Um espaço aberto para intercâmbio de informações entre pesquisadores e divulgação de eventos e estudos nas áreas de folkcomunicação, folkmídia e cultura popular
-----------------------------------------------------------------Manchetes:
1 - Editorial
2 - A gênese da Rede Folkcom, conquistas e desafios
3 - A história do JBF Jornal Brasileiro de Folkcomunicação
4 - Núcleo de Pesquisa em Folkcomunicação da INTERCOM 2003 conta com 26 trabalhos
5 - 8o Encontro com o Folclore, na Unicamp
6 - AFAG realiza o XXXI Festival de Folclore de Guarujá
7 - Olímpia mostra a cara do Brasil no 39o Festival do Folclore (FEFOL)
8 - Pesquisadores de folkcomunicação presentes no Celacom 2003
9 - Um convite à pesquisa: brincadeiras, brinquedos e cantigas infantis na cultura popular
10 - Revista Internacional de Folkcomunicação, uma conquista
11 - Livro sobre cordel em SP revê obra do cantador Téo Azevedo
12 - Jantar de confraternização do NP de Folkcomunicação
13 - Expediente
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1 - Editorial
A cultura popular, como objeto de estudos científicos, ganhou dimensões multidisciplinares com a primeira teoria brasileira no campo da Comunicação: a Folkcomunicação.
A Folkcomunicação, a primeira teoria brasileira das ciências da Comunicação e da Informação, nasceu sob a égide de outras duas iniciativas pioneiras: a fundação do primeiro Instituto de Ciências da Informação, ICINFORM, e sua publicação oficial, o primeiro periódico de estudos e pesquisas científicos em Comunicação do país: Comunicações & Problemas.
A partir da publicação do artigo "O Ex-Voto", Luiz Beltrão propõe uma nova disciplina e linha de pesquisa: a Folkcomunicação, em 1965.
De 1961 até sua morte, em 1986, Luiz Beltrão (1918) preocupou-se em instalar e solidificar as bases da educação superior e formação de profissionais da comunicação, principalmente de jornalistas. Por influência do CIESPAL, agregou às suas metas o incentivo à pesquisa sobre cultura e comunicação. No primeiro periódico científico de estudos e pesquisas em comunicação do país: Comunicações & Problemas, inspirado na publicação de excelência da época, Journalism Quarterly, lançou as bases para a pesquisa da Folkcomunicação no Brasil. Já no primeiro número publica o artigo o Ex-Voto como veículo jornalístico, a semente germinadora das pesquisas em Folkcomunicação. Segundo definição de seu próprio autor, o "estudo dos agentes e dos meios populares de informação de fatos e expressão de idéias". O universo da pesquisa proposto estende-se para o estudo dos processos comunicacionais de significação, mediante o entendimento do funcionamento das estratégias e enunciações, dos discursos, da produção e recepção de manifestações culturais populares.
A Rede de pesquisadores orgulha-se de dar continuidade ao trabalho de Beltrão e, mais recentemente, ao Jornal Brasileiro de Folkcomunicação, instituído pelo professor Sebastião Geraldo Breguez.
Todos estão convocados à pesquisa e à divulgação. As contribuições podem ser enviadas ao endereço: redefolkcom@yahoo.com.br.
Acreditamos na potencialidade e desenvolvimento deste projeto, para atender às necessidades de desenvolvimento da sociedade científica brasileira.
Rosa Maria Ferreira Dales Nava
Vice-Presidente da Rede Folkcom.
2 - A gênese da Rede Folkcom, conquistas e desafios
A idéia de criar uma rede de pesquisadores da folkcomunicação nasceu, segundo o professor José Marques de Melo, durante as discussões realizadas no seminário internacional sobre as identidades culturais latino-americanas, promovido pela UMESP em 1995, como evento preparatório para a instalação da Cátedra UNESCO de Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo.
Sob a coordenação de Marques de Melo, os pesquisares se reuniram e organizaram a I Conferência Brasileira de Folkcomunicação, realizada na UMESP, em agosto de 1998. A Rede estava criada.
Desde então, os pesquisadores da Rede Folkcom vem assumindo um papel decisivo no resgate do pensamento comunicacional de Luiz Beltrão, o pioneiro das ciências da comunicação no Brasil. Entre outras contribuições de Beltrão, Marque de Melo destaca "as idéias sobre interação entre cultura popular, cultura midiática e cultura erudita, decisivas para neutralizar o preconceito que certos segmentos da nossa intelectualidade esboçam em relação ao saber popular".
A Cátedra UNESCO tem papel fundamental nesse processo como incentivadora. "Além de promover as conferências anuais, a Cátedra decidiu realizar uma série de pesquisas comparativas, com a finalidade de dar sentido acadêmico à Rede que começava a se constituir. A primeira foi realizada em 1996, focalizando as imagens midiáticas do Natal brasileiro", conta Marques de Melo.
Mas ainda há um grande caminho a percorrer até que a folkcomunicação seja aceita plenamente pela academia. "A resistência acadêmica a novos campos da pesquisa faz parte da trajetória conservadora das nossas universidades. As culturas popular e massiva, mesmo depois de meio século da presença dos estudos de comunicação no Brasil, ainda continuam a ser vistas com menosprezo por setores universitários geralmente ancorados em postulados dogmáticos. Isso, contudo, não nos deve atemorizar. Cabe aos pesquisadores de folkcomunicação, como de outras disciplinas conexas, enfrentar as resistências no plano teórico, argumentando, além de avançar na produção de conhecimentos capazes de demonstrar a pertinência dos referenciais escolhidos. A legitimação dos novos campos do saber demanda tempo, competência e perseverança. Quanto mais se avoluma e adquire densidade um novo segmento investigativo, é natural que suscite reações, especialmente daqueles que se sentem ameaçados ao constatar que perderam a hegemonia intelectual. Estamos vivendo uma conjuntura marcada pelo pluralismo teórico e metodológico, onde há espaço para todas as correntes de idéias", conclui Marques de Melo.
(Eliane Almeida)
3 - A história do JBF Jornal Brasileiro de Folkcomunicação
O Jornal da Folkcomunicação assume novos ares. Herdeiro direto do Jornal Brasileiro de Folkcomunicação, informativo da rede de pesquisadores de Folkcomunicação, editado pelo professor Sebastião Breguez, da Univale-MG (Universidade Vale do Rio Doce), a partir de março de 1999.
O JBF divulgou o trabalho da Rede Folkcom durante três anos e contribuiu para aglutinar novas adesões para os estudos em folkcomunicação, apresentando um painel dos variados tipos de trabalhos científicos desenvolvidos pelos pesquisadores que atuam na interface da Cultura Popular e a Cultura de Massa.
Abaixo, Sebastião Breguez conta como surgiu a idéia de fazer o JBF.
"A Rede Folkcom nasceu em 1998, em agosto, durante a primeira Conferência Nacional realizada na UMESP, sob a idealização do prof. José Marques de Melo. Contou com a participação dos principais estudiosos do folclore e da comunicação. O professor mineiro Guilherme Rezende, da FUNREI, de São João del Rey, logo articulou a segunda Conferência em Minas (1999). A partir daí, tive a idéia de fazer um jornal mensal, como o JBCC, editado pela professora Cristina Gobbi, para ser um ponto de encontro dos pesquisadores e costurar a articulação da rede. Aí nasceu o Jornal Brasileiro de Folkcomunicação, com dez matérias, entre notas e artigos. Normalmente um artigo maior e nove notas informativas de dez linhas. A idéia inicial era de ajudar a divulgar a Conferência de S. João del Rey e articular novas adesões ao grupo. Mas o jornal pegou, recebeu colaborações de pesquisadores de todo o Brasil. Dessa forma, fiz o jornal, mensalmente, com a colaboração de dezenas de colegas, de janeiro de 1999 até o ano passado (2002). Fiz uma edição mais light, semanal, com o nome Agenda da Folkcomunicação, um projeto experimental com os alunos de jornalismo do UNIS-Centro Universitário do Sul Minas, com duas páginas e notícias de cinco linhas. Com a criação da Folkcom, enquanto instituição, com regime jurídico de ONG, ela tem de fazer o seu jornal oficial, para o qual pretendo colaborar. Penso que todos os que contribuíram para a construção da Folkcom estão realizados ao ver a consolidação de mais uma instituição de pesquisa comunicacional no Brasil."
4 - Núcleo de Pesquisa em Folkcomunicação da INTERCOM 2003 conta com 26 trabalhos
O Núcleo de Pesquisa em Folkcomunicação da Intercom selecionou 26 trabalhos para apresentação no XXVI Congresso da INTERCOM, de 2 a 6 setembro, no Campus da PUC-MG. Constam também do programa dois seminários: "Itineranças mineiras de Luiz Beltrão" e "Folkmídia: a presença do folclore na mídia".
Aqui, você encontra toda a programação do NP. No próximo número do JF, publicaremos os resumos dos trabalhos. Mais informações sobre o evento no site da Intercom: www.intercom.org.br.Programa
I) 5 de setembroA) Manhã (das 9h às 12h)
Conferência de abertura: Prof. Dr. Sebastião Breguez Luiz Beltrão e a folkcomunicação uma introdução à teoria brasileira da comunicação.
Apresentação de Pesquisas:
1) Alfredo Dias DAlmeida Folkcomunicação: de comunicação dos "marginalizados" a meio de expressão dos dominados;
2) Ana Maria Strahschoen Mídia e memória coletivas;
3) Ana Cristina Cavalcanti Pimenta Caipiras e countries da Capital Federal;
4) Aparecida Ribeiro dos Santos O RAP reinterpretando na rima o dia a dia da comunidade;
5) Betania Maciel e Cerize M. e Cerize M. Ramos Ferrari O discurso usado pelos vendedores ambulantes no ato de venda de seus produtos;
6) Beth Jesumary Caminho de Fé: versão nacional do Caminho de Santiago de Compostela;
7) Cândida Rosa Ferreira Costa e Regina Glória Andrade Carnaval, samba e comunicação no Morro da Mangueira.
8) Maria José Oliveira Benditos sejam: uma nova maneira de perceber a literatura de cordel.
B) Tarde (das 14h às 18h)
Apresentação de Pesquisas
1) Carla Pollake Casaca e som capixaba na mídia;
2) Carlos Henrique de Souza A net como mídia do folclore;
3) Carmen Tasch O resgate do folclore de Búzios como recurso à promoção do bem-estar sócio internacional;
4) Cristina Schmidt Metodologias da Folkcomunicação: uma avaliação da 6ª Folkcom;
5) Daniela Baroni Mazzaropi e a mídia regional;
6) Franz Proglhof, Ana Lúcia Nishida Tsutsui, Camila Gregório do Nascimento, Cristine Gleria Vecchi, Roberta Mioni Coltro, Taís Rios Salomão, Vanessa Mazza Furquin O Pau-da-Missa como veículo folkcomunicacional na vila Paranapiacaba;
7) Guilherme Mattoso e Simone Orlando - A festa do Fado de Quissamã;
8) Osvaldo Trigueiro A Copa do Mundo de 2002 e as Festas de São João no Nordeste: a reinvenção das tradições culturais nordestinas.
9) Roberto Benjamin Os romances de tradição ibérica na obra midiática de Antônio Carlos Nóbrega.
10) Clara Correa O real informativo simulado na crônica opinativa radiofônica popular.
II) 6 de setembro
A)Manhã (das 9h às 12h)
Seminário: Itineranças mineiras de Luiz Beltrão
Expositores:
Prof. Lélio Fabiano (PUC/MG);
Prof. Valdir Silva (UFMG);
Profa. Dr. Carmen Massote (UFMG);
Prof. Dr. Antonio Fausto Neto (UNISINOS/RS);
Profª. Dr. Maria Ângela Mattos (PUC-MG);
Moderador: Prof. Dr. Roberto Benjamin (UFRPE);
Coordenação: Prof. Dr. Sebastião Breguez (UFV/MG).
B)Tarde (das 14h às 16h)
Apresentação de Pesquisas
1) Maria Isabel A.R. Souza O Auto da Compadecida: da cultura popular à cultura de massa uma análise a partir da Folk-mídia ;
2) Sergio Ferretti e Gerson Lindoso Os meios de comunicação no universo afro-religioso maranhense: cultura mística e folkcomunicação;
3) Roberto Melchior - Do sagrado ao profano: uma visão fotográfica;
4) Rosa Nava Educação e Folkcomunicação;
5) Valéria Amim Mídias espontâneas e cultura popular: um estudo em Ilhéus;
6) Wanda Cunha Albieri Nery Dança conga: o ritual sagrado de uma tradição milenar, um olhar folkcomunicacional;
7) Zeneida Assumpção A cultura ucraniana na radiodifusão paranaense: folclore e expressão midiática da cultura dos grupos étnicos;
8) Sebastião Breguez O Cordel em Minas Gerais: uma análise da produção cultural de Téo Azevedo.
Seminário (das16h às 18h): Folkmídia: a presença do folclore na mídia.
Jornalista João Paulo, Editor de Cultura do jornal Estado de Minas;
Jornalista Antonio Siuves, Editor de Cultura do jornal O Tempo;
Jornalista Carlos Felipe (Pesquisador de Folclore, escritor e jornalista);
Jornalista Roberto Mendonça, Editor de Cultura do jornal Hoje em Dia;
Moderadores: Profª Drª Cristina Schmidt (UMC/SP) e Profª Drª Maria Cristina Gobbi (UMESP).
Coordenação: Prof. Dr. Sebastião Breguez (UFV/MG).
5 - 8o Encontro com o Folclore/cultura popular, na Unicamp
A Projeto Folclore, da Unicamp, coordenado pelo professor Avelino Bezerra, promove, de 18 a 22 de agosto de 2003, o 8° Encontro com o Folclore/Cultura Popular, no Espaço Cultural Casa do Lago, localizado na própria universidade.
Constam da programação: cursos para educadores, mostra de filmes e documentários, apresentações artísticas do músico Ivan Vilela e dos grupos Orquestra de Violas, Folia de Santo Reis de Campinas, Fandango de Tamanco de Ribeirão Grande e Caiapó de São José do Rio Pardo, além de exposição fotográfica.
Os cursos abordarão as atuais reflexões acadêmicas sobre a cultura popular e serão ministrados pelos professores Antonio Augusto Arantes, Avelino Bezerra, Ivan Vilela, Olga Von Sinsom, Margareth Brandini Park e José Roberto Zan. Haverá também um bate-papo com o babalorisá Moacyr de Sangò.
Para a mostra de filmes, estão programadas apresentações dos documentários: Festa do Divino de Alcântara, Na Rota dos Orixás, Aruanda, Janela para os Pireneus, Arturos Olhos do Rosário, Boi do Maranhão, Festa do Divino de São João Del Rei e Boi Bumbá de Parintins e dos longas metragens Tristeza do Jeca, Marvada Carne, O pagador de Promessa, Macunaíma e Central do Brasil.
O Projeto Folclore é desenvolvido na UNICAMP desde 1992.
Mais informações na home-page do evento www.unicamp.br/folclore, ou pelos e-mails: casadolago@reitoria.unicamp.br e avefolk@unicamp.br
6 - AFAG realiza o XXXI Festival de Folclore de Guarujá
A Associação de Folclore a Artesanato de Guarujá (AFAG) realiza, durante este mês, o XXXI Festival de Folclore de Guarujá. Este ano, a maior parte das atividades será realizada no espaço cultural "Alberto Marques", da Câmara Municipal, onde também ocorre a exposição coletiva dos artesãos.
Na abertura oficial do evento, no dia 1o, a presidente da AFAG, Baronesa Esther de Almeida Karwinsky, lembrou aos presentes que o mês de agosto foi oficializado "Mês do Folclore" em todo o território nacional, por meio de lei federal assinada em 1965, pelo então Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco. No Estado de São Paulo, a oficialização foi assinada pelo então governador Paulo Egydio Martins. No Guarujá, pelo atual secretário da saúde municipal, Jerônimo Ferreira Villanueva, quando presidente do legislativo e interinamente substituindo o prefeito municipal.
Entre as atividades programadas para o XXXI Festival de Folclore, estão a apresentação dos documentários "Cultura Popular de Sergipe" e "Congresso de Folclore de Natal (RN)", de Dilia Dulce; um concurso de brinquedos folclóricos, na Academia de Capoeira "Grupo Senzala", em Vicente de Carvalho; e batismo de capoeira, no Centro Poli-esportivo "Tegereba", no início da Praia da Enseada. Vale lembrar que a AFAG mantém exposição permanente de seus associados na sua sede Av. Ademar de Barros, ao lado da Escola Santa Emilia (FEBEM), em Guarujá.
Na Escola "Raquel de Castro Ferreira", Av Leomil, Centro, acontecem apresentações de danças, cantos e literatura popular, pelos alunos, e da "Cantiga de Pila", por Jose Gomes Sobrinho, o popular Zezão, sócio e colaborador da entidade. Já na EE "Marechal do Ar" será apresentado o "Folclore Internacional", no dia 22, "Dia Nacional do Folclore". E, no dia 29, no mesmo local, o "Festival do Folclore Nacional".
O encerramento do XXXI Festival de Folclore acontecerá na sede da entidade, com visita ao seu acervo e breve comentário analítico por Aurélio Fernandes de Souza, professor de comunicação, pesquisador de cultura popular e membro da Rede FolkCom.
7 - Olímpia mostra a cara do Brasil no 39o Festival do Folclore (FEFOL)
De 9 a 17 de agosto, a cidade de Olímpia, no interior de São Paulo, promove o 39º Festival do Folclore (FEFOL). Com o tema "Olímpia mostra a cara do Brasil", a programação inclui apresentação de grupos folclóricos, oficinas, exposição de arte e artesanato, barracas de comidas típicas e outros produtos das diferentes regiões brasileiras.
O Festival se constitui em um dos mais importante laboratório de estudo de manifestações folclóricas do país, em razão de atrair grupos representativos das raízes brasileiras e ser criteriosa em sua aceitação. Francisco Weffort, na introdução da obra Um olhar sobre a cultura brasileira (FUNARTE, 1998), o coloca ao lado de outros três eventos que acontecem em cidades médias do Brasil: Boi de Parintins (AM), Paixão de Cristo de Nova Jerusalém (PE) e Cavalhada de Pirenópolis (GO).
A cidade de Olímpia localiza-se ao norte do Estado de São Paulo, a 440 quilômetros da Capital e tem uma população de 50 mil habitantes. No período de folclore a cidade recebe 150 mil pessoas na Praça de Atividades Folclóricas Prof. José Santanna. A maior afluência de visitantes ocorre no encerramento, quando se realiza o desfile com a participação de todos os grupos (cerca de 2.500 integrantes, em 2002).
Mais informações pelo e-mail lmjluval@uol.com.br
8 - Pesquisadores de folkcomunicação presentes no Celacom 2003
O JF publica abaixo o resumo dos trabalhos apresentados no VII Colóquio Internacional sobre a Escola Latino-Americana de Comunicação CELACOM 2003, promovido pela Cátedra UNESCO de Comunicação e pelo Programa de Pós Graduação em Comunicação Social da UMESP, em / Faculdade de Comunicação Multimídia da UMESP, de 26 a 28 de maio.
A íntegra dos artigos está disponível em CD-ROM, que pode ser adquirido na Cátedra da UNESCO/UMESP. Mais informações pelo telefone (11) 4366-5821 ou pelo e-mail catedra.unesco@metodista.br.
Educação e folkcomunicação
Profª Drª Rosa Maria Nava (UNIMONTE)
Resumo
Luiz Beltrão lançou as bases para a pesquisa da Folkcomunicação no Brasil no primeiro periódico científico, de estudos no campo comunicacional do país: Comunicações & Problemas. Já no primeiro número publica o artigo o Ex-Voto como veículo jornalístico, a semente germinadora das pesquisas em Folkcomunicação. Segundo definição de seu próprio autor, o "estudo dos agentes e dos meios populares de informação de fatos e expressão de idéias". O universo da pesquisa proposto estende-se para o estudo dos processos comunicacionais de significação, mediante o entendimento do funcionamento das estratégias e enunciações, dos discursos, da produção e recepção.
O caminho percorrido por Luiz Beltrão até a definição da folkcomunicação
Eliane de Souza Almeida Oliveira da Silva (UMESP)
Resumo
Este trabalho visa traçar a trajetória do pensamento comunicacional de Luiz Beltrão até a formulação da teoria da Folkcomunicação. Jornalista além de seu tempo, Beltrão causou polêmica ao defender sua tese de doutorado que tinha como tema a forma de comunicação, com base no folclore brasileiro, das camadas populares da sociedade a quem definiu como marginalizados.
Para chegar à tal teoria foi longo o caminho. Prof. Dr. José Marques de Melo diz que para entender essa trajetória é necessário que se conheça a trilogia de Beltrão. É esse caminho percorrido por Luiz Beltrão que será estudado.
Beltrão e a questão da ética no ensino do jornalismo
Mônica Resende de Oliveira (UMESP)
Resumo
O artigo irá tecer um panorama da questão ética no jornalismo, quais as suas implicações no cotidiano das redações e seu papel como pano de fundo da profissão.
Principalmente, irá discorrer como Luiz Beltrão posicionava-se em relação à ética na sua trajetória, primeiro como jornalista e, em seguida, como professor e pioneiro do ensino na área. De que forma a ética do jornalismo, enquanto função social, transparecia nas suas atividades profissionais a ponto de se tornar exemplo para diversas gerações, até os dias de hoje.
Folkmídia: a cultura popular viva nos meios de comunicação e na Universidade Metodista de São Paulo
Rosangela Marçolla (UMESP)
Resumo
Com este trabalho, resgata-se a importância dos estudos comunicacionais do Grupo de São Bernardo, do curso de pós-graduação em Comunicação Social, em suas linhas de pesquisa e sua contribuição para o conhecimento científico.
A Folkcomunicação, matéria de estudo de Luiz Beltrão, é retratada como uma vertente dentro do pensamento comunicacional brasileiro e a Folkmídia, que enfoca as reverberações do folclore pela mídia, são os temas abordados nesta pesquisa. E, para comprovar a sua presença nos campos da UMESP, são identificados textos em dissertações, teses, revista científica e os eventos do FOLKCOM, desde 1998 até 2003.
Celebração Santista no Círio de Nazaré
Lílian Assumpção (Unisantos)
Resumo
Os festejos do Círio de Nazaré tiveram origem em Belém, no estado do Pará, e desde 15 de Outubro de 1950 tem esta tradição realizada também na cidade de Santos. Em comemoração ao aniversário da Sociedade Amigos da Amazônia, fundada em 13 de Outubro de 1949, foi realizada a primeira festa do Círio de Nazaré.
Esta celebração, tão importante para os paraenses quanto o Natal, recorda a imagem que foi encontrada às margens do igarapé Murutucu pelo caboclo Plácido de Souza no ano de 1700, onde hoje está localizada a Basílica de Nazaré, em Belém.
Além desta preocupação por uma continuidade das tradições amazônidas, fiéis comparecerem todos os 2º domingos de cada mês para assistirem à missa em louvor a Santa na Igreja da Pompéia.
A indústria cultural e a folkmídia
Maria Isabel Amphilo Rodrigues de Souza (UNIFIAM/FAAM)
Resumo não disponível
9 - Um convite à pesquisa: brincadeiras, brinquedos e cantigas infantis na cultura popular
Lilian Assumpção
Manifestações folclóricas ou de cultura popular estão presentes na vida das pessoas desde a infância. Algumas delas passam quase que imperceptíveis, principalmente nas comunidades urbanas, onde a falta de espaço para recreação e a diversidade em opções eletrônicas prejudicam a prática de atividades em grupo.
Entretanto, a oralidade torna possível a divulgação dessas manifestações, mesmo sem o conhecimento de sua origem. Um exemplo é o trecho da cantiga:
"Eu fui no Tororó
Beber água e não achei
Encontrei bela morena
Que no Tororó deixei..."
Essa cantiga possui diversas variações em todo o país, porém conserva a referência à fonte do Itororó, localizada no sopé do Monte Serrat, em Santos, São Paulo, um dos pontos históricos mais importantes dentro do cenário cultural desta cidade.
No século XIX, a fonte era utilizada pelos moradores da região para lavar roupas e no abastecimento de água, tanto das moradias como dos navios que atracavam na Baía de Santos. Posteriormente, em 1935, tornou-se um local de lazer das famílias do Bairro Chinês em temporadas de calor e, também, tema de algumas lendas populares. Dizia-se que aquele que bebesse das suas águas jamais iria embora da cidade.
Os índios já utilizavam a fonte antes de os colonizadores aqui chegarem. Daí a origem do nome: Itororó em tupi-guarani significa "fonte de água" ou "água barulhenta".
Existem diferentes hipóteses sobre o surgimento da cantiga "Tororó". O estudioso brasileiro Paulo Carvalho Neto acusa o surgimento dessa música no Paraguai. Para o Frei Pedro Sinzing o tema está contido em "O Guarani", do maestro Carlos Gomes (CONDE, 1985).
Com interesse neste tipo de manifestação de cultura popular, na maneira como se expandem e se sociabilizam, a Rede Folkcom convida a todos os pesquisadores, professores e seus alunos a participarem de um mapeamento de "brincadeiras, brinquedos e cantigas infantis" em todo o território brasileiro. O trabalho deverá descrevê-las e tentar responder as seguintes questões básicas:
Quem delas participa?
Como surgiram?
Como se desenvolveram?
Como se dá sua sociabilização?
Sofreram modificações ou influências externas ao grupo que as utiliza?
Existem variações de acordo com as regiões brasileiras? Há adaptações?
Todos os textos deverão ter no máximo 30 linhas, no corpo 12, "Times New Roman", com os nomes dos integrantes de cada grupo, nome da entidade da qual fazem parte e e-mail de contato.
Os trabalhos devem ser enviados para: redefolkcom@yahoo.com.br
Bibliografia consultada:
CALDAS, Albino Luiz. A Fonte do Itororó. Artigo, s/d, s/e.
CONDE, Florinda Pinto Dantas. Relatório da Bahiatursa, Órgão Oficial de Turismo do Governo da Bahia, 28.08.1985.
10 - Revista Internacional de Folkcomunicação, uma conquista
Já está quase pronto o segundo número da Revista Internacional de Folkcomunicação, periódico científico virtual da Rede de Pesquisa em Folkcomunicação. Seu objetivo é divulgar trabalhos de pesquisa realizados por pesquisadores associados à Rede Folkcom, investigadores independentes, estudantes de graduação e pós-graduação, especialmente dos países lusófonos e ibero-americanos.
O primeiro número está disponível em
www.iesb.br/sipec/Revista.pdf (site do Instituto de Educação Superior de Brasília)Abaixo, a relação dos artigos que serão publicados e seus autores.
Artigos
1. Nem esquecer o passado nem ficarmos lá: Folkcomunicação na aldeia global a difusão radiofônica da música folclórica na Colômbia.
Esmeralda Villegas Uribe Universidade Autônoma de Bucaramanga, Colômbia.
2. A imprensa do povo na ficção brasileira: cenários e personagens.
Antonio Hohlfeldt PUCRS.
3. Tendências regionais em Folkcomunicação: o caso de Mato Grosso do Sul.
Marlei Sigrist Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).
4. Luiz Beltrão e Gilberto Freyre: paralelos no estudo da folkcomunicação e religiosidade na catequese jesuítica no Brasil colonial.
Antonio Teixeira de Barros Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) e Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB).
5. Da religiosidade canônica à popular: a Basílica da Penha do Recife Pernambuco.
Lúcia Noya Galvão y Salomé Ratis Universidade Federal Rural de Pernambuco.
6. Folkcomunicação da latrina: estudo dos grafitos de sanitário da Unesp/Bauru.
Tamara de Souza Brandão Mestranda em Comunicação Midiática (UNESP/Bauru).
7. Caipiras e countries da capital federal: Estudo sobre a Exposição Agropecuária de Brasília como processo comunicacional.
Ana Cristina Cavalcanti Pimenta Instituto de Ensino Superior de Brasília (IESB) e do Centro de Ensino Unificado de Brasília (UniCEUB).
8. A Indústria Cultural e a Folkmídia.
Maria Isabel Amphilo Rodrigues de Souza UniFIAMFAAM
Resenhas
1. São Severino dos Ramos : um santuário popular e folkturístico. Severino Alves de Lucena Filho Universidade Federal da Paraíba.
2. Folkcomunicação: Um estudo dos agentes e dos meios populares de informação de fatos e expressão de idéias. Maria Isabel Amphilo Rodrigues de Souza UniFIAMFAAM
3. Os Bonecos do Elias: elementos folkmidiáticos às margens do rio de Piracicaba. Rosangela Marçolla Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).
4. O entretenimento popular muito além das lonas. Daniel Galindo Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).
11 - Livro sobre cordel em SP revê obra do cantador Téo Azevedo
O professor Dr. Sebastião Breguez (UFV-MG) lançou, em São Paulo, no início de agosto, o livro "O cantador popular Téo Azevedo", que aborda a obra de cordel desse poeta e repentista mineiro da região de Montes Claros no Norte de Minas.
O livro, publicado pela Editora Hedra (SP), faz parte da Coleção Literatura de Cordel, dirigida e organizada pelo professor Dr. Joseph Luyten (UMESP) com o objetivo de resgatar a memória da literatura de cordel no Brasil. A coleção já conta com mais de 20 títulos.
Sebastião Breguez conheceu Téo Azevedo em meados da década de 1970, quando trabalhava como redator de Cultura do jornal Estado de Minas, em Belo Horizonte. Desde então, já escreveu três livros sobre o cantador e foi um dos principais divulgadores de sua obra.
Téo Azevedo, hoje com mais de 2.000 músicas de sua autoria gravadas por dezenas de interpretes, publicou uma centena de folhetos de cordel, editou dezenas de discos e CDs de música popular, sertaneja e repente. Participa de todos os festivais de música popular e repente no Brasil e exterior.
12 - Jantar de confraternização do NF de Folkcomunicação
O Núcleo de Folkcomunicação da INTERCOM está organizando um jantar de confraternização, por adesão, em Belo Horizonte, no dia 3 de setembro, às 20h, no Restaurante-Cachaçaria Emporium, na Avenida Afonso Pena, 4.034, Mangabeiras.
O objetivo é fazer encontro informal dos pesquisadores para troca de informações e material, além de permitir a degustação de comida típica mineira regada de todas as marcas de cachaça típica regional.
Confirmar adesão pelo e-mail:
breguez@uai.com.br. A despesa deve ficar em torno de R$30,00 por pessoa (no máximo).
13 - EXPEDIENTE
O JORNAL DE FOLKCOMUNICAÇÃO é uma publicação da Rede FOLKCOM e conta com o apoio da Cátedra UNESCO de Comunicação e Desenvolvimento Regional/ UMESP Universidade Metodista de São Paulo, cujo titular é o Prof. Dr. José Marques de Melo.
Rede Folkcom
Diretoria
Cristina Schmidt (UMC UBC)
Rosa Nava (Unimonte)
Samantha Castelo Branco (UniFIAM)
Fábio Corniani (Univap)
Marlei Sigristi (UFMS)
Alfredo DAlmeida (FAMEC)
Editor: Alfredo DAlmeida.
Equipe editorial: Aurélio Fernandes Souza, Eliane Almeida e Lilian Assumpção.
Conselho editorial: Antonio Barros, Cristina Schmidt, Guilherme Rezende, José Marques de Melo, Joseph Luyten, Maria Cristina Gobbi, Marlei Sigrist, Osvaldo Trigueiro, Roberto Benjamin, Rosa Nava, Samantha Castelo Branco, Sebastião Breguez e Severino Lucena.
Edição digital: Maria Cristina Gobbi (UMESP) e Adriana Crozariol (UMESP).
E-mail: redefolkcom@yahoo.com.br