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PCLA - Volume 4 - número 4: julho / agosto / setembro 2003
 

 

A NOVA SAFRA DA INDÚSTRIA AUDIOVISUAL LATINO-AMERICANA

Luiz Zanini ORICCHIO
Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo, 24/06/2003


Com o mexicano Aro Tolbukhin en la Mente del Asesino e o argentino Samy y Yo, começa hoje e segue até domingo a fase paulista do Cinesul 2003, o 10.º Festival de Cinema e Vídeo Latino-Americano. O festival carioca, pela segunda vez em sua história, traz essa extensão paulista, sempre realizada no Centro Cultural Banco do Brasil. É uma rara oportunidade para conferir a produção audiovisual latino-americana que, sempre é bom lembrar, chega por aqui a contagotas. Quando chega.

No total, o Cinesul vai mostrar ao público paulistano 10 longas-metragens de países como Argentina, Chile, Cuba, Venezuela, Colômbia, México e Uruguai, e mais uma infinidade de vídeos, de vários países. O único representante brasileiro entre os filmes é Celeste & Estrela, da diretora Betse de Paula.

A inclusão do produto nacional na mostra latina serve como lembrete pedagógico: o País faz parte do continente, embora pareça fazer força, às vezes, para se esquecer desse fato geográfico e cultural, para não dizer econômico.

Predominam as produções da Argentina, com três títulos, e México, com dois.

São as duas, junto com a brasileira, as cinematografias dominantes do continente. Não que qualquer delas seja realmente forte em termos de mercado interno: as cinematografias nacionais, em quase todo o mundo, respondem por apenas de 5 a 10%, quando muito, da venda de ingressos. Mas, mesmo com as dificuldades de sempre, Argentina e México têm chamado a atenção pela criatividade de alguns dos seus representantes recentes, como Amores Brutos, E Sua Mãe também e Japón (México), Nove Rainhas, O Filho da Noiva e Kamchatka (Argentina). Enfim, são filmes que driblam com criatividade os obstáculos que vão da produção à chegada nas salas exibidoras.

Essa força é o que se procura em títulos como El Fotógrafo (Chile), Herencia (Argentina), Acosada en Lunes de Carnaval (Colômbia/Venezuela), Estrella del Sur (Uruguai), Miradas (Cuba), Un Mundo Raro (México) e Histórias Mínimas (Argentina).

Esses são os filmes. Mas há também o extenso programa em vídeo, suporte que ainda alimenta preconceitos, cada vez mais injustificados. De fato, a qualidade das exibições em vídeo tem melhorado muito e fica fácil apreciar alguns bons títulos como Bola de Nieve, de José Sánchez Montes, sobre o cantor e compositor cubano, ou Ojos Que si Ven - el Cine de Lombardi, de José Luis Ridoutt Pollar, sobre o diretor peruano Francisco Lombardi.

O primeiro é um carinhoso documentário sobre Ignacio Villa, o Bola de Nieve, genial chansonnier cubano, rico em informações sobre sua vida pessoal e sua importância para a música do Caribe. O outro fala de um dos mais ágeis narradores do cinema latino-americano, dublê de cineasta e cartola (foi, durante anos, dirigente do Sporting Cristal, um dos principais clubes de futebol do Peru) e autor de filmes fundamentais como Caídos del Cielo e Boca de Lobo.

 

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