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O
processo de criação da Cátedra Unesco
de Comunicação para o Desenvolvimento
Regional iniciou-se em outubro de 1994,
quando, a convite da Consejeria Regional
de Comunicación de la Unesco para América
Latina, participei de uma reunião de
especialistas em comunicação para o
desenvolvimento, na cidade de quito,
Equador.
Na
ocasião, fui sondado pelo dr. Alejandro
Alfonso sobre o interesse do Instituto
Metodista de Ensino Superior (IMS) em vir
a sediar uma das quatro cátedras de
comunicação inicialmente previstas para
a América Latina - duas já estavam
criadas na Colômbia e Uruguai, sendo
intenção da Unesco implantar mais duas,
uma no Brasil e outra no México. Dr.
Alfonso me apresentava dois argumentos: 1)
a minha experiência acadêmica como
Catedrático Unesco de Comunicação - o
ano letivo 1991/1992 - na cátedra
pioneira da Universidade Autônoma de
Barcelona, Espanha; 2) a boa performance
universitária do IMS no campo da Comunicação
Social, mantendo cursos de graduação e pós-graduação
entre os mais reputados da América
Latina.
Prometi-lhe
consultar as autoridades do IMS, entidade
mantenedora do complexo universitário que
a Igreja Metodista mantém na região
metropolitana de São Paulo. Obtendo
manifestações favoráveis do dr. Ronaldo
Sathler Rosa, diretor geral da instituição,
e do prof. Miguel de Abreu Rocha, diretor
da faculdade de Comunicação e Artes,
iniciaram-se os trâmites para a formalização
da candidatura do IMS como sede da
cogitada cátedra brasileira. Em abril de
1995, o dr. Alejandro Alfonso visitou pela
primeira vez o campus da futura
Universidade Metodista de São Paulo (Umesp),
constatando a existência de condições
para o desenvolvimento do projeto.
Mas
o ponto culminante para a decisão das
autoridades da Unesco em relação à opção
da Metodista para sediar a cátedra
brasileira ocorreu, do meu ponto de vista,
em junho de 1995. Refiro-me à realização
do Seminário Internacional sobre Comunicação
e Identidades Culturais na América
Latina, que o IMS promoveu em parceria com
a Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado de São Paulo (Fapesp) e a Secretária
de Cultura da Prefeitura Municipal de São
Paulo (SMC-SP), para celebrar os cinqüenta
anos de criação da Unesco e os vinte e
cinco de fundação do IMS.
Esta
foi a oportunidade encontrada para reunir
em nosso campus uma equipe de
representantes da Unesco, dialogando com
os mesmos sobre os rumos e as diretrizes
da futura cátedra de comunicação. Aqui
estiveram, além do dr. Alejandro Alfonso,
conselheiro regional de comunicação para
a América Latina, representando o dr.
Alain Modoux, diretor da Divisão de
Comunicações (Paris), o dr. Marco
Antonio Rodrigues Dias, diretor da Divisão
de Educação Superior (Paris), bem como a
dra. Thérèse Paquet-Sevigny, diretora da
Rede Mundial de Cátedras Unesco de
Comunicação (Orbicom,Montreal) e o dr.
Miguel Angel Enriquez, diretor da
Representação da Unesco no Brasil (Brasília).
Tiveram ainda a gentileza de acompanhar
essa missão exploratória, os professores
Gabriel Jaime Perez (Pontificia
Universidad Javeriana de Colômbia) e
Carmen Rico de Sotelo (Universidade Católica
del Uruguay), responsáveis pelas
primeiras cátedras latino-americanas de
comunicação, respectivamente instaladas
em Bogotá e Montevidéu. Também nos
honrou com a sua presença e avaliação o
dr. Manuel Pares i Maicas, fundador e
coordenador da primeira Cátedra Unesco de
Comunicação, implantada em Barcelona,
Espanha, desde 1990.
De
certo modo antecipando a decisão favorável
da Unesco pela sede da cátedra brasileira
no campus da Metodista, fui convidado, em
novembro de 1995, a participar da assembléia
de instalação da Orbicom, reunião
efetuada em Paris, no edifício-sede da
Place de Fontenoy. A Mesma deferência foi
concedida a outros membros-associados da
Orbicom, que, como no meu caso, estavam
liderando processos de criação de cátedras
nos países de origem.
Para
ultimar o tramite de criação da cátedra
de comunicação, o IMS dependia do agreement
do governo brasileiro, situação idêntica
àquela vivenciada pela Universidade de São
Paulo, quando se dispôs a sediar a Cátedra
de Direitos Humanos, ou da Universidade de
Brasília, então pretendente à Cátedra
de Educação à Distância. A decisão
foi tomada pelos órgãos do Itamaraty, em
18 de janeiro de 1996, e comunicada ao
diretor geral da Unesco pelo dr. J. C.
Gentil Neto, secretário-executivo do
Instituto Brasileiro para Educação Ciência
e Cultura (Ibecc), entidade que preenche
as funções da Comissão Nacional da
Unesco no Brasil. Dessa decisão se
inteiraram imediatamente o dr. Alain
Modoux, diretor da Divisão de Comunicações,
e o seu conselheiro regional para a América
Latina, dr. Alejandro Alfonso, então em
missão de trabalho na sede parisiense.
Não
demorou muito a deliberação final da
Unesco sobre a escolha da Metodista para
sediar a cátedra brasileira de Comunicação,
prontamente transmitida em 13 de fevereiro
pelo dr. Alejandro Alfonso, a sua sede
regional em Quito. Na mesma oportunidade,
agendou-se a reunião técnica preparatória
para a instalação da cátedra. Logo a
seguir, o Colegiado do Programa de Pós-Graduação
em Comunicação Social do IMS reuniu-se
para indicar os membros do Comitê Acadêmico,
de âmbito nacional, a ser integrado por
personalidades representativas das
comunidades universitária e profissional
da nossa área de conhecimento. A escolha
recaiu sobre as seguintes pessoas: Cicilia
K. Peruzzo (professora da Universidade
Federal do Espírito Santo), Fabíola de
Oliveira (jornalista do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais), José Antonio
Maia (diretor de relações publicas da
General Motors do Brasil), Marco Antonio
Batan (publicitário e diretor da
Faculdade de Comunicação da Universidade
Católica de Santos) e Sérgio Caparelli
(professor da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul). Obtido o aceite de todos,
sua designação foi homologada pelas instâncias
superiores do IMS, assim como a indicação
dos diretores-adjuntos da cátedra, os
professores Isaac Epstein e Sandra Reimão.
A
reunião técnica ocorreu no nosso campus,
nos dias 5 e 6 de março de 1996, contando
com a presença e posse dos membros do
Comitê Acadêmico e dos diretores da cátedra,
bem como dos dirigentes do IMS responsáveis
pela adoção das políticas
institucionais e implementação da
infra-estrutura necessária. Os trabalhos
foram conduzidos pela missão da Unesco,
integrada pelo conselheiro regional, dr.
Alejandro Alfonso, e pela profa. Carmen
Rico de Sotelo, coordenadora da cátedra
co-irmã do Uruguai.
Ao
final dos trabalhos, e num gesto de
cortesia ao governo local, a missão da
Unesco, acompanhada pelo presidente do
Conselho Diretor do IMS e demais
participantes da citada reunião técnica,
fez uma visita ao prefeito de São
Bernardo do Campo, comunicando a decisão
de instalar no campus do IMS a nova Cátedra
Unesco de Comunicação. Na mesma ocasião,
decidiu-se de comum acordo entre a Unesco
e o IMS, estabelecer a data de 21 de maio
de 1996 para realização da sessão
solene de instalação da cátedra,
divulgando publicamente suas metas e
diretrizes acadêmicas. |