Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento Regional

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C A L E N D Á R I O

Carta à redação

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PCLA - Volume 1 - número 3:  abril / maio / junho 2000

 

 

Carlos Eduardo Lins da Silva

As idéias de um jornalista pesquisador

 

Mônica Macedo
(Universidade de Campinas / Brasil)


Principais links

Apresentação

Jornalismo, primeiros passos

Início da carreira universitária

Militância política e pesquisa-ação

Do jornalismo engajado ao empresarial

Retorno aos EUA

Últimas considerações

Bibliografia

Principais publicações

Principais atividades profissionais


 

Apresentação

Da análise da trajetória profissional de Carlos Eduardo Lins da Silva, algo que logo ressalta é a precocidade e versatilidade com que sempre desempenhou suas atividades (muitas vezes simultâneas) de repórter, líder comunitário, professor universitário, sindicalista, secretário de redação, enfim... uma longa lista para os seus 47 anos de idade. Por outro lado, para quem conhece seu nome das páginas da Folha de S. Paulo, pode surpreender que seja também um acadêmico, professor livre-docente da Escola de Comunicações e Artes da Univerisidade de São Paulo (ECA/USP).

Lins da Silva não é, certamente, o "típico" pesquisador de comunicação. Fez a maior parte de sua carreira atuando paralelamente na imprensa e na universidade e acabou optando pela redação ao invés da sala de aula, embora ainda mantenha vínculos com a academia e sociedades científicas, sobretudo a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), da qual é membro fundador. Freqüentemente é convidado para dar aulas em cursos de pós-graduação ou palestras em congressos. Por vezes foi bolsista em universidades norte-americanas (o que, aliás, lhe valeu uma singular admiração por aquele país) e, como se espera de todo pesquisador, publicou os resultados de seus estudos em livros e revistas científicas nacionais e internacionais.

A projeção que a imprensa lhe proporcionou, porém, talvez ofusque seus trabalhos como professor e pesquisador, ainda que seu Muito além do Jardim Botânico seja adotado em várias escolas de comunicação. É mais comum lembrarmos do correspondente da Folha de S. Paulo em Washington do que do organizador de Comunicação, Hegemonia e Contra-informação, lançado pela Cortez, em 1982. A verdade é que a posição de jornalista nunca se dissociou da de pesquisador e professor universitário. Pelo contrário, suas reflexões sobre o jornalismo estão profundamente atreladas às situações que viveu como profissional da imprensa.

Embora prescinda do jargão científico mesmo quando escreve para seus pares, imprimindo ao texto um ritmo quase jornalístico, demonstra rigor na revisão do conhecimento pertinente à área e método no estudo de seus temas de interesse. Certamente por isso conquistou a admiração e o respeito de jornalistas gabaritados e professores conceituados no meio acadêmico.

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Jornalismo, primeiros passos

Lins da Silva começou sua carreira de jornalista como repórter, aos 19 anos, em dois jornais da capital paulistana - o Diário da Noite e Diário de São Paulo - enquanto ainda estudava na Faculdade Cásper Líbero. Havia também começado o curso de Ciências Sociais (em 1971), na Universidade de São Paulo, mas diante da inegável inclinação para o jornalismo, e provavelmente da dificuldade de conciliar todas as atividades universitárias com as de repórter, deixou o curso inconcluso.

Formou-se em 1973 e voltou para sua cidade natal, Santos, onde ainda mantinha vários e importantes vínculos. Passou a trabalhar como sub-editor de Educação da Tribuna de Santos, pertencente aos Diários Associados, e redator do suplemento Jornal de Domingo, do Diário de São Paulo.

Mas o que mais marcaria esse período seria sua ligação com o movimento ecológico, que o engajaria na luta política e na defesa de um jornalismo comprometido com o esclarecimento ao público sobre os efeitos diretos de problemas ecológicos em sua saúde e seu cotidiano. Na época, a ecologia apenas começava a ganhar espaço nos meios de comunicação no Brasil, mas encontrava na baixada santista um ponto crítico, com a poluição das grandes indústrias químicas de Cubatão e do porto de Santos. O contato direto com as comunidades da região chamou a atenção de Lins da Silva para o modo como percebiam e interpretavam o que era veiculado pelos meios de comunicação de massa. Suas observações eram basicamente informais, mas o levariam depois a se dedicar ao estudo dos processos de recepção, culminando em sua tese de doutorado sobre a audiência do Jornal Nacional entre trabalhadores de duas comunidades, uma no litoral do Rio Grande do Norte e outra no Guarujá (SP).

Por conta da militância ecológica, Lins da Silva editou ainda Raízes – um jornal de resistência ecológica, em 1977, e foi co-fundador do Centro de Estudos Ecológicos de Santos, em 1978.

Nesse meio tempo, entre 1975 e 1976, ganhou uma bolsa de mestrado da CAPES/Fullbright, que lhe permitiu aprofundar seus estudos sobre jornalismo ambiental nos EUA, onde o tema era destaque no noticiário há vários anos e já se havia convertido numa verdadeira subespecialização do jornalismo científico nas redações dos principais jornais, além de atrair o interesse de pesquisadores da comunicação norte-americanos (Lins da Silva, 1982). Foi também uma época em pôde aprimorar seus estudos teóricos, lendo mais sistematicamente autores como Wilbur Schramm, Donald Roberts, David Rubin, David Sachs, Peter Sandman, Nathan Maccoby, William Witt e outros.

De sua estadia no Departamento de Comunicação da Michigan State University resultou a dissertação Mass Media and Environmental Affairs, a case study in Santos, Brazil. Nesse trabalho, Lins da Silva amadurece sua reflexão sobre o papel social do jornalismo, particularmente sobre sua ação em relação a problemas emergentes como a poluição ambiental e a diversidade biológica.

Em "Jornalismo e Ecologia" - texto publicado em 1982, porém versão de um dos capítulos de sua dissertação - faz uma revisão da teoria do agenda setting, questionando a tese de pesquisadores como Schramm (1971) e Roberts (1971) de que os meios de comunicação têm o poder de determinar os assuntos mais importantes para a população, de acordo com o maior ou menor espaço que lhe dedicam diariamente. Embora concorde com a idéia de que, no caso do jornalismo ambiental, a mídia tenha colaborado para criar "o clima necessário" para que mais pessoas passassem a se preocupar com questões como poluição e ecologia, argumenta que Schramm e Roberts superestimam a capacidade dos meios de comunicação, pois a definição da pauta está atrelada a fatores mais complexos, muitos dos quais escapam ao controle da própria mídia.

Nesse sentido, prefere a abordagem de Rubin e Sachs (1973), que, ao analisar a explosão de informações sobre meio ambiente na imprensa norte-americana em 1969, salientam que ela não foi casual ou simplesmente fruto da ação deliberada dos jornais e televisões, mas também resultado de um conjunto de características que tornavam a sociedade receptiva ao assunto. Por exemplo, a desilusão mais ou menos generalizada com a qualidade de vida nos subúrbios, para onde milhares de norte-americanos haviam "fugido" em busca de sossego e ar puro, mas acabaram por encontrar quase tanta poluição e trânsito quanto antes, passando a se interessar cada vez mais por informações sobre os poluidores.

Conclui seu texto com a proposição de que é o interesse público, antes de mais nada, que motiva a maior ou menor presença de um tema na mídia. Em se tratando de um tema que interesse à população, a mídia pode até dar-lhe maior projeção, mas ele só continuará em evidência enquanto houver espectadores interessados.

Isso não quer dizer que o jornalismo tenha de ter um papel passivo, acompanhando meramente os desejos do público. Ele precisa, pelo contrário, primar pela qualidade da informação e esforçar-se para demonstrar a relação dos problemas ambientais com o cotidiano da população, suscitando, assim, a curiosidade e o interesse dos leitores e espectadores. "A questão da relevância do assunto para a vida da audiência é possivelmente a mais importante para o jornalismo ambiental. (...) Se o jornalismo ambiental não demonstrar com clareza a relevância de seu conteúdo para a vida das pessoas, provavelmente ele terá um número muito reduzido de consumidores" , afirma.

Mas mais do que convencer o público da relevância do assunto, "o jornalismo ambiental tem que se preocupar em apontar para soluções e mobilizar as pessoas para adotá-las, ao invés de apenas expor os problemas e reagir aos acontecimentos como normalmente ocorre" (op. cit., p. 62).

Essa concepção de jornalismo, inicialmente esboçada em Mass Media and Environmental Affairs, é a que Lins da Silva defenderia e aprimoraria nos anos subseqüentes a 1976, quando volta ao Brasil e amplia seu vínculo com a universidade, ao mesmo tempo que mantém seu envolvimento com o ambientalismo e outros movimentos sociais. O jornalismo aparece, nesse momento, como prática indissociável da política e uma ferramenta que deve estar a serviço da luta dos trabalhadores contra as classes dominantes. Melhorar a qualidade do jornalismo, buscando fontes de informação diversas, criando mais espaço para assuntos socialmente relevantes e capacitando os redatores, são medidas importantes, sustenta, porém não surtem nenhum efeito se o jornalismo não for engajado, ou seja, voltado a despertar o interesse do público e mobilizá-lo para a ação.

Em um texto escrito mais tarde, em 1982, explicita a noção de "jornalismo voltado à ação", reforçando a tese de que a discussão sobre os meios de comunicação não pode se restringir à análise da ideologia dominante. "Já é mais que passada a hora de os pesquisadores de comunicação se lançarem a campo para tentarem compreender como se dá a penetração dos meios de comunicação no interior das classes subalternas, ao mesmo tempo em que articulam um projeto político-cultural de intervenção neste processo e de disputa com a burguesia pelas principais áreas da comunicação social", afirma.

Trata-se, na verdade, de uma discussão que naquele momento extrapola os limites do jornalismo ambiental e diz respeito ao papel dos meios de comunicação de massa como um todo na manutenção da estrutura de dominação nas sociedades capitalistas e na difusão da ideologia burguesa. Esse era o debate que envolvia a grande maioria dos intelectuais nos anos 70 e início dos 80. Lins da Silva alinhava-se com aqueles que, embora trabalhando com uma perspectiva de análise "marxista" da comunicação de massa, questionavam as teorias da Escola de Frankfurt, sustentando uma crítica à idéia de que os meios de comunicação de massa funcionavam como um corpo homogêneo e bem organizado, todo poderoso no controle da opinião pública e capaz de produzir sujeitos alienados, que aceitassem passivamente a ideologia dominante.

Comunicação, Hegemonia e Contra-informação (1982) propõe o estudo dos meios de comunicação de massa a partir do conceito teórico de hegemonia, sobretudo tal como enunciado por Gramsci (1978), que o estendeu à esfera cultural, embora não tenha tratado diretamente da mídia. Entre os pesquisadores de comunicação latino-americanos destacavam-se Michèle e Armand Mattelart (1979) e Nestor Garcia Canclini (1982). Visava-se a uma discussão não apenas no nível da superestrutura, da manutenção da ideologia dominante, mas principalmente no da organização da sociedade civil, revelando suas contradições e permitindo avaliar as possibilidades de luta contra a hegemonia burguesa. Explicitava-se aí uma postura de comprometimento da intelectualidade com um projeto político de intervenção na situação de dominação, através de mecanismos de contra-informação e de comunicação popular.

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Início da carreira universitária

Voltando ao Brasil em 1976, depois de haver concluído seu mestrado nos EUA, Lins da Silva, então com 24 anos, começa a dar aulas em quatro faculdades simultaneamente: Faculdade Cásper Líbero, Instituto Metodista de Ensino Superior (IMS, atual UMESP), Universidade Católica de Santos (Unisantos) e ECA/USP.

Sempre atuando nos cursos de Jornalismo, lecionou diversas disciplinas, tais como Jornalismo Informativo, Interpretativo e Opinativo, Jornalismo Sindical, Jornalismo Comunitário, Comunicação Ecológica, Teoria e Prática da Notícia, Redação e Edição, Jornal Laboratório, Funções de Direção e Secretaria no Jornalismo, Técnicas de Difusão em Agências Noticiosas, Técnicas de Codificação (visual) em Jornalismo, Teoria do Jornalismo, Jornalismo Comparado, Estética e Comunicação de Massa, Fundamentos Científicos da Comunicação, Metodologia de Pesquisa em Comunicação.

Apesar do grande comprometimento com as atividades didáticas, manteve vínculos profissionais com o jornalismo (ainda que não com o jornalismo diário), atuando como redator e editor da revista trimestral Cadernos de Comunicação Proal e do jornal Raízes (do movimento ecológico em Santos). Era também o jornalista responsável pelo jornal-laboratório da Faculdade de Comunicação de Santos, Entrevista.

Através da Editora e Comunicações Proal (que publicava os Cadernos de Comunicação e da qual era diretor) Lins da Silva viria a conhecer Otávio Frias Filho, em 1978, quando organizou um debate entre o futuro diretor de redação da Folha de S. Paulo e Júlio César Mesquita. Cinco anos mais tarde, faria também uma entrevista com Frias Filho para a revista Crítica da Informação e em 1984, por intermédio de André Singer, se tornaria seu Secretário de Redação, depois de uma rápida passagem pela Agência Folha e pela editoria de cidades do Jornal.

Vale lembrar também que enquanto esteve nos EUA, foi correspondente dos Diários Associados e redator da coluna Ponto Crítico, do Diário de São Paulo.

Conforme o envolvimento com atividades de pesquisa foi crescendo, deu início ao seu doutoramento na ECA, sob a orientação de José Marques de Melo, que se revelaria seu grande incentivador e com quem estabeleceria fortes laços de amizade.

Pouco depois, em 1979, mudou-se para Natal na condição de professor visitante da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que no final da década de 70 havia instituído uma política de contratação de docentes com pós-graduação no exterior, visando a se estabelecer como centro de referência no cenário científico nacional. Foi um dos 200 professores visitantes contratados pela universidade em fins de 1978 e lá passou dois anos.

Seu objetivo inicial era poder dedicar-se à pesquisa de doutorado, que tratava da recepção de programas de TV entre trabalhadores de classes pobres. Porém terminou fazendo mais do que isso. O período passado em Natal revelou-se um dos mais produtivos, tanto de sua carreira acadêmica quanto da militância política. Foi diretor-fundador da Associação dos Docentes da UFRN, um dos fundadores da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), editor do jornal Salário Mínimo, da Cooperativa de Jornalistas de Natal (Coojornat) e também um dos fundadores do PT em Natal. "Por duas vezes o reitor Diógenes da Cunha Lima me demitiu, devido à minha participação em greves de professores. Nas duas vezes, ele foi obrigado a me readmitir pela pressão de estudantes e professores", lembra.

É dessa época Em busca do voto perdido: os meios de comunicação na tentativa de restaurar um pacto populista, em que analisa o uso dos meios de comunicação de massa pelo líder populista Aluizio Alves. Tentando compreender o fenômeno de perda de votos por um típico populista, num momento em que a conjuntura política do nordeste apontava para o favorecimento de projetos populistas, Lins da Silva chega a algumas conclusões. Baseando-se em um trabalho de Francisco de Oliveira (1980), explica que as condições econômicas do nordeste - aparentemente não propícias à formação de uma consciência de classe entre os trabalhadores- levavam, na verdade, a uma confrontação política. Não dos trabalhadores contra o capital, mas contra o Estado, por melhores condições de vida. Como o estágio do capitalismo no Brasil impedia, segundo ele, o Estado de atender a tais necessidades, tornava-se difícil sustentar um projeto populista, especialmente se se aumentasse a organização dos trabalhadores, o que os tornaria mais atentos e capazes de distinguir entre medidas paliativas e projetos de longo prazo realmente comprometidos com a solução de seus problemas.

Quanto aos meios de comunicação, defende nesse momento a "teoria das brechas". Os trabalhadores deveriam ocupar e aprofundar os espaços que a indústria cultural oferecia às classes dominadas, fazendo com que mais mensagens favoráveis a si fosse veiculadas. Já os profissionais de comunicação, quando comprometidos com a luta pela superação das desigualdades sociais, deveriam ter uma formação de qualidade, que lhes permitisse ocupar melhor as brechas e colocar sua competência a serviço das causas populares. Desse modo, estariam colaborando para que o povo deixasse cada vez mais de aderir ao populismo como única forma de ver atendidas suas necessidades mínimas (Lins da Silva, 1981).

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Militância política e pesquisa-ação

Paralelamente a suas atividades políticas como presidente da Associação dos Docentes e da Coojornat, Lins da Silva conduzia sua pesquisa de doutorado com trabalhadores de Lagoa Seca, na periferia de Natal. Decidira centrar suas atenções na recepção de um programa jornalístico: o Jornal Nacional da Rede Globo, o de maior audiência no horário nobre em escala nacional. O contato com outros professores visitantes revelou-se muito profícuo intelectualmente e lhe permitiu aprofundar seus conhecimentos de comunicação e antropologia, dos quais se valeu para organizar uma metodologia de pesquisa-ação para observar a recepção das mensagens do telejornal da Globo entre os moradores da Lagoa Seca e interagir com a comunidade para fazer com que ela própria refletisse sobre seus valores culturais e fosse levada a possíveis mudanças. Influenciou-lhe sobretudo o trabalho de Michel Thiollent (1980), sobre o qual baseou sua metodologia. E também Michèlle e Armand Mattelart (1977, 1978, 1983), Héctor Schmucler (1975) e Jesus Maria Aguirre (1981), entre outros.

O pressuposto básico da pesquisa era que o Jornal Nacional (como caso exemplar do jornalismo da indústria cultural) não podia ser estudado apenas pela análise do conteúdo das mensagens que veiculava, supondo homogeneidade na maneira como o público as interpretava - coisa que, diz ele, vários analistas já haviam feito, para provar a tese preconcebida de que os espectadores eram alienados e a mídia manipuladora. "Sem qualquer tipo de investigação metódica ou sistemática, a esquerda brasileira condenou o Jornal Nacional ao pelourinho e sua audiência – na verdade quase toda a população – à pecha da alienação", afirma em sua apresentação a Muito além do Jardim Botânico, resultado da tese, publicado em 1985.

A despeito da crítica às análises que condenavam o JN, seu objetivo não era provar o contrário: que o programa contribuía para o esclarecimento e mobilização da população, através de um jornalismo politicamente engajado. Lins da Silva não lhe negava a característica de produto da indústria cultural. Porém esclarece que o sentido que atribui ao termo "indústria cultural" é diferente daquele que lhe atribuíram Horkheimer e Adorno (1978).

Embora considere correta a interpretação desses autores de que a cultura, nas sociedades capitalistas modernas, tornou-se objeto de consumo destinado a conquistar um espaço no mercado assim como qualquer outro produto, refuta a conotação "negativa" que a Teoria Crítica lhe incutiu, "escandalizando-se" com os efeitos da notícia produzida em escala industrial.

Por outro lado, não nega que os bens produzidos pela indústria cultural sejam de natureza diferente da meramente material. Na cultura de massas o componente ideológico é elemento fundamental, porém não é independente da organização social que o produz, a qual, por sua vez, sustenta disputas e contradições que lhe conferem menos homogeneidade do que os teóricos da Escola de Frankfurt postularam. O que Lins da Silva condena é a "visão fatalista e monolítica" com que os seguidores da teoria crítica analisavam o fenômeno da comunicação de massa, atribuindo aos receptores um caráter de passividade e uniformidade na interpretação das notícias.

Nesse sentido, partiu para a observação direta da audiência do Jornal Nacional entre trabalhadores de uma comunidade pobre da periferia de Natal (aqueles, portanto, que estariam tipicamente na condição de "manipulados", por ter na cultura de massa o seu meio predominante de informação) visando a observar suas reações e a maneira como percebiam a ideologia veiculada pelo jornal. Além disso, pretendia também interferir na comunidade, fazendo-os refletir sobre sua realidade e ajudando-os a conceber um produto jornalístico. Tanto que seu contato com eles (assim como também com a comunidade do Paicará, no Guarujá (SP), onde repetiria a mesma pesquisa) se deu através de dois estudantes de jornalismo que lhe pediram auxílio para colocar em prática o projeto de um jornal comunitário. Dessa maneira começou a freqüentar o local e a tomar contato com os moradores.

Contou também com a ajuda da esposa, Lúcia Araújo, que foi a "porta de entrada" na comunidade, já que o processo de aceitação pelos moradores (fundamental para o desenvolvimento da pesquisa participante) foi demorado e complexo. O papel-chave de Lúcia se deu sobretudo porque a audiência do Jornal Nacional em Lagoa Seca era basicamente uma audiência feminina, e coletiva. As mulheres reuniam-se, muitas vezes, umas nas casas das outras para assistir à programação da televisão e aceitaram mais facilmente, no início, a presença de uma mulher.

Após alguns meses, Lins da Silva havia conquistado a confiança da comunidade a ponto de poder testemunhar reações (suficientemente) espontâneas à audiência da televisão e levantar depoimentos dos moradores. Depois disso, fez o mesmo processo na comunidade do Paicará, que serviu de grupo de controle dos resultados obtidos em Lagoa Seca. Ao final, considerou ter encontrado informações suficientes para mostrar que qualquer pessoa, mesmo aquelas cuja consciência de classe não é plenamente desenvolvida, é capaz de ser crítica ante a programação televisiva, desde que tenha elementos complementares de representação do real (por exemplo, a cultura popular, as organizações comunitárias, o próprio ambiente de trabalho etc). E os trabalhadores os tinham.

"É claro que, no fim da pesquisa, os participantes não haviam se transformado em ‘supercríticos’ capazes de entender todo o processo de produção da cultura numa sociedade industrializada. (...) E a pesquisa-ação não é um curso rápido de ‘como adquirir consciência crítica’, mas sim um processo de interação social em que uma ou mais pessoas observam as idéias de outras em relação a um objeto (no caso ... o Jornal Nacional) e ao longo do qual observadores e observados aprendem uns com os outros e, espera-se, cresçam como agentes sociais e pessoas". O estudo da audiência entre trabalhadores mostrou que o Jornal Nacional ajuda a reforçar pontos de vista anteriores e coerentes com os dele, porém não é poderoso o suficiente para fazer com que as pessoas mudem de opinião simplesmente pelo que vêm e ouvem na televisão. Gostar do Jornal Nacional não significava deixar-se convencer por ele sem qualquer questionamento ou confrontação com outros tipos de conhecimento disponível.

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Do jornalismo engajado ao empresarial

Em 1981, Lins da Silva retorna a São Paulo, ainda sem haver concluído sua pesquisa de doutorado. Retoma as atividades na universidade (ECA/USP, IMS e Unisantos) e organiza a complementação da pesquisa no Paicará. Nos três anos seguintes, dá início a dois projetos laboratoriais: o da Agência Brasileira de Divulgação Científica (ABDC), no IMS, criada através de um convênio com o CNPq e o do Jornal do Campus, na ECA.

A ABDC tinha o objetivo de democratizar os resultados da pesquisa científica no Brasil, produzindo matérias jornalísticas a partir de artigos enviados por cientistas, que eram depois distribuídas às redações de jornais (Lins da Silva, 1987). O Jornal do Campus era produzido por alunos e professores do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA e se dirigia a toda a comunidade da Cidade Universitária, que até então não tinha um veículo jornalístico referente àquele espaço social. A experiência, no entanto, foi cheia de percalços a ponto de ter sido considerada um fracasso, pelo menos nos primeiros anos (Lins da Silva, 1987).

Juntamente com as atividades de pesquisa, foi editor das revistas Crítica da Informação, Comunicação e Sociedade, Cadernos da Pós-graduação e do Boletim Intercom. Em 1981, aos 29 anos, foi eleito vice-presidente da Intercom, e nos anos seguintes membro do conselho fiscal e secretário-geral. Foi um período em que se dedicou principalmente às atividades acadêmicas, tendo publicado diversos artigos em periódicos científicos e de jornalismo especializado.

Em 1984 sua carreira sofreu uma guinada. Chegando à conclusão da tese de doutorado, decidiu voltar a priorizar a profissão de jornalista, tendo conversado a respeito do assunto com André Singer, seu amigo e coordenador de artigos e eventos da Folha de S. Paulo. Singer comentou a conversa com Otávio Frias Filho, que já conhecia Lins da Silva, pois havia sido entrevistado por ele em 1983 para a revista Crítica da Informação. "Ao retornar de uma longa viagem de férias pela Europa (...) fui chamado para uma entrevista com Boris Casoy, num sábado à tarde, em março de 1984. Lembro-me que fiquei lá umas boas duas ou três horas, no que se tornaria o início de uma até hoje respeitosa e carinhosa relação de amizade com Casoy. Dias depois, fui chamado para começar a trabalhar como repórter da Agência Folha, sob a excelente direção de Adilson Laranjeira". Ficou na Agência Folha apenas algumas semanas e logo Casoy o chamou para ser editor de Cidades da Folha de S. Paulo. Em junho do mesmo ano, foi convidado por Frias Filho para ocupar o posto de secretário de redação, no lugar de Luis Nassif, que se havia demitido.

Como secretário de redação, Lins da Silva participou da formulação e execução do plano que determinaria importantes modificações na Folha de S. Paulo, intitulado "Projeto Folha", introduzido por Frias Filho, quando assumiu a direção do jornal em maio de 1984, no lugar de Boris Casoy. O "Projeto Folha" visava a mudar a concepção e a prática do jornalismo na empresa Folha da Manhã, modernizando a estrutura empresarial de produção e estabelecendo novas normas e padrões para a redação e gerência. Contrapunha-se, assim, à prática do que considerava um jornalismo amadorístico e pernicioso, pela falta de padrões de qualidade e profissionalismo e pelas relações que mantinha com o poder político e econômico, ao invés de assumir seu caráter comercial.

Nesse momento, Lins da Silva deixa de lado o envolvimento com o jornalismo comunitário e politicamente engajado, de que falava em Muito além do Jardim Botânico, e passa a tratar do jornalismo como negócio. Suas atenções estão voltadas a transformar o jornal num produto "de qualidade", que atenda aos interesses dos consumidores e seja vendável. No entanto, apesar de tratar-se de idéias bastantes distintas, não vê contradições entre as duas posições, pois considera estar discutindo dois tipos de jornalismo: um é o da grande imprensa, voltado à comercialização e ao lucro e dirigido ao grande público e o outro é o jornalismo comunitário, voltado à integração e organização de determinados grupos sociais. Negar a visão do jornalismo como produto comercial só contribui, segundo ele, para a baixa qualidade dos veículos. "(...) Os intelectuais de esquerda resistem à evidência de que jornalismo é negócio e, com isso retardam a adoção de práticas que poderiam melhorar a qualidade do produto final".

Sem ter se desligado do quadro docente da ECA e instigado por Marques de Melo, Lins da Silva fez da avaliação do "Projeto Folha" sua tese de livre docência, defendida em 1987, sob o título Mil Dias – análise das mudanças no processo de produção da Folha de S. Paulo durante a implantação do ‘Projeto Folha’ (maio/1984-fevereiro/1987).

No trabalho, revela a crença num jornalismo "objetivo" e "profissional", feito a partir de um esquema moderno de produção empresarial, em que o repórter deve abandonar o amadorismo e o improviso e seguir determinados padrões de conduta ética e técnica. Em linhas gerais, conclui que o "Projeto Folha" foi bem sucedido, o que se verifica pelo aumento das vendas do jornal e do número de anúncios, bem como pelo crescimento da empresa Folha da Manhã. Considera alguns dos resultados insuficientes para corroborar certas hipóteses estabelecidas de início devido à falta de parâmetros de comparação: por exemplo, a hipótese de que as técnicas e métodos do Projeto levaram à melhoria da qualidade do produto jornalístico no sentido de prestar melhores serviços e elevar o grau de satisfação dos leitores ou a de que o excesso de voluntarismo da equipe dirigente prejudicou e retardou os efeitos positivos do Projeto (Lins da Silva, 1987). Para essas hipóteses, embora se tenham evidenciado elementos que permitissem testá-las, não há (havia) parâmetro de comparação com outros jornais, por exemplo.

Em Mil Dias..., Lins da Silva considera a Folha de S. Paulo o exemplo pioneiro no Brasil de jornalismo profissional e objetivo, comprometido com a qualidade e com o papel de levar ao leitor todas as notícias, ainda que elas sejam contrárias à opinião do jornal, exercendo a liberdade de imprensa para garantir ao público o acesso a todo tipo de informação. Nesse modelo de jornalismo, considera qualquer controle da imprensa uma forma de cerceamento à liberdade de expressão. O que importa é garantir profissionalismo na produção das notícias, dissociando jornalismo de compromissos outros que não o atendimento às demandas do mercado de consumo e a manutenção de um produto considerado de qualidade pelo público leitor.

Nas conclusões de Mil Dias..., Lins da Silva dá a entender - embora não explicite, deixando "a cada pessoa" a decisão – que "as técnicas e métodos do ‘Projeto Folha’ foram decisivas para o crescimento da empresa", que "é benéfica à sociedade a ampliação da influência política da Folha" e que pode-se considerar "bom jornalismo" o que o jornal faz a partir das mudanças.

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Retorno aos EUA

Já professor livre-docente da ECA e no cargo de Diretor de Planejamento e Recursos Humanos da empresa Folha da Manhã (ao qual havia sido promovido), Carlos Eduardo Lins da Silva, decide voltar aos EUA para um período de estudos no The Woodrow Wilson International Center for Scholars, em Washington D.C.

Desse período, resultou seu último trabalho de fôlego: um estudo comparativo entre o jornalismo norte-americano e o brasileiro, publicado em 1991, pela Editora Summus, com o título O Adiantado da Hora: a influência americana sobre o jornalismo brasileiro. Nele, Lins da Silva defende que o padrão superior de qualidade dos jornais brasileiros em relação a seus congêneres latino-americanos foi atingido ao longo do tempo em que o jornalismo brasileiro viveu sob a influência do modelo norte-americano, ainda que não se possa afirmar que foi este o causador da melhoria de qualidade. O fato é que a influência deste sobre aquele é inegável e precisa ser estudada por aqueles que se preocupam em compreender o funcionamento do jornalismo brasileiro atual.

Manteve seus pontos de vista, apesar dos comentários explícitos daqueles a quem havia submetido o texto, inclusive o próprio apresentador do livro, Luis Carlos Azenha, e José Marques de Melo. Ambos sublinharam que o trabalho apresentava uma visão por demais benevolente para com a sociedade americana e condenatória da brasileira. Azenha o chama de "americanófilo" na apresentação, efetivamente publicada. Marques de Melo considera uma falha acadêmica a atitude "quase maniqueísta" expressa no texto.

Tais comentários, Lins da Silva os expõe no prefácio do próprio livro e justifica a insistência em publicar o texto original: "Acho importante tentar compreender melhor como se dá a absorção do modelo que – para o melhor e para o pior – o jornalismo brasileiro adotou para si próprio". Não considera o modelo americano "seu" modelo, mas o modelo hegemônico no jornalismo brasileiro. Por isso, pensa ser relevante apresentar "uma reflexão não-piedosa sobre os vícios e desvios que aqui têm ocorrido, mesmo para quem não os considere como tais, e sim como virtudes ou qualidades".

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Últimas considerações

Enquanto estudava no Woodrow Wilson, Lins da Silva manteve-se correspondente internacional da Folha de S. Paulo, escrevendo regularmente para o jornal.

Voltou ao Brasil em 1992 e atualmente é Diretor da sucursal da Folha em Brasília. Publicou, em 1991, o livro Perfis de Jornalistas, em 1992, o artigo "Communication and transition to democracy in Latin America", numa coletânea organizada por Thomas Skidmore e, em 1994, ganhou o Prêmio Maria Moors Cabot, da Columbia University.

Se de suas contribuições aos estudos de comunicação na América Latina algo pode ser ressaltado, é a seriedade e a clareza com que escreve seus textos, afastando-se do estereótipo e do lugar comum, preferindo a via mais custosa, por isso mais responsável, da revisão bibliográfica extensiva e reflexiva. Além disso, sua disposição para investigar os fenômenos da comunicação de massa de forma minuciosa, demonstrada tanto no trabalho de doutorado quanto no estudo comparativo do jornalismo norte-americano e brasileiro, indicam singular rigor metodológico.

Talvez por esses motivos, dentre outros, Marques de Melo o considere um renovador dentro do que chama de Escola Latino-Americana de Comunicação. Não porque rejeita os rótulos tradicionais, mas porque o faz de maneira consistente e sensata.

Quanto às evidentes mudanças em seu foco de interesse sobre o jornalismo, os primeiros textos são elucidativos da visão atual, por apresentarem conceitos basilares, aos quais continua fazendo recurso, ainda que nos pareça quase contraditório conciliar o jornalismo comunitário defendido à época de Raízes e Salário Mínimo e o jornalismo "profissionalizado" do "Projeto Folha".

 

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Bibliografia

 

  • AGUIRRE, J. M. "Consciência ideológica e formação crítica da consciência de classe". Comunicação e Sociedade, ano III, n. 6, set/1981, pp. 37-54.
  • CANCLINI, N. G. "Para que serve a cultura quando fazemos (ou não podemos fazer) a Revolução". In Encontro de intelectuais pela soberania dos povos de nossa América. São Paulo, Hucitec, 1982.
  • GRAMSCI, A. Os intelectuais e a organização da cultura. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1978.
  • ______. Concepção dialética da história. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1978.
  • HORKHEIMER, M. e ADORNO, T. "O iluminismo como mistificação das massas", In Teoria da Cultura de Massas. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1978, pp. 159-208.
  • LINS DA SILVA, C. E. "Indústria Cultural e cultura brasileira: pela utilização do conceito de hegemonia cultural", In Encontros com a Civilização Brasileira, v. 25, julho de 1980, pp. 167-194.
  • ______. "A comunicação populista de Aluizio Alves. Rio Grande do Norte, 1960-1980", In Populismo e Comunicação, São Paulo, Cortez, 1981.
  • ______. Em busca do voto perdido: os meios de comunicação na tentativa de restaurar um pacto populista. Natal, Coojornat/Adurn, 1982.
  • ______. "Jornalismo e ecologia", Comunicação e Sociedade, n. 7, março/1982, pp. 51-63.
  • ______, FADUL, A. e SANTORO, L. F. (orgs.). Comunicação, Hegemonia e Contra-informação, São Paulo, Cortez/INTERCOM, 1982.
  • ______, FADUL, A. e SANTORO, L. F. "Documento básico do IV Ciclo de Estudos Interdisciplinares da Comunicação", In Comunicação, Hegemonia e Contra-informação, São Paulo, Cortez/INTERCOM, 1982.
  • ______. "Comunicação, Hegemonia e Contra-informação", In LINS DA SILVA, C. E., FADUL, A. e SANTORO, L. F. (orgs.). Comunicação, Hegemonia e Contra-informação, São Paulo, Cortez/INTERCOM, 1982.
  • ______ e FESTA, R. (orgs.). Comunicação popular e alternativa no Brasil, São Paulo, Paulinas, 1986
  • ______. "As brechas da indústria cultural brasileira", In LINS DA SILVA, C. E. e FESTA, R. (orgs.). Comunicação popular e alternativa no Brasil, São Paulo, Paulinas, 1986.
  • ______. Muito além do Jardim Botânico – um estudo sobre a audiência do Jornal Nacional da Globo entre trabalhadores, São Paulo, Summus, 1985.
  • ______. "Romantismo e Industrialização", In Seminário de Jornalismo, São Paulo, Folha de S. Paulo, 1986.
  • ______. "A experiência de implantação do 'Jornal do Campus'", In MARQUES DE MELO, J. e LINS DA SILVA, C. E. (orgs.). Jornalismo Laboratorial na Universidade de São Paulo, Brasil: projetos pioneiros. Série Ensino, São Paulo, ECA/USP, 1987. (Relatório publicado originalmente na Série "Documentos CJE", no 1, São Paulo, ECA/USP, 1985).
  • ______. Mil Dias – análise das mudanças no processo de produção da Folha de S. Paulo durante a implantação do ‘Projeto Folha’ (maio/1984-fevereiro/1987). São Paulo, ECA/USP, 1987. (Tese de livre-docência).
  • ______. Memorial de atividades científicas, didáticas, culturais e profissionais. Escola de Comunicações e Artes da USP, 1987, 200 p. (Relatório)
  • ______. O Adiantado da Hora: a influência americana sobre o jornalismo brasileiro, São Paulo, Summus, 1991.
  • ______. Perfis de Jornalistas, São Paulo, ECA/USP, 1991.
  • MARQUES DE MELO, J. Teoria da Comunicação: Paradigmas Latino-americanos. Petrópolis, Vozes, 1998.
  • MATTELART, A. Frentes Culturales y Movilización de Masas. Barcelona, Anagrana, 1977.
  • MATTELART, M. e PICCINI, M. "La televisión y los sectores populares", Comunicación y Cultura, n. 2, 1978, pp. 3-76.
  • MATTELART, M. e A. De l’usage des médias en temps de crise. Paris, Alain Moreau, 1979.
  • MATTELART, M. "Chile: political formation and critical reading of television", In MATTERLAR, A. e SIEGLAUB, S. (eds.). Communication and Class Struggle: Liberation, Socialism. Londres, IG e IMMRC, 1983, pp. 75-83.
  • OLIVEIRA, F. de. Nordeste, anos setenta: as hostes errantes (inédito), 1980.
  • ROBERTS, Donald F. "The Nature of Communication Effects", In SCHRAMM, W. e ROBERTS, D. (eds.), The Process and Effects of Mass Communication, Urbana, University of Illinois Press, 1971.
  • RUBIN, David & SACHS, David. Mass Media and the Environment: Water Resources, Land Use and Atomic Energy in California. New York, Prager, 1973.
  • SCHRAMM, Wilbur. Men, Messages and Media: A Look at Human Communication, New York, Harper and Row, 1971.
  • THIOLLENT, M. Crítica Metodológica, Investigação Social e Enquete Operária. São Paulo, Polis, 1980.

 

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Principais publicações

 

Livros

1978

  • Ecologia e sociedade (org.). São Paulo, Loyola.

1979

 

  • Ideologia e poder no Ensino de Comunicação (org. c/ Marques de Melo, J. e Fadul, A.). São Paulo, Cortez & Moraes-Intercom.

1982

 

 

 

 

 

  • Em busca do voto perdido: os meios de comunicação na tentativa de restaurar um pacto populista. Natal, Coojornat/Adurn.
  • Jornalismo Científico e dependência: o caso brasileiro. (c/ Bueno, W. e Vieira, C. A.). Brasília, CNPq/Intercom.
  • Comunicação, Hegemonia e Contra-informação (org.). São Paulo, Cortez/Intercom.

1985

 

  • Muito além do Jardim Botânico: um estudo sobre a audiência do Jornal Nacional da Globo entre trabalhadores, São Paulo, Summus.

1986

 

 

  • Comunicação Popular e alternativa no Brasil (org.) São Paulo, Edições Paulinas. (também traduzido para o espanhol e publicado na Argentina por Ediciones Paulinas).

1988

 

  • Mil dias: os bastidores da revolução de um grande jornal, São Paulo, Trajetória.

1991

 

  • O adiantado da hora: a influência americana sobre o jornalismo brasileiro. São Paulo, Summus.

1992

 

  • Communication and transition to democracy in Latin America. EUA (parte de uma coletânea organizada por Thomas Skidmore).

1994

 

  • Brasil: trânsito da memória. São Paulo, Edusp.

Artigos em revistas científicas

1977

 

  • "A importante contribuição da ciência ao debate político", Cadernos de Comunicação Proal, n. 1, 1977, pp. 14-15.

1980

 

 

 

 

  • "Sartre e a Comunicação", Comunicação e Sociedade, n.3, jul/1980, pp. 86-91.
  • "Indústria Cultural e Cultura Brasileira: pela utilização do conceito de hegemonia cultural", Encontros com a Civilização Brasileira, n. 25, jul/1980, pp. 167-194.

1981

 

 

  • "Prensa Obrera y Sindical", Chasqui, n. 1, out/nov/dez/1981, pp. 29-34.
  • "Jornalismo popular no Rio Grande do Norte", Comunicação e Sociedade, n. 6, set/1981, pp. 61-77.

1982

 

 

 

 

 

 

 

  • "Alguns aspectos da indústria cultural num país de capitalismo periférico", Comunicação e Educação, n. 44, 1982, pp. 17-23.
  • "Jornalismo e ecologia", Comunicação e Sociedade, n. 7, mar/1982, pp. 51-63.
  • "Imprensa sindical na América Latina", Cadernos Intercom, n. 1, mar/1982, pp. 7-23.
  • "Estado, Sociedade Civil e Comunicação na América Latina", Cadernos Intercom, n. 3, ago/1982, pp. 5-32.

1983

 

 

 

  • "Comunicação Transnacional e Cultura Brasileira", Comunicação e Sociedade, n. 9, jun/1983, pp. 3-34.
  • "Jornalismo: a interação teoria-prática", Cadernos de Pós-graduação Comunicação Social, n. 3, 1983, pp. 22-24.

1984

 

 

  • "Crítica dos meios no Brasil", Geraes (revista do Centro de Documentação do Depto. de Comunicação Social da UFMG), n. 41, mai/1984, pp. 15-17.

1985

 

 

  • "Uma prova de fogo para a imprensa: a luta contra a desinformação", Revista Brasileira de Comunicação (Intercom), n. 52, jan-jun/1985, pp. 23-25.

1986

 

 

 

  • "As brechas da indústria cultural brasileira", In Comunicação Popular e Alternativa no Brasil, São Paulo, Edições Paulinas, pp. 31-52.
  • "USA Today: o êxito de um jornal superficial", Revista Brasileira de Comunicação, jan-jun/1986, pp. 55-57.

1987

 

  • "Straubhaar: o estudo crítico da comunicação começa a penetrar nos EUA", Revista Brasileira de Comunicação, n. 56, jan-jun/1987, pp. 9-12.

 

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Principais atividades profissionais

 

1971-1973

 

  • Membro da equipe de reportagem do Diário da Noite, Diário de São Paulo e Tribuna de Santos (Diários Associados)

1974-1975

 

  • Sub-editor de educação dos Diários Associados
  • Redator do suplemento Jornal de Domingo, do Diário de São Paulo

1975-jun/1976

 

  • Correspondente internacional dos Diários Associados nos EUA (enquanto fazia seu mestrado na Michigan State University)
  • Redator da coluna Ponto Crítico do Diário de S. Paulo

ago/1976 – 1978

  • Professor da Cásper Líbero, Unisantos, IMS (atual UMESP), ECA/USP

1977

 

  • Redator-chefe do jornal Raízes, do movimento ecológico de Santos
  • Redator e editor dos Cadernos de Comunicação Proal

1979-1981

  • Professor visitante da UFRN

1980

  • Editor do jornal Salário Mínimo, da Coojornat

1981 – 1984

 

 

  • Professor da ECA/USP (até 1988), do IMS e da Unisantos
  • (Nessa época foi também vice-presidente e secretário-geral da Intercom)
  • Editor de Cadernos de Pós-graduação – Comunicação Social (1982)

1983

 

 

 

 

  • Redator e editor do Boletim Intercom
  • Redator e editor da revista Crítica da Informação
  • Editor da revista Comunicação e Sociedade
  • Jornalista responsável pelo The Chronicle of the British Chamber of Commerce in Brazil

1984 - 1987

  • Secretário de Redação da Folha de S. Paulo

1987

 

  • Diretor de Planejamento e Recursos Humanos da empresa Folha da Manhã

1988-1991

 

  • Correspondente internacional da Folha de S. Paulo em Washington D.C.

1992

  • Diretor da sucursal de Brasília da Folha de S. Paulo

 

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