Documentação

ACERVO DA ESCOLA LATINO-AMERICANA DE COMUNICAÇÃO

Origem, objetivos, desenvolvimento e perspectivas

 

José Marques de Melo
Títular da Cátedra Unesco/Umesp

Maria Cristina Gobbi
Assistente Acadêmica da Cátedra Unesco/Umesp

 

 ORIGEM

Na década de 40 surgem os primeiros estudos sob a égide da Escola Latino-americana. São pesquisas que versam sobre jornalismo e propaganda, correspondendo às experiência vivida pelas novas gerações, que têm no mercado suas experiências reais. São produções desenvolvidas segundo "paradigmas convencionais da história e do direito, mas também influenciados pelos modelos emergentes das ciências do comportamento". (Marques de Melo, 1998:105). Posteriormente, nos anos 50, ampliam-se as temáticas para outras áreas do desenvolvimento da industria de comunicação. Forma-se assim, o embrião da Escola Latino-americana de Comunicação

O professor José Marques de Melo, ao implantar o programa de Doutorado em Comunicação Social na UMESP, a partir de 1995, buscou estabelecer um conjunto de atividades que pudessem desenvolver estudos comprometidos, de forma hegemônica, com o Pensamento Comunicacional Latino-americano.

Para que esta meta fosse atingida, a Cátedra Unesco/Umesp de Comunicação para o Desenvolvimento Regional, sob a orientação de seu Titular, professor José Marques de Melo e a UMESP (Universidade Metodista de São Paulo), têm seguido diversas estratégias operativas. Um dos primeiros passos foi dado pela UMESP, com a aquisição do Acervo Marques de Melo.

Trata-se de um repertório documental formado a partir da decisão das autoridades superiores da Universidade Metodista de São Paulo, no sentido de adquirir e integrar ao seu patrimônio um segmento substantivo da Biblioteca do Fundador do Curso de Pós-Graduação em Comunicação Social. Este lote é constituído por 10.000 volumes, correspondentes a aquisições bibliográficas e hemerográficas feitas pelo professor José Marques de Melo nas décadas de 60 e 70, anos decisivos para a sua formação acadêmica e sem dúvida representativos da sedimentação dos estudos comunicológicos no Brasil. Ao se aposentar na USP - Universidade de São Paulo, em 1993, depois de 34 anos de serviço, a UMESP, então em fase de transição para contituir-se em universidade, convidou o professor Marques de Melo a retornar aos seus quadros acadêmicos (onde atuara durante dez anos, durante o regime militar, período em que foi perseguido político e portanto privado de sua cátedra naquela universidade).

Da negociação para o seu retorno à UMESP constava o compromisso de aquisição do acervo bibliográfico instalado em seu escritório. Essa biblioteca, que tanto servira aos pesquisadores formados sob a sua orientação, fortaleceria o patrimônio documental do novo Curso de Doutorado em Comunicação Social, tornando-se fonte de referência para os estudantes da casa. Durante o primeiro triênio essa biblioteca particular foi processada para incorporação física ao lastro da Biblioteca Central da Umesp.

Agora em 1998 ela passa a integrar o Acervo da Escola Latino-americana de Comunicação.

OBJETIVOS E DESENVOLVIMENTO

A Cátedra UNESCO/UMESP, buscando reunir um volume ainda maior de documentos que resgatem a trajetória intelectual de personalidades e instituições paradigmáticas para a formação da Escola Latino-americana de Comunicação, particularmente responsáveis pela construção de matrizes teóricas sobre o papel da comunicação nos processos de desenvolvimento, está desenvolvendo: a) pesquisas: que visam a construção de diagnósticos situacionais e perfis bio-bibliográficos de instituições e de pesquisadores que contribuíram e contribuem para desenvolvimento e divulgação deste pensamento; b) Ciclos de Estudos.

O Acervo da Escola Latino-americana de Comunicação, atualmente em fase de organização no novo espaço construído especialmente para abrigar este importante centro de documentação, está sob a supervisão do professor José Marques de Melo, Titular da Cátedra Unesco/Umesp, Maria Cristina Gobbi e Rosângela Zomignan, assistentes acadêmicas. Com o objetivo de inventariar, resgatar e avaliar as tendências do conhecimentos comunicacional contemporâneo produzidos na América Latina, buscando identificar a trajetória intelectual de personalidades e instituições que congregam e estimulam a continuidade dessas reflexões. Esse conjunto de elementos vem ensejando o registro de informações primárias a serem posteriormente trabalhadas pelos historiadores do campo, possibilitando através do registro dessas informações, a criação de um núcleo científico em processo de construção/legitimação na sociedade brasileira.

Os diversos projetos desenvolvidos e em desenvolvimento visam criar oportunidades para a disseminação das teorias e da trajetória acadêmica de pensadores Latino-americanos, reconhecidos pela comunidade científica internacional. Para tanto são criados espaços de debate entre a personalidade em destaque, outros pesquisadores e estudantes em nível de graduação e pós-graduação, em ciclos de estudos, colóquios e seminários, além de pesquisas em diversos âmbitos, privilegiando a comunicação de massa e a publicação dos resultados dessas reflexões. Além disso, a Cátedra Unesco/Umesp desenvolve levantamentos das obras para incorporar ao acervo bibliográfico.

Para difundir internacionalmente este esforço sócio-histórico, realiza-se anualmente no campus da UMESP, um ciclo de estudos sobre a Escola Latino-americana de Comunicação. Tais eventos destinam-se a fazer história, com a participação dos seus protagonistas. "Nesse sentido é que vamos dedicar cada edição a uma personalidade ou instituição criadora de conhecimento comunicacional relevante", garante Marques de Melo, Titular da Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação.

Os eventos e ciclos de estudos são dedicados a protagonistas da Escola Latino-americana, permitindo uma aproximação entre o "mestre e seus discípulos", promovendo o debate, o conhecimento e a ampliação das idéias desses pioneiros e das instituições que buscam o desenvolvimento e a divulgação do Pensamento Latino-americano.

O Ciclo de Estudos sobre a Escola Latino-Americana de Comunicação é uma iniciativa da Cátedra UNESCO/UMESP, com o apoio da UMESP (Universidade Metodista de São Paulo), sob a orientação de seu Titular o professor Dr. José Marques de Melo, permitindo que o público formado por pesquisadores, professores e estudantes, possam esclarecer suas duvidas diretamente com os autores estudados. Desse modo, ao estabelecer esta relação direta, os mitos são substituídos por verdades, tanto a obra como seu criador tornam-se realidade, facilitando o entendimento e assimilação dos conceitos apresentados.

No ano de 1977, o I CELACOM - Ciclo de Estudos da Escola Latino-americana de Comunicação, foi dedicado às idéias de Luis Ramiro Beltrán, pesquisador boliviano, que combateu a aplicação das teorias norte-americanas para a América Latina após verificar que tais teorias eram invalidas para a serem utilizadas nos países Latino-americanos, devido as grandes e gritantes diferenças no contexto político, educacional e social desses países. Ele foi escolhido dentre o grupo dos pioneiros da Escola Latino-americana, não apenas pela sua estatura intelectual como "pai das políticas de comunicação. Mas sobretudo pela sua dimensão humana, traduzida por uma postura ética como cientista e cidadão, servindo como referencial para as novas gerações de comunicadores e comunicólogos. Luis Ramiro Beltrán simboliza justamente aquele paradigma de cientista da comunicação que pode ajudar nossa comunidade a construir/fortalecer sua identidade acadêmica. Suas raízes como produtor de conhecimento estão fincadas na prática comunicacional multimídia.

Deste primeiro encontro, foi lançado o livro Trajetória Comunicacional de Luis Ramiro Beltrán. O volume foi organizado pelos professores José Marques de Melo e Juçara Brittes. A publicação reúne as contribuições dos amigos, discípulos e admiradores de Luis Ramiro, presentes ao encontro. Trata-se, segundo Marques de Melo, de um retrato de corpo inteiro, cuja organização deve-se em grande parte à professora Juçara Brittes. "No entanto, tais iniciativas poderiam correr o risco de fragmentar-se e perder a vitalidade orgânica contida na proposta original. Daí a minha decisão de criar na Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação para o Desenvolvimento Regional uma estrutura coordenadora, capaz de alentar metodologicamente os projetos locais ou nacionais e ao mesmo tempo atuar como ponto de referência documental" . Participam desse volume vários pesquisadores do Brasil, Estados Unidos e América Latina

O II Ciclo em 1998, destacou a vida e a obra de Jesús Martín Barbero, espanhol de nascimento e colombiano de coração, nascido em 1937, este cientista é reconhecido mundialmente por suas pesquisas e obras, tendo a América Latina como foco. Sua obra mais difundida foi "De los medios a las mediaciones", mas sua produção é muito expressiva, podemos citar clássicos como "Comunicação e Poder", editado em 1978. Barbero dotourou-se em Filosofia pela Universidad de Lovaina, na Bélgica, em 1971. Realizou estudos de pós-graduação em Semiótica e Antropologia na Escola de Altos Estudos, em Paris.

As pesquisas de Barbero ganharam força na América Latina democrática. O pensamento dos teóricos latino-americanos ainda não é muito divulgado em todo o mundo, porém na América Latina, pesquisadores como o professor Jesus Martin-Barbero já são estudados em quase todas as Universidades. E a influência deste trabalho pode ser observada em sociedades científicas brasileiras na área de comunicação, como a INTERCOM (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação) e a COMPÓS, entidade que reúne os cursos de Pós-Graduação em comunicação Social do Brasil.

O professor José Marques de Melo, em seu discurso de abertura do II Ciclo de Estudos da Escola Latino-americana, disse que "as histórias de vida que a Cátedra UNESCO/UMESO têm promovido assumem caráter público para que o resgate da memória seja também público", e sem dúvida alguma, Jesus Martín-Barbero é a história viva de uma trajetória intelectual de grandes contribuições para os estudos de Comunicação e difusão do Pensamento Latino-americano. O resultado deste encontro também será disponibilizado em um livro, que encontra-se atualmente em fase de revisão.

O encontro do ano de 1999, que ocorreu entre 5 a 7 de maio, teve como temática central a Gênese do Pensamento Comunicacional Latino-Americano: o protagonismo das instituições pioneiras CIESPAL (Centro Internacional de Estudos Superiores de Comunicação para América Latina) com sede em Quito, no Equador; ICINFORM (Instituto de Ciências da Informação) com sede na Universidade Católica de Pernambuco, Brasil e ININCO (Instituto de Pesquisa da Comunicação) com sede na Universidade Central da Venezuela, Caracas. Teve por objetivos básicos evidenciar a difusão das idéias comunicacionais sob a égide da Escola Latino-americana, desenvolvido e divulgado por estas instituições, visando o resgate histórico das três Instituições Acadêmicas paradigmáticas, particularmente responsáveis pela construção das matrizes teóricas sobre o papel da Comunicação nos processos de desenvolvimento.

Marques de Melo garante que a medida em que se institucionaliza um novo campo do saber, torna-se imprescindível oferecer às novas gerações um quadro histórico que estimule a acumulação orgânica de experiências, evitando-se a repetição de etapas já percorridas mas que escapam muitas vezes à percepção dos pesquisadores neófitos. Neste sentido é que o resgate da memória adquire papel importante na consolidação eficaz de uma comunidade acadêmica, diante desta perspectiva o projeto em questão também se dedicou a fazer os perfis biográficos dos pesquisadores representativos de três gerações da comunicologia Brasileira: o grupo gaúcho.

Esta etapa do projeto foi realizada em cooperação pela UNESCO/UMESP PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e UPF (Universidade de Passo Fundo). A conclusão desta fase gerou a publicação: Memória das Ciências da Comunicação no Brasil: o grupo gaúcho editado pela EDIPUCRS, Porto Alegre. Neste livro diversos autores registram as histórias de vida de pesquisadores que contribuíram com a comunicação no Brasil, enquanto ciência, classificados em três grupos diferenciados como I-desbravadores; II- sedimentadores; III- continuadores.

Dando continuidade a divulgação do Pensamento Latino-americano e buscando consolidar e ampliar o Acervo a Escola Latino-americana, o livro De Belém a Bagé - imagens midiáticas do natal brasileiro, organizado pelos professores José Marques de Melo e Waldemar Luiz Kunsch, é o resultado do primeiro projeto de pesquisa realizado pela Rede Nacional de Pesquisa Comparativa (RNPC/N), órgão da Cátedra Unesco/Umesp de Comunicação para o Desenvolvimento Regional. O estudo contou com a integração de pesquisadores de todo o Brasil. O objetivo foi desenvolver estudos sobre os impactos globais nas identidades regionais da cultura brasileira, através da observação de jornais editados nos pólos nacionais, nos macro-regionais, nos pólos meso-regionais e micro-regionais, além de contar com colaboradores que observaram como a televisão, o rádio, a imprensa feminina, a imprensa católica, e a imprensa evangélica tratam o assunto.

A América Latina constitui uma região sócio-cultural marcada pela diversidade. Antes do advento de Colombo, Cabral e outros navegadores ibéricos, as populações indígenas já se caracterizavam pela pluralidade dos modos de viver. Por sua vez, os colonizadores acrescentaram novos elementos a esse cadinho civilizacional, desencadeando processos de mestiçagem que se converteriam em nossa marca definitiva, garante Marques de Melo.

As experiências de descolonização, no século passado, introduziram variáveis geopolíticas, através da territorialização esboçada pelos nascentes Estados nacionais. Cada país assumiu uma identidade peculiar no bojo da organização de modernas sociedades. Não obstante isso, floresceram áreas culturais homogêneas, compostas de vários países, em certo sentido configurando unidades geoculturais.

Para Marques de Melo, são exatamente essas formações que dão origem aos contemporâneos blocos econômicos - caribenho, andino, amazônico, cone-sul etc. - , ensejando mercados regionais. O que cimenta a colaboração entre distintos países para viabilizar intercâmbios é justamente a existência de traços culturais comuns. Isso os torna solidários, predispondo os respectivos cidadãos a relacionar-se positivamente entre seus vizinhos.

No entanto, a emergente cooperação latino-americana, depois de muito distanciamento e, até mesmo, conflitos, enfrenta um desafio potencial: a desagregação cultural provocada pelo impacto das comunicações globais. As novas tecnologias de informação destroçam as fronteiras físicas entre as nações, expondo os indivíduos a uma cultura mundializada que pode minar pela base as identidades nacionais ou regionais.

O professor Marques de Melo buscando revelar como eram tratados pela mídia essas diversidades culturais e buscando responder as questões de: "Como lidar com esse fenômeno que outrora o comunicólogo canadense Marshall McLuhan chamou de 'aldeia global'? Quais as chances de sobrevivência das identidades latino-americanas nessa conjuntura? Se, como vaticinam alguns, o mercado global traz em seu bojo potencialidades multiculturais, qual o espaço que as culturas latino-americanas podem ocupar no novo mapa do mundo?, realiza conjuntamente com 24 universidades brasileiras, sob o patrocínio da UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), apoio da ORBICOM (Rede Mundial de Cátedras Unesco de Comunicação) e da UMESP (Universidade Metodista de São Paulo), um estudo comparativo do tratamento dados pela imprensa de diferentes regiões brasileiras à celebração do natal.

Partindo do pressuposto que a globalização não constitui necessariamente um obstáculo à preservação das identidades culturais regionais, bem como a tradição de mestiçagem cultural sedimentada na América Latina tem atuado como mecanismo seletivo à difusão das influências forâneas, expelindo automaticamente as que não se coadunam com as nossas singularidades, assimilando porém aquelas que possuem identidades com as nossas maneiras de ser, pensar e agir, garante José Marques.

O projeto parte da seguinte hipótese de trabalho: a celebração do Natal incorpora as imagens da sociedade globalizada sem perder as singularidades nacionais, regionais ou locais. Essa hipótese foi confirmada parcialmente, pelo trabalho desenvolvido pelo prof. José Marques de Melo, observando que as imagens natalinas resgatadas pela mídia impressa continham signos globais e alguns signos nacionais. O que estava ausente era a identidade regional dessa celebração popular.

Mas a busca por materiais que visem solidificar a Escola Latino-americana de Comunicação não para por aí. Entender as modificações sofridas pela imprensa regional, sedimentadas pela Constituição Federal de 1988, que modifica a estrutura fiscal do Brasil, descentralizando a arrecadação de impostos e fortalecendo as regiões e comunidades locais, desencadeia-se uma nova pesquisa: A identidade da Imprensa Brasileira no final de século: das Estratégias Comunicacionais aos enraizamentos e às ancoragens culturarais, nome do livro que apresenta o resultado deste trabalho, coordenado pelos professores José Marques de Melo e Adolpho Queiroz.

O desenvolvimento regional serviu de estímulo para o desenvolvimento da pesquisa. Este crescimento afetou diretamente a imprensa do interior. Concomitantemente, a participação dos microeconomias agroexportadoras no mercado globalizado criou paradoxalmente uma motivação pelo resgate das identidades regionais. A imprensa regional ou local expressa essa tendência para o cultivo dos valores típicos dos regionalismos paulistas, evidencia Marques.

Estas evidências observadas por Marques de Melo e colaboradores em trabalho precedente intitulado Mutações da Imprensa Paulista (1995) foram confirmadas neste estudo realizado pela Cátedra Unesco/Umesp em rede formada por equipes vinculadas a 8 universidades.

A investigação fez uma análise da personalidade editorial de 24 periódicos (19 jornais diários que circulam nas cidades lideres das microregiões que compõem o espaço geoeconômico-cultural da Estado de São Paulo e principal núcleo produtivo da economia brasileira, além de 5 prestige papers editados nos centros metropolitanos que definem a fisionomia nacional brasileira: Rio de Janeiro e São Paulo) Foi observada a morfologia, identificando as categorias e gêneros jornalísticos dominantes, além de avaliar as temáticas privilegiadas e os atores do cenário noticioso. Tratou também de compreender os fatores que determinaram a dinâmica publicitária dos jornais: quem são os agentes dos anúncios comerciais, políticos ou administrativos, indagando sobre a dependência das empresas jornalísticas em relação aos governos regionais ou às autoridades locais.

PERSPECTIVAS

Não há como falar em difusão do Pensamento Latino-americano sem conhecer os pesquisadores que atuaram ou atuam na Universidade Metodista de São Paulo. Para difundir estes pensamentos o livro Pensamento Comunicacional Brasileiro - o Grupo de São Bernardo", organizado pelo professores José Marques de Melo e Samantha Castelo Branco, reúne uma coletânea de textos escritos por docentes da Instituição, divididos em duas fases do Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP. A primeira: idéias Germinadoras, compreende o período de 1978 a 1989 e Idéias Atualizadoras, que vai de 1990 a 1998.

A fase I mostra escritos de professores que trabalharam no curso na sua primeira década. Traduzem o caráter multidisciplinar, o perfil intergeracional e a fisionomia pluriespacial, inspirada de alguma maneira na gênese da Escola Latino-americana de Comunicação.

Marques de Melo salienta que "o pensamento desse grupo que atuou na primeira fase do curso é inegavelmente polifacético. Isto reflete também sua diretriz original, marcada pela absoluta liberdade de cátedra e pela expectativa da instituição no sentido de construir um caldo de cultura destinado a germinar novas idéias, novos paradigmas e novas propostas".

Com as mudanças ocorridas no cenário mundial nos anos 90, o Curso de Pós-Graduação da UMESP buscou ajustar-se às novas necessidades. Foi necessário repensar a identidade do Curso, em vista dessa moldura inovadora, dos personagens diversificados e também em função das demandas da própria sociedade. Organizou-se então, uma estratégia transicional entre o velho e o novo, buscando aglutinar o grupo de professores em torno de dois patamares "Estudos de Mídia" e "Estratégias e Políticas de Comunicação". O primeiro desenvolve suas pesquisas dentro do universo industrial da comunicação massiva, buscando incluir tanto os segmentos regionais quanto os locais. Estes fenômenos são estudados em suas dimensões históricas, econômicas, culturais e comportamentais.

O outro recorte, orienta-se para a análise dos processos de comunicação pública, tanto os direcionados para a audiências cativas dentro de microorganizações, quanto aqueles vocacionados para atingir audi6encias heterogêneas, anônimas e dispersas, socializando reconhecimentos, divulgando informações e difundindo idéias, através do mass media.

É desta maneira, através de ações reais e conjuntas que o professor Marques de Melo busca difundir o Pensamento da Escola Latino-americana, culminando num Acervo documental, a fim de que possamos registrar, resgatar e consolidar a importância desta Escola nos âmbitos das pesquisas mundiais.

Para enriquecer ainda mais este projeto, o Acervo da Escola Latino-americana aceita doações. Podem ser enviados depoimentos pessoais que reconstituam a convivência acadêmica mantida com os pesquisadores Latino-americanos, documentos, publicações, fotografias e outros materiais. As remessas podem ser feitas para Cátedra Unesco/Umesp de Comunicação para o Desenvolvimento Regional, Universidade Metodista de São Paulo, Projeto do Acervo do Pensamento Comunicacional Latino-americano, Rua do Sacramento, 230 - Edifício Capa, Rudge Ramos, São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil, CEP: 09041-000, aos cuidados de Maria Cristina Gobbi. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone: (55-11) 4366-5819 e-mail: catedra.unesco@metodista.br