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Luiz Beltrão:
Pioneiro dos estudos de Folkcomunicação no
Brasil
José Marques de Melo
Aporte Brasileño a la Teoría de la Comunicación
- El Estudio de Folkcomunicación según Luiz
Beltrão - José Marques de Melo
A trajetória de um pioneiro - Nicolau José
Carvalho Maranini
Luiz Beltrão - Vida e Obra - Paulo Rogério
Tarsitano - (Arquivo em formato PDF)
Jornalista Luiz Beltrão, pioneiro em várias áreas
- Jorge Duarte
Luiz Beltrão - Um novo rumo para o jornalismo -
Neanis Lutzer
Livro: Itinerário de
Luiz Beltrão - Roberto Benjamin (organizador)
- Pernambuco: Fasa, 1998

Luiz Beltrão:
Pioneiro dos estudos de Folkcomunicação no
Brasil
José
Marques de Melo, UMESP
(Titular da Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação
para o Desenvolvimento Regional)
Se vivo
estivesse, o comunicólogo latino-americano Luiz
BELTRÃO de Andrade de Lima teria completado 81
anos no dia 8 de agosto de 1999. Antes disso,
teria celebrado, no mês de março, os 36 anos de
fundação do primeiro periódico científico
brasileiro do campo das ciências da comunicação,
a revista Comunicações & Problemas.
Foi uma das iniciativas ousadas do Instituto de Ciências
da Informação (ICINFORM), que ele criou e
dirigiu como entidade inicialmente associada à
Universidade Católica de Pernambuco e depois à
Universidade de Brasília.
Justamente no
primeiro número da revista Comunicações
& Problemas Beltrão lançou a plataforma
de uma nova disciplina no âmbito das ciências da
comunicação e da informação, a Folkcomunicação.
Seu artigo sobre o "ex-voto" suscitava o
olhar dos pesquisadores da comunicação para um
tipo de objeto que já vinha sendo competentemente
estudado pelos antropólogos, sociólogos e
folcloristas, mas negligenciado pelo comunicólogos.
Seu argumento
implícito era o de que as manifestações
populares, acionadas por agentes de " informação
de fatos e expressão de idéias", tinham
tanta importância comunicacional quanto aquelas
difundidas pelos mass media . Por isso
mesmo ele recorria ao arsenal metodológico já
testado e aperfeiçoado no estudo das manifestações
convencionais do mass-journalism (formatadas
de acordo com os canais pós-gutenbergianos) e as
transportava para analisar as ricas expressões
daquilo que ele sugeria como integrantes do folk-journalism
(veiculadas em canais pré-gutenbergianos ou
usando tecnologias tão rudimentares quanto a prensa
de Mogúncia).
Na verdade, Beltrão
descobrira que os processos modernos de comunicação
massiva coexistiam, no espaço
brasileiro-nordestino, com fenômenos de comunicação
pré-moderna. Eram reminiscências do período
medieval-europeu, transportadas pelos
colonizadores lusitanos e historicamente
aculturadas, aparentando uma espécie de continuum
simbólico. Tais veículos de comunicação
popular ou de folkcomunicação, como ele preferiu
denominar, mesmo primitivos ou artesanais, atuavam
como meros retransmissores ou decodificadores de
mensagens desencadeadas pela indústria da
comunicação de massa (jornais, revistas, rádio,
televisão).
Mais do que isso:
ele identificou teoricamente uma semelhança entre
tais processos e aqueles que Lazarsfed e seus discípulos
haviam observado na sociedade norte-americana,
mais conhecido como o paradigma do "two-step-flow-of-communication"
. No entanto, as hipóteses de Luiz Beltrão davam
um passo adiante em relação aos postulados de
Paul Lazarsfeld e Elihu Katz. Enquanto aqueles
cientistas atribuíam um caráter linear e
individualista ao fluxo comunicacional em duas
etapas, porque dependente da ação persuasiva dos
"líderes de opinião", o pesquisador
pernambucano tinha a premonição de que o fenômeno
era mais complexo, comportando uma interação
bi-polar (pois incluía o " feed-back"
protagonizado pelos "agentes populares"
no contato com os " meios massivos") e
revelando natureza coletiva. A re-intrepretação
das mensagens não se fazia apenas em função da
"leitura" individual e diferenciada das
lideranças comunitárias. Mesmo sintonizadas com
as "normas de conduta" do grupo social,
ela continha fortemente o sentido da "coesão"
grupal, captando os signos da "mudança
social", típico de sociedades que sofrem as
agruras do meio ambiente e necessitam
transformar-se para sobreviver.
Em certo sentido,
Luiz Beltrão antecipava observações empíricas
que embalsariam a teoria das "mediações
culturais", o cerne da contribuição de
Jesus Martin Barbero e dos culturalistas ao
pensamento comunicacional latino-americano. Dessa
corrente, o mexicano Jorge González já fizera
referência explícita aos estudos seminais do
cientista pernambucano sobre as classes
subalternas brasileiras, pioneirismo que seria
enfatizado pelo próprio Martin Barbero em sua análise
sobre os "aportes" brasileiros para as
ciências sociais da América Latina durante o
congresso INTERCOM’97. Beltrão reconhecia nos
agentes de folk-comunicação, nas sociedades
rurais ou periféricas, um caráter nitidamente
institucional, semelhante àquele que Martin
Barbero atribuiria mais tarde aos agentes
educativos, religiosos ou políticos nas
sociedades urbanas metropolitanas.
Mas, antes disso,
a originalidade dos estudos de Luiz Beltrão havia
merecido aplausos do maior folclorista brasileiro,
que foi Luís da Câmara Cascudo. Depois de ler o
artigo sobre o " ex-voto" publicado na
revista do ICINFORM, Mestre Cascudo endereçou uma
carta estimuladora, destinada a elevar o astral do
seu autor. Beltrão a transcreveria na edição
seguinte do periódico.
"O seu
artigo-de-abertura (...) é um magnífico
master-plan. Valorizará o cotidiano, o vulgar, o
realmente popular de feição, origem e função.
Não espere que venha um nome de fora, um livro de
longe, ensinando a amar o que temos ao alcance dos
olhos. Teime, como está fazendo, em valorizar o
Homem do Brasil em sua normalidade. E não apenas
os produtos do esforço desse Homem. Acredite na
força pessoal do seu afeto no plano da penetração
analítica. Acima de tudo, veja com seus olhos.
Ande com seus pés. Depois compare com as conclusões
de outros olhos e com as pegadas de outros pés.
(...) Desconfie dos mentores integrais, nada
permitindo às alegrias do seu livre trânsito. O
papagaio, que tanto fala, não sabe fazer um
ninho. E os Pássaros cantadores aprenderam na
gaiola essa habilidade de prisioneiros
profissionais."
O incentivo de Câmara
Cascudo foi decisivo. Tanto assim que Luiz Beltrão
sistematizou e ordenou suas observações sobre as
manifestações da comunicação popular
nordestina, ancorando-as nas teorias do folk-lore
e confrontando-as com os paradigmas da mass-communication.
Dois anos depois resgatou as evidências empíricas
e interpretou-as segundo as teorias da comunicação
de massa e da cultura popular, enfeixando-as na
tese de doutoramento que inscreveu na Faculdade de
Comunicação da Universidade de Brasília. O
julgamento foi feito por uma banca de alto nível,
composta do comunicólogo espanhol Juan Beneyto,
do midiólogo norte-americano Hod Horton e do sociólogo
brasileiro Roberto Lyra Filho.
Ao aprovar a tese
sob o título " Folkcomunicação, um estudo
dos agentes e dos meios populares de informação
de fatos e expressão de idéias" (1967), a
comissão julgadora outorgou também a Luiz Beltrão
o primeiro grau de Doutor em Comunicação
conquistado em universidade brasileira. Nesse
sentido, vale registrar a ousadia de Darcy Ribeiro
que, ao criar a UnB, institucionalizou a titulação
doutoral em todas as áreas do conhecimento e não
apenas naquelas disciplinas já legitimadas
academicamente. Foi através dessa inovação que
Luiz Beltrão, não obstante tivesse o status de
Professor-Titular, deu um exemplo de humildade
intelectual aos seus discípulos e colaboradores,
submetendo-se a um exame de mérito para ostentar
legalmente uma condição acadêmica que já
desfrutava por competência.
Naquele mesmo
ano, a Universidade de São Paulo abriria inscrições
na recém criada Escola de Comunicações
Culturais para o Doutorado por Defesa de Tese (de
acordo com o sistema europeu então vigente nas
universidades brasileiras). Essa leva de doutores
paulistas somente completaria o doutorado em 1973,
tendo os títulos outorgados nas disciplinas que
integravam o elenco curricular dos cursos ali
ministrados (Jornalismo, Relações Públicas, Rádio
e Televisão, Cinema, Teoria da Comunicação).
Coube-lhes naturalmente robustecer o curso de
Mestrado em Ciências da Comunicação que fora
criado no ano anterior, naquela instituição,
contando exclusivamente com doutores oriundos de
outras áreas do conhecimento.
Mas os primeiros
doutores e os mestrandos em comunicação da USP
tiveram o privilégio de contar com o estoque de
conhecimentos já sedimentado por Luiz Beltrão e
por outros estudiosos da área. Minha tese de
doutorado em Jornalismo (defendida em 1973)
fundamentou-se em muitas idéias desenvolvidas por
Luiz Beltrão. Ele atuou na verdade como meu
co-orientador acadêmico, situação idêntica àquela
compartilhada com o antropólogo Egon Schaden e
com o meu orientador de fato, Prof. Dr. Rolando
Morel Pinto. Minha experiência foi semelhante à
de vários outros colegas que se doutoraram na
mesma conjuntura histórica. Virgílio Noya Pinto,
Freitas Nobre, Thomas Farkas, Gaudencio Torquato,
Cândido Teobaldo, Sara Chucid da Viá, Anamaria
Fadul também dialogaram com Luiz Beltrão durante
os colóquios para os quais foi convidado na USP,
no início dos anos 70.
Sua tese de
doutorado virou livro em 1971, intitulado
"Comunicação e Folclore", ampliando a
difusão das idéias que construíra sobre a
Folkcomunicação. No entanto, os seus fundamentos
teóricos ficaram opacos, uma vez que a Editora
Melhoramentos, que acolheu a tese, optou por
amputar-lhe o capítulo introdutório,
substituindo-o por uma breve introdução ao tema.
Em parte, isso se explica por razões mercadológicas
(poupar o leitor comum dos prolegômenos típicos
das teses universitárias). Mas a explicação
verdadeira está no parecer feito pelo consultor
editorial, Prof. Lourenço Filho, fascinado pela
originalidade do autor, mas perplexo ante a sua
ousadia teórica.
Além de
fundamentar-se em teorias norte-americanas da mass
communication , Beltrão buscou amparo nas
teses da "dinâmica do folclore"
defendidas pelo folclorista (de esquerda) Edison
Carneiro. Aqueles eram tempos de obscurantismo
cultural, mantidos pela legislação
extra-constitucional decretada pelo AI-5. Assim
sendo, a teoria da folkcomunicação de Luiz Beltrão
circulou incompleta até 1980, quando sopraram os
ventos da abertura "lenta, gradual e
segura" do General Geisel.
Ao publicar seu
segundo livro sobre essa temática - "Folkcomunicação,
a comunicação dos marginalizados" (São
Paulo, Cortez, 1980), Beltrão corrige de algum
modo essa lacuna, sintetizando e sem dúvida
atualizando sua teoria da folkcomunicação. Ela já
se apresentava, nesse momento, bem mais rica e
estruturada, fruto das pesquisas empíricas que
ele realizou em outras regiões brasileiras,
especialmente em Brasília (síntese cultural do
país), e dos confrontos feitos com pesquisas
semelhantes desenvolvidas em outros países. Nesse
sentido, ele tomou ao pé da letra a proposta de Câmara
Cascudo: ande primeiro com os próprios pés e
veja com os próprios olhos para depois comparar
com as pegadas e os olhares dos outros.
De qualquer
maneira, o pensamento de Luiz Beltrão
disseminou-se em todo o território nacional,
conquistando seguidores que deram andamento a
algumas de suas idéias ou discípulos que avançaram
nas trilhas empíricas por ele abertas.
Considero-me um deles, ainda que não o mais
conseqüente, nessa área, como sem dúvida tem
sido Roberto Benjamin, Oswaldo Trigueiro ou Joseph
Luyten. Dos escritos desse grupo resultou um corpo
conceitual que trata de explicitar (ou
reinterpretar) a teoria da folkcomunicação.
Apesar disso, a
Folkcomunicação de Luiz Beltrão encontrou dupla
resistência: a dos folcloristas conservadores
(que pretendiam defender a cultura popular das
investidas midiáticas modernizantes) e a dos
comunicólogos libertadores (que pretendiam fazer
da cultura popular o cavalo de tróia das suas
batalhas políticas em lugar de apreender nessas
manifestações genuínas o limite da resistência
possível de comunidades empobrecidas cuja meta é
a superação da marginalidade social).
Explica-se, desta maneira, o desconhecimento das
novas gerações de comunicadores em relação às
idéias de Luiz Beltrão. Elas permanecem
estocadas nas prateleiras das bibliotecas, sendo
indispensável propiciar aos midiólogos que vão
atuar no próximo século o acesso a idéias,
conceitos, teorias e metodologias construídos por
um dos mais profícuos cientistas brasileiros da
comunicação. Trata-se de um arsenal acadêmico
que ficou de certo modo encoberto, para não dizer
marginalizado, numa conjuntura marcada pela crença
quase cega na obsolescência e morte das tradições
populares, que se acreditava seriam sepultadas
pelas correntes culturais pós-modernas e
semi-eruditas.
Mas a História
tem suas armadilhas imprevisíveis. Ao contrário
das suposições modernosas, na verdade estribadas
em sentimentos profundamente elitistas, o que
observamos hoje é justamente um movimento em
sentido contrário. A globalização permite
vislumbrar o cenário de um mundo polifacético e
multicultural. Ele sugere que qualquer inserção
pro-ativa no seu universo depende basicamente do
capital simbólico acumulado nas mega, macro ou
micro-regiões, potencialmente convertíveis em
imagens e sons capazes de sensibilizar a aldeia
global. Vale dizer, ancorados em dimensão
universalizante. Ou, em outras palavras,
enraizados na cultura popular, mas traduzidos para
a linguagem da cultura de massa.
Daí a atualidade
do pensamento comunicacional de Luiz Beltrão, que
pensou na era de McLuhan sobre as interações
entre a aldeia local e a aldeia global. Ao
construir um referencial teórico consistente lançou
pontes entre a folk-mídia e a mass-mídia. Ele
reconheceu o universal que subsiste na produção
simbólica dos grupos populares, percebendo ao
mesmo tempo que os dois sistemas comunicacionais
continuarão a se articular numa espécie de feed-back
dialético, contínuo, criativo.
Suas idéias estão
sendo resgatadas, atualizadas e aprofundadas no
Brasil pela Rede FOLKCOM, constituída com o apoio
da Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação para o
Desenvolvimento Regional. Trata-se de um coletivo
de pesquisadores das interfaces entre
comunicação massiva e cultura popular que vem se
reunindo anualmente nas Conferências Brasileiras
de Folkcomunicação. A primeira foi realizada em
1998 no campus da Universidade Metodista de São
Paulo, na cidade industrial de São Bernardo do
Campo. A segunda ocorreu em 1999 no campus da
FUNREI - Fundação Universidade de São João del
Rei, localizada na cidade mineira de São João
del Rei. As próximas conferências estão agendas
pela Universidade Federal da Paraíba, em João
Pessoa/PB (ano 2001) e Universidade de Passo
Fundo, Rio Grande do Sul (2001).
Em plano
latino-americano, o pensamento de Luiz Beltrão
tem inspirado as produções científicas do Grupo
de Estudios de Folk-Comunicación, criado pela
ALAIC (Asociación Latinoamericana de
Investigadores de la Comunicación) e confiado à
coordenação de um dos seus discípulos mais
atuantes, o Prof. Dr. Roberto Emerson da Câmara
Benjamin. O primeiro encontro dos estudiosos
latino-americanos da FolkComunicação ocorreu no
4o. Congresso da ALAIC, promvido na
cidade do Recife, ocasião em que foi lançada uma
obra coletiva sobre a vida e a obra do mestre
pernambucano - "Itinerário de Luiz Beltrão"
(Recife, AIP/UNICAP, 1998). O segundo encontro está
previsto para a cidade de Santiago do Chile, no
campus da Universidade Diego Portales, onde se
realizará o V Congresso da ALAIC, em abril do ano
2000.
A memória desses
eventos e o conjunto da obra de Luiz Beltrão - um
pensador polifacético que também produziu
estudos e reflexões sobre Teoria da Comunicação
e Teoria do Jornalismo, além de textos literários
e jornalísticos - estão sendo reunidos e
futuramente disponibilizados para consulta pública
no Acervo do Pensamento Comunicacional
Latino-Americano (APCL), uma iniciativa em
processo, lançada pela Cátedra UNESCO de
Comunicação do Brasil, sediada no campus Rudge
Ramos da Universidade Metodista de São Paulo (email:
unesco@umesp.com.br).
As fontes de
referência para esse trabalho de registro
documental são os ensaios de autoria do Prof. Dr.
Paulo Rogério Tarsitano - "Luiz Beltrão:
vida e obra" (originalmente apresentado à 48a.
Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o
Progresso da Ciência - PUC, São Paulo, 1996,
depois publicado na revista Comunicação &
Sociedade, n. 25, POSCOM/UMESP, 1996, p.
165-182) e do Prof. Dr. Roberto Benjamin - "Folkcomunicação:
contribuição brasileira à escola
latino-americana de comunicação" (originalmetne
apresentado à 21. Conferência Científica da
International Association for Mass Communication
Research - University of Starthclyde, Glasgow, Escócia,
1998, depois publicado no Anuário Unesco/Umesp
de Comunicação Regional, São Bernardo do
Campo, 1998, p. 133-138).
Para os que se
interessarem pelo trabalho pioneiro de Luiz Beltrão
os referidos estudos constituem um convite à
leitura e à reflexão crítica.
- Apêndice
> PERFIL DE
LUIZ BELTRÃO
Nascido em Olinda
(Pernambuco), Brasil, no dia 8 de agosto de 1918,
Luiz Beltrão realizou seus estudos humanísticos
no Seminário de Olinda e no Ginásio
Pernambucano, em Recife, graduando-se em Ciências
Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da
antiga Universidade do Recife, hoje Universidade
Federal de Pernambuco.
Mas sua vida
profissional foi inteiramente dedicada ao
Jornalismo, atividade que iniciou em 1936, na
reportagem do Diário de Pernambuco. Como
jornalista, atuou em vários órgãos da imprensa
pernambucana e tornou-se líder sindical da
categoria, alcançando projeção nacional. Ao
participar de congressos jornalísticos no país e
no exterior, escreveu ensaios e monografias em que
refletiu criticamente sua profissão e seu impacto
na sociedade.
Essas reflexões
geraram o livro ‘Iniciação à Filosofia do
Jornalismo", que lhe garantiu o Prêmio
Orlando Dantas - 1959, patrocinado pela Editora
Agir (Rio de Janeiro), que o lançou nacionalmente
no ano seguinte. Tal lançamento representou uma
virada na sua carreira. A atividade profissional
colocou-se em segundo plano, na medida em que avançava
seu engajamento acadêmico.
Preocupado com a
formação universitária dos jovens jornalistas,
Beltrão aceita convite para ensinar Ética e Técnica
do Jornalismo na Faculdade de Filosofia Nossa
Senhora de Lourdes, em João Pessoa - Paraíba. Ao
mesmo tempo, havia apresentado projeto para a criação
de um Curso Superior de Jornalismo na Universidade
Católica de Pernambuco, iniciativa acolhida pela
congregação dos jesuítas e implementada a
partir de 1961.
Suas aulas de
Jornalismo são previamente escritas, antes de
expostas em sala de aula, acumulando conhecimento
que lhe permitiria publicar quatro livros sobre o
processo de produção jornalística e seus gêneros
fundamentais. Da mesma forma, ele anotaria as
experiências pedagógicas que vivenciou na
preparação de jornalistas profissionais,
convertendo-as em livro publicado pelo CIESPAL -
Centro Internacional de Estudios Superiores de
Periodismo para América Latina - sob o título
"Métodos de Enseñanza de la Técnica del
Periodismo" (Quito, 1963).
Sua aproximação
ao CIESPAL e às idéias comunicacionais ali
difundidas por cientistas europeus e
norte-americanos o influenciam a criar, em 1963, o
primeiro centro brasileiro de estudos acadêmicos
sobre os fenômenos midiáticos. Trata-se do
Instituto de Ciências da Informação (ICINFORM),
mantido mediante convênio com a Universidade Católica
de Pernambuco. Esse núcleo foi responsável pela
formação da primeira equipe de pesquisadores
dedicados sistematicamente aos fenômenos
comunicacionais no Brasil e pelo lançamento da
primeira revista científica da área - Comunicações
& Problemas -, publicada a partir de 1965,
tomando como modelo sua congênere norte-americana
Journalism Quartely.
A repercussão
nacional e internacional do trabalho inovador
realizado por Luiz Beltrão no Nordeste
Brasileiro, formando jornalistas e pesquisando os
fenômenos da comunicação pública, foi o fator
decisivo para que o Governo Castelo Branco o
convidasse a assumir a direção da Faculdade de
Comunicação da Universidade de Brasília, onde
atua durante o período 1965-1969. É ali que
defende sua tese de doutoramento sobre
Folkcomunicação, convertendo-se no primeiro
Doutor em Ciências da Comunicação do Brasil.
Esse trabalho, parcialmente publicado em livro -
"Comunicação e Folclore"(São Paulo,
Melhoramentos, 1971), tem caráter seminal,
gerando inúmeros estudos e pesquisas que produziu
nos anos seguintes, alguns sob a forma de livros,
outros sob a forma de artigos para revista
especializadas e comunicações apresentadas em
reuniões científicas no país e no exterior.
Convidado a
trabalhar na Fundação Nacional do Índio - FUNAI
- ele se dedica a avaliar o comportamento da
imprensa brasileira diante da questão indígena,
cujas principais evidências foram reunidas no
livro "O índio, um mito
brasileiro"(Petrópolis, Vozes, 1977).
Após sua
passagem pela Universidade de Brasília, Beltrão
atua como docente e pesquisador no CEUB - Centro
de Estudos Universitários de Brasília -,
trabalho compartilhado com intensa atividade
internacional, convidado para cursos, seminários,
palestras e conferências, principalmente na América
Latina. O resultado dessa profícua vida
intelectual é a publicação de uma trilogia
sobre Teoria da Comunicação: Fundamentos Científicos
da Comunicação (1973), Teoria Geral da Comunicação
(1977) e Teoria da Comunicação de Massa (1986).
Paralelamente à
produção científica sobre os fenômenos sociais
da comunicação e do jornalismo, ele se dedicou
à literatura, escrevendo contos, novelas e
romances. Seu primeiro livro literário foi o
romance "Os senhores do mundo"(Recife,
1950). Depois, surgiram: "Quilometro
Zero" (Recife, 1958), "A serpente no
atalho"(Brasília, 1974), "A greve dos
desempregados"(São Paulo, 1984). A consagração
dessa atividade como ficcionista ocorre com a sua
eleição para a Academia Brasiliense de Letras,
onde atuou destacamente até sua morte, no dia 24
de outubro de 1986. Sua última fase intelectual
foi marcada pelo memorialismo, dela resultando
dois livros póstumos: "Contos de Olanda"
(Recife, 1989) e "Memórias de
Olinda"(Recife, 1996).
Reconhecido pela
comunidade acadêmica como o pioneiro dos estudos
científicos sobre comunicação no Brasil, Luiz
Beltrão foi escolhido pela XX Assembléia Geral
da Sociedade Brasileira de Estudos
Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM)
para ter o seu nome perpetuado no prêmio nacional
que distingue os principais produtores científicos
da área. Anualmente a INTERCOM confere o Prêmio
LUZ BELTRÃO de Ciências da Comunicação a
personalidades e instituições que se destacaram
por relevantes contribuições ao nosso campo do
conhecimento.
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Aporte
Brasileño a la Teoría de la Comunicación - El
Estudio de Folkcomunicación según Luiz Beltrão
José
Marques de Melo
Texto
extraído do site da revista Razón y Palabra, n.º27.
http://www.cem.itesm.mx/dacs/publicaciones/logos/anteriores/n27/index.html
Luiz Beltrão de
Andrade Lima (1918-1986) se destaca en el panorama
intelectual brasileño como figura paradigmática2.
Su nombre está inmediatamente asociado a la
Folkcomunicación, disciplina que integra el
universo de las Ciencias de la Comunicación3.
Se consultamos
dos obras de referencia de la literatura
comunicacional brasileña veremos que Luiz Beltrão
es sinónimo de Folkcomunicación4:
BELTRÃO -
Periodista y profesor de comunicación... (...) el
término folkcomunicación, creado por él,
delimita la basta área a la cual dedicó gran
parte de sus investigaciones. Designa el 'conjunto
de procedimientos de intercambio de informaciones,
ideas, opiniones y actitudes de los públicos
marginalizados urbanos y rurales, a través de
agentes y medios directa o indirectamente ligados
al folklore' (RABAÇA & BARBOSA)5
FOLKCOMUNICACIÓN
- En términos generales, se puede decir que
folkcomunicación es comunicación en nivel
popular. Por popular se debe entender todo lo que
se refiere al pueblo, aquello que no se utiliza de
los medios formales de comunicación. Más específicamente:
folkcomunicación es la comunicación a través
del folklore. (...) El origen del término
folkcomunicación se dió en 1967, con la tesis de
doctorado del Prof. Luiz Beltrão... (LUYTEN)6
Al crear en 1997
el "Premio Luiz Beltrão de Ciencias de la
Comunicación", atribuído anualmente a las
personalidades o instituciones que prestaron
relevantes servicios a nuestro campo de
conocimiento, la INTERCOM - Sociedad Brasileña de
Estudios Interdisciplinares de la Comunicación -
pretendió homenajearlo como pionero de los
estudios científicos de la comunicación en el
Brasil7.
Su pionerismo es
multifacetado8. Él fundó el
primer centro nacional de investigaciones académicas
sobre comunicación - el ICINFORM (Instituto de
Ciencias de la Información) - en la Universidad
Católica de Pernambuco, en Recife, 1963. Creó aún
la primera revista científica brasileña dedicada
a temas comunicacionales - Comunicaciones &
Problemas, también en la ciudad de Recife,
1965. Se tornó, finalmente, el primer Doctor en
Comunicación diplomado por universidad brasileña,
al defender en la Universidad de Brasília, en
1967, la tesis Folkcomunicación - Un estudio
de los Agentes y de los Medios Populares de la
Información de Hechos y Expresión de Ideas.
Esa tesis
doctoral representó, en su biografía, una
especie de odisea: "serie de complicaciones,
peripecias u ocurrencias singulares, variadas e
inesperadas" (Aurélio, 1975, p. 999).
Habiendo permanecido inédita, ella alcanza su
happy-end en este primer año del nuevo milenio,
publicada integralmente por la Editorial de la
Pontificia Universidad Católica de Río del Sur,
por iniciativa del Prof. Dr. Antonio Hohlfeld,
coordinador del Programa de Pos-Graduación en
Comunicación. En esta entidad universitaria, su
autor colaboró como Profesor-Visitante en varias
ocasiones . Se trata, por lo tanto, de un servicio
inestimable, este que la PUC-RS presta al campo de
las ciencias de la comunicación, posibilitando
las nuevas generaciones de investigadores de la área
el contacto directo con este documento histórico.
No obstante
consolidados en 1967, los dados y reflexiones
recopilados por Luiz Beltrão para su tesis de
doctorado comenzaron a germinar mucho más antes.
Ellos son contemporáneos de su iniciación en el
terreno periodístico. La temática privilegiada
en la tesis es la misma que él escogió para el
primer reportaje. Difundida en el Diario de
Pernambuco, el 18 de dezembro de 1936, esa
materia "trataba de devociones y romerías, a
la Iglesia del Monte, en Olinda, en ese tiempo
habitada por un viejo monje benedictino"10.
La pasión por la
cultura popular, el interés por las clases
trabajadoras, la sensibilidad para entender lo
cotidiano de las camadas empobrecidas de la
sociedad, todo eso él heredó del padre, el
dentista Dr. Andrade11. Se
inspiró también en la doctrina social de la
iglesia católica12, inspirado
por las enseñanzas de León XIII, el papa que sútilmente
dialogó con las tesis revolucionarias de Karl
Marx. Pero también fue influenciado por el
ambiente socialista que impregnaba, desde los
tiempos de Tobias Barreto, las lideranzas forjadas
en la tradicional Facultad de Derecho de Recife13.
Allí y en otras partes, Beltrão trabaría
coloquios enriquecedores, sin comprometerse
necesariamente, con las ideas marxistas
propugnados por Francisco Julião, Paulo
Cavalcanti, Clodomir Bezerra, Abelardo da Hora,
entre otros compañeros de la generación.
Por eso mismo, él
personalmente quería dejar claro su
distanciamiento en relación a la lucha de clases.
"Algunas veces me viene la idea de que la
persona puede confundir la folkcomunicación con
una comunicación clasista. Sin embargo ella no es
exactamente una comunicación clasista. (...) ...yo
estudié algunos grupos que utilizan la
folkcomunicación, esto es, medios no-formales de
comunicación ligados directa o indirectamente al
folklore. Entonces yo vi que algunos de esos
grupos tienen capacidad de integración en la
sociedad, apenas no concuerdan con esa sociedad.
Los grupos a los que me refiero son los
culturalmente marginalizados, contestan la cultura
dominante. Ellos contestan, por ejemplo, las
creencias dominantes en la sociedad y las
religiones establecidas. El grupo erótico-pornográfico
no acepta, por ejemplo, la moral dominante."14
En el fondo, su
fundamentación se insere en aquella concepción
socio-psicológica y transclasista que Gilberto
Freyre sagazmente denominaría "ánimo folklórico",
entronizándola como variable esencial a la
comprensión del comportamiento cultural de los
brasileños15. Tal filiación teórica
queda sobre-entendida en varios trechos de esta
obra, especialmente en aquellos en que analiza el
sentido contestatorio inherente a las piezas
producidas por los artesanos del barro o a la crítica
social implícita en las diversiones populares.
No es sin
justificativa que Beltrão convidaría a Gilberto
Freyre para ser uno de los principales
conferencistas del I Curso Nacional de Ciencias de
la Información, promovido en el periodo del 16 de
enero al 4 de marzo de 1964, en el Recife, una de
las primeras iniciativas del recién-fundado
ICINFORM16.
En ese momento,
sus preocupaciones folkcomunicacionales aún no
habían ultrapasado las fronteras de la observación
periodística. Tanto así que el programa de aquel
evento académico incluía varios "trabajos
de campo", entre ellos "participación y
asistencia a (...) fiestas folklóricas y
carnavalezcas ocurridas en el periodo de duración
del Curso"17
No obstante, él
destaca el impacto que le causaría la lectura del
libro de Edson Carneiro -La dinámica del
folklore (Rio de Janeiro, Civilización
Brasileña, 1965), despuntando en el escenario
nacional como una especie de "obra
maldita". Ella desagrada a los folkloristas
ortodoxos, que la consideran avanzada,
izquierdizante. Pero también no entusiasma a los
cientistas sociales, encastillados en las cátedras
universitarias, que evalúan el folklore como un
objeto menor, signo de la alienación de las
clases subalternas18.
Viviendo en la
provincia, ajeno a las querellas académicas que
animaban los principales centros culturales del país
(Río - San Paulo), Luiz Beltrão supervaloriza la
contribuición de aquél folklorista de vanguardia.
"Edson Carneiro fue el único hombre que
percibió que el folklore no era estático, el
folklore no era una cosa parada en el tiempo, sinó
una cosa dinámica. (...) Este libro tuvo una gran
influencia en mí, pues verifiqué que cualquier
manifestación popular estaba ligada al pueblo,
porque el puebo no tenía medios, él utilizaba
esos medios que le daban"19.
Beltrão se
siente estimulado para hacer la primera incursión
investigativa fuera del campo específicamente
peridístico. Su ensayo Iniciación a la
filosofía del peridiosmo (Río de Janeiro,
Agir, 1960), fue bien recibido por la crítica
nacional e internacional20,
credenciándolo a vuelos académicamente más
osados.
En la primera
edición de la revista Comunicaciones &
Problemas (Recife, ICINFORM, 1965) publica un
ensayo monográfico - "El ex-voto como vehículo
periodístico" (p. 9 a 15). Estribado teóricamente
en Gilberto Freyre21 y ancorado
metodológicamente en Alceu Maynard Araújo y Luiz
Saya22, él formula su
embrionaria teoría de la folkcomunicación:
"No es
solamente por los medios ortodoxos - la prensa,
la radio, la televisión, el cine, el arte
erudito y la ciencia académica - que, en países
como el nuestro, de elevado índice de
analfabetos e incultos, o en determinadas
circunstancias sociales y políticas, así como
en las naciones de mayor desenvolvimiento
cultural, no es solamente por tales medios y vehículos
que la masa se comunica y la opinión se
manifiesta. Uno de los grandes canales de
comunicación colectiva es, sin duda, el
folklore.
De las conversaciones de boca de noche, en las
ciudades del interior, en la farmacia o en la
barbería; del intercambio de impresiones
provocada por las noticias traídas por el
chofer del camión, por el representante
comercial o el 'lotero'(bichero); o, aún, por
los versos del poeta distante, impresos en el
folleto que se compra en la feria, y por los 'martillos'
del cantor ambulante; por los inflamados artículos
del periodista rústico o por las severas
amoestaciones de los misioneros; del raciocinio
del hombre solitario en su trabajo en la
floresta, en la cantina o en la loma - es que
surgen, van tomando forma, cristalizándose las
ideas-motrices, capaces en un momento dado bajo
cierto estímulo, llevar aquella masa
aparentemente disociada y apática a una acción
uniforme y eficaz".
Su manifiesto
folkcomunicacional encuentra buena receptividad.
Luiz Beltrão recibe cartas entusiastas de dos
eminentes representantes de las comunidades
nacionales del periodismo y del folklore. El
entonces secretario-general de la ABI - Asociación
Brasileña de la Prensa, Fernando Segismundo, que
le hace ademanes generales:
"El artículo
- El ex-voto como vehículo periodístico es
de los mas curiosos"23.
Mientras que, el
patriarca del folklore brasileño, Luis de la Câmara
Cascudo, se pronuncia de modo mas enfático,
preciso, desafiador:
"Su artículo-de-abertura
(...) es um magnífico master-plan. Valorizará
lo cotidiano, lo vulgar, lo realmente popular
defectuoso, de origen y función. No espera que
venga un nombre de fuera, un libro de lejos,
enseñando a amar lo que tenemos al alcance de
los ojos. Incista, como está haciendo, en
valorizar al Hombre del Brasil en su normalidad.
(...) Sobretodo, vea con sus ojos. Ande con sus
pies. Después compare con las conclusiones de
otros ojos y con las pegadas de otros pies"23.
Entusiasmado, él
continuó las observaciones respecto a los otros
fenómenos de la comunicación tradicional.
"Yo
todavía estaba impresionado con la información
puramente. Ahí llamé a eso de folkcomunicación
periodística"25.
Ese trabajo
embasaría empíricamente la tesis con que se
inscribió en la Universidad de Brasília, en
1967, para conquistar el título de Doctor en
Comunicación.
El volumen se
compone de tres partes. La primera, concisa,
presenta sus fundamentos teóricos y metodológicos,
esbozando una teoría de la folkcomunicación. La
segunda está constituída por dos segmentos: un
documental, historicizando la comunicación
brasileña, del periodo pre-cabralino al dominio
colonial portugués; otro empírico, inventariando
las manifestaciones folkcomunicacionales del
Brasil contemporáneo. La tercera contiene las
conclusiones, la bibliografía consultada y un
breve curriculum-vitae del investigador.
¿Cuál es la
tesis defendida por Luiz Beltrão ? Ella
constituye un desdobramiento de la hipótesis
construída por Lazarsfeld y Katz -two-setp-flow
of communication- para refutar la idea
dominante de la omnipotencia mediática26.
Las evidencias empíricas colectadas en los
Estados Unidos permiten concluir que los medios
masivos consiguen movilizar la atención colectiva
de los usuarios, pero sus efectos son
intermediados por líderes de opinión que filtran
los mensajes segundo los padrones consensuados en
los grupos primarios. En el caso brasileño, Luiz
Beltrão verificó que el papel de las lideranzas
grupales es ejercido, en el campo, ciudades del
interior o en las periferias metropolitanas, por
agentes folkcomunicacionales. Estos recodifican
los mensajes mediáticos, reinterpretándolos de
acuerdo con los valores comunitarios.
El tribunal
designado por la Universidad de Brasília para
evaluar la tesis está compuesto de tres eminentes
investigadores: el español Juan Beneyto, el
norte-americano Hod Horton y el brasileño Roberto
Lyra Filho. Ellos se manifestan favorablemente a
la aprobación del trabajo y recomiendan la
concesión del título de doctor al candidato.
Hasta aquel
momento, la trayectoria intelectual de Luiz Beltrão
había sido un "mar de rosas". Al
ingresar en la vida universitaria poseía "notorio
saber" en el campo periodístico, lo que lo
eximía, según las reglas vigentes, de disputar títulos
académicos. Tanto así que fuera reconocido como
Catedrático por el CIESPAL - Centro Internacional
de Estudios Superiores de Periodismo para América
Latina, mantenido por la UNESCO en Quito, Ecuador,
donde asumiera en 1963 la regencia de la cátedra
de "Pedagogía del Periodismo"27.
En la Universidad Católica de Pernambuco él ya
ocupaba desde 1961 la Cátedra de Técnica de
Diario y Periódico , habiendo sido designado por
el Rector Padre Aloisio Mosca de Carvalho para
implantar y coordinar el Curso de Periodismo.
Convocado, en
1965, por el Presidente Castelo Branco, a través
de su Asesor de Prensa, José Vamberto, para
dirigir la Facultad de Comunicación de la
Universidad de Brasília en el lastre de la crisis
allí desencadenada en el inicio del régimen
militar, Beltrão quizo valorizar la propuesta del
idealizador de aquella universidad, Darcy Ribeiro.
Él pretendía que todos sus docentes maduros se
alistasen en programas de doctorado y los docentes
jóvenes en programas de maestría, en el sentido
de fortalecer la investigación, estimulando la
producción de nuevos conocimientos.
Siendo así, Luiz
Beltrão dió el buen ejemplo, inscribiéndose en
el programa de Doctorado en Comunicación, y con
eso obtuvo la adhesión de varios otros colegas.
Las reglas del doctorado seguían, en aquella
conyuntura, el modelo europeo, caracterizado por
la realización de una investigación original,
finalmente sometido al juicio de un tribunal académico.
Se trataba de una evaluación de mérito, sin la
intervención de factores políticos. Con todo, la
turbulencia que estremeció los cimientos de la
UnB después del golpe militar de 1964 terminaría
por radicalizar la convivencia dentro del campus,
politizando todas sus actividades.
Cuando el
profesor Beltrão se presentó para la lectura de
la tesis de doctorado ante el tribunal académico
constituido por la Rectoría, la Facultad de
Comunicación se encontraba conflagrada29,
culminando con su demisión del cargo ejecutivo
para el cual fuera invitado por la administración
anterior. Después del juicio, cada examinador
emitió su parecer, siendo que los dos extrangeros
protocolaran inmediatamente el boletín de
aprobación.
El sociólogo
Juan Beneyto, Catedrático de la Universidad de
Madrid, recomendó que fuese concedida la máxima
distinción al candidato: "A juicio del abajo
firmante, el estudio que se dictamina muestra
desde luego valor científico sobrado para aspirar
a la máxima calificación que el procedimiento
académico autoriza, por lo que estima que es obra
merecedora de Distinción con Honor"30.
A su vez, el
diplomático Hod Horton, Catedrático de la
Universidad de Denver, Colorado, EUA, emitó el
siguiente punto de vista: "Obra de alta
categoría, plenamente documentada, bien dirigida,
escrita con el mayor apuro literario y, por su
entereza, consagrando el autor como un
investigador serio".
Nadie dudaba de
la lisura del proceso. Aprobado por el grupo
examinador, el candidato hacía jus al grado
correspondiente. Pero el entonces Rector Laerte
Ramos de Carvalho, que demitiera a Luiz Beltrão
del cargo ejecutivo, quizo perjudicar al nuevo
doctor, dificultando a entrega del título
conquistado con brillantez. Por tanto, convenció
al miembro brasileño del grupo, integrante del
cuerpo docente de la propia universidad, en el
sentido de retardar la entrega de su boletín de
evaluación. La ausencia de ese documento fue
usada como justificativa para impedir el
otorgamiento del diploma correspondiente. Todo eso,
apesar de haber sido incorporado en el proceso los
pareceres de los dos otros examinadores,
evidenciando la aprobación del candidato por la
mayoría de sus miembros titulares.
Pero, estábamos
en pleno gobierno Costa y Silva, cuando el régimen
militar endureció, culminando con el
golpe-dentro-del-golpe engendrado por el Acto
Institucional N. 5. La apariencia de normalidad
jurídica, perseguida inicialmente por el gobierno
Castelo Branco, quedaría totalmente prejudicada.
Por eso, la concesión del título solamente se
efectuaría a través de la demanda administrativa
instaurada formalmente, mucho tiempo después de
la defensa de la tesis31.
El calvario de
Luiz Beltrão no terminó ahí. Su tesis repercutió
intensamente en la comunidad académica nacional e
internacional, siendo considerada la más original
de las contribuiciones brasileñas a la teoría de
la comunicación. Umberto Eco, por ejemplo, le
dedica un simpático comentario en el jornal L'Espresso
de Milán (30/10/1966).
Con todo, ella
encontró barreras para su publicación integral.
La Editora Mejoramientos se mostró interesada por
la edición, sometiéndola al cribo del Prof.
Lourenço Filho, su consultor para la área de
humanidades. Éste emite parecer favorable,
argumentando sobre la inconveniencia política de
publicar el capítulo teórico, en aquella
coyuntura represiva. Percíbese que él discordaba
de la ancoraje del autor en las premisas
"subversivas" de Edson Carneiro. Se temía
represalias del sistema autoritario, por tratarse
de literatura puesta en cuarentena por los nuevos
"dueños del poder"32.
No quedó otra
alternativa a Luiz Beltrão sino la de aceptar la
mutilación de su obra. Ella circula bajo el título
Comunicación y Folklore (San Paulo,
Mejoramentos, 1971), respaldada por una irónica
"presentación" de Alceu Maynar Araújo,
miembro de la Academia Paulista de Letras:
"Encuanto
los 'folkloristas' (entre aspas) se quedan
participando de reuniones y cónclaves para
definir lo que ya está definido, para projectar
sólo en el papel, o para relatar lo que fue
visto en una demostración por los 'sabios de
palanque', viene ese periodista (...) con un
trabajo espléndido sobre lo que haya de más
moderno, que es la vieja comunicación. (...)
"Soy un estudioso de nuestro folklore y
confieso que aprendí mucho con ese ensayo. Vale
la pena comunicarnos con nuestra realidad folklórica
a través de la obra de Luiz Beltrão
A pesar se ser
censurado e impedido de hazer jus al título de
doctor, el patrono de la Folkcomunicación no se
intimidaría, continuando sus investigaciones. Él
asimiló positivamente algunas de las críticas
que le fueron dirigidas, inclusive aquella sobre
el reduccionismo periodístico de su teoría. Más
tarde, él iría a reconocer esa laguna:
"Sucedió
que yo vi que la función de la Comunicación no
estaba tan solamente en informar u orientar,
estaba también en educar, había una función
promocional. Entonces yo comenzé a profundizar
esos estudios y el resultado es que el concepto
de folkcomunicación fue ampliado no para dar
solamente la idea de que el pueblo utiliza la
folkcomunicación para trocar noticias, mas sí
para educarse. Decir lo que él quiere decir,
promoverse y entretenerse también, divertirse
del mismo modo que nosotros usamos el sistema
establecido, que lo llamé de comunicación
social para una diferenciación de la comunicación
folklórica"33.
Cuando publica su
nuevo libro sobre el tema -Folkcomunicación,
la comunicación de los marginalizados (San
Paulo, Cortez, 1980)- no apenas rescata sus raízes
teóricas, explicitando las ideas seminales en que
se fundamenta, sino que formula un modelo para
describir el sistema de folkcomunicación. Eso le
permite construir con mayor seguridad el concepto
de esa nueva disciplina34:
"La
folkcomunicación es, por naturaleza y
estructura, un proceso artesanal y horizontal,
semejante en esencia a los tipos de comunicación
interpersonal ya que sus mensajes son
elaboradas, codificadas y transmitidas en
lenguajes y canales familiares a la audiencia, a
su vez conocida psicológica y vivencialmente
por el comunicador, todavía dispersa"
Al fallecer, en
1986, Luiz Beltrão dejó un legado intelectual fértil,
instigante y provocativo35. Vale
la pena rescatar las palabras que escogió para
dialogar con los lectores de su tesis de doctorado,
no obstante incompleta36:
"Entregando
al lector éste estudio, el Autor reserva
apenas, para sí, la convicción de que intentó
abrir una picada para la estrada larga que otros
más autorizados y más seguros irán percorrer
en el sentido de investigar los agentes y
canales de folkcomunicación y, así, penetrar
en la médula de las directrices reales que
conducen la acción política del hombre brasileño
en su compleja integridad".
Al iniciarse el
nuevo milenio, verificamos que la Folkcomunicación
concebida como disciplina científica por Luiz
Beltrão dejó de ser una mera "picada"
para convertirse en la "estrada larga"
que él preconizara. Quien lo atesta es su
principal discípulo y sucesor, Roberto Benjamín,
que inventarió recentemente los avances de esas
investigaciones en todo el territorio nacional.
"La
Folkcomunicación enseñada e investigada en la
Universidad brasileña ha dado como resultado la
publicación de estudios originados en trabajos
de campo, reflexiones teóricas y en las
aplicaciones metodológicas propias de la
investigación. Sus continuadores procuran
expandir la conceptuación y establecer la
relación entre las manifestaciones de la
cultura popular y la comunicación de masa,
incluyendo en sus estudios la mediación
realizada por las manifestaciones populares en
la recepción de la comunicación de masa, la
apropriación de la tradición popular por lo
mass media y la apropriación por la cultura
popular de aspectos de la cultura de masa.
"Así, los estudios de Roberto Benjamín
sobre maracatu, las tesis de Joseph Luyten sobre
literatura de cordel, la de Edval Marinho de Araújo
sobre el holgorio caballo-marino, la de Rute
Almeida sobre almanaques son ejemplos de
documentación y análisis de canales populares
y sus mensajes; 'Folletos Populares
intermediarios en el proceso de comunicación',
de Roberto Benjamín es el primer estudio monográfico
sobre la mediación de los canales populares en
el proceso de la comunicación de masa; 'La
influencia de la radio en la dinámica cultural
de las canturías en Paraíba' es una
investigación de Luis Custódio sobre los
efectos de la comunicación de masa sobre un
canal popular; la disertación de Osvaldo Meira
Trigueiro, 'La TV Globo en dos comunidades
rurales de Paraíba: un estudio sobre la
audiencia de la televisión en determinados
grupos sociales "es un estudio sobre la
audiencia de la televisión en grupos de cultura
folk interligados a este mass medium; el estudio
comparativo sobre la temática de la Navidad,
promovido por José Marques de Melo, analiza el
impacto de la globalización y la permanencia de
las tradiciones populares en los mensajes
vehiculados por los diarios brasileños."37
BENJAMÍN
reitera, finalmente, que "la divulgación de
la teoría fue perjudicada por la no-publicación
de la tesis defendida en la Universidad de Brasília"38.
Esa deficiencia
deja de existir, ahora, con el lanzamiento del
libro que contiene la versión original de aquella
tesis- Folkcomunicación - Un estudio de los
Agentes y de los Medios Populares de la Información
de Hechos y Expresión de Ideas, publicada
integralmente por la Editora de la PUC-RS (Puerto
Alegre, 2001), por iniciativa del Prof. Dr. António
Holfeldt39. Su circulación en
territorio nacional ciertamente va aumentar el
contingente de los investigadores de los fenómenos
folkcomunicacionales. Va fortalecer también la
corriente de los jóvenes investigadores que
acuden, anualmente, a las Conferencias Brasileñas
de Folkcomunicación40,
promovidas por la Cátedra UNESCO/UMESP, bien como
a eventos similares organizados por sociedades
científicas como la INTERCOM - Sociedade Brasileña
de Estudios Interdisciplinares de la Comunicación41,
la LUSOCOM - Federación Lusófona de Ciencias de
la Comunicación, FELAFACS - Federación
Latinoamericana de Facultades de Comunicación
Social, ALAIC - Asociación Latinoamericana de
Investigadores de la Comunicación, etc.42
Las nuevas
corrientes de estudiosos de la folkcomunicación
percorren flujo inverso aquel originalmente
concebido por Luiz Beltrão43.
El fundador de la disciplina privilegió los auténticos
procesos folkcomunicacionales, bien como la
folkmedia encuanto recodificadora de los mensajes
previamente vehiculadas por los mass media.
Sus jóvenes discípulos procuran desvendar de que
manera la Folkcomunicación actúa como
retroalimentadora de las industrias culturales.
Sea pautando materias periodísticas, generando
productos ficcionales, embasando campañas
publicitarias y de RP o invadiendo los espacios de
entretenimiento44.
Se trata de un
conjunto de tendencias que están bien delineadas
en el último libro de Roberto Benjamín45
o en la edición monográfica de la revista Comunicación
& Sociedad, n. 34 46.
Esas publicaciones reflejan claramente el
avigoramiento académico de la Folkcomunicación,
tanto cuanto su destaque como campo de estudios
que ultrapasa las fronteras del Brasil para
alcanzar a todos los Países Lusófonos y la América
Latina.
Notas:
2
El perfil biográfico de Luiz Beltrão está
contenido en el libro organizado por Roberto
Benjamín - Itinerario de Luiz Beltrão,
Recife, AIP/UNICAP, 1998. Allí fueron
coadjuntados dados y testimonios que confirman
todo su pioneirismo académico, además de su
actuación de vanguardia como periodista y de sus
incursiones singulares por la vida literaria.
3 La presencia de la
Folkcomunicación como disciplina integrante del
segmento de las ciencias de la información
individual o grupal está justificada en mi libro
lanzado recientemente en la vida académica. Vide:
MARQUES DE MELO, José - Comunicação Social:
Teoria e Pesquisa , Petrópolis, Vozes, 1970,
p. 62-64. Esta también fue incluída en la coletánea
que abriga textos marcantes de mi trajectoria
intelectual - MARQUES DE MELO, José - Teoria
da Comunicação: paradigmas latino-americanos,
Petrópolis, Vozes, 1998, p. 69-70
4 Esa asociación entre la
palabra y su creador se dio naturalmente cuando
ella fue diccionarizada. Su incorporación al léxico
mediático se hizo por iniciativa del Profesor Mário
ERBOLATO - Dicionário de Propaganda e
Jornalismo, Campinas, Papirus, 1985, p. 154
Solamente más tarde ella sería asimilada por los
estudiosos del folklore, cuando Mário SOUTO MAIOR
publica su Dicionário de Folcloristas
Brasileiros, Recife, 20-20 Comunicación y
Editora, 1999, dedicando un verbete a Luiz Beltrão,
identificado como el personaje polivalente: "romanticista,
cuentista, periodista, abogado, profesor,
folklorista" (p. 116)
5 RABAÇA, Carlos Alberto &
BARBOSA, Gustavo - Dicionário de Comunicação,
São Paulo, Ática, 1987, p. 611
6 LUYTEN, Joseph -
Folkcomunicación, In: UEIROZ E SILVA, Roberto P.
de, coord. - Temas Básicos em Comunicação,
São Paulo, Paulinas/INTERCOM, 1983, p. 32-34
7 KUNSCH, Waldemar - Premio Luiz
Beltrão: un reconocimiento a la investigación en
comunicación, Comunicación & Sociedad, n.
32, São Bernardo do Campo, UMESP, 1999, p.
226-229
8 Esas diferentes facetas del
maestro olindense merecieron la atención de los
participantes de CELACOM'1999 - III Coloquio
Internacional sobre la Escuela Latino-Americana de
Comunicación, a través de las contribuiciones de
Maria Luiz Nóbrega - Icinform: una experiencia
pionera; Maria das Graças Targino - La
contribuición del Instituto de Ciencias de la
Información (Icinform) en el génesis del
pensamiento comunicacional brasileño; Rosa Maria
Nava - Comunicaciones & Problemas: el primer
periódico de estudios e investigaciones de la
Comunicación del Brasil; Samantha Viana Castelo
Branco Rocha Carvalho - Luiz Beltrão: de la
creación del Icinforma la teoría de la
Folkcomunicación; Tereza Halliday y Roberto
Benjamín - "Pernambuco hablando para el
mundo": contribuición de la Unicap y del
Icinform para las Ciencias de la Comunicación.
Vide: MARQUES DE MELO, José y GOBBI, Maria
Cristina. Orgs. - Génesis del Pensamiento
Comunicacional Latino-Americano: el protagonismo
de las instituiciones pioneras (Ciespal, Icinform,
Ininco), São Bernardo do Campo, UMESP, 2000,
p. 155-217
9 Evidencias de
esa estrecha colaboración quedaron registradas en
los libros Periodismo Interpretativo (1976)
y Periodismo Opinativo (1980), publicados
en Puerto Alegre por la Editora Sulina, integrando
la Estante de Comunicación Social, editada en
convenio con la ARI - Asociación Riograndense de
la Prensa - y dirigida por el entonces director de
la FAMECOS - Facultad de los Medios de Comunicación
Social -, Profesor Antonio Firmo de Oliveira González.
10 BENJAMÍN, Roberto - Itinerário
de Luiz Beltrão, Recife, AIP/UNICAP, 1998, p.
59
11 Él así reconstituye la
memoria de su padre: "Dr. Andrade era, por
naturaleza, un participante. (...) En Olinda,
tomaba posición en todas las iniciativas y campañas
que tenían en mira para llevar beneficios a la
población. Orador fluente, su palabra, al
servicio de las buenas causas olindenses,
estimulaba la acción constructiva de la audiencia..."
BELTRÃO, Luiz - Memoria de Olinda, Recife,
FIAM/ Olinda, Prefectura Municipal, 1996, p. 81-82
12 "Mi formación cultural
tuvo inicio efectivamente en el Seminario de
Olinda. Allí comencé a estudiar y a escribir."
Luiz Beltrão: la folkcomunicación no es una
comunicación clasista (entrevista), Revista
Brasileña de Comunicación, Año X, n. 57, São
Paulo, INTERCOM, 1987, p.6
13 "La Facultad de Derecho
no eran las aulas. La Facultad de Derecho de
Recife no eran los profesores. La Facultad de
Derecho do Recife, para mí, eran los
corredores..." Luiz Beltrão: la
folkcomunicación no es una comunicación clasista
(entrevista), Revista Brasileña de Comunicación,
Año X, n. 57, São Paulo, INTERCOM, 1987, p.6
14 Luiz Beltrão: la
folkcomunicación no es una comunicación clasista
(entrevista), Revista Brasileña de Comunicación,
Año X, n. 57, São Paulo, INTERCOM, 1987, p. 5-15
15 FREYRE, Gilberto - El ánimo
folklórico en el comportamiento y en la cultura
del brasileño, inclusive en la literatura,
Alhos & Bugalhos, Rio de Janeiro, Nueva
Frontera, 1978, p. 135-145
16 I Curso Nacional de Ciencias
de la Información, Comunicaciones &
Problemas, vol. I, n. 2, Recife, ICINFORM,
julio de 1965, p. 109-120
17 BENJAMIN, Roberto - Itinerário
de Luiz Beltrão, Recife, AIP/UNICAP, 1998,
p.73
18 Esa contienda entre
folkloristas y científicos sociales está bien
documentada en el libro póstumo de Luis Rodolfo
VILHENA - Proyecto y Misión: el movimiento
folklórico brasileño, 1947-1964, Rio de
Janeiro, Funarte, 1997 De cierto modo, la cuestión
fue rescatada, en una perspectiva internacional,
por el libro de Renato ORTIZ - Cultura Popular
- Románticos y Folkloristas, São Paulo, Olho
d''Agua, 1992
19 Luiz Beltrão: la
folkcomunicación no es una comunicación clasista
(entrevista), Revista Brasileña de Comunicación,
Año X, n. 57, São Paulo, INTERCOM, 1987, p. 13
20 LEAL, César - Luiz Beltrão,
teórico del periodismo, In: BENJAMIN, Roberto - Itinerário
de Luiz Beltrão, Recife, AIP/UNICAP, 1998,
p.133-136
21 El no cita expresamente
ninguna obra del Maestro de Apipucos,
transpareciendo, com todo, el conocimiento de su
trilogia sobre la sociedad brasileña (Casa
Grande & Senxala., Sobrados e Mocambos, Ordem
e Progresso), donde los elementos de la
cultura popular están valorizados en cuanto
procesos comunicacionales típicos (sátira, crítica,
caricatura etc.)
22 Folkloristas paulistanos.
Alceu Maynard de ARAÚJO es autor de la consagrada
obra, en tres volúmenes, Folklore Nacional, São
Paulo, Mejoramentos, 1964 y Luiz SAYA escribiera
el libro Escultura Popular Brasileña, São
Paulo, Editora Gaxeta, 1944.
23 Aún sobre C&P - N. 1 , Comunicaciones
& Problemas, v. 1, n. 2, Recife, ICINFORM,
1965, p. 136
24 CÂMARA CASCUDO, Luis da -
Carta a Luiz Beltrão sobre el
"Ex-Voto", Comunicacioness &
Problemas, v. 1, n. 2, Recife, ICINFORM, 1965,
p.135
25 Luiz Beltrão: la
folkcomunicación no es una comunicación clasista
(entrevista), Revista Brasileña de Comunicación,
Año X, n. 57, São Paulo, INTERCOM, 1987, p.13
26 Vide: KATZ, Elihu and
LAZARSFELD, Paul F. - Personal Influence - The
part played by people in the flow of mass
communication, New Yoirk, Free Press, 1955
27 Sus clases fueron reunidas
en el libro: BELTRÃO, Luiz - Métodos en la
Enseñanza de la Técnica del Periodismo,
Quito, CIESPAL, 1963, 169 p.
28 Su experiencia didáctica en
Pernambuco fue sistematizada y difundida
nacionalmente. Ella dio origen al libro : BELTRÃO,
Luiz - La prensa Informativa, São Paulo,
Folco Masucci, 1969
29 Vale la pena leer el relato
dejado sobre ese episodio por el propio Luiz Beltrão.
Se encuentra transcrito en el libro organizado por
BENJAMIN, Roberto - Itinerário de Luiz Beltrão,
Recife, AIP/UNICAP, 1998, p.82-93
30 BENEYTO, Juan - Juicio de la
Tesis de Doctorado, In: BENJAMIN, Roberto - Itinerário
de Luiz Beltrão, Recife, AIP/UNICAP, 1998,
p.310-311
31 Vide, a propósito de ese
hecho, mi testimonio, como testigo ocular de ese y
de otros acontecimientos de la época. MARQUES DE
MELO, José - En los tiempos de la gloriosa, Revista
Brasileña de Comunicación, v. XX, n. 2, São
Paulo, INTERCOM,1997, p. 13-28
32 MARQUES DE MELO, José -
Folkcomunicación, la comunicación del pueblo,
In: Telemania, anestésico social, São
Paulo, Loyola, 1981, p. 79-84
33 Luiz Beltrão: la
folkcomunicación no es una comunicación clasista
(entrevista), Revista Brasileña de Comunicación,
Año X, n. 57, São Paulo, INTERCOM, 1987, p.
13-14
34 BELTRÃO, Luiz - Folkcomunicación,
la comunicación de los marginalizados, São
Paulo, Cortez, 1980, p. 28
35 Ese legado incluye también
su trilogía sobre Teoría de la Comunicación.
Vide: BELTRÃO, Luiz - Sociedad Masa:
Comunicación & Literatura, Petrópolis,
Vozes, 1972; Fundamentos Científicos de la
Comunicación, Brasília, Thesaurus, 1973; Teoría
Genera de la Comunicación, Brasília,
Thesaurus, 1977, bien como el manual que escribió
en sociedad con Newton de Oliveira QUIRINO -
Subsidios para una Teoría de la Comunicación de
Masa, São Paulo, Summus, 1986.
36 BELTRÃO, Luiz - Comunicación
y folklore, São Paulo, Mejoramientos, 1971,
contra-capa
37 BENJAMIN, Roberto -
Folkcomunicación: contribución de Luiz Beltrão
para la Escuela Latino-Americana de Comunicación,
Anuario Unesco/Umesp de Comunicación Regional,
n. 2, São Bernardo do Campo, UMESP, 1998, p. 136
38 BENJAMIN, Roberto -
Folkcomunicación: contribución de Luiz Beltrão
para la Escuela Latino-Americana de Comunicación,
Anuario Unesco/Umesp de Comunicación Regional,
n. 2, São Bernardo do Campo, UMESP, 1998, p. 136
BENJAMIN, Roberto - Folkcomunicación: contribución
de Luiz Beltrão para la Escuela Latino-Americana
de Comunicación, Anuario Unesco/Umesp de
Comunicación Regional, n. 2, São Bernardo do
Campo, UMESP, 1998, p. 134
39 A EDIPUCRS está situada en
la Av. Ipiranga, 6681 - prédio 33, Puerto Alegre,
cep: 90619-900, RS. Caixa Postal: 1429. Telefax:
(051) 339-1511 r: 3323. Endereço eletrônico: edipucrs@music.pucrs.br
40 Fueron realizadas 3 FOLKCOM
al finalizar el siglo XX: 1998 (UMESP, São
Bermardo do Campo, São Paulo); 1999 (FUNREI, São
João del Rei, Minas Gerais), 2000 (UFPB, João
Pessoa, Paraíba).
El primer encuentro del nuevo milenio fue agendado
para el campus de la UFMS, en la ciudad de Campo
Grande, Mato Grosso do Sul, en junio de 2001. El
evento ha hecho un inventario nacional de las
fiestas populares. Vide: MARQUES DE MELO, José -
Las fiestas populares como procesos
comunicacionales, Neon - Arte, Cultura y
Entretenimiento, Año 2, n. 22, Salvador,
octubre de 2000, p. 34-39
41 Esa entidad acaba de crear
un Núcleo de Pesquisas exclusivamente dedicado a
los fenómenos folkcomunicacionales, cuya
instalación fue confiada al Prof. Dr. Sebastião
Breguez (Centro Universitario del Sur de Minas),
responsable por la organización del I Seminario
de Folkcomunicación (Belo Horizonte, abril de
2001)
42 Esas asociaciones
internacionales crean Grupos de Estudios de
Folkcomunicación, que se reúnen periódicamente,
durante sus congresos bienales o trienales, para
discutir los resultados de las mas recientes
investigaciones hechas en diferentes países.
43 Para mejor comprender las
ideas seminales el maestro olindense, vale la pena
consultar a la antología: MARQUES DE MELO, José,
org. - Midia y Folklore - el estudio de la
Folkcomunicación según Luiz Beltrão, Maringá,
Faculdades Maringá/Cátedra UNESCO/UMESP, 2001.
44 MARQUES DE MELO, José - Folkcomunicación
entre media y cultura popular, Imprensa, n.
151, São Paulo, agosto/ 2000, p. 76-77
45 BENJAMIN, Roberto - Folkcomunicacióno
en el contexto de masa, João Pessoa, Editora
de la Universidad Federal de Paraíba, 2000
46 Ese volumen contiene un
dossier sobre Folkcomunicación, coordinado por
Waldemar Kunsch (São Bernardo do Campo, UMESP,
diciembre/ 2000).
Voltar

A trajetória de um pioneiro
Nicolau
José Carvalho Maranini
(Universidade Gama Filho, Rio de Janeiro
/ Brasil)
-
Introdução
Este
trabalho foi desenvolvido para o cumprimento de créditos
para a disciplina Pensamento Comunicacional Latino
Americano e tem como objetivo demostrar a importância
de Luiz Beltrão para a produção de conhecimento
no campo de Teoria da Comunicação no Brasil .
Luiz
Beltrão é considerado um dos pioneiros da Escola
Latino Americana de Comunicação - ELACOM - pelas
suas características , "elaborações científicas
e o hibridismo teórico e a superposição metodológica"
conforme revela José Marques de Melo. Beltrão é
multidisciplinar: jornalista, sindicalista,
professor, pesquisador, diretor de curso universitários,
autor de várias publicações , relações públicas.
A
análise procurou dividir sua atuação em
diversas fases de vida: estudantil , profissional
,acadêmica e sindical , sabendo que para cada época
existiram variáveis dentro de um contexto, que em
muitas das vezes não conseguiremos reproduzir.
- Os
Primeiros Estudos
A
vida estudantil de Luis Beltrão iniciou-se no
Seminário de Olinda, em consequência da forte
influência da religião católica em sua família.
Foi no seminário que começou a estudar e a
escrever: "Lembro-me, ainda, do seminarista tímido
que eu fui aos doze anos, metido na minha batina
negra com a faixa azul à cintura, visitando quem
me parecia o temido prelado no seu palácio
arquiepiscopal de Olinda. E verificando que,
diante daqueles dos quais ele esperava serem seus
pescadores de almas, toda aquela austeridade, todo
aquele ar de grão senhor, toda aquela ironia,
todos os traços fisionômicos que marcavam a sua
diferença e a posição superior que desfrutava
pelo oposto ocupado na hierarquia eclesial,
desapareciam, quando, feita a genuflexão
protocolar e osculado o seu anel, ele punha a mão
no ombro do jovem e começava, como um parente
mais idoso que vivesse distante dos seus, a
indagar-lhe sobre os pais, a família, preferências,
estudos, fatos da história, noções de
geografia, se conhecíamos a sua Bahia, o São
Francisco, o Sertão...(Benjamin, 1998,p.41)
Saindo
do Seminário, seguiu para o Colégio Estadual de
Pernambuco e durante a frequência do ginásio
começou a participar ativamente dos Grêmios
Literários que teve uma grande influência em sua
vida literária:
O
Centro funcionava no amplo salão do 1º andar,
com suas cinco varandas, no mesmo aposento em que,
ainda antes dos Nunes da Silva, o maestro Euclides
da Fonseca recebia os amigos e proporcionava-lhes
momentos de encantamento em concertos de piano,
realizava suas sessões nos domingos e feriados.
Durante a semana, o salão era utilizado pelos
seus locatários, estudantes e improvisados
professores: Francisco Julião Arruda de Paula,
que depois se tornaria nome nacional pela sua
liderança das Ligas Camponesas, e seus primos
Sindulfo e José Hugo. Proferiram conferências e
palestras no Humberto de Campos nomes do relevo de
Mário Sette, Geraldo de Andrade e Gilberto
Freyre; ali, tive como companheiros de aventuras
intelectuais, entre muitos outros, Lêdo Ivo e seu
irmão Floriano, Lauro Gusmão, Vanildo Bezerra
Cavalcanti, Lauriston e Dustan Monteiro, Luiz
Guedes da Luz, Adeth Leite, Eurico Costa, Jorge de
Medeiros de Sousa, que teriam atuação destacada
em diferentes setores da vida cultural de
Pernambuco e do País; ali, também, repercutiam e
faziam prosélitos as idéias políticas e filosóficas,
alimentavam-se as aspirações por um Brasil
maior, acompanhavam-se campanhas cívicas e
movimentos de ação social como a cruzada
nacional de educação, a criação de
universidades populares."(Op. Cit. p 39)
Depois
do ginásio, Luiz Beltrão seguiu para a Faculdade
de Direito de Pernambuco.
-
A Entrada para o Jornalismo
A
vida profissional como jornalista começa em 15 de
dezembro de 1936, no Diário de Pernambuco, onde
começou a trabalhar como um "gancho" -
como nós o chamavámos. A pessoa tinha um emprego
e trabalhava no jornal. Muitas vezes trabalhava no
jornal para melhorar o nome no emprego. No meu
caso, por exemplo, eu tinha entrado no Instituto
de Previdência dos Serviços do Estado de
Pernambuco - (Op.Cit.p 60)
Entrou
como revisor e em dois dias foi promovido para a
arquivista de clichê. Algum tempo depois passou a
tradutor de telegrama e depois para repórter.
Durante 25 anos atuou no jornalismo de Pernambuco
e passou pelo Diário da Manhã, onde chegou a
redator-chefe com passagens pelas agências
noticiosas France Press e Asa Press. , além de
ser correspondente de agências jornalísticas
nacionais e internacionais em Recife.Foi dentro de
uma redação de jornal que surge o interesse pelo
estudo e ensino do jornalismo:Um belo dia, o Aníbal
Fernandes, diretor do jornal, apareceu na redação
com um livro de cor cinza, francês, que se
chamava Como fazer um jornal. Eu nunca tinha
imaginado na minha vida que se pudesse aprender
fazer Jornalismo de outro modo senão fazendo o próprio
jornal. Este momento marcou demais a minha porque
daí em diante eu passei a querer organizar uma
biblioteca também. Eu comecei a perceber que era
preciso estudar Jornalismo para poder fazer
Jornalismo. Esse foi o princípio do meu interesse
pelo ensino do Jornalismo.(Intercom n 57)
Beltrão
verifica na prática as dificuldades encontradas
pelos veículos com pessoas não qualificadas para
o exercício do jornalismo começa a defender a
"necessidade de formação específica de um
indivíduo numa profissão de comunicação. Eu
acho que o indivíduo deve ter curso superior,
porque na universidade é onde se pesquisa, é
onde se faz experiência.".(Benjamin, 1998,
p.65)
-
Participação Sindical
Três
anos após ter começado sua carreira profissional
, filiou-se à Associação de Imprensa de
Pernambuco e onze anos depois é eleito presidente
em três mandatos consecutivos, nos anos de 1951,
1953 e 1955. Ajudou na época a criar o Sindicato
dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco.
-
O desafio de montar um curso universitário
A
campanha para a criação do curso superior de
jornalismo da realização de cursos livres que
defendia trouxe para Luiz beltrão um importante
aliado : O Padre Aloysio Mosca de Carvalho, reitor
da Universidade Católica, que era um poeta e
colaborador assíduo dos jornais locais. No final
do ano de 1960 a Universidade obteve autorização
para o funcionamento do Curso de Jornalismo, como
curso autônomo e realização de vestibular para
início de funcionamento em 1961.Uma das
principais barreiras contra a implantação do
curso foi atitude corporativista da grande
imprensa que se posicionou contra a sua criação
e nomes importantes do jornalismo local, tanto
cronistas profissionais, como articulistas
colaboradores se pronunciavam, considerando que o
"jornalismo era vocação" e que
"jornalista se forjava no batente".
Além
das batalhas externas, existiam as lutas internas
para a implantação do curso que teve que superar
falta de recursos ,"vaidades" e
posicionamentos contrários de diversas
autoridades universitárias. O novo coordenador,
Luiz Beltrão, do Curso de Jornalismo teve pouca
autonomia acadêmica e limitações
administrativas e enfrentou falta recursos disponíveis
. "A vivência de administração acadêmica,
em uma universidade particular em implantação,
mostrou a necessidade de construir canais próprios
que permitissem a concretização de sonhos de
vida universitária semelhante à que se praticava
nos Estados Unidos e na Europa, a que Beltrão
havia conhecido em suas viagens ". Beltrão
trouxe para o ensino de comunicação no Brasil a
experiência norte-americana da Escola de Missouri
, da produção de um jornal experimental diário
junto com os seus alunos, aliando a prática a
teoria. É o experimentalismo dentro de sala.
-
A Estrutura do Pensamento Teórico da
Comunicação
Beltrão
começou a estruturar a teoria e de orientação
de ensino ao Jornalismo, com o primeiro livro
Iniciação do Jornalismo, surgido em 1959,,
expressa o conhecimento do Jornalismo em
profundidade e recebeu o Prêmio Orlando Dantas. O
segundo, A Imprensa Informativa, publicado em
1964, e depois O Jornalismo Interpretativo e o
Jornalismo Opinativo.Em O jornalismo
Interpretativo retoma a prática de associar o
ensino à pesquisa, voltando às técnicas de
jornalismo comparado (análise morfológica e de
conteúdo), para revelar os aspectos do jornalismo
interpretativo que estava sendo praticado na ocasião.
José Marques de Melo destaca : "Na atividade
pioneira de Luiz Beltrão, talvez tenha tido tanat
importância a sua preocupação de formar equipes
de pesquisadores, quanto as pesquisadores, quanto
as pesquisas realizadas sob a sua orientação.
Ele compreendia, já naquela ocasião, que as
tarefas de investigação científica não
poderiam ser levadas a termo, sem contar com a
participação de vários especialistas. Era uma
visão em certo sentido avançada, considerando a
tradição brasileira de pesquisadores isolados
realizando sozinhos trabalhamos muitas vezes
descomunais".
-
Teresa Halliday aponta como aspectos relevantes do
Trabalho de Beltrão:
"1.
A postura científica, ao escrever Iniciação à
Filosofia Do Jornalismo, elaborando um estudo
pioneiro da comunicação jornalística, ao
definir conceitos e descrever varáveis.
2. A indução à prática da investigação científica,
ao formar uma mentalidade voltada para a pesquisa
da comunicação, através do treinamento de seus
alunos e colabodores.
3. O uso da pesquisa para um melhor desempenho das
profissões de Relações Públicas e de
Jornalista.
4. A pesquisa dos meios informais de comunicação
popular como base para uma teoria da Folkcomunicação".(
Op. Cit.p 102)
-
O reconhecimento Internacional: Atuação no
Ciespal
Fundado
em Quito, Equador, em 1959, mediante convênio
assinado entre a UNESCO e o Governo do Equador, o
CIESPAL (Centro Internacional de Estudiosos
Superiores de Periodismo para a América Latina),
dirigido por Jorge Fernandez, teve suas atividades
iniciadas em 1960, com a realização do I Curso
Internacional de Aperfeiçoamento em Ciências na
Informação Coletiva.
Tinha
por objetivo formar pessoal docente, organizar estágios
de aperfeiçoamento para os professores de
jornalismo e para os jornalista profissionais, bem
como realizar estudo sobe os métodos de ensino e
as técnicas de comunicação.
Em
1962 o Professor Gonzalo Córdoba realizou uma série
de visitas aos cursos de jornalismo, em diferentes
cidades da América Latina, para conhecer de perto
a realidade e as propostas de funcionamento das
instituições.
O
trabalho desenvolvido por Luiz Beltrão empolgou o
Prof. Córdoba, e da visita à Universidade Católica
de Pernambuco resultou o convite para que ele
ministrasse um dos módulos do 4º Curso
Internacional de Aperfeiçoamento em Ciências da
Informação.
Em
1963, antes de concluir a implantação da sua
proposta no Recife, Luiz Beltrão ministrou a
disciplina Metodos de la enseñanza de la tecnica
del periodismo, tendo a direção do CIESPAL
providenciando e imediata edição em livro, das
aulas proferidas.
Além
de projeção internacional, na área do ensino do
jornalismo, o contato com o contacto com o CIESPAL
viabilizou a indicação de aluno bolsistas para
os cursos seguintes, abrindo a perspectiva para a
formação de pesquisadores. Luiz Beltrão indicou
não apenas professores do curso da Universidade
Católica, como também de outros estados, de
cujos projetos acadêmicos ele havia participado.
Dessa
forma contribuiu para que a proposta do CIESPAL
fosse mais rapidamente absorvida pelos cursos de
jornalismo, especialmente os do Nordeste.
- A
criação do ICINFORM
O
Instituto de Ciências da Informação (ICINFORM)
foi instalado em 13 de dezembro de 1963, na
Universidade Católica de Pernambuco com a
finalidade de oferecer um suporte ao Curso de
Jornalismo de Pernambuco e também estabelecer uma
estratégia de aproximação com os órgãos da
grande impresa local que continuavam a resistir à
formação universitária de jornalista. Criado
por iniciativa do Professor Luiz Beltrão, depois
do seu trabalho no CIESPAL , onde conheceu novas
tendências dos estudos de jornalismo, em nível
internacional, que se ampliavam para a análise do
fenômeno mais abrangente da comunicação de
massa. O Instituto reunia estudiosos e
interessados na área, proporcionando a
oportunidade de discutir o fenômeno da comunicação
a partir de perspectivas interdisciplinares e
participar de atividades de pesquisa e extensão.
Além
do pioneirismo, o ICINFORM representava uma
proposta ousada e inovadora para a época. O
INCIFORM oferecia bolsas-prêmio para os alunos de
melhor desempenho acadêmico e prêmios para
reportagens, conseguidas por causa do prestígio
de Luiz Beltrão junto a grandes empresas, entre
elas o Moinho Recife e a SANBRA.
Nos
moldes do Curso de Aperfeiçoamento do CIESPAL e
dos cursos de verão das universidades americanas
e européias, foi promovido pelo ICINFORM entre 16
de janeiro e 4 de março, no Recife, o I Curso de
Ciências da Informação, tendo por finalidade:
proporcionar a jornalistas, bacharéis e
estudantes de jornalismo, ciências sociais, políticas
e economia, publicitários, especialistas em Relações
Públicas, em audio-visuais e outros interessados,
com nível de educação média ou superior,
melhores conhecimentos sobre:
a) - teoria e prática de pesquisa social e
comunicação coletiva;
b) - atualidade e importância dos veículos
jornalísticos no Brasil;
c) - desenvolvimento sócio-econômico do Nordeste
brasileiro e
d) - problemas internacionais da atualidade
relacionados com a região e o país.
O
curso se desenvolveu através de três tipos de
atividades:
a) série de conferências, a cargo de professores
especialmente convidados de diversos centros
universitários do país;
b) - seminários;
c) - trabalhos de campo, com excursões e visitas
de observações e estudo a serviços
governamentais, instituições culturais e
assistenciais, entidades de economia mista, parque
industrial e pontos históricos e pitorescos do
Recife e do Estado, além de participação e
assistência a espetáculos artísticos, festas
folclóricas e carnavalesca ocorridas no período
de duração do Curso.
Enquanto
amplia suas bases locais, o INCIFORM mantém
contatos com universidades e centros de estudos
estrangeiros, tais como: Universidade de Concepción
(Chile), Católica do Peru (Lima), Vera Cruz (México)
e Guayaquil (Equador). Estabelece um intercâmbio
com instituições de ensino do país: Escola de
Jornalismo Cásper Libero, Fundação José
Augusto (Natal - RN), Universidade de Jiuz de Fora
(MG), Curso de Jornalismo da PUC do Rio de
Janeiro, Universidade de Minas Gerais, Curso de
Jornalismo do Instituto Nossa Senhora de Lourdes
(João Pessoa - PB). Desse contatos permanentes,
surgem articulações acadêmicas que repercutem
no curso de Jornalismo e fortalecem politicamente
o INCIFORM. (Comunicações & Problemas, v. 1,
n 1, p. 8 ).
Na
sua estratégia de ampliação e reconhecimento,
estabelece laços de cooperação com a CIESPAL,
na época um recomendado centro de estudos em
comunicação por onde circulavam catedráticos de
renome dos principais centros de investigação da
Europa, Estados Unidos e América Latina. Vários
docentes vinculados ao INCIFORM foram enviados aos
cursos de aperfeiçoamento ministrados no CIESPAL.
Nestes cursos discutiam-se estratégias de
desenvolvimento econômico, ética, pedagogia do
ensino, função social do jornalismo, sociologia
da informação, metodologias de investigação
mas sobretudo tratava-se a comunicação como
ferramenta importante para a promoção do
desenvolvimento e se aprofundava a discussão
sobre a participação popular nesse processo. As
modernas técnicas de comunicação coletiva
seriam instrumentos a serviço desse projeto
participativo.
Segundo
Marques de Melo, o INCINFORM constituiu a primeira
entidade, dentro da estrutura universitária
brasileira, a se dedicar aos problemas de comunicação
em termos mais amplos, não limitados ao
Jornalismo. Seu papel renovador se fez sentir não
apenas no Nordeste (onde passou a orientar novas
iniciativas de ensino Jornalismo surgidas na Paraíba,
Rio Grande do Norte e Ceará), mas em todo o país,
realizando pesquisas, dinamizando a metodologia de
ensino das disciplinas. Surge como veículo para
sua divulgação a revista Comunicações &
Problemas, considerada a primeira revista acadêmica
de comunicação editada no Brasil. O primeiro número
é publicado em março de 1965. A revista teve 12
edições e saiu de circulação em 1969.
A
transferência do Prof. Marques de Melo para São
Paulo e ainda os problemas internos do Curso de
Jornalismo favorecem o enfraquecimento do ICINFORM,
apesar da criação do ICINFORM - seção Brasília.
Centrado no prestígio e no trabalho das pessoas
que o levavam adiante, o ICINFORM não conseguiu
sobreviver às ausências.
O
mais importante legado do INCIFORM na área de
pesquisa está no efeito multiplicador do seu
investimento. Sua atuação fundamental para
formar uma geração de pesquisadores.
Investigando diferentes aspectos da comunicação
e distribuídos por várias Instituições de
Ensino Superior, os discípulos de Beltrão
ampliaram os propósitos do mestre e influenciaram
diretamente a formação de novas gerações de
pesquisadores.
Entre
outros, José Marques de Melo, Roberto Benjamin,
Tereza Lúcia Halliday, Torquato Gaudêncio e Zita
Andrade Lima foram fundamentais para a implantação
do espírito investigativo e para a consolidação
da pesquisa em comunicação no Brasil.
-
Revista Comunicações e Problemas
A
revista Comunicações & Problemas é
considerada a primeira revista acadêmica de
comunicação editada no Brasil e representa uma
estratégia de divulgação do Instituto entre o
meio acadêmico e uma via de integração com a
comunidade local, um espaço de intercâmbio e
registro de produções acadêmicas e jornalísticas.
A sua estrutura e o seu projeto gráfico foram
inspirados na revista norte-americana Journalismo
Quarterly. Trazia uma breve indicação sobre o
autor do artigo e um resumo em inglês, preparados
pela editoria. Entre os artigos eram veiculadas
pequenas notícias sobre inovações tecnológicas,
ou sobre estudos realizados no Exterior. Mantinha
uma seção para o registro das ocorrências
principais verificadas nas pequenas empresas
pernambucanas de comunicação, tais como
substituição de articulistas, artigos e
reportagens sobre temas relevantes da comunicação
ou de problemas da região, falecimentos de
jornalistas e outros.Nomes importantes na área do
ensino e jornalistas de renome participaram desse
empreendimento.
O
primeiro número publicado em março de 1965 traz
uma ampla cobertura do Curso de Jornalismo da
Universidade Católica de Pernambuco, registro de
pesquisas realizadas pelo INCIFORM, depoimentos,
eventos jornalísticos e alguns artigos sobre
comunicação. A revista tem uma excelente
receptividade e o editorial do segundo número
expressa sua euforia: "A receptividade
aludida não está, apenas, nas cartas recebidas,
nas contribuições aos debates dos temas
focalizados na primeira edição, na publicação
de artigos na imprensa local e nacional; está
igualmente na elevação surpreendente do número
de assinantes, que já à casa dos 300, e na
espontânea cooperação de firmas comerciais e
industriais que trazem a sua propaganda a veículo
especializado, com o campo limitado para temas
publicitários". (Comunicações &
Problemas, 1965, v.1, n.2, p. 73).
No
número dois além das secções permanentes _
Depoimentos, Eventos jornalístico, Histórias e
Conceitos, Problemas Regionais _ são
acrescentadas: Atividades do INCIFORM, Temas de
Comunicação Coletiva na Imprensa Pernambucana e
Resenhas Bibliográficas. Além do pioneirismo, a
revista uma importante fonte histórica onde
encontram-se registradas as discussões da época,
informações que podem subsidiar pesquisas em áreas
específicas e um conjunto de informações
valiosas condensadas pelo Departamento de
Documentação e Pesquisa do INCIFORM.
Ao
se transferir para Brasília, Luiz Beltrão optou
pela Continuação da edição da revista, ao invés
de editar outra. Com sua ausência, sabia ele das
dificuldades que o vice-presidente do ICINFORM
enfrentaria para levar adiante a revista. Assim,
engendrou um convênio entre o ICINFORM e a
Universidade de Brasília, para continuidade do
periódico, que teve 12 edições, deixando de
circular em 1969.
- A
viagem para Brasília
A
sua transferência para a Universidade de Brasília(
UnB) foi em 1965, depois que 265 professores foram
demitidos por razões políticas. Beltrão conta
que o secretário de Imprensa do governo Castelo
Branco, José Vamberto Assunção, seu amigo, o
convidou para reorganizar a Faculdade de Comunicação
de Massa da Universidade de Brasília, mas
estipulou uma condição " não se falar em
comunicação de massa porque era
subversivo". O convite foi uma oportunidade,
na visão de Beltrão, para ampliar as bases de
seu trabalho. "Lá eu verifiquei que o plano
da Faculdade de Comunicação de Massa feito por
Pompeu de Souza era realmente muito bom."
Beltrão apresentou ao Reitor Laerte Ramos de
Carvalho uma exposição de motivos propondo a
reorganização da Faculdade de Comunicação e a
proposta enfrentou grandes dificuldades por parte
dos docentes, que não aceitavam a indicação de
um coordenador imposto pela Reitoria. Além disso
era difícil encontrar professores com titulação
disponível em Brasília e a distância ainda era
um fator negativo para transferência de
profissionais.Luiz Beltrão permaneceu como
diretor da Faculdade de Comunicação da UnB por
três períodos letivos, cerca de 18 meses.
- O
primeiro doutor em Comunicação no Brasil
Luis
Beltrão tornou-se em 26 de Junho de 1967 o
primeiro Doutor em Comunicação Social no Brasil
ao defender na Universidade de Brasília a tese
sobre Flokcomunicação.
Seu
interesse pelo tema já tinha sido percebido há
muitos anos: Durante esse tempo eu militei muito
em congresso jornalísticos e congresso promovidos
pela União Brasileira de Escritores. Em 1950 eu
tinha estreado nas estrelas com a publicação do
meu romance chamado Os Senhores do Mundo. Nesta época
eu era repórter, não policial, mas de informações
gerais. Eu convivia muito com o povo das chamadas
classes subalternas e Os Senhores do Mundo eram
aquelas pessoas que viviam marginalizadas da
sociedade e que eram de fato marginais. O livro se
ocupa dessas pessoas. O romance regional era o
estilo da época. Mais do que regional, local. Foi
editado pelo meu jornal em 1950.(Intercom n 57)
A
folkcomunicação é, por natureza e estrutura, um
processo artesanal e horizontal, semelhante em essência
aos tipos de comunicação interpessoal já que
suas mensagens são elaboradas, codificadas e
transmitidas em linguagens e canais familiares à
audiência, por sua vez conhecida psicológicamente
e vivencialmente pelo comunicador, ainda que
dispersa.
Exemplo
desse processo pode ser detectado com facilidade
na produção de mensagens através de literatura
de cordel. O comunicador de folk é um dos incontáveis
assistentes da película cinematográfica Farrapo
Humano, produzido em Hollywood, que focalizou
alcoolismo. Como sua audiência não frequenta
cinema, cuja linguagem pelo menos não lhe é
familiar, ele _ poeta do povo _ transforma a história
na trama de um folheto em verso, travestindo os
personagens em gentes do seu mundo e às vezes
editando-os em tipografias e prelos manuais e, não
raro, com colaboração de xilogravadores
populares ainda existente no mundo do cordel
brasileiro.
O
comunicador de folk tem a personalidade características
dos líderes de opinião identificada (e nele,
talvez, ainda mais aguçada) nos seus colegas do
sistema de comunicação social: 1) prestígio na
comunidade, independentemente da posição social
ou da situação econômica, graças ao nível de
conhecimentos que possui sobre de terminado(s)
temas(s) e à aguda percepção de seus reflexos
na vida e costumes de sua gente; 2) exposição às
mensagens do sistema de comunicação social,
participando da audiência dos meios de massa, mas
submetendo os conteúdos ao crivo de idéias,
princípios e normas do seu grupo: 3)
frequentemente contato com fontes externas
autorizadas de informação, com as quais discute
ou complementa as informações recolhidas; 4)
mobilidade, pondo-se em contato com diferentes
grupos, com os quais intercambia conhecimentos e
recolhe preciosos subsídios; e, finalmente, 5)
arraigadas da convicção filosóficas, à base de
suas crenças e costumes tradicionais, da cultura
do grupo a que pertence, às quais submete idéias
e inovações antes de acatá-las e difundi-las,
com vistas a alterações que considere benéficas
ao procedimento existencial de sua comunidade.
Enquanto
no sistema de comunicação social é muito
frequente a coincidência entre os líderes e as
autoridades políticas, científicas, artísticas
ou econômicas, na folkcomnunicação há maior
elasticidade em sua identificação: os líderes
agentes-comunicadores de folk, aparentemente, nem
sempre são "autoridades" reconhecidas,
mas possuem uma espécie de carisma, atraindo
ouvintes, leitores, admiradores e seguidores, e,
em geral, alcançando a posição de conselheiros
ou orientadores da audiência sem uma consciência
integral do papel que desempenham.(Revista
comunicação & Sociedade,tarsitano,p.167-
176)
-
Bibliografia Comentada
Os
senhores do mundo - romance. Recife: Folha da manhã.1950.
175 p. Como afirma o próprio autor, é "o
romance dos que nada possuem mas sempre tem para
dar"; da gente pobre do Recife, ambientado
entre a Praça do Mercado de São José e os
mocambos então existentes na área de mangue do
Cabanga.
Anais
de jornalismo (ensaio). Recife, 1951.
Itinerário
da China [ um repórter visita o milenar e novo país
do Extremo Oriente. Recife. 1959. 127 p. il. O
livro reúne reportagens e comentários publicados
no Diário da Noite, Folha do Povo, Jornal do Comércio
e Revista do Nordeste, do Recife, no período
set-dez de 19588, relativos à viagem do autor à
China, incluindo notas sobre sua permanência em
Bucareste, Praga e Moscou. As ilustrações são
reproduções das découpures de papier, composições
de arte popular em recorte de papel , típicas da
China. O autor manifesta o seu entusiasmo pelas
medidas adotadas nas reformas econômicas e
sociais implantadas na China em decorrência do
Regime comunista, que ele pôde observar como repórter
na sua visita de quase um mês. Trata-se da única
coletânia em livro da produção jornalística de
Luiz Beltrão.
Iniciação
à filosofia do jornalismo. 1a. ed. Prefácio de
Waldemar Lopes. Rio de Janeiro: Agir, 1960.229 p.
A primeira parte apresenta as manifestações do
jornalismo a partir de uma abordagem histórica.
Jornalismo escrito, rádio e jornalismo oral, o
desenho e o jornalismo por imagem. A segunda parte
é dedicada aos caracteres do jornalismo (público,
editor, técnico, jornalista). A quarta parte
aborda os problemas da liberdade e da
responsabilidade. A obra é resultado de observações
em viagens ao exterior como líder de classe,
aproveitamento e ampliação das teses de
congresso que vinha desenvolvendo a nível
nacional e internacional e na rica bibliografia
levantada (então, praticamente desconhecida no
Brasil). Mereceu o Prêmio Orlando Dantas - 1959 e
a 2a. edição é o resultado do seu conhecimento
como uma das obras consideradas "clássico do
jornalismo".
Reestruturação
de emergência para os cursos de Jornalismo.
Indicador dos profissionais de imprensa. a. V. n.
9. Rio de Janeiro:1960. p. 15-51. Comunicação
apresentada à IX Conferência Nacional de
Jornalismo, realizada em Manaus, em jul./1960. Faz
crítica ao currículo e à estrutura vigente nos
cursos de jornalismo.
Quilômetro
zero - contos. Recife: Imprensa Oficial, 1961.
Narrativas ficcionais enfocando a vida da população
pobre que habitava a praia do Chupa (hoje,
proximidades do Cabanga Iate clube) e circulava
nas cercanias do mercado de São José. Recebeu o
prêmio da Secretaria de Educação e Cultura, de
1958.
Métodos
de ensenanza de la tecnica del periodismo. Quito (Ecuador):
CIESPAL. 1963 169 p. Reúne as conferências
preferidas pelo autor no IV Curso Internacional do
CIESPAL, 1963. Apresenta e busca teorizar a sua
experiência como professor de Técnica de Jornal,
na Universidade Católica de Pernambuco. A obra não
tem edição brasileira.
Técnica
de jornal - I parte - Teoria do Jornalismo. O
jornal e sua indústria. Recife: ICINFORM, 1964.30
p. Apostila destinada aos alunos do curso de
Jornalismo, da Universidade Católica de
Pernambuco.
Discurso
de abertura do I Curso Nacional de Ciências da
Informação. Recife: ICINFORM//UCP. 1965 .17 p.
Aspectos
básicosda problemática do jornal interioriano no
Nordeste. Revista Comunicações & problemas.
v.II, n. 1, mar. 1966, p. 5-22. Texto de conferência
proferida em Caruaru-PE, em 1962, durante o I
seminário de Jornalistas do interior.
Periodismo
en el Paraguay. Revista Comunicações &
problemas. v. II, n.3, nov.1966,p. 192-201 [
organizador ]. O artigo reúne contribuições de
alunos paraguaios do curso ministrado por Luiz
Beltrão, na Universidade de Assunción, sobre a
origem e desenvolvimento da comunicação social
naquele país.
Folkcomunicação
- um estudo dos agentes e dos meios populares de
informação de fatos e expressão de idéias.
Tese de doutoramento. Brasília: Universidade de
Brasília. 1967.184 p. Tese apresentada em
concurso ao doutoramento.
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Jornalista
Luiz Beltrão, pioneiro em várias áreas
Jorge
Duarte
Mestre e doutorando em Comunicação Social
pela Umesp, Técnico em Comunicação Social
da Embrapa, Professor do UniCEUB.
O pernambucano
Luiz Beltrão é referência brasileira em
jornalismo e comunicação. Trabalhou em redações,
no ensino, na pesquisa, na divulgação, em relações
públicas. Criou a primeira revista e o primeiro
centro de pesquisa acadêmicos em Comunicação no
País. Escreveu ensaios e manuais, romances,
contos, livros de memórias, fundou cursos e
deixou discípulos. Mesmo autodidata e perseguido
durante o regime militar, tornou-se o primeiro
Doutor em Comunicação no Brasil com tese em que
forjou o termo Folkcomunicação, ainda
hoje um dos principais temas da pesquisa acadêmica
no País. Publicou 20 livros. Em várias áreas,
foi pioneiro. Seu principal objetivo era entender
o processo de comunicação e torná-lo
instrumento de compreensão da realidade e de
desenvolvimento.
Luiz
Beltrão de Andrade Lima nasceu em 1918, na
Olinda, e em 1936, ainda no Ginásio, ingressou no
Diário de Pernambuco como revisor,
chegando rapidamente a repórter. Na época,
jornalismo era atividade diletante de muitos, às
vezes ajudava a ser conhecido na sociedade mas não
garantia o sustento de nenhuma família. Era
"um gancho", no dizer de Beltrão e por
isso tornou-se também funcionário público
enquanto não concluía o curso de Direito.
Durante
o período em que trabalhou no Diário de
Pernambuco, descobriu, por meio de um livro
francês, que era possível estudar para aprender
a atuar em uma redação e dedicou o resto da vida
a compreender e ensinar o jornalismo. Tornou-se
jornalista profissional em 1940 e dois anos
transfere-se para o concorrente Folha da Manhã
onde iniciaria uma regular contribuição literária
e chegaria a redator-secretário. Também atuou em
rádio, revistas, agências e assessoria de
imprensa, acumulando experiência que incluiu
passagem no DIP, presidência da Associação de
Imprensa de Pernambuco e criação do Sindicato
dos Jornalistas Profissionais.
Luiz
Beltrão se considerava um "abridor de
picadas". Fez incursões em várias áreas do
jornalismo e da comunicação, criando cursos,
escrevendo um consistente conjunto de obras,
incentivando alunos, pesquisadores e professores,
formulando teorias, aventurando, expondo-se. Muito
do que produziu foi questionado, embora seja
injusto analisar sua obra fora do contexto da época
em que foi gerada. Seu grande desafio pessoal era
a incomunicação, que notava, particularmente,
entre pessoas dos centros ditos desenvolvidos e o
homem excluído, marginalizado. Para vencê-la,
buscava a ajuda de todos. É improvável que um
estudante de jornalismo brasileiro do século XX não
tenha consultado uma obra sua. Suas idéias e ações
ajudaram a formar mais de uma geração de
profissionais em todo Brasil. Hoje existe uma
produção acadêmica consistente em folkcomunicação,
tema freqüente em trabalhos acadêmicos e
congressos nacionais e internacionais. Luiz Beltrão
é assunto de tese de doutorado, verbete de Dicionário
de Comunicação, empresta seu nome para ruas,
biblioteca e para o Prêmio da Intercom (foi sócio-fundador)
que destaca personalidades e instituições pela
contribuição no campo da comunicação.
- Professor,
formou gerações de jornalistas e pesquisadores
Beltrão
gostava mesmo era de discutir jornalismo e logo
que pode abandonou a redação para dedicar-se ao
ensino. Seus alunos da Paraíba formaram a
primeira turma a concluir um curso superior de
Jornalismo no Nordeste. Graças à campanha feroz
por ele liderada, Pernambuco ganhou um curso
superior em Jornalismo, mesmo contra os
jornalistas da época. Com duração de três
anos, deveria formar profissionais, promover
pesquisas e renovar os processos jornalísticos,
embora não houvesse espaço físico, experiência,
corpo docente, literatura. Entrevistava e
convencia os candidatos a alunos, alguns, colegas
profissionais. Um deles foi José Marques de Melo,
então repórter recém-chegado de Alagoas.
Tornou-se um fomentador de vocações, não apenas
para jovens recifenses. Por iniciava de Beltrão,
foram oferecidos cursos de verão e bolsas de
estudos obtidas com o patrocínio de grandes
empresas para estudantes até de outros Estados.
Estabilizado
o curso de Jornalismo e entusiasmado com as
possibilidades no campo da comunicação, criou,
quando da formatura da primeira turma, em dezembro
de 1963, o Icinform (Instituto de Ciências
da Informação), entidade que atuaria com
treinamento de pessoal, pesquisa, e divulgação
de pesquisas no âmbito universitário. Ali
promoveu cursos, pesquisas, excursão, visitas.
Motivou alunos como José Marques de Melo, Roberto
Benjamin, Tereza Lúcia Halliday, Gaudêncio
Torquato e Zita de Andrade Lima a executar
investigações com as possibilidades metodológicas
da época e teorizar sobre o campo da comunicação.
O Icinform daria origem à primeira revista acadêmica
brasileira no campo da comunicação: a Comunicações
& Problemas. No primeiro número, um
artigo do próprio Beltrão seria o germe de sua
principal contribuição na comunicação
brasileira. Com o título de O Ex-voto como veículo
jornalístico, apresentava a noção de
folclore e suas práticas como "canal de
comunicação coletiva", tanto de informação
como de opinião, uma nascente que desaguaria na
tese de doutorado. No segundo número da revista,
carta de entusiasmo e incentivo a respeito do
texto, enviada por Luís da Câmara Cascudo.
Em
Pernambuco, já havia esgotado seu potencial e por
isso aceitou convite de um amigo para assumir o
curso de jornalismo da Universidade de Brasília,
em crise naquele momento, efeito direto do golpe
de 64. O próprio Pompeu de Sousa, criador do
projeto inovador e diretor da faculdade, era o
primeiro na lista de 15 professores, de vários
cursos, a serem afastados pelo regime militar.
Como forma de pressão, 233 professores
encaminharam pedido de demissão. O governo,
surpreendentemente, aceitou, gerando caos no meio
acadêmico, com desarticulação administrativa e
pedagógica de praticamente todos os cursos. Beltrão
aceitou o papel de administrar o descalabro no
curso de Comunicação, tentar se manter acima das
disputas políticas e iniciar seus próprios
planos de faculdade, realizando do projeto inicial
o que fosse possível nas condições impostas
pelo regime militar.
O
novo coordenador ficou três semestres organizando
a Faculdade de Comunicação, mas não conseguiu
contornar o clima de disputa interna, conflito com
professores e alunos e estremecimento nas relações
com o reitor da UnB, o que se juntou à acusação
de comunista junto ao Serviço Nacional de Informações.
Oficialmente, a justificativa da saída foi
incompatibilidade com os demais professores. Para
José Marques de Melo, "ele enfrentou uma
direita mau-caráter e uma esquerda pouco
tolerante e foi triturado, mas o próprio Pompeu
de Sousa reconheceu seu mérito, anos mais
tarde". Mesmo em permanente crise, implantou
um centro de pesquisa, editou jornal laboratório
e livros, promoveu eventos e mobilizou alunos para
tarefas de campo, implantou a primeira faculdade
de comunicação coletiva do Brasil.
Apesar
dos convites para fixar residência em outras regiões,
Beltrão havia apaixonado-se por Brasília. Após
deixar a UnB, tornou-se professor-fundador do
curso de Comunicação do Centro Universitário de
Brasília (atual UniCEUB), onde ficou por 15 anos,
viajando com freqüência para ministrar cursos,
palestras e participar de eventos. Seus ex-alunos
o consideram um tipo de professor inesquecível.
Incentivava a pesquisa, mobilizava a turma para
realizar trabalhos, muitos deles apresentados no
auditório lotado. Usava várias apostilas, mas
gostava mesmo era de provocar debates. E as
conversas geralmente transformavam-se em discussão.
Enviou os alunos para diversos lugares de Brasília
para recolher inscrições nas portas de banheiros
públicos (rodoviárias e faculdades,
principalmente) e avaliá-los como mensagens dos
grupos "erótico-pornográficos",
material que, sob espanto de muitos, publicou,
inclusive com ilustrações, no livro Folkcomunicação.
Os trabalhos da disciplina realizados pelos alunos
deveriam gerar publicações e muitos ainda estão
à disposição na biblioteca. Uma de suas apostas
foi um curso de especialização que reuniu
professores como Michel Thiollent, Adísia Sá,
Juan Diaz Bordenave, Roberto Benjamin, José
Marques de Melo, Anamaria Fadul. Também investiu
na pesquisa em turismo e propôs um evento
"religioso e profano" reunindo
atividades de cunho artístico, religioso e folclórico
para representar a Paixão de Cristo, utilizando o
ambiente mais famoso da capital, a Esplanada dos
Ministérios, como cenário integrado à apresentação.
Chamado de Drama da Paixão Ano 2000, seria um
musical tipicamente brasileiro incluindo dança e
teatro.
-
Defensor da formação acadêmica em Jornalismo
Desde
a década de 1950 Luiz Beltrão defendia a formação
acadêmica para o jornalista. Mesmo contra a
grande maioria de seus colegas de profissão,
acreditava que deveria haver formação de nível
superior, mesmo que não fosse exatamente em
jornalismo. Para a época, em que a profissão era
um "bico", a proposta era inovadora
demais. Por isso a polêmica inesperada, em 1953.
O local, Curitiba, 5º Congresso Nacional de
Jornalistas,. Ele apresentou a tese Liberdade
de imprensa e formação profissional,
defendendo a exigência de curso superior,
qualquer curso, para jornalistas, como condição
básica para a existência liberdade de imprensa e
para permitir o desenvolvimento da profissão.
Achava que a proposta passaria desapercebida,
"mas o tema seria tão explosivo quanto o
biquíni, que acabava de ser lançado nas praias
brasileiras". Uns o chamavam de traidor da
classe, outros "queriam erguer uma estátua".
Também surgia o embrião do professor e
pesquisador: "o indivíduo deve ter curso
superior, porque na universidade é onde se
pesquisa, é onde se faz experiência".
Naquele momento, a televisão brasileira mal havia
surgido, o lead era uma técnica recém
importada e ainda incompreendida; os cursos de
jornalismo, raros, recentes, precários.
Bibibliografia? Quase inexistente. E a partir
deste congresso, Beltrão passaria a sistematizar
suas idéias que iriam se formalizar em Iniciação
à filosofia do jornalismo, publicado em 1960
e clássico imediato, com tiragem de 5.000
exemplares e repercussão até no exterior. Com o
livro, Beltrão abriu caminho para uma literatura
jornalística especializada, didática, que
adotava como referência os principais conceitos
da bibliografia internacional, adaptados à
realidade nacional. Numa época em que o
jornalismo como profissão era desacreditado,
preocupava-se em sistematizar informações e
disseminá-las de maneira a tornar a informação
dos meios de comunicação de massa mais próxima
da sociedade. Iniciação foi reeditado em
1992, como clássico do jornalismo brasileiro, ao
lado de títulos de Barbosa Lima Sobrinho, Rui
Barbosa, Alceu Amoroso Lima, Carlos Lacerda e
Danton Jobim.
-
"Inventor" da Folkcomunicação
Para muitos, no
Brasil e no exterior, Beltrão lembra folkcomunicação.
Apesar da simplificação, faz sentido. Beltrão
inventou o termo, definiu-o e deixou formada uma
até hoje prolífica linha de pesquisa. A tese
sobre folkcomunicação, defendida em 1967, o
tornou o primeiro doutor em Comunicação no
Brasil, mesmo que a UnB levasse 14 anos para
emitir o reconhecimento do título. Ninguém havia
defendido doutorado na área, ainda desprezada por
muitos do meio acadêmico, mas a partir deste
texto Beltrão ganharia reconhecimento
internacional como pesquisador.
Na
tese, debruça-se nas teorias sobre comunicação
da época, seu próprio conceito de jornalismo, a
comunicação no Brasil desde antes de Cabral, as
tradições populares, os ritos, os processos de
relacionamento nas comunidades, o fazer, o
interpretar o mundo, o anunciar, as formas cênicas,
a expressão da vivência e da informação, a estética
como comunicação, artes visuais, os espetáculos,
as manifestações pictóricas. Beltrão analisa
folclore, vida comunitária no Brasil e comunicação
e formula uma teoria tão simples quanto
surpreendente. Um dos grandes méritos foi mudar a
maneira de se interpretar a comunicação popular.
Em vez de analisá-la a partir da confrontação
dos meios massivos ou do referencial do
observador, é percebida como manifestação própria
dentro de um determinado grupo cultural. Tem
como pressuposto que os veículos de comunicação
de massa sequer não influenciam muitas
comunidades como não as alcançam. Estes grupos têm
suas próprias formas de comunicação em
processos e produtos culturais percebidos de fora
apenas como manifestações tradicionais,
conservadas por gerações, muitas vezes com
algumas modificações. E identifica nos meios
informais - símbolos, ritos, manifestações
populares, na linguagem, nas imagens - mecanismos
tão rotineiros para obtenção de informação e
transmissão de opinião como o de um cidadão de
uma capital ler seu jornal favorito. Assim, o
cordel, o artesanato, deixam de ser apenas
produtos artísticos para transformarem-se em veículos
de comunicação, de transmissão de informações
intragrupal e interpessoal. Seu conceito de
folkcomunicação torna-se seminal em toda
literatura nacional sobre temas relacionados à
comunicação popular: "é o processo de
intercâmbio de informação e manifestação de
opiniões, idéias e atitudes da massa, através
de agentes e meios ligados direta ou indiretamente
ao folclore".
A
noção deste tipo de comunicação leva, ainda,
à descoberta, no cantador popular, no artista, não
apenas de um produtor cultural, mas informante
referencial, que se caracteriza inclusive como
realizador da ação jornalística. Vê na presença
de personagens como o poeta popular, o motorista
de caminhão, o ceramista, em almanaques, aspectos
relacionados à comunicação de massa, limitada
no contexto da região ou de sua caminhada, mas
ainda assim, comunicação informativa ou
opinativa. O artesão, por exemplo, seria uma espécie
de folkjornalista, ao selecionar informações do
ambiente em que vive e retransmitir aquilo que faz
sentido para seu público, mantendo uma unidade no
grupo. Exemplo: Mestre Vitalino, ao modelar um bêbado
apanhando de porrete da polícia, estaria
relatando um fato e fazendo uma denúncia. São
informações típicas da comunidade, ainda não
contaminados pela influência dos meios de
comunicação.
Beltrão
via na folkcomunicação um potencial estratégico
para o diálogo com as classes marginalizadas e não
apenas como "objeto de curiosidade, de análise
mais ou menos romântica e literária". A
tese foi defendida na UnB durante um período em
que Beltrão não era bem visto e, apesar da
aprovação de dois integrantes da banca, que
recomendam "distinção e louvor",
somente receberia o título em 1981, após
processo administrativo em que o requeria, sob o
burocrático argumento de sua necessidade para
poder coordenar o curso de Pós-Graduação em
Ciências da Comunicação no UniCEUB que
estava organizando. No Catálogo de Dissertações
e Teses da UnB, o título de Beltrão é
registrado como obtido em 1967, o que também
oficialmente o torna o primeiro doutor em Comunicação
do Brasil.
Apesar
da limitada divulgação inicial da tese, cópias
circularam por todo País e o estudo da
folkcomunicação começa a ser incluído nos currículos
de Comunicação como tema ou disciplina. O
trabalho de Beltrão chegou ao exterior e seu
objeto de estudo foi apropriado por organizações
de todo tipo que lidam com camadas populares. O
livro com o texto da tese foi censurado na edição
e publicado apenas parcialmente quatro anos
depois, sob o título Comunicação e folclore.
Beltrão fez grande esforço para aprofundar o
tema e, em 1980, publica Folkcomunicação: a
comunicação dos marginalizados, em que
discute a separação e até confronto entre dois
sistemas de comunicação: o da elite, aquele do
qual fazemos parte, os com acesso ao livro, aos
meios de comunicação, à informação; e, o
outro, dos abandonados, os sem-livros, sem vez,
sem voz, os excluídos.
-
Inovador
também em relações públicas
Na
área de relações públicas, trabalhou na Funai
a partir de 1969 elaborando um sistema de informação
e orientação que talvez tenha sido o mais
completo e sistemático dirigido para um único
tema já realizado no Brasil, um bom exemplo das
possibilidades do uso do chamado clipping.
Foi um minucioso e amplo trabalho de leitura da
imprensa brasileira para apoiar a formulação de
políticas públicas na área indígena, não
apenas no relacionamento com a imprensa e a
sociedade, mas também com os próprios índios.
Identificava diariamente nos principais jornais
brasileiros todas as matérias sobre índios e a
cada três meses elaborava um detalhado relatório
para a direção da Funai.
Lúcia
Passos, que trabalhou na Funai no período,
explica que "o mérito maior era apontar à
Presidência da Funai e ao Ministério as
probabilidades de conflito, o que daria certo ou não.
Ele analisava, projetava situações e indicava
onde iria estourar um problema. Naquela época, o
relações públicas era apenas um atendente de
luxo nos órgãos públicos, que fazia festas. O
conceito de Beltrão era diferente". Beltrão
sempre enfatizou a necessidade de pesquisa para a
atuação do relações públicas, de avaliação,
caso contrário seria "desperdiçar trabalho,
mutilar um processo e malbaratar o
dinheiro...". O trabalho renderia o livro
O índio, um mito brasileiro, talvez a mais
interessante análise morfológica e de conteúdo
publicada na língua portuguesa. Nele, apresenta
estudo detalhado realizado durante 25 meses sobre
o índio na imprensa brasileira. Na época,
segundo o próprio Beltrão, talvez apenas o
futebol fosse assunto mais freqüente nas páginas
dos diários. O total dos textos analisados foi
equivalente a 603 páginas de jornal Standard. Uma
das conclusões é "o despertar da consciência
do aborígine de seus direitos naturais,
reconhecidos – embora nem sempre respeitados –
pela civilização branca".
-
Produção literária em várias áreas
Paralelo
a seu trabalho na Funai e à docência no UniCEUB,
a carreira de Beltrão segue em várias frentes.
Entre 1968 e 1980 publicaria dez livros. Foi
co-presidente da Federação Católica
Latino-Americana de Escolas de Jornalismo, em
1967, e presidente da Union Latinoamericana de
Prensa Católica, em 1969. Passa a ministrar
cursos para órgãos públicos, estudantes,
professores em todo Brasil; elabora currículos de
cursos superiores de jornalismo e relações públicas.
Prepara cursos e textos (nunca publicados) sobre
abordagens teológicas da comunicação para a
Igreja Católica. Também realiza pesquisa em
escolas de jornalismo da América Latina e publica
artigos em diversas revistas científicas.
Beltrão
deixou uma vasta produção acadêmica e literária.
Organizou currículos de diversas faculdades por
todo Brasil, ministrou cursos em várias áreas:
jornalismo, relações públicas, opinião pública,
ensino de comunicação; elaborou apostilas e
escreveu 20 livros. Conheceu todo Brasil, Europa e
América Latina ensinando, aprendendo e discutindo
jornalismo. Chegou a entrar na Cortina de Ferro
sem visto, mas nunca teve problemas, devido à
intermediação de colegas. Viajou à China e na
volta publicou textos em jornais que viraram livro
sobre o país. Ao longo da vida também publicou
ficção, uma atividade que praticava por
diletantismo, embora nunca tenha pago para
imprimir um livro, o que era comum. O primeiro, Os
Senhores do mundo, de 1950, venceu o prêmio
principal da Academia Pernambucana de Letras, o
Oton Bezerra de Melo. Como repórter
"convivia muito com o povo das chamadas
classes subalternas" e o romance tratava
daquelas pessoas, próximas a ele. Em 1960, como
resultado de suas reflexões sobre o jornalismo,
publicou Iniciação à filosofia do jornalismo,
início de uma série de vários livros de sua
autoria que passaram a ser imediatamente adotado
nos cursos superiores.
Em
1963, já reconhecido por sua capacidade, suas
conferências na disciplina Métodos en la enseñanza
de la tecnica del periodismo, no Ciespal, onde
sucedeu Danton Jobim, transformaram-se num
conjunto de apostilas que, infelizmente, não
tiveram edição em português. Nele, propõe-se a
mostrar como e o que ensinar em jornalismo, sugere
currículo, métodos de ensino e teoriza sobre
jornalismo, material que aproveitaria parcialmente
em A Imprensa informativa: técnica da notícia
e da reportagem no jornal diário, de 1969,
considerado pelo editor o primeiro livro didático
de técnica de jornal do Brasil: É um manual que
trata desde a questão do ensino de jornalismo até
a técnica de produção da notícia, da
fotografia, com ênfase nos tipos de reportagem.
Durante a década de 1960, os livros de
jornalismo, exceção dos trabalhos históricos de
Carlos Rizzini, Luis do Nascimento e Nelson
Werneck Sodré, em geral, ressentiam-se de dois
problemas básicos: eram traduzidos ou escritos a
partir de experiências pessoais, do tipo memórias
ou depoimentos, com sabor pitoresco ou saudosista,
como explica José Marques de Melo. Inclusive por
isso o torna-se essencial no ensino da técnica de
produção jornalística durante toda década de
1970. E seria a base de uma trilogia na área,
integrada posteriormente por Jornalismo
interpretativo e Jornalismo opinativo.
Estes dois, editados no Rio Grande do Sul, foram
produzidos a partir de cursos que costumava
ministrar.
A
partir da experiência como professor de Teorias
da comunicação, Luiz Beltrão passou a produzir
livros-texto também para a área. O primeiro
surge em 1973, Fundamentos científicos da
comunicação, mesmo nome da disciplina que
ministrava. Depois lança Teoria geral da
comunicação que trata da comunicação entre
os seres vivos, inclusive animais, plantas, expõe
uma tipologia, discute as linguagens e o processo
de comunicação e teoriza sobre uma eventual
comunicação com extraterrestres, que chama exobiocomunicação.
O ciclo se encerra com sua obra mais importante na
área e ainda hoje adotada em faculdades: Subsídios
para uma teoria da comunicação de massas, de
1986. A autoria é dividida com Newton Quirino,
ex-aluno, colega no Centro Universitário de Brasília
e seu sucessor na disciplina Teoria da comunicação.
Assim como a maior parte de seus livros, tinha
objetivo de apresentar reflexões e servir de
material didático para o ensino e a pesquisa em
jornalismo e em comunicação.
Na
década de 1980, teve fôlego para revisitar sua
terra natal, e dedicar-lhe dois livros: Contos
de Olanda, ambientados em Olinda, que transita
entre a ficção e as memórias e Memória de
Olinda, belo livro de reminiscências. Ficou
paralítico das pernas devido a um acidente
vascular cerebral ocorrido no palco, em 1985,
quando dramatizava um conto para cerca de 40
pessoas na pequena sede da Associação Nacional
de Escritores, em Brasília, da qual era diretor.
Mesmo em cadeira de rodas e contra expressas
ordens médicas, lançou Subsídios para uma
teoria da comunicação de massa, com grande
festa no auditório do Centro Universitário de
Brasília. Em 24 de outubro de 1986, aos 68 anos,
morre no Hospital das Forças Armadas, deixando um
imenso legado.
Para saber mais
sobre Luiz Beltrão:
BENJAMIN,
Roberto Ernesto Câmara (org). Itinerário de
Luiz Beltrão. Recife: Associação da
Imprensa de Pernambuco/Fundação Antonio dos
Santos Abranches-Fasa, (Perfis Pernambucanos; 9)
1998. 311 p.
FELICIANO, Fátima
Aparecida. Luiz Beltrão, um senhor do mundo.
São Paulo: ECA/USP, 1993. (Tese de
Doutoramento)
MARQUES DE
MELO, José. Trajetória pedagógica de Luiz
Beltrão. In: Revista Brasileira de
Comunicação. v. 53. São Paulo: Intercom.
1985. p. 65-70,
MARQUES DE
MELO, José & DUARTE, Jorge (orgs). Memória
da Comunicação no Brasil: os grupos do
Centro-Oeste. Brasília: UniCEUB/Unesco/Rideel,
2001.
MARQUES DE
MELO, José & GOBBI, Maria Cristina (orgs.).
Gênese do Pensamento Comunicacional
Latino-americano: o protagonismo das
instituições pioneiras Ciespal, Icinform,
Ininco. São Bernardo do Campo, Umesp, Unesco.
1999.
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Luiz Beltrão - Um novo rumo para o jornalismo
Neanis
Lutzer
Texto
extraído do site http://www.canaldaimprensa.com.br/perfil/vint4/identidade1.htm
Podemos
considerar Luiz Beltrão como o tipo de pessoa que
pronuncia a frase "Faça o que eu digo, mas não
o que fiz" no início de sua carreira jornalística.
Este, que é considerado o primeiro teórico de
Comunicação Social no Brasil, deu seus primeiros
passos no jornalismo bem longe das universidades.
Foi na prática que ele percebeu a importância da
teoria na formação do jornalista.
Luiz Beltrão de Andrade Lima nasceu em 8 de
agosto de 1918, em Olinda, Pernambuco. Concluiu o
curso de Direito, mas a vida lhe proporcionou
outros rumos.
Em 15 de dezembro de 1936, ele começou a
trabalhar no Diário de Pernambuco como
"gancho" (assim o chamavam). A princípio,
entrou como revisor, mas em dois dias foi
promovido para arquivista de clichê. Mais tarde,
tornou-se tradutor de telegrama e, em seguida, repórter.
Por 25 anos, Beltrão permaneceu em Pernambuco,
também atuando no Diário da Manhã. Neste
impresso atuou como redator-chefe e correspondente
de agências jornalísticas nacionais e
internacionais em Recife.
Foi neste ambiente, entre o lapidar da máquina de
escrever e o cheiro da tinta de jornal, que Beltrão
sentiu a necessidade de um estudo e ensino do
jornalismo. Essa percepção ocorreu quando o
diretor do Diário de Pernambuco, Aníbal
Fernandes, lhe trouxe um livro francês chamado Como
Fazer um Jornal. Assim, se deu conta de que
para aprender o jornalismo, ele teria que fazer
seu próprio jornal e que era preciso estudar para
exercer a profissão.
Na prática, Beltrão descobriu que os veículos
de comunicação apresentavam certas carências
porque trabalhavam com pessoas não qualificadas
para este exercício. Com a formação superior,
essas necessidades seriam supridas. Diz ele que o
"indivíduo deve ter curso superior, porque a
universidade é onde se pesquisa, é onde se faz
experiência".
- Em busca do diploma
Beltrão mobilizou-se então a fazer uma campanha
para a criação do curso superior de Jornalismo
em Pernambuco. Conseguiu. Primeiro lançou o livro
Iniciação ao Jornalismo, em 1959, no qual
aplaudia o conhecimento do jornalismo em
profundidade. Em 1961, instituiu o primeiro
vestibular para o curso de Jornalismo da
Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).
Entretanto, houve uma certa repulsa quanto à criação
do curso pela grande imprensa. Renomados
jornalistas da época se pronunciaram contra,
dizendo que jornalismo era vocação. Havia também
muita dificuldade em relação aos recursos disponíveis
para a formação do universitário. Assim, Beltrão
viu a necessidade de construir canais próprios,
como a produção de um jornal experimental diário
feito por alunos, aliando prática e teoria.
O jornalista escreve mais dois livros. Em 1964,
trouxe para as livrarias o Jornalismo Opinativo
e Jornalismo Interpretativo. Neste último,
Beltrão enfoca a prática de associar o ensino à
pesquisa, com técnicas de jornalismo comparado,
moda à época.
- Ciência do jornalismo
Mas a história de Beltrão não termina neste
ponto. Para estabelecer uma aproximação com os
órgãos da grande imprensa local, que ainda
resistia quanto à formação universitária do
jornalista, Beltrão criou o Instituto de Ciências
da Informação (Icinform), em 13 de dezembro de
1963. Este seria o primeiro centro acadêmico de
estudo de mídia no Brasil.
No ano seguinte, entre 16 de janeiro e 4 de março,
ainda na Unicap, Beltrão promoveu o I Curso de Ciências
da Informação. O evento proporcionou a
profissionais e estudantes melhores conhecimentos
relacionados à importância dos veículos jornalísticos
no Brasil.
Para que as notícias sobre o Icinform fossem
divulgadas, surge a revista Comunicações
& Problemas, a primeira revista acadêmica
de comunicação editada no Brasil, iniciada em
março de 1965. Ela foi um espaço de intercâmbio
e registro de produções acadêmicas e jornalísticas,
o que na verdade se tornou uma estratégia entre o
meio acadêmico e a comunidade local.
Mas o trabalho de Luiz Beltrão não restringiria
a Unicap. Em 1965, ele foi transferido para a
Universidade de Brasília (UnB), a fim de
reorganizar a faculdade de Comunicação. Com sua
ausência, a Comunicações & Problemas
parou de circular em 1969, em sua 12.ª edição.
Em Brasília, Beltrão viu a oportunidade para
ampliar as bases de seu trabalho. Permaneceu como
diretor da faculdade de Comunicação da UnB por
cerca de 18 meses. Em 26 de junho de 1967,
tornou-se o primeiro doutor em Comunicação
Social no Brasil ao defender sua tese na área do
folclore "Folkcomunicação", um estudo
de fatos e expressão de idéias.
O teórico ainda trabalharia como docente e
pesquisador do Centro de Estudos Universitários
de Brasília (Ceub) e publicaria outros livros na
área de teoria da comunicação. Nem por isso
deixou de lado o romantismo do jornalismo,
publicando contos e romances. Faleceu em 24 de
outubro de 1986, em Brasília.
Luiz Beltrão foi em suma, um romancista,
contista, jornalista, advogado, professor e
folclorista. Eclético, por assim dizer. Sua
importância foi essencial para conscientizar
estudantes e profissionais sobre sua qualificação
no mercado de trabalho. Pode não ter entrado no
ramo jornalístico com um diploma, mas,
sabiamente, exigiu o uso dele.
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