previsão, e os mecanismos de controle tanto do experimento quanto da previsão de resultados. No entanto, quanto a natureza do conhecimento, há uma diferença sensível: enquanto o positivismo procura verificar hipóteses, fatos e leis, o neopositivismo tem uma preocupação com hiposteses não falsificadas, ou fatos e leis que possam ser provados através do empirismo.

A acumulação do conhecimento ocorre da mesma forma nas duas matrizes teóricas, como se o conhecimento fosse formatado em blocos que se unem formando um todo maior, valorizando as causas e efeitos, tomando um bloco como base para a construção de um novo, num processo incessante de acumulação de conhecimento humano.

Um dos marcos do positivismo em oposição ao conhecimento existente na época em que surgiu, e que continuou presente no neopositivismo, foi a questão do “rigor” da pesquisa cientifica, ou seja, os critérios estabelecidos para verificação da validade interna e externa de um experimento, bem como os critérios de confiabilidade e objetividade. A linha mestra de ambos calcava-se na neutralidade da ciência ou, o cientista desinteressado, a pesquisa pelo conhecimento, não ligado a interesses industriais por exemplo, como ressaltava Comte, mas os cientistas como “informantes” de tomadores de decisão e agentes de mudança.

O positivismo e uma filosofia ou matriz teórica como foco quantitativo, dada a sua preocupação com a semelhança e reincidência de um fenômeno, por exemplo. Já o neopositivismo (ou pos-positivismo), alem da preocupação quantitativa, introduziu a questão do qualitativo na sua metodologia de pesquisa, abrindo espaço para questoes revelantes mas que não podiam ou não tinham como ser medidas em dados quantitativos, questões estas inerentes a sociologia ou ciências sociai.

As teorias de ambos são substantivas e há uma ação dos movimentos, tanto do pos quanto do positivismo, no controle das publicações, como ocorreu com o “Circulo de Viena”, quanto com financiamento e apoio aos pesquisadores de determinada escola.

A diferença e principal evolução que marcou o pos-positivismo, foi a preocupação em extrapolar a principal limitação do positivismo: “toda a observação sobre o mundo deve ser confrontada com o dado” (TREVISAN, p. 15), no sentido de que, a ciência para ser considerada valida ou, o fenômeno para ser estudado e verificado, não tem necessariamente que limitar-se ao visível, ao experimentável, a uma repetição, mas pode-se introduzir neste estudo os sentidos, a percepção, estudando-se muitas vezes um único caso valido. A observação do mundo não precisa ser confrontada com o dado, que muitas vezes não e visível ou possível de sentir, mas não menos concreto ou passível de ser estudado.

 

 

5. O pos-positivismo e a comunicação digital.

O objetivo deste trabalho foi aumentar os conhecimentos desta autora, com relação ao surgimento, evolução e contribuições do positivismo e do neopositivismo, como quadros de referencia teórica em pesquisa nas ciências sociais, objetivos que cremos ter alcançado. No entando, como segunda etapa, desejávamos identificar se estaríamos nos utilizando deste quadro como matriz teórica no desenvolvimento de nossa tese de doutorado, o que efetivamente não cremos que ocorreu.

Consideramo-nos neopositivista em virtude de existirmos num tempo que surge, efetivamente, fruto das transformações que foram iniciadas por Comte quanto a forma de enxergar o mundo e a metodologia de pesquisa, ou seja, a pesquisa de dados concretos, observáveis e passíveis de serem mensurados quantitativamente. No entanto, discordamos da matriz positivista pela própria limitação que encerra, a de que nem todos os fatos são observáveis ou podem ser medidos em quantidade, mas não menos relevantes.

O objeto que estaremos trabalhando na tese caracteriza-se como um “estudo de caso” que envolve a comunicação digital ou virtual. Estaremos estudando como uma comunidade amadora de astronomia ampliou suas relações nacionais e internacionais, obteve reconhecimento internacional e solidificou-se, utilizando como principal ferramenta de comunicação, a tecnologia virtual.

Desta forma, a comunicação funcionara aqui como um veiculo de transmissão e compartilhamento de um dado conhecimento, que antes restringia-se em virtude de limitações técnicas. Ao mesmo tempo estaremos analisando a tecnologia digital, aqui compreendidas como internet e informática, como mídias, no sentido de meios de comunicação, que possibilitaram ou facilitaram a expansão de uma comunidade que, de outra forma, demoraris mais tempo para se expandir ou poderia se restringir a poucos membros.

O estudo de caso e caracteristicamente uma pesquisa de caráter qualitativo, já que não teremos preocupação com similitude entre este e outros casos, e muitos menos estaremos procurando a repetição, menos ainda com preocupação de predição de qualquer espécie. Nestes pontos já nos colocamos muito aquém da matriz teórica positivista.

O estudo de caso é um dos vários modos  de  realizar   uma   pesquisa  sólida e tem vantagens e desvantagens que dependem de três   condições: (1)  o   tipo   de   foco   da   pesquisa; (2)   o   controle   que   o   investigador   tem   sobre   eventos comportamentais  atuais e (3) o enfoque no contemporâneo ao invés de  fenômenos  históricos.

 Em geral, estudos de casos se constituem na estratégia preferida quando o "como" e/ou o "por que" são  as  perguntas  centrais,  tendo  o investigador um pequeno controle sobre os eventos, e quando o enfoque está em um fenômeno  contemporâneo dentro  de algum contexto de vida real. Nosso estudo tendera a ser explicativo, buscando as causas concretas do fenômeno, e expositivo, no sentido de expor o caso na integra, porém, estaremos ainda nos aprofundamento nesta metodologia.

Assim, gostaríamos de registrar a contribuição da disciplina “Metodologia da Pesquisa Cientifica”, no sentido de nos colocar mais uma vez, em contato com tantas opções metodológicas, com a compreensão e percepção das possibilidades de cada uma. Foi para nos extremamente interessante ter contato com analise de conteúdo (protocolo, método, resultados, experiências, etc.), pesquisa quantitativa (questionários, formulários, possibilidades que oferece), gramática do poder, e tudo que tivemos acesso. Gostei da metodologia da disciplina, o formato dos seminários, a discussão sobre paradigmas e acredito que tenha sido oferecido um panorama bastante amplo das possibilidades.

Se esta autora tem dificuldade de se localizar quanto ao quadro de referencia teórico, deve-se a sua própria diversidade de formação e busca pessoal. Mas pudemos identificar onde não nos encaixamos, e acreditamos que isto já e uma grande vantagem.

 

 

Referências bibliográficas:

RIBEIRO Jr, João. O que é positivismo. Coleção primeiros passos. São Paulo: Brasiliense, 2001, n. 72.

COMTE, Augusto. Importância da filosofia positivista. Lisboa: Inquérito, 1939.

BRUYNE, Paul de; HERMAN, Jacques; SCHOUTHEETE, Marc. Dinâmica da pesquisa em ciências sociais. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1982, 2a ed.

Guba,Egon,G.;Lincoln,Yvonna,S. (1994).Competing paradigms in qualitative research.In: Denzin, Norman, Lincoln,Yvonna,S.(1994).Handbook of qualitative research.Thousand Oaks.Sage Publications

TRIVIÑOS, Augusto N.S. Introdução á pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.

 

 

Sites:

http://kant.fafich.ufmg.br/~scientia/art_mauro2.htm (acesso em 26.6.03)

http://www.terravista.pt/FerNoronha/2265/epistemologia.htm (acesso em 26.6.03)

http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y840.htm (acesso em 26.03.06)

 


 

[1] Isidore-Auguste-Marie-Xavier Comte, nascido em 19 de Janeiro de 1798 e falecido em 05 de Setembro de 1857, em Paris.

[2] A humanidade é o "Grande Ser", o princípio básico é "O amor por princípios, e a ordem por base; o progresso por fim" (RIBEIRO Jr, p. 28). "Viver para outrem" - subordinação do indivíduo à família, esta à pátria, e a pátria à humanidade. "Ordem e progresso" - organização para a perfeita orientação ética da vida social. A religião positivista baseava-se no conhecimento do mundo, concorrendo para o aperfeiçoamento moral, intelectual e prático da humanidade, que representa "a comunhão de todos os homens em uma contínua solidariedade no tempo e no espaço".

[3] Enciclopédia Simpozio – Universidade Federal de Santa Catarina – site: http//www.cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y840.htm (acesso em 26.03.03)

[4] “Enciclopédia Simpozio” – Universidade Federal de Santa Catarina – site: http//www.cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y840.htm – acesso em 26.06.03

[5] tautológicas: do Gr. tautología < tautó, o mesmo + lógos, assunto. s. f., vício de locução que consiste em dizer sempre a mesma coisa, em termos diferentes. (in Dicionário Universal da Língua Portuguesa – site: http://www.priberam.pt/DLPO/ acesso em 27.06.03

 

[6] também conhecido como: empirismo crítico, criticismo, falsificacionismo, etc.

[7] “Competing Paradigms in Qualitative Research” - Guba, E. & Lincoln, Y, 1994.