Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento Regional

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C A L E N D Á R I O

Carta à redação

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PCLA - Volume 1 - número 2:  janeiro / fevereiro / março 2000


Jorge A. González

A comunicação a partir dos mosaicos culturais e das relações de classe.


Ana Carolina Rocha Pessôa Temer

(Universidade Metodista de São Paulo / Brasil)


Trabalho de avaliação da disciplina Pensamento Comunicacional Latino- Americano, coordenada pelo Prof. Dr. José Marques de Melo, no Curso de Doutorado do Programa de Pós Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo

São Bernardo do Campo – SP
Junho/1999


Principais Links

 

1.História de Vida

1.1.Breve Biografia

1.2.Bases e Motivações para o trabalho

 

2. Produção Intelectual

2.1. Linhas Gerais do Trabalho (Questões sobre a Metodologia)

2.2. Alguns conceitos utilizados

2.3. Brevíssima reflexão sobre os trabalhos desenvolvidos

 

3. González e a Comunicação

3.1. González e a Escola Latino Americana de Comunicação

3.2. Trabalhos em desenvolvimento

Ciências cognitivas

 

4. Conclusão


5. Adendos

5.1. Quadros de Referência

5.1.1. Vida acadêmica e produções de Jorge A. González

5.1.2. Participações acadêmicas

 

6. Bibliografia

 

7. Notas


A comunicação a partir dos mosaicos culturais e das relações de classe.

 

1. História de Vida

 

1.1 Breve Biografia

Filho de uma família de migrantes da capital mexicana (seu pai é natural de Veracruz, província de Córdoba, e a mãe de Colima), Jorge González nasceu em novembro de 1954. Foi o sexto filho de uma família numerosa, onde o primeiro filho – um menino – foi seguido de perto por quatro meninas. Após um intervalo de sete anos, ele se tornou o caçula.

Sua formação foi fundamentalmente católica, incluindo o estudo numa escola dirigida pelos jesuítas – o Instituto Pátria. O próprio González ressalta a importância desta formação, afirmando que o capital cultural que esta escola dava para os alunos era infinitamente maior do que as outras escolas.

Apesar dessa primeira formação jesuítica (como ele próprio denomina) aos doze anos de idade sentiu necessidade de fazer sua própria busca religiosa, primeiro através da leitura da bíblia, depois através do isolamento e da meditação, que pratica desde 1974.

Também é característica de Jorge González a formação musical. Tendo nascido dentro de uma família de músicos, chegou a se manter dirigindo uma banda de rock nos seus primeiros anos do curso universitário. Jorge González afirma que mais do que fazer música ele as sente: "mais do que a técnica musical cultivo a emoção e a intuição musical."

A formação universitária de Jorge González tem início com uma tentativa de cursar engenharia, influenciado pelo pai e o irmão, ambos engenheiros. A decepção com os métodos de estudo e com a superficialidade dos colegas o fizeram optar pela sociologia e pela comunicação na universidade Ibero Americana da Cidade do México, também dirigida pelos jesuítas. A mudança foi considerada uma loucura, e Jorge González chegou a ser encaminhado ao serviço de orientação psicológica. Seu caráter determinado (que iria demonstrar em vários outros episódios) e a sensação de que ele mesmo descreve como "entrei no mar, no meu mar"(1), o fez prosseguir.

Ele destaca que sua formação foi nitidamente humanista, vincula a disciplinas como ética, estética e a literatura, mas ressalta também a influência de grandes mestres da comunicação oriundos das Universidades de Michigan e Stanford.

No curso de Comunicação González orientou seus estudos para a sociologia da educação, e em função disso conheceu Gilberto Gimenez, que o introduziu nos estudos de Pierre Bourdieu e de A. Cirese. Principalmente, essa influência o fez estudar muito o marxismo.

González data o início do seu interesse pela cultura popular quando ingressou no mestrado de sociologia da cultura, dirigido por Gilberto Gimenez. No entanto o seu trabalho de conclusão do curso de graduação, intitulado O teatro popular camponês como instrumento de comunicação, já demonstra que sua atenção estava centrada neste assunto. O trabalho teve como ponto central de estudo o relacionamento da macrocomunicação (urbana) vertical, com a comunicação horizontal de uma pequena população camponesa, e foi desenvolvido numa comunidade dos arredores da capital mexicana. Além da conclusão da graduação, o estudo lhe trouxe duas conquistas especiais: o domínio dos idiomas francês e italiano, necessários para a compreensão dos trabalhos de Bourdieu, Cirese e Gramsci.

Desde o início, González vai situar a cultura popular de forma diferenciada dos seus mestres americanos, e entendê-la como a cultura dos explorados, subalternos ou marginalizados. Dentro deste espírito, desenvolvo o seu primeiro trabalho dentro do mestrado, um estudo empírico sobre a cultura popular dos camponeses situados ao norte da Cidade do México.

O trabalho de conclusão do mestrado foi realizado numa comunidade distante da capital mexicana, que contava com uma rádio dirigida por jesuítas. O objetivo da pesquisa foi avaliar por que após cinco anos de animação popular e promocional a audiência ainda era pequena.

A dissertação, publicada em 1990 no livro intitulado Sociologia das Culturas Subalternas, inicia a sua parte teórica com a sobre o popular e a cultura, e explica a metodologia usada para estudar as culturas populares, centrada nos conceitos gramiscianos e no conceito de P. Bourdieu de habitus de classe.

Além das conclusões formais que obteve no trabalho (assunto que será abordado no capítulo específico), a conclusão da dissertação levou o pesquisador a concluir que estava usando as categorias cultura popular x cultura hegemônica de maneira errada: "Depois de ter feito dois grandes trabalhos empíricos, convivendo com os camponeses, inclusive os mais pobres, me dei conta que a abordagem que fazia da cultura popular era como se fosse um inglês... Senti que não podia fazer uma pesquisa popular como se fosse um argentino ou um americano"(2).

A constatação levou González a fazer uma crítica metodológica ao seu trabalho de pesquisa, o pontapé inicial para que começasse a perseguir a idéia de desenvolver uma a suficiente agudez metodológica para realmente confrontar a cultura popular e a cultura dominante.

O término do mestrado significou também o início da vida como professor universitário na Universidade Autônoma Metropolitana (UAM). Esta instituição (como várias outras no México) havia recebido um grande número de intelectuais latino americanos que deixavam seus países de origem em função da perseguição dos regimes militares.

O amplo estudo sobre os trabalho de Marx desenvolvido por González e o respaldo acadêmico conquistado pelo trabalho de pesquisa desenvolvido na sierra não evitou o confronto com esses intelectuais "senti uma visão muito maniqueísta. Ela (a universidade) estava sendo controlada por um grupo de santões (dogmáticos) e eu sempre fui um iconoclasta"(3).

González, então um jovem de 24 anos, se opôs as certezas dos mestres que já estavam na faixa dos 60.

Nessa época tem início a participação do jovem mestre nos congressos. Mas também esse início não ocorre sem o confronto com o corpo acadêmico da universidade:

Em 1980 foi organizado pela AICA um congresso em Acapulco. Docentes da UMA, assim como de outras universidades mexicana, fizeram um boicote ao encontro por entender que ele era organizado pelos americanos através da CIA. González declarou que iria participar pois no encontro estariam os jovens mexicanos diante da postura funcionalista americana e da própria posição da CIA.

O congresso foi também o ponto de encontro com o pesquisador Jesus Martin Barbero, com o qual passou a manter um relacionamento estreito.

Neste mesmo ano, González funda a área de pesquisa em comunicação e hegemonia em culturas subalternas da Universidade Autonoma Metropolitana, a qual esteve ligado durante quatro anos.

Entre outros trabalhos González organiza o primeiro encontro nacional de socidades-culturas populares, para o qual convida nomes como Cirese, Paulo Freire, Signoreli, Jesus Martin Barbero, M. Morangas e muitos outros.

Dando continuidade a essa linha de estudo, González inicia em 1982 um projeto que durante 10 anos irá estudar as frentes culturais em três áreas:

- religiosidade popular

- feiras e festas populares

- melodramas televisivos

A primeira opção de doutorado de Jorge González é em um curso de Pesquisa em Antropologia a ser desenvolvido na Universidade de Roma, sob a orientação de A. Cirese. Motivos políticos mudam a coordenação e transferem esse doutorado para Messina. Em função disso, González volta para o México e inicia o doutorado da Universidade Ibero Americana. Junto com ele está o também estudioso da comunicação Jesus Galindo.

Em 1984 dois fatos marcam a vida de González: ele dá início a pesquisa de campo da sua tese de doutorado (que irá concluir em 1986) e deixa a segurança da Universidade Metropolitana para trabalhar na Universidade de Colima, onde são criadas sete novos campos de pesquisa.

Em Colima ele é contratado por tempo indeterminado e com ampla liberdade. Já nesta Universidade González inicia ciclos de seminários sobre a cultura, já que, como ele mesmo afirma "Este programa de cultura criado em Colima não é simplesmente um programa de cultura em comunicação; nosso problema é a cultura; por isso participam deste debate sobre o trabalho empírico que fazemos antropólogos, sociólogos."(4)

O trabalho prossegue, marcado pela intenção de pesquisar a cultura de todo o México. São feitas 900 histórias de vida em 60 cidades do México.

Em 1985 González inicia, juntamente com Jesus Martin Barbero, um trabalho comparativo das novelas em três países. Uma ruptura com Barbero (sobre a qual González não faz comentários) encerra a multinacionalidade do projeto, mas ele continua pesquisando o assunto durante sete anos, até 1992.

O marco metodológico desta pesquisa, que investiga em profundidade a produção de telenovelas está descrito na publicação Navegar, naufragar e resgatar, escrito em 1992 (5), em Madri, para onde González embarca à convite de Manuel Martin Serrano.

Um pouco antes González inicia um nova etapa de trabalho, se agregando ao Sistema Nacional de Informações sobre Cultura. Este projeto tem início a partir da fundação de um seminários de estudos sobre as culturas por Guilherme Bonfil, dentro do próprio Ministério da Cultura, em 1989. Este projeto de grande amplitude, visa a recuperação de informações em três áreas:

- bibliografia

- normatividade

- informações básicas

Em Colima estes dados são informatizados e é produzido um CD-Room. O projeto atravessou mais de um governo, e tornou-se modelo para outros países latino americanos.

Em 1990 González ganha o prêmio do primeiro concurso mundial de jovens sociólogos com um artigo sobre a férias, intitulado Jogo Perigoso.

Atualmente Gonzáles está desenvolvendo dentro da Universidade de Colima um programa-cultura, que envolve uma rede de 10 cidades e cerca de 140 pesquisadores, dentro de uma proposta de trabalho aberta.

 

1.2 Bases e Motivações para o trabalho

A releitura da bibliografia básica do pesquisador mexicano Jorge A. González ainda que revele pontos fundamentais de sua obra, pode ser melhor compreendida através da análise de declarações que não estão diretamente ligadas aos trabalhos que ele desenvolveu ou até mesmo, o que não foi dito de forma objetiva, mas que está presente nas entrelinhas.

É o próprio González que diz que "Não terminei comunicação em comunicação mas em sociologia, sou híbrido". E completa: "No México, me consideram comunicólogo.

As duas frases revelam bastante da formação e até do caráter do pesquisador. Em primeiro lugar, vamos falar da sua formação. Partindo da referência confessada por ele mesmo de que a sua formação é basicamente humanista, fica fácil perceber através do trabalho de Jorge González um incontestável conhecimento dos autores clássicos. Os nomes citados, como Decartes, Contel, Hengel, Marx, Max Weber, podem ser colocados entre os fundadores de linhas de pensamento.

Por outro lado, os autores mais contemporâneos que ele cita, destacam-se principalmente por seu trabalho de interpretação e revisão desses clássicos.

Nesse conjunto, merece destaque especial o italiano Gramsci – que não cabendo em nenhuma das duas definições, pode ao mesmo tempo ser incluído em ambas.

A influência das idéias (ou ideais) do marxismo transparece facilmente no trabalho e de González. Esse é um perfil bastante comum para quase todos que estavam nos corredores de uma universidade do chamado terceiro mundo na década de 70. Pouco comum é a profundidade dos estudos que desenvolve nesta área e o espírito crítico que usa para analisar o trabalho de Marx e daqueles que seguem uma linha marxista.

González compartilha com Gramsci o entendimento que é necessário compreender a lógica das relações culturais para compreender (e modificar?) a sociedade. Desta forma, ele busca entender o complexo emaranhado dessas relações, através de suas interdependências e reconstruções de sentido – e dentro deste emaranhado o papel especial da comunicação. Para desenvolver esse trabalho, González usa uma metodologia específica – ainda que não única – que parte das conquistas das ciências sociais (em especial a sociologia e a antropologia).

Ainda caminhando com Gramsci, González procura construir o seu trabalho em função das relações entre as classes sociais, seguindo caminho contrário de outros autores que enfatizam apenas as suas diferenças.

Esse aspecto, que poderia passar quase irrelevante para uma leitura da personalidade, revela um certo inconformismo por parte do pesquisador. González marca o seu trabalho e trajetória de vida pela não concordância cega com os comportamentos e padrões esperados. Isso fica claro quando se coloca contra a posição de seus colegas da academia e participa do Congresso Organizado pela AICA (e pela CIA?) em Acapulco. Posição que ele González explica afirmando: "Somos muito machos aqui dentro da Universidade, precisamos nos abrir para o confronto e o debate: portanto eu vou participar do debate"(6). A mesma força e confiança transparece quando, aos 24 anos, dispõe-se a enfrentar o dogmatismo dos professores estrangeiros que buscaram refúgio nas universidade mexicanas: mestres que tinham uma média de 60 anos e carregavam consigo a relativa (e em alguns casos, não tão relativa) fama que haviam conquistado em seus países de origem, além do capital simbólico (7) de exilados políticos, fugitivo dos regimes militares.

Da mesma forma, são aspectos reveladores do caráter de Jorge González o seu interesse pelos moradores das sierras, pelo teatro popular camponês e até mesmo o regresso à Colima, cidade natal da sua mãe, onde ele chega disposto a ajudar a transformar uma universidade cujo nível de qualidade era, nas suas próprias palavras "zero Kelvin" (8), em uma das quatro novas instituições de qualidade no país.

Para conhecer o caráter de González também não deve passar despercebido a necessidade que o motivou a rever sua formação jesuítica, buscando suas próprias bases religiosas.

Por fim, ele mesmo se auto define como músico – que além de tocar faz composições, e suas constantes referências à família.

 

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2. Produção Intelectual

 

2.1. Linhas Gerais do Trabalho (Questões sobre a Metodologia)

O trabalho de Jorge González busca interpretar as tramas das relações culturais e como nela se insere a comunicação, buscando compreender as relações entre classes sociais, tanto nos aspectos relativos a sua interdependência, e principalmente, na reconstrução de sentido. Para isso ele usa abordagens tanto da sociologia quanto da antropologia, ainda que sem se restringir apenas a elas, realizando uma exaustiva observação das festas, telenovelas, e estudos das famílias, espaços _ ou frentes culturais (9) _ onde ocorrem as lutas entre as classe (hegemônica e subalterna) e onde se revelam as verdadeiras relações, tensões, processos e produtos da comunicação.

Podemos dizer, portanto, que são trabalhos de observação direta do receptor numa perspectiva em que a comunicação social é entendida como algo relacional: o lugar onde se constrói, ou se desestrutura o sentido do interlocutor dentro do limite da realidade social. O sistema de comunicação, para González, é um conjunto de elementos que se relacional entre si e com o meio circundante, que abordam "múltiples y complejas relaciones" (10) tendo como um dos elementos importantes o dinamismo próprio das forças que geram internamente esta evolução.

De uma forma geral o seu trabalho tem como característica básica a preocupação metodológica. González entende que cada trabalho desenvolvido envolve uma situação única, que por sua vez exige uma metodologia adequada, seja ela a etnografia, a semiótica, a estatística ou a história de vida. Ele critica acidamente as opções metodológicas utilizadas (algumas vezes com um "rigor mortis" (11) ) por pesquisadores no estudo da cultura e, em particular, da cultura popular:

"...veremos casi siempre el predominio y la importación muchas veces acrítica de autores, de teorías, de métodos e técnicas, que como principal valor tienen em común ser ‘extranjeros’. Los desfiles de referencias, planteamientos y ‘analisys’ de acuedo a las modas que se dicten en las capitales del pensamiento en turno ..." (12)

De fato, González afirma (13) que a nossa (dos pesquisadores Latino Americanos) prática científica está repleta de prejuízos e múltiplas pobrezas:

  1. primeira seria o desrespeito as ciências sociais, já que mesmo entre os nossos cientistas persiste a idéia de que só as chamadas ciências duras seriam verdadeiramente ciências;
  2. pobreza teórica: a importação acrítica das idéias, gerando um panorama (para dizer de forma resumida) incompleta;
  3. pobreza estratégica: a mera aplicações dos métodos e as vezes das técnicas, produzindo aproximações planas e algumas vezes unidimensionais;
  4. pobreza tática: uso superficial das propostas
  5. pobreza informativa: dados de segunda ou terceira mão, pouco elaborados e pouco analisados;
  6. pobreza crítica: pouca ou nenhuma crítica sistemática, muita glorificação e referências cruzadas (você me cita, eu te cito, etc.);
  7. pobreza epstemológica: sem o desenvolvimento teórico suficiente e fudamentados em nossos próprios processos, ligado a idéias estereotipadas;
  8. pobreza política: incapacidade de falar sobre a sociedade e seus processos, uma espécie de esquizofrenia que impede de buscar informações com as realidades e com os atores/sujeitos reais desta realidades que estão à nossa volta.

A crítica de González é tão profunda, que envolve a primeira fase do seu trabalho, desenvolvida na pesquisa de mestrado, no qual desenvolveu uma pesquisa nitidamente etnográfica, e assume essa decepção no depoimento que faz a Nivaldo Luiz Pessanti (14), afirmando que:

"... depois de ter feito dois grandes trabalhos empíricos, convivendo com os camponeses, me dei conta que a abordagem que fazia sobre a cultura popular era como se fosse um inglês. Não tinha ainda conseguido desenvolver a suficiente agudez metodológica para realmente confrontar a cultura popular e dominante"

A partir de então González torna-se consciente de que a complexidade o seu trabalho exige uma diversidade de olhares, uma vez que , estamos "vivendo en sociedades profundamente diferentes a las muy industrializadas y tecnificadas y dentro de espacios culturais contraditórios, múltiples y superpuestos en permanente conflicto" (15).

Embasado numa formação plural e entendendo "Ninguna metodologia se realiza en el vacío..." (16), González desenvolve o conceito de que "la realidad no está estructurada, es estructurable, no está ordenada, es ordenable de muy diversas maneras" (17).

Parte então para uma polifonia metodológica – como ele próprio define – que busca sobretudo obter ao mesmo tempo clareza e possibilidade de ser refutável, mensurável, e transformável. É a busca incansável por uma metodologia falsificável, através da qual possa ser entendido o processo, o mecanismo que revela o social. Para Jorge González a escolha das opções metodológicas é um caminho que se faz caminhando com tenacidade e com prazer (18).

Para González não existem métodos pré-definidos, receitas a serem seguidas. A investigação científica exige um trabalho criativo, uma vez que o papel fundamental do cientista é usar a metodologia para um tipo de estruturação da realidade. Cada caso deve considerar os objetos e suas representações subjetivas e as relações que ocorrem no interior do sistema:

"Si pensamos que la ciencia está en el empleo de una técnica o un método ya consagrado o en la revelación de um pensamiento elegante y persuasivo pero si constastación posible, renunciamos al oficio y escamoteamos la responsabilidad de la criación, diseño y operación de nuestros proprios marcos metodológicos, de nuestras proprias rutas y derrotreros." (19)

Em síntese, Jorge González entende que o estudioso não é dono da verdade, mas alguém que procura compreender, estocar, classificar e correlacionar os dados obtidos. Ele entende que toda metodologia é limitada, e que "toda observación ‘objetiva’ está cargada de interpretación y, en el mejor de los casos, de teoría" (20). Assim, é necessário conquistar a solução de cada problema, pois o processo de investigação se fundamenta também no tipo de perguntas feitas antes e durante uma pesquisa: "la investigación de datos ‘puros’no existen jamás" (21)

2.2. Alguns conceitos utilizados

González trafega entre grande número de autores, escolas e ciências do comportamento. Principalmente por isso, para entender o seu trabalho é necessário compreender alguns conceitos básicos.

Seu objeto de estudo compreende sempre a questão da Cultura e da Ideologia González vai estuda-los a partir da consideração que estes são um fenômeno social e total, já que toda cultura se produz e íntima relação com a estrutura social.

Um dos autores mais presentes nos trabalhos de González é Gramsci, que entre outros temas, dedicou parte de seus estudos ao entendimento das manifestações culturais das classes populares, entre elas o folclore, o senso comum e a religião (22). Podemos dizer que é nele que se fundamenta a visão de mundo de González. Em termos prático, ele utiliza principalmente o conceito de hegemonia e classe hegemônica. Evidentemente, este conceito remete aos conceitos marxistas de classe e estrutura social (23). Diferentemente de Marx, porém, a hegemonia passa pela mediação ideológica, e é nessa mediação ideológica que se inserem as atividades culturais e os meios de comunicação (24). No contexto gramsciano, a ideologia é entendida como fator que explica as relações de produção (25), uma vez que podemos entender a estrutura de classes do ponto de vista da produção (instância econômica) como um sistema de exploração, do ponto de vista da organização social (instância política) como um sistema de dominação, e no âmbito das representações sociais, um sistema de hegemonia (26).

Esse sistema de hegemonia se manifesta de diferentes formas. González compreende que podemos encontrar no interior de uma mesma sociedade diversos sistemas de representação que, em virtude da estrutura classista que define a formação social, não apenas são sistemas diferentes, como muitas vezes, opostos. A existência de diversas modulações do discurso social comum, composto de elementos culturais transclassistas, constituem um lugar privilegiado da luta pela hegemonia, o que dá relevância aos estudos dos desníveis internos de cultura.

González compreende, no entanto, que

"No se puede estudiar la hegemonia sólo a partir de las diferencias. Para que se pueda dar uma relación social de articulación compleja del consenso y la autoridad, se tiene necesariamente que fundar al menos algunos elementos comunes." (27).

A compreensão deste parágrafo exige a introdução de dois outros conceitos fundamentais para González: cultura e frentes culturais.

Para González a concepção de cultura se inicia com a análise da reação de Edward B. Taylor (28) à concepção distorcida e etnocêntrica divulgada anteriormente. González prossegue com o estudo de Fraz Boas, no qual encontra elementos da vida dos indivíduos e suas relações, e chega à concepção de harmonia/inteligitibilidade entre os vários fatores culturais de uma sociedade, elaborado por Ruth Benedict e Ralf Linton – ambos discípulos de Boas

González, no entanto, alerta que esses modelos são limitados, uma vez que não contemplam a diluição do social no cultural, deixando de lado as relações sociais objetivas, uma vez que para ele cultura é um produto adquirido socialmente. Ou seja, a cultura incluí todas as manifestações dos hábitos sociais de uma comunidade e as relações individuais, na medida em que estas afetam os costumes do grupo no qual vive esse indivíduo; cultura é também o produto das atividades humanas, na medida em que essas atividades são determinadas pelos costumes.

"Nos parece que ante todo la cultura es un modo de organizar el movimiento constante de la vida concreta, mundana y cotidianamente. La cultura es lo principio organizador de la experiencia; mediante ella ordenamos e estructurramos nuestro presenta a partir del sitio que ocupanos en la red de relaciones sociales. Es, en rigor, nuestro sentido prático de la vida." (29).

Já frentes ou campos culturais – que ele chama de arena dos sentidos (30) são os espaços onde se "tocam" as culturas de classe, fronteiras ou limites de contato ideológico entre as concepções e práticas culturais de diferentes grupos e classes construidas que coexistem em uma mesma sociedade. Ou seja, espaços sociais onde entram em contato as culturas legitimas e legitimadoras das classes e grupos dominantes que tenham se tornado dominantes, o espaço onde essas duas culturas "lutam" para se legitimar ou se manter legítima.

Em função disso, ele trabalha outro conceito fundamental para os seus estudos, o conceito de habitus de classe, de R. Fosseaert. Este autor parte da premissa que uma teoria da cultura deve ser elaborada dentro de uma teoria geral das ideologias, que por sua vez deve ser parte integral da teoria dos modos de produção na sociedade.

Assim González encontra o conceito elaborado por P. Bourdieu, no qual a cultura se materializa em instituições, gestos e ações. O habitus de classe seria então a assimilação pelos membros de uma classe das condições objetivas de sua existência em forma de esquemas inconscientes de produção e concepção.

O habitus de classe revela as ações/relações sociais objetivas, suas condições materiais reais, o jeito de ser e de fazer do indivíduo desta classe e as suas relações com as estruturas sociais. Desta forma, o conceito habitus de classe compreende a cultura de forma dialética, entendendo-a ao mesmo tempo como produto social e categoria produtiva.

González alerta porém que este conceito é insuficiente quando referido à prática de forma genérica ou quando aplicado em relação as classes mais complexas.

Passando por Bourdieu, González busca em Alberto Cirese o conceito de campo –ou frente – cultural, descrito como um sistema específico de relações (de cumplicidade ou de luta) manifestadas de forma objetiva entre membro de posição diferentes. Constituem-se campos culturais as festas, as famílias, as manifestações religiosas, as telenovelas, etc. Ou seja, zonas fronteiriças – porosas e móveis, entre cultura de classes e grupos socialmente diferentes, que são as verdadeiras frentes de batalhas, arenas de lutas culturais entre combatentes com recursos e conteúdos desnivelados. Segundo González, nestas frentes culturais normalmente podemos observar as formas simbólicas e práticas sociais que tem as múltiplas operações (econômicas, políticas e culturais) que com o tempo se tornaram óbvias, comuns e socialmente compartilhadas entre agentes sociais muito diferentes. Em resumo, os espaços onde ocorrem as múltiplas lutas simbólicas entre classe hegemônica e classe subalterna para o estabelecimento de uma "direção intelectual e moral da sociedade" (31).

Para González são nestes espaços que se manifestam as tensões, processos e produtos (entre eles a comunicação) que revelam as verdadeiras relações entre classe, e nos indicam como foi negociada a relação social que chamamos de hegemonia.

A questão da cultura, e sobretudo da cultura popular, é o ponto central do trabalho de González, e deve ser vista como uma influência direta das reflexões de Gramsci sobre a ideologia representada – o portanto identificável – nas manifestações folclóricas (32).

É preciso dizer que, assim como Gramsci, González se afasta da concepção de cultura popular como algo "fora de seu tempo", uma manifestação anacrônica cujo significado real já se perdeu. Ao mesmo tempo, no entanto, ele foge da visão romântica e alerta que essa cultura não pode ser entendida como algo autêntico, expontâneo, ideal. Por fim, González foge também da concepção populista, já que chama atenção que o popular se define pelo uso e reconstrução da função, e não pela sua origem (33).

Já falamos que para Gramsci essas manifestações são formas de retratar a concepção do mundo - a filosofia seria a mais elaboradas destas formas. Mais adiante, o mesmo autor afirma que "a filosofia de um determinado período histórico não é senão a ‘história’ desta mesma época (34).

Assim, para González o popular tem um aspecto classista tanto no aspecto relacional quanto histórico, e proporciona uma aproximação real, e não apenas normativa, como o tema a ser estudado. A partir do estudo de Gramsci, González inicia o estudo de Cirese, que enriquece a perspectiva vertical e classista com uma perspectiva de cortes transversais e abre a possibilidade teórica de pensar a subjetividade de processos como a arte, os movimentos feministas, e outros a interesses de classe.

Por fim, González afirma que a Cultura, ao invés de diferenciar, cria identidades. Ele lamenta a ausência de categorias que permitam pensar e analisar os espaços onde se produzem, reproduzem ou se desestruturam as identidades, áreas do social onde culturas desniveladas se encontram e se reconhecem em estruturas significantes similares, ainda que cada classe faça isso à seu modo. São as áreas onde se modela e se molduram os elementos transclassistas, o elemento humano, matéria prima da vida cotidiana (35).

 

2.3. Brevíssima reflexão sobre os trabalhos desenvolvidos

Instado a comentar os trabalhos desenvolvidos durante a sua vida acadêmica, o Prof. Jorge González faz as seguintes reflexões (36):

O primeiro livro Sociología de las culturas subalternas (37) é uma reflexão teórica e empírica em conceitos chaves para entender a relação social complexa do ponto de vista da cultura.

A partir daí, parti para o desenvolvimento do estudo das frente frentes culturais, o livro Más(+) Cultura(s) (38) sintetiza dez anos de estudo neste tópico.

O livro sobre telenovelas é uma dívida com a equipe do Programa Cultura de Colima e a Red de Comunicaçión Compleja. Ele reúne todos os textos que eu e os sócios do Programa Cultura publicaram sobre telenovelas além de uma série de textos novos para esta edição.

 

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3. González e a Comunicação

 

O rigor metodológico dos trabalhos desenvolvido por González, o detalhamento que usa para definir conceitos e analisar a cultura popular, parecem apontar para um distanciamento do estudo da comunicação.

Trata-se, no entanto, de uma impressão inicial. Ainda que declare que "não terminei comunicação em comunicação mas em sociologia, sou híbrido" González conclui "No México me consideram comunicólogo" (39). Podemos ver então que ainda que o seu trabalho tenha como eixo central a questão da cultura popular, ele sempre atravessa a questão da comunicação.

É assim que na sua tese de licenciatura, intitulada O teatro popular-camponês como instrumento de comunicação. O trabalho é um estudo sobre a população rural dos arredores da cidade do México, e a sua como proposta fundamental entender como a comunicação horizontal de uma pequena população camponesa se relaciona com a comunicação vertical, externa e macro em vários aspectos, da cidade grande e extremamente urbanizada, da qual a comunidade estudada estava bastante próxima.

O trabalho de mestrado (40), ainda que realizado bem mais distante da cidade do México, numa comunidade onde a rádio dirigida por jesuítas não conseguia obter uma boa receptividade do público. González entende que avaliação deste veículo só é possível com a compreensão da sua cultura. Após estudar os habitus de classe daquela comunidade ele conclui que o problema estava na postura dos jesuítas que dirigiam a emissora. Ainda que os sacerdotes fossem dedicados e sacrificados, e vivessem em igualdade de condições da população local (no geral, bastante pobre) eles tinham uma postura de "donos da verdade" (41) (Eu tenho o saber e sei que vocês não sabem. Eu sei e por isso ensino. Vocês não sabe e eu venho liberta-los). Colocado-se de forma inconscientemente acima dos moradores locais, esses jesuítas criavam uma barreira para a comunicação e não obtinham os resultados esperados.

A partir do doutorado González começa a estudar a questão das telenovelas a partir da noção de que elas se constituem campos (ou frentes) culturais. Esse trabalho é desenvolvido com Jesus Galindo e, durante algum tempo, com Jesus Martin Barbero com quem chega a desenvolver um estudo comparativo de telenovelas em três países (Colômbia, Peru e México), chamado Colima Calilima. O projeto não prossegue mas González continua pesquisando o tema por sete anos, se aprofundando particularmente na questão da produção das telenovelas.

É preciso entender, porém, que para González comunicação não é simplesmente os meios e as suas propostas podem ser melhor entendidas a partir de um estudo da cultura, uma vez que a comunicação é algo relacional, uma prática cultural e um processo onde ela mesma se relaciona com os seus produtos: o espaço, dentro do limite relacional da sociedade, onde se constrói, consolida ou desconsolida o sentido do interlocultor.

"mediante ella (42) la sociedad ‘habla’, retrata e se retrata, nombra, clasifica y evalua desde una perspectiva que diseña mundos posibles y al harcelo colabora al proceso general de valoración simbólica del mundo social" (43)

O próprio González admite estudar a produção organizacional de produtos culturais na sociedade atual é um importante material para começar a construir uma série de relações entre a produção e o seu produto, uma vez que o sistema de comunicação é um conjunto de elementos que se relacionam entre si e com o meio circundante, tendo como um dos elementos definidor o dinamismo das forças internas que geram a sua evolução.

Para compreender este processo devemos obrigatoriamente entender as instituições complexas onde ele é formalmente produzido, respondendo três pontos fundamentais: quem faz o que? (estrutura interna, organizacional e hierárquica dos meios de comunicação), de que forma é feito? (rotinas e "formas" como são feitos), e de que forma esses profissionais vêem o seu próprio trabalho (representações sociais dos profissionais por eles mesmos).

Neste sentido, o seu trabalho sobre telenovela é exemplar. González compreende que:

"La telenovela, tal como se generado en México, es un espacio fractal donde se lucha por la definición del valor simbólico, no sólo del formato, sino de las formas sociales que ella pone en escena y que largamente exceden los limites del texto y su textura." (44)

Assim ele busca entender todo esse processe e realiza seis anos de pesquisa com diferentes metodologias, aplicadas em diferentes espaços, visando obter resultados complementares e mutuamente esclarecedores. Ou, usando suas próprias palavras:

"... nuestra posición respecto al estudio de la(s) cultura(s) y la necesidad de dar cuenta de su especificidad semiótica sin perder de vista su condición extrasemiótica o, si quiere, ‘parasemiótica’ " (45)

 

3.1. González e a Escola Latino Americana de Comunicação

O professor José Marques de Melo, nos seus estudos sobre os estudiosos da Escola Latino de Comunicação, classifica o professor Jorge González entre os aqueles que estão contribuindo para renovar essa escola. É fácil entender porque quando confrontamos o perfil de Jorge González como pesquisador com as características desta escola.

Ainda que inicialmente os trabalhos de González mostrem uma real fixação com os estudos das culturas populares e suas manifestações nas sierras mexicanas, é fácil extrapolar a aplicação destes trabalhos para situações semelhantes em outras localidades da América Latina. O próprio González parece consciente disso quando se propõe a fazer uma análise multinacional do caráter da telenovela (trabalho iniciado conjuntamente com Jesus Martin Barbero e que não foi concluído). Sua inserção neste trabalho, assim como em seus estudos envolvendo a produção das telenovelas, confirma o caráter multinacional desta escola, que trata de problemas comuns a vários países. De fato, essa pesquisa, mais do que qualquer outra, mostra "polifonia" metodológica do González pesquisador, uma vez que ele não se limitou a um único método de pesquisa lançando mão de vários deles alternadamente e algumas vezes até simultâneamente para melhor compreender os diversos aspectos relativos a concepção, produção e recepção, tudo que o levasse a entender como "la sociedad mexicana se relaciona com las peculiares formas simbólicas que son las telenovelas" (46)

O trabalho de González também tem um caráter plurifuncionalista, superando a dicotomia entre o pensamento básico e o pensamento aplicado, outra característica central da ELACOM. De fato, o trabalho de González desenvolve toda a pesquisa básica sem esquecer sua aplicação prática, aplicação está quase sempre motivada por um compromisso ético – outro traço fundamental da ELACOM - de contribuir com as políticas de comunicação e com a qualidade de vida daqueles que são receptores desta comunicação, procurando fugir do elitismo e do populismo e respeitando os interesses coletivos. González alerta que "Los sistemas de conocimentos de América Latina y México podrán aspirar a un futuro más abierto sólo si nos ocuparmos efectivamente en abrirlo." (47)

Acima de tudo, González tem uma preocupação fundamental com a qualidade da pesquisa científica desenvolvida pelos pesquisadores da América-Latina, buscando desenvolver trabalhos que resultem no aumento de uma auto-estima das comunidades emergentes de pesquisa, de forma que eles comecem a desenvolver ao mesmo tempo o respeito por essa atividade e uma base própria de formação e de informação. Segundo González, somente desta forma os pesquisadores latino americanos vão enfrentar a possibilidade de "convertinos en ciudadanos para dejar de ser súbditos, con todos os riesgos de incertidumbre y azar que ello implica" (48).

Também são evidentes dois outros traços fundamentais: a mestiçagem teórica e o hibridismo metodológico.

A mestiçagem teórica fica evidente quando retomamos os autores citados na análise do desenvolvimento dos trabalhos de González e a sua busca de referencial em várias teorias. Embora seus trabalhos centrem-se numa visão gramcsiniana, ele retoma outros teóricos sempre que considera que seus conceitos são insuficientes. Quanto a metodologia, González é mais do que plural, é múltiplo, usando várias delas de acordo com as necessidades dos objetos de seu estudo passando pela etnografia, semiótica/semiologia, estatística e história de vida, para citar os mais comuns. Podemos dizer, no entanto, que mais do que o equilíbrio entre qualitativo e o quantitativo, González se aventura por métodos sincréticos, como a etno-semiótica.

Sobre a multiplicidade metodológica, há um trecho do trabalho de González que é esclarecedor:

"La realidad no habla si no lo preguntamos, pero no responde cualquier pregunta del mismo modo. En este sentido, um decisivo valor adquiere la objetivacion de las estrategias de construcción que utilizamos para volver observables estos processos, práticas y objetos desde el punto de vista de la cultura, desde el ponto de vista de la construción, de/construcción y reconstricción de los sentidos de la vida y del mundo. Ÿ como diece el refrán: ‘de acuerdo al sapo, la pedrada’(49)"

 

3.2. Trabalhos em desenvolvimento (50)

Uma das preocupações mais presentes do pesquisador Jorge González é com a chamada pós-modernidade. Ainda que ele se enquadre no perfil de um homem deste tempo, que privilegia o saber especializado em detrimento do saber generalizado (ou não especializado), González vê de forma crítica o surgimento de uma nova lógica que glorifica o consumo lucro, o império da razão consumo, onde a troca ocorre pela troca, e não pelo uso. Neste novo sistema a informação é um veículo da expressão material indispensável, na qual a sua rapidez viabiliza cada vez mais a lógica do consumo.

Em função disso, ainda que não somente por causa disso, seus estudos atuais abordam os seguintes pontos:

Desenvolvimento de metodologias de pesquisa

Teoria do Caos e fractais

Sistemas dissipativos, autopoéticos.

Ciências cognitivas

Seus últimos trabalhos publicados foram:

  • "Da pilha para o oceano", um texto que faz a revisão dos estudos da comunicação e cultura no México, com o objetivo de confrontar os limites do estudo da comunicação na frente à sua complexidade.

  • " Educação, tecnologia e cultura " Revista Estudios sobre las Culturas Contemporaneas,
    Epoca 2, Vol. IV, Núm. 7 Junio 1998. Um protocolo metodológico da sua última pesquisa sobre as relações de tecnologia e cultura com professores de educação básica.

  • "Tecnologia e percepção social. Avaliar a competência tecnológica" Este estudo apresenta o instrumento que o pesquisador projetou para avaliar a percepção do própria competência tecnológico em uma série de 42 dispositivos tecnológicos, desde a máquina de escrever até a programação de páginas em Java Scirpt, seguindo a linha das ofertas culturais e seus públicos como sustentação empírica dos rendimentos culturais, agora enriquecidos com a perspectiva sócio histórica da inteligência distribuída pela corrente Neo Vygotskyana (James Wertsch, Michael Cole, Pablo del Río, Henry Trueba).

Além destes, neste momento estão em fase de preparação os seguintes livros:

1) Públicos da cultura no México (com Heriberto López e Saviour Claws), um estudo empírico para uma pesquisa nacional dos hábitos e práticas dos Mexicanos.

2) Histórias de vida e públicos da cultura no México (Século de XX), (com Gerardo León e Ricardo Morales) Coleção de histórias orais que descreve a versão subjetiva da formação dos públicos da cultura no México durante o século de XX.

3) Colima e o ocidente de México através de histórias familiares: transmissões culturais em três gerações de ocupações em Colima e sul de Jalisco. (com Laura M. Sánchez)

4) Tecnologia e Cultura no México (com Laura Sánchez e Irma Alcaraz). Um estudo empírico (etnografia, sessões de grupo e avaliação de competições tecnológicas) dos professores do Programa Nacional de Educação a Distância.

5) Frentes culturais: entendendo a cultura e a hegemonia (Políticas da Imprensa - Cambridge)

 

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4. Conclusão

 

O trabalho desenvolvido por Jorge A. González se destaca em três aspectos fundamentais:

  • 1) O enfoque, cuja escolha privilegia a cultura popular, mas sem esquecer que, neste mundo pós moderno (51) o popular eventualmente cria simbioses com a Cultura de massas, tomando formas que, mesmo não deixando de lado suas origens, é ao mesmo tempo uma cultura do seu tempo e como este tempo, marcada por contradições. González deixa claro que atualmente os sistemas de comunicação em função de sua rapidez viabilizam a lógica do consumo, e são os comandantes de uma nova racionalidade, onde impera o consumo pelo consumo, e não o consumo pelo uso.

  • 2) A influência nitidamente marxista não tira da produção cultural de Jorge González uma visão otimista – e até mesmo alegre – da comunicação e das classes populares. Neste sentido seria possível afirmar que, centrando seus estudos em Gramsci (e não em Marx) González superou o materialismo radical e uma atitude negativa em relação à ideologia. Essa visão de mundo já transparece no seu trabalho de conclusão do mestrado, Sociologia de las culturas subalternas (52), mas fica ainda mais evidente nas publicações posteriores, a partir de quando González afirma ter se conscientizado que fez uma interpretação inadequada de ideologia como um sistema de dominação. Arriscando uma interpretação, ouso dizer que para González a ideologia proporciona um certo nível (e não uma totalidade) de homogeneização; pontes necessárias para ligar os desníveis internos de uma sociedade

  • 3) O terceiro fator é a metodologia, a um só tempo rica e criativa. Apoiado numa sólida base de conhecimentos teóricos e metodológicos, e numa base de conhecimentos clássicos/humanistas realmente impressionante – que poucos pesquisadores podem se dar ao luxo de possuir – González tem feiro mais do que contribuir com trabalhos científicos sobre a comunicação e a cultura de alto nível. De fato, ele tem funcionado como um desbravador de novas possibilidades metodológicas, e impressiona pela riqueza de possibilidades e apuro científico com que trafega por esses novos métodos.

Finalizando, podemos dizer que o conjunto dos trabalhos claramente inovadores desenvolvidos por Jorge A. González mais do que justifica a sua inclusão entre os mestres que estão contribuindo para a renovação do Pensamento Latino-Americano da Comunicação. A leitura de seus textos certamente constitui-se de uma inspiração para aqueles que, trabalhando comunicação ou qualquer área do saber pretende contribuir de forma rida e permanente com o progresso científico.

 

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5. Adendos

 

5.1. Quadros de Referência

5.1.1. Vida acadêmica e produções de Jorge A. González

(a) Jorge Alejandro Gonzalez Sanches . Cidade do México , 29 de novembro de 1954.

(b) Estudos acadêmicos
1978 : Licenciado em Comunicação – Universidade Iberoamericana (México)
1981 : Mestrado em Sociologia – idém
1986 : Doutorado em Ciências Sociais – ide

(c) Docência

  • 1979/84 :Professor e pesquisador por curso.

  • 1980/84 : Fundador e coordenador da área de Pesquisa : Comunicação hegemonia e culturas subalternas ( Universidade Metropolitana – Cidade do México)

  • 1977/84 :Professor de sociologia da Comunicação e da cultura ( Universidade Iberoamericana ) – Cidade do México .

  • atualmente: Universidade de Colima , onde fundou e coordena o programa de estudos sobre as culturas contemporâneas.


5.1.2. Participações acadêmicas

(a) Congressos nacionais e internacionais .
Acapulco (1980); México (1982); Siena (1982); Praga (1984) ; Bogotá (1985) ; Barcelona (1988); Londres (1988); Panamá (1988); Madrid (1990); Intercom – Brasil (1991); Londres (1991); Moscou (1991); França (1991); Madrid (1992); Acapulco (1992) .

(b)Conferencista e professor visitante de dezenas de universidades:
desde a Iberoamericana do México até a Gregoriana ( Roma ) , Califórnia , Espanha , Buenos Aires , etc.

(c)Pesquisas
Projetos sobre a analise da cultura contemporânea nas áreas de:

Teatro popular rural ( 1976 - 78 )
Música popular Zapatista ( 1978 )
Narrativa oral camponesa , crenças e festas ( 1979 )
Religião popular : santuários e ex-votos ( 1980 - 83 )
Difusão nacional para a alfabetização de adultos ( 1983 )
Identidade Cultural e ‘‘ Feiras ’’ urbanas ( 1983 - 85 )
Legitimidade cultural e luta livre ( 1985 )
Telenovelas : produção e modos de leitura social ( 1985 - 91 )
O sistema de comunicação na cidade de Colima ( 1987 - 91 )
Capital cultural e segmentação do publico de TV em Colima ( 1991 )
A elite colimense : cultura e esperanças e o porvir de classe ( 1991 )
O espaço social das tomadas de posição sobre a telenovela na Imprensa Espanhola (1992 ).
Formação e transformação das ofertas culturais e seus públicos no México : genealogias, cartografias e praticas culturais - século XX - ( 1993 - até hoje ).

 

(d) Revistas

  • Fundador e diretor da Revista Estudios sobre las culturas contemporâneas.

  • Membro da rede Iberoamericana de Revistas de Comunicação e Cultura.

  • Artigos sobre os temas acima citados em :
    Christus Comunicación e Cultura ( México ) ; Pensamiento ( Colômbia ) ; Comunicação e sociedade ( Brasil ) ; Dia – logos de la Comunicación (Peru) ; Corto Circuito ( França ); Studies in Latin American Culture (USA) ; Telos ( Madrid ).

 

(e) Livros

Dominación cultural : exoresuón artística , promoción popular ( México , 1980 ).
Sociologia de las culturas subalternas ( México, 1981)
Cultura(s): Cinco ensaios sobre realidades plurais ( México, 1986 )
Frentes Culturais : sentido , legitimidade e vida cotidiana.
O consumo cultural no México ( em colaboração com Canclini ) ( 1993 ).
Metodologia y Cultura ( com J. Galindo ) ( México , 1994 ).
Más ( + ) Cultura (s) – ( México , 1994 ).

(f) Reconhecimentos

Membro de departamento de Pesquisa
Editor e co-editor de revistas
Produtor de documentários na TV
Telenovelas
Comitês executivos

 

5.1.3. Biblioteca particular

 

  • BOURDIEU, Pierre. Les regles de l’art. Genese et struture du champ litteraire. Paris: Seuil, 1992.

  • CALHOUN, CRAIG, EDWARD LiPUMA y POSTONE, Moishe (Eds). Bourdieu: critical perspectives. Cambrige: Polity Press, 1993.

  • CIRESE, Alberto. Cultura obrera, cultura popular y lo elemental humano. Comunicación y Cultura. N.10, _____,1983.

  • CIRESE, Alberto. Notas provisórias sobre signicidade, fabrilidad, procreación y primado de las infraestrcturas. Estudios sobre las culturas contemporáneas. Vol 1, N.1. Universidad de Colima, 1986.

  • FOSSAERT, Robert. Le monde au 21e siècle. Une théorie des systèmes mondiaux. Paris: Fayard, 1991.

  • GALINDO, Jesus. Historia de Vida: guía técnica y reflexiva. Estudios de la cultura contemporánea. Vol. VI, N. 18, Universidad de Colima, 1994.

  • GALINDO, Jesus. Cultura mexicana en los ochentas. Colima: Universid de Colima, 1995.

  • GALINDO, Jesus. Cultura de información, política y mundos posibles. Estudios de la cultura contemporánea. Segunda época Vol. II, N. 3, Junio, Universidad de Colima, 1996.

  • GIMÉNEZ, Gilberto. Cultura Popular y religión en Anahuac, México. México: EILA, 1976.

  • GIMÉNEZ, Gilberto. Apuntes oara una teória de las ideologías. México: Universid Iberoamericana, 1977.

  • GIMÉNEZ, Gilberto. Poder, estado, discurso. México: UNAM, 1980.

  • GLEICK, James. Caos. A criação de uma nova ciência. Rio de Janeiro: Campus, 1990.

  • GROSSBERG, LAWRENCE, NELSON y TREICHELER (Eds.) Cultural Studies. London: Routledge, 1992.

  • GRUZINSKI, Serge. La colonisation de l’imaginaire. Societés indigenes et occidentalisations dans le Mexique spagnol. Paris: Gallimard, 1988.

  • MORIN, Edgar. Introdution à la pensée complexe. Paris: ESF edictéur, 1990.

 

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6. Bibliografia

 

  • BOURDIEU, P. Sobre Televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.

  • GONZÁLEZ, Jorge A. Cultura(s). México: Multideseño Gráfico, 1986.

  • GONZÁLEZ, Jorge A . Sociologia de las culturas subalternas.. Mexicali: Universid Autónoma de la Baja California, 1990.

  • GONZÁLEZ, Jorge A. Más (+) Cultura (s) Ensayos sobre realidades plurales. México, Pensar la Cultura, 1994.

  • GONZÁLEZ. Jorge A, GALINDO, Jesus. Metodología y Cultura. México: Consejo Nacional para la Cultura y las Artes, 1994.

  • GONZÁLEZ, Jorge A. CHÁVEZ, Guadalupe. La Cultura en México. Cifras Clave. Colima: Universidad de Colima, 1996.

  • GONZÁLEZ, Jorge A. La confradía de las emociones (in)terminables Miradas sobre telenovelas en México. Guadalajara: Universidad de Guadalajara, 1998.

  • GONZÁLEZ. Jorge A. Número 10, Año 3, Abril-Junio 1998 - La Voluntad de Tejer: Análisis Cultural, Frentes Culturales y Redes de Futuro. Razön y Palabra. (Tomado de: Estudios Sobre las Culturas Contemporáneas) http://www.razonypalabra.org.mx/

  • GRAMSCI, A. A concepção dialética da história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981.

  • GRAMSCI, A. Os intelectuais e a organização da cultura. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.

  • MARQUES DE MELO. J. Teoria da Comunicação: Paradigmas Latino-americanos. Patrópolis: Vozes, 1998.

  • _______MARX. Coleção os Pensadores. Nova Cultural: São Paulo, 1996.

  • MARX, K & ENGELS. A Ideologia Alemã – teses sobre Feuerbach. São Paulo: Moraes, 1984.

  • PESSANTTI, Nivaldo Luiz. Aviso aos navegantes: a história de vida de Jorge A. González. Comunicação e Sociedade, n° 25 – O pensamento Latino Americano em Comunicação. São Bernardo do Campo: Editora IMS (Edims), 1996.

  • PORTELLI, H. Gramsci e o Bloco Histórico. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.

 

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NOTAS

(1) Depoimento de Jorge A. González In: PESSANTTI, Nivaldo Luiz. Aviso aos navegantes: a história de vida de Jorge A. González. Comunicação e Sociedade, n° 25 – O pensamento Latino Americano em Comunicação. São Bernardo do Campo, Editora IMS (Edims), 1996. p.122.

(2) Depoimento de Jorge A. González In: PESSANTTI, Nivaldo Luiz. Aviso aos navegantes: a história de vida de Jorge A. González. Comunicação e Sociedade, n° 25 – O pensamento Latino Americano em Comunicação. São Bernardo do Campo, Editora IMS (Edims), 1996. p. 125

(3) Depoimento de Jorge A. González In: PESSANTTI, Nivaldo Luiz. Aviso aos navegantes: a história de vida de Jorge A. González. Comunicação e Sociedade, n° 25 – O pensamento Latino Americano em Comunicação. São Bernardo do Campo, Editora IMS (Edims), 1996. p. 125

(4) Depoimento de Jorge A. González In: PESSANTTI, Nivaldo Luiz. Aviso aos navegantes: a história de vida de Jorge A. González. Comunicação e Sociedade, n° 25 – O pensamento Latino Americano em Comunicação. São Bernardo do Campo, Editora IMS (Edims), 1996. p. 129 .

(5) Este trabalho foi posteriormente publicado no México em: GONZÁLEZ. Jorge A, GALINDO, Jesus. Metodología e Cultura. México: Consejo Nacional para la cultura y las Artes, 1994.

(6) Depoimento de Jorge A. González In: PESSANTTI, Nivaldo Luiz. Aviso aos navegantes: a história de vida de Jorge A. González. Comunicação e Sociedade, n° 25 – O pensamento Latino Americano em Comunicação. São Bernardo do Campo, Editora IMS (Edims), 1996. p. 127

(7) O conceito de capital simbólico será discutido mais à frente neste trabalho. No entanto, o próprio significado das palavras utilizadas já permite uma compreensão inicial do termo, permitindo o seu uso sem que haver um comprometimento com o entendimento das idéias contidas neste parágrafo.

(8) Depoimento de Jorge A. González In: PESSANTTI, Nivaldo Luiz. Aviso aos navegantes: a história de vida de Jorge A. González. Comunicação e Sociedade, n° 25 – O pensamento Latino Americano em Comunicação. São Bernardo do Campo, Editora IMS (Edims), 1996. p. 129

(9) O conceito de frentes – ou campos- culturais será descrito na parte seguinte deste trabalho.

(10) GONZÁLEZ. Jorge A, GALINDO, Jesus. Metodología e Cultura. México: Conseo Nacional para la cultura y las Artes, 1994 , p. 236.

(11) Esta expressão é utilizada pelo próprio González em: GONZÁLEZ. Jorge A, GALINDO, Jesus. Metodología e Cultura. México: Conseo Nacional para la cultura y las Artes, 1994, p. 239.

(12) GONZÁLEZ. Jorge A. La Voluntad de Tejer: Análisis Cultural, Frentes Culturales y Redes de Futuro. Razón y Palabra. Número 10, Año 3, Abril-Junio 1998 - http://www.razonypalabra.org.mx/ (Publicado originalmente em: Estudios Sobre las Culturas Contemporáneas), p. 2.

(13) Este trecho é uma tradução bastante resumida de um trecho do artigo de Jorge González La Voluntad de Tejer: Análisis Cultural, Frentes Culturales y Redes de Futuro. In Razón y Palabra. Número 10, Año 3, Abril-Junio 1998 - http://www.razonypalabra.org.mx/ (Publicado originalmente em: Estudios Sobre las Culturas Contemporáneas) p. 4 e 5.

(14) PESSANTTI, Nivaldo Luiz. Aviso aos navegantes: a história de vida de Jorge A. González. Comunicação e Sociedade, n° 25 – O pensamento Latino Americano em Comunicação. São Bernardo do Campo, Editora IMS (Edims), 1996. p. 124.

(15) GONZÁLEZ. Jorge A, GALINDO, Jesus. Metodología e Cultura. México: Conseo Nacional para la cultura y las Artes, 1994, p. 238.

(16) GONZÁLEZ. Jorge A, GALINDO, Jesus. Metodología e Cultura. México: Conseo Nacional para la cultura y las Artes, 1994, p. 235.

(17) GONZÁLEZ. Jorge A, GALINDO, Jesus. Metodología e Cultura. México: Conseo Nacional para la cultura y las Artes, 1994, p. 242.

(18) PESSANTTI, Nivaldo Luiz. Aviso aos navegantes: a história de vida de Jorge A. González. Comunicação e Sociedade, n° 25 – O pensamento Latino Americano em Comunicação. São Bernardo do Campo, Editora IMS (Edims), 1996. p. 136.

(19) GONZÁLEZ. Jorge A, GALINDO, Jesus. Metodología e Cultura. México: Conseo Nacional para la cultura y las Artes, 1994, p. 247.

(20) GONZÁLEZ. Jorge A, GALINDO, Jesus. Metodología e Cultura. México: Conseo Nacional para la cultura y las Artes, 1994, p. 243.

(21) GONZÁLEZ. Jorge A, GALINDO, Jesus. Metodología e Cultura. México: Conseo Nacional para la cultura y las Artes, 1994, p. 245.

(22) "A filosofia seria o estágio mais elaborado desta concepção de mundo, mas ela estaria presente também nos aspectos mais populares, como o senso comum, a religião e, no nível mais baixo, o folclore". In PORTELLI, H. Gramsci e o Bloco Histórico. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1977, p. 24.

(23) O próprio González afirma para não deixar dúvidas "Estudei muito o marxismo" In PESSANTTI, Nivaldo Luiz. Aviso aos navegantes: a história de vida de Jorge A. González. Comunicação e Sociedade, n° 25 – O pensamento Latino Americano em Comunicação. São Bernardo do Campo, Editora IMS (Edims), 1996. p. 122.

(24) Em função do momento histórico em que Gramsci realizou os seus estudos, não se pode falar em Meios de Comunicação de Massa, ainda que ele tenha feito um amplo estudo sobre o papel da imprensa e dos jornalistas e trabalhado o conceito de literatura popular.

(25) Para Gramsci uma vez que o aspeto essencial da hegemonia é o monopólio intelectual, através da atração que os seus representantes exercem sobre as demais camadas intelectuais. Nesse espaço, o papel dos divulgadores culturais – e aí incluído os meios de comunicação – seria o de permanente divulgação da ideologia da classe dominante. PORTELLI, H. Gramsci e o Bloco Histórico. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1977, p. 19.

(26 ) Este trecho é um resumo da tradução de um trecho da Introdução Geral do livro Sociologia de las culturas subalternas. GONZÁLEZ, Jorge A. Mexicali: Universid Autónoma de la Baja California, 1990.

(27) GONZÁLEZ. Jorge A. La Voluntad de Tejer: Análisis Cultural, Frentes Culturales y Redes de Futuro. Razón y Palabra. Número 10, Año 3, Abril-Junio 1998 - http://www.razonypalabra.org.mx/ (Publicado originalmente em: Estudios Sobre las Culturas Contemporáneas), p. 7.

(28) GONZÁLEZ, Jorge A. Sociología de las culturas subalternas. Mexicali: Universid Autónoma de la Baja California, 1990, p. 25.

(29) GONZÁLEZ, Jorge A. Más (+) Cultura (s) Ensayos sobre realidades plurales. México, Pensar la Cultura, 1994, p. 57.

(30) GONZÁLEZ, Jorge A. Más (+) Cultura (s) Ensayos sobre realidades plurales. México, Pensar la Cultura, 1994, p. 55.

(31) GONZÁLEZ. Jorge A. La Voluntad de Tejer: Análisis Cultural, Frentes Culturales y Redes de Futuro. Razón y Palabra. Número 10, Año 3, Abril-Junio 1998 - http://www.razonypalabra.org.mx/ (Publicado originalmente em: Estudios Sobre las Culturas Contemporáneas) p. 7.

(32) PORTELLI, H. Gramsci e o Bloco Histórico. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1977,

(33) Esse aspecto nos possibilita entender melhor o seu interesse pelas telenovelas.

(34) GRAMISCI, A. Il materialismo storico e la filosofia di Benedetto Croce, p.21-2 In PORTELLI, H. Gramsci e o Bloco Histórico. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1977, p. 25.

(35) GONZÁLEZ, Jorge A. Más (+) Cultura (s) Ensayos sobre realidades plurales. México, Pensar la Cultura, 1994, p. 351.

(36) Essas reflexões foram enviadas pela Internet, após uma solicitação prévia, no dia 29/05/99.

(37) GONZÁLEZ, Jorge A. Sociología de las culturas subalternas. Mexicali: Universid Autónoma de la Baja California, 1990.

(38) GONZÁLEZ, Jorge A. Más (+) Cultura (s) Ensayos sobre realidades plurales. México, Pensar la Cultura, 1994.

(39) As duas citações estão em PESSANTTI, Nivaldo Luiz. Aviso aos navegantes: a história de vida de Jorge A. González. Comunicação e Sociedade, n° 25 – O pensamento Latino Americano em Comunicação. São Bernardo do Campo, Editora IMS (Edims), 1996. p. 130 e 131, respectivamente.

(40) Trabalho publicado com o título de Sociologia de las culturas subalternas. GONZÁLEZ, Jorge A. Mexicali: Universid Autónoma de la Baja California, 1990.

(41) González usa o termo que pode ser lido literalmente como efeito da verdade. Como tradutora, achei o termo "dono da verdade", expressão corrente no português do Brasil, mais apropriado.

(42) Neste caso em particular González está se refereindo a telenovela, mas creio que a expressão é válida para outros produtos da indústria cultural.

(43) GONZÁLEZ. Jorge A, GALINDO, Jesus. Metodología e Cultura. México: Consejo Nacional para la cultura y las Artes, 1994, p. 260.

(44) GONZÁLEZ. Jorge A, GALINDO, Jesus. Metodología e Cultura. México: Consejo Nacional para la cultura y las Artes, 1994, p. 276.

(45) GONZÁLEZ. Jorge A, GALINDO, Jesus. Metodología e Cultura. México: Consejo Nacional para la cultura y las Artes, 1994, p. 279.

(46) GONZÁLEZ. Jorge A, GALINDO, Jesus. Metodología e Cultura. México: Consejo Nacional para la cultura y las Artes, 1994, p. 265.

(47) GONZÁLEZ. Jorge A. La Voluntad de Tejer: Análisis Cultural, Frentes Culturales y Redes de Futuro. Razón y Palabra. Número 10, Año 3, Abril-Junio 1998 - http://www.razonypalabra.org.mx/ (Publicado originalmente em: Estudios Sobre las Culturas Contemporáneas), p. 13.

(48) GONZÁLEZ. Jorge A. La Voluntad de Tejer: Análisis Cultural, Frentes Culturales y Redes de Futuro. Razón y Palabra. Número 10, Año 3, Abril-Junio 1998 - http://www.razonypalabra.org.mx/ (Publicado originalmente em: Estudios Sobre las Culturas Contemporáneas), p. 12.

(49) GONZÁLEZ, Jorge A. Más (+) Cultura (s) Ensayos sobre realidades plurales. México, Pensar la Cultura, 1994, p. 17.

(50) É o próprio professor Jorge A. González, através de contatos matidos pela Internet, que descreveu os pontos contidos neste tópico.

(51) A designação "pós-moderna" é minha enquanto autora deste texto, e tem um significado datado de período que corresponde ao época seguinte à modernidade. González, como pesquisador questiona esse termo, entendendo que ele é inadequado e afirmando o que estamos vivendo é uma nova ou alta modernidade.

(52) GONZÁLEZ, Jorge A . Sociologia de las culturas subalternas.. Mexicali: Universid Autónoma de la Baja California, 1990

 

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