JORNAL DA FOLKCOMUNICAÇÃO

Ano 1 – N. 2 – São Paulo, Brasil – 15 de setembro de 2003

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Um espaço aberto para intercâmbio de informações entre pesquisadores e divulgação de eventos e estudos nas áreas de folkcomunicação, folkmídia e cultura popular

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Manchetes:

1 - Editorial

2 - A folkcomunicação na Intercom 2003

3 - Primer Encuentro de Literatura para Niños y Jóvenes

4 - Novos olhares sobre a cultura popular de Pernambuco

5 - Comitê organizador do 7º Folkcom lança boletim informativo

6 - Folkcom 2004 - Prêmio Antônio Hohlfeldt

7 - Falece no Rio, o diplomata sergipano Paulo de Carvalho-Neto, escritor e pesquisador do folclore brasileiro

8 - Artigo: A força econômica do Folclore

9 - Expediente

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1 - Editorial

Neste segundo número, o Jornal da Folkcomunicação traz os resumos dos 26 trabalhos apresentados no Núcleo de Folkcomunicação da Intercom 2003. O elevado número de trabalhos inscritos e a grande afluência de jovens estudantes às apresentações são uma demonstração do interesse que esta área de estudos desperta.

No entanto, como salienta Antonio Hohlfeldt, nós, pesquisadores da folkcomunicação, ainda temos pela frente uma tarefa imensa: definir objetivamente o campo e, ao mesmo tempo, lutar para que a denominação folkcomunicação se afirme no meio acadêmico.

Para tanto, precisamos constituir um aparato teórico consistente e definir metodologias apropriadas. O que já vem sendo realizado por pesquisadores como o próprio Hohlfeldt, José Marques de Melo, Joseph Luyten, Roberto Benjamin, Osvaldo Trigueiro e Sebastião Breguez, entre tantos outros.

O Jornal da Folkcomunicação convida a todos para esse debate e coloca-se à disposição para que, por meio do intercâmbio de idéias, possamos dar conta desta tarefa.

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2 - A folkcomunicação na Intercom 2003

Folkcomunicação: de comunicação dos ‘marginalizados’ a meio de expressão dos dominados - Alfredo Dias D’Almeida (UMESP – Universidade Metodista de São Paulo)

É objetivo deste artigo revisar criticamente o conceito de folkcomunicação, sua gênese e evolução, privilegiando o sentido político subjacente à noção de cultura popular, entendida como um espaço simbólico e material das atividades de uma comunidade ou grupo social que incorpora e reproduz, recusa e nega os signos da cultura dominante. Ao privilegiar o âmbito político, e sem a pretensão de esgotar o tema, propomos um deslocamento do debate, sobre o campo teórico da folkcomunicação, do estudo da circulação do sentido da comunicação dos marginalizados para o da expressão dos dominados.

Mídia e Memória Coletivas – Ana Maria Strahschoen (UNISC – Universidade Santa Cruz do Sul)

Este artigo é resultado de um projeto de doutorado a partir da telenovela Terra Nostra e seus usuários. Isto deve-se à peculiaridade de Terra Nostra, que exerceu um certo tipo de estímulo ao imaginário, principalmente sobre os italianos: ou por que somos ou por que não somos. Torna-se interessante verificar na pesquisa como uma telenovela também está presente na atividade do fazer "lembrar", com repercussões na memória e na identidade de seus usuários.

Caipiras e Countries da Capital FederalAna Cristina Cavalcanti Pimenta (Instituto de Ensino Superior de Brasília – IESB/Centro de Ensino Unificado de Brasília – CEUB)

O presente trabalho oferece uma análise da Exposição Agropecuária de Brasília enquanto processo formador e difusor de códigos e signos culturais. O objetivo do texto é apresentar, com base na observação dessa festa popular da Capital do País, elementos de uma cultura "emergente", híbrida, que surge da união de valores tradicionais do campo e de novas idéias de desenvolvimento e progresso. A tradição brasileira – representada pelos universos do caipira e do sertanejo – e a modernidade cosmopolita – traduzida nos elementos do country americano – se mesclam para, juntas, formarem uma nova cultura, ao mesmo tempo rural e urbana, presente nas feiras agropecuárias que acontecem por todo o país, com grande força em Brasília. Desta forma, a partir deste encontro podemos caracterizar nosso rico objeto: as festas agropecuárias, especificamente a Expoabra, como ambiente para as representações simbólicas desta "moderna" cultura do campo.

O RAP reinterpretando na rima o dia a dia da comunidade – Aparecida Ribeiro dos Santos, Babette Almeida Prado e José Elias da Silva (Universidade Metodista de São Paulo – UMESP/Faculdade Editora Nacional-SP)

Objetiva-se nesse trabalho analisar a música do rapper Sabotage no contexto do RAP, que mantém características lingüísticas e conteúdísticas que em muito se aproximam da linguagem e das rimas do repente. Além de analisarmos a importância desses líderes de opinião nessa "massa" de receptores representada pela juventude.

O discurso usado pelos vendedores ambulantes no ato de venda de seus produtos – Betânia Maciel e Cerize M. Ramos Ferrari (UFRPE/ AESO-CESBAM)

O aumento do número de desempregados que, para sobreviver, trabalham vendendo produtos nas ruas, feiras livres, porta de escolas etc. É o chamado subemprego, é dentro do contexto da economia informal que foi realizado este estudo. O discurso utilizado pelos vendedores ambulantes no ato da venda de seus produtos, a forma de anunciar e de persuadir os clientes que são atraídos pelo seu chamado. A linguagem utilizada, as técnicas para atrair o público com pouco ou nenhum recurso, apenas com a criatividade. O ponto enfocado na pesquisa será o discurso verbal e não verbal dos vendedores ambulantes ao anunciar seu produto para o público

Caminho de Fé: Versão Nacional do Caminho de Santiago – Beth Jesumary (FAE- Faculdades Associadas de Ensino de São João da Boa Vista São Paulo)

Há cerca de vinte anos, iniciou-se na região de Águas da Prata, interior de São Paulo, uma caminhada mística, atravessando montanhas , riachos e trilhas no meio do mato, em busca de purificação e em nome da fé. Recentemente a mídia descobre a mais nova e maior trilha permanente criada no Brasil com a chancela da igreja Católica, ligando dois centros de romaria de São Paulo. Com um trajeto de 415 quilômetros de extensão, atravessando o sul de Minas Gerais, foi batizado de Caminho da Fé. O itinerário promove o encontro imaginário do "caipira milagroso" padre Donizetti Tavares de Lima, de Tambaú, com a sua Santa de devoção, Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, cidade do Vale do Paraíba onde se localiza o maior santuário do Brasil.

Carnaval, samba e comunicação no Morro da Mangueira – Cândida Rosa Ferreira Costa e Regina Glória Andrade (UFRJ)

Este trabalho apresenta breve histórico do surgimento da Escola de Samba estação Primeira de Mangueira no Rio de Janeiro. O grupo do samba está localizado na "favela" da Mangueira e conta com a comunidade local para confecção das fantasias e participação das festas. Esta comunidade tem contactos internacionais e nós recortamos algumas vivências que deram origem aos samba enredos e que integram assim os múltiplos cenários folkcomunicacionais que compõe essa manifestação popular que é o carnaval.

Casaca e som capixaba na mídia – Carla Pollake e Rachel Ferreira e Silva (Universidade Metodista de São Paulo – UMESP/Universidade Federal do Espírito Santo)

Este trabalho pretende mostrar o surgimento do "novo" congo capixaba; uma releitura do congo popular (tradicional). Se o som das casacas e tambores, antes, se restringiam às festas populares de rua, agora, misturado ao som das guitarras, baixo e teclado, caiu no gosto dos jovens – crianças e adultos também – e da mídia. Há cerca de cinco anos vem acontecendo um movimento de valorização da música capixaba, e se viu a necessidade de divulgação da mesma. Cada vez mais forte, esse movimento ultrapassou os limites do estado e a ‘nova" música, com som típico capixaba, pode ser ouvido em outros estados e até mesmo fora do país.

A NET como mídia no folclore – Carlos Henrique de Souza (FAFIC)

Este artigo visa apresentar algumas considerações sobre o uso da Internet como veiculo de comunicação e ferramenta de apoio na divulgação e registro das diversas manifestações culturais no âmbito do folclore e das danças típicas. Apresenta ainda uma pesquisa realizada junto aos alunos do curso de comunicação social para apurar o grau de conhecimento, acesso e domínio dessas culturas. E se os mesmos já utilizaram, ou não a Internet para acesso e / ou divulgação destas importantes manifestações populares

O resgate do folclore de Búzios (RJ) como recurso à promoção do bem-estar internacional – Carmem Tasch (UFRJ)

Este trabalho foi elaborado a partir da pesquisa que está sendo realizada no Município de Armação dos Búzios . O tema da pesquisa o resgate do folclore surgiu a partir de debates com a comunidade. O trabalho de campo foi desenvolvido segundo a metodologia da pesquisa-ação e do vídeo antropológico . A pesquisa tem se orientado levando em conta três eixos: o vertical - a história da comunidade da Rasa (descendente de um Quilombo), o horizontal – o espaço sócio-histórico-antropológico-ecológico onde esta se situa e o transversal – as questões surgidas têm sido trabalhadas em eventos atravessados por diversas instâncias (internacionais, federais, estaduais, municipais, públicas e privadas) , num movimento que circula do macro ao mico e vice-versa.

Metodologia da Folkcomunicação: uma avaliação da 6ª Folkcom – Cristina Schmidt (Universidade Mogi das Cruzes – UMC/Universidade Braz Cubas)

Este texto pretende fazer uma avaliação da VI Conferência de Folkcomunicação, realizada em Grussaí no período de 03 a 06 de abril de 2003. Nessa avaliação procuramos enfatizar os trabalhos mais relevantes no que se refere às preocupações da Rede Folkcom, ou seja, trabalhos que apresentem uma reflexão teórico metodológica e contribua para a construção do campo da Folkcomunicação. Além disso, buscamos destacar a importância de novas construções a partir do referencial de Luiz Beltrão, bem como apontar novos pesquisadores que já se destacam nesse âmbito.

Mazzaropi e a mídia regional – Daniela Baroni e Antonio Adami (Universidade Paulista)

Pretende-se neste trabalho verificar uma série de recortes de jornais, veiculados no Vale do Paraíba durante o período em que Mazzaropi estava vivo, para se ter uma idéia de seu papel no contexto jornalístico regional. Eis nosso problema! Porque foi apenas depois de haver se tornado popular é que os historiadores, políticos, donas de casa, intelectuais, etc...acordaram para a importância histórica, social e cultural de Mazzaropi. Importância que se estende não apenas para o Vale do Paraíba, mas para todo o Brasil, América Latina e, mais tarde, Europa. Mesmo assim, reforça-se que a pesquisa se estabelecerá cronologicamente nos anos em que o artista ainda estava vivo, até 1981

O Pau-da-Missa como veículo folkcomunicacional na vila Paranapiacaba – Franz Proglhof, Ana Lúcia Nishida Tsutsui, Camila Gregório do Nascimento, Cristine Gleria Vecchi, Roberta Mioni Coltro, Taís Rios Salomão e Vanessa Mazza Furquim (Universidade Metodista de São Paulo – UMESP)

O presente estudo visa à caracterização do processo folkcomunicacional da Vila de Paranapiacaba influenciado pelo instrumento noticioso denominado "pau da missa". Desde a fundação da Vila até os dias atuais, uma árvore de Cambuci é utilizada como suporte para os recados da comunidade, informando os eventos da região. A pesquisa desenvolve-se a partir de uma revisão de literatura que fundamenta os conceitos de folkcomunicação, tendo como base a teoria de Luiz Beltrão, e completa-se com a pesquisa de campo. Objetiva-se com este estudo verificar como o processo de comunicação da localidade é influenciado pela coexistência deste instrumento com os veículos midiáticos que se inserem na sociedade.Pode-se verificar que, embora em menos volume, esta prática continua existindo como costume entre a população de Paranapiacaba, caracterizando-se desta forma como um processo folkcomunicacional.

A festa do Fado em Quissamã – Guilherme Mattoso e Simone Orlando (UNESA)

Esse trabalho discute basicamente a sobrevivência e preservação da dança do Fado, bailado de origem afro-brasileiro ainda ativo em Quissamã, município localizado na região norte-fluminense do estado do Rio de Janeiro. Destaca a importância de tal manifestação como instrumento de valorização da cultura local e sua preservação como constituição de uma dança. O Fado é hoje uma das poucas heranças culturais que retratam uma época de prosperidade e efervescência na região norte-fluminense, quando, no final do século XIX, viveu seu grande momento de esplendor econômico. Finalmente esse ensaio também destaca o turismo como alternativa de resgate e manutenção do bailado e seu sentido de identidade cultural ativo.

A Copa do Mundo de 2002 e as Festas de São João no Nordeste: a reinvenção das tradições culturais nordestinas – Osvaldo Trigueiro (UFPb).

O objetivo deste trabalho é apresentar, ainda que parcialmente resultados, da pesquisa que venho desenvolvendo nos últimos anos com o objetivo de compreender e interpretar os processos de ressignificação de sentidos por que passam as manifestações culturais nordestinas, para atenderem as demandas de mercado e consumo do mundo globalizado, alavancadas pela televisão. A hibridização dos processos comunicacionais midiáticos e os de interações face a face operadas pelas redes da folkcomunicação se dá em campos opostos do global e do local, onde emergem novas manifestações das cultuas populares. Mas, o interesse da mídia, principalmente da televisão, é amplo e está voltado para os eventos globais, no entanto, nos últimos anos estão também se voltando para os nichos dos mercados emergentes de consumos culturais regionais. O período das festas juninas de 2002 coincidiu com o da Copa do Mundo no Japão e na Coréia. A temática da festa de São João passou a ser o verde e amarela da seleção canarinha e o clima de Copa do Mundo tomou conta do São João na região Nordeste, com os telões espalhados por vários lugares das celebrações das festas juninas.

Os romances de tradição ibérica na obra midiática de Antônio Carlos Nóbrega - Roberto Benjamin (UFRPE)

Entre os vários modos de apropriação das manifestações populares pela media, é focalizada a projeção do folclore, a partir da sua apropriação anterior através da arte erudita. Aborda o Movimento Armorial e o trabalho de Antônio Carlos Nóbrega. Estuda especificamente a projeção do romance ibérico tradicional na obra midiática de Antônio Carlos Nóbrega.

O Auto da Compadecida: da cultura popular à cultura de massa – uma análise a partir da folkmídia – Maria Isabel Amphia Rodrigues de Souza (UMESMP/FIAM)

O presente trabalho consiste parte de minha dissertação de mestrado, defendida em 18.02.2003, sendo uma análise sistemática da obra de Ariano Suassuna "Auto da Compadecida", escrita em 1955, e suas transcodificações para TV e cinema. Buscamos apresentar, primeiramente, a importância da Folkmídia para o resgate da cultura nacional, tornando uma obra clássica do ponto de vista da cultura popular, da cultura erudita e da cultura de massa, acessível ao público massivo brasileiro em TV aberta. "Decifrador de brasilidades", Ariano Suassuna resgata o folclore, as danças, os contos míticos e heranças ibéricas, onde percebemos a semelhança entre "Auto da Compadecida" e os autos de Gil Vicente, por exemplo. Seus personagens sofrem o processo de descarnavalização, perante o trono de Emanuel, onde as máscaras despencam. São defendidos por uma mãe "Compadecida" desesperada para salvar seus filhos do sofrimento e da dor. Auto de moralidade e misericórdia, o "Auto da Compadecida" revela, não somente a alma do sertanejo "severino", mas suas crenças, sua cultura e seu sofrimento.

Do sagrado ao profano: uma visão fotográfica – Roberto Melchior (UNIMONTE - Centro Universitário Monte Serrat)

O projeto de pesquisa acima referenciado aborda as diferentes formas de manifestações religiosas através do registro imagético da fotografia. Utilizando a fotografia como instrumento de enunciação, o autor evidencia inúmeros flagrantes do processo de aproximação entre diversos personagens anônimos e uma suposta metafísica que adquire formas e rituais diferenciados de acordo com o credo a ser seguido.Além das fotografias evidenciando as práticas religiosas, o autor selecionou 25 fotos de seu arquivo, fotos estas que não necessariamente apresentam um cunho religioso, para ilustrar alguns dos trechos da bíblia.Neste sentido, a imagem de um surfista deslizando sobre as ondas é a representação imagética da citação bíblica em que Jesus caminha sobre as águas revoltas diante de seus discípulos. Num segundo momento o autor efetua uma pesquisa de campo e procura identificar de que forma esta livre interpretação é vista, bem como questiona sobre determinismos simbólicos religiosos que estão previstos no cotidiano destas pessoas.

Educação e Folkcomunicação – Rosa Nava (UNIMONTE)

Luiz Beltrão lançou as bases para a pesquisa da Folkcomunicação no Brasil no primeiro periódico científico, de estudos no campo comunicacional do país: Comunicações & Problemas. Já no primeiro número publica o artigo o Ex-Voto como veículo jornalístico, a semente germinadora das pesquisas em Folkcomunicação. Segundo definição de seu próprio autor, o "estudo dos agentes e dos meios populares de informação de fatos e expressão de idéias". Proponho estender esse universo da pesquisa para o estudo dos processos comunicacionais de significação, mediante o entendimento do funcionamento das estratégias e enunciações, dos discursos, da produção e recepção.

Os Meios de Comunicação no Universo afro religioso maranhense : Cultura Mística e Viva a Oxalá – Sérgio Ferretti e Gerson Lindoso (UFMA)

Esse estudo investigativo tem por objetivo fazer uma análiseTeórico-crítica sobre a inserção e participação de duas Comunidades afro-religiosas, uma de Umbanda e outra de Mina, no sistema de comunicação social maranhense. Os meios de comunicação analisados são dois, um programa de Rádio e um de televisão, ambos são meios alternativos e Populares. Eles possuem públicos específicos e através de uma linguagem popular as suas mensagens surtem efeito positivos nas suas próprias comunidades, não sendo muito divulgados a nível local de maneira mais ampla.

Mídias espontâneas e cultura popular: um estudo em Ilhéus – Universidade Estadual de Santa Cruz - Valéria Amim, Christiana Cabicieri Profice e José Otávio Lobonam (UESC/BA)

Elucida a partir dos Estudos Culturais uma visão transdisciplinar de cultura, refletindo acerca dos conceitos de cultura popular, erudita e espontânea. A resistência de culturas espontâneas é relacionada a produção de mídias espontâneas que ainda hoje se desenvolvem na cidade de Ilhéus. Os aspectos do espontâneo atuam no cotidiano de forma a produzirem subjetividades que relacionadas ao meio ambiente, ora atuam de maneira a preservá-lo, ora contribuem para degradação e extinção.

Dança Conga: o ritual sagrado de uma tradição milenar - Wanda Vanda Cunha Albieri Nery e Maryely Cornélia Eliacino (Universidade Federal de Uberlândia/ Centro Universitário do Triângulo – Uberlândia)

A dança conga – uma legítima manifestação do folclore brasileiro e o maior entre os ícones da religiosidade popular de Uberlândia/MG - vem passando, ao longo do tempo, por um processo de grandes transformações, provocado pelos meios de comunicação de massa. Partindo dessa concepção buscamos captar, na própria história e evolução da dança, e nos seus misteriosos rituais, tais como são vistos, percebidos e produzidos pelos próprios congadeiros, o significado original e as mudanças que vêm ocorrendo nessa festa simbólica, que a despeito das diversas influências, resiste e sobrevive, há décadas, contaminando e ampliando universos culturais.

A Cultura Ucraniana na Radiodifusão Paranaense: Folclore e expressão midiática da cultura dos grupos étnicos – Zeneida Assumpção e Sergio Luiz Gadini (Universidade Estadual de Ponta Grossa/PR)

Este trabalho tem como objetivo analisar como o folclore e a cultura dos grupos étnicos ucranianos do Paraná ganham visibilidade e expressão nos espaços midiáticos, em particular, na mídia radiofônica. A pesquisa mapeou, a partir da identificação e análise dos programas radiofônicos produzidos pela e para a comunidade ucraniana no Estado do Paraná. O estudo, que integra um amplo projeto de mapeamento das expressões étnico-culturais no rádio paranaense, em andamento, apresenta aqui os principais aspectos de uma das mais relevantes comunidades de descendentes da variada colonização que migrou ao Paraná: os ucranianos, que se concentraram em vários municípios na região Sul do Brasil.

O real informativo simulado na crônica opinativa radiofônica popular – Clara Correa (Faculdades Integradas Rio Branco e Radial/SP).

A proposta deste trabalho é mostrar que as informações em tempo real, característica do jornalismo informativo no rádio, assim como a periodicidade, pois vai ao ar todos os dias da semana, convivem com o texto da crônica, uma criação do periodismo opinativo e que atinge o imaginário do ouvinte. E que ambos, o dado factual e o estilo pessoal, reforçam a ilusão de uma realidade volátil, característica do veículo. A presença corpórea do locutor é materializada na vocalização da realidade de fatos, na maioria, acontecimentos distantes da realidade do ouvinte. Mas, a mesma voz o recoloca em espaços físicos, culturais e religiosos que não existem mais, pois ficaram no passado.

Benditos Sejam – Uma nova maneira de perceber a Literatura de Cordel – Maria José Oliveira (Unipac/MG).

A Cultura é um componente essencial para o desenvolvimento de um povo. É por meio dela que diversos grupos compõem a sociedade, participam e contribuem para o bem coletivo. São as manifestações culturais que apontam as características peculiares de determinada comunidade. Este estudo aborda uma nova visão de análise da Literatura de Cordel, uma expressão viva da folkcomunicação das classes marginalizadas.

O Cordel em Minas Gerais: uma análise da produção cultural do poeta popular Téo Azevedo – Sebastião Breguez (UFV/MG)

A Literatura de Cordel é uma das fortes expressões da cultura nordestina. Trazida de Portugal, ela se implantou no Nordeste brasileiro com força e vigor através da arte e da expressão criativa de dezenas de cantadores populares. Mas sua área de influencia atingiu o Norte de Minas Gerais, principalmente a área próxima ao estado da Bahia. Pois, é ali que recebeu forte migração nordestina que deixou traços na cultura local: na culinária, na vestimenta, nas formas de comunicação e expressão, no artesanato e na produção de uma Literatura de Cordel mineira.

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3 - Primer Encuentro de Literatura para Niños y Jóvenes

A Facultad de Humanidades y Ciencias, da Universidad Nacional del Litoral, de Santa Fé, Argentina, realizou nos dia 12 e 13 de setembro o Primer Encuentro de Literatura para Niños y Jóvenes. Entre outros temas, discutiu-se os modelos femininos na literatura infanto-juvenil argentina e os discursos socias sociais e seu impacto nessa literatura. A conferência de abertura, "La literatura infantil: las traducciones de un continente", foi proferida pela pesquisadora María Adelia Díaz Rönner.

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4 - Novos olhares sobre a cultura popular de Pernambuco

A Fundação Gilberto Freyre e a Comissão Pernambucana de Folclore realizaram, em 21 de agosto, o Seminário "Novos olhares sobre a cultura popular de Pernambuco", para discussão de estudos relativos às diferentes linguagens ocorrentes em manifestações populares da região, aí incluídas as linguagens gestuais, a poesia e a música. No encontro, destacou-se, também, a relação entre as diferenças de geração e de contextos culturais na formação dessas linguagens.

Em paralelo ao seminário, aconteceu a exposição Xilogravuras Populares de Pernambuco dos artistas Amaro Francisco, Dila, Jerônimo Soares, José Costa Leite, José Francisco Borges, Jota Barros, Marcelo Soares, Nilson e Palito e mostra de peças do artista plástico pernambucano Jacaré.

Foram apresentados os seguintes trabalhos:

Linguagens do cavalo-marinho, por Maria Acselrad (Mestre em Antropologia – Universidade Federal do Rio de Janeiro);

Romanceiro ibérico em Pernambuco, José Fernando Souza (Comissão Nacional de Folclore);

Literatura de cordel, Pedro Américo de Farias (Fundação de Cultura Cidade do Recife);

Poesia dos maracatus rurais, Maria Alice Amorim (Comissão Pernambucana de Folclore);

Linguagem musical dos maracatus, Max Carneiro da Cunha (Doutorando em Etnomusicologia – Texas University);

História de vida na formação das linguagens das manifestações populares, Mariana Mesquita (Mestre em Comunicação Rural – Universidade Federal Rural de Pernambuco).

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5 - Comitê organizador do 7º Folkcom lança boletim informativo

O Centro Universitário Univates, de Lajeado (RS), responsável pela organização da 7ª Conferência Brasileira de Folkcomunicação, a ser realizado entre 13 e 16 de maio de 2004 naquela cidade, lançou um site – www.univates.br/folkcom2004 – e boletim on-line sobre o evento. Para acessar o boletim, clique no link abaixo ou digite o endereço em seu navegador:

http://granito.fates.tche.br/~folkcom2004/BOLETIM/boletimpag001.htm

Divulgue o Folkcom 2004 em sua universidade. Se precisar de mais informações ou de boletins para distribuição, envie um e-mail para folkcom2004@univates.br.

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6 - Folkcom 2004 - Prêmio Antônio Hohlfeldt

Natureza do certame:

Concurso destinado a estudantes dos cursos de graduação das universidades brasileiras que realizem pesquisas e escrevam monografias sobre o tema "Folkcomunicação Política", nas seguintes modalidades:

a)Enredos das escolas de samba;

b)Legendas de caminhões, ônibus, barcos, trens, metrôs etc;

c)Grafitos de paredes e sanitários;

d)Ciberpiadas: anedotas difundidas pela internet;

e)Panfletos, volantes, pasquins etc.

Os trabalhos deverão ser produzidos por grupos de 2 a 5 estudantes, contando com a supervisão de um professor do curso em que estão matriculados. São dois os prêmios a serem concedidos: Categoria Regional (equipes sediadas em universidades do Estado do Rio Grande do Sul) e Categoria Nacional (equipes procedentes de outros Estados brasileiros). Todos os integrantes das equipes vencedoras, inclusive os professores supervisores, receberão diplomas e troféus, além de ajuda de custo para viagem-hospedagem). Tanto as equipes vencedoras quanto aquelas classificadas em cada uma das modalidades do concurso certificados estarão automaticamente inscritos para a apresentação dos respectivos trabalhos nos CTAs da FOLKCOM 2004, nas sessões de Iniciação Científica.

Comissão Julgadora:

A comissão julgadora será integrada por membros da Rede Brasileira de Folkcomunicação e co-presidida pelos coordenadores nacionais da VII FOLKCOM

Inscrições:

Trabalhos completos devem ser enviados até 05/04/2004

E-mail: folkcom2004@univates.br

Prazo para inscrições de Trabalhos

Resumos: de 1º de setembro de 2003 até 5 de março de 2004 através do site: www.univates.br/folkcom2004 ou pelo e-mail: folkcom2004@univates.br

Trabalhos completos: até abril de 2004 devem ser encaminhados diretamente aos coordenadores dos GTS, com cópia para a Presidente da Rede FOLKCOM, Dra. Cristina Schmidt

Estrutura do Trabalho

O trabalho deve ser apresentado na forma de "Comunicação Científica", contendo de 10 a 15 páginas, incluindo bibliografia e apresentar, no início, título, nome do autor, instituição a que pertence e um resumo de 10 linhas e três palavras-chave. O corpo do texto deve conter introdução, descrição da pesquisa, metodologia, análise dos resultados, conclusões e bibliografia. Dimensão: entre 10 a 15 páginas, tamanho A4, corpo 12, tipo Times New Roman, entrelinha 1,5, justificado, em Word.

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7 - Falece no Rio, o diplomata sergipano Paulo de Carvalho-Neto, escritor e pesquisador do folclore brasileiro

(Fonte: Gazeta de Sergipe, 19/08/2003)

Faleceu em agosto, o antropólogo, escritor, professor e diplomata Paulo de Carvalho-Neto, sergipano, autor de vasta obra de pesquisa folclórica e antropológica, cobrindo além do Brasil, o Paraguai, a Venezuela, o Equador, o Uruguai e outros países sul americanos, e de romances publicados no Brasil e em vários países, dentre os quais Suomi e Meu Tio Atahualpa. No Rio de Janeiro, em decorrência do mal-deAlzheimer, aos 80 anos.

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8 – Artigo: A força econômica do Folclore

Sebastião Breguez (jornalista, pesquisador de folclore e professor da UFV-MG)

O mês de agosto é comemorado no mundo inteiro como o mês do Folclore, das tradições populares e das culturas regionais. A UNESCO, organização da ONU para assuntos de Educação e Cultura, situada em Paris, instituiu esta comemoração para impedir a destruição de culturas locais pelo processo de expansão industrial do mundo desenvolvido.

Mas nem só de comemorações vive a cultura popular: o Folclore tem se transformado em importante item de fonte de lucro e renda para as comunidades regionais, provocando impacto nas pequenas economias das cidades onde existem manifestações importantes.

A festa do Boi-Bumbá, em Parintins (AM) é o exemplo mais importante: ela movimenta cerca de R$10 milhões nos seis a oito dias de festejos, entre junho e julho de cada ano. A festa do peão boiadeiro de Barretos (SP) tem investimentos de R$8 milhões para um lucro de R$15 milhões. Se pensarmos que existem, em todo o País, 1,3 mil festas cadastradas pelos órgãos de turismo, o lucro estimado delas é calculado em US$3 bilhões. Estes dados já nos mostram a força econômica do Folclore que reanima as pequenas economias de localidades sem atividade econômica de peso tanto na indústria quanto no comércio.

Quando se fala de investimento econômico na área da cultura no Brasil, pensa-se logo no Carnaval que sozinho já movimenta cerca de R$2 bilhões por ano, sendo que metade desta cifra fica no Rio de Janeiro. Mas o crescimento de atividades econômicas intimamente às manifestações culturais populares também se deve ao crescimento urbano, a migração para as grandes cidades e a importância da mídia na vida das pessoas. Isto mostra o impacto que a tv como mídia teve na transformação das pessoas nos últimos anos, criando novos valores de consumo e mudando o comportamento das pessoas com relação a cultura.

É interessante observar que, no Brasil, a globalização não destruiu as culturas regionais. Mas, ao contrário, provocou um fenômeno inverso de revitalização do tradicional, da busca da natureza, das festas do interior e do consumo de manifestações populares antes desprezadas. Bem entendido com o apoio da mídia televisiva e o patrocínio de grandes empresas.

O que fez com que, por exemplo, a Coca-Cola, uma empresa multinacional, compra-se a idéia da festa do Boi-Bumbá, de Parintins (AM) e associa-se sua marca à festa. As duas agremiações de bois, a do Caprichoso e do Garantido, recebem patrocínio de R$800 mil cada para incrementar o duelo. Assim, cada apresentação destes grupos tem custo de R$3 milhões, o que é uma cifra importante se olharmos a renda da população de Parintins fora da época da festa.

O guaraná Kuat, da Coca-Cola teve sua imagem fortalecida e associada à festa de Parintins, para ser consumido como produto original da Amazônia Também tem patrocinado a festa outras empresas como o Banco Bradesco, a Amazônia Celular, a Souza Cruz e outras. Dessa forma, a festa movimenta o pequeno comércio, a área de alimentação, hotelaria, artesanato, construção civil, agências de viagens e turismo. A cidade mudou em função da manifestação folclórica local. Ganhou celebridade nacional e até mesmo internacional, pois, há grande afluxo de turistas de outros países que querem conhecer mais a Amazônia e seus atrativos.

Isto vem mostrar que o Folclore não é somente o tradicional e o resíduo do ultrapassado que ainda sobrevive na sociedade moderna em função da transição forte do rural ao urbano dos países do Terceiro Mundo. Há uma forte busca de consumo de valores rurais, produtos da roça, comidas típicas e a vida mais natural. Isto se transforma em valores de consumo que mudam o ritmo da vida interiorana, aquecendo as economias e as culturas locais.

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9 - Expediente

O JORNAL DE FOLKCOMUNICAÇÃO é uma publicação da Rede FOLKCOM e conta com o apoio da Cátedra UNESCO de Comunicação e Desenvolvimento Regional/ UMESP – Universidade Metodista de São Paulo, cujo titular é o Prof. Dr. José Marques de Melo.

Rede Folkcom

Diretoria

Cristina Schmidt (UMC – UBC)

Rosa Nava (Unimonte)

Samantha Castelo Branco (UniFIAM)

Fábio Corniani (Univap)

Marlei Sigristi (UFMS)

Alfredo D’Almeida (FAMEC)

Editor: Alfredo D’Almeida.

Equipe editorial: Aurélio Fernandes Souza, Eliane Almeida e Lilian Assumpção.

Conselho editorial: Antonio Barros, Cristina Schmidt, Guilherme Rezende, José Marques de Melo, Joseph Luyten, Maria Cristina Gobbi, Marlei Sigrist, Osvaldo Trigueiro, Roberto Benjamin, Rosa Nava, Samantha Castelo Branco, Sebastião Breguez e Severino Lucena.

Edição digital: Maria Cristina Gobbi (UMESP) e Adriana Crozariol (UMESP).

E-mail: redefolkcom@yahoo.com.br

Atenção:

Caso este informativo não seja do seu interesse, mande um e-mail para redefolkcom@yahoo.com.br, colocando no campo "assunto" a palavra DESINTERESSE.

De acordo com as normas brasileiras e internacionais, este e-mail não pode ser considerado SPAM, uma vez que inclui instruções sobre como deixar de recebê-lo.

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